Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
15/10/94 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 15/10/94 — Sábado
Equilíbrio é o querer antes de tudo as coisas pelo seu valor metafísico, intrínseco, e ser desapegado daquilo que não é metafísico; e isto só a inocência dá * O ponto por onde há distonia entre os membros do Grupo e o Fundador é que àqueles repugna a metafísica enquanto que o que define o Fundador é o lado metafísico * A RR de hoje teve a importância única de ser a primeira reunião em o Profeta disse que, com a contra-arte do reaproveitamento de excrementos para alimentação, a era do demônio começou * É importante compreendermos o que significa dizer que a era do demônio começou * A réplica de Nossa Senhora ao plano do demônio: graças na linha da ressurreição da inocência * A boa acolhida do Livro da Nobreza pode ser uma estrela d’Alva para a restauração da inocência * Uma espécie de torpor, de indiferença, que é um pecado especial que faz com que a Humanidade aceite os piores padecimentos, as piores privações e os piores riscos sem se incomodar * É preciso quebrar as inter-clausuras que levam determinados membros do Grupo a não levar a sério a advertência do Fundador de que a era do demônio começou
Onde é que ele está? Hospital alemão?
(Dr. Edwaldo: Ewaldo Foz.)
Onde é isso?
(Cel. Poli: É aqui no Ibirapuera.)
Ibirapuera.
(Cel. Poli: Não é de primeira linha, mas é um hospital bom, com recursos, etc.)
Eu estou satisfeito, porque eu não tinha confiança nenhuma nesse Santa Marcelina.
(Cel. Poli: É outro nível, senhor.)
O Átila foi vê-lo lá, e o que o Átila me contou é uma coisa… parece que tem cordas no meio do corredor para fazer filas as pessoas…
(Sr. Gonzalo: A entrada é muito desagradável. […] Essa semana foi cheia de graças para nós…)
Foi.
(Sr. Gonzalo: […] Queríamos perguntar ao senhor algo a respeito do equilíbrio. Quando a gente fala do equilíbrio e do desequilíbrio normalmente as pessoas são levadas a achar uma espécie de equilíbrio e desequilíbrio um tanto clássico…)
As famosas balanças.
(Sr. Gonzalo: […] O equilíbrio que o senhor tem é um equilíbrio mais abarcativo que o equilíbrio medieval. […] Então o que o senhor teria a dizer do equilíbrio contra-revolucionário em relação com o equilíbrio medieval? […] O senhor censurou muito que nós todos temos desequilíbrios e que com isso vai-se ficando louco se não se cuida.)
Tudo isso está no papel que foi lido ontem.
(Sr. Gonzalo: […] Porque vendo isso é que nós podemos acertar. Não sei se estaria claro.)
Sim. Eu vou responder um pouco resumidamente porque eu queria tratar com vocês, e de um modo rápido de um outro aspecto da reunião de hoje também.
(Sr. Gonzalo: Se o senhor quer tratar de outro…)
Não, não custa.
* Equilíbrio é o querer antes de tudo as coisas pelo seu valor metafísico, intrínseco, e ser desapegado daquilo que não é metafísico; e isto só a inocência dá
A balança, mesmo a balança clássica com que eu implico muito da deusa da justiça… qual é a deusa da justiça?
(Cel. Poli: Minerva.)
Minerva não, é da sabedoria.
Enfim, aquela com os olhos vendados com a balança, etc. Eu me implico muito com aquela… tem qualquer coisa de maçônico aquilo que… me implico muito com aquilo.
Mas enfim, mesmo essa justiça as pessoas olham para as duas conchas que estão em estado de igualdade, e daí deduzem a noção de equilíbrio. Porque de fato fisicamente falando assim se consegue a igualdade. Mas eles não se dão conta que essas duas taças ou duas conchas estão ligadas à uma trave com gancho, e a balança segura a trave metida o dedo no gancho. De maneira que o verdadeiro ponto de equilíbrio é o gancho. Se a justiça segura o gancho bem, o aparelho todo se põe em ordem. Então se há pesos iguais nas duas conchas, também se mantém em posição de equilíbrio que é a posição de igual peso em cada concha.
