Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
8/1/94 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 8/1/94 — Sábado
“Eu sempre previ a Bagarre, nunca deixei de crer nela, sempre continuei a achar que ela viria e que viria para os dias de nossa vida, em função dos acontecimentos atuais” * A queda das primeiras gotas d’água do dilúvio mediava entre a primeira queda de gotas e a torrencialidade do dilúvio, poderia demorar um ano, dois anos, três anos, mas a gota caiu * O grande inimigo na hora da Bagarre, como as coisas estão tendendo a acontecer, é uma espécie de acomodação com uma vidinha ou uma vidoca diária aprazível * Não está havendo nem sequer um início de processo de conversão da opinião pública, o que há é uma despiora que a Providência pode aproveitar para iniciar um processo de conversão * A verdade interior que nós nunca ousamos olhar de frente, e pela negação da qual nós nunca somos inteiramente o que devemos, o amor a essa verdade é que nos preparará para a Bagarre * Nós vivemos dentro da atmosfera do caos como um verme vive no abdômen de um bicho doente * Uma coisa que fica assim pelo ar é que a qualquer hora estala uma epidemia mundial
… anunciar outra coisa senão o negócio das repercussões do livro. Não houve nenhum pormenor, nem nada que anunciasse algo que não fosse isso.
* O tipo de estado de espírito de uma pessoa boa no Reino de Maria seria o estado de espírito da Senhora Dona Lucilia
É verdade que eu acho que o tipo de pessoa, o tipo de estado de espírito de uma pessoa boa no Reino de Maria seria o estado de espírito dela, aquela mentalidade dela. Mas eu acho também que ali, no sonho, ela não estava na mentalidade típica que ela tem. Aquela alegria transbordante eu nunca vi nela, durante a vida terrena eu nunca vi.
Quer dizer, Deus guiou os passos da vida dela de tal maneira que para dizer alguma coisa, eu uma vez a vi nesse estado de espírito — eu digo daqui a pouco qual é, um episodiozinho de que eu já falei, mas enfim, uma vez eu a vi naquele estado de espírito — depois nunca mais e é um estado de espírito muito excepcional nela. De maneira que dizer que ela veio anunciar aquele estado de espírito, me parece muito pouco provável. Seria preciso outros fatos, outras coisas para tirar essa ilação. De maneira que isso nós podemos passar de lado.
Agora, quanto a dizer que ela veio anunciar esse movimento freqüente dos espíritos em favor nosso, também não me parece que ela tenha vindo anunciar isto.
Ela veio anunciar… quase que se poderia dizer que o ápice do anúncio dela iria das repercussões de Portugal, portanto, Espanha também, para o palácio da princesa Pallavicini. E que o auge daquilo que ela anunciava, estava ao menos até o momento no palácio da princesa Pallavicini. Isso é o que me estava no espírito.
Agora, me parece, isso sim, que essa mudança de estado de espírito anunciada sexta-feira à noite por mim, na reunião, é mais enunciada do que anunciada. Quer dizer, à vista das proclamações feitas eu tirei como conclusão essa conclusão geral, etc., me parece que isto realmente está se dando. Mas — eu não quis dizer ontem à noite porque tornaria um pouco pesada a coisa — durante toda a exposição veio me parecendo que o número de atitudes críticas — houve algumas — mas eram muito menos numerosas do que em jornais falados anteriores. Mas me pareceu que por causa de um certo caráter festivo que aquela reunião tomava por ser feita dentro do “decor” dos dias de festa que o João Clá promoveu por causa de meu aniversário, que mandaram tirar a quase totalidade das repercussões hostis. Mas que de fato — eu estou para perguntar isso ao João — deve ter havido mais repercussões hostis do que foi lida lá.
* Uma coisa que traz uma dificuldade muito grande em se ter objetividade nos relatos de repercussões sobre a TFP é o otimismo ou pessimismo de quem as seleciona para a reunião
Aliás, é uma coisa que traz uma dificuldade muito grande em se ter objetividade nisso, é que em geral quem faz a seleção, organiza aquilo, seja quem for é sempre gente excelente, mas que conforme o estado de espírito de cada um, ou é gente otimista e marca demais o que é bom e omite um tanto o que é ruim; ou é gente pessimista que vai no sentido contrário.
Havia antigamente alguns jornais falados com tantas críticas a mim que eu mesmo ficava desconfiado que o pessimismo do selecionador levava a carregar a coisa.
(…)
… Dr. P. Xavier, quer dizer, que seria bom dar para o pessoal de amanhã que não estava sexta-feira, o mesmo comentário. Fazer para eles a narração dos comentários do pessoal do prédio de apartamento, falando só do prédio de apartamento, e depois eu fazer uma apreciação geral de como os espíritos estão se voltando, etc., etc., que me parece indispensável para os Correspondentes em São Paulo. E nessa ocasião matizar um pouco mais as notícias, por via das dúvidas. Essa é a noção geral que me ficou da coisa.
Muitos dos que estão aqui estavam ontem lá, não sei que impressão tiveram. Se a impressão que tiveram afina com a minha ou não.
