Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 30/10/93 – Sábado – p. 16 de 16

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 30/10/93 — Sábado

Existe a possibilidade de que as perfeições de um homem atinja um tal grau que este fica posto num grau de honra, depois há um certo momento em que se torna glória * Quanto mais altas forem as graças da mística ordinária, tanto mais a sociedade temporal será toda embebida de uma grandeza sacral que faz com que um certo brilho celeste refulja nela * O lumen profético do SDP é algo que afeta a sua personalidade inteira ou está posta dentro da personalidade em harmonia com outras coisas? * Ao mesmo tempo em que Deus tira algo de uma época que pecou, Ele dá algo de menos em qualidade mais excelente, ao filho infiel que está se preparando para deixar a casa paterna * No SDP se podem distinguir várias modalidades do timbre de voz, conforme as circunstâncias, mas ela nunca está inteiramente em casa a não ser quando é na batalha * A razão principal de o SDP não usar o timbre de voz de batalha é porque o Grupo não está preparado * No auge do Reino de Maria nós devemos amar a luta, e quando ela aparecer a gente não pode dizer: “iiihh, já vai começar tudo de novo!”

(Sr. P. Roberto: […] Quando Carlos Magno ouviu o som do olifant de Roland, ele disse: “esse é o timbre do olifant de Roland”. Então o senhor também tem um timbre diante de Deus, e é sobre esse timbre que nós queríamos que o senhor falasse. […] Sem o senhor ser a matriz dessa nobreza, por mais que essa nobreza seja grandiosa, ela não será a nobreza do Reino de Maria. […])

(…)

Pode desapontar a vocês…

(Sr. Guerreiro: Como o senhor não se põe, nós precisamos colocar.)

Eu não censuro, eu admito de bom grado. Mas a questão é que eu fico meio…

(Cel. Poli: Pode gravar?)

* Há distinção entre nobreza e elite?

Pode gravar.

Hoje durante o jornal falado, de que, aliás, eu gostei muito daquelas repercussões no palácio Pallavicini — eu gostei enormemente — um indivíduo em certo momento disse à maneira de precisão do que eu dizia — mas entrava uma certa objeção no negócio, e objeção errada. Vocês vão ver como é o negócio.

Ele dizia em última análise, que eu demonstrava no meu livro que todo o povo precisa ter uma elite, e que isto era uma coisa verdadeira e uma verdade de ordem natural. Quer dizer, uma coisa que, portanto, seria supérfluo demonstrar, diz ele.

Agora, que uma coisa era ter uma elite, e outra coisa é ser uma elite que fosse uma nobreza. E eu fiquei assim pensando no negócio, se isto é verdade, se isto não é verdade, o que é que é, e o que é que não é, sobretudo o que é que distingue uma nobreza de uma elite. Tanto mais que no meu livro eu tomo a nobreza como uma elite, é verdade, mas dado o fato de que historicamente falando a elite do Ocidente europeu foi a nobreza, que a elite naturalmente é uma nobreza. E que, portanto, a distinção entre uma coisa e outra seria uma distinção supérflua. É uma distinção que se poderia fazer…

(Sr. Paulo Henrique: Acadêmica.)

Acadêmica.

(Sr. Paulo Henrique: De fato quando foi dada a repercussão a reflexão que me ocorreu é de que uma coisa entrelaça na outra, não se confunde.)

É, mas é bem exatamente isto que não é, e que a gente fazendo a distinção — eu até não sei se o Caponi sabe fazer a distinção — mas fazendo-se a distinção, a gente vê que ela tem um certo cabimento.

Você tomando aquela parte do apêndice que tem uma coisa sobre a nobreza, do cardeal Herrera Oria, ele trata de um ponto, que não desenvolve tanto quanto poderia — mas também não era o objetivo, isso seria andar para um outro lado, mas enfim… — ele não desenvolve tudo que há no que ele diz, mas é uma coisa muito importante que é o seguinte:

* Tudo aquilo que é humano tem uma certa elasticidade e, portanto, é objeto de aperfeiçoamento; mas todo homem tem um teto além do qual seu aperfeiçoamento não vai

É que em todos seres vivos que há, sobretudo naquilo que é humano, tudo aquilo que é humano tem uma certa elasticidade, e tem, portanto, uma certa perfectibilidade. Quer dizer, é objeto de aperfeiçoamento, pode-se fazer uma aperfeiçoamento naquilo que existe em todo o homem. E que há um teto para o aperfeiçoamento do homem. Todos os homens têm também um certo teto além do qual o seu aperfeiçoamento não vai.

Você veja, por exemplo, os esquimós. São criaturas humanas. Tenho certeza absoluta de que há esquimós batizados, que já houve esquimós visitando o Vaticano e apresentando homenagens ao Papa, etc. Enfim, eles têm toda a cidadania humana. Mas a gente vê que a perfectibilidade deles é muito menor do que a do francês. É robustamente menor que a do francês. Por aí a gente compreende como é que sendo homem tem perfectibilidades, ou seja, elasticidades distintas.

O que é que são essas elasticidades?

* Graus em que podem ser consideradas todas as perfeições: o suficiente, o largamente suficiente, o bom, o excelente

É que todas as perfeições têm graus. A gente pode distinguir graus em todas perfeições. E esses graus mais ou menos podem ser considerados assim: o suficiente, o largamente suficiente, o bom, o excelente.

