Conversa
de Sábado à Noite (Biblioteca da Alagoas) –
12/11/94 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Biblioteca da Alagoas) — 12/11/94 — Sábado
O melhor fruto que o retiro produz é a convicção de que não bastou e que é preciso outra coisa * É só fazendo um retiro que a pessoa se dá conta do maremagno que é esse mundo de hoje; sem um retiro é impossível de ganhar terreno * O panorama mudou radicalmente: todas as grandes perspectivas que pareciam fora da dimensão do possível, tomaram as dimensões do possível, mudaram de jeito e ficaram mais próximas * Nós entramos numa fase de preparação para as grandes perspectivas; a melhor preparação é a assiduidade de retiros * Como qualificar um exército que não quer se esforçar e ganhar a batalha? Traidor, é um dos qualificativos! * Nós estamos longe da radicalidade porque a radicalidade arrebentaria com nossa convivência com o mundo * Nós devemos avançar contra o adversário com toda agilidade, destreza, pressa, que teríamos se tivéssemos sido fiéis, carregando o peso de nossa contrição * “Si vocem ejus hodie audieritis, nolite obdurare corda vestra” * Conclusão da conversa: já se ouve o rufar de tambor do adversário
(…)
Tudo quanto não seja nossas gostosuras nós somos fleumáticos, ouviu? Naturalmente, a gostosura…
(Sr. Paulo Henrique: […inaudível].)
E ele pega a coisa no ponto.
(Sr. Paulo Henrique: E aponta para onde deve apontar.)
É verdade.
Mas então, meus caros, vamos sentar.
* O melhor fruto que o retiro produz é a convicção de que não bastou e que é preciso outra coisa
(Sr. Guerreiro: Muito obrigado, senhor, por tudo.)
(Sr. Paulo Henrique: E depois ele deu para nós uma parte do São Bento, do prédio antigo. Apesar de sermos seis pessoas que estávamos fazendo retiro, ele isolou uma parte do prédio, então nós ficamos ali, inclusive comíamos naquela outra sala da frente, inteiramente isolados. E eles tocando a vida normal do êremo. Foi muito, muito abençoado. De fato temos muito, muito a agradecer ao senhor. E a coisa vai continuar, não pode terminar como terminou agora.)
Esse que é o negócio.
Porque tem o seguinte, falando a coisa preto sobre o branco é assim: o melhor fruto que esse retiro produz é a convicção em que a pessoa fica de que aquilo não bastou e é preciso outra coisa. Porque se a pessoa acha que com aqueles 15 dias ela resolveu todo seu próprio problema, ela perdeu tempo.
(Sr. Paulo Henrique: De ontem para hoje, por exemplo, sentimos assim meio contristados porque o tempo estava acabando e… “e agora vou sair daqui e vou voltar para fazer… isso vai tudo para o ralo”.)
Pois é!
(Sr. Paulo Henrique: A perplexidade permanece, mas enfim, vamos ver…)
Não, não, acho que o que vocês precisam fazer, ainda que seja uma coisa nova, etc., etc., era mais ou menos dentro de uns dois meses, outro tanto.
(Sr. Guerreiro: Ah, senhor, isso eu já pedi ao Sr. João.)
E olhe, ainda é um prazo bom…
(Sr. Guerreiro: Meio longo, não é?)
Meio longo.
(Sr. Paulo Henrique: Ainda que fosse ver só a matéria já vista… tem muito que ver.)
* É só fazendo um retiro que a pessoa se dá conta do maremagno que é esse mundo de hoje; sem um retiro é impossível de ganhar terreno
E depois aquela matéria, meu filho, podia ser repetido tudo, e ainda é inesgotável.
(Sr. Paulo Henrique: Há muita matéria, senhor.)
(Sr. Guerreiro: Há muita matéria, senhor.)
(Sr. Paulo Henrique: Há um milhão de páginas senhor.)
Imagine, hein, que coisa alarmante!
Mas a questão é a seguinte: é que só fazendo um retiro assim é que a pessoa se dá conta do maremagno que é esse mundo de hoje, e a impossibilidade, sem um retiro, desses de ganhar terreno.
(Sr. Gonzalo: O senhor fala da maldade do mundo, mas também fica muito claro a maravilha é a vocação do senhor e a pessoa do senhor.)
Mas é verdade.
(Sr. Paulo Henrique: Falando um pouquinho com o Sr. João hoje à tarde, ele dizia que houve uma convergência daquilo que estávamos vendo lá no retiro e as reuniões dadas pelo senhor e pelo Sr.F. Gonzalo sobre o Beato Palau. Eram convergentes, o que o Beato Palau dizia correspondia àquilo que o senhor dizia de si mesmo.)
Mas é mesmo. Mas é mesmo.
* Uri Geller se apresentando como quem vai trazer a paz ao mundo bem poderia ser o homem da maldição de que fala o Beato Palau
E a Reunião de Recortes de hoje à tarde, ainda levantou uma hipótese nova, que é mais um passo e que é uma coisa espantosa.
Falaram-lhe do negócio do Uri Geller ou não?
(Sr. Paulo Henrique: O Sr. Gonzalo nos fez um pequeno jornal falado.)
(Sr. Gonzalo: Uma coisa rápida.)
(Sr. Guerreiro: Mas o senhor poderia, quem sabe…)
Em duas palavras é o seguinte, meu filho.
