Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 9/10/93 – Sábado – p. 9 de 9

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 9/10/93 — Sábado

Na hora do castigo a Providência ainda convida para se retomar o processo interrompido, mas se negarmos essa retomada de processo, como é que as coisas se passarão? * Uma metáfora que explica o que a Providência gostaria que nós fôssemos e que nós não somos * Motivos pelos quais nós não aceitamos ser o que a Providência esperava de nós * Pelo fato de nós não termos tido uma fidelidade integral, estando junto do SDP nos sentimos atraídos pela integridade, mas ao mesmo tempo repelidos porque queremos a futilidade * Haverá um momento, na Bagarre, em que os aspectos grandiosos do universo vão parecer tão grandes, tão extraordinários, que a pessoa compreende que ou é aceitar aquilo ou prevaricar * Durante a Bagarre pode haver lances em que nossos defeitos nos levam a agir com mil erros e aí nós vemos tudo de horrível que nos espera, e nisso haja uma forma de tormento horrível * A ação de Deus sobre nós vai ser de por meio do espetáculo de Sua cólera corrigir-nos de nossas não correspondências

(Sr. Guerreiro: O senhor comentou no “MNF” sobre o que é que decorre da encíclica para a vida da Igreja, e depois para a humanidade no seu conjunto o que deverá acontecer como conseqüência. Portanto, aí há uma infestação preternatural cada vez maior. […] A gente sente que agora tantos os ventos do demônio quanto os ventos da graça passam a ter um papel cada vez mais preponderante em toda a luta RCR.)

E mais freqüente, mais assíduo.

(Sr. Guerreiro: Então nós estávamos com essa problemática em vista e perguntamos exatamente se o senhor não poderia tratar um pouco mais disto. […] E daí como é que da parte da Providência, de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, como é que o senhor acha que deve vir as graças para dar início a uma reconstituição de tudo. […])

(Sr. Gonzalo: […] Essa negação de 65 anos de ação dando os rumos para a Igreja e para o Estado e levar as coisas a esse extremo onde chegaram, no fundo está sendo negado a pessoa que Deus colocou para dar rumo ao mundo. […] Essa ofensa a Deus é de molde a atrair muitos demônios, mas também a fidelidade a isso é o que move as graças para as pessoas.)

(Sr. Paulo Henrique: Há esse lado e depois também qual o prêmio que a Providência está dando para coroar essa obra do senhor.)

* Na hora do castigo a Providência ainda convida para se retomar o processo interrompido, mas se negarmos essa retomada de processo, como é que as coisas se passarão?

Quer dizer o seguinte.

Para colocar as coisas no seu foco há isso: a Providência ofereceu-nos a possibilidade de ser de um determinado modo, convidou-nos para ser de um determinado modo.

Agora, nós negamos — nós aqui não é apenas esse “coeto”, nem é apenas a TFP, mas é o gênero humano. Uma vez feita essa recusa, acaba chegando a hora do castigo.

Na hora do castigo nós achamos natural, achamos cabível — e é natural, é cabível — que a Providência ainda dê vislumbres de convites e de capacidades para nós retomarmos o processo que nós interrompemos. E como é que é então esse processo, essa retomada de processo? E se nós negarmos essa retomada de processo, como é que as coisas se passarão?

Existe aqui, portanto, um dado novo acrescido à pergunta que vocês deram e que é o seguinte: não há apenas um certo caminho até ao qual a Providência andou em parte conosco e depois a partir daí uma hora em que Ela rompe conosco, mas existe um trecho de estrada ainda misto em que a Providência começa a nos açoitar estabelecendo períodos de ruptura crescentemente maiores, mas recortando esse período de ruptura, por sua vez, com hiatos de misericórdia como quem diz:

Veja, meu filho, ainda tem tal possibilidade, ainda tem tal coisa assim, você veja se pega, se aproveita, etc., ainda minha misericórdia se abre um pouco para você. Procure aproveitar, e tal, tal.”

É o dado novo que entra dentro da questão posta pelo Guerreiro.

