Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 2/1/92 – Sábado – p. 8 de 8

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 2/1/92 — Sábado

Na minha longa vida não conheço um fim de ano tão extraordinário.” — Que intenção teria tido a Providência ao dispor disso? * Tudo parece indicar um desejo da Providência de nos fazer sentir que dias novos e diferentes estão chegando * Nós vamos receber de encontro a nós uma série de fatos que serão até certo ponto atos de misericórdia, podem também representar algum castigo * Se não caminharmos para a mudança radical de mentalidade, nós não teremos andado * O núcleo da graça do Grand-Retour tem que ser um toque em nossas almas por onde toda realidade contida nos propósitos da SE adquiram uma plenitude para todo o sempre * A graça do Grand-Retour parece ser uma coisa súbita e a breve prazo * A maior dificuldade do Grupo com o SDP é que em certo momento de nossa vida nós dissemos sim para a Revolução e não queremos até o fim, a Contra-Revolução sacral e hierárquica

Eles são bem hostis é?

(Sr. G. Antoniadis: São bem hostis.)

[…inaudível].

(Sr. G. Antoniadis: O pessoal do hotel parece que não entendeu o que era. Já estão tão acostumados que…)

(Cel. Poli: Os freqüentadores do restaurante.)

Vamos sentar.

(Sr. P. Roberto: Mas eles não tiveram coragem de forçar nada contra.)

O que não significa pouco.

(Cel. Poli: A idéia que eu tenho é que o senhor estava triunfando ali. Para bem ou para mal deles, eles não disseram nada e não tinham coragem de dizer nada.)

Mas é um número grande, hein. Três e três, seis. E três nove.

(Sr. Paulo Henrique: Eram seis.)

Vamos sentar, meus caros.

Não falei ainda com você, meu filho?

(Sr. Guerreiro: Uma bênção no segundo dia do ano é indispensável.)

Eu acho que já dei a bênção a todos.

Benedictio….

Mas e o menu qual foi?

(Cel. Poli: Eles têm um buffet de frios que se servem e estava bem bom. Peixes, carnes, etc.)

Mas olha, peixes nessa época do ano não é nada bom. É muito perigoso.

(Cel. Poli: Por que é perigoso?)

Porque apodrece muito. É muito difícil de vocês encontrarem peixes…

(Cel. Poli: Mas tinha muitas carnes também. […] Também tinha pratos quentes.)

Então servia-se à vontade.

Está bom, me contenta muito. E agora vamos tratar de outros assuntos.

* “Na minha longa vida não conheço um fim de ano tão extraordinário.” — Que intenção teria tido a Providência ao dispor disso?

(Sr. Gonzalo: O sr. Guerreiro tem uma pergunta para fazer ao senhor.)

Diga meu filho.

(Sr. Gonzalo: É a primeira reunião do ano.)

Primeira reunião do ano.

(Sr. Guerreiro: [Recorda as graças recebidas com as cerimônias de fim de ano, etc.] Enfim, o conjunto todo das cerimônias e dos textos que foram lidos nesse final de ano, todos sentimos muito que não houve um final de ano tão denso de graça, tão extraordinário quanto esse final de ano que nós tivemos.)

Realmente, na minha longa vida não conheço um fim de ano tão extraordinário.

(Sr. Guerreiro: Quem sabe que no fórum interno de cada um de nós, foi o final de ano de 67 com a graça da “Sempre Viva”. Mas depois disso nunca foi dado à TFP umas tais enxurradas de graças como foram dadas para nós nesse fim de ano.)

É bem verdade.

(Sr. Guerreiro: Foi-nos dado ver algo da missão do senhor, de modo tão denso, tão rico, que diante do quadro todos nós ficamos com uma dificuldade que queríamos pedir ao senhor que nos ajudasse nessa dificuldade que é a seguinte: […] se o senhor não pode fazer a interpretação…)

No meio houve também a morte do Petterssen. O enterro do Petterssen.