É que o Uri Geller que está morando num lugar riquíssimo, faustoso, porque ele ganha dinheiro à vontade com essas coisas, ele anda lá pela Inglaterra, já com um filhozinho com 12 anos e que já faz aquelas coisas do pai também em proporção de criança.
O Uri Geller anunciou que ele vai voltar à ativa. E eu estava fazendo ver hoje à tarde na Reunião de Recortes uma coisa que não passa de um hipótese, mas uma hipótese digna de toda atenção.
Aquele homem de que fala o Beato Palau, aquele homem que deveria ser uma espécie de…
(Sr. Gonzalo: De tirano…)
Mas um tirano que a gente vendo bem, bem poderia ser um tirano de falsa-direita, não é o ar de um tirano de esquerda. Um tirano de falsa-direita.
A gente pensando no Uri Geller, há o seguinte: ele hoje anunciava que está se entregando ao seguinte, que ele está se entregando ao cultivo da paz, para segurar a paz entre os homens, e que por causa disso ele está preparando as coisas de maneira tal que em determinado momento, por ação dele, todas as bombas atômicas existentes do mundo se desmontariam, e, portanto, o perigo atômico desapareceria.
Agora, tome o mundo como é hoje, e considere o seguinte: os grandes horrores do mundo de hoje são a questão do perigo atômico, a questão do Aids e câncer. São os três grandes pavores.
Imagine que um Uri Geller desse anunciasse que ele vai suprimir esses três perigos.
Eu acho que seria uma alegria no mundo inteiro, e uma festividade para com ele, sobretudo se ele provasse isso, seria uma festividade tal em torno dele que ele seria esse tirano.
(Sr. Paulo Henrique: Seria deificado.)
Propriamente. E essa gente que está por aí, eles fariam qualquer coisa para conseguir que o Uri Geller os libertasse desses três terrores. Mas fariam qualquer coisa. Este homem poderia ser o tirano de que fala o Beato Palau.
(Sr. Guerreiro: E é novo ainda.)
(Sr. Gonzalo: 48 anos.)
É, mas 48 anos dá para fazer muita coisa.
* Supresso os horrores do mundo se voltará à “Bagarre” Azul e a uma entrega ao mal e ao demônio inimagináveis
E depois o espantoso é a gente imaginar a adoração de que ele seria objeto, e a volta… porque supresso esses três perigos, se volta à Bagarre Azul, e a mentalidade dessa gente voltando para a Bagarre Azul, é de uma entrega ao mal, ao demônio, e a tudo mais de modo simplesmente inimaginável. E, naturalmente, se há uma coisa que continuaria a progredir é a imoralidade. Nem vale a pena falar disso. Mas isso chegaria aos limites da loucura.
Some a essa quadro o quadro que eu dei anteriormente e para o qual aparecem dados novos hoje horripilantes da ingestão daquilo que o organismo eliminou, aparecem hoje fatos absolutamente… nem sei o que dizer, não há o que dizer de como vai isto.
Eu vou dizer só uma coisa: uma tese que está ganhando terreno em certos meios budistas, taoistas, etc., porque estourou com uma grande novidade na ilha de Formosa, Taiwan, e de lá está ganhando aqueles mundos, é a tese que um homem bebendo o próprio líquido se enche de saúde e de vigor, etc. Rejuvenesce, que a pele fica brilhante.
As senhoras, para conseguir uma coisa dessas, bebem o que se quiser. Não há problema nenhum.
Mas, por aí a gente pode calcular onde vai a coisa.
Isto, propriamente, só se curará quando Nossa Senhora intervier e intervier por meio de um homem dela que faça o contrário do que faz o Uri Geller. Eu não vejo outra saída.
(Sr. Gonzalo: E como o senhor vê essa intervenção?)
* Nossa Senhora interviria com uma luta de Anjos e demônios na qual Ela venceria e começaria o Reino d’Ela
Não sei também. Mas…
(Sr. Guerreiro: Nem o Beato Palau dá uma inspiração?)
Eu acho que haveria provavelmente alguma reação, quando ele viesse com essas coisas e tal, alguma reação, e que essa reação aderiria a nós e que aí viria uma luta que seria mais uma luta Anjos e demônios do que qualquer conflito anterior que houve na História. E que aí Nossa Senhora venceria e começaria o Reino d’Ela.
(Cel. Poli: Mas suporia nessa luta uma incondicionalidade nossa ao senhor apaixonada.)
Sim, e depois se isso não apaixonar é de desistir. Porque se diante desse quadro a pessoa não se entrega inteiro, então… eu nem sei o que dizer.
(Sr. Gonzalo: […] De fato é um demônio mandado do inferno, específico para criar um vazio em relação ao senhor. Isso tem que ser visto de frente.)
* Enquanto o homem não chegar ao extremo do mal ele estará para o demônio como está para com Deus uma pessoa que nunca comungou
De frente e depois tem o seguinte, nessa perspectiva, eu falei de Bagarre Azul, não é a Bagarre Azul que nós tivemos, porque o próprio conceito de jet set muda. De um jeito ou doutro, direta ou indiretamente, o jet set ainda era uma continuação falsificada e deteriorada da aristocracia, e o auge da democracia consiste em beber o próprio líquido e coisas que vão.
Quer dizer, enquanto não chegar a isto, o indivíduo — é horrível o que eu vou dizer — mas um indivíduo para com o demônio, enquanto ele não chegar a este extremo, o indivíduo está para com o demônio, como está para com Deus uma pessoa que nunca tenha comungado.
