Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
19/6/93 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 19/6/93 — Sábado
O que é que vem a ser a concórdia entre as pessoas? * “Mamãe e eu nos queríamos tanto bem, mas em matéria de alimentação tínhamos dissonâncias veementes” * Quando há consonância até nas menores coisas, isto alimenta ainda mais a concórdia * Quanto mais alto é o ponto de união, tanto maior é a amizade * A graça acentua a personalidade, mas ela estabelece um vínculo especial porque, naquela coisa individual que aquele tem, entra uma luz de Deus que ilumina por dentro * O superior tem uma certa necessidade de alma de ver-se refletido no inferior, e o inferior tem uma certa necessidade de alma de ver-se projetado no superior * O mapa da afetividade no dia de hoje poderia ser esse: um galinheiro onde o galo e as galinhas são todos cegos e vivem esbarrando uns nos outros, numa desordem medonha
(Sr. Gonzalo: […] Eu estava lendo umas revelações do Sagrado Coração de Jesus à sor Josefa Menéndez. Em uma das partes, o Coração de Jesus diz uma coisa muito bonita: “Que o Centurião Cornélio me glorificou muito, porque à humildade ele acrescentou uma forte confiança. E ele conhecia meu coração”. Eu achei esse apanhado…)
Muito bonito.
(Sr. Gonzalo: A Senhora Dona Lucilia conhecia muito o coração do senhor, e vice-versa.)
Sim.
(Sr. Gonzalo: Há um modo de comunicar com o senhor que é de cabeça a cabeça, mas há um outro que é de coração a coração e que é muito superior. Então, o desejo nosso seria conhecer o coração do senhor para poder estar com o senhor nesta hora e em todas horas que virão pela frente. Não sei se sobre isso o senhor poderia estender um pouco, porque a meta dessa reunião está muito em adquirir essa união de coração. Mas é mais, porque o senhor dizia no sábado que é uma benquerença, uma consonância meio “apriorística” que produz esse relacionamento desinfestado, fácil e de gosto de estar com o senhor.)
E sem receios, confiantes.
(Sr. Gonzalo: O que fazer, dado nossa infidelidade atual, para poder consolar um pouco ao senhor nessa situação? Não sei se a problemática está clara? E se o senhor tem algo a dizer nesta linha.)
Está clara sim. Sim e com muito gosto, mas fixando bem determinados pontos para a gente se entender bem a respeito disso.
* O que é que vem a ser a concórdia entre as pessoas?
O que é que vem a ser ─ a palavra é tão comum, mas ela é muito bonita quando a gente recorre à etimologia dela ─ o que vem a ser a concórdia entre as pessoas? Quer dizer, ter um coração com o outro. Cordis é o coração. A concórdia é ter essa consonância de coração. Vamos dizer, uma só unidade de coração.
* Para que haja uma verdadeira concórdia é preciso que sejam almas límpidas: almas que não têm confusão interior, que são claras para si mesmas e sabem o que querem e na ordem em que querem
É preciso ver a coisa da seguinte maneira. Para que haja uma verdadeira concórdia é preciso que sejam almas límpidas. Nesse sentido da palavra: almas que não têm confusão interior, que são claras para si mesmo e sabem o que querem e na ordem em que querem as coisas. Quer dizer, almas que desejam certas coisas como o bem supremo dessa vida, mas que desejam claramente e [que] sabem por que é que desejam. E, portanto, querem ordenadamente esse bens. E encontrando outras almas que são concordes com elas, quer dizer, que querem os mesmos bens ordenadamente pelas mesmas razões, e bens supremos, elas sentem uma mútua semelhança. Esta mútua semelhança é que forma propriamente a concórdia.
Quer dizer, gera a identidade de convicções, mas essa identidade de convicções gera uma espécie de ordenado bem-querer de todas as coisas, parecido com o bem-querer do outro. E fazendo com que, portanto, haja entre ambos uma concórdia a respeito de todas as coisas da vida e, sobretudo, a respeito das coisas da Igreja e a respeito das coisas do Céu, de maneira tal que um pode se dizer o espelho do outro, e reciprocamente. Aí existe verdadeiramente concórdia. E essa concórdia comporta, naturalmente também, alguma coisa que não é puramente teórico, que é pessoal, mas que é conseqüência dessa concórdia teórica.