Eu estou falando o suficiente não como quantidade, mas estou falando como qualidade.

Um ser pode ter, por exemplo — um de nós homens — pode ter uma inteligência suficiente para o conjunto de sua pessoa. Mas ele pode ter uma inteligência de um grau que é largamente mais amplo do que a mera suficiência sua. E que ele alcança com essa inteligência muito mais do que as exigências de sua suficiência, de sua visão, etc.

E que existem graus de perfeição surpreendentes que quase estalam, de tão excelentes, a criatura na qual existem.

Como, por exemplo, certas frutas que são tão ricas que acabam escorrendo um certo suco de dentro delas, elas acabam rachando até, e quase se abrindo para convidar quem está ali para comê-las. De tal maneira é uma excelência que estala. Assim também existem graus de excelência que estalam.

Agora, há uma nítida diferença…

* Existe a possibilidade de que as perfeições de um homem atinja um tal grau que este fica posto num grau de honra, depois há um certo momento em que se torna glória

Onde é que começa a nobreza?

Há uma série de graus de perfeições que a gente pode construir teoricamente falando — não é assim por mero jogo de palavras — teoricamente falando pode-se construir uma série de perfeições. Mas existe a possibilidade de essas perfeições chegarem a um grau, vamos dizer, no qual aquele ser onde repousa a perfeição, aquele ser fica posto num grau de honra. É uma honra, por exemplo, ter uma inteligência que chega a tal grau. É uma honra.

Um pintor ter uma excelência na arte de pintar que chegue a um tal grau, é uma honra.

Agora, há um certo momento em que não é mais uma honra, mas é uma glória. A glória é muito mais do que a honra aqui no caso. É uma honra tão grande que se torna conhecida de todo o mundo, se torna notória a todo o mundo. Abre uma exceção em todas as regras. Esta vem a ser a glória.

E nós podemos dizer que a nobreza tem esses dois graus quando é uma excelência do ser humano, a tal ponto que fica como a pintura honrada, honorable, ela chega até um certo grau. É tudo quanto lhe convém, mas com riqueza do que lhe convém, com excelências do que lhe convém, é a honra.

Mas quando é uma coisa que deixa a gente pasmo diante do talento que está diante daquela obra de pintura, aquilo é a glória.

Então, nós temos um certo grau de nobreza que começa com a honra. E depois um outro grau que começa com um começo de glória. E há certas formas de glória que são tão notáveis, tão magníficas, etc., etc., que são um auge de glória.

Você poderia dizer que há três categorias de excelências.

Assim também você pode dizer que uma elite pode não ter nenhuma dessas qualidades. Ela é uma elite, mas não tem nenhuma dessas qualidades.

* Uma elite é o grau de suficiência que assegura a um conjunto de homens a função natural diretiva; a nobreza começa com a honra

O que é que é uma elite?

É o grau de suficiência que proporcione — é uma coisa toda relacional — que proporcione direção. Quer dizer, o mais alto grau de suficiência de uma coleção de homens que proporcione aos que possuem esse grau uma natural direção de outros, isto é elite. Já é elite. Mas não é ainda nobreza. A nobreza começa com a honra.

Você não acha muito… muito, muito bom?

(Sr. Gonzalo: Um novo capítulo do livro.)

Isso é um dos problemas. Esse livro, se houver tempo e saúde, etc., para fazer esse novo livro, vale a pena escrever um novo livro sobre o mesmo tema aumentando as coisas? Ou vale mais a pena escrever sobre outro tema? É uma coisa para discutir quase que ao infinito.

Mas eu lhe cortei a palavra, meu filho. Você estava dizendo o quê?

(Sr. Guerreiro: O senhor falou que uma elite, no fundo, seria uma situação em que uma família tem uma posição diretiva na sociedade.)

Tem as qualidades que lhe asseguram a função natural diretiva.

(Sr. Guerreiro: Mas pode ser uma parcela significativa da sociedade.)

Sim, sim. Portanto, vamos dizer, de um grupo de homens.

(Sr. Guerreiro: E aí a gente vê que pode haver uma burguesia que…)

Que seja elite.

(Sr. Guerreiro: Mas sem aquele grau de excelência…)

Que é a honra da nobreza.

(Sr. Guerreiro: O senhor não poderia então aprofundar mais esta noção? Uma família de advogados em que com muito brilho essa família adquiriu uma situação, e dela além de advogados saíram um ou dois juristas que tenham marcado a vida pública de toda nação. Se depois a família conserva algo desses valores, não decai e com certo tempo isto marca a nação, ela seria uma burguesia excelente ou ela começaria a tocar na nobreza?)

* Uma burguesia excelente e que procure a perfeição de si mesma pode obter nobreza?

Ela seria uma burguesia excelente na medida em que ela tivesse a excelência das qualidades necessárias para sua posição. Mas podia ser que ela tivesse aquelas qualidades da profissão de advogado em tal grau que isso caracterizasse a honra. Aí começaria o problema: isto seria uma nobreza? Aí começaria a pergunta.

Então poder-se-ia fazer uma pergunta da seguinte maneira. Você toma, por exemplo, um indivíduo que faz móveis, móveis que tem dentro de uma casa. Suponha um indivíduo que faz esses móveis e que os faz com sua própria mão. Portanto, que põe nisso uma arte muito pessoal, muito individual. E que ele faz móveis de uma qualidade tal que sejam móveis para rei.

