Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
16/10/93 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 16/10/93 — Sábado
Nós, por sermos nós e por sermos chamados para o que somos chamados, simplesmente porque falamos ou tomamos uma atitude, nós remexemos a História * Deus não se deixa tocar habitualmente pelos que são da Terra, mas a nós Ele nos chama para tocá-Lo, e comovendo-O de um modo especial nós movemos a História em Deus * Uma alma pode marcar eminentemente um ambiente porque acrescenta-lhe que ali Deus esteve presente * Para quem tem a vocação de participar do profetismo do SDP há uma obrigação especial de viver permanentemente na clave de que todas as nossas ações movem a Deus * Muitas vezes a frustração nos domina porque quando o órgão tocou e nós percebemos bem que era Deus que estava batendo no teclado, não quisemos prestar atenção * Desde muito pequeno o SDP se punha na presença dos panoramas metafísicos da vocação, sem ter palavras para exprimir, mas formando um modo de ser e um tesouro de coisas acumulado * Começaram a engatar-se coisas favoráveis uma por cima da outra e estamos num estuário onde as águas doces do sucesso empurram para longe a água salgada dos insucessos
(Sr. Gonzalo: [Rápido resumo da reunião anterior]. Soma-se a isso toda a movimentação do livro da Nobreza na Itália por esse dias, tem um pulchrum muito grande.)
Tem. Inegavelmente.
(Sr. Gonzalo: Então se o senhor pudesse continuar chamando a atenção desse modo corretivo, nessa matéria, seria extraordinário. […] Não sei se está claro?)
Está, está. A questão é que não é fácil a gente fazer isso aí de um modo inteiramente metódico, quer lembrando o passado, quer tendo em vista o presente. Sendo que ter em vista o presente acaba sendo mais lucrativo para essas operações do que lembrar o passado, porque o presente está muito mais vivo para as pessoas que tenham a lucrar nessa matéria e que estão atrasadas, do que o passado. O presente é uma coisa que… a pessoa acredita mais no presente do que acredita no passado. E por causa disso manobrando com o presente e pondo o presente em evidência, fica muito mais vivo o negócio do que olhando para o passado.
* A TFP francesa tem imanente dentro dela uma bênção e uma grandeza tais por onde cada vez que seus membros falam, se ouve nas nuvens as conversas
A questão é que é preciso a gente primeiro encontrar os pontos de vista exatos para ver bem o presente. Em segundo lugar, depois, entrar o lado corretivo.
Mas vamos, por exemplo, tomar em consideração o seguinte, que hoje era muito frisante. Não sei se vocês tiveram a mesma sensação do que eu, mas eu tive essa sensação. Ouvindo a TFP francesa narrar aqueles fatos que se deram, aquele grafonema que chegou, a gente tinha uma impressão curiosa dupla.
Em primeiro lugar, que apesar de tudo existe uma predestinação na TFP francesa que é presente, e que aquilo é grande porque está ali aquela TFP. Aquela TFP tem imanente dentro dela, por vontade de Deus, uma bênção e uma grandeza pela qual faça ela o que fizer, aquilo, vamos dizer, seria mais ou menos como um personagem… são só 30, mas você imagina um grupo de 30 pessoas que conversam, mas o que elas fazem, o que elas dizem, o que elas pensam, por vontade de Deus, tem na presença de Deus um tal valor que cada vez que elas falam se ouvem nas nuvens as conversas. E se compreende a grandeza daquela conversa de 30 pessoas que debaixo de certo ponto de vista podiam ser insignificantes.
(Sr. Gonzalo: Poucas vezes o auditório aplaudiu tanto…)
Ah, o auditório…
(Sr. Gonzalo: … quando aplaudiu hoje tudo o que houve na França.)
Foi. E foi por causa da noção da predestinação e do papel especial da França que se tornou presente a nós no momento de um modo especial. E talvez se pudesse chamar validamente de um modo místico.
Agora, de um modo místico em que sentido?
* Porque em 30 personagens habitam desígnios de Deus, uma conversa de si insignificante acaba tendo importância de um congresso internacional
É uma graça que se tornou sensível, de repente, e que ao tornar-se sensível, nos fez ver e sentir uma porção de coisas que normalmente nós não veríamos nem sentiríamos. E que nos transferiu, de repente, para um nível em que nós, as nossas cogitações, as nossas coisas internas, as nossas pequenas misérias, e tudo, tudo isso muda e como que desaparece diante do alto nível de realidade em que aquilo está posto porque existe dentro de nós. Pelo fato de existir dentro nós…
Vamos dizer, porque uma conversa em tese tida por 30 personagens insignificantes, mas [porque] nessas personagens insignificantes habitam desígnios de Deus, essa conversa acaba tendo uma importância de congresso internacional.
Mas é assim, não estou exagerando.
Assim também se torna presente de repente para nós tudo quanto é uma TFP francesa. Porque normalmente nós seríamos propensos a ver de um modo inteiramente diferente: é só o fulano, o sicrano, o beltrano, inteiramente desligados dessas espécies de realidades superiores e postos apenas no terra-a-terra de todos os dias. E aqui já fica posto…
Eu tenho muito medo de me exprimir mal debaixo do ponto de vista da ortodoxia no que eu digo, donde vem uma certa hesitação no que eu estou falando. Mas vem uma coisa que eu digo, e creio que vocês concordarão comigo em que é o fundo de uma porção de coisas que eu nunca falei a vocês com essa franqueza. Mas é o seguinte.