(Sr. Gonzalo: Tem que afinar, senão… E as boas repercussões o senhor não acha que eram melhores do que o normal?)
* Atualmente as repercussões favoráveis à TFP estão melhores do que antes e são repercussões marcadas pela aflição de quem vai à procura de um solucionador
Sim. Achei que eram melhores do que as normais e achei que eram o seguinte: repercussões marcadas pela aflição. E aflição que vai à procura de um solucionador. Nas repercussões anteriores eles tinham um panorama, quand même muito menos convulsionado que o de hoje. Mas não só panorama geral da situação do país, mas o panorama da vida individual deles, as condições da vida individual de todo o mundo pioraram muito.
E isso, você sabe que aos povos individualistas toca enormemente, mas enormemente. E fica mais ou menos à procura de alguém que obtenha graças, portanto um medianeiro que obtenha de Nossa Senhora graças que eles receiam não poder obter por si próprios, alguém que tem uma experiência e uma isenção em relação à cambada dos dirigentes, que sirva para fazer uma coisa em cuja honestidade eles crêem. E isto a vida inteira creram, na minha honestidade.
De maneira que isto fica marcando bem para uma ocasião de perigo como essa. E aí você apanhou perfeitamente bem o matiz.
Quer dizer uma vez que eles estão nesta aflição, eles se voltam para o consolador dos aflitos, com alguma coisa de angústia filial na qual entra necessariamente um tanto de afeto pelas circunstâncias.
É essa nota de afeto que se tornava mais visível em muitas das repercussões de ontem à noite. Essa é a minha impressão.
(Sr. Gonzalo: Mas isso diz algo mais profundamente ao senhor, no sentido de Bagarre e Reino de Maria, ou é uma coisa que o senhor acha que é episódica?
(…)
* Antes de mandar o castigo, misericordiosamente Nossa Senhora manda graças para as pessoas agüentarem o castigo
… o mundo para um castigo. E antes de mandar o castigo, misericordiosamente Ela manda graças para as pessoas agüentarem o castigo. Por exemplo, o que está implícito no que diz São Pedro quando ele disse que muitas pessoas se salvaram no dilúvio, que se teriam perdido se tivessem morrido tranqüilamente na cama e que debaixo de um certo ponto de vista foi um castigo, e um castigo enorme, de outro lado foi um ato de misericórdia.
Quer dizer, isso em termos diferentes, que Nosso Senhor preparou as almas dos castigados por meio de graças especiais para que eles correspondessem bem ao favor do castigo.
(Sr. Gonzalo: […] Estava faltando isso, porque sem uma certa graça que começasse a trabalhar logo antes do castigo, parecia mais arquitetônico que isso viesse…)
Sim, é claro.
(Sr. Gonzalo: Inclusive para o senhor poder mexer, e tudo. […] Isso dá uma leveza à vocação do senhor, que é uma coisa muito benfazeja.)
* “Eu sempre previ a Bagarre, nunca deixei de crer nela, sempre continuei a achar que ela viria e que viria para os dias de nossa vida, em função dos acontecimentos atuais”
Muito. E muito alentadora. Eu estou falando nesses termos porque é a primeira vez que temos ocasião de conversar depois da reunião de ontem, e portanto estou falando agora. Mas a minha atitude perante a questão da Bagarre foi essa: eu sempre previ a Bagarre, nunca deixei de crer nela, sempre continuei a achar que ela viria e que viria para os dias de nossa vida, em função dos acontecimentos atuais. Não viria, por exemplo, para o ano dois mil, dois mil e cinco, sei lá o quê, sem relação com os acontecimentos atuais. Não, ela é uma função dos acontecimentos atuais.
Agora, o que eu não via é o seguinte: isto que eu acabo de dizer e que eu via pela configuração geral dos acontecimentos, mas que eu via desde a minha carta para o José Pedro, e antes ainda.
(Sr. Gonzalo: Antes, aí foi a primeira vez que o senhor comunicou.)
Isso. Não, é o documento mais antigo que temos, mas eu falei muito disso antes, nas conversas à noite na Congregação de Santa Cecília, etc. Eu nunca fiz mistério disso.
Mas afinal, seja como for, essa visão geral eu sempre tive. Mas eu queria dizer que eu não via presentes os fatos que mais proximamente anunciassem uma Bagarre para agora.
(Cel. Poli: O senhor via os fatos…)
Não via que estivessem presentes no panorama atual, fatos prenunciadores de que a Bagarre saísse em tempo próximo.
(Cel. Poli: Isso há tempos atrás.)
Ontem, ontem ainda eu achava isto.
(Cel. Poli: Ontem o senhor achava isto?)
É, antes da reunião. Ouvindo a reunião, na reunião se enriqueceu de novo os dados. E com esse enriquecimento chegou a outro desdobramento, não é?
(Cel. Poli: Desdobramento de uma proximidade maior da Bagarre.)
Isso. E que há fatos que prenunciam para um tanto mais próxima a Bagarre. Quanto mais próxima? Há indecisão, há indefinição a esse respeito. Mas já é uma coisa que já começa a aparecer com um começo de data escrita no panorama.