No equilíbrio da alma humana, o gancho o que é que é? Porque todo equilíbrio da balança depende do gancho. Então esse gancho o que é que é?
Esse gancho vem a ser a inocência.
Quer dizer, quando há inocência há um amor desapegado há várias coisas. Desapegado quer dizer o quê? É pelo que elas metafisicamente valem e não pelo que elas valem em função de atrativos e agrados que podem ter para nós.
Então, equilíbrio é o querer antes de tudo as coisas pelo seu valor metafísico, intrínseco. E só em segundo lugar, com distância e com prudência querer as coisas também por alguma atração que podem trazer para nós. Isto é propriamente a noção do equilíbrio.
Isso supõe, portanto, em primeiro lugar uma grande apetência à metafísica, e em segundo lugar um grande desapego daquilo que não é metafísico.
(Sr. Gonzalo: Ninho de passarinho puro.)
Ninho de passarinho puro.
* O ponto por onde há distonia entre os membros do Grupo e o Fundador é que àqueles repugna a metafísica enquanto que o que define o Fundador é o lado metafísico
Quer dizer, esta é a noção. E, portanto, o primeiro ponto que é exatamente o ponto onde há uma distonia entre inclusive veteranos cheios de méritos e eu, é que não querem olhar a coisa do lado metafísico; lhes repugna o lado metafísico, lhes parecer por um preconceito inoculado nas gerações correspondentes ao estado veterano dentro da TFP, lhes parece que metafísica é entrar no terreno do irreal, do vazio, do inconsistente. E que a realidade é física, se capta pelos sentidos e por mais nada. E vive para os sentidos.
De maneira que, por exemplo, a palavra metafísica, a primeira vez que eu ouvi a palavra já me encantou sem eu saber o que queria dizer. Um tio meu me disse: “não, você tem um espírito metafísico”. E eu pensei: “é bem isso, eu não sei o que é que é metafísico, mas é bem isso”.
Não disse para ele porque eu não queria reconhecer que eu não sabia o que era metafísico. Ele também não sabia.
Mas foi assim, eu pensei: “metafísico é bem isto, mas eu não vou dar o braço a torcer, mas vou saber o que é metafísico”. Eu era metafísico.
(Sr. Gonzalo: Com “h” e “y”.)
Com “ph” e “y”.
De maneira que numa palavra isso se explica.
No que é que pensa, meu filho?
(Sr. Horácio B.: Estou pensando no espírito metafísico do senhor e como o senhor amava a Senhora Dona Lucilia pelo que ela era si, tinha enlevo metafísico com ela.)
Ah sim! Ah sim! E era exatamente porque o espírito dela tinha muito de metafísico é que havia tanto união entre ela e eu.
(Sr. Gonzalo: Por isso que era equilibrada.)
E era muito equilibrada.
(Dr. Edwaldo: O senhor podia dizer uma palavra de definição do espírito metafísico?)
* Definindo e exemplificando a metafísica
A coisa metafísica é a coisa que está por além do que é físico. E, portanto, vamos dizer a arte enquanto, por exemplo, um quadro ou uma gravura que existe realmente, aquilo está no físico. Mas a arte enquanto arte é um conceito metafísico, porque não se identifica por nenhum objeto fisicamente palpável, mas está para além do físico. Todas as leis da arte, os conceitos de arte, as escolas de arte, os debates sobre a arte… naturalmente tem uma certa relação com o físico, mas o problema é um problema metafísico.
Por exemplo, uma questão que quase não se põe, mas poderia pôr-se: a música, a pintura e sei lá o quê. Vamos ficar na música e na pintura e na escultura. São artes. Mas se todas são artes há entre elas um denominador comum que é a arte da qual elas são variantes: a pintura, a escultura e a música. Mas se elas são variantes de um mesmo denominador comum que é Arte, o que é Arte? E qual delas participa melhor do puro conceito de arte?