* Nós, por sermos nós e por sermos chamados para o que somos chamados, simplesmente porque falamos ou tomamos uma atitude, nós remexemos a História; exemplo: os cortejos no São Bento
Nós por sermos nós e por sermos chamados para o que nós somos chamados, nós somos muito mais do que simplesmente nós mesmos, mas nós temos habitando dentro de nós umas graças especiais que fazem com que nós em certos momentos percebemos mais especialmente que nós falando, ou nós tomando uma atitude, etc., remexemos a História.
E que esse remexer a História não é só com decretos, com resoluções públicas, etc. Não, é simplesmente porque nós fizemos, isto remexe a História.
Vamos dizer, por exemplo, o seguinte: que nós estejamos — uma coisa muito bonita, você está morando no São Bento, você vê isso muitas vezes, se o horário ainda é aquele do tempo em que eu passei meses em São Bento — a gente está trabalhando à tardinha, de repente percebe o cântico de um desfile interno que eles fazem à noite e que se eu não estou enganado parte do claustro, passa diante da capelinha e depois toma aquele caminho ao ar livre e entra no São Bento velho pela porta larga e se dirige à capela. Depois de fazer uma oração na capela, sempre marchando e cantando, eles sobem pela escadaria e vão até àquela espécie de pátio interno que existe para onde dão todos os quartos. Dá [para] sala do troneto, dá [para] o meu quarto e dão [para] outros quartos ainda. E que depois acaba no terraço.
É um canto de ódio que é cantado Oderum te, etc., etc., que é cantado por eles [baixo?]. E cantam também uma coisa muito bonita: la soufrance, donne-moi, donne-moi la soufrance, donne-moi, não sei mais o quê. Umas coisas muito bonitas.
Há momentos em que a beleza daquilo é acrescida por uma espécie de sensação de que numa ordem da realidade que não é aquela, aquilo tem uma efetividade, tem uma verdade que não faz daquela marcha apenas uma marcha, mas faz uma coisa que é cantada e feita perante Deus que faz com que aquilo sendo bem feito pelos eremitas, muda os desígnios de Deus.
(Sr. Gonzalo: Isso se sente.)
Isso se sente.
* Deus não se deixa tocar habitualmente pelos que são da Terra, mas a nós Ele nos chama para tocá-Lo, e comovendo-O de um modo especial nós movemos a História em Deus
Havendo esse sentir da possibilidade de mudar os desígnios de Deus, quer dizer, Deus nos dá como a filhos d’Ele a possibilidade de tocá-Lo, de comovê-lo de um modo especial, e comovendo a Ele mover a História, portanto mover a História em Deus, por desígnios de Deus, e, portanto, por um tocar em realidades metafísicas, realidades sobrenaturais especiais, que em última análise são o próprio Deus.
Mexerem naquilo tudo faz com que, por exemplo, terminada aquela cerimônia, os rapazes, naquele tempo eu acho que era logo depois se não me engano, os eremitas iam dormir. Na hora de dormir a sensação de que o dia atingiu o ápice porque tocou em Deus e moveu qualquer coisa em Deus que é especial, que é única, e que Ele não deixa tocar habitualmente pelos que são da terra, mas que a nós Ele chama para tocar, e que nós sentimos aquilo e dormimos com a sensação de que fizemos uma coisa importantíssima. E que toda a nossa sede — e eu digo a coisa direito como é, não tenho dúvida — toda a nossa sede de importância, sede de ter feito uma coisa grande, sede de ter movido a disposição das estrelas na terra ou o movimento dos mares, que essa sede dorme apaziguada dando aí uma forma de repouso perto da qual nada é repouso.
Eu não sei se esse ponto está…
(Sr. Gonzalo: Está claríssimo.)
Há muitas ocasiões durante o dia, que uma pessoa atenta a esses movimentos especiais da alma, compreendendo que eles não são uma fantasia, mas que são uma verdadeira realidade, a pessoa dorme alegre e com um amor à vocação, um contentamento de ter sido chamado, e um bem-estar de estar naquelas vias, que é uma coisa única.
Mas que supõe um ato de fé nesse princípio que eu estou pondo.
(Sr. Gonzalo: Nessa espécie de modelagem de Deus.)
* Deus não é amado pelos homens, mas Ele, de repente, dá-nos a nós a possibilidade de amá-Lo como Ele quereria ser amado, daquele modo, com aquele movimento de alma, com aquele élan
Essa espécie de coisa por onde Deus quer que nós obtenhamos d’Ele uma certa coisa. Deus não é amado pelos homens, mas Ele, de repente, dá-nos a nós a possibilidade de amá-Lo como Ele quereria ser amado, daquele modo, com aquele movimento de alma, com aquele élan. E vamos dizer assim, eu falei há pouco em movimentar Deus, eu poderia dizer também de outra maneira: nós somos os órgãos em que Deus de repente toca. E nós somos os teclados que percebem que estão executando uma música que é a partitura, que é um instrumento material, mas que é muito mais do que isso, [é] Deus que está dedilhando ali. E que isso nos transpõe para fora de nossos limites habituais.
Eu não sei se… vocês acham que eu não estou claro…
(Claríssimo!)
(Sr. Guerreiro: Poderia fazer uma pergunta sobre esse assunto?)
Sim.
(Sr. Guerreiro: O senhor falava que se move diretamente a Deus, e a gente vê que isto realmente é assim. Mas não se passa aí também toda uma outra questão, que é a seguinte: o senhor falava há pouco da TFP francesa. Posto que a alma francesa teve toda uma história em que teve pináculos em que chegou a exprimir belezas e valores que no fundo nasceu do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo mas que ali aquilo tudo teve uma particular expressão, particular brilho e beleza, aquilo aconteceu em certo momento da História. Uma vez que isto aconteceu e aconteceu ali, as gerações que vieram depois e que foram abandonando aquilo, foram se “olvidando” daquilo, mas alguma coisa daquilo fica naquele país, naquela nação, e é algo que dá a impressão que não está só nos arcanos de Deus, mas aquilo fica como que pairando sobre toda a nação.)
