Conversa
de Sábado à Noite – 8/6/91 – Sábado
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Conversa de Sábado à Noite — 8/6/91 — Sábado
Estamos entrando na era dos fatos extraordináarios, com intervenções também extraordinárias da Providência * Graças que são o contragolpe às pressões que a TFP recebe de fora
Bom, mas vamos aos nossos temas. Eu não sei se são sobre a bruxaria, ou de outra questão?
(Sr. Gonzalo: … O senhor poderia dar algumas interpretações sobre a questão do copo de ontem? O senhor falava da gota de água, etc., que poderão vir perseguições, etc., mas confiando em que se deve, o copo fica de pé.)
Apesar das vicissitudes da gota de água.
(Sr. Gonzalo: E depois o fato que o Sr. Patrício Amunategui contou hoje, foi muito significativo também.)
Aliás, houve um pormenor que o Patrício contou hoje, e que eu não me lembro que ele tivesse contado anteriormente: que a mulher expeliu alguma coisa. Anteriormente você chegou a ouvir isso?
(Sr. Gonzalo: Não, não contou.)
Uma coisa é aquela dança, não sei o quê. O Patrício hoje omitiu uma coisa: é que aquela mulher disse ao Emetério que era ele que estava impedindo a ela de falar aquela história. Ele disse isso?
* A suave ação exorcística da SDL
(Sr. Gonzalo: Disse sim. Depois, hoje, quando ela tocou no quadro do senhor, que teve um golpe no estômago, sentiu mal, expeliu alguma coisa, e pediu licença para ir embora. Isso e os fatos recentes todos, as graças das últimas reuniões, nós gostaríamos muito de pedir ao senhor que tratasse um pouco sobre tudo isso. As palavras do Sr. João foram muito boas também, sobre o papel exorcístico da SDL, sobre o qual ele tem ampla documentação.)
Depois, eu vejo na Consolação. A questão é a seguinte: é um exorcismo muito suave. Mas isso, o exorcismo suave, indica mais violência do que o exorcismo de luta. Porque no exorcismo de luta, vamos dizer de São Miguel, foi uma luta de igual a igual. Mas com Nossa Senhora, por exemplo, calcando aos pés a cabeça da serpente, Ela não está fazendo força. Porque está muito acima dela fazer força contra a serpente: “Vil réptil! Retira-te daqui”. Ele sai coxeando, tartamudeando e fazendo horrores.
Assim também, uma presença sobrenatural que leve o exorcizado a se retirar sem exigir nenhuma força, significa mais força de quem põe fora.
(Dr. Edwaldo: Santa Bernadette conta que durante as aparições de Nossa Senhora de Lourdes, ela ouviu uma algazarra do outro lado do Rio. Nossa Senhora estava olhando para ela. Uma algazarra preternatural. Ela conta que Nossa Senhora apenas ergueu os olhos na direção da algazarra e a coisa cessou!)
É isso! Porque o inferno inteiro para Nossa Senhora não é nada. É menos do que uma molecada é para nós.
* A entrada da imagem do Sagrado Coração de Jesus com a Ladainha cantada
(Sr. Gonzalo: Não sei se o senhor poderia então comentar esses eventos mais recentes…)
Há um pormenor que você esqueceu, e ao qual eu sou muito afeiçoado, que é o seguinte.
Quando entrou aquele desfile dos eremitas à noite, trazendo a imagem do Sagrado Coração de Jesus, vocês devem ter sentido como era uma coisa extraordinária aquela! Era uma coisa extraordinária!
(Sr. Gonzalo: O senhor notou o passo…)
O passo graduado com uma dignidade, uma coisa! Eles se apresentam muito bem, mas estava uma coisa… Não estava uma coisa natural. Já no começo. E eu senti isso em mim. Eu senti uma espécie de abertura em mim para aquele sobrenatural, eu diria quase violenta, tanto aquilo me aprouve, tanto eu gostei daquilo, etc., etc. E que anunciava um plano da Providência de naquela reunião fazer alguma coisa que sobresaísse.
* Vamos entrando numa era de fatos extraordinários
Agora, a questão, meu filho, é a seguinte. Vamos tomar a coisa ordenamente, parte por parte, a coisa é a seguinte. Nós temos que considerar o conjunto de reuniões, desde aquela sexta-feira em que o Pe. David fez aquelas proclamações, etc., até a reunião de hoje. Deve ter havido uma ou outra reunião comum de permeio…
(Sr. Gonzalo: Houve aquela 4ª feira que não pegou, que o senhor chamou atenção.)
