Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 15/7/95 – Sábado – p. 8 de 8

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 15/7/95 — Sábado

Um exemplo do drama de uma prisão * Há em Elias uma coisa que me dá uma impressão muito forte e que me embevece: é uma força de querer, em que ele inteiro quase que se transforma na sua própria vontade * Diante do crescente culto a Baal em Israel e a decadência da religião judaica, Elias só poderia querer o extermínio completo daquilo o mais rápido e gloriosamente possível * O modo de proceder de Elias * Tudo muito pensado * O desejo de extermínio que animava Elias e que era acompanhado de uma prece * A atitude de Deus parece antiaxiológica, para provocar em Elias um desejo arquiintenso * Vendo a desordem chegar em certos auges inimagináveis, essas almas podem ter uma espécie de sobressalto, com possibilidade de ser tão grande, que elas entrariam para a Contra-Revolução * A Bagarre vai passando como um sol cada vez mais intenso sobre um pantanal; as águas do pantanal vão secando, até virarem lama dura e ter exércitos de cavaleiros que passam sobre aquilo * Pode-se imaginar que Nossa Senhora tenha feito uma meditação sobre os horrores, e, em conseqüência disto, entender a necessidade da Encarnação como resposta * Saudades destas conversas durante a “Bagarre”

[O Senhor Doutor Plinio está com a voz bem tomada pela gripe.]

Vocês conhecem a coisa, não é?

(Sr. N. Fragelli: Não, senhor.)

Eu peço que vocês todos mantenham sob segredo.

(…)

(Sr. Guerreiro: (…) Nós sabemos que nesses últimos quinze dias o senhor tem passado tanto incômodo, com este assunto da Espanha…)

Uma tragédia! não é incômodo.

Sr. Guerreiro: Uma tragédia. E dentro dessa tragédia nós ficamos nessa situação: da tragédia seria interessante poupar o senhor de perguntar algo, seria mais distensivo não tratar do assunto…)

(…)

* Um exemplo do drama de uma prisão

prisões junto ao rio Neva. E com as prisões abaixo do nível do rio, de maneira que entre as águas do rio e as janelinhas da prisão existe um hiato para entrar ar, mas de fato aquela água está correndo mais alto do que as próprias janelinhas das prisões. E os prisioneiros moram cada um numa cela, com uma chave do lado de fora, trancada, tendo por agasalho — vocês podem imaginar os frios nos invernos — apenas uma capa quente, mas que não basta para o gasto nem um pouco; comida insuficiente e de uma qualidade péssima; silêncio absolutamente perpétuo, nunca conversar com ninguém e nunca trocar de roupa. De maneira que aquele agasalho e aquela camisa que eles têm quando fica em pedaços não é substituída. E quando o carcereiro entra para dar a comida tem ordem de não dizer nem sequer bom-dia.

Ele conta de um sujeito que há trinta anos que estava nesse regime, tinha ficado de tal maneira desvairado, que não tinha mais o que dizer. Então ele estava só.

Ele ficava esperando a clemência do tzar, mas o tzar nem mais sabia que ele existia nem nada. Provavelmente já era um tzar anterior, etc. Quando — fato estranho, que lhe chamou muito atenção — ele ouve passos no corredor, fora da hora em que vem o carcereiro lhe trazer comida. Então é alguma coisa: será uma mensagem do tzar?

Chega o homem, entra, e diz a ele:

Suba — “suba”, palavra mágica! — até ao tantésimo andar que fica à flor do chão.

Oh!

Chega em cima, um frio de tiritar, vento, e um pelotão de execução. O pelotão diz a ele:

Coloque-se no meio do rio.

Chega lá e ele encontra em certo lugar o material necessário para abrir um buraco na camada de gelo que recobria aquilo. Então ele abre o buraco e já está vendo para o que é que é. Ele obedece sem dizer nada.

Quando ele abriu a coisa, o sujeito fez para ele um sinal:

Pule dentro.

Ele fez um sinal assim, fez um nome do Padre furtivo, depois pulou dentro e, por causa do extremo frio, em poucos minutos aquela superfície gelada estava recomposta.