Quer dizer, fica em estado de nuvem dentro de cada homem. Pairando na nação quer dizer pairando no conjunto dos homens. Nação é isso.
(Sr. Guerreiro: […] Esses valores ficaram pairando no país, são realidades que existem. Eu pergunto se isto não é mais ou menos assim. […])
* Uma parábola ilustrativa das graças que pairam sobre determinados povos
É o melhor conteúdo da noção de tradição. Em última análise, a verdadeira verdade da tradição é isso.
Agora, isso que você chama de valores que ficam pairando, etc., isso, na realidade, é uma coisa que se poderia comparar humanamente falando ao seguinte: durante uma cerimônia religiosa usa-se o incenso. E aquelas nuvens de incenso, etc., espalham-se de algum modo pela igreja. Mas a igreja está aberta, tem, portanto, o ar que circula, e portanto também aquilo sai pelas janelas, portas, etc.
Mas tudo acabado, quando fecham a igreja, a gente vai ver que aquele aroma do incenso ainda está presente. É uma coisa que é da cerimônia mas que está presente e que é como que algo da cerimônia que fica.
Não sei se…
(Sr. Guerreiro: É muito impressionante isso.)
Agora, isto em última análise, do ponto de vista teológico é uma ação de Deus. É uma ação de Deus sobrenatural que é a graça, essas são graças que se tornam sensíveis a nós sob essas aparências. Graça é isso.
(Sr. Guerreiro: Assim como o homem pode marcar pela arte certos ambientes, e deixar ali esta marca através dos séculos, a alma do homem não tem a fortiori um poder ainda maior de marcar os ambientes de um modo que não se sabe ainda dizer bem como é que isto é? […] A almas marcam também os ambientes.)
* Uma alma pode marcar eminentemente um ambiente porque acrescenta-lhe que ali Deus esteve presente num grande ato de virtude ou em relação vindicativa e judiciária contra um grande crime
As almas marcam, e marcam eminentemente. Por quê?
Em primeiro lugar é porque a alma existe. E aquilo que existe tem meio de se comunicar e tem meio de deixar sentir sua presença. E, portanto, deixar sentir seu passado, embora não esteja presente. Mas acrescenta a isto, o lado mais importante, é que naquilo Deus esteve presente, porque aquele fato é eminente. Esteve presente ou à maneira de um grande ato de virtude que se praticou lá, ou porque Ele esteve particularmente presente pondo-Se em relação vindicativa e judiciária contra um grande crime que se praticou ali.
Então, não sei se você percebeu naquela narração de hoje à tarde, apareceu uma coisa curiosa: que aquela cachorrada que estava lá, aqueles republicanos todos eles sabiam perfeitamente o lugar certo onde a guilhotina de Maria Antonieta tinha estado. Bem, aquele lugar certo onde a guilhotina de Maria Antonieta esteve, a gente comumente procurando eles não dizem, dizem que não se sabe, que desapareceu. Mas na hora de fazer uma cerimônia eles sabem. Eles fazem a cerimônia naquele lugar.
É de se admitir que naquele lugar, mais intensamente naquela data, mas às vezes de um modo permanente, esteja ali uma presença peculiar de Maria Antonieta. Da alma dela que foi executada ali.
(Sr. Guerreiro: E que manda um Anjo bom que ficou ali…)
Dos Anjos que ajudaram a ela naquele momento, dos Anjos que estiveram ali chorando e pedindo a Deus justiça contra o que se fazia ali, das almas dos antepassados dela, dos antepassados de Luis XVI, etc., que protestavam todos contra… as almas dos que estavam no Céu ou no purgatório, que assistiram esse fato e que ali diante de Deus clamavam.
* Um ato de virtude eminente que se praticou em determinado lugar deixa ali uma influência benéfica por onde, todos os que passam, sentem um bom movimento de alma
Tudo isto que é de ordem sobrenatural, entretanto passou-se — ao menos em ordem extra-terrena — ali. Depois que deixou de se passar, há uma presença desses seres ali que é contínua. E que marca até gente que frivolamente passa de automóvel para ir para tratar de negócio, para viajar, para fassurar, para o que for, passa de repente por ali e tem bom movimento de alma. A gente vai ver o movimento de alma bom, ninguém sabe, mas é um ato de virtude eminente que ali se praticou, ou um crime eminente que ali se praticou e que determinou reações que são atos de virtudes eminentes. Então a pessoa passou por lá e sente isto mais ou menos.
Agora, eu teria horror de continuar essa… se eu não ouvisse de cada um de vocês que acha que faz sentido isso.
Você, meu Paulo Roberto?
(Sr. P. Roberto: Muito bonito. Os gregos diziam que a teologia é o estudo dessas coisas que ficam como que pairando no ar, que são como a coisa totalmente separada da matéria, que são sagráveis, que formam como que uma coisa separada do mundo físico, e que tem uma existência sagrada e à qual a teologia deve se debruçar para estudar. A teologia deles não era a teologia da Revelação, era a teologia da metafísica, propriamente. […] É uma coisa muito bonita, e que faz muito “pendant” com isso que o senhor está dizendo.)
Muito! Sendo que entretanto o que nós estamos estudando aí é esta realidade mais a teologia católica que versa sobre a Revelação e a graça. É o que paira acima disso tudo, que é a fina ponta disso tudo.
E você, meu filho?