Ele dentro do ramo moveleiro, que não é um ramo de nobre — por quê? porque o fazer móveis não é uma coisa nobre —, ele, entretanto, elevou a um grau nobre uma coisa que de si não é nobre.

Eu me lembro que o Voltaire, em certo momento, fala de la main divine de fulano. O divino, você está vendo já que está mal empregado. Mas era o moveleiro do término do reinado de Luis XV e começo de Luis XVI.

Então o Voltaire diz: “a mão divina de fulano”.

Mas pode-se compreender por analogia, por metáfora, que se faz de um móvel feito de tal maneira, com uma tal excelência que a gente olha para aquilo e vê que é um gênio, é um Aristóteles ou é um Platão da arte de moveleiro.

Aquele é um nobre?

É uma pergunta que se pode fazer. Porque aí a qualidade de elite se mistura com algo de nobiliárquico. Aquilo é um nobre?

A resposta que eu acho que se pode dar é a seguinte: deve haver situações intermediárias entre nobre e esta elite suprema, suprema, suprema, que faz com que se admita estados excepcionais intermediários. E se deva dizer: este homem merece as honras de nobre, mas não é nobre. Mas ele merece as honras de nobre que o rei lhe concedeu. Mas que o filho não terá.

(Sr. Gonzalo: Lenôtre, por exemplo.)

* Há a possibilidade de se realizar uma profissão em grau nobre sem que isto redunde em nobreza

Lenôtre.

Tem um outro que chama M. [Lacantilly?], uma coisa assim, que fez — porque Luis XIV levou a grandeza dele a esse ponto — um pomar que era o primeiro pomar da Europa. Mas para satisfazer Versailles era preciso ter um pomar. Então você pode imaginar os pomos desse pomar. Então Luis XIV mandou estudar nos arredores de Versailles um lugar especial. Desapropriou as terras, mandou revolver, fazer não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê, e chamou [Lacantilly?] e ele fez este pomar.

Mas tomar o exemplo de [Lacantilly?] é uma coisa… Os reis que iam à França iam visitar o pomar.

E ficava tacanho um rei por razão de etiqueta não ir ver o pomar de [Lacantilly?]. Porque ele deveria querer… o genial que ele deveria ter era ver o pomar de [Lacantilly?] e depois mandar fazer um pomar para ele que excedesse o de [Lacantilly?] em um ponto. E o rei tinha que apertar a cabeça para sair uma coisa dessas. Não bastava contratar um outro [Lacantilly?] para plantar para ele. Porque essas coisas transpiram. Era preciso apertar a cabeça.

A vida é dura! Não tem conversa.

Agora, este arranjo da coisa forma uma coisa que não é nobre, mas no campo do pomares é nobre. É, portanto, uma nobreza relativa. Não é a nobreza, mas tem um como que relativo. Aí é o caso do advogado. O advogado não é uma profissão nobre.

(Sr. Paulo Henrique: […] Aonde a nobreza encontra sangue novo? Em que momento essa elite deixa de ser elite e vai passar a ser nobre?)

* Uma elite passa a ser nobre quando o feitio, o talento e a capacidade de uma certa família a leva para entrar em temas nobres

É quando o feitio, o talento, a capacidade de uma certa família “x” a leva para entrar em temas nobres. E depois a colocar-se à altura do mais baixo dos temas nobres. Antes disso não.

Você quer ver uma coisa característica? Por exemplo, fabricar armamentos. Você vai pegar isso com a mão, com o exemplo que eu vou dar. Fabricar armamentos. Quanto mais a arte da guerra foi progredindo, tanto mais foi ficando importante fabricar armamentos. A tal ponto que em muitos casos concretos ficou tão importante que se pode dizer que o destino de um país estava em grande parte repousando sobre um grande fabricante de armamentos. Pode-se dizer isso, não se pode?

Está bom. Seja como for, não é a do marechal que ganha a batalha. Olha que os dois podem acabar sendo indispensáveis. Mas fabricar armas não tem o nobre que tem o ganhar a guerra.

Você toma dois exemplo: o Krupp — você talvez tenha ouvido falar dele.

(Sr. Paulo Henrique: Existe ainda.)

Existe a fábrica.

O Krupp fez as fábricas [no] tempo do kaiser.

O kaiser mandou a filha do Krupp, a Berta, da qual vem os famosos canhões berta, a Berta casar com um nobre de uma família — a gente ouvindo o nome do nobre sente uma coisa que o nome Krupp não tem, é fulano de tal, vamos dizer Fritz von Bohlen und Halbach. É uma beleza de nome.

E então a fábrica acabou se chamando canhões… e tudo tinha escrito na frente: von Bohlen und Halbach porque quando a Berta herdasse, o filhinho da Berta, von Bohlen und Halbach era o que dava o nome para aquela coisa toda.

Mas chamava-se Krupp von Bohlen und Halbach.

Acabou sendo que ou essa descendência tomava toda a categoria dos von Bohlen und Halbach sem perder o terra-a-terra do Krupp, ou aquilo se desfazia como uma bolha de sabão.

(Sr. P. Roberto: Está muito interessante o que o senhor está dizendo.)