(Sr. Paulo Roberto: houve inclusive um papel naquela também, que foi uma infestação tão grande…)
Foi, eu acho também. Num sentido negativo, também foi uma reunião fora do comum. (…)
O conjunto desses fatos apresenta o seguinte quadro: uma série de coisas extraordinárias que acontecem coletivamente a uma associação, da qual é próprio nunca ou quase nunca ter acontecido alguma coisa extraordinária. Para mim é este é o status questionis, o ponto de partida da questão.
A única coisa extraordinária assim que houve… Houve duas coisas. Essa é de um certo acidente. Isso foi realmente uma coisa extraordinária. Agora, depois também uma coisa muito inferior, debaixo de todo ponto de vista, mas singular, é no dia do meu desatre, antes do desastre se dar, a mãe do Dér, que é meio ocultista, ter telefonado para cá, querendo saber do filho dela, porque ela tivera uma revelação de que o filho dela ia sofrer um desastre de automóvel. Isso é muito esquisito. Depois o fato se confirmou, não tem dúvida nenhuma, etc. E depois o Dér não manifestou a menor surpresa com o fato.
(Sr. Guerreiro: Isso foi um dia antes?)
No próprio dia. Pouco depois de eu ter saído, a mãe dele telefonou para cá — eu fui a amparo, não é? — muito aflita, que ela tinha recebido uma comunicação preternatural, ou sobrenatural, de que o filho dela ia sofrer um desastre de automóvel. Então ela queria saber do filho.
No desastre de automóvel o filho estava presente, e não sofreu nada. Mas isso não vem muito ao caso. A idéia do desastre de autmomóvel precedendo [o fato], porque quando ela telefonou para cá foi antes da hora de ter havido o desastre na estrada; do contrário podia dizer que um conhecido dela viu o dér ali no meio daquela gente, e perguntou o que era, qualquer coisa. Mas não foi. Foi antes. Isso é muito esquisito. São os dois fatos excecionais, com exceção da questão dos copos.
(Dr. Edwaldo: O Tancredo.)
É. Mas o Tancredo teve o negócio do copo que rompeu com D. Bertrand. Isso aliás eu vi. D. Bertrand estava sentado aqui, tinha na frente dele um copo, eu não sei se ele tinha bebido desse copo, eu não sei o que é, ele estava sentado à mesa, eu estava almoçando, e ele tinha o copo diante de si. O copo caiu assim: pum… Quebrou-se de contato com a mesa, derramou um pouquinho de água sobre a mesa. Nós tomamos nota do fato, mas depois falamos sobre outra coisa. Depois se confirmou aquela situação.
Mas, agora, passando para frente, quer dizer que nós temos uma série de reuniões públicas, comuns, realmente espetaculares cada uma a seu modo, completamente espetaculares, e na mais recente das reuniões, que foi a de ontem — hoje já não estava bem nessa série, embora houvesse alguma coisa — dá-se o fato que vocês descreveram aqui muito bem, eu não preciso voltar.
[Tudo isso] indica, ou parece indicar, antes de tudo e mais nada, que teria cessado uma era de aparente normalidade, e estaríamos entrando numa era de fatos tão extraordinários, que a Providência também interviria extraordinariamente, várias vezes, no correr do que vem.
Isto seria a aparência do fato.
Depois vem outro passo. E o passo é esse. De que natureza seria a primeira, ou a mais alta das interferências da Providência. Seria representada pelo copo que caiu. Então é preciso analisar a queda do copo, para ver o que se deduz dessa queda. Esse é o negócio.
* A queda do copo
Agora, o que se deduz da queda? A queda foi inteiramente inopinada, e que ela deveria — são duas coisas — ela deveria funcionalmente ter dado na fratura do copo, como a solução de longe mais normal. E que essa fratura não se deu. Esses copos aqui correspondem a um serviço que eu tinha, e que o João também tinha comprado para o Praesto Sum e para o São Bento. Vocês viram lá, é muito tênue, a parede de cristal é muito frágil. e depois também tem outra coisa, que não é um desses copos de encostar diretamente sobre a mesa, mas tem um pé muito alto, e no alto do pé uma concha. E essa concha é um tanto aberta demais para não ser muito provável que no ponto de inserção do cabo com a concha não quebrasse pelo menos ali.
(Sr. Poli: O senhor tinha usado em um dos almoços aqui um copo desses. E o copo caiu, sobre a mesa forrada com a tolha e o feltro por baixo, e só de cair ele quebrou.)
