Conversa
de Sábado à Noite (Êremo do Amparo de Nossa
Senhora) – 13/10/91 – Domingo – p.
Conversa de Sábado à Noite (Êremo do Amparo de Nossa Senhora) — 13/10/91 — Domingo
O SDP descreve seu próprio temperamento * A placidez favorecendo a lógica, o desejo das últimas conseqüências, o senso do absoluto, o amor à grandeza * “Une froide et redoutable colère”, sobretudo “redoutable”: o desejo de reduzir o adversário a nada! * Inocência e pureza “degagée”: elementos do bem-estar interior * Durante uma reunião, os discípulos devem retificar seu temperamento de acordo com o do Fundador * O apego à mediocridade e ao “establishment” conduzem ao abjeto estado de indiferença diante das graças que Nossa Senhora nos concede * A influência da SDL contraria a ação do demônio e prepara as almas para o “Grand-Retour”
…como a Providência arranja as coisas de um modo inesperado. Eu tinha combinado com vocês de fazerem essa reunião aqui, etc., e hoje depois do almoço, mais ou menos assim a essa hora, me veio a idéia de que vocês viriam à noite, e faríamos a reunião.
E começou a me passar pela cabeça uma série de pessoas que não fazem parte do círculo, mas se sentiriam no caso de ser convidadas… (…)
* Qual o temperamento ideal para o profetismo?
(Sr. Guerreiro: Parece que o temperamento do senhor, naturalmente foi muito regulado de modo a favorecer muito a missão e todas as graças que Nossa Senhora tinha dado ao senhor para o profetismo. Perguntamos se isso é assim? E depois outra questão que é todo o papel da temperança modelando o temperamento para que esta graça do profetismo pudesse atuar com inteira fecundidade. Qual é o temperamento ideal para a vocação do profetismo? Nós temos defeitos temperamentais que nos dificultam a inteira sintonia de alma com a pessoa do senhor.)
A questão é meio delicada, porque é muito complexa. E depois eu não pensei no assunto no intervalo entre uma reunião e outra, porque tive uma porção de coisas que acertar. Os senhores estão vendo que eu estou incrustando no livro da nobreza mais uma batelada de fichas, encontradas pelo Casté e o Bernardo Glowac, que é um pesquisador muito bom. E isto tudo chama muito a atenção, a gente tem que pensar muito nisso, eu não tive tempo de pensar [no assunto].
Mas eu vou pôr o seguinte: como é que eu me vejo do lado temperamental, e como é que eu imagino que vocês me vêem. E, então, o que é que pode haver de fricção e o que é pode haver de afinidade. Não é uma descrição, portanto, teórica, mas é uma descrição de um fato, de uma situação concreta, criada por mim, quer dizer, pelo meu temperamento, no nosso convívio, e a reação de vocês a essa situação.
* Em menino, uma moleza para exercícios físicos, porém não uma moleza de espírito
Eu já tenho dito mais de uma vez, mas afinal de contas essas coisas tem que se tomar, como se diz em latim, ex imis fundamentis — quer dizer, dos fundamentos mais profundos, mais originários, até para cima — esta coisa tem que se tomar ex imis fundamentis, no seguinte. Eu já tenho dito à saciedade, e portanto eu serei muito breve nisso: que eu fui uma criança imensamente mole. Mas essa moleza, que era uma moleza para movimentos físicos, para jogos, enfim, para tudo o que as crianças fazem, não era uma moleza de espírito.
Quer dizer, se eu tivesse que sustentar uma briga, ser-me-ia muito desagradável brigar. Eu era muito cordato. Em parte por ser muito afetivo, em parte por achar que briga era uma trabalheira, uma coisa quente, desagradável, não valia a pena brigar, etc. Em parte porque do ponto de vista temperamental, não do ponto de vista doutrinário, mas do ponto de vista temperamental, as questões ditas de honra sempre me picaram muito pouco. Por exemplo, o sujeito dizer de mim que ele é mais inteligente que eu eu, deixe dizer, quem sabe se é? Que inconveniente há em que ele seja mais inteligente que eu? Deixe dizer. (…)
…mais ou menos contínuo, mais ou menos significativo dessa placidez, que chega ao inimaginável.
* Aos olhos dos outros, uma pessoa muito lógica, que poderia passar por insípida
Isso eu vejo bem que produz para fora de mim, para quem trata comigo, de si, se eu fosse só assim, produziria uma impressão de clareza, de uma pessoa muito lógica, numa posição incompreensível, mas a partir da qual eu seria muito lógico. Mas, de outro lado, de insipidez. Porque a falta de qualquer reação temperamental nessa displicência em olhar as coisas que habitualmente tocam os nervos dos outros, redunda em insipidez, em sengracez. Eu tinha bem a idéia de que por alguns aspectos de meu temperamento eu era sem graça.