Quer dizer, nessa ingestão há uma coisa, há um abraço do homem com a ignominia que muda a mentalidade dele de um modo inimaginável, e que torna-o conatural com o horror, mais ou menos como esses mendigos que andam aqui girando pelo bairro, parecem conaturais com a sujeira… é nessa linha. E todo o conceito de jet set, etc., também cai. A Bagarre Azul acaba sendo ao meu ver mais uma Bagarre de bebedeira, um tanto de droga, de vagabundagem do que qualquer outra coisa.
Mas vamos dizer por exemplo: um automóvel Mercedes ou um Rolls, não tem compreensão diante de um mundo assim. Porque um automóvel desse ainda tem algo da tendência do homem para o belo, para o razoável, alguma coisa tem. E o demônio quer eliminar toda essa tendência, ele quer ter para ele, gente que tenha feito um como que retiro espiritual em que todas essas coisas sumiram.
(Sr. Gonzalo: Um ato de desapego total.)
Um ato de desapego total. Sem o que ele não é o senhor. E, portanto, toda essa marcha não tem mais o que tinha a Bagarre Azul, mas é uma outra coisa.
(Dr. Edwaldo: Aquela simpatia pelo ET, o ósculo do ET que o senhor falava.)
* O disco-voador prepara para o hediondo, para o pavor
Exatamente. O ET está nessa linha, prepara o indivíduo para o hediondo, para o pavor, etc.
E entra aí no negócio coisas de disco-voador. Porque eu tenho a impressão que os discos-voadores… de repente, a gente está aqui nessa sala, por exemplo… aqui eu tenho impressão que ainda tem muita recordação de mamãe, e que é mais difícil.
Mas vamos dizer numa sala do prédio de apartamento em frente. A gente está conversando, de repente olha para um ponto indefinido no ar — pode acontecer — e a gente vê que aquilo faz redemoinho e parece tornar-se sólido. É um ET que aparece. Ele não entra, ele condensa um ar em torno de si e toma corpo. E vem com aqueles horrores dele.
(Dr. Edwaldo: […inaudível] simpatia.)
Ah, ternura, pena… depois ele é imundo, goteja esgoto, e a pessoa diz: “Coitadinho, vem cá e me dá um abraço”.
(Cel. Poli: E todo o mundo vê ou só seria uma pessoa?)
Ah não, não, acho que todo o mundo. E outra coisa, ele saía daqui por aquela parede, sem rachar a parede. Ele sairia daqui por aquela parede e deixaria tudo imundo, e a gente tomaria isso como relíquia. Um cheiro nauseabundo é relíquia. “Não mexa nisso que você fica garantido contra o câncer, contra o Aids, etc.”.
(Sr. P. Roberto: Quem for contra isso é a favor do Aids e tudo.)
Exatamente, e nós somos os grandes protetores e culpados do Aids, etc.
(Sr. Gonzalo: O próprio Beato Palau nas revelações disse que o Moisés da Lei da Graça vai ser desconhecido, muito perseguido pela Igreja, pelos católicos, e que só se saberá que ele está no meio de nós em determinado momento. O senhor disse na reunião que será provavelmente quando houver uma grande denúncia. […])
* Nós não percebemos o alcance das estocadas que demos e por causa disso não temos a sensação da vitória; essa atitude se multiplicará durante a luta
É. E depois tem o seguinte. Eu acho que haverá uma ilusão — que em parte já existe, a seu modo já existe — por força da qual nós damos no adversário umas tantas estocadas, mas não percebemos o alcance das estocadas que demos, e por causa disso não temos a sensação da vitória e a sensação da eficácia que seria normal que tivéssemos. Eu acho que isso se multiplicará durante essa luta. E que nós daremos neles golpes e não perceberemos a não ser quando eles, de repente, no auge do poder, morreram. Morreram e só aí que nós percebemos que nos últimos 40 anos não fizemos outra coisa senão ir matando a eles.
(Sr. Gonzalo: Isso anima muito, porque essa é a pura verdade.)
É a pura verdade.
(Sr. Paulo Henrique: “Nemo summo fit repenter”.)
Nemo summo fit repenter.
(Sr. Gonzalo: Isso é a pura verdade.)
Eu acho que sim.
(Sr. P. Roberto: Também a gente ficar 40 anos nessa cegueira é uma coisa terrível, não é?)
Terrível, meu filho, mas o povo eleito ficou, e ele mereceu, fez o necessário para merecer. Se nós…
(Sr. P. Roberto: Nós estamos merecendo, mas é uma coisa vergonhosa.)
Vergonhosa. E vergonhosa como para os judeus foi vergonhoso também, o que aconteceu para eles.
* O panorama mudou radicalmente: todas as grandes perspectivas que pareciam fora da dimensão do possível, tomaram as dimensões do possível, mudaram de jeito e ficaram mais próximas
Agora, o conjunto é o seguinte. De momento, para efeito imediatista, o que é que mudou? Mudou o seguinte: todas as grandes perspectivas que pareciam fora da dimensão do possível, elas tomaram as dimensões do possível e mudaram de jeito e ficaram mais próximas. E, portanto, o panorama mudou radicalmente.
(Sr. Gonzalo: O senhor diz a que aí?)