(Sr. Paulo Henrique: […] O que importa aí é o reatar do senhor, do profetismo, no momento que toca ali. Como esse ato que o senhor disse que gostaria de estar presente, em certo sentido o senhor esteve no prolongamento de seus filhos que estavam lá. Então, esse lado é que seria interessante o senhor tratar um pouco. […])
Eu gostaria de ouvir os outros, e depois eu volto a esse assunto.
E você, meu Guerreiro?
(Sr. Guerreiro: Eu acho extraordinário isso. […] Mas o que tem maior interesse é o que o sr. Paulo Henrique acabou de lembrar aqui, é este dom que a Providência deu ao senhor de, de repente, mobilizar esses valores todos que sobrepairavam as nações, certas instituições, certos lugares históricos, os desígnios de Deus que estavam presentes e que o senhor pode movimentar isto.)
Não tem dúvida.
E você, meu filho?
(Sr. Horácio B.: Eu estava encantando ouvindo ao senhor. […])
(Cel. Poli: Está excelente.)
(Sr. Gonzalo: O ponto da vocação do senhor, é essa possibilidade de mexer em Deus. É esse o ponto.)
Ou de Deus mexer em nós.
(Sr. Gonzalo: Mas que há na vocação da TFP algo de próprio para isso e que a compenetração disso ou a não compenetração disso é onde se joga tudo. O senhor parece que ia encaminhar a reunião por aí.)
* O elemento mais elementar da correspondência ao primeiro Mandamento é nós estarmos atentos aos movimentos da graça quando se fazem sentir a nós de um modo notável
É isso.
Mas abordando um pouco isso que disse o Paulo Henrique, na realidade essas coisas todas existem e nós poderíamos talvez fazer, debaixo do ponto de vista da doutrina católica, um inventário de tudo quanto existe deste gênero. Quer dizer, das várias formas, que tipo de coisas que a gente tem desse gênero. Talvez pudesse fazer um inventário.
E a correspondência ao amor de Deus, o elemento mais elementar de correspondência ao primeiro Mandamento que manda amar a Deus, é nós estarmos atentos a estes movimentos quando se fazem sentir a nós de um modo notável, e que nós acabamos tomando conhecimento de trans-realidades que são até certo ponto fugazes, mas que a gente prestando sempre atenção e compreendendo que aquilo não é apenas uma lição sobre o que está se passando, mas é uma parte de um jogo em que entra antes de tudo Deus, mas depois entramos nós, entram os Anjos e os santos do Céu, naturalmente em lugar indizivelmente excelso entra Nossa Senhora, etc., que tudo isto forma uma espécie de outro acontecer, de outra vida, de outra realidade complexa, belíssima que deixa transparecer na Terra brilhos, circunstâncias, casos que quando a gente percebe a gente vive de outro jeito. E que o viver assim é propriamente o levar vida sobrenatural.
(Sr. Gonzalo: O caso do príncipe mediatizado, o senhor dizia que mexia um pouco nessa linha.)
Foi.
(Sr. Gonzalo: Porque o senhor quando recebeu a notícia ontem a gente viu que “n” coisas no senhor se moveram e que o senhor ficou muito contente com ele.)
Muito, muito.
(Sr. Gonzalo: Isso corresponde um pouco a isso?)
Corresponde.
(Sr. Gonzalo: […] Isso vale porque o senhor está esperando isso.)
Estou esperando isso.
(Sr. Paulo Henrique: E tem que ter proporção com a vocação do senhor.)
* Para quem tem a vocação de participar do profetismo do SDP há uma obrigação especial de viver permanentemente na clave de que todas as nossas ações movem a Deus
Tem. E aqui, meu filho, entra exatamente a seguinte coisa: que para nós que temos vocação de termos o meu profetismo, ou de participarmos do meu profetismo, há uma obrigação especial de nos colocarmos nessa clave permanentemente. Porque não nos colocando nessa clave, nós estamos fazendo o que temos feito até agora.
(Sr. P. Roberto: É que o príncipe prussiano, o senhor vê a Prússia por detrás dele com tudo que ela significou…)
Isso. E o ver aí não é apenas um ver cultural, histórico, mas é sentir algo. É o perceber algo, que talvez eu perceba mais nitidamente do que algum outro, mas que aqueles que são chamados a serem um só como eu, e viver desta vida de que eu vivo, estes também são chamados a participar e sentir isto. E é propriamente como se faz a união entre nós.
(…)
… percebem como eu que de algum modo se poderia dizer que as cataratas do Céu se abrem com a publicação do livro. E que a partir desse momento uma série de coisas que eram esperanças arduamente conservadas no escuro, no porão da História para virem acontecer, de repente acontecem. E que nós vemos então que o esperado se realiza.
Então, é preciso reconhecer que é isto que está se passando, e viver esta hora.
* Muitas vezes a frustração nos domina porque quando o órgão tocou e nós percebemos bem que era Deus que estava batendo no teclado, não quisemos prestar atenção
Vocês querem ver como a gente erra quando não faz isso? Você pega essa reunião aqui. Sem dúvida, essa reunião ao meu ver, é das de maior graça que nós temos tido. Agora, imaginem que vocês saindo daqui passassem em frente a uma confeitaria qualquer que está aberta, e ainda está vendendo sorvetes. Vocês entram e pedem sorvetes.
Começa já aquela torcida para encontrar sorvetes bons. Chegam os sorvetes, a atenção já está toda voltada para o gosto do sorvete. E um solta um dito engraçado sobre tal sorvete. Um outro diz um outro dito, começam a conversar sobre marcas de sorvete, e daqui a pouco estão falando sobre automóveis. Isto tudo que vocês tiveram, vocês sem perceber rejeitaram.