Agora, essa visão ainda vai dentro de mais o seguinte.

Nesses dados: “o que é que você deveria ser, o que eu gostaria que você fosse”, entra também uns restos, uns laivos, que em algumas almas restam, daquilo que elas não chegaram a ser o que eram e que são também ocasiões em que a Providência ainda chama, ainda convida, ainda atrai. Depois isso não dá resultado e acabou-se.

* Qual é a diferença entre o regime de graças que veio até aqui e o que vai daqui para frente?

Então qual é a diferença entre o período que veio até aqui e o período que vai daqui para frente?

É que no período que veio até aqui, esses convites da Providência para serem de um determinado modo, eram convites estáveis, constantes, permanentes, ora mais intensos, ora menos intensos, mas ininterruptos.

Aqui não, eles passam a ser por hiatos.

Depois, por outro lado, nesse convite feito pela Providência, anteriormente entrava de nosso lado também uma espécie de continuidade de uns aspectos de alma pelos quais nós queríamos pertencer a Deus, e que esses laivos continuavam continuadamente, e daqui por diante eu creio que vai haver numerosas pessoas que já não têm esses laivos de maneira contínua, mas de maneira descontínua.

(Sr. Gonzalo: Não pertencendo a Deus.)

Não pertencendo.

(Cel. Poli: Isto é o gênero humano, mas especificamente nós, não é?)

É o gênero humano, mas é mais especificamente a Igreja Católica, e acaba sendo mais especificamente nós dentro da Igreja Católica.

Agora, o que é difícil de explicar aqui — que eu vou tentar explicar, mas eu não sei se encontrarei termos adequados para fazer essa explicação porque é difícil explicar — é o seguinte:

* Uma metáfora que explica o que a Providência gostaria que nós fôssemos e que nós não somos

O que é que a Providência gostaria que nós fôssemos e que nós não somos?

Você toma uma variedade de instrumentos de músicas, e com esses instrumentos você pode ter uma orquestra que está funcionando, uma fanfarra que está funcionando.

Agora, é diferente o órgão. O órgão não é uma fanfarra, ele tem um conjunto de notas musicais, um conjunto de teclados que formam entre si uma relação parecida com a dos instrumentos de uma fanfarra entre si, mas no órgão existe uma coisa qualquer por onde cada teclado como que se funde com os teclados imediatamente seguintes, formando mais do que uma simples harmonia entre eles, uma espécie de síntese de teclados que são como um teclado superior, como uma nota superior que funde aquilo tudo para alguma coisa mais alta. E você poderia conceber uma série de teclados superpostos uns aos outros formando uma pirâmide de teclados, dos quais no auge haveria apenas um número de teclado próprio ao órgão. Mas isto iria subindo em pirâmide.

Eu não sei se eu explico bem a coisa.

(Sr. Gonzalo: Está claro sim, senhor.)

Então imagine todos esses teclados funcionando nesta harmonia em ordem, você teria uma música de uma elevação, de uma seriedade, de uma bondade mútua, de uma afinidade mútua de um teclado para com outro, que chegaria a uma coisa difícil de descrever como auge de bondade, auge de nobreza, auge de seriedade, auge de afabilidade, auge de ordenação e auge de gravidade. É uma coisa muito grave. Embora cabendo nesse conjunto teclados de uma doçura, de uma suavidade, de um tom prateado exquis, mas que seria secundário. O que dominaria esse conjunto musical seria uma coisa nova que não se imagina bem o que é que é.

Essa hipótese está clara?

(Sr. Guerreiro: No fundo poderia ser a música para que Nosso Senhor ouvisse e se deleitasse.)

* Não há alma humana que não tenha possibilidades de, fazendo um esforço sobre si mesmo, ter uma grandeza, uma seriedade, uma totalidade e uma possibilidade de déploiement fantástica

Exatamente.