(…)

Eu não estou me lembrando bem exatamente do fundamento em que eu assentei, segundo você diz, a tese de que Elias pedindo, Deus necessariamente dá.

(Sr. G. Larraín: Não, o senhor não disse que necessariamente dá. O senhor disse que Elias arranca coisas de Deus, que Deus como que não daria.)

Sei.

(Sr. G. Larraín: Quando Deus vê que Elias arranca d’Ele aquilo que Ele não daria, Deus fica muito comprazido. Não é uma coisa determinista: Elias pediu e Deus deu na hora, não é assim. Mas que certo tipo de coisas que ninguém obteria, Deus para Elias obtém.)

É, isso é uma coisa…

(Sr. P. Roberto: Só para lembrar uma coisinha que o senhor disse nessa reunião que o Sr. Gonzalo está dizendo. O senhor falava dos dois carretéis [da História], que um estava no Céu e outro aqui na Terra. E que o profeta Elias ou alguém da família eliática mexendo no carretel daqui, mexia também no carretel do Céu, que era o mesmo carretel que se enrolava e se desenrolava aqui na Terra. Foi uma figura muito bonita que o senhor deu e não sei se isso evoca alguma coisa ao senhor.)

Evoca e está na linha que diz o Gonzalo, quer dizer, não existe um automatismo dentro disto, mas existe uma certeza de que Elias pedindo de certa maneira, Deus dá. Deus dá como que arrancado, também é verdade — nós temos que ver daqui a pouco como é o arrancado —, mas Deus dá muito comprazido, porque ele quer que se Lhe arranque isso.

(Sr. P. Henrique: É o que Ele queria, não é?)

É o que Ele queria.

* Há em Elias uma coisa que me dá uma impressão muito forte e que me embevece: é uma força de querer, em que ele inteiro quase que se transforma na sua própria vontade

Não é de bom estilo e não é de bom tom fazer comparação entre Santos. Quer dizer, São José foi maior do que Elias, etc. Embora São José tenha sido tão grande, que quase que não se pode compreender que alguém tenha se igualado a ele. Mas, afinal, seria um exemplo a dar.

A Igreja não gosta dessas discussões. Tanto é que elas cessaram. Antigamente havia polêmicas encarniçadas entre católicos se, por exemplo, o Anjo da Guarda era maior do que o Anjo que custodia um país, e daí para fora.

Mas há em Elias uma coisa que, sem entrar nessas discussões assim, me dá impressão muito forte e que me embevece com Elias: é uma força de querer, em que ele inteiro quase que se transforma na sua própria vontade. Ele é um querer aquilo, e um querer aquilo com todo querer que no homem possa haver, naquele homem há, que é com uma intensidade como poucos homens tiveram na História da Humanidade.

Esse querer assim tem, em si, uma das notas da oração eficaz, quase que se diria hipertrofiada. Portanto, com uma força impetratória inteiramente excepcional.

Imagine que Elias estivesse aqui na Terra e ele quisesse, por exemplo, exterminar….

(…)

criatura dele como que transformada em impetração, porque era o caso de Elias, ele põe à prova e vê que a coisa sai.

* Diante do crescente culto a Baal em Israel e a decadência da religião judaica, Elias só poderia querer o extermínio completo daquilo o mais rápido e gloriosamente possível

Eu dou um exemplo e sentiremos tudo isso juntos.

Aquela degola daqueles quatrocentos sacerdotes de Baal. A gente sente na narração a intensidade com que Elias estava vendo esses quatrocentos sacerdotes batendo pernas no território eleito da nação eleita, e fazendo o culto de Baal lá, e aquela porcaria daquela Jezabel que estimulava tudo isto, e o culto do verdadeiro Deus amesquinhado, reduzido, poeira no Templo quase vazio, etc. Isso punha Elias numa situação em que ele necessariamente só poderia querer o extermínio completo daquilo o mais rapidamente possível, o mais gloriosamente possível, de tal maneira que aquilo nunca pudesse renascer. Só podia ser isto.

Ele querendo isto, a gente vê que ele pediu a Deus que Deus lhe desse licença licença de matar aquela cachorrada, e que Deus não só lhe deu licença, mas deu ordem.