Foi. Tem o seguinte. Que a água estando dentro poderia ter concorrido em algo para a fratura. Ela estar carregando um peso quando ela quebrou. Podia ter concorrido em algo.
(Dr. Edwaldo: Ontem, só no encostar do copo na bora da bandeja seria suficiente para quebrar.)
Foi. Depois tem o seguinte. Não quebrou, mas outro aspecto: caiu com muita elegância, e caiu de pé. Agora, isto eu considero, eu não ousaria dizer que é um milagre, mas é um prodígio.
[Sr. Paulo Henrique descreve a queda do copo: o senhor tinha um minuto antes dado um esbarrão na mesinha. No senhor esbarrar, o senhor esbarrou de frente para trás. O normal seria ela tombar. Ao tombar, a taça bateria com as bordas fininhas na bandeja de metal. Mas ela deu um salto elegante, esbarrou no bordo da bandeja, esbarrou caindo de ponta, e deu um tilintar…)
Muito bonito, não é?
(Sr. Paulo Henrique: E aí sim deu uma volta, caiu deitada, suspendeu, foi um pouco para lá, e aí ficou de pé com muita resolução. Ela chegou a cair, e deu uma volta, ficando de pé.)
Mas me diga uma coisa: na bandeja havia toalha?
(Sr. Paulo Henrique: Sim senhor.)
Não é um pouco esquisito ela, sobre uma superfície de toalha, resvalar tanto assim?
(Sr. Paulo Henrique: Pois é. De fato era para tombar em cima da toalha, e bater a ponta dela nos rebordos da bandeja. Aí quebraria. Aí houve uma coisa prodigiosa mesmo.)
(Dr. Edwaldo: Ela não deslizou. Ela levou um impulso.)
Quer dizer, minha cotovelada a suspendeu do chão…
(Dr. Edwaldo: O senhor bateu com o cotovelo.)
Mas no sentido horizontal. Não dava para ela pular nem nada.
(Sr. Paulo Henrique: O que aconteceu foi prodigioso mesmo. Porque o que se passou foi muito…)
É muito improvável, pelo menos.
Eu gostaria, se você pudesse fazer uma descrição, e ao mesmo tempo ilustrar com desenho, porque para nós seria interessante ter mais de uma testemunha.
(Dr. Edwaldo: Eu vi também, mas não presenciei esse destalhe dela ter caído e depois se levantado. Se eu fosse descrever, sem ter ouvido o relato de outros, eu diria que ela deu uma cambalhota e caiu já de pé. Mas de fato ela caiu deitada e depois se endireitou.)
O Enrietti que tem estudos sobre esse assunto, disse que podia perfeitamente cair deitada, e pelo contragolpe não quebrar e ficar de pé. Mas é preciso notar que ela bateu sobre dois tapetes acumulados. Uma superfície, portanto, bastante macia. E que eu não posso compreender como é que ela ficou de pé.
Uma coisa que o João contou, e que tem interesse no caso, é que depois — vocês talvez tenham presenciado um pouco disso — ficou muita gente rezando lá. Se não me engano, ele me disse que ficaram até às 4 da manhã rezando lá.
(Sr. Gonzalo: Puseram eremitas ali para as pessoas não caírem em cima do copo.)
É, ou querer pegar no copo, cair e quebrar o copo. Aí não podia ser.
* A interpretação da queda do copo: de uma situação que nos esmagaria, sairmo-nos bem e com grande pulchrum
Bom, mas então vamos interpretar a queda. Quer dizer, seria uma queda que, ainda que provocada por qualquer fator, seria uma queda que teria duas características. Ela seria um risco muito grande que se evitaria, ou seja, uma confrontação muito grande que se teria que ter, e da qual era normal que saíssem esmagados, e que nós sairíamos bem.
Mas, outra é: não só sairíamos bem, mas sairíamos com grande pulchrum, que ajudaria a mostrar o caráter sobrenatural do fato.
(Sr. Gonzalo: Mas se cairia?)
Nós teríamos cambalhotas temíveis! E colocados em situações em que era inevitável que fôssemos esmagados, entretanto, etc.
(Sr. Paulo Roberto: A saída seria até inverossímel, uma situação absurda quase.)
É, exatamente. Daí essa interpretação explica a minha metáfora da gota d’água viajando dentro do copo. Explica isso. E tanto explicava bem, que o salão acompanhou a metáfora…
(Sr. Gonzalo: Todos nos sentíamos a gota dentro do copo.)