(Sr. Gonzalo: E isso mais pelo lado graça?)
É.
(Sr. Gonzalo: Está uma coisa fabulosa.)
Isso é o meu modo de ver a questão.
E me parece realmente que isso é um modo de ver equilibrado e seguro.
* Um modo de ação externa que representa uma preparação para a Bagarre
Agora, o que me parece é o seguinte, é que assim como houve graças — eu disse isso ontem à noite, mas eles não deram importância ao caso, não compreenderam. Tudo quanto eu falei da grande-peur…
(Sr. Gonzalo: Isso o senhor falou para os êremos itinerantes, senhor. Não foi para o auditório nosso.)
Ontem, à noite foi para os EEII?
(Sr. F. Antúnez: Sim.)
(Sr. Gonzalo: Isso foi uma coisa colossal, mas não foi para o auditório nosso.)
Bom, então eu estou fazendo um pouco de confusão. Eu disse ontem. Eu falei para eles — então para os eremitas itinerantes — eu falei a respeito da importância do trabalho dos eremitas itinerantes, e para que eles compreendessem bem, eu falei a respeito da grande-peur, expliquei o que era, etc., etc. Eles estão muito pouco ao par de coisas dessas, não é? Mas eu expliquei o que era, etc., e depois mostrei como sem imprensa, nem rádio, nem televisão, etc., se podem por esses processos aparentemente arcaicos fazer voar com muita segurança notícias de ponta a ponta de territórios grandes. E que uma organização dos eremitas itinerantes apoiados pelos Correspondentes, de maneira que nós tivéssemos duas espécie de difusores: uns difusores itinerantes e outros morando em lugares fixos, mas incumbidos de, recebendo notícias, difundir para o seu pequeno círculo de cidades próximas, que nós podíamos cobrir com notícias verbais, áreas enormes do Brasil. E que poderíamos conseguir resultados espantosos como foi da grande-peur. Foi o que eu disse.
Agora, isto representa uma preparação para a Bagarre.
(Sr. Gonzalo: E contando com alguma massa de manobra.)
Pois bem, exatamente o que eu disse é que é preciso aumentar o número de eremitas itinerantes, aumentar o número de Correspondentes acrescentando aos eremitas itinerantes e Correspondentes gente que a gente poderia mandar viajar de propósito em ocasiões especiais ainda que suspendendo serviços estáveis da TFP. Porque pode dar-se também. Quer dizer, nós temos um número impressionante de viajantes.
* Nós estamos a ponto de afivelar dois serviços que podem se conjugar para uma comunicação rápida
E ainda expliquei a eles um processo de comunicação de notícias. Por exemplo, uma notícia pode ser espalhada verbalmente e por sinais, não por meios técnicos modernos, pode ser espalhada simplesmente assim: por exemplo, é de se esperar — vamos dizer — que em tal data haja uma ofensiva geral contra as fazendas. Então é preciso espalhar entre os fazendeiros a notícia de que vai haver, para que eles se apressem.
Para parar em cada lugar, descer, cumprimentar o sujeito e a família dele, depois entrar para dentro, ele oferece um cafezinho e umas broas para o sujeito comer. A mulher aparece para conversar um pouquinho. Depois é que é possível ele se isolar com o chefe da casa e dizer uma coisa. O chefe da casa pede pormenores. Aí você tem toda uma visita.
Se ficar combinado que passará quando for essa notícia, passará em frente a casa dele, um automóvel da TFP trazendo amarrado do lado de fora, enrolado um estandarte — como no transporte comum —, isto quer dizer, a data é tanto, em virtude de uma combinação anterior. Tal sinal quererá dizer tal coisa.
Passa, chega lá e pergunta para a senhora:
“O fulano está aqui?”
Ele está ou não está. Se ele não está: “Olha aqui, deixa um abraço para ele”. Vai embora com a bandeira vermelha bem à vista.
Se ele está, ele chega e o sujeito diz: “olha aqui, preste atenção na bandeira vermelha. Até logo. Abraços”.
Se o sujeito está na janela, por acaso, porque acontece com uma certa freqüência no interior, ele nem fala, ele passa em frente: “fulano, como vai?”, etc. Está bom, e toca para frente. Acelera a comunicação enormemente. E que, portanto, nós estamos a ponto de afivelar dois serviços que podem se conjugar para uma comunicação rápida, que são os serviços dos eremitas itinerantes e os serviços dos Correspondentes.
(Sr. P. Roberto: O próprio emprego de um método de coisas assim, como o senhor está descrevendo agora, não é bem anunciativo de algo bagarroso? […] Isso já tem algo de coisa nova.)
De muito novo.
(Sr. P. Roberto: O fato do senhor dizer já dá impressão de que a Bagarre está próxima. O fato do senhor empregar coisas assim, para nós tem um pouco de cheiro de Bagarre.)
Tem, e depois tem esse cheiro. Tem mesmo. Não quer dizer, que a Bagarre está próxima, sobretudo se se dá a palavra próxima com o sentido que caminha para o conceito de iminente. Que não é. é uma coisa que de um momento para outro pode tornar-se iminente. Isso é evidente.
