Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
2/11/91 – Sábado – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 2/11/91 — Sábado
O que levou o Senhor Doutor Plinio a instituir o pedido do Grand Retour nas orações; Uma idéia que já estava pensada há muito tempo mas faltava uma ocasião * A jaculatória que foi feita não satisfaz a nossa devoção para com Nossa Senhora, temos que acrescentar, uma fórmula que sem tirar a concisão seja bonita: “Pelo Imaculado Coração de Maria, vossa Esposa nós vô-Lo imploramos”
Infelizmente, eu acho que ninguém, se nós não convocarmos ninguém convoca.
(Sr. Gonzalo: Mas o senhor lança como hipótese?)
Como hipótese. Expliquei um pouquinho a eles como era a história, etc., e disse que podia ser que fosse possível fazer uma cruzada, etc. Eu fiz a coisa com cuidado para não virem dizer que estamos pregando a violência. Defendendo os católicos, etc., ta-ta-tá, entende? E a enjolrada ficou contente, levantaram-se para bater palmas, etc., etc.
(Sr. Gonzalo: Nessa profecia de São Vicente de Paula fala do senhor, do varão que fundará a ordem religiosa dos…)
É muito bonito aquela…
(Sr. Gonzalo: Define muito a pessoa do senhor. Ele disse que uma das coisas que se farão primeiro será a destruição dos maometanos, para depois destruir tudo que há de ruim dentro da igreja.)
Como é o negócio?
(Sr. Gonzalo: Ele disse que será primeiro, uma guerra de extermínio completo contra os muçulmanos e depois então, seria uma guerra de extermínio de tudo o que na Igreja Católica anda mal, que não ficará nada…)
Ah, isso é uma coisa magnífica, heim!
(Sr. Gonzalo: O senhor não se lembra deste trecho especular?)
Não, não. Há muitas anos atrás eu li este trecho, mas não agora. Eu li, mas a questão é que depois isso…
Mas então, qual é o nosso tema de hoje, meu caros?
(Sr. Gonzalo: A questão que queríamos que o senhor tratasse um pouco seria o pedido do Grand-Retour que o senhor fez…)
Hoje à tarde.
(Sr. Gonzalo: O senhor chegou e a primeira coisa que o senhor disse foi isso.)
Sim, porque dizia respeito às orações.
(Sr. Gonzalo: …)
(…)
* O que levou o Senhor Doutor Plinio a instituir o pedido do Grand Retour nas orações
Você ia dizer alguma coisa, meu Paulo Roberto?
(Sr. P. Roberto: Apenas para pôr no gravador.)
É exatamente isso, eu tinha idéia de pôr na oração alguma coisa que fosse no sentido de pedir graças especiais a Nossa Senhora para aquela reunião, tendo em vista que o auditório me parecia preparado para isto em virtude do fato de que na noite anterior eu tinha falado a respeito das intervenções do demônio e aquele giga-joga do estado de espírito como era, etc., e me pareceu que receberam razoavelmente, com seriedade. Então, eu achei que era bom excogitar uma fórmula. Não encontrei nenhuma fórmula que me satisfizesse inteiramente e de vez em quando durante o dia, nos intervalos de tempo de que eu podia dispor, eu pensava um pouco nisso, assim des lambeaux, assim por farrapos, e não consegui nada disso. Mas também não era uma coisa tão importante eu nessa reunião tratar disso. Eu podia arranjar uma coisa qualquer e propor para ali. Mas a idéia que estava ali, era a idéia de pedir uma ação do Espírito Santo especial para aquela reunião.
(Sr. Gonzalo: Para a de hoje?)
Não, não, para as reuniões de sábado, em vista da razão que eu declarei há pouco. Agora, depois, à medida que o automóvel foi se aproximando da sede do Praesto Sum, veio-me a idéia de que bem poderia ser uma coisa mais ampla, e pedir a Nossa Senhora o Grand-Retour, então subindo muito de nível, o quadro do noticiário geral, dos acontecimentos gerais, etc., etc., pedindo não apenas uma interferência especial do Divino Espírito Santo para aquela reunião, mas pedindo um Grand-Retour que comportaria aquilo e incomparavelmente mais do que aquilo. E essa idéia… “Bom, mas então como pedir isto? Eu não encontro outra forma senão, no momento, Emitte Spiritum tuum, et creabuntur. E é melhor eu propor uma fórmula provisória à espera de uma fórmula definitiva do que não propor nada, vamos começar rezar isso já.