Isso é uma problemática metafísica. Meta, quer dizer além dá, além da física, acima da física.
(Cel. Poli: Qual é das três?)
O problema aqui não é de qual das três, é só ver qual é o tema. Ele pediu que eu dissesse qual é o campo próprio da metafísica. Eu dei um exemplo.
Agora, em qual das três se verifica melhor o conceito de Arte, é mais plenamente Arte, dado um certo conceito de arte, então aí é uma coisa que se presta à discussões inesgotáveis. Eu mesmo não tenho o conceito claro, porque — acho que não vale a pena entrar nisso, mas só para exemplificar um pouquinho — teoricamente falando quanto mais uma arte está distante do físico, tanto mais ela é metafísica.
(Sr. Paulo Henrique: Então certamente seria a música.)
Seria a música.
Agora, eu acho que não é a música. Eu não sei, pode ser que seja… a arquitetura, por exemplo, a arquitetura é arte, ela é uma arte. A arquitetura é sobretudo a arte das fachadas. A arte das fachadas é uma arte autônoma ou é a escultura de uma idéia?
(Sr. P. Roberto: Nesse sentido é muito metafísico também.)
Também é, mas dizer que é a mais metafísica das artes?!
(Sr. Horácio B.: Formar ambientes, decoração.)
Decoração é arte, mas chega a ser uma arte? Ou é uma espécie de arte minor?
Porque em rigor… por exemplo, eu tenho uma espécie de caderno que o Luizinho me emprestou e não tive tempo de ver até agora, que pertencem às irmãs do Eduardo, foi parar nas mãos do Luizinho ele viu e me emprestou para ler. É mais um álbum do que qualquer coisa, e é sobre as mesas bem postas do Rio de Janeiro.
(Sr. Gonzalo: É muito bonito.)
O Luizinho fez os maiores elogios.
Pode ser, não tem dúvida, mas é uma arte ou é uma disciplina minor dependente das artes?
Isso seria…
(Sr. P. Roberto: Aliás, é uma temática muito interessante.)
Muito, muito! Por exemplo uma temática para quem leve uma vida diferente do que nós levamos. Em vez de fazer reunião à noite de sábado, muitas vezes apressada, porque está tarde, etc., se tivéssemos tempo de fazer umas reuniões às tardes de sábado nesse mesmo lugar e tomando um chazinho, um sorvete, qualquer coisa, seria muito mais atraente. Mas…
(Sr. P. Roberto: Está muito metafísica esta hora.)
Ahahahah!
* É próprio à Santa Igreja inspirar movimentos artísticos que elevem a alma, e é próprio à Revolução lançar uma contra-arte para manifestar o que há de mais vil na alma humana
Mas a questão é que eu queria tratar com vocês de uma coisa diferente que é o contrário do que nós estamos tratando, e que é, quase que se pode dizer, a contra-arte. Existe uma arte para fazer o feio?
(Sr. Gonzalo: Não seria arte.)
Seria uma contra-arte. Existe evidentemente. Mas então se é o próprio da Igreja Católica sugerir atitudes de alma traduzíveis em termos de arte, porque traduz os termos de uma alma e a Igreja Católica eleva a alma ao máximo de seu valor, a arte inspirada pela Igreja tem que ser necessariamente a mais alta das artes. Então nós temos o Divino Espírito Santo agindo sobre as almas para levà-las, na proporção de devido de cada um dos planos da Providência para cada um, levá-lo a esta alta condição da arte que vem a ser a arte católica.
Mas então essa arte católica que também pode chamar-se arte contra-revolucionária, evidentemente, é o contrário da arte revolucionária. A arte revolucionária não é uma arte, é uma contra-arte. E deve visar a expressão nos termos mais próprios de se exprimir, deve visar a manifestação do que há de mais vil na alma humana e do que há de mais baixo, de mais ordinário, e nesse sentido existe uma contra-arte que é o contrário da arte. E que é um valor metafísico, mas anti-metafísico. Com sinal de menos na frente.
