Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
24/6/95 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 24/6/95 — Sábado
O profeta Isaías tem coisas lindíssimas, mas não me parece que ele tenha sido o que foi Elias * Eu acho que Nosso Senhor batizou e ordenou bispos a Elias e a Enoc * Nós não somos “sede vacantistas”; nosso amor à Cátedra de S. Pedro vai a tal ponto que nesta situação que haveria razão para uma pessoa se dizer “sede-vacantista”, nós não dizemos * A única coisa que está à altura do tema eliático é o livro de S. Luís Grignion de Montfort e a devoção a Nossa Senhora * No tema todo de Elias há um mundo que começará a se abrir para nós na medida em que nós formos reconhecendo a “Bagarre” que entrou, e sentindo nossa mão quebrando as muralhas do adversário * O grande condestável e o grande diretor de todo o agir humano para que aconteça o que Deus quer é Elias * Elias é terrivelmente cobrante e do próprio Deus como que exige ações super-eméritas; ele consegue de Deus coisas meio arrancadas e Deus fica ultracomprazido quando vê Elias arrancar * Elias é o que faz a História andar com mais força para a frente e nós somos o coro de Elias: quando Elias fala, nós cantamos * Eu toda a vida tive muito receio de reflexões a respeito de mim mesmo; se a “Bagarre” não estivesse chegando no ponto em que está eu não levaria essa conversa até onde ela está
Benedictio…
Não lhes dou a mão por causa do resfriado.
* É mostrado ao Senhor Doutor Plinio um terço feito de pau-brasil
(Sr. Paulo Roberto: Senhor, isto é um terçinho de pau-brasil que me mostraram hoje. Não sei se o senhor… Esse aqui não é da semente, é da madeira mesmo.)
(Sr. Guerreiro: Ah, mas está bonito! O senhor quer que acenda a luz?)
Me faça o favor.
(Sr. Paulo Roberto: É meio assim escurinho. Não é meio…)
(Sr. Paulo Henrique: A origem parece que é a mesma, não, Sr. Paulo? Daquele outro.)
(Sr. Paulo Roberto: Não. Este é feito lá em Campos.)
Mas é muito mais regular, mais civilizado do que aquele, não?
(Sr. Paulo Roberto: É. Exatamente. Esse é da madeira mesmo.)
Talvez por isso, porque a semente tem sempre forma um pouco irregular. Muito bem!
(Sr. Paulo Roberto: E aparece um pouquinho mais a cor, também.)
É. Também, também.
(Sr. Guerreiro: É uma cor mais discreta também, não, senhor?)
Também. Aquela é de um vivo… insuportável, não?
(Sr. Guerreiro: Mas tem um certo charme aquilo, não?)
Tem, mas não para terço, não é?
(Sr. Guerreiro: É verdade.)
(Sr. Paulo Roberto: É um pouquinho vermelho demais, não é?)
(Sr. Guerreiro: Puxa, que bonito! Deixa ver um instantinho só. Senhor, dia 26…)
De junho?
(Sr. Guerreiro: … de junho, agora… 28 é aniversário do Êremo de Elias, senhor e…)
(…)
* O profeta Isaías tem coisas lindíssimas, mas não me parece que ele tenha sido o que foi Elias
E você veja. Entretanto de S. João Batista ele diz ainda mais.
(Sr. G. Larraín: Exatamente, senhor.)
Mas na hora de dizer mais de S. João Batista, ele ainda o compara com Elias.
(Sr. Paulo Roberto: É impressionante isso.)
É uma coisa de outro mundo, não?
Outro dia eu vi — numa coisa católica qualquer que eu li — que Isaías Profeta era o maior dos profetas. Ele tem coisas lindíssimas, mas não me parece que ele tenha sido o que foi Elias.
(Sr. Guerreiro: Não.)
(Sr. Paulo Roberto: Acho que não.)
(Sr. Guerreiro: E depois, a vida de Elias não se encerrou ainda, não é, senhor?)
Aí está.
(Sr. Guerreiro: Quer dizer, a vida de Elias ainda continua.)
A gente tem a impressão de que ele não pode mais pecar. Isso eu acho que é certo, mas que não pode mais santificar-se, isso não.
(Sr. Guerreiro: Ah, isso não. Não pode ser.)
(Sr. Paulo Roberto: Se ele está vivendo, está vivendo, não?)
* Eu acho que Nosso Senhor batizou e ordenou bispos a Elias e a Enoc
E eu acho que ele é bispo. Que Nosso Senhor batizou e ordenou bispos a Elias e Enoc.