Você está vendo que a idéia de rezar pedindo o Grand-Retour estava ultra maturada pelos fatos dos acontecimentos se apresentarem com uma gravidade muito grande. Estava, portanto, ultra maturado, faltava só qualquer coisinha para eu pedir. Esta coisinha foram estes fatos que serviram — para usar a expressão clássica entre os historiadores — não serviram de causa mas de ocasião. A diferença de expressão é muito boa, e indica muito a coisa. Foi uma boa ocasião para eu e pedir o que pedi. Quer dizer, foi uma coisa que se passou com muita simplicidade, muita normalidade.
Você dirá: “Mas o senhor não faz nada sem pensar.”
* Uma idéia que já estava pensada há muito tempo mas faltava uma ocasião
A questão é que a coisa estava ultra pensada, há muito tempo que de vez em quando eu penso na idéia de lançar um pedido especial do Grand-Retour. Mas para lançar esse pedido especial era preciso ter uma espécie de proximidade do fato. Não podia ser pedir o Grand-Retour que estava ligado na nossa concepção, muito ligado cronologicamente à Bagarre, Reino de Maria, pedir quando nada fazia supor a proximidade da Bagarre e do Reino de Maria, não teria propósito. A sensação e a intelecção de que essa proximidade tinha chegado, estava em todas as minhas reuniões, faltava portanto, alguma coisa, uma ocasião, para eu fazer o que eu fiz.
(Sr. Gonzalo: A madurez desses fatos é em termos, porque senão o senhor teria pedido antes também?)
É, é verdade, mas aí entrou uma coisa que é a seguinte: eu poderia ter pedido antes, mas eu não teria certeza plena de que era hora de pedir. Eu só queria fazer um pedido desses assim, quando eu tivesse certeza plena da hora, e eu adquiri a certeza plena da hora no último período. Por que razão? O Grand-Retour é uma graça tão grande que a gente poderia compreender em rigor que ele fosse pedido com um ano, dois anos, dez anos de antecedência. Mas há um feeling qualquer que me levava a impressão de que não era esse o caso, que deveria ser pedido com certo nexo histórico mais próximo, e à vista disto, eu que julgava que em rigor de teologia poderia ter sido pedido antes, em virtude desse feeling não pedi. Agora, veio a idéia de que estamos nesse caso.
Mesmo assim nós estamos nesse caso em que termos?
Quer dizer, eu acho que pode haver ainda algum recuo feito pelo demônio, mas na incerteza em que nós estamos, que inconveniente há em ter pedido? Desde que o pedido foi prudente e se realizou quando havia essa conexão. Embora essa conexão sumisse nas nuvens por fatos ultra-supervenientes, no momento em que eu pedi ela estava posta aos olhos de todos, e eu então fiz o meu pedido. Uma coisa muito razoável, muito ponderada.
(Sr. Guerreiro: […] O senhor acabou de dizer que pode ser que o demônio volte atrás, mas então qual é propriamente o desenho, o relevo desse quadro que o senhor acabou de levantar a hipótese do demônio voltar atrás? Fundamentalmente ele é constituído pela possibilidade de invasão da Europa pelas hordas de…)
Maometanos e de eslavos.
(Sr. Guerreiro: Esse é propriamente que constitui o grande elemento de razão que levou o senhor então a fazer este pedido a Nossa Senhora.)
É a iminência desses fatos, propriamente.
(Sr. Guerreiro: Não seria, portanto, uma atitude da Igreja, ou de um personagem da Igreja que teria levado o senhor a fazer isso…)
Não!
(Sr. Guerreiro: É uma situação do quadro geral Civilização Cristã…)
Isso, da nossa Causa, da Revolução.