Agora, seria forçoso que a Revolução chegasse a um ponto onde ela espremesse o mais hediondo, e, portanto, o mais anti-católico possível. E isto seria uma coisa que representaria, se eles conseguissem o total dessa expressão, representaria o advento do demônio.
* A RR de hoje teve a importância única de ser a primeira reunião em o Profeta disse que, com a contra-arte do reaproveitamento de excrementos para alimentação, a era do demônio começou
Eu acho que a reunião de hoje teve a importância única de ser a primeira reunião em que eu disse que a era do demônio começou.
Até agora isso não foi dito. Dizia-se em termos mais ou menos genérico, estava se aproximando, que se caminhava para o hediondo, etc., mas não se dizia que a era do demônio começou, e que a era do demônio começou pelo advento de uma contra-arte que em termos sensíveis e palpáveis exprimia o que pode haver de mais horrendo.
E o que foi dito hoje a respeito de — é nojento, simplesmente dizer já é nojento — preparar a ingestão pelo homem daquilo que o organismo dele eliminou, fazer daquilo uma preparação física para não ficar venenoso, tirar o que há de venenoso para o homem, e aproveitar supostos elementos não venenosos, eu acho que isto é o advento do demônio. Porque realmente não há na ordem natural das coisas algo de tão horrível quanto isso.
(Sr. Gonzalo: Seria o início do reino do demônio.)
O início do reino do demônio.
(Sr. Paulo Henrique: Eles estão propagando isso.)
Metodicamente.
(Sr. P. Roberto: Aquela questão da Holanda é propriamente isso.)
Propriamente isso.
(Sr. Paulo Henrique: Há quinze anos eu estive em Paris e ouvi umas duas repercussões de pessoas tradicionalistas, mas que diziam que se de cada dez copos d’água tomados em Paris, um já havia sido ingerido por alguém.)
Que coisa horrível.
(Sr. Paulo Henrique: Por causa do tratamento daquelas águas, eram reaproveitadas. Agora, isso não se dizia, não se falava. Agora não, começaram a fazer propaganda.)
É isso. Exatamente.
(Dr. Edwaldo: Há um bom número da anos atrás o senhor apresentou numa Reunião de Recortes um vinho preparado a partir dessa matéria.)
Mas eu me referi ao vinho?
(Dr. Edwaldo: Não, o senhor deu a notícia que um japonês tinha preparado a partir desse tipo de material.)
Você veja.
(Dr. Edwaldo: É uma coisa que vem de longe.)
Ah, vem de longe. Vem de longe.
(Dr. Edwaldo: É curioso essa notícia de hoje, é que a matéria para ficar mais aceitável seria misturada com soja. Que também é muito significativo.)
Muito significativo.
(Cel. Poli: Que é alimento de animal, que o senhor sempre teve horror.)
Mas é claro. E depois tem ligado a isso uma outra coisa que é a seguinte: eu sempre tive prevenção contra o fato de se alimentar a terra e torná-la fecunda exatamente com excrementos. Sempre me pareceu uma coisa… Eu me lembro as respostas: “Mas o que é que você quer? Fica mais fecunda!”
Eu tive vontade de responder, não respondia, nesses termos: “mas seu animal, basta ser mais fecunda para ser melhor para o homem? E ainda que seja melhor para o homem, procedendo de onde procedeu, é coisa que se apresente?”
Independente de qualquer coisa.
(Sr. P. Roberto: Não é um argumento utilitário que se deve dar.)
Baixamente utilitário.
Você imagine que com um material dessa origem fosse possível fazer tecido lindo, você quereria esse tecido para a cortina de seu quarto? Ainda que fosse inodor, ou que… não discuto nada disso: foi feito com esta matéria. Está bom, jogue fora.