Aliás, eu pedia a você, para isso você me bater à máquina e pôr numa gaveta onde eu estou pondo as coisas de um eventual futuro livro.

(Cel Poli: Já está na gravação.)

Mas é bom você controlar, hem!

(Cel. Poli: Praesto sum.)

(Sr. P. Roberto: O seria teria algo a dizer sobre o “quid” da nobreza do Reino de Maria, no que é que ela se diferenciaria dessa nobreza? Porque ela define um pouco a nobreza já existente, mas não a nobreza do Reino de Maria.)

* Quanto mais altas forem as graças da mística ordinária, tanto mais a sociedade temporal será toda embebida de uma grandeza sacral que faz com que um certo brilho celeste refulja nela

Não. Eu acho que a coisa é tão alta que chega ao seguinte — se estiver muito no ar o que eu vou dizer, me digam para eu tentar fazer uma coisa mais… — mas o negócio é o seguinte: existe, como nós falamos, existem as graças místicas da mística ordinária, comum. Agora, essas graças, já elas entre si são capazes de graus.

Quanto mais altas forem as graças místicas desta mística ordinária, tanto mais a sociedade temporal está toda embebida de uma grandeza sacral que faz com que um certo brilho celeste refulja na coisa terrestre. E é uma coisa que é a mais fiel imagem do Paraíso que se pode conceber para esta Terra.

* A nobreza é a refulgência do sacral dentro do temporal

Agora, no reino d’Ela, Nossa Senhora vai dar, suponho eu, as mais altas graças desse gênero que foram dadas na História, e que fazem com que, portanto, também, a mais sacral elevação pode fazer refulgir as coisas terrenas por esse lumen que penetra nelas, lumen interno, sobrenatural e sacral. E a nobreza, afinal de contas, é a refulgência do sacral dentro do natural. E quanto mais Nossa Senhora der isto, mais nós teremos uma coisa colossal, incomparável, etc.

(Sr. P. Roberto: E o lumen profético não entraria na complementação dessa superioridade que vai haver no campo sobrenatural?)

(Sr. Guerreiro: Essa pergunta é fundamental, porque o profetismo tem um papel na transmissão desta refulgência do sobrenatural nas almas.)

* O lumen profético do SDP é algo que afeta a sua personalidade inteira ou está posta dentro da personalidade em harmonia com outras coisas?

É. Vocês várias vezes me têm feito perguntas a esse respeito, e me deixam sem saber o que responder, porque eu só poderia responder por meio de uma auto-inspeção, e essa auto-inspeção eu não ousaria fazer.

Quer dizer, o que possa haver de profetismo em mim é uma coisa que afeta a personalidade inteira ou é uma coisa que está posta dentro da personalidade em harmonia com outras coisas que possa haver nela, mas não afeta a personalidade inteira?

(Sr. Gonzalo: Isso extraordinário! O senhor vai responder a isso? Está muito bonito.)

Não, porque para isso eu não tenho resposta. A introspecção não me proporciona resposta a esse respeito.

(Cel. Poli: O senhor poderia elucubrar um pouquinho?)

Bom, mas elucubrar o quê?

(Cel. Poli: Pensando em voz alta. Se o profetismo abrange a personalidade inteira do senhor ou se pega apenas aspectos.)

A palavra apenas pode ter qualquer coisa de despectivo que não exprimiria inteiramente o meu pensamento.

Quer dizer, abrange a personalidade inteira, sim ou não?

Senão é porque não é inteira.

Mas a questão que isto eu não vejo bem.

Diga, meu filho.

(Sr. Guerreiro: Voltando um pouquinho às duas hipóteses que o senhor formulou, se o senhor poderia repetir novamente, porque há uma certa precisão que o senhor deu a cada uma das hipóteses que é muito fundamental para se ter a problemática na cabeça.)

Em última análise você pega aqui esta conversa. Essa conversa fornece elementos para uma previsão do Reino de Maria. Portanto, ela proporciona uma previsão do futuro. Você tem certeza que essa é uma conversa profética? Eu não tenho, porque eu vejo que entra algo de previsível dentro disso, que é o que caracteriza o profético. Mas eu vejo de outro lado, que entra também dentro disso muita coisa de racional, de racional que está no feitio de meu espírito raciocinar assim. Está na minha natureza raciocinar assim.

Eu estou sendo claro?

(Sr. Gonzalo: Está muito bonito.)

Agora, se está na minha natureza, com que direito atribuir isto a alguma coisa de sobrenatural profético?



Para ser bem exato, bem metódico, etc., etc., eu acho que é preciso fazer esse raciocínio.

(Sr. Paulo Henrique: Mas daí nós não poderíamos concluir que essa graça atinge a personalidade inteira?)

* O dom pelo qual se prevê o futuro e o dom pelo qual se dirige os povos, até certo ponto se misturam

Também tem outra coisa, e isso aumenta — me desculpem, mas eu tenho receio de perder o fio do que eu dizia — aumenta a confusão da história. É que eu não tenho lido senão pouco sobre o profetismo. E não tenho encontrado muita clareza sobre o seguinte ponto: o que é o profetismo? É o dom pelo qual se prevê o futuro, ou é o dom pelo qual se dirige os povos?

Porque a gente vê uma coisa e outra.

(Sr. Gonzalo: Sobretudo a segunda é importante.)

Muito importante.

(Sr. Gonzalo: Mais importante ainda.)