Aliás, o estandarte grande, é um mal exemplo que eu encontrei no momento, porque a gente poderia perfeitamente pensar por exemplo, do lado de fora uma flamulazinha com a figura de São José ou qualquer coisa assim, já significa isso. Ninguém vendo uma flamulazinha com a figura de São José e o Menino Jesus vai pensar que aquilo é um sinal de qualquer coisa. Ainda mais num automóvel da TFP.
* A queda das primeiras gotas d’água do dilúvio mediava entre a primeira queda de gotas e a torrencialidade do dilúvio, poderia demorar um ano, dois anos, três anos, mas a gota caiu
Agora, é preciso ver bem. É uma coisa formidável que depois de trinta anos, quarenta, cinqüenta anos de espera, setenta…
(Sr. Gonzalo: Oitenta.)
Oitenta.
Se ponha com toda seriedade, com essa seriedade com que eu lhes estou falando e que representa uma coisa inteiramente refletida, amadurecida, etc. Não é uma fantasia, um tremelique, mas é uma coisa pensada, medida e contada. Então que nessas condições se pense na coisa como eu estou falando, é enorme. Seria como, por exemplo, se Noé visse cair umas gotas grossas de chuva e dissesse: daqui a um certo tempo essas gotas vão se tornar mais freqüentes e depois inundarão a terra.
A queda das primeiras gotas d’água do dilúvio poderia mediar entre a primeira queda de gotas de água do dilúvio e a torrencialidade do dilúvio, poderia demorar um ano, dois anos, três anos, mas a gota caiu.
(Sr. P. Roberto: E Noé falou.)
Noé falou.
Quer dizer, isso deve ser visto assim.
(Sr. Gonzalo: E estava muito patente ontem no Santo do Dia isso assim. Estava havendo uma espécie de coisa que se fechava, de ver os primeiros momentos de luta do senhor. […] Porque isso tem uma beleza enquanto panorama que é uma coisa prodigiosa.)
Tem, graças a Nossa Senhora tem. E o grau de maturidade das coisas é esse.
* O plano de ação de espalhar rapidamente notícias visa prevenir a opinião pública em relação às máfias contra a TFP
Agora, eu preciso dizer a vocês o seguinte: isso não significa nem um pouco que haja um pré-plano na minha cabeça, um pré-plano concreto de ação. Quer dizer, aliarmos com alguém contra outrem, ou alguma coisa assim, não há nenhum pré-plano. Porque eu não vejo no horizonte com quem possamos nos aliar. Aliar com quem?
(Sr. Gonzalo: Isso nem se põe.)
Não se pode nem de longe. É uma ação interna para, por exemplo, combater uma máfia que se esteja espalhando contra nós. Então — eu, aliás, acho que dei esse exemplo — se eu sei que daqui a quinze dias, ou a vinte dias o Brasil estará inundado por uma máfia se dizendo contra a TFP tal coisa, eu posso fazer circular com antecedência de dez dias sobre a data marcada pelos nossos adversários, a notícia de que eles vão pôr isso em circulação, eu furei o jogo deles.
(Sr. Gonzalo: E que o senhor tem feito muitas vezes já.)
Assim, com essa precisão, etc., não, mas alguma coisa sim.
(Sr. Gonzalo: “Em Defesa” foi um pouco furar.)
* O grande inimigo na hora da Bagarre, como as coisas estão tendendo a acontecer, é uma espécie de acomodação com uma vidinha ou uma vidoca diária aprazível
Bom, mas aí foi um livro. Não esse processo de divulgação.
Agora, para nós há uma coisa que eu não vou aprofundar aqui, mas que é bom dizer. O grande inimigo na hora da Bagarre, como as coisas estão tendendo a acontecer, é uma espécie de acomodação com uma vidinha ou uma vidoca diária aprazível, em que a gente arranjou um jeitinho de conseguir um dinheirinho pequenininho mas suficientezinho, numa vida calminha e pronto, está arranjada a vida.
(Cel. Poli: Agora, seguro-saúde, não é senhor?)
Como?
(Cel. Poli: Até seguro-saúde a TFP está fazendo agora.)
Pois é. E faz bem de fazer. Eu louvo. Eu me inscrevi no seguro-saúde. Mas uma coisa é isto e outra coisa é ter a mentalidade de que por que eu estou inscrito no seguro-saúde, eu estou com tais e tais problemas resolvidos. Se eu sou filho da espera da Bagarre, como é que eu posso ter essa mentalidade?
Pelo contrário, eu me inscrevi no seguro-saúde com tristeza. Não é com alegria: “ih, eu agora se for operado posso ser operado num hospital alemão, que maravilha!” Isso é secundário. A gente garante, mas é secundário. O importante não é isso, o importante é jogar o grande jogo.
(Sr. Gonzalo: Isso estava também no Santo do Dia de ontem muito presente. […] Eu senti muito um convite para a via dos fatos a saltar na arena.)