O que eu quero dizer é o seguinte: todas as grandes perspectivas, quer dizer as perspectivas “palauzianas”, todas essas perspectivas antes do Beato Palau e em certa medida antes do Livro, todas essas perspectivas não tinham dimensão proporcional com o homem nem com o possível, eram coisas tão arduamente possíveis que pareciam improváveis, insensatas, fora de proporção.
(Sr. Paulo Henrique: Mas por cegueira nossa.)
Por cegueira nossa.
Mas não queríamos ver a coisa como era.
Compreende-se que nos tenha sido dado por misericórdia a graça enorme de não percebendo que estávamos vencendo, apesar disso, termos feito muito pela vitória. E só ao cabo de 40 anos perceberam que fizemos isso.
Não sei se eu me exprimi bem?
(Sr. P. Roberto: E depois disso.)
Depois disso.
(Sr. P. Roberto: Estamos vivendo essa época.)
E a mudança de situação em que consiste?
* O calor da realidade se tornou tão mais próximo que com isso tudo mudou; esse é o benefício sem conta para o qual concorreu largamente o retiro
É que esta reunião que eu estou fazendo, pareceria uma reunião funambulesca e impossível, tão improvável que vocês não teriam ânimo da acompanhar essa reunião. E hoje vocês acompanham com avidez porque percebem o calor da realidade.
Quer dizer o seguinte: este calor da realidade se tornou tão mais próximo que com isso tudo mudou. E esse é o benefício sem conta para o qual concorreu, no que diz respeito a vocês, largamente o retiro. Porque também muitas perspectivas de vida espiritual boas — e que a gente sabe que são boas — tomaram uma vida e um calor de realidade que a gente antigamente não imaginava.
(Sr. Paulo Henrique: Temos que agradecer ao senhor. Acaba sendo que nós lá no retiro vemos praticamente matéria enunciadas pelo senhor, que nos são transmitidas pelo Sr. João, etc. E depois o senhor nos aconselhou: “Vão e façam esse retiro, e procurem fazer esse retiro e procurem fazer lá no São Bento”. A coisa saiu por um empenho que o senhor fez…)
* Nós entramos numa fase de preparação para as grandes perspectivas; a melhor preparação é a assiduidade de retiros
Um empenho tão forte quanto eu podia fazer.
(Sr. Paulo Henrique: E dá vontade de sair fazendo apostolado desse retiro para todos que não fizeram.)
Mas eu acho que deve. Acho que deve. Nós entramos numa fase de preparação para essas grandes perspectivas, e a melhor preparação é uma assiduidade de retiros.
(Dr. Edwaldo: Há muito tempo o senhor tinha dito isso. O Sr. João tem umas frases a respeito de retiro, antiqüíssimas em que o senhor dizia que quando chegasse os últimos tempos, que a preparação seria os retiro.)
Pois é, e é mesmo.
(Sr. Paulo Henrique: E todo problema dos exorcistas, há muitos anos que o senhor também tem isso presente.)
Muito.
(Sr. Paulo Henrique: Eu creio que há uns dez anos o senhor levantou esse assunto conosco, se nós nos interessávamos por esse assunto, se nós estávamos dispostos a…)
A estudá-lo.
(Sr. Paulo Henrique: A enfrentar. Quer dizer, não é um assunto novo para o senhor isso.)
Não, nada.
(Sr. Paulo Henrique: Sobretudo no que toca a pessoa do senhor enquanto esse grande exorcista que viria exorcizar o pecado da Revolução. […])
(Sr. Gonzalo: O prof. Martini para conseguir livros, recorre a muitas bibliotecas do Brasil, e uma coisa que é impressionante é que ele disse que em todo Brasil ele não viu um número do “Legionário”. Se encontra absolutamente tudo. São bibliotecas de mosteiros, de conventos, etc., não há um número do “Legionário”.)
É característico.
(Sr. Gonzalo: Conversando com um padre num desses conventos, ele estava desbotado, e o padre de costas tirou de uma gavetinha, uma caixinha e entregou assim para ele, de costas e disse:
— Veja o que tem aqui.
— Mas não posso ver, porque são microfilmes. O que adianta isso?
Então o padre disse para ele, de costas:
— É para que os séculos futuros conheçam essa coisa extraordinária que é a extravagância de Plinio Corrêa de Oliveira.
Está todo microfilmado o “Catolicismo”.)
Que coisa!
(Sr. Gonzalo: Infelizmente não era o “Legionário”. Portanto, é vendo o mal feito contra eles.)
Sim, é claro.
(Sr. Gonzalo: E não conseguir um número, é porque eles querem esconder mesmo. E se querem esconder tanto é porque tem sido muito eficaz.)
É evidente, evidente. Eles não querem que fique o menor restinho.
E sabe o que é curioso, não é? É que quando o Adolphinho teve aquele movimento de deixar na mão deles o “Legionário”, eu tive uma tentação assim violenta de dizer: “Bem, então deixe e acabou-se. E tudo acabou!”
Disse: “Não, mas não pode ser”.
Então, disse: “Não, etc., etc.” e pusemos no automóvel deles também essa duas coleções ou três, não me lembro bem, e trouxemos.
(Sr. Gonzalo: E foi o que se salvou.)
O que se salvou.
E ainda se salvou em termos, porque…
(Sr. Gonzalo: Há duas salvas, mas uma foi…)
E depois foi por relaxamento, por desprezo e tudo.