Mas elas se misturam também até certo ponto.

(Cel. Poli: Só pode dirigir se tiver um discernimento do futuro.)

É, mas uma coisa é o discernimento meio revelado, e outra coisa é o discernimento da razão.

E depois entre o discernimento revelado e o discernimento pela razão, existe uma coisa que eu não sei se é claramente profetismo ou é o que São Luís Grignion chama em alguns lugares de lumière prophétique. “Luzes proféticas” sem ser propriamente uma coisa profética.

(Sr. P. Roberto: Eu creio que essa primeira parte das luzes proféticas, só dirige quem tem uma riqueza muito grande de luzes proféticas. Portanto, esse primeiro elemento é uma coisa mais fundamental do que dirigir. É como que a condição para dirigir.)

É mais prévio. Não tem dúvida.

O problema é o seguinte: no meio de tudo isto, o que é que é propriamente profético?

Eu precisaria ter conhecimentos de teologia e dessas coisas para poder dizer.

(Sr. Guerreiro: Me perdoe um pouco externar uma certa perplexidade porque o senhor já tratou desse assunto muitas vezes. Na SE o senhor tratou disso muito abundantemente e muito claramente. Depois oficialmente, na refutação do Judas, tem toda aquela argumentação do que é profetismo. A citação do cardeal Journay inclusive que o senhor..)

Não vai até o fundo desse problema. Você vai examinar…

(Sr. Guerreiro: Mas sobre a SE o senhor tinha as questões muito claras.)

Isso é coisa diferente. Isso é uma coisa diferente.

(Sr. Gonzalo: O que o senhor acha, colocando-se como que de fora, que é mais perfeito enquanto realização de um homem? É mais perfeito a conservação da inocência completa, total, mas com isso ter uma natureza muito rica, e que nisso entram certas graças que sejam desse gênero de graças profética. Um homem assim do ponto de vista plano de Deus, é mais pleno que outro que tenha inocência, etc., mas que é mais carregado dessa plenitude profética que o senhor está falando ou não? […])

É possível. Mas você me pergunta onde é que Deus teria realizado sua obra-prima.

(Sr. Gonzalo: Exatamente.)

A obra-prima de Deus é Nossa Senhora. No plano meramente humano é Nossa Senhora. Mas é tão alto que… você fica como no dia da Assunção, Ela sobe ao Céu, você fica sentado em cima do Tabor olhando para o mesmo ponto até anoitecer. Depois vem as brumas e você perde a noção onde é que estava o ponto fixo, porque um mosquito te mordeu, você quis espantar o mosquito e quando você olhou já não sabe em qual das estrelas estava olhando.

(Sr. Gonzalo: […]O senhor não pode dizer algo mais nessa linha, para termos a idéia de por onde é que essa coisa deve caminhar, que graças essa gente deve receber, que nexo de alma é preciso ter, para mesmo ter a arma de guerra contra os adversários. […])

* Isabel, a Católica, tinha muito mais precisão, força e direção do que tinha Maria Antonieta, mas não tinha o dom em virtude do qual um continente inteiro girava em torno dela

Quer dizer, eu vou dizer a vocês uma coisa que é muito bonita, que eu nunca expus porque eu também preciso evitar de dar panoramas tão amplos que a pessoa se perde no meio dos panoramas. Mas enfim, poderia dizer porque explica um pouco, serve de resposta à pergunta que você está pedindo, etc.

Mas você toma, por exemplo, com os defeitos e com tudo quanto queira, você toma Maria Antonieta. Maria Antonieta tinha qualquer coisa dentro dela por onde se ela fosse fiel, mas tivesse sido inteiramente fiel como ela devia ser, Maria Antonieta deveria necessariamente ser uma pessoa que deveria dar o tom a toda sua época.

Por quê?

Por causa de uma série de qualidades que ela tinha que não faziam uma rainha perfeita, mas faziam — é um jogo de palavras, mas serve um pouco para dizer o que eu quero — a rainha da perfeição.

Quer dizer, em certo sentido, que nos pontos em que ela era perfeita — isso ela tinha, alguns pontos de perfeição é uma coisa evidente que ela tinha — era uma perfeição levada ao tal perfeito, ao tal destaque, tal conjunto de qualidades que se pode dizer que ela passou a ser o centro de um continente. E o centro de um continente que era naquele tempo, de longe, o continente mais desenvolvido. Mas muito de longe.

Então de tal maneira, com tal categoria, etc., etc., que ali era a última palavra de uma perfeição entretanto em outros pontos muito incompleta.

Agora, você toma Maria Antonieta como ela era e compara com uma figura medieval. Você compara por exemplo com a rainha Isabel de Castela, a Isabel, a Católica. A Isabel, a Católica, tinha muito mais precisão, muito mais força, muito mais direção do que tinha Maria Antonieta. Mas ela não tinha o dom em virtude do qual um continente inteiro girava em torno dela.

Maria Tereza, mãe de Maria Antonieta, tinha alguma coisa do que Maria Antonieta deveria ter. Mas tinha alguma coisa do que Isabel a Católica tinha tido. São meios tons, meias capacidades.

Agora, a gente vai perguntar qual delas representa mais a Idade Média, Maria Antonieta está a uma distância enorme da Idade Média. Não se pode negar.