* Não está havendo nem sequer um início de processo de conversão da opinião pública, o que há é uma despiora que a Providência pode aproveitar para iniciar um processo de conversão
Isso tudo é verdade. Agora, note o seguinte, que se é verdade que havia manifestações de dedicação, de dedicação comovida até uma vez ou outra em relação a mim, a compreensão e o entusiasmo por coisas nossas, era uma coisa que não derrubou os obstáculos que havia para não quererem o que nós queremos. De maneira que essa gente, se os acontecimentos parassem onde estão, irremediavelmente eles quereriam se distanciar de nós.
Quer dizer, não há uma conversão, nem sequer propriamente um início de processo de conversão. Há uma despiora que pode a Providência aproveitar para iniciar um processo de conversão. Isso é evidente. Mas não vai além disso.
(Sr. Gonzalo: Senão não vinha a Bagarre.)
Não vinha a Bagarre. Porque se é gente que converte para que surrar dessa maneira? Não tem razão.
Quer dizer, eu acho que tanto quanto eu posso ver, tudo se põe com muito equilíbrio.
(Sr. Gonzalo: […] É a realização da profecia. O senhor disse uma vez que a grande profecia do senhor era a Bagarre, e que até a Bagarre o senhor era devedor nosso. Mas depois que ela começasse, os devedores íamos ser nós em relação ao senhor.)
É isso.
(Sr. Gonzalo: O senhor ia cobrar as coisas. Agora, está aí. […] A grandeza da vocação aparece muitíssimo…)
Chamejante. Chamejante.
Esse é o negócio.
Eu não sei se sobre isso querem perguntar alguma coisa.
(Cel. Poli: Os tempos que vem, senhor, quais são as dificuldades próprias do tempo que vem e as facilidades que ele vai trazer? A facilidade parece que é, uma vez que tudo ruiu, a perspectiva de se entregar mais torna-se mais fácil. Mas também por outro lado tem…)
Menos difícil.
(Cel. Poli: … demônios, desencontros… Porque se nós tivéssemos uma abertura e uma confiança inteira no senhor, seria uma coisa. Sendo nós como somos, é outra coisa. E essa abertura inteira se verificará com o Grand-Retour.)
* O Grand-Retour é uma graça que pela ação da Providência quebra em nós aquilo que há de ruim
Aqui é um problema. O Grand-Retour está para esse processo mais ou menos como um sujeito que tem — eu não entendo das coisas médicas, posso fazer uma comparação completamente claudicante, mas vamos imaginar — um sujeito tem um reumatismo. E então ele anda com dificuldade, se apóia, etc., etc., e anda como pode. Mas ele não está com a perna quebrada, muito menos a perna dele está cortada. Ele vai.
Agora, suponham que haja um determinado momento em que o reumatismo piore tanto que ele toma um tombo na rua e quebra a perna. Mas a perna reumática, uma vez quebrada, o ela se consertar deve provavelmente ser muito mais difícil se a fratura foi no lugar onde está o reumatismo, porque tem todo um processo de doença instalado no ponto da fratura, e são duas situações que se acavalam uma sobre a outra de um modo visivelmente nocivo.
Assim é mais ou menos a questão do Grand-Retour. Eu vou comparar uma coisa ruim com uma coisa boa, porque não me ocorreu outro exemplo. Mas por enquanto nossa dedicação, etc., etc., é parecida para o lado bom, com o que é parecido o reumatismo para o lado ruim. Uma coisa que… nós estamos dedicados, fazemos coisas, etc., etc., mas não estamos com a perna quebrada.
Mas outra coisa é uma coisa que vem e que quebra a perna. E que muda todo o panorama da situação anterior, e quase impõe o recurso a métodos remediativos inteiramente diversos: operação, vamos dizer, raspagem do osso — eu não entendo dessas coisas, mas imaginem coisas assim.
O Grand-Retour é alguma coisa que quebra dentro do que há de ruim em nós. Pela ação da Providência vem-nos uma graça por onde aquilo que em nós há de ruim se quebra. E fica uma situação difícil. Mas a partir do momento em que houve isso, todo o processo de remédio, toda evolução da situação mudou completamente.
* Um exemplo chamejante do que será o Grand-Retour: a queda do cavalo, de São Paulo, no caminho de Damasco
Você tem um exemplo chamejante disso na queda do cavalo, de São Paulo, no caminho de Damasco. Porque ele chegou a ficar cego. E note bem, ele ficou cego três dias. Mas você pode imaginar bem, que ele não sabia se não estava cego para todo o sempre, e que, portanto, em que dependura ele ficou.
(Sr. Gonzalo: E caiu mesmo.)
Caiu mesmo. Caiu no chão.
E depois tem outra coisa: é que ele talvez tivesse ficado com risco de ficar cego a vida inteira se ele ali não correspondesse bem a graça. Porque é isso. E ele talvez sentisse isso. Então pode imaginar porque situações ele passou. Isso não preparava a alma dele para a conversão? O problema da conversão dele antes da queda do cavalo era diferente do problema depois da queda do cavalo.
O que é, meu Paulo Roberto?