* Uma bofetada do demônio: um parente do SDP queixava-se de que não mais recebia o “Legionário”, pois necessitava para utilizá-lo como papel de embrulho
Eu me lembro… essas coisas! O meu cunhado era um homem que como todo o mundo tinha seus defeitos, mas também tinha algumas qualidades, entre elas é que ele era muito afável e muito cortês, não seria homem de dizer uma brutalidade, nem um desaforo, nem nada. Ele era cortês. Não quero dizer que fosse muito fino, mas era homem de uma educação inteiramente apresentável e cortês.
Quando uma ocasião minha irmã me perguntou na presença dele, um dia que vieram aqui almoçar, ele, a mulher e a filha, e tal, num domingo, minha irmã me perguntou:
— Você não manda mais aquele jornalzinho?
E eu disse: “Não, não mando”, ou qualquer coisa assim.
Diz o meu cunhado:
— Pois é, está nos fazendo falta.
Eu pensei: que milagre é esse aí.
Ele acrescentou: “Você sabe, o tamanho do jornal como papel de embrulho é magnífico, e você não imagina, que nós guardamos o jornal. Para fazer certos tipos de pacotes, não é como aquele. De maneira que nós guardamos e queríamos que você continuasse a mandar”.
É uma coisa, uma brutalidade do outro mundo. Eu cortei e não mandei mais, porque também…
Mas é para ver o demônio, a que espécie de tentações ele queria nos sujeitar expondo-nos à bofetadas dessa natureza, que pareceria além de todo razoável, uma coisa dessa.
Mas, por que isso? De torrente in via bibet; propterea exaltabit caput sum. (Ps. 109): “bebeu da água de torrente no caminho e por isso levantará a sua cabeça”.
Porque a última palavra da pobreza era o viajante que não levava água consigo, nem vinho nem nada, e quando tinha sede tinha que beber água de torrente. Então a interpretação que os exegetas dão, é essa que me parece muito razoável: De torrente in via bibet: bebeu água da torrente. Propterea exaltabit caput sum: por causa disso levantará a sua cabeça.
(Sr. P. Roberto: O Reino de Maria tem que nascer de um requinte de fé do senhor, mesmo.)
* Há certas situações de desamparo em que, sem uma Fé muito viva, a pessoa se deixa levar embora
Aí a gente vê, meu filho, o papel da fé. Porque se a fé não for muito viva, uma coisa dessa leva o sujeito embora.
Porque há certas situações de desamparo em que a pessoa teria vontade de exclamar: Deus, Deus meus, quare me dereliquisti? (Ps. 21, 2; Mt. 27, 46) “Deus, Deus meu, por que me abandonastes a um tal ponto?!”
Quer dizer um homem chegar a — o que é que eu teria? Uns 40, 45 anos quando esse fato se deu — 40, 45 anos, é o planalto de sua maturidade, e ouvir uma coisa dessas.
Quer dizer, é tão insignificante a obra em que ele põe o melhor de seu esforço, o último restinho de coisa que lhe é dado escrever ou que lhe dado imprimir, e isto é tratado pelos seus mais próximos, sem nenhum intuito de ofender, é tratado desta maneira, não se pode levar mais longe.
(Dr. Edwaldo: Brutal.)
Brutal.
(Sr. Gonzalo: E depois se realiza o que o senhor estava dizendo no começo da reunião. Eu estava lendo um livro outro dia que diz que força, propriamente força mesmo era Doutor Plinio com o “Legionário”. […])
Pois é. Mas é preciso notar o seguinte:
* Quando baixou o demônio do ecumenismo não ficou lícito mais aos católicos falar a não ser com um timbre de voz que parecia um eco do ecumenismo
Durante o tempo do “Catolicismo” — o “Catolicismo” ainda está aqui — mas vamos dizer, inclusive agora, a carapaça de ecumenismo que ficou posta era tão formidável que já não havia clima para a gente entrar com as coisas do “Legionário”. O “Legionário” data da era da polêmica, em que a Revolução atacava a Igreja de viseira erguida, era época de Renan, era época dessa gente toda. Era o século XIX. O século XIX foi a época de polêmica. Os polemistas contra a igreja eram furibundos, e alguns católicos respondiam verdadeiramente com força e com vigor.
Basta pensar que era o século do carlismo, século do legitimismo francês, com Henri V (o Conde de Chambord), do Andreas Hofer e de outras coisas do gênero. E todo o mundo tomava como naturais. Quando baixou o demônio do ecumenismo a coisa mudou e não ficou lícito mais aos católicos falar a não ser com um timbre de voz que parecia um eco do ecumenismo.
* A maior culpa pela mudança da linguagem do SDP estava nos membros do Grupo
(Sr. Gonzalo: O senhor disse uma vez que se o Grupo tivesse sido firme em relação ao senhor, o senhor continuava na mesma linguagem, que o problema não estava fora, que estava dentro, e que o Grupo se deixou infiltrar por esse espírito, e que a maior culpa não estava nas pessoas de fora.)
Aí é que está. A maior culpa não estava nos de fora, mas os de fora tiveram grande parte nessa culpa. E eu acabo de descrever esta parte que eles tiveram.
(Sr. Gonzalo: Mas que se o Grupo tivesse topado a parada, o senhor continuava.)
Ah, isso não tem dúvida nenhuma. E os dois principais responsáveis nisto foram o Paulo e o Arnaldo.
(Cel. Poli: Que responsabilidade.)
Uma responsabilidade medonha, tremenda, mas era isso.
(Sr. Guerreiro: Mas D. Sigaud e D. Mayer não concorreram para isso?)
