Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 6/8/94 – Sábado – p. 4 de 4

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 6/8/94 — Sábado

As tentações axiológicas apresentam-se com a tendência de perturbar violentamente, à la tempestade * É preciso lembrar-se da parte racional que há na graça da confiança, e lembrar-se das consolações que teve. Essas consolações são exorcísticas * O Anjo não tem propriamente uma voz, ele não tem corpo, é puro espírito, como é que ele se comunica com os homens no Céu empíreo? * Quase todas as provações que eu tenho dito na CSN são precedidas de uma previsão de ordem natural * A verdadeira posição a tomar em face das provações * Pelo tipo de infestação a gente percebe mais ou menos qual é tipo de ofensiva que o sujeito vai fazer

(…)

a impressão que não corresponde exatamente à realidade.

(Sr. Poli: As vozes?)

Sim.

* As tentações axiológicas apresentam-se com a tendência de perturbar violentamente, à la tempestade

Não se trata de palavras articuladas, mas em geral o que se trata é de uma coisa axiológica que se relaciona com a vocação. E em geral a coisa é essa, que quando um fenômeno qualquer, que possa ser o contrário, um desmentido da vocação, se apresenta, apresenta-se com a tendência de perturbar violentamente, à lá tempestade. E com isso apresentando as piores perspectivas, mais deprimentes, mais violentas. Às vezes até a impressão de que alhures existe um ente qualquer invisível que emite, à maneira de uma emissora, uma coisa assim, as trepidações mais agressivas possíveis, mas tudo isso no sentido de espezinhar, e dar risada: “Está vendo!?, isso não é nada, idiota!, etc.”

A gente vê que é o demônio.

Mas que mais ou menos essas trepidações que eu chamo “vozes”, não são vozes, não dizem [inaudível], é uma impressão, uma sensação. E isso da parte do demônio e também da parte da graça. Por que às vezes a Providência permite que essa impressão do demônio seja uma impressão prolongada, quer por que ela tarda, a Providência tarda em fazer [decorrer?] o seu auxílio, a sua ajuda, é uma das coisas; ou por que a Providência deseja… enfim, os fatos parecem até desmentir aquilo que a confiança promete.

* É preciso lembrar-se da parte racional que há na graça da confiança, e lembrar-se das consolações que teve. Essas consolações são exorcísticas

Então, o que é preciso é a gente lembrar-se da parte racional que há na graça da confiança, na parte teológica que há na graça da confiança, e lembrar-se das consolações que teve. Essas consolações são em relação à essa agressão, são exorcísticas. Quer dizer, dissipa-se essa emissora da maldição e sobrevém uma calma, muito tranqüila, muito auspiciosa e que, no fundo, conduz ao seguinte — é nesse sentido que se poderia ser chamado uma voz:

— “Você está sentido esta calma, está sentido este bem-estar, etc., veja que isto é uma promessa, e que acontecerão com você — no sentido axiológico — coisas boas e causarão a sensação que você está sentido agora”.

De onde tome essa sensação como uma promessa. Você raciocina e vê que isso é uma promessa. De maneira que é uma coisa, é um toque, vamos dizer, de uma emissora boa, de uma emissora santa, e esse toque conduz a uma conclusão de caráter lógico. Daí a convicção: “Eu posso apoiar-me em…”.

Quer dizer, é uma coisa muito razoável, não é uma coisa assim feita apenas de lampejos. Embora os lampejos têm o seu papel dentro disso, um papel até central. Mas o lampejo analisado segundo a graça, segunda a teologia, e, portanto, segundo também o bom-senso e a razão.

Eu não sei se…

(Sr. Paulo Henrique: O lampejo é o ponto de partida, não é senhor?)

É o ponto de partida.

E é uma voz nesse sentido, que analisando o lampejo, eu vejo que ele me diz isso, ele me promete isto: “Os fatos se passarão de maneira a você ficar estavelmente no estado de espírito passageiro em que está agora”.

(Dr. Edwaldo: E acompanhado de calma.)

* Uma calma que é mais do que uma simples calma, quer dizer, uma cessação de angústia, mas é um estado agradável, um estado deleitável maior do que simplesmente uma felicidade

Acompanhado de calma. Essa calma é mais do que uma simples calma, quer dizer, uma cessação de angústia, mas é um estado agradável, um estado deleitável maior do que simplesmente uma felicidade. Isso é a construção da coisa.

Agora, por esta forma, com muita clareza a gente sente, a gente conhece o conteúdo da mensagem — vamos chamar isso de mensagem. Isso tem uma palavra, tem significado.

* O Anjo não tem propriamente uma voz, ele não tem corpo, é puro espírito, como é que ele se comunica com os homens no Céu empíreo?

Há até uma coisa curiosa que, se não me engano é o Cornélio a Lápide que diz, mas é alguma boa leitura que eu fiz sobre o caso: que no Céu empíreo deve haver uma locução dos Anjos com os homens, mas uma locução tal que o ouvido humano ouve o que os Anjos dizem.

Então vem essa objeção: o Anjo não tem propriamente uma voz, ele não tem corpo, é um puro espírito, como é que ele se comunica?