(Sr. Guerreiro: Formando um conjunto tal que nós sentimos esse conjunto de graças avassaladoras. Isso dá uma certa dificuldade de termos uma interpretação desse conjunto todo, e se o senhor não poderia fazer uma interpretação do que Nossa Senhora proporcionou à TFP e a nós, com vistas exatamente a esse ano que inaugura. […])

(Sr. Gonzalo: Essas graças vêm por um enfoque de tudo em função do senhor. A gente vê que tocar nesse ponto abre o coração de Nossa Senhora. Nossa Senhora tem uma espécie de zelo por esse ponto. […])

Meu filho, a pergunta é cheia de propósito. Mas a questão é a seguinte: para responder a essa pergunta a gente precisa encontrar um método, porque do contrário a gente se perde, precisa encontrar o método, fazer a justificação do método, por que é que esse método vai ser adotado e depois aplicar a questão.

O método acaba sendo o seguinte: nós devemos partir sempre de dados conhecidos para dados desconhecidos. É com base no conhecido que se chega a explicar o desconhecido.

Aqui o conhecido é exatamente um conjunto insólito e magnífico de fatos. O desconhecido é o nexo interno que reúne esses fatos e congrega os fatos uns aos outros.

(Sr. Guerreiro: E depois a intenção da Providência nos dando todo esse conjunto de fatos também.)

Pois é, equivale a essa mesma pergunta: a Providência que intenção teria tido ao dispor disso?

Você, de passagem, empregou a expressão em si correta, por que é que a Providência teria permitido tudo isso. Mas eu tenho certeza que você não exprimiu bem o que você queria dizer: é como Ela tinha disposto tudo isso. Porque não se tratava de fatos que na economia comum a Providência deixa passar, permite, é uma espécie de laissez faire, laissez passer, não é isso. É “dispôs”, porque são coisas que Ela dispôs muito sapiencialmente com esse fim. A impressão que eu tenho é de que a Providência quis nos fazer sentir pelo insólito desses fatos, e pelas circunstâncias de que eles se agruparam tanto em torno dos outros, e depois também outras circunstâncias é de que esses fatos tomados em si, considerados em função do outro, não têm muita relação um com outro.

* Tudo parece indicar um desejo da Providência de nos fazer sentir que dias novos e diferentes estão chegando

Então são fatos que se agrupam, insólitos, considerada disposição comum dos fatos, são insólitos porque não são fatos que naturalmente falando peçam para se agrupar uns com os outros. Isso tudo indica, ou parece indicar um desejo da Providência de nos fazer sentir uma só nota dominante: é que dias novos e diferentes estão chegando. Porque este dado se tira do que está, do que eu acabo de dizer. Tira-se com toda clareza, com toda segurança, e a meu ver até de um modo impressionante.

Então são fatos novos que indicam que dias novos, uma economia nova da Providência está chegando.

Agora, em se tratando dessa comunicação feita pela Providência à pessoas que há anos gemiam porque não acontecia nada de novo, e porque nada de novo se aproximava de nós, isso parece uma resposta ao nosso gemido. E, portanto, quer dizer: os fatos que vocês esperavam, ou fatos sumamente semelhantes a esses, e que se confundem com eles, que vocês esperavam, estão chegando.

Resta saber porque o aviso. Por quê a Providência avisa?

Ela avisa, ao que parece, antes de tudo num ato de misericórdia. Ela, compreendendo há quanto tempo nós estamos à espera disso, vendo nossa sede disso, Ela se apressa de maneira que o mais cedo possível a nossa sede seja aliviada. Então, é mais ou menos como uma mãe que sabe que ao longe vem pelo caminho o filho com uma sede única, e ela então manda na frente escravos com óderes, com vasilhas, enfim com tudo que antigamente se transportava água, de encontro ao filho. Ainda que seja uma distância pequena que a separa do filho, e portanto pequena a demora a mais que o filho tem que sofrer, ela é mãe, ela deseja que aquilo ele não sofra, então manda de encontro ao filho, servidores que levam a água e ele possa beber, dessedentar-se e continuar aquele resto do caminho. É o tipo da conduta materna fácil de explicar.

Há uma outra coisa dentro disso que é a seguinte: nos fatos que podem vir, podem ser que por alguns desígnios da Providência… Pode ser que a Providência tenha a intenção de expor as coisas de tal maneira que a gente não perceba logo que essas coisas que vêm são as que esperávamos. Mas vendo agora chegarem fatos novos, e novos de uma outra natureza qualquer que seja, nós devemos pelo menos desconfiar que se relaciona com os fatos que esperávamos.