Quer dizer, as pessoas podem, por exemplo, o quê?
Eu vou recorrer a coisas inteiramente secundárias: gostar das mesmas marcas de vinho; gostar do mesmo tipo de lenço; gostar do mesmo tipo de distração, etc., etc., por um fenômeno de concórdia, porque no fundo há um estar unido de gosto e de coração, por estar unidos nos princípios supremos.
(Sr. P. Roberto: Se estende às coisas mais…)
* As almas que têm concórdia são consonantes, ou seja, seus afetos, seus gostos, etc., facilmente têm consonância
Exatamente. Se estende e estende largamente. Se estende sem prisão, sem jugulação de uma pessoa à outra, mas livremente, por uma verdadeira consonância. Quer dizer, duas notas de música que tocadas juntas são harmônicas, a gente pode dizer que elas são consonantes. As almas que têm concórdia são consonantes. Quer dizer, seus afetos, seus gostos, etc., facilmente têm consonância. Embora haja legitimamente em alguns pontos divergências até estridentes de coisas de segunda ordem. Mas isso é inteiramente de segunda ordem mesmo.
* “Mamãe e eu nos queríamos tanto bem, mas em matéria de alimentação tínhamos dissonâncias veementes”
Vamos dizer, por exemplo, mamãe e eu nos queríamos tanto bem. Mas em matéria de alimentação tínhamos dissonância veementes. Eu era muito propenso à culinária européia, e ela gostava enormemente da culinária brasileira. Algumas coisas da culinária brasileira eu gosto muito, por exemplo, cuscuz, vatapá, esses pratos assim eu gosto bem, bastante até, mas uma porção de coisas que ela gostava, nesse sentido de mandioca, uma história chamada mais ou menos “aipo”…
(Sr. Gonzalo: Aipim.)
Aipim. Eu não sei bem como é esse aipim…
(Cel. Poli: É a mesma coisa que mandioca.)
É a mesma coisa que mandioca?
(Sr. Paulo Henrique: É o nome nordestino parece da mandioca.)
(Cel. Poli: Ou gaúcho. Eu conheci mandioca por aipim.)
(Sr. Paulo Henrique: É, no Nordeste é macaxeira.)
Macaxeira é mandioca no Nordeste. É, isso consona com o que eu tenho ouvido.
Mas umas certas coisas… ela gostava muito de uma frutinha chamada tamarindo, que eu não sei se vocês conhecem. Você conhece tamarindo, meu Horácio.
(Sr. Horácio B.: Em Campos tem tamarindo.)
Em Campos.
É, mas é uma frutinha de lo último, recusável ─ no meu modo de entender ─ recusável com veemência e desdém.
(Sr. Horácio B.: Ela gostava do mel também.)
Mel também, ela gostava muito de mel.
(Sr. Horácio B.: E o senhor não gosta.)
Não gosto de mel, eu acho que todo mel tem gosto de madeira.
(Sr. Gonzalo: É fabuloso isso.)
Agora, pelo contrário, não preciso dizer, as coisas da culinária européia…
(Sr. Gonzalo: [“Vol-au-vent”?]…)
[“Vol-au-vent”?], nem me fale.
(Cel. Poli: Mas ela gostava da culinária européia também?)
Gostava. Mas ela gostava das coisas européias sem… é difícil definir… (…)
* Quando há consonância até nas menores coisas, isto alimenta ainda mais a concórdia
(Sr. P. Roberto: Embora nas pequenas coisas também possa haver dissonância, mas isso não seria uma coisa universal.)
Exatamente, de tal maneira que comportava consonâncias enormes também nesse ponto.
Mas por incrível que seja, a verdade é a seguinte: que quando há consonância até nas menores coisas, isto alimenta ainda mais a concórdia.