* É importante compreendermos o que significa dizer que a era do demônio começou
Agora, o importante é compreendermos o que é que significa uma era. Quer dizer é um período de história novo, e no caso concreto, um período terminal da história. Um período quer dizer, um fragmento do tempo no qual todas as coisas se passam sobre o signo e a influência de um determinado ponto de união. Isto é uma era. E qual é o ponto de união desta era que vem? É este material.
A coisa é tão simples, e explicando fica tão clara, que à vista da reunião de hoje não é possível negar. Sobretudo, vocês que ouviram os recortes, e que, portanto…
(Cel. Poli: Não tem como negar.)
Não tem como negar.
(Dr. Edwaldo: É a proclamação da vitória de Freud.)
É isso. Da vitória de Freud e de um modo geral a proclamação da conaturalidade do homem com aquilo que é abjeto. Com aquilo que causa a ele naturalmente nojo, pode até causar náusea, com isto o homem se declara consonante à ponto de comer.
(Dr. Edwaldo: Comer e se ornar.)
Comer e se ornar. Há jóias feitas com isso. De maneira que você pode estar numa reunião e ver uma senhora que tem brincos feitos de. E que, naturalmente, conta isso dando risada.
Agora, isto é um tal predomínio do demônio, e uma senhora ornada com jóias feitas disso e que tenha um salão ornado com esse material, é uma demônia.
Mas vocês não têm dúvida nenhuma de que o progressismo não vai fazer guerra a isso, pelo contrário vai favorecer de todos os modos possíveis.
(Dr. Edwaldo: Vai decorar o altar.)
É, exatamente, leva isso ao altar. E pior, hein!, associa isso com a comunhão. Sim, porque vai até lá.
(Sr. Gonzalo: Isso está nas reuniões do Beato Palau.)
É, está.
Agora, a questão é que isso é tão importante que eu acho isso mais importante, por exemplo, do que o descobrimento da América pelo Colombo. Nem tem comparação.
(Sr. Gonzalo: É muito impressionante, mas está o outro lado também.)
Está do outro lado o quê?
(Sr. Gonzalo: A existência do senhor.)
É, que a reação venha desse lado de cá.
(Sr. Gonzalo: Não é qualquer resistência.)
Isso é fora de dúvida.
* A desconfiança profética de que os índios estão feitos na escola do alimentar-se com excrementos
Agora, note uma coisa, eu tenho a impressão — não tenho razão para afirmar — mas eu tenho desconfiança que não afirma, mas que é isso, que os índios estão feitos nessa escola. Eles não declaram isto, mas deve ser isso.
(Cel. Poli: A imundície dos índios parece que é uma coisa de espantar.)
Pois é.
(Cel. Poli: […inaudível]. Mas vai inteiramente nessa linha.)
Aí você vê.
(Cel. Poli: Do que é que eles se alimentam, do que é que vivem…)
Mas é o quê?
No fundo é…
(…)
… antigo, simpático, fino, de bom quilate…
(Cel. Poli: A politécnica.)
A politécnica.
E tinha pertencido ao Marquês dos Três Rios que era de uma muito boa família de São Paulo, família Souza Aranha, a que pertenceu o Oswaldo Aranha. E em certo momento ele largou aquilo, ou morreu, qualquer coisa. O fato é que os descendentes do marquês de Três Rios que eu conheci moravam nos Campos Elíseos, mas quando eles morreram, eles moravam num prédio que ficava em cima daquele viaduto da av. 9 de julho. Em cima do túnel 9 de julho. E era um palacete de muito luxo, muito bom, etc., onde eles moravam. Aí você vê a evolução.
De outro lado, o bairro chama-se bairro do Bom Retiro. Morava por ali o Marquês do Bom Retiro. O convento lá da Luz foi igreja fina. E a igreja de São Cristóvão tão diminuída hoje, etc., foi igreja grã-fina…
(Sr. Gonzalo: A que se casou a Senhora Dona Lucilia.)