(Sr. P. Roberto: É um exemplo muito bom, porque nós sentimos que isso funciona assim mesmo em nós.)
É, é isto. E que nós precisamos quebrar a perna de qualquer jeito.
Eu conheço alguns casos, raros, de doenças de membros do Grupo que tomaram doença mesmo, e ficaram numa situação de ter que optar entre uma vida de precauções e cuidadinhos para sobreviver, ou uma vida que os médicos já prevêem que será curta. O sujeito colocado nessa situação, pode ser o homem mais ousado do mundo, mais amigo da irreflexão, mais otimista que pode haver, se ele está preso por essa tenaz, ele muda. Não tem por onde escapar.
(Sr. Gonzalo: E se não muda está frito.)
Está frito.
(Sr. F. Antúnez: Junto com esses sintomas de opinião pública precisaria haver uma conversão muito mais profunda. […] Porque a gente vê que eles têm um certa consonância numa coisa vaga. E no dia em que o senhor se mostre numa “pliniofania” total, eu não sei se esse povinho seguiria do mesmo jeito.)
Eu também não sei.
(Sr. F. Antúnez: Como seria essa manifestação do senhor tendo em vista o quadro atual para levar o máximo possível de gente para a Bagarre.)
* A verdade interior que nós nunca ousamos olhar de frente, e pela negação da qual nós nunca somos inteiramente o que devemos, o amor a essa verdade é que nos preparará para a Bagarre
O amor à verdade, no que nos diz respeito a nós, é sobretudo amor a essa verdade: a verdade interior que nós nunca ousamos olhar de frente, e pela negação da qual nós nunca somos inteiramente o que devemos. Esse é o negócio. E nós temos que nos pôr nessa linha.
O que é que me olha tão fixo, meu George?
(Sr. G. Antoniadis: É exatamente isso.)
É isso, não tem conversa. O que não for isso é lorota.
* Uma hipótese de como poderá se iniciar a Bagarre
Imagine, por exemplo, de repente a gente ouve um estalido enorme e é o céu que está como que rachando e despejando meteoritos e sei lá quanta coisa esquisita sobre a Terra, e todos nós nos olhamos e compreendemos o que é que aconteceu.
Não podemos dizer que é a Bagarre, nem como é que é, nem como não é de público, por jornais, etc., etc., porque nos devoram. Eles ficariam indignadíssimos. Devemos mandar gente por essas terras a fora com recado para os que são nossos: “é a Bagarre! Começou o castigo de Deus”.
Agora, dentro de uma hora continuam a cair os meteoritos, etc., e cada um dos senhores está sozinho num veículo, numa estrada caminhando a toda velocidade para levar esses recados.
Já pensou naquela solidão com que espécie de padre para se confessar numa eventualidade? Enfrentar a possibilidade da morte sem nem poder confessar-se? [vira a fita]
(Sr. Gonzalo: Há qualquer coisa meio esquisito no ar que já fala em coisas meio… […] amanhecer certos dias, vendo meter-se umas brumas que não são as coisas de ontem, que…)
Ahahaha! É tal e qual. A expressão é magnífica: “vendo meter-se umas brumas que não são as de ontem”, é bem exatamente isso.
(Sr. Gonzalo: Eu me senti muito apanhado com isso que o senhor está dizendo agora. […] Tudo fala uma coisa assim, é como é que é?)
Chegou.
(Sr. Gonzalo: E agora?)
É isso.
E depois tem outra coisa, quando você está pensando nisso: “plec!”, em cima do teto de seu automóvel. Um meteorito que caiu. Não pode de repente cair um Bendengó e você está morto embaixo da pedra que caiu? Pronto!
E também não adianta o seguinte: “eu agora vou telefonar depressa pelo telefone internacional para avisar minha família”. Não adianta!
(Sr. F. Antúnez: Deus me livre.)
Ahahahah!
(Sr. Gonzalo: Não, não pode ligar nem para o primeiro andar, o problema é esse.)
É, começa por aí.
* O Senhor Doutor Plinio está continuamente nos ajudando a varrer a nossa contradição interna que nos impede de vê-lo em toda a sua estatura
(Sr. F. Antúnez: Mas apesar da dificuldade que o senhor mostra com essa demonstração do senhor, a gente sente uma necessidade de ver o senhor na sua plena estatura.)
Sim.
(Sr. F. Antúnez: Não sei se eu me engano, ou é uma coisa platônica, mas a gente realmente sente uma necessidade de que o senhor se manifeste inteiramente, apesar de que poderia causar as reações que o senhor descreveu. Então há uma contradição interna dentro de nós que haveria que varrer.)
Também. Também. É isso tal e qual.
(Sr. F. Antúnez: Bom, o senhor tem que varrer então…)
Eu tenho que varrer?
(Sr. F. Antúnez: Ajudar, dizer como é que se varre isso para…)
É, ajudar é, por exemplo, tendo essa conversa. Essa conversa ajuda a dar o desejo de varrer.