* Uma total aversão aos exercícios físicos
Agora, daí também a aversão ao exercício físico, porque supunha uma disposição temperamental que habitualmente eu não tinha. Aversão a tal ponto que eu chegava a ter, quando pequeno, eu via uma pessoa — eu não sabia o futuro — eu via uma pessoa sendo conduzida em cadeira de rodas, eu tinha inveja. Eu dizia: “Quem sabe se eu podia me sentar aí e pagar um tipo qualquer para me conduzir, para eu não ter que me mover!” De tal maneira eu não tinha vontade de andar… “Para que isso: pam, pam, pam? Senta nessa cadeira, manda um pária qualquer aí atrás tocar, e vou para onde eu quero. Está acabado!”
* Um elemento de truculência: a disposição de chegar às últimas conseqüências, facilitada pela placidez
Nisso os senhores vêem, entretanto, um elemento de truculência.
No que é que está a truculência? É uma posição temperamental inicial, que é levada até as últimas conseqüências, até a conseqüência do inimaginável, do que passaria pelo esdrúxulo. Mas até lá eu ia, eu achava que era assim. Quer dizer, esse chegar até a última conseqüência é facilitado pela placidez. O curso da coerência não encontra bolotas, pedras e encrencas pelo caminho para dar solavancos nem desvios. Aquilo vai como um barco num canal retificado: pssssttt…. sobre as águas, com toda facilidade.
* Grande facilidade para a lógica e para a formação de certezas
Agora, daí uma propensão muito grande para a lógica, e uma facilidade muito grande para raciocinar, para dispor as coisas logicamente. Mas daí uma outra coisa que constitui um paradoxo com isso, mas que é assim, e a mim — eu digo com franqueza — me parece bom que seja, que é o seguinte. A lógica, nessa disposição temperamental, aparece com uma força de convicção, com uma garra e com uma evidência de manifestação da verdade, nessa posição temperamental as premissas se põem tão claras, tão imparciais, tão limpas, tão objetivas, que as conclusões são como alicerçadas sobre rochas. E daí a facilidade de formar muitas certezas, e de formar essas certezas sem esforços sobrehumanos, sem coisas desse gênero.
* A lógica educando o temperamento a uma perfeita mobilidade
De onde a lógica muito grande, procedente dessa placidez de temperamento. Mas chegando à dedução de ferro que ceder simplesmente a essa placidez é uma indecência. Porque há ocasiões em que isto que eu estou chamando eufemicamente de placidez é preguiça, é indolência, é a negação do valor das coisas e uma displicência budística; e que é uma indecência, portanto. E que é preciso reagir, e deitar força, arrancando essa força de si mesmo, custe o que custar, até as últimas conseqüências, para cumprir o dever. É a conseqüência da lógica.
Então, a lógica empenhada em arrancar e impor ao meu temperamento aquilo que é o mais difícil possível para o preguiçoso: é um estado de mobilidade contínua, em que a qualquer momento ele esteja disposto a qualquer esforço, por maior que seja, por mais contrário ao seu temperamento que seja, desde que a lógica mande que aquilo seja feito. E o que não for isso é uma indecência.
* Da lógica nasce uma força implacável: em tudo, chegar até as últimas conseqüências
Daí nascer uma força que é plácida, como é plácido o temperamento, mas é implacável, porque a lógica de si é implacável. Você fez o raciocínio, você está certo das suas premissas, está certo de sua conclusão, aquilo tem que ser obedecido sob pena de ser uma indecência. Qualquer que seja o sacrifício, qualquer coisa, é preciso fazer, e tem que fazer, e não tem remédio!
Daí o outro aspecto da truculência. Quer dizer, é por outro lado chegar também às últimas conseqüências. Quer dizer, é então na preguiça, na indolência, na displicência, a lógica levada às últimas conseqüências — de um lado.
De outro lado, no cumprimento do dever, a lógica levada até as últimas conseqüências. E pegando a preguiça pelo gasnate e obrigando-a a se transformar numa mobilidade a todo momento para qualquer coisa.
Eu tenho impressão que se os senhores têm tido o mau gosto de prestar atenção no meu modo de ser, encontrarão traços pelo menos do que eu estou dizendo, em muitas atitudes minhas, deliberações, ou ditos, ou palavras, ou resoluções de qualquer espécie, encontrarão muito disso.
* Esta energia implacável é um dom de Nossa Senhora
Agora, eu preciso dizer que eu não me explico bem como é que nasceu de tanta moleza esta energia implacável. E sou levado a atribuir a uma ação da graça. Agora, a ação da graça é um flatus vocis.
No meu caso concreto pelo menos — eu sou propenso a achar que é para todo mundo, mas não é o momento de tratar da questão, no meu caso concreto —, uma coisa dessas não se explica sem uma interferência de Nossa Senhora, gratuita, que não procedeu de mim, que não tinha em mim nenhuma razão de ser, mas que estava na bondade d’Ela. E que Ela deu porque quis dar. E que Ela me deu forças para receber. E que por esta forma passou a ser a constituição do meu temperamento atual.
Agora, isso é um lado da questão.