Onde mamãe se casou.
(Sr. Gonzalo: Como está diminuída?)
Está ensebado. Se fosse uma sinagoga era do mesmo jeito.
(Sr. Gonzalo: Era para aquilo estar de outro jeito, está…)
Arrasada.
(Sr. Paulo Henrique: Eu vi notícias que há todo um movimento em São Paulo. Vão reformá-la. Patrimônio histórico, qualquer coisa assim.)
Porque realmente merecia.
Diga, meu Edwaldo.
* A contra-arte da alimentação de excrementos é uma recusa do bem e uma aceitação exclusiva e no que tem de mais honroso para o mal
(Dr. Edwaldo: Não sei se o senhor está lembrado da profecia de Sofonias. A reunião de hoje é propriamente a realização da profecias de Sofonias.)
Como é mesma a profecia?
(Dr. Edwaldo: Num dos trechos ele fala do homem sentado sobre as próprias fezes.)
Ah, se você pudesse me mostrar isso amanhã, eu gostaria bem. Eu me lembro, nós falamos muito de Sofonias…
(Sr. Gonzalo: Mas ele mais enfocava na linha de que não há distinção entre bem e mal, etc. E agora é mais puxada.)
Sim, porque é uma recusa do bem e uma aceitação exclusiva e no que tem de mais honroso para o mal. É uma honorificência do mal. Ou melhor, uma degradação do homem.
Você ia perguntando uma coisa, meu Paulo?
(Sr. P. Roberto: O senhor dizia que entrando a era do demônio, necessariamente Nossa Senhora entrava. E agora está declarado oficialmente que começou a era do demônio.)
Começou.
* A réplica de Nossa Senhora ao plano do demônio: graças na linha da ressurreição da inocência
(Sr. P. Roberto: Como seria então a contrapartida de Nossa Senhora que se abre agora.)
Normalmente deveria ser uma ressurreição da inocência. Seria a révanche da inocência. A coisa perfeita.
* A boa acolhida do Livro do Senhor Doutor Plinio sobre a Nobreza pode ser uma estrela d’Alva para a restauração da inocência
Agora, a boa acolhida do Livro pode ser uma estrela d’Alva para a restauração da inocência. Não é uma aurora, mas é uma estrela d’Alva que precede a aurora. Assim pode ver-se.
Eu me exprimo com cuidado. Quer dizer, pode ver-se, não é forçoso ver. Não é um argumento lógico que dê a prova, mas por certos ângulos a pessoa tem direito de se perguntar se não será.
(Sr. Gonzalo: […] O senhor vai dando a resposta, e é por aí que nós temos que puxar.)
É, isso não tem dúvida.
(Sr. Gonzalo: Pegar de outro lado não tem jeito.)
Não tem, não tem.
(Sr. Gonzalo: Vai mostrar que Kant estava errado, não adianta.)
O que tem importância aí sim, é o Freud. Aí sim. Mas é por quê? Porque o Freud seria o profeta desta era.
(Sr. Gonzalo: […] Estudar o fundamento do direito de propriedade que é necessário ter na cabeça, mas não é o núcleo.)
Não, não é não. O problema está no que nós estamos dizendo.
* As etapas preparatórias da humanidade para o alimentar-se de excrementos foram satanicamente bem calculadas; objeções dos otimistas
Agora, tem o seguinte, não vale a pena encerrar o assunto sem fazer sentir isso: as etapas da preparação para isto como foram satanicamente bem calculadas. Porque vamos dizer — o quê? Talvez eu não exagere dizendo isto — há dois ou três anos atrás se nos falassem disto como um fato a se realizar dentro de dois ou três anos, nós teríamos dificuldade. Porque é uma coisa de tal maneira inaceitável, e abjeta, etc., que a gente diria: “não, até lá não”.
Outros poderiam dizer: “uma vez que estamos — e esse é um argumento que causaria impressão — na era da Redenção, e que a Humanidade foi redimida, não é da grandeza de Deus permitir que a abjeção se mostre com tanta sem-vergonhice”.