A resposta é: os Anjos se comunicam produzido sons. Eles têm uma ação sobre a natureza, e eles poderiam por exemplo agir sobre o ar, ou com a água, ou com qualquer elemento sonoro, eles poderiam produzir uma música para os homens ouvirem. Assim como eles podem produzir uma música, podem produzir um cântico, ou podem produzir palavras como si a corda de um violino falasse. E aí a pessoa entra no conhecimento do que o Anjo quer comunicar. Naturalmente o que o Anjo diz é muito deleitável, porque ele é um Anjo de luz, de bondade, de felicidade, e que traz mensagens de Deus. Mas o modo é esse.

E eu lendo isso pensei: “O autor não está tomando em consideração os fatos místicos, ele está tomando em consideração o modo natural pelo qual um Anjo, ex natura propria, agindo sobre a natureza sensível que há no Céu empíreo produz um fenômeno sensível.”

É muito bem isso, mas quem conhece os lampejos, entende que os Anjos têm outríssimo modo também de se comunicar. E que termina nisto a reflexão concernente ao Céu empíreo.

Mas por meio de lampejos assim, os Anjos do Céu empíreo podem nos fazer entender “n” coisas.

(Sr. Gonzalo: E enquanto essa via como resposta a essa espécie de voz do demônio, o senhor teria a dizer algo? De outro lado, dar outros exemplos da vida do senhor, da Senhora Dona Lucilia também.)

* Quase todas as provações que eu tenho dito na CSN são precedidas de uma previsão de ordem natural

Quase todas essas provações que eu tenho dito a vocês, são precedidas de uma previsão de ordem natural: “Em tal canto, em tal situação está nascendo um tumor. Eu percebo que tal zona da realidade está tumorada — vamos dizer assim — e que vem coisa grossa por aí.”

Isso produz da parte do demônio logo [inaudível].



Naturalmente, desejoso e até trabalhando na ordem concreta dos fatos para que isso se dê assim.

Agora, na realidade das coisas o fato se dá assim: que manifesta-se um lampejo, e a gente compreende pelo efeito do lampejo, a gente vê que é produzido pela graça, porque o que o demônio produz, conduz necessariamente ao mal-estar, ao tormento. E se uma pessoa se entregasse a isso, poderia conduzir a tentações. [É] onde ele quer chegar.

A menor das tentações seria que o sofrimento causado por essa ação do demônio deve ser tão terrível a quem se entrega a isso, que a gente nem sabe o que dizer. E que ele quer isso para ver se leva a gente ao desespero.

* A verdadeira posição a tomar em face das provações

Então o verdadeiro é isso. Quer dizer, isso é anti-axiológico que aconteça. Pode ser que Nossa Senhora permita uma coisa assim para me provar. Se permitir, eu me submeterei e conto com o auxílio d’Ela para pairar por cima da onda e não por baixo.

Mas o mais provável é que não aconteça, porque o número de ameaças dessas é tão grande que se eu fosse contar, a minha vida seria quase que só isso. E, portanto, essas vozes de pânico, de terror, etc., são vozes segundo todas as evidências, vozes nocivas, vozes malfazejas. Então, eu devo não prestar atenção, tomar as minhas precauções para que aquilo não aconteça — no caso de acontecer eu já saber o que vou fazer — tudo como se naturalmente falando aquilo fosse acontecer. Mas depois pôr-me em paz como se não fosse acontecer. É a situação razoável.

(Cel. Poli: Os lampejos do senhor, o senhor percebe os tormentos do senhor, por exemplo o caso do mutuca, o senhor percebeu antes?)

Muito antes. Muito antes.

(Cel. Poli: O senhor percebe pela análise natural do quadro que o senhor está vivendo, ou o senhor percebe por um quadro de infestação, ou o senhor percebe algum jogo de de Anjos? Qual é o mecanismo pelo qual o senhor percebe isso?)

* Pelo tipo de infestação a gente percebe mais ou menos qual é tipo de ofensiva que o sujeito vai fazer

Em geral pelos fatos. Em geral é pelos fatos. E esses fatos muitas vezes a gente percebe que a pessoa cuja ação é causa da tensão, está infestada. Isso então dá pelo discernimento dos espíritos. E pelo tipo de infestação a gente percebe mais ou menos qual é tipo de ofensiva que o sujeito vai fazer. Mais ou menos como está pensando. Pelo tipo da infestação. E aí a gente joga.

Vamos dizer, por exemplo, um fato que foi muito assim…

(…)

muito parecido com romance, [vê-se como] um romance…

No que é que você está pensando, meu Gonzalo?

(Sr. Gonzalo: Depois eu digo para o senhor. Além do mais o senhor sabe o que nós estamos pensando, mas enfim…)

Bem, mas enfim, além disso… eu ia dizendo uma coisa e me escapou.

(Sr. Gonzalo: A ação da Providência.)

A cada passo vinha um perigo e aquela emissora dardejando. Eu aplicando o sistema, e o sistema desmontando a ofensiva. Na aparência a questão se abrindo providencialmente.

Ora, depois disto o remédio providencial não adiantava nada, e nós caíamos noutro poço.

Até que…

(…)

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