* Nós vamos receber de encontro a nós uma série de fatos que serão até certo ponto atos de misericórdia, mas podem também representar algum castigo

(Sr. Gonzalo: E aí estão fatos bons ou também ruins?)

Uma coisa e outra. Quer dizer, nós vamos receber de encontro a nós uma série de fatos que serão até certo ponto atos de misericórdia, [mas] podem também representar algum castigo. Pois não há razão nenhuma para a Providência ter querido que o bonzinho do Petterssen se oferecesse para um castigo tão atroz, um castigo terrível, e ele que era inocente, e que a nós não atinja nenhum castigo, a nós que talvez sejamos nocentes.

Eu acho que tudo isso é lógico. É a meu ver, até totalmente lógico.

A Providência quer que a gente em alguma medida perceba o que é que é a expiação necessária, a expiação bem vinda, o purgatório atrás do qual está o céu, e pode ser que seja uma punição maior. Nós não podemos saber. Incerta et occulta tua non manifestatis mihi. É evidente.

Agora, eu teria uma certa tendência — mas vejam bem, eu teria, no condicional — uma certa tendência, portanto, é uma tal ou qual tendência, uma coisa que eu não sei bem se é uma tendência, mas enfim, eu teria uma certa tendência a admitir que seria alguma coisa de misericordioso e alguma coisa de punitivo preparatório para o Grand-Retour. Pelo menos para um começo de Grand-Retour.

* Se não caminharmos para a mudança radical de mentalidade, nós não teremos andado

Não sei se será falta de fantasia de minha parte — eu tenho muito pouca fantasia — mas o que é que será, e o que é que não será. Mas eu imagino o Grand-Retour como uma coisa em ponto evidentemente menor, basta dizer que não haverá a presença de Nossa Senhora, a presença física de Nossa Senhora não haverá no Grand-Retour, para compreender quanto é menor, enquanto Ela em Pentecostes estava presente Ela mesma, e presidindo aquela reunião. Mas enfim, basta isso para compreender a diferença abissal entre uma coisa e outra. Mas vamos deixar de lado e considerar só o seguinte:

Que uma conversão simultânea de tanta gente e tão completa que seja, vamos dizer, o que eles chamam de metanóia, quer dizer, uma mudança de mentalidade — porque é disso que se trata — se não caminharmos para a metanóia, quer dizer para essa mudança radical de mentalidade, nós não teremos andado. Não adianta também a gente estar querendo fazer digressões que omitam a metanóia.

Então se se trata de caminhar em direção à metanóia. É difícil não imaginar que tanta gente receba ao mesmo tempo essa graça e que essa graça se dê em ponto menor, mais modesto, mas não de um modo insignificante nem de um modo corrente, mas de um modo muito notório, é impossível não imaginar que essa graça se dê de um modo esplêndido, e nós em conjunto.

Eu não quero dizer daí que devamos estar necessariamente juntos fisicamente. Mas que se dê ao mesmo tempo, por exemplo, no mesmo dia ela se dê nas várias cidades onde nos encontremos, então se o meu caro Luis Daniel estiver em não sei em que lugar dos Estados Unidos, e o meu caro Mario idem em outro lugar, e daí para adiante, e outros, outros e outros…

(Cel. Poli: E nós em São Paulo.)

E nós em São Paulo…

Eu acho que eles receberiam ao mesmo tempo que nós a conversão, o Grand-Retour, de tal maneira que se inter-telefonassem e logo ao abordar a conversa já seria: “o senhor também recebeu essa graça? O senhor também? Mas olha eu acabo de receber um telefonema de tal lugar e de tal lugar, etc., etc., até as Filipinas, Cebu, etc., em qualquer lugar, as ilhas Falklands, o que for. Que tudo isso fosse coberto pelo manto de Nossa Senhora. Mais do que isso eu não consigo ver.

O que é que viria depois?

Antes de dizer alguma coisa sobre o que é que viria depois, eu perguntaria se o que eu disse lhes faz sentido, lhes parece que vai, etc.

Você, meu Paulo Roberto?

(Sr. P. Roberto: Acho que está muito bem, é isso mesmo. Como o senhor dizia da morte do sr. Petterssen, que veio junto um sofrimento com essa consolação que houve, e que então são das duas coisas que são os componentes do…)

Do evento. Sendo de notar que em Pentecostes não houve isso. Houve alegria pura.