(Sr. G. Larraín: Magnífico, fabuloso.)
É tão razoável.
(Sr. Paulo Roberto: Claro.)
Para, quando vier no Fim do Mundo — Ele, Nosso Senhor — e quando se supõe que a Igreja foi extinta porque não tem mais bispos, Elias e Enoc aparecem. Depois eles matam Elias e Enoc e pensam que não tem mais bispos, mas vem Nosso Senhor. Aí…
(Sr. Paulo Henrique: Mesmo para os dias que vivemos, não, senhor? Quer dizer, a coisa não é muito clara, não. Se eles já estão exercendo esse múnus, digamos, ministério pastoral de onde eles estão, não? Porque…)
É capaz de estar.
(Sr. Paulo Henrique: … quem é quem, hoje em dia, entre [inaudível].)
Você pensando o negócio da mesquita, por exemplo, aquilo não tem palavras, simplesmente.
(Sr. Paulo Henrique: Aquilo é uma abominação! Qualifica, digamos, qualquer…)
Qualquer coisa.
* Nós não somos “sede vacantistas”; nosso amor à Cátedra de S. Pedro vai a tal ponto que nesta situação que haveria razão para uma pessoa se dizer “sede-vacantista”, nós não dizemos
Agora, a esse respeito é preciso dizer o seguinte: Que está bom, está tudo certo e tal, mas que é preciso tomar em consideração bem exatamente nossa posição diante de João Paulo II. Nós não somos “sede-vacantistas”. Eu acho que é preciso deixar isso bem claro.
E que nosso amor à Cátedra de S. Pedro vai a tal ponto que nesta situação que haveria razão para uma pessoa se dizer “sede-vacantista”, nós não dizemos. E que proclamamos a nossa fidelidade à Cátedra de S. Pedro, mas não em termos quaisquer. É em termos de quem diz que é tão complexo saber se há Papa ou não, hoje em dia, será tão difícil destrinchar, havendo um conclave, quem é que vai ser o verdadeiro Papa, que nós desde já nos declaramos em estado de dúvida. Mas dúvida não é negar e desse ponto nós fazemos questão.
(Sr. Poli: Uma dúvida fundada, não é, senhor?)
Uma dúvida fundada. Mas é diferente de romper. Eu acho que nesse ponto os “sede-vacantistas” andaram sem o amor necessário.
(Sr. Paulo Henrique: É isso mesmo.)
Como?
(Sr. Paulo Henrique: Está claro, senhor. Muito claro.)
(Sr. Poli: Para isso só o amor do senhor, porque ninguém mais tem. Isso é uma clave de amor que só o senhor tem.)
(Sr. Paulo Roberto: É.)
Agora, é das tais coisas que…
(Sr. Poli: Cortar.)
(Sr. G. Larraín: Dr. Edwaldo!)
(…)
… os tais anti-papas. Mas a questão era muito mais simples do que hoje em dia.
Você vê, por exemplo, Papa de Avignon, não de Avignon e depois foi eleito, não foi eleito. Em geral, do ponto de vista doutrinário, não havia luta entre eles, eram questões de conveniência, de utilidade política, questões muito baixas.
(Sr. Guerreiro: Como que processual, não?)
Como que processuais.
Mas a união, a idéia de uma união da Igreja… Por exemplo, passar pela cabeça deles esse plano unista…
(Sr. Poli: Cortar, cortar!)
(…)
* A única coisa que está à altura do tema eliático é o livro de S. Luís Grignion de Montfort e a devoção a Nossa Senhora
… há um nexo entre Santo Elias e o êremo e Santo Elias e essa comissão.
(Sr. Paulo Henrique: Sim, senhor.)
(Sr. Guerreiro: Esse nexo quem constitui foi o senhor, porque o senhor é que escolheu o nome de Elias, não?)
Foi. Isso foi.
(Sr. Guerreiro: É por causa da ligação do senhor com Elias Profeta.)
É, foi.
(Sr. Guerreiro: Então, é algo que a gente não pode deixar morrer assim, não obstante as dificuldades.)
(Sr. G. Larraín: Dr. Edwaldo!)
(Dr. Edwaldo: Sim?)
(Sr. G. Larraín: Corte, corte!)
(…)
… a sentir em nós o filão eliático. Porque o verdadeiro é o seguinte: só há uma coisa das que nós costumamos ler, etc. e que está nessa linha, que é o livro de S. Luís Grignion de Montfort. E a devoção a Nossa Senhora, etc.
[Escuta-se um barulho que parece de batida na porta.]
Mas isto é a única coisa que está à altura desse tema eliático, não é?