Veio daí uma espécie de realização do desejo “A” dele. Ele inteiro era a realização daquilo, ele inteiro era aquele morticínio, ele inteiro era… Bem, então é o modo de realizar tudo.

* O modo de proceder de Elias

Em primeiro lugar, ele manda prazenteiramente: “Toquem vocês na frente. Vocês são quatrocentos, eu vou ficar aqui assistindo. Eles começam lá não me lembro que sacrifício e a coisa não dá resultado nenhum, nem sai chuva, não acontece nada, é aquele horror”.

(Sr. Guerreiro: O fogo do céu devia consumir as oferendas, não é?)

É, devia baixar o fogo para consumir aquelas oferendas e não baixa nada. Elias começa, então, o debique.

O que ele fez contra aquele pessoal foi propriamente o debique e o escárnio animado pelo desdém e pelo desejo de humilhar, provocando e tornando impossível qualquer revide.

(Dr. Edwaldo: Dizia: “Gritai mais alto porque o vosso deus está dormindo”.)

É isso, isso. Por exemplo, isso.

Você pode imaginar o ódio daqueles sacerdotes de Baal com isso e baixinho o que é que eles diziam para Baal, não é? E Baal estava dormindo mesmo.

Afinal de contas a coisa não veio. Não veio e os sacerdotes com uma vontade louca de matar Elias. Mas sentem por detrás que o rei e o povo não permitiriam que eles matassem Elias, e que eles seriam mortos. Para eles era pior, eles não podiam fazer isso. Jezabel querendo matar, mas também não dava jeito.

Aí chega a vez dele. O escárnio elevado até à hipérbole. Ele enche uma espécie de circunvalação com água… Como é que foi o negócio?

* Tudo muito pensado

(Dr. Edwaldo: Ele manda fazer um valo mesmo em torno do altar e depois mandou trazer água em quantidade para ser jogada sobre as vítimas. A água correu tanto que molhou todas as vítimas e encheu esse valo. Era tal a quantidade de água.)

Notem bem o seguinte: que tudo parece pensado. Se ele não mandasse fazer o valo, aquela água escorreria pela terra e desapareceria a noção de quanta água tinha corrido. Mas com o valo em torno, embora pegasse fogo nas vítimas, ficava claro que quantidade de água tinha sido molhado em cima delas. De maneira que a intenção sarcástica é uma intenção evidente.

Ele comentava, dizia coisas, não é?

(Dr. Edwaldo: Nesse momento eu não me lembro. Lembro-me que antes enquanto os sacerdotes de Baal dançavam pediam que Baal interviesse, eles começaram a se cortar, cortar as carnes, ficaram todos sangrando, e Elias gritava: “Gritai mais alto, gritai mais alto, porque o vosso deus está dormindo. Ele sabe que está dormindo”. O fogo não veio e aí ele mandou fazer essa operação com a água.)

E aí baixou o fogo?

(Dr. Edwaldo: Aí baixou o fogo e consumiu tudo.)

(Sr. G. Larraín: Depois ele matou aos quatrocentos.)

Foi.

O mais curioso é que não aparece na narração nenhuma tentativa de fuga dos quatrocentos. Eles se deixaram matar esmigalhados, humilhados, destroçados, talvez não querendo mais viver depois daquilo…

(Dr. Edwaldo: Eles estavam cercados pelo povo.)

Ainda mais essa.

(Dr. Edwaldo: Então Elias disse: “Vede então qual é o verdadeiro Deus de Israel”.)

Como é que é?

(Dr. Edwaldo: Disse ao povo: “Vede agora qual é o verdadeiro Deus de Israel”. Aí ordenou ao povo que agarrasse o pessoal, levasse para o tal lugar e ele mesmo matou.)

É, ele matou cada um, não foi?

(Dr. Edwaldo: É.)

* O desejo de extermínio que animava Elias e que era acompanhado de uma prece

Vocês estão vendo que o desejo de extermínio que animava Elias e que era acompanhado de uma prece, é evidente que ele pedia aquilo, foi atendido, foi superatendido, mas pelo valor impetratório extraordinário de um homem transformado em labareda de oração. É uma coisa que se compreende perfeitamente.