E o resultado é que aquela noite que teve momentos assim de graça sensível, de repente aquela graça passa e quando o sujeito vai dormir, a sensação que ele tem é de frustração. E nem sabe bem por que é que está frustrado. Mas acha que está frustrado. Então trata de dormir logo para fugir da situação na qual ele está metido, ou trata de fazer sonhos irreais e perigosos, ou se deixa embalar por diálogos com o demônio sobre a matéria sensual, e é melhor nem falar o resto.
Mas tudo foi por quê?
Porque quando o órgão tocou e que nós percebemos bem que era Deus que estava batendo no teclado, nós em vez de dizermos: “não, é Ele, vamos prestar atenção, isso se liga a tal coisa que eu já ouvi, e a tal outra coisa assim, isto eu conheço de tal maneira assim! Ah bom! etc., etc.” Formar um tecido de coisas, sabidas e já ouvidas, já percebidas e que são o viver da gente, a gente vai deixando isso de lado, vai formando um depósito de graças jogadas fora, de frustrações, de coisas que acabam não dando nada e de pecados, que dá pena.
Vocês, eu creio que percebem bem por aí toda a realidade das coisas como se desenvolvem, não é?
(Sr. Gonzalo: E as esperanças do senhor também. Por exemplo, com a França, quanta esperança. […])
(…)
Vocês vêm bem à vista do que nós conversamos a diferença radical que existe entre uma pessoa que leva a vida como nós levamos e uma que levasse a vida como nós devíamos levar.
(Sr. P. Roberto: Aí é onde pega o carro.)
* Desde muito pequeno o SDP se punha na presença dos panoramas metafísicos da vocação, sem ter palavras para exprimir, mas formando um modo de ser e um tesouro de coisas acumulado
É, onde pega o carro.
Agora, desde muito pequeno o que havia comigo era muita presença de coisas assim, que não são visões nem revelações, são graças. Mas muita, muita, muita, às vezes durando um dia inteiro a respeito disso, daquilo, daquilo outro, sem ter as palavras necessárias para exprimir, mas formando um modo de ser e um tesouro de coisas acumulado.
Agora, chega aos 21 anos, a pessoa está capaz de fazer um discurso razoável. Mas por que é que esse discurso é razoável? É porque se baseia nisso que está acumulado atrás.
Agora, para nós isso equivale a um convite. Quer dizer, se essa nossa reunião não der em nada, o que é que é, se não der em nada?
Desculpem-me a banalidade do que eu vou dizer, mas se não der em nada não deu em nada.
(Sr. Gonzalo: Em termos, porque dá em coisa negativa.)
Sim. É claro.
Mas eu fico com uma espécie assim de esperança de que com todas essas graças e esses êxitos extraordinários que tem tido a publicação do livro, que se possa dizer que as cataratas do Céu se abriram depois de uma longa esperança e que as coisas mais difíceis e mais duras de esperar de repente passam a ter uma naturalidade, uma coisa extraordinária.
* O Simpósio de lançamento da edição norte-americana do Livro do SDP sobre a Nobreza foi a realização de uma imensidade de esperanças e de desejos acumulados durante anos
Por exemplo, nesse congresso dos Estados Unidos. Você pensar um pouco o que se passou nesse congresso dos Estados Unidos debaixo do ponto de vista das esperanças da TFP, passou-se uma coisa que [era] inimaginável. Você faça idéia, para não estar repetindo coisas que vocês conhecem, o resumo da história:
Nós toda a vida achamos e intuímos — mais tarde por meio de estudos soubemos — que nos Estados Unidos havia de fato dois Estados Unidos: um Estados Unidos do sul e os Estados Unidos do norte, e que os Estados Unidos do sul era debaixo de certo ponto de vista o contrário do do norte. E que esse Estados Unidos do sul era os Estados Unidos de protestantes, note isso. Mas protestantes tão sui generis, que depois de derrotado o sul, depois deles não serem mais capazes de se defenderem contra o norte de armas na mão, eles mandaram uma expedição de soldados do sul, protestantes, lutar a favor de Pio IX contra Garibaldi.
Isso é uma coisa que eu acho muito bonita, em primeiro lugar. Depois, em segundo lugar, acho… não sei, exaltante.
(Cel. Poli: É uma promessa.)
É uma promessa. Uma promessa de que um dia viria que haveria misericórdia para essa gente e que eles acabariam sendo católicos. Acompanhado de nosso lado de um desejo intenso de ter contatos com eles e de ter relações com eles. Para começar, não discutindo questão catolicismo e protestantismo, mas discutindo questão Revolução e Contra-Revolução. Em que eles são em alguns aspectos tão contra-revolucionários quanto nós.
Por exemplo, é certo que foram os antecessores deles que por ingenuidade trataram de instaurar a monarquia dos Habsburgs no México na pessoa do Maximiliano que não valia nada, e que Queretaro foi uma limpeza.
Não sei se o Andreas aceitaria essa verdade assim tão nua e tão crua quanto eu estou dizendo, mas é a minha convicção não muito íntima não, é dita freqüentemente.
* Depois de muitos anos de TFP nos EUA fica-se sabendo de toda a organização aristocrática dos sulistas norte-americanos
Agora, o fato concreto é que vai-se esse congresso, a gente lá acaba sabendo uma coisa que com uns dez anos, pelo menos, de presença que tem a TFP nos Estados Unidos, nós não tínhamos sabido: é que os remanescentes do sul são organizados numa organização enorme que toma eles globalmente todos em associações de um caráter aristocrático, neste sentido: que são organizações em que só podem entrar os descendentes daqueles que foram fundadores daquelas associações. E esses fundadores são os que combateram na guerra do sul.