Entrou alguma coisa aí, não?
(Sr. Guerreiro: Não, senhor. Eu estou mexendo aqui numa cadeira e caiu um caderno de anotação.)
Bem, e nessas condições também tem o seguinte: cura para nós é obter que Elias toque nesse cordão e o revitalize. É isso.
Ele fazendo, cura mesmo. Ele não fazendo, a pessoa pode sentar num banco, ao pé do cordão e não tocar no cordão dez mil anos, que a pessoa não resolve o problema.
(Sr. G. Larraín: Extraordinário.)
(Sr. Paulo Roberto: A nuvenzinha que vem é só em função da oração dele, não é?)
Da oração dele e de toda a obra que ele faz por detrás nos bastidores deste mundo, nos bastidores na história. Mas é um teatro em que o bastidor vale enormemente mais do que a cena. Nem tem comparação.
(Sr. Paulo Henrique: Claro!)
Então, nesses bastidores, Elias faz, Elias costura, Elias descostura, Elias arrebenta, Elias liquida, Elias eleva, e os desígnios de Elias, misteriosos, comunicados a ele com amor, por Nossa Senhora. Porque é outra coisa: Nossa Senhora e Elias é um tema. Não é?
(Sr. G. Larraín: Sim, senhor.)
* No tema todo de Elias há um mundo que começará a se abrir para nós na medida em que nós formos reconhecendo a “Bagarre” que entrou, e sentindo nossa mão quebrando as muralhas do adversário
Tudo isso junto conduz à idéia seguinte: que há em tudo isso um mundo que começará a se abrir para nós na medida em que nós formos reconhecendo a Bagarre que entrou e que estamos dentro dela, e sentindo as pancadas dela que nos ameaçam, e sentindo nossa mão quebrando as muralhas do adversário.
(Sr. Paulo Roberto: Isso se sentia muito na reunião de hoje.)
Sentia, não?
(Sr. Guerreiro: É. Exatamente.)
Mas sentia em que ponto, meu filho?
(Sr. Paulo Roberto: Porque era como que o senhor tocando num pontinho aqui, tocando noutro lá, mexia com a terra inteira.)
Ah, mexia!
(Sr. Paulo Henrique: Toda a vida do senhor.)
Mexia com a terra inteira, isso eu tinha inteiramente a noção.
(Sr. Paulo Roberto: E faz parte dos bastidores, não, senhor?)
Ah, faz! Eminentemente faz parte dos bastidores.
(Sr. Guerreiro: Exatamente. Senhor, isso dava margem a uma pergunta que saía assim da conversa, enquanto aguardávamos o senhor. E que é exatamente sobre… Quer dizer, eu não estive na reunião, mas pelo que me falaram, senhor a gente alguma coisa acompanha evidentemente, de tudo o que vai acontecendo, fruto da sua ação. Todo o “affaire” na Itália, a gente vê que é o senhor que está por de trás, cutucando, estimulando a ponto de poder sair o que saiu hoje.)
* Do ponto de vista da TFP, o “affaire” na Itália é uma vitória da TFP brilhantíssima
Aquilo, sabe que, do ponto de vista da TFP, meu filho, é uma vitória da TFP brilhantíssima.
(Sr. Guerreiro: Colossal.)]
Colossal.
(Sr. Poli: Menos da TFP do que do senhor.)
(Sr. Guerreiro: É do senhor! Aí propriamente é. Aliás, é bom fazer essa distinção [tão urgente?], não?)
(Sr. Paulo Roberto: Agora que está se falando do profeta Elias, não?)
(Sr. Guerreiro: É. Aí TFP se compreende o que é, não? É o nome de Plinio Corrêa de Oliveira. E olhe lá, por enquanto pelo menos! Se ela não caprichar, fica sozinha, não, senhor? Ahahah! Então, o senhor ia comentando…)
(…)
… depois Eliseu. Mas relermos o de Elias. Porque à medida em que isso tudo vai se desvendando, essa questão da dúvida vai dando um colorido meio diferente a todo o caso, etc.
Nessa linha eu tenho impressão que isto é como um carretel que vai se puxando de um lado e do outro lado soltando. Há uma porção de incógnitas nestes altos bastidores que, à medida que nós vamos decifrando daqui, nos vêm de cima novas noções.
(Sr. G. Larraín: Que bonito!)
Não sei se querem que eu exprima isso melhor…
(Sr. Paulo Roberto: É muito interessante. Quer dizer, que o que se faz aqui na terra, tem uma ligação com…)
(Sr. G. Larraín: O senhor podia explicar isso um pouquinho, senhor?)