(Sr. P. Roberto: Dentro da Contra-Revolução será que nós podemos ter essa liberdade de mesmo em coisas secundárias, vamos dizer de ter um gosto diferente do senhor, parece-me meio perigoso.)
Eu acho que sim porque isso dá numa segurança de juízo, suporia uma segurança de juízo contra-revolucionária que nem sempre nós temos, de maneira que acabamos gostando de coisas que não deveríamos gostar.
De maneira que por uma questão de “orto-política” na atual situação, não vale a pena fazer. É pelo menos como eu vejo a coisa.
(Sr. Gonzalo: E depois essa consonância nas pequenas coisas ajuda muito das grandes.)
Ajuda nas grandes, é fora de dúvida.
Mas há certos casos em que a amizade pode afirmar-se perfeitamente sem prejuízo das dissonâncias. Há modos de ser, de amizades, etc., etc., que comportam isso. Se é verdade que a concórdia absoluta é muito bela pela unidade que ela reflete, um certo dégager por onde a consonância tem comodamente dissonâncias sem ter medo que ela se agrave, porque no essencial a consonância é colossal, tem também sua beleza. São modos de ser.
(Sr. P. Roberto: São coisas que se equilibram no espírito da Igreja.)
Exatamente. De maneira que a gente chega à conclusão seguinte: qual é a razão dessa consonância? Qual é a razão dessa amizade? É exatamente isto que eu acabo de descrever.
* Às vezes, há um certo modo de ser de um outro que nos deixa desagradado e que a gente deve suportar para o bem da Causa, mas que de fato desagrada
Eu fiz o panorama da amizade, mas com uma nota especial: é que cada um de nós foi criado com uma nota psicológica própria, que Deus deu a este e não deu a nenhum outro. Isto é feito com todos os homens. E se a respeito dos tamarindos existem dissonâncias muito sérias, a respeito das psicologias humanas as dissonâncias são muito mais sérias do que a respeito dos tamarindos. E, às vezes, há uns certos modos de ser de um outro, que nos deixam desagradado e que a gente deve suportar para o bem da Causa, mas que de fato desagrada. (…)
* É preciso que haja uma certa afinidade toda pessoal que torna agradável e gaudioso o convívio, mesmo quando é um convívio que passa por cima de algumas dissonâncias legítimas
Agora, a questão é a seguinte: para que isto dê certo, entra dentro disso um elemento pessoal que é a afinidade pessoal, que é uma coisa que se acrescenta a isto, que não é indispensável na amizade, mas que tem seu papel quando existe. Quer dizer, a amizade se faz pelo comum amor a Deus e, portanto, à Santa Igreja Católica. Esta é a base da amizade, porque tudo quanto eu disse só existe, quando existe isto.
Mas acontece que cada um de nós foi dotado por Deus por qualidades pessoais que são características daquela pessoa e de mais ninguém. Desde que o mundo é mundo até o momento em que ele deixa de ser mundo, como um de nós, não aparecerá outro. É como uma coleção. Deus faz uma coleção em que os espécimes não se repetem. E é preciso que haja uma certa afinidade toda pessoal, que torna agradável, torna gaudioso o convívio mesmo quando esse convívio é um convívio que passa por cima de algumas dissonâncias legítimas que devem ser assim.
Então, é muito bonito que duas pessoas se queiram na Igreja e no Sagrado Coração de Jesus, no Imaculado Coração de Maria, se queiram vencendo dissonâncias que são puramente optativas e individuais. Há uma nobreza especial dentro disso. Mas há uma outra nobreza que é de não haver dissonância nenhuma. E é preciso saber remar nas duas águas, de maneira que se encontrem uma possibilidade de passar por cima de bagatelas, e outra circunstância em que as bagatelas não separam.
(Sr. P. Roberto: Isso na mesma pessoa?)
De uma pessoa a outra.
(Sr. P. Roberto: Sim, mas a pessoa pode ter dissonâncias e ao mesmo tempo consonâncias…)
Com outra.