Acontece que cada alma humana quando ela anda bem, é um arqui-teclado assim. Não há alma humana que não seja um arqui-teclado assim e que não tenha possibilidades de, fazendo um esforço sobre si mesmo e aproveitando todas suas as possibilidades, ter uma grandeza, uma seriedade, uma totalidade e uma possibilidade de déploiement fantástica, mas que as pessoas não gostariam. Esse arqui-teclado seria recusado. E ele é que daria bem o tom da alma formada segundo nos pede, a meu ver, Nossa Senhora nas atuais circunstâncias.

Nós todos fomos convidados em determinado momento a pertencer, a ser um arqui-teclado, e ao mesmo tempo nós compreendemos que nós teríamos uma atração muito grande e um poder muito grande se nós fôssemos assim.

* Motivos pelos quais nós não aceitamos ser o que a Providência esperava de nós

Mas nós entendemos também que há alguma coisa espalhada pelo demônio no mundo moderno pelo qual se nós fôssemos assim, nós seríamos os grandes rejeitados, os grandes exilados, postos à margem, e que, portanto, se tratava de nós não sermos assim e sermos uma coisa diferente.

Por que é que seria diferente? Seria um pedaço desse teclado. Quer dizer, termos certos acordes disso, certas harmonias disso, mas não irmos além disso — primeiro ponto.

Em segundo lugar, com uma nota de júbilo muito marcada a todo o momento, a todo o propósito, de júbilo, de gracejo, de ideal, de brincadeira, que seria a nota dominante disso, e então todos nos fundirmos num teclado assim, hollywoodiano, feito do prazer, do gosto, etc., etc., e que se nós nos fundíssemos neste, encontraríamos no conjunto das almas humanas o nosso verdadeiro habitat. Ali nós encontraríamos os nossos verdadeiros irmãos, as coisas que são verdadeiramente afins conosco. Nós não teríamos toda essa gravidade, toda essa majestade, tudo isso nós não teríamos de fato, mas nós teríamos toda a brincadeira, todo [inaudível], toda a folia que nos colocaria como participantes do grande carnaval geral.

Nós, por que razão recusamos esse grande teclado?

É porque ele pediria de nós um exercício simultâneo de todas as notas. E, portanto, uma espécie de trabalho contínuo com aplicação constante, com formas de beleza capazes de empolgar constantemente, que seriam o contrário do hollywoodiano. E nós então nos demos à escola hollywoodiana de teclado. E não quisemos outra coisa.

Naturalmente, o teclado da Bagarre Azul era dentro disso um teclado autônomo que era um universo assim. E nós queríamos isso e não queríamos outra coisa senão isso.

E essa situação fez-nos ser aceitos até certo ponto, viciou-nos em ser assim, e causou-nos uma espécie de pânico de sermos segundo o grande teclado.

A Providência quer de nós que nós joguemos o jogo de teclado imenso e total.

* Pelo fato de nós não termos tido uma fidelidade integral, estando junto do SDP nos sentimos atraídos pela integridade, mas ao mesmo tempo repelidos porque queremos a futilidade

No momento em que eu falo isso produz em vocês um determinado efeito, um efeito que tem que ser necessariamente de um certo remorso pelo convite não aceito. Mas de outro lado também, uma espécie de alegria por esse convite não ter sido aceito, e ficar a folia dos teclados parciais inteiramente à mão da gente. E com toda a irresponsabilidade, a ligeireza, a irreflexão e a gargalhada inerente a essa outra posição. De maneira que há um desacordo fundamental que é inútil não conhecer.

Eu tenho procurado ser afim com esse arqui-teclado, e aí vocês encontram, no convício com esse arqui-teclado, muito da casa paterna que rejeitaram. Mas não encontram muito dos lugares de absurdos, de desvios que lhes causa alegria. E então eu ao mesmo tempo posso atrair, mas repilo. E nisso está o entregar-se ou não a Nossa Senhora.

(Sr. Gonzalo: É uma coisa excelente que o senhor diga isso.)

* Haverá um momento, na Bagarre, em que os aspectos grandiosos do universo vão parecer tão grandes, tão extraordinários, que a pessoa compreende que ou é aceitar aquilo ou prevaricar

É indispensável.