Exatamente. E todo o mundo. Foi um burburinho na sala, etc., etc.
* O mailing possibilita uma larga ação em escala internacional
Agora, o que eu hoje contei a respeito do caso da França, e depois do caso da Alemanha, é preciso também tomar muito em consideração. Eles evidentemente vêm com clareza que nós vamos explorar essa questão do mailing até o fim. E que, portanto, essa questão do mailing é uma questão de muito peso, de muita circunstância. E que de fato — isso eu acho que é o ponto capital — o mailing nos dá meios de agir em grande escala sobre certos acontecimentos internacionais. Este é o negócio.
(Sr. Paulo Henrique: Com o fichário que eles têm, o senhor fica dispensado da midia. O senhor se dirige ao público selecionado.)
Selecionado. É uma coisa de uma importância, para nós, é pular por cima da barreira da midia, e portanto de toda a muralha… Vamos dizer assim: é um muiro de Berlim que cai, num outro sentido da palavra.
(Dr. Edwaldo: Fica dispensado da midia e da saparia rica, porque dispensa arranjar dinheiro.)
Da saparia e da estrutura. Quer dizer, as grandes forças que no fundo estão fazendo essa Revolução, a serviço, naturalmente, de terceiro, são a saparia, que é o centro do negócio, que é quem tem o dinheiro, a midia e a estrutura.
* Uma graça “a la” Lituânia no mailing francês produz inquietação nos nossos adversários
E essas estão se movendo em grande estilo, os eclesiásticos estão publicando coisas, etc.; de outro lado, vocês viram a questão daquele projeto de lei, mas eles já estão vendo, pela resposta que chega, o seguinte dado.
Não é só o Caio que se surpreendeu com essa torrente de resposta. Eles devem achar muito esquisito que tenha havido aquela torrente de respostas. E devem estar deduzindo daí que há uma coisa qualquer, pelo menos em relação aos destinatários do mailing, um fenômeno a la Lituânia. É propriamente isso.
E eles, que conservam a memória, não esqueceram, da coisa da Lituânia, vendo que mais uma vez a um apelo nosso a Providência intervém de um modo assinalado — porque isso é de modo assinalado — que tantos homens, tanta gente tenha compreendido o alcance de uma leizinha dessa, e de uma coisinha em si vermicular, pequenininha, que tenham compreendido, é uma coisa muito digna de nota para eles. E que indica que não só o mailing está tendo poder, mas que está um vendo soprando na Opinião Pública que dá ao mailing esse poder.
E daí o contra-vapor ser tão forte, que eles chegam a acusar de escroquerie, etc., como aliás logo no começo aqui no Brasil estão fazendo, etc. Parece que dessa vez não é escroquerie, mas é uma coisa que caminha…
(Sr. Paulo Henrique: A caminho de, porque uma das denúncias partiu do próprio Ministério da Justiça.)
Pois é. A violência da réplica indica como eles se sentem concernidos nisso. Eu não disse no auditório, porque seria preciso ter em mãos os papéis, que mandasse mimeografar, mas não houve tempo de mimeografar, mas aquela história do Bunderstag alemão, aquilo tem uma coisa que diz pelo meio que vai ser examinado o caso. Com ares de muita normalidade, inocência, é um pão doce alemão dentro do qual tem uma pastilha envenenada.
* Um grande entrechoque se armando
Vocês somam tudo isso, vocês vêem o seguinte: que não pode deixar de ser, mas não pode de não poder deixar de ser, que isso tem que dar numa grande batalha.
Porque aquele fenômeno que eu indiquei hoje à tarde, do pessoal que é contra o aborto, aos poucos vai ficando direitista em outras matérias, e que também se dá a mesma coisa com o que é pró-aborto, mas aquilo é uma polarização de todas as opiniões direitistas, e de todas as opiniões esquerdistas, aquilo é uma regra de Opinião Pública…
(Sr. Paulo Henrique: É a pura verdade.)
Então eles percebem que, no fundo, as causas mais essenciais deles estão ameçando de entrar em risco nesse choque. Por outro lado, eles percebem que, pelos escritos dos Solimeos, eles não conseguem grande coisa.
Depois, sobre a questão seitas, é uma coisa extraordinária o discurso dos dois Cardeais, sobre a questão seitas, e que deixam a questão a mais cômoda possível para nós. Não sei como explicar isso, a não ser pors via do copo…
E então, onde nos pegar? Porque se eles nos deixarem avançar, não tem dúvida de que isso cria para eles uma situação de caráter internacional sem saída.