* Quanto mais alto é o ponto de união, tanto maior é a amizade
É claro que quanto mais alto é o ponto de união, tanto maior é a amizade, isso é liqüido, aparecem menos as dissonâncias e se vence mais rapidamente. Mas não é só não, é que aquele ponto de amizade, aquele ponto mais alto cria uma amizade mais consonante, de uma consonância mais ativa, mais profunda, e que é indispensável para o comum das coisas.
Não sei, se estiver muito teórico…
(Sr. Gonzalo: […] Por exemplo, nas campanhas, em geral, as diferenças entre nós diminuem muito.)
Sim.
(Sr. Gonzalo: Pelo perigo, por estar na ação concreta. Agora, quando se trata de uma coisa mais elevada ainda, que é essa união que o senhor está falando, isso desaparece mais.)
Exatamente.
(Sr. Gonzalo: E a graça também, quando a gente não está ajudado pela graça, as dissonâncias aparecem mais e é mais difícil vencê-las. Mas quando há muitas consolações, a consonância é muito maior.)
* A graça acentua a personalidade, mas ela estabelece um vínculo especial porque, naquela coisa individual que aquele tem, entra uma luz de Deus que ilumina por dentro
Não só isso, meu filho, mas ela têm por objeto uma coisa mais unitiva que é o seguinte. É que a graça que Deus dá a cada um de nós, é uma participação na vida d’Ele, mas é uma participação de nós na vida d’Ele, de tal maneira que a vida que Ele nos dá, e que incide sobre nós, esta vida é, por assim dizer, muito personalizada em nós, e que se nós amamos a graça que Deus deu ao nosso irmão ou a nosso filho, nós amamos o que nele existe de mais íntimo, porque ali que pousa a graça e que o que é mais ele, nele, aparece mais.
(Sr. P. Roberto: A graça não despersonaliza.)
Não, não, ela acentua a personalidade, mas ela estabelece um vínculo especial porque aquela coisa individual que aquele tem, entra ali uma luz de Deus que ilumina por dentro. Mais ou menos como por exemplo num abat-jour ─ estou vendo um abat-jour aqui ─ a luz elétrica que entra não despersonaliza o abat-jour, mas pelo contrário, ressalta. Assim também a graça quando entra em nós.
Então, quando a gente ama verdadeiramente a Deus notando a Deus num outro, a gente ama a graça de Deus que está no outro, e o outro enquanto sendo o abat-jour iluminado por esta graça. E aqui é que nós temos propriamente o ápice da verdadeira amizade.
(Sr. Paulo Henrique: Aí é que entra aquela trilogia: enlevo, veneração e ternura, e também a teoria do assumir. O superior assumindo o inferior, o inferior não perde suas características, pelo contrário, elas são ressaltadas na medida em que ele se deixa assumir pelo seu superior.)
Isso, tal e qual.
(Sr. Paulo Henrique: No caso nosso com o Fundador tem que ser assim.)
Tem que ser, do contrário é uma Ordem religiosa inexplicável.
(Sr. Paulo Henrique: Uma dissonância aí não se explica, porque uma vez que há dissonância, não há esse assumir. Uma pessoa que é assumida nunca vai afinar com essa pauta.)
Não vai, e ali é impossível.
Agora, isso cria um tipo de relação que é maior do que qualquer relação humana… Esses tipos que a gente escreve uma carta: caro amigo! tereté.
O “caro amigo” não é… ahahahaha! Só serve para o cabeçalho da carta.
(Sr. Paulo Henrique: A verdadeira amizade só se explica por aí, por um ideal religioso e por amor a Deus.)
Só. Religioso e por amor a Deus. No fundo é o amor a Deus. E o modo concreto desse amor a Deus, é amar Deus enquanto vivendo no outro e brilhando no outro.
* O superior tem uma certa necessidade de alma de ver-se refletido no inferior, e o inferior tem uma certa necessidade de alma de ver-se projetado no superior
(Sr. Paulo Henrique: Em outras palavras, o senhor está repetindo aquelas teorias do enlevo, veneração e ternura.)