Secundariamente. Secundariamente.
Quer dizer, se eles tivessem feito, com o prestígio de bispos, o centésimo do que deveria fazer entre nós, se eles tivessem feito isto, já as coisas teriam andado de outro jeito. Mas não faziam. Não fizeram nem isto. Quer dizer é uma coisa do outro mundo.
* Por causa da parte mole do Grupo toda a tentativa do SDP de levar sua posição para frente e para cima, se esmorecia; mas agora não dá para afrouxar a posição
Mas, agora tem o seguinte. O embate vai ficando definitivo, e até certo ponto, o pessoal mole do Grupo, tinha idéia meio assim… soprada pelo demônio, de que havia tempo ainda, que não era caso de estragar uma coisa tão agradável como aquele convívio com o mundo, para dar uma estocada no mundo. Que podia se conviver com ele durante algum tempo agradavelmente e que un jour viandrais em que depois se batalharia. Esse un jour viandrais era empurrar de lado, não se queria saber dele.
Com isto, toda tentativa que eu fazia de levar a nossa posição bem para frente e bem para cima, se esmorecia, porque eu não seria seguido.
(Sr. Gonzalo: Mas agora a coisa está apertando.)
Não, não é só apertando, apertou.
(Sr. Gonzalo: Portanto, o senhor pode também…)
E estou fazendo isto aqui.
(Sr. Gonzalo: Não dá para afrouxar agora não.)
Não, não dá para afrouxar.
(Sr. Paulo Henrique: Até devemos insistir que o senhor continue, porque acaba sendo para nós um encerramento do retiro. E nesse sentido pedimos ao senhor na medida que as oportunidades fossem aparecendo, que o senhor fosse nos apertando também como o senhor sabe fazer e tirar o que for possível tirar de nós. Porque fazendo esse retiro a gente vê o estado miserável, indescritível, tanto conivência nossa com a Revolução, tanta conivência nossa com os piores horrores. Sobretudo depois que conhecemos o senhor, o que nós fizemos com a “Sempre Viva”, o que nós fizemos com todas essas graças, com todo esse empenho do senhor, nós ficamos aí babando…)
Babando, é propriamente a palavra.
(Sr. Paulo Henrique: E atrasando toda essa ação do senhor. […] Então o que o senhor puder dizer…)
* Como qualificar um exército que não quer se esforçar e ganhar a batalha? Todos os adjetivos de uma descompostura têm seu cabimento no caso
Meu filho, para pôr as coisas bem em evidência, vamos dizer o seguinte: vamos imaginar um exército com um general, e o general quer tocar para frente e vencer a batalha. E os militares dele não querem. O lugar onde eles estão batalhando é agradável, é prazenteiro, etc., então vamos fazer um piquenique e deixa o adversário lá longe e de vez em quando passa uma metralhadora sobre nós, mas o resto do tempo nós estamos gozando a vida.
O general se esforça, etc., e a tropa anda meia hora por dia em direção ao ponto que deveria chegar para ganhar a batalha. Com que adjetivo se qualifica uma tropa assim?
(Sr. Gonzalo: Está tudo dito.)
Está tudo dito.
Inclusive a horrível palavra traição é um dos elementos constitutivo disso. Porque os soldados que fizessem isso, estariam ou não estariam traindo?
(Dr. Edwaldo: Tribunal de guerra.)
Tribunal de guerra.
Imagine em Rocroy, o Condé joga o bastão, o pessoal: “Ah, olha lá o que ele fez com aquele pauzinho de comando dele! Deixa lá, ele é louco, eu não vou pegar aquele pauzinho lá na frente”.
Como é que nós qualificaríamos essa tropa?
(Sr. Paulo Henrique: Não tem qualificativo. Traição, covardes, poltrões…)
Todos os adjetivos de uma descompostura tem seu cabimento aí. Essa é a verdade. E ainda mais, para tornarem ainda mais requintados esses adjetivos ou esses qualificativos todos, ainda mais o seguinte: querendo ser tratados assim para não desertar completamente. Porque senão desertam. De maneira que entram em conivência com o adversário, baba, faz tudo, e depois quer ser tratado como um soldado que lutou na guerra, um probo e valente soldado.
(Dr. Edwaldo: É como se dissesse ao general: “Olha, nós somos poucos, se o senhor me apertar ou vou embora”.)
É isso. É isso.
(Sr. Gonzalo: A gente vê no ar que certos castigos já começam a pairar em cima de nós.)
Ah sim!
(Sr. Gonzalo: Se não é por bem é por mal mesmo. É uma tragédia.)
É uma verdadeira tragédia.
(Sr. Gonzalo: Ficar na metade do caminho é muito puxado.)
É puxado ao máximo.
(Dr. Edwaldo: Hoje se falou na reunião daquela Bem-aventurada que vai ser canonizada…)
[inaudível] Mora.
* A demora é uma tortura para que tem pressa de chegar ao fim
(Dr. Edwaldo: E que ela tem uma série de revelações na linha do Beato Palau. O Sr. C. Alberto disse que leu uma coisa na vida dela, que Nossa Senhora apareceu e disse a ela que a Igreja venceria. E ela entendeu que era muito próximo. Quando morreu o Papa que era Leão XII, em 1820, ela pensou que fosse já a hora. Então Nossa Senhora apareceu e disse a ela que não, que ainda ia demorar, que demoraria mais de cem anos e menos de duzentos.)
É? Isso foi em 1820, é?