Vocês têm visto eu sempre fui muito cuidadoso em não estar interpretando que a TFP está movendo céus e terras, nem nada disso. Empenhando em perceber tudo o que ela faz, e não cair numa visão negativista. Isso não tem dúvida. Mas empenhado em evitar exageros, sempre, muito. Dentro dessa visão, eu desta vez digo: eu acho que nós estamos proporcionados a acontecimentos de caráter internacional.
(Dr. Edwaldo: Aquela carta da Santa Sé para o senhor é muito indicativa.)
Muito indicativa. Não têm por onde pegar, então “vamos fazer uma amabilidade aqui”, etc., etc. (…)
E, portanto, tudo isso entra na linha de conta para indicar uma pressão nossa que vai avançando em todos os campos.
* “Izvestia” publica notícia sobre D. Luiz
(Sr. Guerreiro: Por que o senhor não está considerando a questão monárquica no Brasil?)
Por exemplo, essa questão. O “Izvestia” publicar o artigo sobre D. Luiz que publicou. Vocês viram. Aliás, os dois ficaram impressionados, hem?
(Sr. Gonzalo: É uma coisa curiosa.)
Curiosa. Curiosa.
(Sr. Guerreiro: Uma coisa meio gorbacheviana.)
Ouvi dizer que o “Izvestia” é meio anti-Gorbachev. Ouvi dizer. Também não dou certeza nenhuma. De qualquer maneira, a gente vê até onde chegam os remeleixos que estamos fazendo.
(Sr. Paulo Roberto: Eles falam de monarquia para a Rússia também.)
Pois é claro. Aliás, veio uma notícia de um certo grupo de monarquistas — um desses jornais deu, mas eu não recortei — um certo grupo de monarquistas russos proclamou Imperador da Rússia, em território russo, um tal Grão-duque Vladmir. Eu não me lembro bem se o Grão-duque Vladmir é o mais conhecido deles.
Agora, então veio um protesto de outros grupos monárquicos, que achavam que isso era uma palhaçada, uma coisa ridícula, não sei o quê.
Mas tudo isso junto representa um remexe-mexe, de uma estatura que parece um sonho em comparação ao que há dois anos atrás podíamos. (…)
* O hábito branco, a mais bonita modalidade dos hábitos da TFP
Eu tive uma conversa um pouco por alto, porque eu estava muito cansado, quer dizer, eu voltei da reunião e descansei uns 20 minutos deitado no meu quarto, no São Bento, depois passei para aquele salão para jantar. E o João Clá e o Fernando Antunez ficaram comigo.
A conversa foi assim. Chamou-me muita atenção hoje o papel que fazia, no conjunto do auditório, os eremitas de hábito branco e escapulário marron. Eu acho que aquilo fica de uma beleza… Das várias modalidades de nosso hábito, a modalidade mais bonita, a meu ver, é aquela. É muito bonita. Mas, acontece que, não sei seé um fenômeno de luz, o que é, a túnica que é branca, porque aparece por debaixo do hábito, estava neles de uma alvura de chamar a atenção.
E como fortuitamente sentaram-se vários juntos, em duas, três fileiras, tinha muitos deles, chamava muito a atenção, e eu fiquei com a atenção muito chamada para a beleza disso. Então comecei a interrogar o João —mirabile dicto — matéria que eu deveria conhecer na ponta da língua, mas por falta de tempo não conhecia bem, quem é que usa hábito todo marrom, quem usa hábito marrom e branco, etc., que eu deveria saber perfeitamente, e está ao meu alcance: era só eu perguntar que ele me diria. Mas não sabia.
* As vocações e as apostasias em função do Fundador
Começamos a falar sobre isso, etc., e daí a conversa, pelo seu curso natural, versou sobre a questão das vocações. Eu tratei com ele a questão das apostasias, o número de apostasias que há, e o que não há, e como é. Porque o pessoal novo lá da Saúde atrai muita gente, mas sai também muita gente. Mas, acontece que eu trato muito com esses meninos, e vejo que muitos deles, poder-se-ia dizer, à primeira vista, que se trata de vocações apressadamente supostas. O sujeito é um molequinho da rua, que não tem bem aonde ir, encontra um ambiente como o nosso, então entra e se extasia.