Mas de outro lado você negar que Isabel a Católica está muito mais próximo da Idade Média, não tem dúvida. Se nós tomamos a Idade Média como a época a perfeição, o que é que nós devemos achar? Qual dessas perfeições deve luzir en souveraine no Reino de Maria?

A resposta é a seguinte:

* Ao mesmo tempo em que Deus tira algo de uma época que pecou, Ele dá algo de menos em qualidade mais excelente, ao filho infiel que está se preparando para deixar a casa paterna

Quando a gente vai examinar essas várias épocas que se sucederam na História até vir a Revolução Francesa — porque na Revolução Francesa tudo isso se mudou — mas quando a gente vai examinar as várias épocas, a gente nota o seguinte.

Quando uma época, como por exemplo a de Isabel a Católica, chega à plenitude de seu luzimento, ela decai em algo. E decai em algo não porque tinha que decair, mas por causa do processo revolucionário que está metido naquilo. Então aquela excelência mingua.

A Isabel a Católica teve como filha Joana a Louca. Você pode imaginar bem o que é que tudo isso representava. Como aquele pessoal deveria fazer o possível para disfarçar que Joana a Louca não era louca, mas ela fez toda a espécie de gagueira possível, todo o mundo viu que ela era louca e tudo mais.

Bem, entra a Joana a Louca em cena, e um certo tipo de perfeição que Isabel a Católica tinha sai da História, e entra um tipo mais quintessenciado mas mais pobre. E você tem o […inaudível] de Maria Antonieta. Mas Maria Antonieta é mais pobre mas é mais quintessenciada. De maneira que a relação de Deus com a época que pecou e com a época que virá depois, é uma relação tal que Deus ao mesmo tempo tira algo e dá algo de menos em qualidade mais excelente, para o filho infiel que está se preparando para deixar a casa paterna.

Bem, é impossível que vocês não notem que eu tenho razão no que eu estou dizendo.

(Sr. P. Roberto: […] Se Maria Antonieta tivesse feito o que deveria, ela poderia ter mudado o rumo da História a partir das graças que ela poderia ter atraído.)

Foi.

(Sr. P. Roberto: E me parece que entraria um pouco isso que o senhor está dizendo.)

Mas se ela fosse inteiramente fiel, não se voltava ao tempo de Maria Tereza.

(Sr. P. Roberto: Mas não poderia ir para uma coisa maior?)

Me parece que o sentido que Deus — Deus poderia fazer — mas que Ele veio fazendo não foi isso. Me parece.

(Cel. Poli: Até 1908.)

* No Reino de Maria haverá uma súmula de todas as épocas anteriores

Não, isso não… 1908 pertence à plebe.

Vamos para frente.

Há um modo de Deus tratar com misericórdia, que quando Ele tira, Ele diminui mas Ele dá num nível menor, mais e melhor. Mas a pessoa fica diminuída. Mas diminuída com carinho por Deus.

O grande problema no Reino de Maria é o seguinte: é que eu sou levado a achar que no Reino de Maria pelo menos haverá uma súmula de todas as coisas anteriores.

(Sr. P. Roberto: A quintessência e …)

E algo de muito mais. Algo de muito mais.

Mas o fato de eu achar que isto seria melhor não tira o seguinte: que Deus faça ainda melhor do que eu estou imaginando.

(Sr. P. Roberto: Mas já dá uma idéia muito boa.)

Dá uma idéia, mas é uma idéia sobre a qual eu devo lançar a dúvida da minha insuficiência, porque do contrário eu fico bailando no ar. Não pode ser.

(Sr. P. Roberto: O senhor pegou uma fotografia do dr. Gabriel José e examinou a força simbólica que ele tinha. Então isso é algo de novo que havia e que entrava com a delicadeza e da bondade da Senhora Dona Lucilia. Como é que o senhor definiria isso como algo de novo em relação ao que o senhor dizia do anterior?)

Que em nível muito pequeno, de familinhas, essas coisas podem dar-se também.

(Sr. P. Roberto: Mas é uma super coisa.)

Ah sim, é uma maravilha de Deus. Porque esta regra que eu estou dizendo é uma regra muito bonita.

(Cel. Poli: É um pouco por onde a gente vê que Deus é Pai mesmo.)

Pois é? Faz, etc., etc., mas dá aquilo.

Agora, a nós cabe, exatamente, fazer a pergunta sobre como será o Reino de Maria analisando o primeiro fulgor de Reino de Maria que nos passe diante dos olhos.

São as repercussões do livro.

Você pega, por exemplo, hoje à tarde, aquela reunião no palácio Pallavicini… Quando você… sobretudo se imagina que nós começamos naquele porão da rua Vieira de Carvalho e que a gente acaba falando do Palácio Pallavicini com a naturalidade com que fala do Teatro Municipal…

(Sr. Gonzalo: É um prodígio do senhor extraordinário. E tem que ir para muita outra coisa para frente. E irá mesmo.)

Vai.



Porque o que é muito bonito naquilo é a gente notar uma espécie de lumen que se acende mais forte na História quando se trata disso.

(Sr. Gonzalo: Toca o thau diretamente.)

Diretamente. Diretamente.

(Sr. Gonzalo: Ressuscita os thaus.)

Ressuscita o que pareceria não poder ressuscitar. O que era um prodígio não morrer, de repente aparece ressuscitando.