E é um argumento que muito otimista agarraria assim.
Está bem, mas então se não é da grandeza de Deus, então você não entende nada sobre a grandeza de Deus, porque a grandeza de Deus é eterna, perfeita, etc., e isso está se mostrando assim.
Então, se há dois ou três anos nós não admitiríamos, seria uma coisa penosa demais para muitos de nós admitir isto, poderiam até achar que o equilíbrio de quem admitisse era duvidoso, não faltaria quem achasse isso. Então chega a um determinado momento em que fica claro que realmente chegou e que não adianta vir com todas as filáucias porque aqui está o negócio e aqui está o demônio.
(Sr. Gonzalo: Soou um grandíssimo gongo.)
Um grandíssimo gongo.
Agora, o modo pelo qual isso foi preparado.
Em dois ou três anos a maioria da Humanidade chegou a um ponto em que eles podem noticiar coisas dessas sem causar horror.
(Sr. P. Roberto: O senhor ia dizer como foi essa preparação?)
Mais ou menos foi como a preparação para a aceitação da homossexualidade.
(Cel. Poli: Vem junto.)
Vem junto. Porque cronologicamente está junto.
* Uma espécie de torpor, de indiferença, que é um pecado especial que faz com que a Humanidade aceite os piores padecimentos, as piores privações e os piores riscos sem se incomodar
Como é que isto se fez?
Espalhando previamente à convulsão, uma espécie de torpor, de indiferença, que é um pecado especial que faz com que a Humanidade aceite os piores padecimentos e as piores privações. E também os piores riscos sem se incomodar.
Então, pondo tudo na mesma fileira. Os russos de hoje. Os nobres da Revolução Francesa que eram guilhotinados e que iam com essa indiferença para a guilhotina, com essa falta de critério para a guilhotina. Se você quiser, os nobres e o pessoal todo do povo romano quando houve a invasão dos bárbaros. Eles facilitaram, eles construíram uma espécie de pontes feitas sobre barcaças para que os germanos invadissem o império. Porque os germanos lutavam contra os romanos nos bordos do Reno e do Danúbio, e em certo momento eles disseram aos romanos:
— Olha, nós estamos sendo acossados por detrás por um povo pior do que nós. Se vocês nos derem umas barcaças como vocês sabem fazer para atravessar esse rio, nós passamos para o lado de vocês e defendemos a vocês contra eles, porque teremos entre eles e nós o rio. Eles, portanto, não sabem fazer essas barcaças, como é que vão se arranjar? E depois porque vocês e nós passamos a ser temporariamente aliados.
Agora, aqui vem a coisa romana, civilizados, inteligentes, cultos, etc.: acreditaram. E durante dias e dias os germanos interminavelmente passavam aqueles […inaudível], a pé sobre aquela espécie de ponte. E depois eles rechaçaram os unos, os unos desceram por outro lado da Itália — pela Áustria —, invadiram a Itália, pintaram o caneco do mesmo gênero e voltaram para a Hungria deles. E os romanos disseram para os germanos:
— Agora, podem voltar.
— Não! Aqui é mais quente e nós vamos ver se mais para o sul é mais quente ainda.
E não saíram mais.
(Sr. P. Roberto: Os fazendeiros com os sem-terra.)
Com os sem-terra.
Agora a indolência romana para permitir uma coisa dessa, é tal e qual a inércia de muitos fazendeiros diante da Reforma Agrária.
Não se pode negar isso, isso é uma coisa assim. E há um demônio especial que é difundido à maneira de um spray, com aquela espécie de névoa que forma o spray, a gente não percebe, é uma coisa ligeira, e entra. Está acabado.
(Sr. Paulo Henrique: A História que é a mestra da vida não ensina nada nem para nós. Não queremos aprender.)
Não.