Qual é a pergunta que você tinha posto a esse respeito?

(Sr. G. Larraín: […] Isso a gente vê — creio eu — que Santa Teresa não tinha inteiro, ou tinha uma parte, eu não sei. Mas outros santos, gente muito boa, não tem isso. O que é que é característico nisso dessa família de almas?)

Eu acho que o que há nisso de característico é o modo de ser em que se põe a situação.

Quer dizer, uma coisa altamente desejável para a glória de Deus e para o bem da Igreja Católica e que circunstâncias concretas estão pondo o oposto, e pondo o oposto de um modo tal, que Deus parece dormir. Aqui está a questão.

De onde a cólera de Elias não se podendo pôr — e não se pondo nem de longe —, em Deus Nosso Senhor, toda a insatisfação dele se derrama justiceiramente sobre os culpados. Mas, Deus vê nesse desagrado supremo um desejo supremo do bem que está sendo negado.

* A atitude de Deus parece antiaxiológica, para provocar em Elias um desejo arquiintenso

Esse desagrado tem isso de peculiar: que a atitude de Deus parece antiaxiológica. Para provocar em Elias um desejo arquiintenso, Ele toma uma atitude que parece antiaxiológica, para Elias de nenhum modo querer.

E então Diante desse simulacro antiaxiológico Ele cria uma pessoa que acaba obtendo dele o contrário, enfim, o que a axiologia pede.

(Sr. G. Larraín: […] Todo esse patamar vem de um nexo do senhor com Deus e com Nossa Senhora todo especial. Por isso é que nós ainda pediríamos se o senhor pudesse falar um pouquinho mais ainda. Porque é uma coisa completamente fora do comum, não tem jeito.)

A questão é a seguinte: é que uma espécie de ordem interior quanto à axiologia existe em mais intensidade ou menos intensidade nesses ou naqueles.

Por causa disso, é grande o número de pessoas que não estando em luta com a Revolução, sentem de um modo desagradado… mas não tragicamente desagradado, apenas um tanto desagradado, sentem o desagrado dessa coisa enorme que está aqui e que gostariam de alterar. Mas não querem fazer o esforço de entrar na luta, e também não querem engolir o dragão, não querem achar que esse monstro é um monstro aceitável.

Então fica no fundo da alma uma espécie de recusa genérica e mole da Revolução, e uma apetência mole e genérica da Contra-Revolução.

* Vendo a desordem chegar em certos auges inimagináveis, essas almas podem ter uma espécie de sobressalto, com possibilidade de ser tão grande, que elas entrariam para a Contra-Revolução

Agora, em certas circunstâncias almas assim podem ser tocadas por uma graça especial quando elas vêem, de algum modo, a desordem chegar em certos auges que são inimagináveis. Aí essas almas assim têm uma espécie de sobressalto, que é um sobressalto pequeno, é um sobressalto grande, é um sobressalto imenso, conforme a correspondência que a pessoa dá à graça.

Mas em determinado momento elas são convidadas, por uma graça especial, para um sobressalto enorme. Algumas dizem sim, dizem sim ao sobressalto e entram para a Contra-Revolução. Outras ficam do lado de fora dentro dessa moleza. Mas também vendo certos horrores e certas coisas, se indignam a um tal ponto, que começa a morar dentro da alma delas uma certa cólera. Certa cólera que também é capaz de crescer, e que na hora da Bagarre diante de ignomínias sem nome, de um lado; e de outro lado, diante de coisas maravilhosas que a pessoa vê que não existem, mas deviam existir, dão o pulo.

* A Bagarre vai passando como um sol cada vez mais intenso sobre um pantanal; as águas do pantanal vão secando, até virarem lama dura e ter exércitos de cavaleiros que passam sobre aquilo

De maneira que a Bagarre vai passando como um sol gradativamente mais intenso sobre um pantanal. Gradualmente as águas do pantanal vão secando, em certo momento elas viram lama dura e tem exércitos de cavaleiros que passam sobre aquilo.