(Sr. Guerreiro: Mas que vai se dar sobre o quadro principalmente da sociedade temporal…)
Sim, no primeiro momento sim; mas da parte dos maometanos está tomando o caráter de uma perseguição religiosa do tempo dos romanos, claramente por razão religiosa, porque eles são maometanos e nós somos católicos, eles matam os nossos porque são católicos. Ali, portanto… E outra coisa, já no noticiário que eu li, há uma referência a uma queima de igrejas, etc., etc. Quer dizer, é uma revolução temporal e espiritual porque os maometanos não admitem a distinção entre espiritual e temporal.
* Os muçulmanos não têm uma igreja, eles têm ondas de furor, emissões de cóleras satânicas, que dão um unum de movimento a eles
(Sr. Guerreiro: O senhor chegou ler alguma coisa sobre se das religiões que existem a religião mais igualitária é o maometanismo?)
Não me consta isso.
(Sr. Guerreiro: Eu li uma coisa sobre essa matéria, que é a estrutura religiosa mais…)
Estrutura religiosa sem dúvida, isso sim. Nem há propriamente uma igreja muçulmana. Quer dizer, essa idéia nossa de uma igreja… nós pensamos que um Ulema, por exemplo, ou um Yathola são uma espécie de padres lá deles. Mas não é verdade, eles não têm uma igreja propriamente, eles têm ondas de furor, emissões de cóleras satânicas, etc., etc., que dão um unum de movimento a eles. Mas eles tinham alguma coisa assim do tempo dos califados.
Os califas eram chefes espirituais e temporais ao mesmo tempo, à maneira de Papas-Imperadores. Mas os califas, primeiro havia um só califa que eu acho que era em Meca, não me lembro bem. Mas depois foram se dividindo e chegou a haver 4 califados. E esses califados meio hostis uns aos outros, até com guerras, etc., etc. E com heresias ali dentro. Quer dizer, divergências a respeito de pontos da história de Maomé, e do que é que Maomé disse, do que não disse, etc., esses califados não estavam inteiramente de acordo sobre vários pontos. Eles não levavam a ruptura ao ponto que nós levamos com os protestantes, mas eles tinham suas frinchas religiosas mais ou menos como a IO.
Sabe que a IO não é una. A gente daqui tem a impressão que ela é una, mas aqueles bispos, etc., têm opiniões divergentes e não tem ninguém que mande neles para acertar as opiniões.
Agora, achei que foi uma coisa notável que eu tenha falado hoje à noite, aos enjolras, de uma cruzada pela primeira vez
(Sr. Paulo Henrique: Não é uma coincidência é muito interessante que o senhor tenha dito isso.)
Eu acho que sim.
(Sr. Paulo Henrique: Aquela jaculatória que o senhor deu é muito bonita, embora o senhor tenha dito que é provisória… A terra tem que ser renovada pelas mãos da Providência. […] Eu creio que tenha muito propósito a jaculatória que o senhor propôs.)
* A jaculatória que foi feita não satisfaz a nossa devoção para com Nossa Senhora
Ela tem para mim um defeito, é que ela não menciona expressamente a Nossa Senhora. E o onde Nossa Senhora não está expressamente mencionada, se supõe porque nós acreditamos firmemente na verdade de fé que é pecador mortal pôr em dúvida da mediação universal, de maneira que nós pedindo, entende-se que estamos pedindo por meio de Nossa Senhora. Mas isso não satisfaz a nossa devoção para com Ela. Nós queríamos que numa oração tão solene, o nome d’Ela fosse mencionado e com aquele hiper realce que faz parte da hiperdulia.
(Sr. Paulo Henrique: Esta oração tem que ser feita pelo senhor, porque de fato eu creio que não existe.)
* Temos que acrescentar, uma fórmula que sem tirar a concisão seja bonita: “Pelo Imaculado Coração de Maria, vossa Esposa nós vô-Lo imploramos”
Não, nós temos que acrescentar a essa coisa, uma fórmula que sem tirar a concisão seja bonita.