(Sr. Gonzalo: Se o senhor puder ir comentando, porque está banhado de bênçãos.)

Agora, eu acho muito bonito também o seguinte: hoje à tarde por exemplo, eu propus a multiplicação das reuniões. Foi recebido com uma espécie de avidez. Uma espécie não, uma avidez autêntica. Mas eu não sei se me engano achando que o melhor dessa avidez era uma vontade de começar logo o comentário do livro.

(Sr. Gonzalo: Sem dúvida.)

Eles não quereriam o seguinte negócio: trancar as repercussões e ir direto para o livro. Isso não queriam. Mas compor.

(Sr. Gonzalo: Uma componenda é a fórmula.)

É a fórmula.

Como sentiram que isto seria uma fórmula da componenda, lá foi, a coisa entrou. Mas com uma alegria, uma louçania muito bonita.

(Sr. Gonzalo: […] Quando o senhor escreveu a frase “Quando ainda muito jovem…”, o senhor escreveu em algum momento da vida, mas como essa frase vai voando por montes e vales, etc. […])

Aquilo foi o fruto de um fracasso. Me pediram para escrever aquela frase para qualquer coisa. Não aquela frase, uma frase. Aliás, fizeram outra coisa, me pediram — gente nossa — para fazer uma poesia, e pediram com tanta boa intenção, tanto a propósito, que eu que nunca fiz uma poesia, eu tentei escrever aquilo lá. Tanto é que vocês vêem que tem um quê de poético.

(Sr. Paulo Henrique: Aquilo é uma maravilha.)

(Sr. Gonzalo: O vôo disso para chegar lá com tantos vales e montes e colocam no convite, etc, aquilo me tocou profundamente.)

A mim me tocou também.

(Sr. Gonzalo: Enquanto sofrimento que houve, de outro lado uma esperança muito mais acesa por cima do sofrimento, que é uma coisa que eu achei extraordinária. Primeiro o de Mattei fez o discurso comentando essa frase. Mas sobretudo colocar no convite lá, é uma coisa extraordinária.)

Eu achei extraordinário também.

(Sr. P. Roberto: Parece dessas coisas que vão de “proche en proche” mesmo.)

Exatamente. Exatamente.

E no fim como eu não soube fechar, eu fechei daquele jeito.

Enfim, são as coisas.

Isso agora com referência à reunião de amanhã. O que é que ficou de ser dado na reunião de amanhã?

(Sr. Gonzalo: Reunião de Recortes ou Comissão Médica?)

Comissão Médica. Eu não entendi aquela proposta do José Fernando da Comissão Médica com recortes.

(Sr. Gonzalo: Ele queria que o senhor fizesse Comissão Médica no começo e depois reunião de repercussões. Mas ainda sobre esse assunto, o senhor não poderia tratar um pouco mais? Sobre a pergunta do sr. P. Roberto?)

Qual era mesmo a pergunta, meu filho?

(Sr. P. Roberto: Do timbre do olifant.)

(Sr. Gonzalo: […] A Revolução se move pelo fogo revolucionário, e a Contra-Revolução pelo fogo contra-revolucionário. […] Agora o senhor acendeu este fogo contra-revolucionário. Nós estamos assistindo o acender e o desenvolver disto, que pode ser uma coisa extraordinária, que pode conduzir à Bagarre e ao Reino de Maria. Isso tem todo um significado diante de Deus. […] Sobre isso o senhor não poderia tratar mais? […])

O que vocês falam do timbre de voz, é uma coisa que se eu entendi bem, alcança uma superfície muito grande de temas, que iria quase — para não baixar o nível — iria quase do timbre de voz humanamente falando até o timbre da alma. É bem isso?

(Sr. Gonzalo: Claro. E o senhor tocando a Deus.)

* No SDP se podem distinguir várias modalidades do timbre de voz, conforme as circunstâncias, mas ela nunca está inteiramente em casa a não ser quando é na batalha

E nisso tocando a Deus.

Aqui eu acho que se poderia distinguir várias modalidades do timbre de voz, conforme as circunstâncias. Porque há timbres de voz que são de combate, de batalha, de enfrentar, e de descompor, etc. Há timbres e voz que são de louvor durante a batalha. Há timbres de voz que são de reparação e de amor durante a batalha. Há timbres de voz que são… aqueles cinco atos de culto: adoração, ação de graças, reparação e petição; são quatro. Para cada uma dessas coisas, a mesma voz tem o mesmo timbre. Mas ela nunca está inteiramente em casa a não ser quando é na batalha.

Quer dizer, em qualquer coisa que eu deva escrever, fazer, ou dizer, etc., etc., em que não esteja diretamente, mas a batalha apóstrofe contra, quer dizer: “você disse isso tal coisa, você é um tal coisa assim, eu vou provar, ouça, canalha, e agora lá vem, pan!”

Isto seria onde eu tenho impressão que o meu timbre de voz daria mais…

Quer dizer, o amor, a reparação, todos esses atos, nesta invectiva contra o crápula que está atacando, que quer destruir, que nega, que finge que não vê, etc., etc., é onde mais eu me sinto inteiramente à vontade.

Mas por paradoxo, é o que eu quereria mais freqüentemente mostrar, mas eu sou mais obrigado a não mostrar porque eu vejo que mesmo entre os meus filhos isto não causaria o efeito que deveria causar. Não gostariam. E entretanto é só quando eles gostarem é que eles estão no ponto. É só quando eles gostarem que as coisas estarão no ponto.