(Sr. Paulo Henrique: A história de Troya com o cavalo de Troya…)
Tudo o mais. E depois como eles tinham vencido bem em Cartago, etc., é um grande povo dominador, passou para a história com a reputação de um grande povo dominador. A Igreja chega a dizer na liturgia que o império romano estendeu-se por toda a Terra porque por sua unidade favoreceu a difusão da religião católica em todo seu território. A Igreja chega a dizer isso numa das coisas de semana santa se não me engano.
Agora os romanos… é um estado de espírito.
* A rejeição da inocência medieval e da Civilização Cristã foi um pecado tremendo
(Sr. Paulo Henrique: O que é esse estado de espírito de hoje? Porque ultrapassa de longe aquele estado de espírito dos romanos, etc.)
É muito simples, é porque é a rejeição da Idade Média. A rejeição da Idade Média e um pecado… da rejeição da inocência medieval, da Civilização Cristã é um pecado tremendo. [vira a fita]
(Sr. Gonzalo: … ao lado da Sede do Reino de Maria estão deitando os mendigos.)
Ouvi dizer.
(Sr. Gonzalo: Acontece que os mendigos de si nojentos, mas dando um cheiro para quem entra pela…)
Pela rua Maranhão.
(Sr. Gonzalo: Realmente fica repugnante o mal odor das coisas deles.)
Mas que eles fazem de propósito.
(Sr. Gonzalo: Está se generalizando muito os mendigos por tudo quanto é canto, sobretudo neste bairro, a toda hora uns tipos nojentos, asquerosos…)
E com bem-estar dentro do asco deles.
(Sr. Gonzalo: Mas as pessoas não reagindo. E isso se vai acentuado enormemente.)
Isso, é verdade.
Eu não vi nenhum, mas muitos falam disso.
(Sr. Gonzalo: Está muito generalizado.)
Agora, você quer ver a indiferença?
Você está vendo ao lado de nossa sede construir um prédio colossal que vai ser um prédio de luxo.
(Sr. Gonzalo: E esses tipos são alimentados pelas freiras. Então é toda uma coisa clerical.)
(Dr. Edwaldo: Aí na Higienópolis, todos os dias se forma uma fila colossal, na rua, desses tipos, para receberem alimento que elas dão. E ali, cheio de prédios…)
Não ligam, e está acabado. Mas é isso.
Meus caros, que horas são?
(Sr. Paulo Henrique: O horário muda hoje.)
(Sr. Gonzalo: São vinte para às quatro.)
Infelizmente…
(Sr. Gonzalo: É muito importante e depois…)
Mas essa, portanto, é uma das nossas reuniões mais importantes.
* É preciso quebrar as inter-clausuras que levam determinados membros do Grupo a não levar a sério a advertência do Fundador de que a era do demônio começou
Agora, sobre essa questão eu pretendo na primeira reunião que eu tenha no auditório Nossa Senhora Auxiliadora, eu pretendo tratar da questão nos termos que eu estou tratando aqui, para quebrar essas inter-clausuras. Inclusive se eu me lembrar, dizer que eu estou dizendo isto porque há preciosismos que se oporiam a isso. E que vale a pena dizer com franqueza, isto é assim, assim, assado.
(Sr. Gonzalo: Senão começa a soprar o ar ruim de um lado, e não se pode porque uns não querem que o ar de Nossa Senhora entre.)
É isso. Não, não, é pegar, e varrer essas clausuras.
(Dr. Edwaldo: Aquela história do Freud, que o normal seria que as crianças brincassem com esse material.)
É isso, eu não tinha me lembrado disso. Vem muito a propósito.
Aliás, se houvesse trechos do Freud para numa reunião sobre isso, eu daria a primazia sobre cartas de Pio XII ou qualquer outro assunto.
(Dr. Edwaldo: Acho que é fácil encontrar.)
Pois então, na comissão que está tratando disso, eles devem ter. Quem sabe se você podia me ver isso.
Meu caros, me desculpem…
*_*_*_*_*