* Uma cândida inocência e uma pureza desimpedida, elementos fundamentais do bem-estar interior do SDP
Outro lado da questão é a inocência. A minha inocência era uma inocência muito cândida, muito juvenil, muito alegre… (…)
…com força, e que me levou a ser um homem lógico, e das últimas conseqüências, etc., e depois essa pureza, graças a Nossa Senhora fácil, degagée, por assim dizer incômoda [sic? deve ser “cômoda”], que faz da pureza um dos elementos mais fundamentais do meu bem-estar interior — para dizer tudo de uma vez.
* Além da Fé Católica, uma outra graça de Nossa Senhora: o amor à grandeza
Agora, aqui vem uma outra graça de Nossa Senhora… Eu não menciono aquilo que todos nós recebemos, e que é a Fé Católica. Eu já falei disso, o Coração de Jesus, etc., etc. Graças também de Nossa Senhora, as graças que Ela dá a todo católico, a todo que é chamado pela Igreja, etc., etc., mas é uma outra coisa, que é o amor à grandeza. Quer dizer, amor aos grandes horizontes, às grandes almas, aos grandes feitos, aos grandes ambientes, às atmosferas grandes, e em geral a tudo quanto é grandioso!
(Sr. Gonzalo: Isso sempre?)
Não… Nunca tive o contrário disso, mas isso se explicitou em mim com o tempo.
Quer dizer, quando eu conheci a Revolução Francesa, não nasceu apenas o ódio à Revolução mas o amor à grandeza. E quando eu abri mais ainda os olhos para a Idade Média, esse amor à grandeza chegou ao seu requinte.
* O gosto da luta, de reduzir o adversário a nada!
Agora, somem todos esses aspectos e o senhores terão mais ou menos uma síntese do modo meu temperamental habitual.
Quer dizer, junto com a grandeza, e junto com o espírito contra-revolucionário, vem aí o gosto da luta. O gosto da luta pelo gosto de ver o adversário esmagado, o gosto da luta pelo gosto e pela necessidade de reduzi-lo a pó e a nada! Pelo gosto de levar até as últimas conseqüências a luta, de maneira que se é preciso lutar, a gente tem que chegar até onde a luta tem que ir! Mas ou eu pulverizo o adversário, ou a luta não acaba! E ir até os últimos pormenores. Por exemplo, se se derrota um adversário, a gente faz dele o que os pagãos fizeram com o Templo de Jerusalém: quer dizer, derrubam o Templo, desconjuntam as pedras, quebram as pedras, transformam as pedras em pó, e dispersam [o pó].
Isso aqui é o modo pelo qual eu concebo a vitória da Contra-Revolução sobre a Revolução. É uma destruição completa, truculenta, minuciosa, que não deixa nada. Mas em que o papel do temperamento é muito menor do que o papel da lógica, e em que tudo isso se faz na consideração calma, tranquila e enlevada daquilo que é grandioso, que tem que dar a medida exata de como as coisas devem ser na vida.
E, então, uma indignação, calma também, mas que nem por isso deixa de ser furibunda, que se traduz nessa comparação que eu fiz do Templo de Jerusalém, calma mas assim, de pegar o adversário e reduzi-lo a isto. E não querer, dentro de minha calma, e dentro de minha placidez, não querer ter sossego, nem conceber sossego, enquanto isto não esteja obtido.
* “Une froide et redoutable colère”, sobretudo “redoutable”
Agora, esta visão de conjunto que é a visão que eu tenho do meu lado interno, eu creio que disse já uma vez aqui que eu tive uma espécie de pequeno e agradável choque, quando eu vi um comentário da figura de Felipe II num livro didático francês, que é o Malet. Dá o Felipe II só até aqui, um quadro dele que algum daqueles Velasquez, não sei o quê, pintou dele…
(Sr. Gonzalo: Ticiano.)
Ticiano? Pode ser… Com aquele chapeuzinho dele, aquele jeito. Então ele vai falando que Felipe II era assim, etc., etc., e que opunha aos seus adversários une froide et redoutable colère. Quando eu li essa fórmula francesa, muito bem achada —”une froide et redoutable colère” — eu disse: “Aqui eu estou expresso! Eu sei que a minha cólera é froide et redoutable. E uma das minhas alegrias é que seja redoutable. Fria e temível cólera.”
Agora, eu vejo que isso dá em padrões muito fixos e constantes, muito uniformes ao longo da vida, poucas sensações, poucas surpresas, muitas previsões, muitos planejamentos e dente atracado no adversário!
* O que é um temperamento?
Agora, como é que eu sinto a reação dos meus contemporâneos face a isso?
Em primeiro lugar, dificuldade de compreender.
(Sr. Gonzalo: Apenas uma coisinha, para esclarecer. Eu não entendi uma coisa. O que o senhor quer dizer com estado temperamental?)
O senhor pode me perguntar o que é um temperamento.
(Sr. Gonzalo: O do senhor.)