(…)
* O grande condestável e o grande diretor de todo o agir humano para que aconteça o que Deus quer é Elias
Pode [gravar].
Dois carretéis aqui, está entendendo como funciona, não?
(Sr. G. Larraín: Sim, senhor.)
Quer dizer, à medida que um carretel se enche, outro se esvazia. Ou reciprocamente, não é?
Bem, no Céu existe — vamos dizer assim — em potência, existe a História do mundo, o futuro do mundo, etc., e os desígnios de Deus e tudo o mais. Depois existem os Anjos, os Santos, etc., que vão intervir num determinado momento. Tudo isso nos arqui-aspectos da História e nas arqui-intervenções, nos arqui-momentos e arqui-situações. Essa é a arqui-História.
(Sr. Paulo Henrique: Sim, senhor.)
Como?
(Sr. Paulo Henrique: Está muito bom.)
Bem, e nós, aqui em baixo, somos as figuras do outro carretel que recebemos o que vem de cima e atuamos para que as coisas girem de acordo com o que em cima querem.
Então aí vem a história: resulta de nossa ação, da ação dos outros, mas em função dos desígnios de Deus e da História. Agora, acho, tenho assim uma primeira impressão, de que Elias é o grande condestável disso. E que o grande diretor de todo o agir humano para que aconteça o que Deus quer, em última análise, é Elias.
* Elias é terrivelmente cobrante e do próprio Deus como que exige ações super-eméritas; ele consegue de Deus coisas meio arrancadas e Deus fica ultracomprazido quando vê Elias arrancar
Mas que Elias é terrivelmente cobrante, e que ele, do próprio Deus, como que exige ações supereméritas, super-tipo-sacerdotes-de-baal, etc., etc., que Deus como que não teria feito se Elias não pedisse com um fogo de arrebentar com tudo.
De maneira que, por certas coisas misteriosas, Elias consegue de Deus coisas meio arrancadas. E que Deus fica ultracomprazido quando vê Elias arrancar.
(Sr. G. Larraín: Maravilha.)
Como?
(Sr. G. Larraín: É uma maravilha.)
Mais ou menos, mais ou menos, nós poderíamos comparar o seguinte: um pai que tem, por exemplo, vários filhos, e os filhos estão uns depredando a fortuna do pai, outros administram bem uma outra parte da fortuna, estão aumentando, a fortuna do pai está em transformações contínuas, mas Elias é o filho que tem a primogenitura — num certo sentido da palavra — e que fiscaliza os irmãos. E que aquilo que não vai bem, ele chama a atenção, etc., e às vezes reclama de Deus.
É um pouco como o Bem-aventurado Palau:
— Mas Vós não vedes que a situação não está para isto e que exige tal coisa?!
É o próprio Espírito Santo que fala pela boca:
— Vós não vedes tal coisa?!
O Espírito Santo com aqueles Anjos saúda e diz:
— Mas olhe aqui, vós estais aqui em cima da torre do Castelo de Sant’Agelo e não vedes que estão acontecendo… — quase passando pito.
* Elias é o que faz a História andar com mais força para a frente e nós somos o coro de Elias: quando Elias fala, nós cantamos
Assim é Elias que também pega fogo nas coisas, entende? E que é o [bout en train?], é o que faz a História andar com mais força para a frente. E nós somos o coro de Elias. Quando Elias fala, nós cantamos. E cantamos pedindo aos brados a Deus e às súplicas a Nossa Senhora, de joelhos e com carinho, sussurrando aos pés de Nossa Senhora o que nós temos a audácia de cantar diante de Deus. Explicando e querendo isto, é: “Por favor, mas dê, eu quero mesmo”, etc., levando Deus a dar a si próprio o que Ele próprio não daria a si próprio, se Elias não pedisse.
(Sr. Paulo Roberto: Extraordinário!)
Eu tenho a impressão de que estou um pouco confuso.
(Não, não!!)
(Sr. Paulo Henrique: Se o senhor pudesse continuar…)
(Sr. G. Larraín: No nexo dele com o senhor, mais pessoal, digamos. Porque se vê que isso de um lado é verdade, mas, se o senhor permite, eu acho que não é totalmente verdade. Porque, por exemplo, quando Nossa Senhora existiu aqui na terra, por mais que o profeta Elias pedisse a Encarnação, Deus não ia permitir a Encarnação de jeito nenhum, se não a pedia Nossa Senhora. Porque Ela foi quem como que imantou propriamente o grande encanto da Santíssima Trindade o pedido d’Ela.)