E depois haverá um momento, na Bagarre, em que os aspectos assim grandiosos do universo vão parecer tão grandes, tão extraordinários, que a pessoa compreende que ou é aceitar aquilo ou prevaricar. Bem, muitos vão prevaricar, alguns outros vão aceitar, esses fundarão o Reino de Maria.

(Sr. Guerreiro: O senhor poderia explicitar um pouco a natureza da problemática moral que o senhor coloca dentro dessa frase “aspectos tão grandes do universo”?)

Quer dizer o seguinte: quando nós virmos — aliás, você vê isso no Sofonias, muito — quando se virem aqueles castigos tremendos, esses castigos terão o seu pulchrum próprio e uma beleza própria, ao mesmo tempo de trazerem consigo o seu horror próprio. Mas tudo isto são acordes do tecladão, e acordes que entram na alma, ficam e que tomam conta da alma quando a alma quer.

* Dentro da TFP não houve nem uma recusa total nem uma aceitação total do SDP; e tem que haver, na Bagarre, uma punição pelo não aceito e um prêmio pelo que foi aceito

Agora, nós poderíamos dizer que dentro da TFP o convite para o teclado total tem sido contínuo. Não houve para os que continuaram dentro da TFP uma recusa total, mas não houve também uma aceitação total. E tem que haver dentro do castigo uma punição por esta coisa não aceita e um prêmio por esta coisa aceita.

(Sr. Gonzalo: Que linguagem boa é essa, é benfazeja essa linguagem do senhor.)

É indispensável.

(Sr. Guerreiro: E sobre essa punição pelo que não foi aceito, para a correção das nossas almas, o senhor poderia exemplificar um pouco para nós, para quando ela chegar nós [a] amarmos e não [a] rejeitarmos?)

A questão é que para essas coisas a gente tem que encontrar metáforas muito precisas, porque do contrário a coisa leva a breca.

* Coisas pelas quais poderemos passar, na Bagarre, por castigo de nossa falta de integridade

Uma outra coisa que é parecida com a metáfora do arqui-teclado, são os ruídos do mar. O mar tem dias em que ele está bonito e a gente ouve bruuurruu! e depois volta, anda, etc., etc., variado, harmonioso, grandioso.

Mas pode haver alguns tipos que gostariam mais do mar sem tanta grandeza, que gostariam de certas harmonias que emite o mar, por exemplo, no momento em que as ondas começam a voltar para trás, em que aquilo pode ser visto como integrante bonito da harmonia total. Mas de si, tomado em separado, ele é quase feio, é a retirada.

Então, indivíduos entre nós podem preferir a retirada do que o barulho conjunto das águas do mar. E pode acontecer que Deus misture nesses ruídos, vaivéns do mar, que Ele misture também cacofonias criadas pelos disparates das pessoas que estão mandando, e que daí decorra uma soma de sons e de contra-sons terrível.

Eu não sei se está claro.

(Sr. Guerreiro: Está muito claro.)

E nós devemos estar prontos para aceitar umas coisas e recusar as outras.

(Sr. Guerreiro: Já que é uma reunião tão grave e tão cheia de bondade do senhor, porque o senhor está nos advertindo para uma realidade a qual nós temos insistido em fechar os olhos, o senhor não podia especificar um pouco que ordem de castigo corretivo a Providência podia nos encaminhar?)

Eu tenho a impressão de que se pode ver em certas coisas da natureza o arqui-teclado rugindo para fazer sentir a cólera de Deus. Quer dizer, esse teclado universal não é apenas feito das disposições propícias de Deus, mas há um teclado da cólera que é o teclado propício mas posto no universo. Então seriam sons, seriam rugidos, seriam formas, seriam coisas ao oposto daquilo que nos tem atraído, e que nos incutirá medo, nos incutirá horror, nos incutirá vontade de sermos de modo diferente. São coisas diversas.