(Dr. Edwaldo: 1820.)
Mais de cem anos e menos de duzentos.
(Sr. Gonzalo: Falta pouco.)
Bom, mas vamos fazer um pouco o cálculo. Mais de cem anos…
(Sr. Gonzalo: Seria 1920; e menos seria 2020.)
Exatamente.
(Cel. Poli: Nós estamos há 24 anos do fim.)
(Sr. Gonzalo: Do fim.)
Ele quer dizer isso, é 14 anos do fim.
(Sr. Guerreiro: O cumprimento da profecia é muito próximo.)
Está exatamente se aproximando da parte final do tempo de duração.
(Sr. Paulo Henrique: O senhor já fez um longo caminho aí, só falta esse golpe final.)
(Cel. Poli: É propriamente uma pergunta por que é que Nossa Senhora exigiu tanta paciência do senhor. * [vira a fita] *)
Agora, para nós não foi uma tortura, foi uma tortura para os que tiveram pressa de chegar ao fim. Para os que percorriam o rio chinês agradavelmente, isso não era uma tortura, era uma coisa agradável. Uma coisa bárbara.
Meu filho, que horas são?
(Sr. Gonzalo: Senhor, eu olhei não por mim, mas pelo senhor.)
Que horas são?
(Sr. Gonzalo: É até uma má educação ter olhado o relógio, mas eu olhei…)
Não, não, não.
(Sr. Gonzalo: Mas eu olhei pelo senhor, não foi por nós.)
Não, me deu o pretexto de levantar o problema. Porque eu estava à procura de um pretexto para levantar o problema.
* E uma das ilusões mais risíveis é a de um exército de valentões que diz: quando troar a artilharia do adversário aí se verá qual vai ser a nossa ofensiva
Com relação à reunião de hoje à tarde, por exemplo…
(…)
… de perda de tempo, os meus filhos se alimentaram muito com a ilusão de que eles estavam assim mondrongos, etc., mas que quando chegasse a hora, e as tubas da Bagarre soassem que se haveria de ver que heróis da guerra de Troia havia de aparecer dentro deles. De proximidade com o adversário, seriam gigantes. Essa era a ilusão…
Bom, aqui não está confirmado.
Quer dizer, nunca vocês concordariam no tempo da rua Pará que quando as coisas chegassem onde está, vocês tivesse na disposição de ânimo que estão. Vocês ficariam indignados com essa hipóteses. Diria: “Não, o senhor não sabe os tesouros que dormem em nossas almas”.
E eu perguntaria:
— Mas por que dormem esses tesouros, por que você não põe isso em movimento?
— Não se pode tratar com esse homem!
E uma das ilusões mais risíveis desse negócio, é esse exército de valentões que diz: “Não, quando troar a artilharia do adversário, aí se verá qual vai ser a nossa ofensiva.
Troa a artilharia e o sujeito: “Mas isto é assim, assim tão sério? Eu não imaginava!”
Onde está o troar das artilharia, meus heróis?
* Nós estamos longe da radicalidade porque a radicalidade arrebentaria com nossa convivência com o mundo
Meu Horácio que está tão quieto, o que é que me diz a isso, meu Horácio?
(Sr. Horácio B.: Estou pensando muito, senhor. Pensando no apelo que no retiro nos fez o senhor à radicalidade, e como estamos tão longe disso.)
Longe! Longe! Porque a radicalidade arrebentaria a convivência com o mundo. E isto nós não queríamos. Não adianta vir com conversa, porque nós não queríamos.
(Cel. Poli: É puxado, mas a metáfora do Pilatos querendo contemporizar com os judeus…)
É. Porque estava tão claro. Mas não: “Deixe, porque a hora… eu reconheço — poderia dizer algum — eu reconheço que nós não temos o grau de heroísmo que corresponde à nossa vocação. Nós não temos patente, latente temos. E quando chegar a hora, quando o latente se tornar patente, vocês vão ver o que é o leão que está aqui”.
(Sr. Gonzalo: Se não for uma graça fulminante é fuga.)
Ora, é fuga.
(Sr. Gonzalo: Ou traição direto.)
Traição direto.
(Cel. Poli: Eu estou há 37 anos no Grupo e é a primeira vez que o senhor pode dizer isto. Se dissesse isso antes desanimava.)
* O jeito que tem de fazer com que o pernibambo não seja pernibambo é dizer para ele que ele é pernibambo
Porque tem mais essa também, ouviu? “Não diga muito porque eu já estou pernibambo, você me chama de pernibambo eu sento no chão”.
Então, o jeito que tem de fazer com que o pernibambo não seja pernibambo é dizer para ele que ele é pernibambo, que ele preste atenção.
— Não, não faça isso porque eu perco a coragem e sento no chão.
— Então, não tem remédio?
— Tem, deixa chegar a hora da Bagarre que você vai ver o que é que eu faço.
(Sr. Horácio B.: Na melhor das hipóteses cortar uma orelha de Malco e depois sair correndo.)
É isso, é exatamente. Na melhor das hipóteses.
Quer dizer, são ilusões que nós alimentamos porque quisemos alimentar, não é por outra razão.
(Dr. Edwaldo: Não quisemos olhar para [inaudível].)
Não, não quisemos.
(Dr. Edwaldo: Porque nós tínhamos bem para onde olhar.)
Tinham, graças a Deus tinham, mas… não nos interessou.
