Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 3/10/92 – Sábado – p. 4 de 4

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 3/10/92 — Sábado

Comentando a Reunião de Recortes: eu nunca anunciei de modo tão positivo, o advento da era da América Latina na História Universal * A raça latina sobrevive sobretudo na América do Sul. O futuro dela é sobretudo a América do Sul, que é o futuro da Igreja * Um enjolras do Uruguai manda um licor francês de presente ao Senhor Doutor Plinio

* Comentando a Reunião de Recortes: “eu nunca anunciei de modo tão positivo, o advento da era da América Latina na História Universal”

(Sr. Gonzalo: [Faz uns comentários sobre a Reunião de Recortes] Desde que o senhor entrou no auditório, o demônio levou uma trancada e não pode mexer-se muito lá dentro. Isso obedeceria a algum desígnio da Providência, alguma coisa assim? […])

Eu suspeitei de alguma coisa nesse sentido, pelo número de pessoas que falavam da reunião, que estava muito boa, que isso, que aquilo. Mas eu não tive a menor suspeita de que tivesse se passando esse fato. Julguei que eu estivesse menos fluente do que de costume, e julguei que a reunião estava ligeiramente uma sub-reunião.

(Não!)

Nesse sentido. Eu sabia que estava uma reunião decente, graças a Deus. Mas a questão é que foi a primeira vez que eu dei uma porção de pormenores a respeito de minha visualização da América Latina, e do papel da América Latina no conjunto da Revolução e da Contra-Revolução. Isso tinha fundamento, tinha nexo com várias coisas ditas por mim em outras ocasiões. Mas metodicamente eu nunca expus a coisa assim, e nunca anunciei de tal maneira de modo tão positivo, o advento da era da América Latina na História Universal.

(Sr. Gonzalo: E havia uma graça nisso.)

* A raça latina sobrevive sobretudo na América do Sul. O futuro dela é sobretudo a América do Sul, que é o futuro da Igreja

Eu não quis dizer porque podia ofender — vocês podem imaginar como eu não quereria isso — mas podia ofender algumas pessoas mais proximamente descendente de europeus, do que eu que descendo muito remotamente de português. Mas a verdade é o seguinte: a raça latina sobrevive sobretudo na América do Sul. O futuro dela é sobretudo a América do Sul, que é o futuro da Igreja. E compreende-se que a raça latina esteja mais marcada pela Igreja do que as outras raças, pela mesma razão pela qual a Itália é mais marcada pela presença da Igreja do que as outras nações; e na Itália, Roma é mais marcada do que as outras cidades. Quer dizer, [são] coisas que estão numa certa ordem divina das coisas e não sei porque não se aplica às raças também.

E que existe um vôo da raça latina, um vôo de inteligência que corresponde ao que eu disse. Os outros podem ser corredores que correm velozmente, nós voamos, é uma coisa verdadeira.

(Sr. Gonzalo: Isso foi muito pisado pela Revolução.)

Ocultado de todos os modos. Assim como por exemplo, a Espanha e Portugal eram nações castigadas pela Revolução por causa da fidelidade à Igreja, até que eles resolveram, encontraram bastante amolecido aquilo para pôr esse dinheiro dentro e apodrecer, assim também a raça latina é uma raça castigada pela Revolução. Eles fazem o possível para valorizar outras raças e deixar de lado a raça latina. O que eles fazem para valorizar os índios, os negros e outras raças, e o que eles fazem para pôr os latinos na sombra é uma coisa fantástica.

(Sr. Gonzalo: É bonito que a vingança venha de um latino, especialmente. E de um latino da península mais castigada. E de uma pessoa de São Paulo e Pernambuco que também a seu título são muito castigados. São Paulo foi enormemente castigado.)

Enormemente. E depois a riqueza de São Paulo, a ex-riqueza de São Paulo, poderia parecer um não-castigo. Com esse argumento dir-se-ia que a riqueza atual da Espanha e Portugal não é castigo. É o contrário, há um momento em que o enriquecer é castigo.