* Analogia entre as visões de uma princesa alemã a respeito das almas do purgatório e situações pelas quais poderemos passar na Bagarre

Eu vou dar um exemplo do qual eu não gostei muito quando me falaram da coisa. Mas é de um livro que está no São Bento e que foi parar no São Bento pelos cuidados de um frade franciscano que habita no Rio de Janeiro e chamado frei Romualdo, é um frade alemão.

Eu, aliás, posso mostrar a vocês o livro que está aqui.

Esse livro contém as memórias ou a biografia de uma princesa de qualquer coisa da Alemanha que a gente vê que é daqueles estadinhos assim, menores do que os estados mais pequenos, se se pode dizer. Mas corresponde, em todo caso, a uma grande situação: é uma princesa.

Ela tinha visões a respeito das almas do purgatório. As almas do purgatório apareciam a ela sob a forma de animais repelentes que eram essas almas e com todos os defeitos que os pecados veniais incutiam nelas, e elas eram, portanto, animais mal cheirosos, com formas asquerosas, hediondas, etc., etc., que essas almas conservavam durante todo o tempo de sua expiação. O serem assim era uma parte integrante de sua expiação.

Mas a essa princesa fora dado o dom de abreviar essas expiações, aceitando de entrar em conversa com essas almas boas que caminham para o Céu, mas que estão reduzidas a esses estado de feiúra, de horror, e de essas almas serem recebidas pela princesa e serem agradadas, tratadas amavelmente, etc., apesar de todo o horror que elas causavam. E algumas até quererem ser pegas fisicamente pela princesa, abraçadas e tratadas assim de um modo muito especial apesar delas serem pecadoras. E elas, às vezes, chegavam perto da princesa e pediam para serem tratadas assim. E a princesa tomava tais nojos delas e dizia que até lá ela não podia ir. E as almas então insistiam, etc., pediam, e afinal a princesa acabava se vencendo e acabava abraçando essas almas e tal. E com isto muitas dessas almas tinham o seu período de prova encurtado ou até suprimido de todo. E daí iam para o Céu, etc.

Eu acho que nos será… Eu não gosto muito dessa metáfora, há qualquer coisa que eu acho meio heterodoxo dentro do negócio, imaginar almas que estão em estado de graça, que se destinam para o Céu e que estão nesse estado de horror, me parece uma coisa meio contraditória. Mas eu não chego a dizer que isso seja heterodoxo, eu fico com uma suspeita de heterodoxia, mas admito a possibilidade de haver uma coisa mais ou menos assim mesmo.

Nossas almas, em todo caso, durante o período da Bagarre podem deixar ver aspectos horríveis desses, mesmo para nós que estamos em estado de graça, e aí as outras pessoas nos tratarem como se nós fôssemos esses bichos horrendos e haver um convívio pavoroso a esse respeito. E no fim e ao cabo, acabando por se libertar de todas essas coisas que deveriam [se] libertar.

* Durante a Bagarre pode haver lances em que nossos defeitos nos levam a agir com mil erros e aí nós vemos tudo de horrível que nos espera, e nisso haja uma forma de tormento horrível

Então você pode imaginar arrebentar uma guerra, você estar dentro dessa guerra, mas você acabar vendo-se como a Providência lhe veria… — eu quis ser amável e não me exprimi bem — vendo-se como a justiça de Deus lhe veria, claramente, etc., você vê isto totalmente assim. Se não se tratasse de você, tratasse de um outro, vamos falar em tese portanto, podia ser que o ver-se a si mesmo causasse a você uma espécie de desagrado profundo, e de tormento quase supremo.

Bem, durante a Bagarre pode haver lances, circunstâncias, momentos em que nossos defeitos nos levam a agir com mil erros e nós vemos tudo de horrível que nos espera, e nisso haja desde já uma forma de tormento que é verdadeiramente horrível.

(Sr. Guerreiro: Nós de tal modo nos deformamos, que vai ser inevitável ações que vão nascer de nós deformadas e que produzam erros e malefícios.)

No fundo, podem produzir.

(Sr. Guerreiro: Por causa do patrimônio mau que nós herdamos e que guardamos conosco.)

E aumentando por nossas ações.