Eu estou descrevendo o que é o meu. Mas, o que é um temperamento? Porque se a esse estado de espírito eu chamo de temperamento, o que é um temperamento?
Isso é uma pergunta de que eu ia tratar, e me escapou ao longo da caminhada.
O temperamento é uma atitude da sensibilidade pela qual ela com facilidade se move de certo modo, em certas direções; e com dificuldade, por apatia ou por oposição (que são duas coisas diversas), ela não se move em certas outras direções, ou ao menos faz muito dificilmente. Isso é o temperamento.
Agora, o temperamento é acentuado pelos quadros que, em virtude dos dados primeiros do temperamento, o indivíduo forma da vida diante de si.
(Dr. Edwaldo: Tem muita relação com o fundo de quadro do indivíduo.)
Muito. O fundo de quadro, no fundo é o panorama da vida formado pelo indivíduo, pela retidão ou pela torpeza de seu temperamento.
(Sr. Guerreiro: O quadro que a pessoa forma do conjunto da vida, está muito condicionado à modalidade do temperamento. O senhor poderia examinar um pouco mais essa sua observação?)
O senhor tome uma pessoa… Por exemplo, eu não vou falar em espírito crítico, é uma pessoa que morreu, a crítica já foi feita. Mas, quem conheceu D. Mayer vê que o temperamento dele era profundamente diverso do meu. Que o temperamento do Paulo era profundamente diverso do meu. Agora, no quê?
É que os primeiros impulsos dos dois eram impulsos diferentes um do outro, mas sobretudo muito diferentes dos meus primeiros impulsos.
* O temperamento está ligado às condições nervosas do indivíduo
(Sr. Gonzalo: Aí é que seria interessante o senhor explicar a “sorgente” do problema.)
A sorgente do problema, tenho impressão que é um conjunto de condições nervosas. Quer dizer, o sistema nervoso do indivíduo, que dá origem ao seu aparelhamento de sensibilidade, esse sistema nervoso muda de indivíduo para indivíduo. E é quase único em cada indivíduo. Pode ter semelhanças com esse, com aquele, etc., por exemplo entre pessoas da mesma família, essas coisas assim, mas uma identidade não existe.
(Dr. Edwaldo: Pode-se dizer nervosas ou hormonais, porque o hormônio tem muita influência sobre o temperamento.)
Eu creio bem… se tem… É uma questão médica. Seria um conjunto de condições, se você quiser, biológicas, físicas, mas tendo como ponto de atração e de irradiação o sistema nervoso. Quer dizer, todos os aspectos da vida do corpo caminham para uma síntese que é uma influência sobre o sistema nervoso. Então hormônios e o que mais seja, parece que essa glândula tiróide…
(Dr. Edwaldo: Aí entrariam os hormônios.)
É isso? Então a tiróide, e sei lá quanta coisa, influencia isto. Eu sou pronto a admitir tudo isso.
A única coisa que tem é que isso, no todo, tem uma resultante. E essa resultante é um sistema de mobilidade, de receptvidade, de recusa, etc., sistema este que tem como denominação temperamento.
* O problema da santidade é uma correção do temperamento
(Sr. Guerreiro: Essa parte natural que o senhor acabou de descrever, ela não é de molde a permitir a parte espiritual do homem, a inteligência, a sensibilidade e a vontade, em certa medida, a ter uma atividadae muito fácil, sem que a parte biológica, física do homem atrapalhe esse discurso da inteligência e da mente. Isso é assim?)
Sem dúvida.
(Sr. Guerreiro: Na medida então em que a pessoa regula o temperamento, a alma fica com muito mais liberdade de locomoção e de descortínio. É isso?)
Tal qual.
(Sr. Guerreiro: Por aí a gente vê como em grande medida o problema da santidade é o da correção do temperamento.)
Mas é. É.
(Sr. Guerreiro: Não é principalmente um problema de inteligência e de estudo, mas de correção do temperamento.)
É isso.
(Sr. Guerreiro: Isso é muito importante.)
Muito. Mas eu tenho isso como inteiramente certo.
(Sr. Guerreiro: Então essa aparente imobilidade da parte biofísica do homem, na medida em que ela tende a se transformar num lago sereno, a alma encontra um “degagé” que só assim ela pode obter.)
Só assim. Eu concordo inteiramente com você.
(Sr. Guerreiro: E aí é propriamente o momento em que a alma atinge uma liberdade diante de Deus…)
Que é a santa liberdade dos filhos de Deus.
* O desejo das últimas conseqüências, o senso do absoluto, o senso da verdade verdadeira
(Sr. Guerreiro: É daí que a lógica facilmente arrebata o homem por inteiro até as últimas conseqüências.)
Sim. Por causa daquele senso do absoluto, e aquele senso da verdade verdadeira, das últimas conseqüências a que é preciso chegar, da indecência de não chegar às últimas conseqüências, etc., etc., que formam as colunas mestras da alma que se ponha nesse estado.
(Sr. Guerreiro: E o corpo não atrapalha esse arroubo do espírito.)