Vamos dizer o seguinte: “Pelo Imaculado Coração de Maria, vossa Esposa nós vô-Lo pedimos”. Então poderia ser assim, a pessoa que está puxando as orações diria: Emite Spiritum et creabuntur. Todos os outros diriam: et renovabis faciem terrae. E depois todos diriam juntos, o que está puxando e os outros: “Pelo coração Imaculado de Maria vossa Esposa nós vô-Lo suplicamos”. Aí me satisfaria. Assim mesmo foi agora, na conversa, que eu limei direito a coisa como eu queria. Mas seria preciso alguém que nos traduzisse para o latim. Possivelmente o Renato podia fazer essa tradução. Quem sabe até, meu filho, se você toma uma nota. Você mora lá com ele, não é?
(Sr. P. Roberto: Moro sim.)
Pois então.
(Sr. Paulo Henrique: Ele é latinista também.)
Paulo Roberto, e verdade, é latinista. Aprendeu latim em Amparo. Então se você sabe fazer, não precisa ir mais adiante. A gente não deve pedir aos outros o que a gente sabe fazer.
(Sr. P. Roberto: Não é tanto assim.)
Então, “Pelo Coração Imaculado de Maria, vossa Esposa… até põe assim: “Pelo Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, vossa Esposa, nós vô-Lo imploramos”.
(Sr. Gonzalo: Seria mais bonito que o senhor dissesse a primeira parte, e nós respondêssemos: “Nós vô-Lo imploramos!”
Não, o que seria muito bonito seria se nós pudéssemos imaginar o auditório dividido em dois coros. Então nós teríamos três vozes: seria a minha, a do coro do lado direito, e a do coro do lado esquerdo. Ficaria mais bonito. É questão de adaptar um pouco mais o que está aí. Aí eu acho que ficaria muito bem.
(Sr. Gonzalo: É um grandíssimo dia, porque o senhor nunca fez isso assim.)
É, eu acho que é.
* Um recado para a estrutura: “Nós estamos pensando na cruzada. Não se metam porque nós estamos presente nesse tema.”
Agora, o que tem é o seguinte. Há fatos que talvez tenham pesado um tanto — mas não creio — no meu espírito, que foram os seguintes.
Há o que eu li daqueles morticínios na Nigéria, mas há outros fatos que vieram de um grafonema do Fernando Teles a mim, dizendo que ia mandar uma espécie de pacotes assim, pela VARIG, uma qualquer companhia de avião deles lá, para cá contendo documentos muito importantes sobre a perseguição religiosa no mundo maometano que ele tinha obtido. E daí me vem a idéia exatamente, que eu preciso conversar com o Cônego José Luis, de mandar rezar uma missa numa igreja qualquer aqui da arquidiocese — o Cônego José Luis tem o uso de ordem na arquidiocese — mandar rezar uma missa por alma dos católicos… Mas era matéria paga, e então nós daríamos o resumo das matanças. Diríamos: “E por causa disso a SBDTFP manda rezar uma missa de igreja de tal, etc., etc., etc., e convida todos os católicos solidários com esse fato para presenciarem, etc., etc.”
(Sr. Paulo Henrique: Primeiro a glória de Deus, mas depois vinha um recado para o Vaticano quanto para eles lá.)
É, e aqui, no fundo, queria dizer o seguinte: “Nós estamos pensando na cruzada. Não se metam porque nós estamos presente nesse tema.” Porque isso a nunciatura mandava, heim!
(Sr. Paulo Henrique: Eles recortam isso…)
Ah, não, olha aqui, isso aqui… está compreendendo.
Mas bonito seria se nós fizéssemos dizer que isto é feito em uníssono, ou em consonância com as TFPs de tais lugares. Quer dizer, tinha uma espécie de apelo geral. Seria muito, muito, bonito.
Agora, tem o seguinte: é que isso é cheio de complicações…
(Cel. Poli: Nem para o senhor João?)
(…)
As profecias designando…
(Sr. Gonzalo: Não, não é para gravar.)
(Sr. P. Roberto: Mas o Senhor Doutor Plinio disse que podia.)
Mas meu filho, daqui a pouco nós vamos ter que desgravar de novo. (…)
*_*_*_*_*