(Cel. Poli: Na linha dos acontecimentos atuais, o que disse o sr. Gonzalo, eu sinto muito isso também. Quer dizer, há algo em tudo, que para mim é indecifrável, mas uma conotação de última hora, última hora que pode não ser necessariamente 60 minutos, mas é a última hora.)
Última etapa.
(Cel. Poli: Última etapa. Sobretudo as coisas ruins. Quando a gente vai comprar…)
Coisas ruins sobretudo.
(Cel. Poli: Agora estão aparecendo uns automóveis, mesmo automóveis feito no Brasil que são super-automóveis, que tem isso, aquilo e aquilo outro, mas a gente olha tem uma careta no fundo.)
Isso. Dos automóveis que eu estou escolhendo, eu estou procurando um automóvel sem careta, todos têm careta. Mas é tudo.
(Cel. Poli: A gente vai num restaurante a comida não tem gosto… ou seja, tudo é última hora. Agora, o senhor vê isso assim também, senhor?)
* Nós vivemos dentro da atmosfera do caos como um verme vive no abdômen de um bicho doente
Tal e qual. E depois a impressão que eu tenho é o seguinte: é que nós vivemos — me desculpem o prosaísmo do que eu vou dizer, mas a coisa é assim — nós vivemos dentro dessa atmosfera como um verme vive no abdômen de um bicho doente. A atmosfera no qual vivemos está doente. É medonho!
(Sr. Gonzalo: É muito real. É uma coisa…)
É uma coisa louca.
Por exemplo, todos nós que estamos aqui, não sabemos se — provavelmente, eu não sei como são os costumes pessoais, mas estou supondo que provavelmente todos quando forem se deitar vão pôr pelo menos um cobertor como agasalho. Mas não tenho a menor certeza se eu, em primeiro lugar e você também, não vamos mandar tirar todos os cobertores porque está quente demais. Não tem conversa.
Agora, como arranjar essa história? Isso não é viver dentro do abdômen de um bicho doente?
(Sr. F. Antúnez: Com as pestilência e tudo do abdômen de um bicho doente.)
* Uma coisa que fica assim pelo ar é que a qualquer hora estala uma epidemia mundial
E outra coisa, fica assim pelo ar que a qualquer hora estala uma epidemia mundial. Não sei se vocês…
(Sr. P. Roberto: Parece que alguma coisa está batendo à porta, que vai ser dado uma notícia à última hora que vai acontecer tal coisa.)
É isso. E que até já aconteceu isso, aquilo e aquilo outro. A ONU já manifestou seu pesar para o mundo inteiro.
(Sr. Gonzalo: Mas também pode não acontecer.)
Pode.
(Sr. Gonzalo: Vai acontecer, mas há uma franja que também diz a pessoa que pode não acontecer. E daí dá uma cambalhota… porque se fosse certo que ia acontecer, ainda era algo que não está dentro do caos, mas se deixa uma franja de possibilidade que não aconteça.)
Espere um pouquinho, uma possibilidade de que precariamente não aconteça. O precariamente aqui… porque se essa franja fosse certa, mudava tudo. Foi encontrado um porto para se salvar dessa situação. Não tem isso.
(Sr. P. Roberto: As pessoas de fora o senhor acha que percebem isso?)
Eu acho que todas percebem.
(Cel. Poli: E acho que mais do que nós.)
Como?
(Cel. Poli: Esse pessoal aí fora leva uma vida de cachorro.)
* Cada vez mais espalham-se fatos causados pela ação diabólica e o horrível é que o sujeito sente que a Providência não está ajudando
Vida de cachorro ao pé da letra. Mas é irremediável.
Acho que foi o Amadeu que me contou. O universo do Amadeu é das filas bancárias porque ele tira dinheiro do Banco para as contas da casa e gosta de ir ao Banco para tirar dinheiro. E então conta coisas assim:
Esse se deu no jornal. Esse fato. Que num Banco aqui — talvez algum de vocês tenham lido — havia fila muito grande e um era conhecido de um funcionário. O funcionário mandou chamar para falar com ele. Ele entrou através daqueles guichês e foi pago lá. E saiu. E saiu com a cara muito contente. Um outro percebeu que ele não foi chamado para alguma comunicação do Banco, mas que ele foi chamado para receber o dinheiro por estar sendo protegido. E disse para este que passava: “protegido, hein!” Esse pegou o revólver e matou o sujeito.
(Sr. Gonzalo: Saiu no jornal.)
Quer dizer, assim…
(Sr. Gonzalo: Sobretudo no Brasil que é a coisa mais comum que existe.)
Isso seria um episódio para a Colômbia. Em Medellín. Isso é episódio de Medellín.
(Cel. Poli: Isso é causado pelo demônio e também de uma retração da mão da Providência, não é, senhor?)
Ah não, é claro! O horrível é que o sujeito sente que a Providência não está ajudando.
(Cel. Poli: Porque são coisas diferentes: o não ajudar da Providência, e a ação do demônio. Eu preferia a ação do demônio com a mão da Providência do que não ter a mão da Providência sem demônio, não é?)
Oh, nem me fale. Nem me fale. É com tudo. Eu não sei…
Engraçado, que para certas coisas não é.