Quer dizer, vamos dizer, o lugarzinho qualquer do sul, eu vou imaginar um nome, eu não sei se esse lugar existe: Pytsbourg, vamos dizer. Então os descendentes dos zuavos pontifícios de Pytsbourg fazem parte de uma associação da qual só podem fazer parte esses descendentes e mais ninguém. Naturalmente, os cônjuges evidentemente.
E essa associação se prolonga e todas elas são federadas numa associação. E partem os convites, etc., vem o sul representado por um católico que é o homem número 1, presidente dessa associação máxima. E que tendo lido o meu livro e tendo ficado muito aderente a meu livro, vem trazendo de presente uma insígnia que em tese a associação dele dá às pessoas que prestaram serviços.
Mas que só foram dadas duas até hoje: uma para este portador dessa insígnia e outra para mim.
Bom, mas vocês compreendem a imensidade das esperanças, dos desejos acumulados durante anos que de repente se realizam assim?
(Sr. Gonzalo: É muito bonito, é uma coisa extraordinária.)
É uma coisa fabulosa.
Vocês levarem para esse encontro um Grande de Espanha e uma arquiduquesa d’Áustria, para esse encontro em Washington para efeito de vitalizar nos Estados Unidos essas associações de caráter aristocrático que a gente acaba descobrindo que existem um pouco por toda parte na América do Norte, a tonificação na terra suposta daquela estátua estérica da liberdade.
E eles comparecem e se encontram com os representantes do sul, formam boas relações, etc.
Quando eu compus aquela frase muito pequenino…
(Sr. Gonzalo: “Quando ainda muito jovem…”)
Exatamente. Isto vem inscrito na condecoração que me conferem…
(Sr. Gonzalo: Que bonito, mas que coisa bonita!)
* O sucesso do Livro da Nobreza nos Simpósio dos EUA e no Congresso da Nobreza em Milão são horizontes que pareceriam brincadeira de criança estar pensando e que de repente se abriram
Mas são coisas que se juntam.
Pouco depois vem o congresso da nobreza européia, que é uma coisa que há um ano mais ou menos nós mal sabíamos que existia, e esse livro passeia pelo congresso da nobreza européia por toda parte, aclamado, aprovado, agradecido e homenageado de modo verdadeiramente incrível. Mas de modo incrível.
São ou não são de repente horizontes que pareceriam brincadeira de criança estar pensando nisso e que de repente abre?
(Sr. Gonzalo: É propriamente o Mar Vermelho.)
É propriamente o Mar Vermelho.
Porque é assim, é uma coisa estupenda.
O negócio do tal príncipe mediatizado.
(Sr. Gonzalo: Aquilo é uma coisa lindíssima!)
E depois entusiasta da TFP ao máximo. São essas coisas que a gente não poderia imaginar.
(Sr. Gonzalo: E os inimigos também consolidando-se. Por exemplo, o Caponi consolida sua maldade na posição que tomou agora.)
Consolidou.
(Sr. Gonzalo: Os pólos se radicalizam.)
* Nós vivíamos num porão úmido por cujo gradeado penetrava toda a sujeira da calçada e, de repente, se abriram para nós panoramas “grand-retourescos”
Bom, os pólos se radicalizam, é verdade. Mas nós vivíamos num porão úmido, por cujo gradeado que ficava no nível do chão penetrava toda a sujeira da calçada, mais a poeira da rua e mais um pouco de ar. E isso é o que se chamava ar livre que os prisioneiros iam respirar de perto, porque é isto. Bem, para nós, de repente, se abrem perspectivas dessas!
(Sr. Gonzalo: É uma coisa meio “grand-retouresca”.)
É, “grand-retouresca”. Isso faz-nos esperar coisas tão extraordinárias que eu não sei o que dizer.
Por exemplo, a TFP francesa removendo aquela coisa toda do lugar onde Maria Antonieta foi guilhotinada… e o Le Pen fazendo-se expulsar do por onde a TFP entrou!
(Sr. Gonzalo: Aquilo foi extraordinário.)
Entra muito do topete francês dentro disso.
(Sr. Gonzalo: Sim, mas faz parte.)
Faz parte, faz parte.
(Sr. Gonzalo: E mesmo Mme. Goyard se defendeu como francesa e foi muito interessante.)
Aquilo é briga de mulheres um pouco, não é?
(Sr. Gonzalo: Mas na França.)
Na França.
(Cel. Poli: Mas saiu por cima.)
Ela saiu por cima.
Bom, mas tudo isso representa uma coisa tão singular, que eu não saberia o que dizer.
Uma outra coisa que está nessa linha. Vocês façam idéia desta. Esta é do outro mundo.
O D. Pedro Henrique… Para ir mais longe um pouco, para se compreende bem a coisa, essas ordens de cavalaria são de duas espécies: ordens domésticas e ordens estatais.
Ordem estatais é quando é o Estado que fundou a Ordem e quando se proclama a República aquilo é eliminado, porque o Estado republicano não poder ser o suporte de uma Ordem de Cavalaria verdadeira. Dá uma coisa como a Legion d’honneur. Mas Legion d’honneur não é nada na linha das ordens de cavalaria, etc. Não é cavalaria, é [napoleonites?].
Depois há as ordens de família em que quando o rei fundou aquela ordem, ele fundou para os seus e de sua família, e para aqueles a quem ele como chefe da família daria a Ordem, não em nome do Estado. Quando se proclama a República essa ordem continua a viver.
* História da recepção do SDP na Ordem Constantiniana de São Jorge
E no reino das duas Sicílias — que é a ilha das Sicílias em última análise, Nápoles e Sicília — havia uma ordem de família que pertencia aos Bourbons que reinavam lá. Era a Ordem Constantiniana de São Jorge.