(Sr. P. Roberto: Aquela oposição que o senhor fez entre a bondade e o caos, é uma coisa que me parece que é a primeira vez que o senhor falava.)

Mas é mesmo. E assim uma série de coisas. Mas que me foram ocorrendo no momento. Agora, eu fico contente de vocês dizerem essas coisas, porque podem ser tomadas como um discreto indício da Providência, de que Lhe apraz que isto seja visto assim, e seja recebido assim, etc. Pode ser tomado assim.

(Sr. Gonzalo: Nós temos duas perguntas…)

Diga quais são.

(Sr. Gonzalo: Tem nexo com isso. A primeira…)

(…)

* Um enjolras do Uruguai manda um licor francês, de presente ao Senhor Doutor Plinio

(Sr. Horácio B.: … manda para mostrar ao senhor.)

O que é isso?

(Sr. Horácio B.: Um licor que se chama Chambord. E que tem toda uma…)

Acenda um pouquinho aqui para eu ver.

(Sr. Horácio B.: Uma garrafa que eu acho muito bonita.)

Chambord. É interessante sim. Liqueur Royal de France.

Mas é bonita a garrafa. Olha aqui, como isso aqui é bonito.

(Sr. Horácio B.: Parece a esfera do império britânico. E tem uma frase muito bonita aqui também…)

(Sr. Gonzalo: O que está dentro é fenomenal!)

É gostoso isso?

(Sr. Gonzalo: Uuuff! É licor, mas é extraordinário. É de um aroma de framboesa que é uma maravilha.)

É!

(Cel. Poli: O senhor quer que abra?)

Mas isso de que cor é?

(Sr. Gonzalo: O vidro é incolor, o licor é avermelhado.)

É uma maravilha.

(Sr. Gonzalo: Se o senhor deixar aberto no quarto, fica o quarto todo…)

Mas diminui o gosto que tem dentro.

(Sr. Gonzalo: Não, mas o senhor não vai tomar, porque é muito doce.)

Umas gotinhas com um médico perto…

(Sr. Gonzalo: É delicioso! É delicioso! Absolutamente delicioso!)

(Sr. Horácio B.: E depois essa frase, o senhor me permite ler?)

Sim.

(Sr. Horácio B.: “Au temps glorieux du roi Luis XIV, la noblesse du France sejournais dans ce chateau, où était donné de grand festin, glorieusemente acompagné de liqueur elegante. […])

É uma música, uma música.

(Sr. Horácio B.: Isso aqui tem flores de lys.)

Não, Chambord é uma evidente alusão ao conde de Chambord.

(Sr. Gonzalo: Ou ao chateau.)

Não, não, não é ao conde de Chambord.

(Sr. Gonzalo: Mas é extraordinário, depois se o senhor tomasse uma gotinhas, o senhor vai gostar muito. É delicioso. É verdadeiramente delicioso.)

Você já conhecia isso?

(Sr. Gonzalo: O sr. Fernando Antúnez trouxe para mim uma garrafinha desse tamanho assim… mas eu estou me deliciando ainda com a garrafinha, porque realmente é extraordinário.)

Que coisa interessante.

Bem, mas isso é para voltar para as caves do Grupo do Uruguai.

(Sr. Gonzalo: É um presente para…)

(Sr. Horácio B.: Não, não, é um presente para o senhor.)

Oh! Isso qual dos Burones é?

(Sr. Horácio B.: É um dos mais jovens, chama Luis Burone. Eu peço agora uma recomendação especial para ele.)

Você precisa me dar depois um cartãozinho numa coisa o nome dele para eu escrever uma cartinha agradecendo. Isso é evidente.

Mas ele é dos Burones mais importantes, que dirigem o Grupo?

(Sr. Horácio B.: Não, não.)

É um enjolras?

(Sr. Horácio B.: É um enjolras.)

É preciso escrever uma coisinha para ele, ele […inaudível]. É evidente.

Mas, mas, eu vou guardar isso no meu quarto, ouviu?

(…)

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