Em nada. Agora, é preciso acrescentar o seguinte:
Entre essas circunstâncias que eu narrei, uma que ou é um dom natural, ou é alguma coisa obtida pela ajuda da graça, mas que eu venho mencionando meio colateralmente nessa exposição, é a tendência, o querer chegar continuamente às últimas conseqüências, em qualquer campo, em qualquer terreno, em qualquer coisa, chegar às últimas conseqüências.
De maneira que, por exemplo, você me vê gastrônomo, e você vê bem que se não fossem questões de saúde eu levaria os prazeres da mesa muito mais além. Você me vê amigo do luxo, porque eu gosto do luxo, você também vê que se eu tivesse dinheiro eu levava isso muito mais longe. Levava até a última conseqüência que tivesse proporção comigo levar.
Este amor à última conseqüência, o horror de ficar abobadamente parado numa coisa sem saber porquê, faz parte do que eu internamente qualifico de vergonha!
* Compete a cada temperamento aproveitar suas vantagens e retificar suas desvantagens
(Sr. Paulo Roberto: Uma pessoa fogosa, poderia domar o temperamento dela, continuando a ser fogosa? Por exemplo, o espanhol, ele nunca seria uma pessoa plácida.)
Não, nada, nada.
(Sr. Paulo Roberto: Mas ele poderia domar isso, de maneira que seria outra coisa, mas seria uma coisa reta.)
Seria reta. Um espanhol verdadeiro, um verdadeiro espanhol… Você viu esses espanhoizinhos que estiveram aqui, falando quatro, cinco, oito ao mesmo tempo, se dirigindo a um só que está chegando. E daí para fora, borbulhando. É muito raro caso de nevropatia entre eles. Para eles a coragem é simples, desembaraçada de qualquer coisa, porque o instinto de conservação, que é um dos elementos do temperamento, não tem a protuberância vergonhosa que tem em outros povos.
(Sr. Paulo Roberto: Quer dizer, compete a cada temperamento explorar as suas vantagens e combater as desvantagens…)
Aproveitar suas vantagens, e com base nelas retificar suas desvantagens. Compete a cada temperamento.
Para mim isso é um elemento fundamental da vida interior.
* Um gosto da fixidez que para o revolucionário intemperante passa por monótono
Agora, eu volto ao fato. Esse gosto da fixidez, eu sou muito fixo. Por exemplo, eu chego aqui a essa fazenda, os senhores nunca me vêem sentado em outro lugar a não ser este. Eu tenho hábitos de toda ordem. Tudo isso são conseqüências do quadro que eu montei. O Fernando que tem convivido tão de perto comigo há-de notar isso: eu sou muito fixo. Por exemplo, no meu escritório eu sento sempre no mesmo lugar, e a coisa é do mesmo jeito, etc., não tem conversa.
Isto tudo para o revolucionário passa por monótono, por insuportável, por insípido, por rejeitado, por recusável inteiramente.
* O revolucionário gosta de dar brida solta a seus impulsos
Por quê? Porque o revolucionário tem todo esse sistema educado da seguinte maneira:
O gostoso é dar brida solta a essas coisas. E se tem vontade de exacerbar-se, zangue-se até onde quiser. E se não for inconveniente para a sua carreira, quebre um prato em cima da cabeça do seu comensal. Se não lhe der fama de um tipo insuportável, injurie-lhe e escarre no rosto dele, se tiver vontade; porque a vida é fazer o gostoso, e fazer o gostoso é atender, sem resistência, o apelo das bolotas e das impressões do caminho.
Quer dizer, aos senhores nunca ninguém terá ensinado isto nessa formulação semi-bárbara. Mas o modo implícito de ensinar como se deve viver é esse. Não tem conversa. E como a variedade é uma coisa que descansa, é uma coisa que permite levar várias vidas em várias pistas, com várias bolotas e com várias depressões, viva várias vidas! Numa parte de sua vida seja um homem trabalhador, que se entrega às volúpias da ambição; noutra parte entregue-se às volúpias da fantasia, e vá fazer viagens colossais. Depois, numa outra parte, você se entrega às delícias das relações sociais. E daí para frente, faça o que lhe passa pela cabeça, pela fantasia.
Para usar uma expressão que eu tenho impressão que já não é do tempo dos senhores: “Faça o que lhe tiver dado na veneta”. Ou, expressão muito menos elevada, mas enfim, usava-se: “O que lhe deu no bestunto.” E esta era a vida, não tinha outra. (Vira a Fita)
…Porque isso é liberalidade, a raiz do liberalismo é essa. E cada geração que vem solta mais essa bridas, até chegar à 5ª Revolução.
* Numa reunião, o discípulo é convidado a retificar seu temperamento de acordo com o do Fundador
(Sr. Gonzalo: O senhor poderia explicar o que é acompanhar o fluxo temperamental do senhor numa reunião?)