E a mãe de D. Pedro Henrique era dessa família. E lá por 1950 mais ou menos, ela escreveu para o grão-mestre dessa ordem pedindo para nomear membros dessa Ordem a D. Sigaud, D. Mayer e a mim, em atenção à grande amizade que tínhamos ao filho dela, d. Pedro Henrique, etc.
E daí a pouco apareceu, uns 15 dias depois, no meu hotel um duque de Salandra e Serra Capriola — que me deu pena, coitado — que vinha me trazer a documentação da nossa filiação a essa ordem.
Ele me deu pena porque… imaginem que ele entrou, era um duque, entrou lá na coisa vestido com uma pobreza do outro mundo. E um relaxamento igual ao meu. Estava os dois relaxados no hall do hotel. E ele disse que me vinha trazer esses documentos, etc., etc. Eu agradeci, coisa e tal. Ele falava comigo olhando assim… Depois ele me disse:
— O senhor não imagina o que é que representa para mim estar conversando com o senhor nesse hall.
— O que é que é?
— Quando eu era moço eu tinha dinheiro, e tinha dinheiro para freqüentar aqui — é um grande hotel de Roma, hotel Excelsior — e vinha com freqüência, como moço aqui. Depois as coisas mudaram e há dezenas de anos que eu não ponho os pés aqui. De maneira que eu estou curioso de ver se continua tudo na mesma. E está tudo absolutamente como no tempo em que eu deixei.
Dá pena, não é?
Eu fiquei com vontade de completar a alegria dele e disse:
— Duque, o senhor não sai daqui sem tomar um licor, alguma coisa — porque estava com ar de que licor de primeira há muito tempo que não tomava.
Ele aquiesceu de boa vontade e vieram aqueles garçons com guardanapo aqui, fazendo vênias, e trouxeram a lista dos licores. Ele leu como um homem que vai a um concerto [e] antes do concerto começar lê a lista das músicas com toda atenção. Ele viu aquilo e depois escolheu um licor “x”. Eu mandei vir — eu não entendo nada de licores — e tomei o licor que ele tomou. Levantou-se emocionado e saiu.
* O SDP tem uma pena especial dos nobres que decaíram materialmente e faz por eles coisas que não faria se eles estivessem no auge
Eu acompanhei-o até ao lado de fora da porta. Porque esse pessoal decadente, eu tenho deles uma pena especial, e faço por eles coisas que eu não faria se eles estivessem no auge. E com isso não nos vimos mais.
Mas eu comecei a receber aqui todos os meses uma revista dessa ordem, e tinha que mandar tanto por ano de assinatura. Eu mandava e eles mandavam a revista, a coisa corria.
Em certo momento parou da revista chegar. E eu muito ocupado, não avisei nem nada, não renovei minha assinatura, a revista também não veio, e eu afinal acabei não sabendo se eu ainda era da Ordem ou não.
Quando d. Mayer apostatou — não digo da TFP, mas da Igreja Católica, tornou-se cismático, etc., foi excomungado —, quando aconteceu isso eu soube que a revista publicou uma nota dizendo que d. Mayer tendo abandonado a Igreja Católica deixava de pertencer a Ordem.
E eu soube que eles escreveram uma carta a D. Mayer dizendo que ele estava expulso da Ordem. Coisa que D. Mayer no relaxamento dele nem respondeu.
Quando afinal criamos um bureau na Itália. E eu disse ao J. Miguel: “Juan Miguel, você tendo tempo dê uma chegada em Nápoles e pergunte lá a eles, diga que você é meu amigo, está dirigindo o bureau da TFP, e que você queria saber como é que está essa situação.”
O Juan Miguel falou com o homem lá, o grão-mestre da Ordem, e o grão-mestre foi amabilíssimo. Diz ele:
— Doutor Plinio? Não, ele pertence, ele faz parte. Olhe aqui o nosso catálogo, aqui está o nome dele, etc.
Eles estavam perfeitamente ao par de que nós tínhamos tomado uma atitude correta em relação à Santa Sé e que não havia razão para mexer conosco.
Diz o J. Miguel:
— Doutor Plinio deve estar devendo algum dinheiro por anuidades, etc., etc.
— Não, o Doutor Plinio não se preocupe com isso. Sabe o que é que nós vamos fazer? Nós vamos promover Doutor Plinio a tal grau assim.
E é o maior grau a que um civil não nobre pode ser eleito, e que confere a condição de nobre.
E daí a pouco me chega um diploma explicando essa história e dirigido ao Nobili vir Plinio Corrêa de Oliveira.
Eu agradeci a ele, etc.
* Começaram a engatar-se coisas favoráveis uma por cima da outra e estamos nesse verdadeiro estuário onde as águas doces do sucesso empurram para longe a água salgada dos insucessos
Agora aparece esse congresso da nobreza. Se eu quiser eu posso alegar que sou nobre. Vejam uma coisa como engata na outra. E sem o menor esforço do meu lado. Eu consideraria simplesmente ridículo estar pedindo títulos de cavaleiro mais alto, etc. Eles fizeram espontaneamente.
Assim começaram a engatar-se coisas favoráveis uma por cima da outra, por cima da outra, por cima da outra e estamos nesse verdadeiro estuário do Amazonas. Onde as águas doces do sucesso empurram para longe a água salgada dos insucessos, durante algum tempo pelo menos.
(Sr. Gonzalo: A pororoca está a favor do senhor neste momento.)
Neste momento! Neste momento.
(Cel. Poli: E vai acabar muitíssimo favorável ao senhor. Pode passar por tormentas, mas a vitória é do senhor.)
No fim, eu acredito que será de todos nós.
(Cel. Poli: Na medida em que estivermos juntos ao senhor.)