(Sr. Guerreiro: É tremendo.)

É bem isso. Quer dizer, se nós quisermos analisar as coisas seriamente, independente da propriedade dessa metáfora, no fundo acaba sendo isso. E isso é uma coisa tremenda.

O que é que há meu coronel?

(Cel. Poli: Eu estou achando que o senhor está muito cansado. A reunião está espetacular, mas…)

Que horas são?

(Sr. Guerreiro: Duas e quinze já.)

Duas e quinze? Não, vamos tocar um pouquinho mais, conforme for eu digo…

* A ação de Deus sobre nós vai ser de por meio do espetáculo de Sua cólera corrigir-nos de nossas não correspondências

Isto, se você olha para trás, para nosso período que veio até aqui, você verá que nós tivemos, todos, momentos em que a beleza de nossa vocação desapareceu e com isso a beleza de nossa alma, e que nós sentíamo-nos contentes com o que éramos, etc., etc. São os afagos de Deus, os estímulos de Deus para que nós melhorássemos.

Mas nós havemos de ter momentos em que nós lembramos que tivemos horror de nossas almas, medo da justiça de Deus, etc. É o outro lado da coisa.

E a ação de Deus vai ser de por meio do espetáculo de Sua cólera corrigir isto. Isso seria a visão essencial da coisa.

Por que é que me olha assim tão atento, meu filho?

(Sr. P. Roberto: É que nós já sentimos um pouco isso, porque nas horas em que olhamos para nós e que nós vemos alguma responsabilidade que pesa sobre nossos ombros, a gente vê essas lacunas que nós temos e sentimos isso que o senhor está dizendo. E vamos sentir de uma maneira muito mais intensa durante a Bagarre.)

É fora de dúvida.

E depois nós também sentimos isso vendo os defeitos dos outros.

(…)

E nós acabamos sendo os bichos horrendos que nós achamos heterodoxos a princesa de qualquer coisa imaginar. É pesadíssimo o negócio.

(Sr. Gonzalo: É muito tarde, senhor, já.)

Eu quero terminar perguntando um pouco a cada um.

Para você, meu Gonzalo, você tinha mais alguma coisa a dizer?

(Sr. Gonzalo: Não, não, senhor. É só agradecer ao senhor e pedir que o senhor continuasse tratando assim, e muito grato pelo que o senhor está fazendo.)

Eu queria comunicar a vocês, mas sobre reserva, que…

(…)

* Durante a Bagarre vai se tornar mais fácil a compreensão de tudo que vai acontecer

(Sr. P. Roberto: … durante a Bagarre vai se tornar mais fácil a compreensão de tudo que vai acontecer.)

É, eu acho que sim, que fora disso não se entende nada e não se aproveita nada.

E você, meu Paulo Henrique?

(Sr. Paulo Henrique: Também tenho a agradecer. […])

E você meu Guerreiro?

(Sr. Guerreiro: Agradeço imensamente e também pedir ao senhor que nos fizesse a bondade de continuar nessa temática.)

Eu pergunto o seguinte… eu ia dizer alguma coisa que me escapou.

Bem, e você meu Horácio?

(Sr. Horácio B.: Também, somente agradecer e esperar que continue com este tema.)

Muito bom.

E o meu coronel?

(Cel. Poli: O que eu tinha a dizer é que a razão pela qual nós vivemos é o senhor, e que então não é só pedir perdão, porque isso é evidente, mas pedir que o senhor tenha misericórdia e seja como sempre foi, pai nosso e que nós sejamos filhos do senhor.)

Está bom, meu filho. Que Nossa Senhora nos ajude para tudo isso.

Meu Mário!

(Sr. M. Navarro: Muito obrigado, senhor.)

Dormes, meu Márioo?

(Sr. M. Navarro: Não, senhor.)

Vamos então…

Você queria dizer alguma coisa, meu filho?

(Sr. M. Navarro: Não, senhor, muito obrigado.)

Então vamos realmente andando porque eu estou muito cansado.

Há momentos minha Mãe…

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