Eu que por exemplo sou um estropiado de um desastre de automóvel enorme, eu…
(Sr. F. Antúnez: O senhor é o único que não é estropiado aqui.)
Eu viajo com a tranqüilidade — o Fernando deve ter visto isto cem vezes — de quem tem a certeza de que não vai ser atingido, mas eu tenho impressão que todo o mundo que viaja de automóvel aqui, tem essa certeza.
(Sr. Gonzalo: Todo o mundo. A certeza que não vai ser atingido?)
É.
(Sr. Gonzalo: Todo o mundo tem a certeza que não vai ser atingido?)
É a impressão que as caras das pessoas me dão. Não sei como é.
(Sr. Gonzalo: Há gente que tem muito medo de ser assaltado…)
Assaltado muito.
(Sr. Gonzalo: Sim, mas no carro.)
Não, no carro, eu estou falando só do desastre.
(Sr. Gonzalo: Ah sim, isso sim. Isso está claro.)
(Sr. P. Roberto: Mas isso é uma coisa boa ou ruim?)
É ambíguo. Não sei por que é que é. Ouso esperar que no meu caso seja uma proteção de Nossa Senhora. Mas com os outros, eu não sei por que é que é.
(Cel. Poli: Mas até pior. Porque fica uma contradição, a pessoa apanhando, de repente tem um aspecto por onde não apanha… […] Mas nas coisas que não deviam haver acidente, a pessoa apanha como um cachorro.)
Apanha como um cachorro.
(Cel. Poli: Fica uma coisa propriamente caótica na cabeça.)
* A questão das estatais no Brasil é própria a produzir cólera
Depois os absurdos a que a pessoa assiste.
Uma coisa que por exemplo, a mim que não sou colérico, dá cólera quando penso, nem comento, mas é o negócio das estatais aqui, e o tratamento de que os funcionários das estatais são objetos. As estatais não dão lucro, dão prejuízo contínuo, o governo carrega porque quer carregar, quer dizer, recebe instruções para carregar. E agora sai uma notícia de que os empregados das estatais recebem não sei, duas ou três vezes mais do que os das não estatais em postos análogos. Quer dizer, além da dar prejuízo, quando deveria dar lucro, porque deveria ser vendido, e servir para qualquer coisa, ainda era melhor transformar isso em sucata do que ter nas condições em que está. Bom, e estes que trabalham na sucata comodamente ganham duas ou três vezes mais.
Agora, por quê?
Bom, o jornal dá a notícia, nhen-nhen!
(Sr. Gonzalo: E aí não tem nobre, não tem privilégio, não tem nada.)
Nada, nada. E depois é fato consumado e não se meta a comentar, porque de repente um sujeito qualquer te agride na rua exigindo sua carteira e é porque você andou falando demais das estatais.
(Sr. P. Roberto: Parece que o Banco do Brasil e o Banco do Estado de São Paulo são os únicos Bancos que não dão lucro, porque parece que vai tudo para pagar essa […inaudível].)
Isso. Você está vendo que são capangas de política, não é? São sujeitos que têm eleitorado, e que pegam esses cargos. Pronto, está acabado. Quando não é para eles, é para o filho, para a filha, qualquer coisa, para acabar parando no bolso deles.
* O conflito ideológico tinha um gênero de demônios intrinsecamente menos ignóbil
(Sr. Guerreiro: Dado que a Bagarre ideológica, que nasceria de um conflito ideológico, ao menos na aparência, de momento, está suspensa, pelo que o senhor está dizendo a gente vê que a aflição da Bagarre começa a entrar como que individualmente nas almas das pessoas.)
É, é isso.
(Sr. Guerreiro: Não é mais um conflito externo.)
Não.
(Sr. Guerreiro: […] Um fator misterioso, que é o demônio, começa a entrar nas almas com muito mais facilidade e tornar toda a vida da pessoa sem rumo, sem consolação, e sem a segurança que havia antes.)
É isso tal e qual.
(Sr. Guerreiro: Isso supõe, portanto, que foi desamarrado um conjunto de demônios que antes do conflito ideológico não havia assim.)
Não. O conflito ideológico tinha outro gênero, mas era menos… se você quiser, intrinsecamente menos ignóbil.
(Sr. Guerreiro: Menos sinuoso. […] É preciso ter uma ordem exorcística para poder pôr em paz certas coisas.)
E você está vendo bem que o exorcismo dentro da Igreja está trancado, não tem conversa, você tem que agüentar.
(Sr. Guerreiro: Esse aspecto da Bagarre enquanto ela vem chegando e vem colhendo as pessoas como que individualmente, isso…)
É um dos piores castigos para o egoísmos delas.
Você está falando em individualmente, mas para esse caráter individual manter-se é preciso que cada um esteja isolado no cárcere do seu próprio infortúnio.
Não sei se eu me exprimo bem.
(Sr. Guerreiro: Sem dispor de recurso externo para sair desse cárcere individual.)
Individual. E, portanto, resolva sozinho.
Eu me lembro um caso que eu conheci de perto…
(…)
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