Tem o seguinte. Se o meu modo de ser é um modo reto, ele deve ser um modo retificante. E a pessoa que vê isto deve procurar retificar-se, como eu disse há pouco do espanhol, sem perder as suas características pessoais, tomar tudo quanto sai da linha, e acertar numa concepção assim. E, portanto, na reunião, se a pessoa acompanhar a reunião de verdade, deveras, a pessoa é convidada pelo meu modo de falar, pelo meu modo de ser, etc. — não é que eu faça voluntariamente, mas é que o convívio humano é assim —, a pessoa é convidada a se pôr no meu ritmo temperamental, e a embarcar no meu barco, no canal do pensamento, e ver os horizontes, os obstáculos, etc., como eu vejo, e ver-me vencer tais obstáculos, e tais coisas, e tais outras, e compreender como é que se faz.
Isso deve ser, portanto, o duplo empenho da Reunião de Recortes:
- Um empenho é compreender todo aquele quadro que eu vou pintando da marcha da Revolução. É a finalidade específica da reunião.
- Mas, em anexo, e talvez mais importante, é tomar o espírito que se manifesta na reunião, e saber fazer dele um uso não despersonalizante, mas que aprimora a personalidade de cada um.
* As incorrespondências de pessoas-chave estancam as graças de uma reunião
E eu sou de opinião que para isto há na reunião como que esvoaçando graças. E que certas incorrespondências de pessoas-chave levam a Providência a estancar as graças da reunião em certo momento. E aí não me adianta querer lutar, porque as pessoas estão com o guichet fechado. O que convém é fechar a reunião.
* O exemplo da última RR: a reação deveria ser o nosso “Thalassa” diante da previsão realizada e da Bagarre que se anuncia
Foi aqui essa última reunião, por exemplo. Esta última reunião eu não fiz o menor esforço para que os espíritos caminhassem na linha que eu vou dizer. Alguns entreviram até nas perguntas postas, isto estava meio posto, mas não dependeu de mim. Eles entreviram porque o curso da exposição levava a isso logicamente. Mas, uma vez que o sentido do discurso ou da alocução ali comentada era aquele — e disso não tem dúvida nenhuma, ninguém teve dúvida de que a alocução estava sendo corretamente comentada, não estava falseada, não estava exagerado nada, ninguém teve dúvida nenhuma — uma vez que era isso, ficava provado que nós estávamos diante, não da certeza da Bagarre, mas da certeza de que aqueles que tudo podem, resolveram entrar dentro dela! Isto estava provado! Eu nem me sentiria no direito de insistir nesse ponto aqui, de tal maneira estava provado.
Mas isto deveria dar aquele reflexo que a visão do Mar Mediterrâneo deu aos guerreiros persas: “Thalassa! Thalassa! “ Porque afinal chegamos!
Não… Não!
Foi feita uma coisa extraordinária, porque com os meios comuns de que nós dispomos, fazer uma previsão daquelas com tanta antecedência, desafiando aparências secundárias em contrário, em tão grande número, e dar certo com uma certeza tal, é uma obra monumental! Eu qualifico isso de monumental.
* Um abjecto estado de indiferença diante das mercês de Nossa Senhora
Bem, e ficar assim… E com essa cara! Se alguém dissesse:
- Olha, está um ratinho correndo ali…
- O rato?! O rato!!
Por quê? Porque o monumental da reunião não tem importância, mas um rato é uma novidade. Então a gente presta atenção na novidade.
É uma vergonha! Bem, mas vocês sabem que essa vergonha não é rara.
Quer dizer, é um estado de indiferença ao que Nossa Senhora dá, que para me exprimir com franqueza, é abjecto!
* A boa predisposição para uma reunÍao é fruto da graça
(Sr. Gonzalo: O que é a boa e a má pré-disposição com que se entra para uma reunião, para ter ou não ter essa união temperamental?)
A pergunta está muito bem feita, e se responde facilmente. O mundo moderno — e eu não estou falando do mundo post-invasões, eu estou falando do mundo pré-invasões —, o mundo pré-invasões, é um mundo fundamentalmente construído com base no contrário, e que faz com que as pessoas sintam suas delícias em viver esse contrário. E em que isto que eu dou não dá delícia nenhuma.
Essa reunião de sábado à noite é uma reunião que comunica certa delícia. Mas é única e exclusivamente por ação da graça. Eu tenho certeza que uma reunião de sábado à noite que não possa fazer-se, ao menos a maior parte dos senhores, talvez todos, fica lamentando sinceramente que não haja reunião. Mas isso é por uma consolação que a graça dá durante a reunião. Não é por um estado de espírito habitual.
A graça faz ver por detrás da grandeza da reunião uma outra coisa qualquer ainda muito maior, muito mais atraente, muito mais doce, e que me transcende da tutto, e que é a graça. A graça sensível. Então a pessoa fica atraída, e está acabado. É uma bondade imensa de Nossa Senhora.