(Sr. Guerreiro: Mas é porque tinha havido o sacrifício de Nosso Senhor antes também.)

Aí é que está, aí é que está.

Você, meu Edwaldo, o que é que diz a isso?

(Dr. Edwaldo: Teria que haver nessa graça uma participação enorme da presença do senhor de um jeito ou de outro.)

Eu creio que sim. Eu creio que sim.

E você, meu Horácio?

(Sr. Horácio B.: Tem que ter um momento em que caiam as escamas de nossos olhos e vejamos como o senhor é. […])

Se a Contra-Revolução passando pelo Grand-Retour não sair do Grand-Retour apressada, não houve Grand-Retour, porque a falta de pressa é um sinal de moleza que seria incompatível com a autenticidade do Grand-Retour.

E você, meu jovem?

(Sr. G. Antoniadis: Já está tudo dito, senhor.)

E o meu Mario?

(Sr. M. Navarro: Está claro.)

E meu caro guerreiro?

* O núcleo da graça do Grand-Retour tem que ser um toque em nossas almas por onde toda realidade contida nos propósitos da SE adquiram uma plenitude para todo o sempre

(Guerreiro: O senhor acabou de falar do Grand-Retour, […] na graça do Grand-Retour, o núcleo dessa graça tem que ser um toque dela em nossas almas por onde toda a realidade contida nos propósitos da SE adquiram uma plenitude para todo o sempre.)

Para todo o sempre e para tudo. Para o que der e vier e para todos efeitos. Não se pode imaginar que pese uma hipótese de condicionalidade sobre qualquer coisa disso. Não seria o fruto do Grand-Retour.

(Sr. Guerreiro: Depois eu poderia fazer uma pergunta sobre isso?)

Pode fazer.

Você meu Paulo Henrique?

(Sr. Paulo Henrique: Está claro, senhor. Eu acho que é exatamente isso que vem satisfazer o chamado que tivemos ao conhecer o senhor. […])

É, a questão é sermos fiéis. Deve nos tocar essa graça, de maneira que uma fidelidade que parece quase impossível ser inteira, se realize inteiramente com naturalidade.

(Sr. Paulo Henrique: Claro, porque nem arcabouço para isso nós temos.)

É.

E você meu Merizalde?

* A graça do Grand-Retour parece ser uma coisa súbita e a breve prazo

(Sr. Merizalde: Está muito claro. E dá para perceber o imediato da hora que chegou. Porque não é para uma espera mediana.)

Não, não, parece que é para uma coisa súbita e a breve prazo. Parece. Não se pode garantir, mas parece. Não se pode garantir mas parece.

E você, meu coronel?

(Cel. Poli: Está claro.)

Qual era a sua pergunta, meu filho?



(Sr. Guerreiro: …)

(…)

* Comentários sobre a imagem de São José.

(Cel. Poli: O senhor podia ver essa estatueta da Serra da Piedade?)

Na sua dignidade, na sua placidez, na sua resolução. Eu não sei se notam que é um varão que não tem nada de irresoluto. O que ele resolveu está resolvido e vai ser feito. Mas não tem nada assim de macanudo que quebra o bastão em cima da cabeça do sujeito que não fizer o que ele quer, etc. Não é isso, é uma outra coisa, não tem nada de Mussolini, por exemplo. Muito casto. E notem — não sei se querem pegar um pouco para poder ver bem — a confiança com que o Menino Jesus [inaudível].

(Sr. Gonzalo: É uma coisa prodigiosa.)

(Sr. P. Roberto: Encostado no rosto de São José.)

Mas com uma confiança a perder de vista. Abandono.

(Sr. Paulo Henrique: Ele está muito…)

Ele está a bem dizer, régio. Um carpinteiro régio.

(Sr. Paulo Henrique: Como não se via nas imagens que o representavam.)

(Dr. Edwaldo: O curioso com São José é que os esclarecimentos dos enigmas sempre foi com sonhos. Ele nunca teve uma aparição, pelo menos relatada, na vida. Quer dizer, ainda poderia ficar dúvida se o sonho era…)

O que é essa aparição?

(Sr. Gonzalo: Muito bonito.)

Eu acho modelar.

(Sr. Guerreiro: Tudo que o senhor comentou na Reunião de Recortes sobre a nobreza, está magnificamente bem ilustrado aqui.)