Estou dando uma aula de hispanidade, não é?

(Não!)

(Sr. Gonzalo: O senhor nunca usou esse timbre… totalmente evidentemente que não.)

Totalmente não.

(Sr. Gonzalo: Mas o senhor dizia que o senhor por infidelidade do Grupo, o senhor não… por exemplo, a Mensagem da Resistência não é a linguagem que o senhor gostaria de ter.)

Não!

(Sr. Gonzalo: […] Aquela carga profética que o senhor espera que na Bagarre o senhor use, aquilo nunca apareceu ainda.)

Não.

(Sr. Gonzalo: No “Legionário” tinha muito mais, mas totalmente não ainda.)

É uma coisa tremenda. Naquela discursinho sobre Maria Antonieta tem mais isso do que nas outras coisas. É tremendo!

(Sr. Gonzalo: Isso se deve à infidelidade do Grupo, mas também se deve ao jogo da Revolução.)

* A razão principal de o SDP não usar o timbre de voz de batalha é porque o Grupo não está preparado

É, mas se eu tivesse a certeza de que eu empregando esse timbre de voz a Contra-Revolução crescesse, eu empregaria a mais não poder.

(Sr. P. Roberto: Não importava as Yaltas que houvesse.)

Nada! que Yalta nada, pontapé na Yalta. Vocês me conhecem muito bem. Eu estar dançando minueto diante da Yalta! Um lixo que eu gostaria de mandar para o inferno!

(Sr. Gonzalo: Foi fundamentalmente por causa do Grupo?)

Sim. Fundamentalmente. Secundariamente por causa do que nós poderíamos chamar a opinião católica e depois a opinião pública.

(Sr. Gonzalo: Como o senhor vê a volta e o uso disso?)

Eu vejo o seguinte: nessa graça que está vindo com o livro, eu vejo em certo lado, as pessoas fracalhonas que se sentem consoladas de não estarem perpetuamente sendo atacadas, não estarem sendo perpetuamente em segundo lugar, mas estarem no meio dos importantes. Isso lhes dá uma certa consolação da qual Nossa Senhora tem pena e dá alguma coisa a eles. Isso é a primeira coisa.

Agora, depois vem a segunda coisa que é que eles sentem — isso eu vejo e isso é bom — que se alguma coisa fosse feita contra nós que nos obrigasse a recuar, eles urrariam. Mas urrariam. E esse urrar é o canticum novum da TFP.

(Sr. Gonzalo: Isso o senhor diz internamente?)

Internamente.

É o que me parece.

(Sr. Gonzalo: Haveria um certo passo para frente, nesse sentido?)

Haveria um certo passo para frente.

Depois a gente vê que Nossa Senhora daria e que ia acontecendo.

(Sr. Gonzalo: Mas como falta da parte de todo Grupo que as coisas caminham como o senhor quer…)

É uma coisa tremenda!

(Sr. P. Roberto: Mas como é bonito o fim a se chegar.)

* No auge do Reino de Maria nós devemos amar a luta, e quando ela aparecer a gente não pode dizer: “iiihh, já vai começar tudo de novo!”

É de toute beauté. Sobretudo quando esse negócio todo estiver no chão, e só Nossa Senhora, os filhos de Nossa Senhora, os filhos da Luz, e a Luz brilharem na Terra.

Agora, já digo a você uma coisa: quando acontecer não julguem que está tudo resolvido.

(Cel. Poli: Nunca vai estar tudo resolvido.)

Nunca vai estar tudo resolvido. E não julguem que chegou a era em que a gente desaperta o cinto e diz: “agora vou fazer minha sesta”, porque não existe essa era. Quando existe essa era, quer dizer que o ladrão entrou pelo fundo da casa.

(Sr. P. Roberto: O auge da era é sempre essa luta que o senhor está dizendo.)

Ama-se. Quando se está no auge da era a gente ama a luta. E quando ela aparece a gente não diz: “iiihh já vai começar tudo de novo!”

(Cel. Poli: De qualquer maneira é diferente esta luta que o senhor está analisando com a luta inglória de estar, digamos, arranjando uns tostões aqui, outros tostões lá, tapando o buraco aqui, etc. Isso é…)

Horrível.

(Cel. Poli: É aviltante.)

* Sendo preciso passar pela vilania, desde que não sejamos nós os vis, tanto maior será a glória depois

Aviltante. Completamente aviltante.

Mas se é preciso passar pela vilania, desde que não sejamos nós os vis, é preciso.

(Cel. Poli: Quanto mais vil, se não for culpa, tanto mais a glória.)

Tanto mais é a glória.

(Cel. Poli: Porque realmente o senhor ter que prestar atenção nessa pulga lá do Muniz…)

É, aquilo é um…

(Cel. Poli: E se não prestar atenção dá uma encrenca de todo o tamanho.)

De todo o tamanho. Tem que prestar atenção. E a gente sente daqui a cara dele feliz, satisfeita, despreocupado porque para ele tudo é fácil, e avançando. E nós… tudo é complicado.

Meu caros, que horas são?

(Cel. Poli: Seis para as três.)

(Sr. Gonzalo: Foi muito boa a reunião.)

Se lhes fez bem…

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