Mas não é isso. Porque eu vejo que muitos têm verdadeiramente vocação. Então, o que é que acontece que essas vocações não entram todas… Tanto mais que há um outro problema interassante. É que eu pego esses novatos, em concreto dois que estavam nos servindo, eu olho o jeito deles, eles estão no São Bento como quem está à vontade completamente, não deixando transparecer o menor desejo de levar outra vida, de apostatar, de nada. Tudo perfeitamente bem. Chega de repente: puft!
E o João estava sustentando uma tese, depois de apalparmos o assunto sob vários aspectos, estava sustentando a tese seguinte: que a coisa no fundo depende de uma certa visão… Ele primeiro disse que das várias impressões que eu poderia causar, a impressão de radicalidade assusta a vários deles, e que talvez isso esteja na raiz de algumas apostasias dessas.
Depois, ele mesmo, como que refletindo e se corrigindo, disse que não é isso. Que não é radicalidade, nem isso e aquilo, mas que é o conjunto de minha pessoa. Uma visão de conjunto, em que o indivíduo vai bem impressionado por essa visão de conjunto, mas que de repente a visão de conjunto deixa de entusiasmar, de encantar, que cessa como uma luz que se apaga. Então é incontenível, o sujeito apostata.
* Graças que seriam contragolpes à pressão que o Grupo sofre de fora
Eu achei muito bem pensado. Bom, agora, aqui estaria um problema que eventualmente se relacionaria — eu até com o João não relacionei, porque eu estava com pressa de vir para cá, etc. — mas se relacionaria com o problema da graça à tarde, e outras coisas assim. É como contrapeso vir uma certa graça que firmaria muito mais as pessoas nesse ponto.
(Sr. Gonzalo: Contrapeso aos estrondos?)
A tudo quanto se faz, a toda a pressão que estamos sofrendo cada vez mais, viria isto. E eu acho que isto tem certo propósito. Eu fiquei ainda de aprofundar com ele, conversar um pouquinho com ele, mas assim me parece que tem um certo propósito. E que isso realmente poderia estar na raiz de muitas perseveranças, pessoas que perseveram por isso, mas também na raiz de muitas apostasias.
E creio mesmo que vocês seis que estão aqui, poderiam dar um testemunho disso. Porque conhecendo-me a tantos anos, é impossível que essa visão de conjunto não tenha sido provada, não tenha tido muitos momentos de comprazimento, mas muitos momentos de aridez também. E é impossível que isto não explique muita coisa. É impossível.
Não sei o que acham disso?
(Sr. Paulo Roberto: Acho que é isso.)
É isso, não é?
(Sr. Gonzalo: Nossa Senhora dando graças em função dos embates que vêm.
Em função do embate. Bom, meus caros… (…)
* Esperar na especial proteção de Nossa Senhora para os dias que chegam
…a interferência de Nossa senhora, por não ter perdido a virgindade dela. Uma freira, hem? Mas freira para eles, não ligam a mínima. Então, o grande pavor que eu tenho nessas coisas, e é compreensível que vocês tenham, é que façam conosco, e a questão de idade não entra em caso, o que fizeram com os rapazes da Venezuela. Eles foram protegidíssimos ali! Foram protegidíssimos! Mas, eles quiseram perder aqueles rapazes.
(Dr. Edwaldo: Sem uma intervenção de Nossa Senhora, é certíssimo que eles vão por aí.)
Eu acho que é indiscutível. E ela mesma disse que ela não tomou AIDS por causa disso. Não apanhou AIDS por causa disso. Ela saberá porque, não entrou em pormenores. E acho que no nosso caso é por onde vão.
(Sr. Gonzalo: O senhor está fazendo uma previsão. É uma coisa muito séria.)
É. E aí é a tal história da gota d’água dentro do copo.
(Sr. Paulo Roberto: Aí, só mesmo entrando uma confiança…)
Não tem outra coisa.
(Sr. Gonzalo: Mas pedir muito pelo senhor, para que Nossa Senhora nos pegue a nós antes que haja qualquer coisa com o senhor…)
Seria uma coisa terrível, não é? Depois também no grupo as faltas de confiança, e com isso tentações. Porque na falta de confiança vem logo a tentação: “Não, aqui eu ofereço isso. Vá se divertir, que passa isso…” É a tentação. Eu tenho visto tantas vezes.
Bem, meus caros.
(Sr. Gonzalo: O senhor poria essas intenções nas orações,)
Pois não meu filho. Vamos pôr agora. Vamos rezar a Oração da Restauração.
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