Sim. Mas afinal, tudo somado, o horizonte é muito, muito favorável, apesar daquele caso todo do Rio Grande do Sul.
(Cel. Poli: Que ainda é azedo, não é, senhor?)
Azedo. É um fruto azedo. Horrível.
(Sr. Paulo Henrique: Essa história ainda não terminou?)
* Tem-se clareado muitos aspectos jurídicos do estrondo do Rio Grande do Sul, mas ainda não clareou todo o panorama
Não terminou. Está cada vez melhor, com aspectos melhores, descobrindo-se aspectos jurídicos melhores.
O nosso advogado, por exemplo, que é um tal Delmanto… que é o melhor criminalista de São Paulo, ele e um tal Paulo José da Costa, são os dois melhores criminalistas de São Paulo. Mas esse Delmanto nos convém mais por certas razões do que o Paulo José da Costa. O Delmanto andou estudando bem e chegou à seguinte conclusão: a acusação levada contra mim pelo delegado geral da polícia de Porto Alegre de que eu fazia a redução dos outros ao estado de escravo, raptando a mente, etc., etc., que isso não tem nenhum sentido. Mas que se houvesse alguém na TFP que fizesse isso, que eu não seria responsável, porque eu como presidente da TFP em São Paulo só sou responsável pelos atos de rotina da TFP de São Paulo.
(Cel. Poli: Sob ponto de vista criminal, não é?)
Do ponto de vista criminal. Do ponto de vista cívil, não.
(Cel. Poli: Mas o que interessa aí é o criminal.)
É o criminal, só. E o Delmanto é muito competente. Quando ele afirma essas coisas tem fundamento.
Quer dizer, vai se clareando a coisa. Mas não está clareado.
(Sr. Guerreiro: A penalidade, eles dizem, não é objetiva, é subjetiva.)
É isso, tem uma história assim. Eu confesso a você que ainda não entendi bem o que é que é objetivo e subjetivo. O que é uma coisa objetiva e outra subjetiva todos sabemos. Mas como é que os conceitos se aplicam a esse caso eu não entendi.
(Cel. Poli: Senhor, o horário é do senhor.)
Que horas são?
(Cel. Poli: São dois horários: pelo horário de ontem são duas e vinte; pelo horário de hoje são três e vinte.)
Ah, muda de horário?
(Cel. Poli: Muda.)
(Sr. Gonzalo: Mas o horário que vale para o senhor é de três e vinte.)
Mas hoje é dia de mudança de horário?
(Cel. Poli: Sim.)
Eu não sabia não.
(Sr. Gonzalo: São três e vinte da manhã.)
Hoje é quanto do mês?
(Sr. Paulo Henrique: 16 de outubro, para 17.)
Sei.
(Sr. Paulo Henrique: São dois meses antes do verão e dois meses depois. Temos quatro meses pela frente com esse novo horário.)
Ah quatro meses? Quer dizer que são oito meses com um horário e quatro com outro?
(Sr. Paulo Henrique: Sim, senhor.)
Ah não sabia isso não. Está bom.
Bom, meus caros, se é essa a exigência do horário, eu lamento, mas o que é que eu posso fazer?
Bom, vamos rezar três ave-marias, não é?
Ave Maria…
(…)
(Sr. Gonzalo: Ele então queria manifestar de modo muito caloroso e muito filial pedir uma recomendação, mas sobretudo agradecer o que o senhor está fazendo por ele.)
Oh, meu bom Murillo. É uma coisa que eu deveria fazer a ele de todo jeito. Eu quero muito bem a ele.
(…)
* Em relação às campanhas do “ANF” está havendo um desbotamento do adversário para ver se nós caimos de inanição para depois eles se reerguerem
… um certo decréscimo de todo interesse e todo movimento, etc., das coisas do gênero do “O Amanhã de Nossos Filhos”. Se isto é assim, eu acho que valeria a pena em certo momento, quando você quiser, fazer-se uma pequena reunião para estudar os modos de combater isto.
(Sr. Paulo Henrique: Está perfeito, senhor. Já pensava aqui, hoje mesmo, pedir ao senhor um atendimento na segunda-feira. O senhor havia prometido há um certo tempo de inclusive dar um dia todo […].)
Eu noto que na França há um certo desgaste, e acho que é a mesma coisa.
(Sr. Paulo Henrique: Exatamente. Pelo menos parece que não está correndo ainda…)
Meu filho, aqueles grandes filmes sensacionalmente horríveis estão decrescendo.
(Sr. Paulo Henrique: No cinema, não é?)
É.
(Sr. Paulo Henrique: Televisão… é, porque isso aqui está indo longe também.)
É, mas…
(Sr. Paulo Henrique: O senhor é que vê, o senhor é que sente esses problemas.)
Eu acho que está havendo um desbotamento do adversário para ver se vocês caem de inanição. Depois eles se reerguem. E valeria a pena fazer qualquer coisa. Porque do contrário, vocês todos desbotam e vão água abaixo.
(Sr. Paulo Henrique: Então na segunda-feira mesmo se o senhor já pudesse nos dar um atendimento… […])
Sim. Um dia faz diferença nisso?
(Sr. Paulo Henrique: Não, senhor, não faz.)
Então não vamos fazer segunda, vamos fazer terça. Está bem?
(Sr. Paulo Henrique: Está bem, senhor.)
Porque eu quero ver se segunda eu leio a encíclica.
(Sr. Paulo Henrique: O tempo é do senhor. […] Me alegro muito do senhor ter dado essa notícia, vamos ficar muito atentos, e vamos dar alguns elementos para o senhor…)
Se não é isto, é por aí que está havendo alguma coisa.
Meus caros…
*_*_*_*_*