(Sr. Paulo Henrique: O Sr. João no retiro focaliza muito isso. Eu acho que como encerramento do retiro, é o pedido de perdão também por tanta cegueira e pedido que o senhor nos exorcize de todas essas ilusões que ainda permanecem em nossas almas e que na medida da comunicação do senhor com a Santíssima Trindade, com Nossa Senhora, também nos confirme na graça do senhor, no sentido de ter essa coragem, ter essa paciência. Enfim, fazer-nos “alter Plinius”.)
É isso.
* Nós devemos avançar contra o adversário com toda agilidade, destreza, pressa, que teríamos se tivéssemos sido fiéis, carregando o peso de nossa contrição
O curioso é que entra aqui a questão da “Sempre Viva”.
A Providência fez a “Sempre Viva”, uma coisa bonita. Por uns momentos nos deu uma anistia, e nós ficamos como seríamos se até então tivéssemos sido fiéis. Isto durou 15 dias, mais ou menos. Depois disso, deu no que vocês viram. Quer dizer…
(Sr. Paulo Henrique: Mas não podemos perder o ânimo nem a confiança no senhor.)
Não. Nem entra em linha de conta, pelo contrário, o que nós devemos ter é uma forma redobrada de heroísmo porque nós devemos avançar contra o adversário com toda agilidade, destreza, pressa, etc., que teríamos se tivéssemos sido fiéis, carregando o peso de nossa contrição.
(Sr. Paulo Henrique: Os pecados de confessionários nós dizemos lá com o padre, agora esses nós queríamos fazer com o senhor.)
(Sr. Gonzalo: A fórmula está extraordinária.)
Mas é isso, meu filho.
* “Si vocem ejus hodie audieritis, nolite obdurare corda vestra”
Agora, isso tem uma solução que é a seguinte: vindo graças inopinadas, aproveitar.
Eu me lembro que num tempo que eu passei numa fazenda aí no interior, perto de Botucatu, nós íamos todos os dias comungar na matriz. Mas era pré-histórico isso aí, quer dizer, antes do concílio, antes do “Em Defesa”, não preciso dizer mais nada. Portanto, as boas relações, etc., perfeitas. E eu me ajoelhava sempre perto de um púlpito para comungar. E no púlpito tinha esculpido na madeira a seguinte frase que me alimentava a ação de graças da comunhão enormemente, uma frase da Escritura: “si vocem ejus hodie audieritis, nolite obdurare corda vestra” “se vós hoje ouvirdes a voz d’Ele, não endureçais vossos corações”.
E eu pedia muito a Nossa Senhora que não permitisse que meu coração se endurecesse para Ela, com todo empenho possível.
Mas é uma prece que todos nós poderíamos fazer.
* A voz de Nossa Senhora para nós é a do SDP
(Sr. P. Roberto: Sendo que a voz d’Ela para nós é a do senhor.)
É. Mas, é mesmo.
Isto aqui é voz d’Ela, essa conversa é voz d’Ela.
Mas, me parecia a frase uma coisa…
Quer dizer, a voz d’Ela…
O que tem por detrás da frase é o seguinte: “A voz d’Ela pode falar-vos de repente, quando menos esperardes. Preparai-vos desde já para não deixar passar a ocasião”. O que está por detrás é isso. Naturalmente, por uma síntese compreensível, foi posto assim só: “se a voz d’Ela ouvirdes hoje, não endureçais vosso coração”.
Como quem diz: “é uma voz que hoje, ou ontem ou amanhã, podia ter passado ou passou”. “Não endureçais o vosso coração.
E eu digo: “Ela, daqui por diante, provavelmente falará mais do que nunca, e nós devemos fazer o possível para não endurecer os nossos corações”. A idéia que está no conjunto é essa.
Não sei se eu fui claro.
Como é Edwaldo?
(Dr. Edwaldo: Que o senhor peça por nós nesse sentido.)
(Sr. Paulo Henrique: Pelos méritos dela, e pelos méritos do senhor.)
E peço para o Anjo da Guarda de cada um de nós rezar para que isso não aconteça. Que vele por nossos corações de maneira que chegando a hora de abrir o coração, o coração esteja aberto.
São Pedro teve uma frase muito bonita: [Timeo Jesu revertentem, transeuntem et non revertenter??]: “eu temo a Jesus quando Ele passa e não volta mais”.
(Sr. Paulo Henrique: E ele teve uma chance, teve uma troca de olhar.)
Troca de olhar.
Mas aquilo, exatamente foi uma voz para a qual ele não se endureceu.
(Dr. Edwaldo: Mas aí é preciso um coração contrito e humilhado.)
É isso.
(Dr. Edwaldo: Porque o pedido de perdão verdadeiro tem que partir do coração, porque senão fica um perdão meio oco.)
Ah oco, oco, completamente.
* Conclusão da conversa: já se ouve o rufar de tambor do adversário
Mas tudo isso, vocês se lembrem bem, o fundo de conversa de tudo que estamos dizendo, é que a gente já ouve o rufar de tambor do adversário.
(Cel. Poli: A artilharia está troando.)
A artilharia está troando.
(…)
O problema é no fundo pôr-se a salvo para continuar a levar na terra dele a vida que leva agora.
(Sr. P. Roberto: Isso é uma vergonha multiplicada pela vergonha mesmo.)
Vergonha multiplicada pela vergonha.
Essa pessoa nos outros aspectos é uma boa pessoa…
(…)
*_*_*_*_*