(Sr. Gonzalo: O senhor escreveu um artigo no “Legionário”, comentando aquela passagem do Evangelho de São João, que diz que Nosso Senhor veio aos seus, e não foi recebido, etc. O senhor increpa os católicos, inclusive. Agora, no nosso caso, isso se dá com o senhor em relação a nós. O senhor vem a nós, e não é recebido. O que é aí o ser recebido? É ter essa predisposição de alma da qual o senhor está falando agora?)
É isso.
(Sr. Gonzalo: O que é o receber aí, o senhor?)
Nessa reunião, por exemplo, eu lhes dei todo um quadro que talvez daqui a 20 anos, um dos senhores sozinho chegasse a elaborar.
(Sr. Gonzalo: Eu não pergunto só pelo quadro. O problema é esse: receber o senhor é ter essa consonância temperamental?)
É isso.
* Nós saímos da fatia histórica post-conciliar e pré-invasões gotejando convivências
(Sr. Poli: O senhor ia dizendo como é que nós vemos o temperamento do senhor.)
Bom, exatamente como na Reunião de Recortes, que deveria ser uma reunião… Por exemplo, vamos dizer, é uma mania de gerações que se seguiram à minha, é de torcer. Ora, se havia uma coisa que deveria dar torcida, é saber se um documento como aquele que eu estava lendo, se manteria coeso, e a tese vitoriosa até o fim, sim ou não?
Isto não causa torcida nenhuma! Porque lhes é totalmente indiferente que isso se confirme ou não confirme. Mas, que tenha caído um botão em que estava preso o suspensório, e que o suspensório esteja ligado à calça por uma haste, e não pelas duas, isto pode atrapalhar uma reunião inteira!
Mas, por quê? Porque é elemento integrante daquela concepção de si próprio, e da vida, que é a vida pré-invasões, que vai se delineando como um quadro histórico que vai afundando no passado. É o período post-conciliar, pré-invasões. É uma fatia da História. Nessa fatia da História, nós deveríamos sair dela limpos de qualquer complacência. Não saímos limpos de qualquer complacência: Nós saímos gotejando convivências.
Quer dizer, vamos dizer a verdade: é uma contra-fé oposta à Fé Católica, e aninhada no subconsciente, e afagada com que afeto!
(Sr. Paulo Roberto: O senhor disse na outra reunião que o demônio estava como que incubado nisso.)
Isso, incubado. E que nisso entra demônio, é uma coisa evidente.
* Uma brutal indiferença às graças das reuniões, por causa do apego às bagatelas
Vamos dizer, por exemplo, o seguinte. Se nós andássemos ordenadamente, se chegasse agora aqui de repente uma notícia… Fernando levantou-se, eu ouvi alguém falar mais alto lá, e vi o Fernando levantar-se. Eu tive a impressão, não ouço bem, e tive a impressão de que alguém tinha talvez chamado. Então, a essa hora, deveria ser uma notícia. Se a notícia fosse, por exemplo, a seguinte — essas coisas são curiosas, mas é assim — é um eremita de Elias ou de Jasna Gora:
- Sabe aquela árvore de entrada? Entraram dois homens e serraram a árvore, e depois saíram correndo.
Um eremita de Jasna Gora ou de Elias que estivesse aqui, até o fim da reunião não prestava atenção em outra coisa. Bem, se dessem um tiro no oratório de Jasna Gora, a reação seria muito menor! Muito menor! E se avisassem que essa reunião agora, e durante seis meses, não vai se realizar: “Hããã… que pena!” Daqui a pouco estavam pensando em como dispor agradavelmente desse sábado à noite afinal livre! Esses somos nós.
Eu compreendo bem, não é agradável ouvir o que eu estou dizendo.
* A dificuldade de converter os hindus se cifra a essa delícia da mediocridade
Mas, por exemplo, o meu Aloísio metido lá naquelas Índias. A dificuldade de trazer os hindus para o bem, e que é há umas coisas dessas à maneira de hindu que prendem a eles, e eles não querem deixar. Não é isso?
(Sr. Aloisio Torres: Exatamente, SDP.)
Quer dizer, nem é o problema teológico, ou filosófico, saber se Brahma, Vishnu e Siva, não sei o quê, etc., não é nada disso. É um modo de ser da Índia de sempre, condicionado à Índia de hoje, e que eles acham uma delícia, e querem daquele jeito. E, portanto, que ninguém se meta com eles!
* Uma adoração do “establishment” que só se imola a pedido da Revolução (Ex.: Nobres na Revolução Francesa; mania do volkswagen na Bagarre azul)
Quer dizer, a adoração do status e do establishment em que o sujeito veio à vida, só cessa quando esse status é atacado pela Revolução. Fora disso não tem perigo.
Então, você pega, por exemplo, os nobres da Revolução Francesa, fizeram concessões fenomenais! Mas se o Papa ou o Rei tivessem querido deles aquelas concessões, eles não teriam feito. Mas, para compreender bem o fundo que nos prende a essa coisa, eu chamo a atenção mais uma vez: se a Contra-Revolução pedir essa imolação, não fazem. Sabendo que estão arriscando a própria alma, não fazem! Mas se a Revolução pedir, fazem na mesma hora!