Esse é o lance geral.

(Sr. G. Larraín: O senhor vê que o livro da nobreza tem desse lance muito.)

Tem, tem muito, eu vejo bem. Com muito agradecimento a Nossa Senhora, mas vejo.

(Sr. N. Fragelli: Nós podemos ver um tanto Santo Elias na missão de São João Batista.)

Sim.

(Sr. N. Fragelli: Qual é a idéia que o senhor faz dos temas que São João Batista pregava? Seria o horror da situação em que eles estavam, ou sobretudo a maravilha que viria?)

Eu tenho impressão de que isso equivale a perguntar do que é que esse povo precisava mais, se era o horror ou se era a maravilha. Isso equivale a perguntar se na experiência histórica que houve o que é que se passou de mais necessário.

Eu sou propenso a achar que talvez falando mais ainda horrores pudesse fazer-se qualquer coisa, mas facilmente posso me enganar.

(Sr. P. Roberto: O senhor também tinha levantado na outra reunião — que já respondeu muito com o que o senhor já disse agora — sobre Nossa Senhora e isso. Porque a gente vê, evidentemente, que Ela estava posta diante de um inverossimilíssimo e pediu.)

Claro.

(Sr. P. Roberto: Não sei se seria o caso do senhor dizer mais alguma coisa agora no momento, ou não.)

* Pode-se imaginar que Nossa Senhora tenha feito uma meditação sobre os horrores, e, em conseqüência disto, entender a necessidade da Encarnação como resposta

Nossa Senhora parecia ignorar até que ponto Ela era uma labareda, uma pessoa transformada em labareda. De maneira que quando Ela rezava naquela calma e naquela tranqüilidade daquele claustrozinho imaginado por Fra Angélico, em que a gente imagina um resto de frescor matinal mantendo um agrado de presença dentro do claustro, a gente tem impressão de que Ela só cogitava da beleza do que estava para vir.

De fato, eu tenho impressão que se pode imaginar que Ela tenha feito uma meditação sobre os horrores, e que, em conseqüência disto, Lhe veio à idéia de qual seria a resposta histórica que esses horrores afrontavam a Deus e como que impunham a Deus que [se] fizesse nascer.

(Sr. P. Roberto: Uma coisa “RCR”, portanto.)

RCR”.

Nossa Senhora começou a pensar nisso quando veio o Messias. É o que eu sou propenso a imaginar.

Meus filhos, que horas são, hein?

(Sr. G. Larraín: É muito tarde já e já ficamos muito gratos que o senhor tenha feito uma reunião. É uma coisa impressionante.)

Matar as saudades de vocês é uma coisa sempre muito agradável.

(Sr. G. Larraín: Isso é uma das coisas inverossímeis.)

* Saudades destas conversas durante a “Bagarre”

Vocês e eu, todos nós, vamos ter saudades disto durante a Bagarre, ouviu?

Quando em certos momentos nós pararmos enlameados, sujos, na expectativa, derrotados e sempre com toda a esperança, continuando a lutar, às vezes nos lembraremos dos nossos salões, nossa conversa:

Onde está Fulano?

Eu ouvi dizer que ele está na Ásia.

E Sicrano?

Ele está em tal lugar.

E Beltrano?

Não se sabe mais.

(Sr. Poli: São Petersburg.)

Em São Petersburg.

(Sr. G. Larraín: Sobretudo saber onde está o senhor.)

Correm boatos cada vez mais insistentes que eu morri. Será verdade? Eu já morri várias vezes.

(Sr. P. Roberto: Mas o senhor uma vez nos prometeu que estaria ao nosso lado.)

Sim, é verdade. E é o que eu quererei fazer se Nossa Senhora permitir. Ao lado de cada um.

Vamos ver.

(Sr. Poli: É a nota característica do senhor essa esperança constante, não é?)

É, graças a Nossa Senhora é.

(Sr. Poli: Ou seja, a esperança que essas reuniões em qualquer circunstância se reponham depois.)

Também se não fosse isso nós não teríamos chegado onde estamos.

Bom, vamos rezar, meus caros?

Há momentos…

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