Meu Gonzalo, isso não é sono. É…eu não sei o que é que incomoda um pouco…
(Sr. G. Larraín: Não, senhor.)
Mas diga então.
(Sr. G. Larraín: Então, por exemplo, o caso de Nossa Senhora. Ela foi a que conseguiu a Encarnação e não foi o profeta Elias. Então, se compreende que há numa certa faixa e em certas coisas ele seja assim, mas ele, por sua vez, depende de outras pessoas. Concretamente, por exemplo, de Nossa Senhora ele teve que depender, e com quanto gáudio. E se vê que no caso do senhor também. Há uma viragem dessa página, vamos dizer assim, da história do próprio Deus, em que ele passou o bastão dele para um outro. E que é uma coisa muito importante o nós termos muito claro isso: que ele não deixa de exercer o seu mistério, mas há um momento em que Deus não se moveria mesmo por ele, como não se moveria para encarnar em Nossa Senhora.)
Sim.
(Sr. G. Larraín: E para atrair o Reino de Maria à terra, que é a razão de ser de toda a criação, não é com ele, é com o senhor. Então tudo isso que o senhor está falando é uma coisa muito bonita, mas vista do ponto-de-vista do senhor para lá. E ele tem o seu carretel mais pequeno lá em cima, e o senhor tem o carretel maior aqui em baixo. […] A coisa é assim mesmo, e se não chegamos a ver a coisa ao revés, a coisa fica fechada. […] Ele sabe muito bem quem é o senhor e até que ponto o senhor é aquele em função do qual os movimentos da história se estão jogando. […] Por isso é que pergunto se o senhor poderia tratar bem claramente desse nexo dos dois.)
(Sr. Paulo Henrique: É, porque na verdade, senhor, o carretel de que o senhor deu a imagem, é uma coisa só.)
É.
(Sr. Paulo Henrique: Quer dizer, ele tem dois lados, mas enfim, ou gira para lá, ou gira para cá. Mas digamos que um habita no outro.)
É claro. É um sistema, uma coisa só.
(Sr. Paulo Henrique: Não sei. Quer dizer, a metáfora é muito prática, mas enfim, foi dada. Agora…)
(Sr. G. Larraín: Se o senhor pudesse tratar desse nexo, senhor.)
(Sr. Guerreiro: E aí se entra nos bastidores de que o senhor falava há pouco. Nos bastidores da história é que saem, portanto, os fios que conduzem a história. E a gente vê que se ele está no grande bastidor da história, a gente vê que o senhor é, digamos, o espírito dele diante da sociedade humana. E o senhor, gradualmente, vai saindo dos bastidores — já saiu há muito tempo!…)
(Sr. Paulo Henrique: Militando, senhor. A Igreja é militante.)
(Sr. Guerreiro: E o senhor vai exatamente trazendo o espírito dele para o mundo, não? O espírito dele e o espírito do Reino de Maria que está no senhor, não é? Ele vem concluir a história, mas o senhor vai fazer agora a nova época histórica.)
(Sr. G. Larraín: E liquida com a anterior também.)
(Sr. Guerreiro: Liquida com a anterior e funda uma nova era histórica. Quer dizer, há missões aí muito distintivas.)
* Eu toda a vida tive muito receio de reflexões a respeito de mim mesmo; se a “Bagarre” não estivesse chegando no ponto em que está eu não levaria essa conversa até onde ela está
Eu toda a vida tive muito cuidado e muito receio dessas reflexões a respeito de mim mesmo, com medo de dar apego e de dar megalice. De maneira que falo a respeito disso como quem fala fumando dentro de um paiol de pólvora. Na hora de fazer assim, eu já tenho medo que o paiol inteiro estoure, e por causa disso vocês devem concordar que em que eu sou sempre sumamente cauto nessa matéria.
E que se a Bagarre não estivesse chegando no ponto em que está chegando, eu não levaria essa conversa até onde ela está. E não é só com vocês, não. Nem sozinho. São reflexões que eu não me permitiria. É bem preciso tomar em conta isso.
Aliás, vocês vêem que é verdade, porque percebem, em geral, que o que trago para vocês já está ultra-refletido antes. Mas vocês estão vendo que isto aqui não. É passeio em floresta virgem e que eu mesmo tenho receios, e paro, e não sei como é, etc., etc., por causa disso. E estou certo que vocês me aprovam nisso, compreendem bem isso no fundo, etc.
(Sim.)
Não tenho dúvida.
Então, feita esta ressalva, eu tenho impressão de que…
(Sr. G. Larraín: Senhor Doutor Plinio, pode…)
É melhor cortar aqui.
(…)
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