Eu vi muito isso com umas manias que houve durante o tempo da Bagarre Azul, de soltar de vez em quando automóveis pequenos. Por exemplo, volkswagen. Deu, durante algum tempo, uma mania de volkswagen em São Paulo, que gente rica encostava de lado os automóveis grandes e até pomposos que tinha, para andar de volkswagen. E é uma verdadeira ebriedade andar de volkswagen. Mas, por quê? Porque a Revolução estava pedindo. Se a Contra-Revolução pedisse, nunca fariam.
Aí os senhores percebem o gancho do demônio nesse dispositivo psicológico.
* Na raiz disto, a discreta e torrencial ação do demônio que as pessoas não querem recusar
(Sr. Poli: Qual é a raiz disso?)
É o seguinte. Assim como há uma ação sensível da graça em nós, ou pode haver uma ação sensível da graça em nós, mas também há ações insensíveis dela, há ações sensíveis e insensíveis do demônio. Mas, em nossa época, a ação sensível do demônio é discreta e torrencial! E começa por aí.
(Sr. Gonzalo: São os flashes do demônio.)
São os flashes do demônio. E são quase consecutivos, e a pessoa adora isso. Os Estados Unidos são isso.
Aqui está o ponto: é que eu estou pedindo às pessoas constantemente que larguem o que o demônio lhes dá. E as pessoas acham isso que o demônios lhes dá delicioso. Não querem largar… Nem é difícil compreender.
* O “Grand-Retour” será uma quebra dessa “emprise” do demônio sobre nós
Quer dizer, então, vem agora a questão do Grand-Retour. O Grand-Retour é uma brisure, uma quebra disto. E é uma quebra que os habilitará a quebrar isto nos outros.
(Sr. Gonzalo: Isto o quê? Esta garra do demônio?)
Exatamente. Isso é o Grand-Retour. A gente vê que o homem medieval tinha uma situação assim, análoga, mas com Deus. E era santamente delicioso estar em paz com Deus. E hoje é porcamente delicioso estar em harmonia com a Revolução, com o demônio.
(Sr. Guerreiro: O senhor disse que a tendência mestra da Idade Média era para a sacralidade.)
Para a sacralidade. Mas é exatamente porque as almas estavam desimpedidas para atenderem a esse chamado do sacral.
Agora, eu chamo gente que está amarrada. Mas, como o homem que está amarrado ao vício, e não como o homem que está amarrado com algema. Mas o amarrado do vício é muito pior do que da algema.
(Dr. Edwaldo: Quando Nosso Senhor disse: “Eu vos dou a paz, Eu vos dou a minha paz”, é bem isso que o senhor está dizendo.)
E Ele acrescenta: “Não é a paz que o mundo vos dá”. E depois vai para frente.
(Dr. Edwaldo: Não é uma paz qualquer.)
Não é a tranquilidade que o demônio promete, e depois não dá. Porque o que ele promete, ele não dá. Não é isso. (…)
* A ação “removens proibens” da Senhora Dona Lucilia contraria a ofensiva do demônio, e prepara as almas para o “Grand-Retour”
…o que ela faz é o seguinte. Ela impede — é o que se diz em escolástica, removens proibens — ela remove e impede que as bolotas e as depressões cresçam até o delírio, porque ela apazigua, esclarece, etc., etc., e quantas e quantas vezes o demônio é obrigado a retomar a ofensiva dele da estaca zero, porque um enjolrinhas foi lá e rezou.
(Sr. Paulo Roberto: Não é só enjolrinhas não…)
Não, eu estou mencionando enjolrinhas por reverência. Porque um enjolrinhas foi lá e rezou. Agora, além disto, ela vai abrindo discretamente as almas para se deleitarem com uma certa forma de paz que tem muita relação com o que eu falei aqui. Mas muita relação. O que vai remotamente preparando as pessoas para uma boa acolhida do Grand-Retour. É isso.
(Sr. Poli: Ela também não apresenta o dever como uma coisa viável, e por aí a gente chega na lógica, uma certa reversibilidade que tem algo desse carinho peculiar?)
Ela apresenta o dever como uma coisa tão evidentemente viável, que até como que nem entra em menção, é um pressuposto que está na influência que ela exerce.
(Sr. Poli: A partir daí um chamado para ordenar-se e caminhar nessa direção.)
Exatamente. Mas, com uma ajuda para tornar o cumprimento do dever menos duro.
(Sr. Guerreiro: No fundo, essa domestificação do temperamento, por onde como que ele fica com algo do corpo glorioso, que é inteiramente obediente à alma… Quem sabe se em outra ocasião se poderia voltar a essa questão da placidez e da domestificação do temperamento… Seria de uma ajuda muito poderosa para nós.)
Perfeitamente. Podemos retomar, desde que você lembre bem o status questionis, com muito gosto.
Bem, meus caros, vamos nos levantar o acampamento?
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