É, e depois é isso mesmo, porque há enlevo, há veneração e há ternura nesse tipo de amizade.
(Sr. Paulo Henrique: Com reciprocidade do superior para com o inferior e também algumas dessas características do inferior para com o superior.)
Mais ainda, o superior tem uma certa necessidade de alma de ver-se refletido no inferior. E o inferior tem uma certa necessidade de alma de ver-se, vamos dizer assim, projetado no superior.
(Sr. Paulo Henrique: Por que o senhor não usou “assumido pelo superior”, mas projetado?)
Porque são coisas distintas um pouco, há um matiz entre uma coisa e outra e por isso eu não quis usar a expressão.
O projetado é no seguinte sentido: há uma alegria quando o inferior conhecendo seu superior, percebe que se ele, inferior, tomasse inteiramente a sua própria estatura, ele seria muito parecido com o superior. E isto dá nele uma alegria como quem vê que o projeto dele é o superior.
(Sr. Paulo Henrique: Ah sim. Eu estava vendo no sentido de refletido. Está claro.)
É projetado. Dá uma espécie de alegria. E essas são as coisas que constituem a amizade.
* Ainda que a gente não tenha um só amigo, é mais feliz em saber no que consiste a amizade e compreender que poderia ter esse amigo, do que a gente não compreender
Ainda que a gente não tenha um só amigo, é mais feliz em saber no que consiste a amizade e compreender que poderia ter esse amigo, do que a gente não compreender.
(Sr. Gonzalo: Não compreender e ter “n” amigos, não é?)
Exatamente.
(Sr. P. Roberto: A devoção que existe ao Sagrado Coração de Jesus, seria o sumo da amizade a Ele que poderia haver?)
O que é que tem?
(Sr. P. Roberto: Desde o início da Igreja, houve pessoas que compreenderam o Coração de Jesus, a mentalidade d’Ele..)
Foi.
(Sr. P. Roberto: Isso corresponde a um filão dentro da Igreja que seria o de melhor que haveria dentro d’Ela?)
Eu creio que sim. Eu não tenho muita certeza, mas creio que quando as revelações anteriores já à Santa Margarida Maria, já houve algumas revelações que falavam do Coração de Jesus e do Coração de Maria, Eles faziam entender um estilo de relações que é assim, pessoal nosso com Ele, ou nosso com Ela, e que é uma coisa toda especial.
(Sr. P. Roberto: E seria o modelo para esta amizade mais alta…)
Exatamente, o modelo perfeito.
* O mapa da afetividade no dia de hoje poderia ser esse: um galinheiro onde o galo e as galinhas são todos cegos e vivem esbarrando uns nos outros, numa desordem medonha
Agora, eu tenho muita pena quando vejo gente que não tem a menor noção disso, e que vive propriamente… Você imagine um galinheiro em que o galo e as galinhas fossem todos cegos, viviam se esbarrando uns nos outros, etc., numa desordem medonha. Isso é o mapa da afetividade no mundo de hoje.
É uma coisa do outro mundo, porque não se conhecem, não se interpretam, não se… nada! Eles simplesmente coexistem no galinheiro dos galos e das galinhas cegas. Não têm idéia do que é a alma do outro, como é que é o outro. Não quer ter, eles querem ter determinadas coisas concretas. Elas querem um automóvel, por exemplo. Ou eles querem uma posição, por exemplo, um lá quer ser embaixador, essas coisas assim, e isso é a vida para eles. É uma verdadeira tristeza uma vida assim.
(Sr. Horácio B.: Relação interesseira apenas.)
Inteiramente interesseira.
(Cel. Poli: Senhor, o nosso horário é do senhor, mas o senhor começou mais cedo a reunião hoje, o senhor não está cansado já?)
Não, meu filho, não estou cansado não. Que horas são agora?
(Cel. Poli: São duas horas.)
Pois então, tem tempo.
(Sr. Gonzalo: […] Nessa linha o senhor não teria alguma coisa a dizer?
(…)
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