Vai tão, tão bem que eu estou pensando em pôr no livro da nobreza.

(Cel. Poli: Essa imagem?)

Essa imagem.

O que me pareceu aqui interessante é o seguinte: olhando esse varão, que é inteiramente um varão, por exemplo a idade dele qual é? É um homem velho segundo a lenda? Não é. É um homem que está, pelos meus cálculos, trinta e poucos anos, na força da idade.

(Cel. Poli: Deve ser porque Nossa Senhora casou com ele com 15 anos.)

Tudo isso são lendas, não se tem certeza, mas pode-se se presumir isso.

(Cel. Poli: Ela já está no máximo com trinta anos.)

No máximo. Podia se calcular trinta e três, trinta e quarto.

Só há uma coisa aqui que do ponto de vista artístico eu não gosto muito. Mas o ponto de vista artístico é perfeitamente secundário nessas coisas, mas enfim, tem isso. Eu até pensei em telefonar para a Serra da Piedade e falar com eles. Aqui está o bastão com a flor de lys, você está vendo. É curioso que o que tinha me desagradado eu não estou encontrando aqui. A meu ver é isto aqui. Aqui é uma linha um pouco reta demais, um pouco mais de flexibilidade teria sido mais agradável. Olha aqui, você vê, um pouco mais de flexibilidade talvez fosse melhor. Mas é pouquinha coisa. Tão pouca coisa que eu tenho medo de indicar.

(Sr. Paulo Henrique: Eu gostaria de ver.)

É esta aqui e até certo ponto esta. Um pouco mais de flexibilidade. (…)

* A maior dificuldade do Grupo com o SDP é que em certo momento de nossa vida nós dissemos sim para a Revolução e não queremos até o fim, a Contra-Revolução sacral e hierárquica

Do ponto de vista teológico me parece que é irrepreensível o que você disse. Mas me parece também que no caso concreto — daí a minha perplexidade — é que tanto quanto minha observação dá para ver, não é uma objeção a ser tratada com misericórdia por mim que cria a maior dificuldade do entendimento entre nós. Eu acho que a maior dificuldade é criada pura, secamente e friamente em face disto: eu quero a Contra-Revolução sacral, hierárquica, etc. E nós não queremos isso, ou queremos por alto, não queremos até o fim, porque não gostamos, porque em certo momento de nossa vida nós dissemos sim para a Revolução que é o contrário. E expulsar esse ato de adesão nós não queremos.

(Sr. Gonzalo: Mas para obter essa graça…)

Isso é outra questão.

(Sr. Gonzalo: Será por ato de energia nosso? Não é possível.)

Não, não.

(Sr. Gonzalo: […] Isso parece ser um ato de pura misericórdia.)

É, é.

(Sr. Gonzalo: E há um fechamento para que essa misericórdia saia.)

É isso. Mas a meu ver não é tanto pela birra contra a misericórdia enquanto tal, porque a gente percebe que aí, o que você chamou muito bem de porcaria sai, e a gente não quer que saia. Essa é a impressão que eu tenho.

(Sr. P. Roberto: Isso corresponde à uma espécie de bruxedo do demônio que tem havido num dado momento? Porque a Bagarre Azul foi uma espécie de anestésico que houve e que o demônio conseguiu uma espécie de “emprise” sobre o Grupo que daí o nosso desinteresse… Agora, isso foi devido a quê? Era uma coisa que já existia em nós, ou que veio de fora?)

Eu acho que existia nos membros do Grupo, e quando eles foram chamados para o Grupo, eles já poderiam ter dito um sim mais completo, e já não disseram. Saiu uma coisa assim…. Quando veio a SE, bisou-se o negócio.

(Sr. P. Roberto: A aceitação não foi completa.)

Não foi completa. Teria tido que haver um momento em que essa fidelidade encontrasse um esbarrão. E encontrando esse esbarrão, era preciso que houvesse uma fidelidade então contra o esbarrão. E aliás, eu creio que concretamente o esbarrão foi esse: eu vou me sujeitar à uma autoridade enorme, e essa autoridade que no momento me inspira confiança, não inspira tal confiança que eu não tenha medo que de repente ele abuse desse poder.

(Sr. P. Roberto: É um fundo de igualitarismo que não foi esmagado.)

Não foi esmagado.

(…)

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