Conversa de Sábado à Noite – 18/5/91 – Sábado – p. 11 de 11

Conversa de Sábado à Noite — 18/5/91 — Sábado

No 24º aniversário da Sempre-viva, a explicitação da complementaridade das almas dos súbditos pelo espírito do Fundador * A cada um é dado uma graça especial de discernir no Fundador aquilo que o completa * Discernir e conhecer a Revolução através dos olhos do Fundador; discernir e conhecer a Contra-Revolução e a Igreja no Fundador * A SDL e a Sempre-viva

para o jardim, e punha a folha num lugar do jardim, e deixava chover. E quando acabava a chuva, ela ia ver que a chuva não tinha molhado aquela parte. E ficava maravilhado com o acontecimento!

Você vê que… ah, ah, ah! E nós, naturalmente, a criançada, vocês compreendem, logo o debique, etc.

Bem, e ele acabou chamando tudo quanto é príncipe de Mimito, está compreendendo?

* Como se dá a complementação de nossas almas pelo espírito do Fundador?

Bom, mas qual é o tema?

(Sr. Guerreiro: O Coronel nos deu um relato da conversa de hoje no almoço, em que o senhor tratou da Sagrada Escravidão. Pareceu-nos que hoje no almoço houve uma graça de explicitação desse ponto, e ela veio acompanhada de um certo vento…)

A meu ver de uma certa consolação sensível. Tenho a impressão.

(Sr. Guerreiro: E de tal modo esse assunto vem para nós com uma tal força de realidade, que a pergunta seria naturalmente sobre esse ponto. O senhor afirma às tantas, com base em S. Luiz Grignion de Montfort, que Nosso Senhor desde todo o sempre nos concebeu de um determinado modo, e nos modelou uma alma por onde ela só se complementaria com a pessoa do senhor. Esta afirmação que o senhor fez, a gente vê que isto é de uma realidade, nos veio com uma força de realidade muito grande. Posto que Nosso Senhor, Nossa Senhora, nos construiu uma alma, de tal forma que ela só se complementa em função do senhor, essa situação de nossas almas é irremissível. Ela foi modelada assim pela Providência, e isto não pode mudar. Nós vimos que da compreensão dessa realidade, ela de tal modo nos explica a nós mesmos, que naturalmente nos vinha então desejo que o senhor, hoje, festa da Sagrada Escravidão, que o senhor continuasse a tratar desse ponto.

(Outra questão ligada a esse assunto. O senhor dizia que na medida em que nós abríssemos a alma para essa graça, e fôssemos olhando o senhor, nós receberíamos graças, e essas graças seriam como que luzes já do Reino de Maria…) (…)

(…tudo se fazia pedindo a intercessão dela, SDL. Daí viria todo o papel dela no acender das luzes, a que o senhor se referia. Tem essa temática anterior, que é a modelagem da Providência de nossas almas, todas elas feitas para serem complementadas pelo senhor. O senhor não poderia desenvolver um pouco mais todo esse tema?)

* É preciso ver no espírito do Fundador a particularidade que completa a cada um

Tem o seguinte. Naturalmente o que eu vou dizer é de uma pessoa que não tem estudos teológicos especiais, e, portanto, se em alguma coisa eu estou enganado, não for a doutrina católica, eu queimo e aceito a doutrina católica e não o que eu vou dizer. Mas, eu não vejo por onde não possa ser a doutrina católica. Mas, em todo caso, é bom dizer isto antes.

Eu tenho a impressão de que, para que essa complementação se dê, é que é necessário exatamente que cada um que foi chamado para isso veja aquilo que o deve complementar.

Você veja, por exemplo, aquele quadrinho que está ali. Se aquele quadrinho tem alguma tarefa na formação do meu espírito, eu preciso vê-lo. Se eu não vir, o quadrinho não exerce sobre mim esse efeito. E, portanto, era preciso ver no meu espírito alguma certa particularidade que ela sim complementa a todos, cada um do seu modo.

* É nos dado a graça de um discernimento dos espíritos especial para vermos o espírito do Fundador

E qual é essa particularidade? Como é esse ver?

É por meio de uma graça de discernimento dos espíritos, que é dada não geralmente para pegarem todos os espíritos, mas para verem meu espírito. Bem, e verem de tal maneira que vejam com aquela clareza especial, que é mais do que uma graça que pode ser corrente, ou ao menos pode ser freqüente, de discernimento dos espíritos, mas é uma graça insigne de discernimento dos espíritos, a respeito deste ponto. De maneira que aquilo que constitui a minha mentalidade, seja a mentalidade daqueles a quem a minha mentalidade deve complementar.

Então nasce aí uma teoria de um discernimento dos espíritos especial, e individual. Não é como o discernimento dos espíritos que pode ter um para conhecer muitos outros, ou para conhecer todos os outros. Mas é dado para isto. E tem nisto uma agudeza muito maior do que o discernimento dos espíritos comum.

* No primeiro contato: “Afinal, eu te encontrei!”

Agora, aí a gente começa a se perguntar quando é que começa este relacionamento na história de cada um de nós, no mútuo relacionamento. Mas, em geral, é no primeiro contato, no primeiro ver há alguma coisa onde eu vejo naquele que entra o por onde ele me completa, em complementando a família de almas que deve ser um halo em torno de mim, e sem a qual eu sou incompleto. E ele me vendo, vê o por onde fica dada a nota fundamental que ele não tem, a respeito da qual até ele tem a peculiar cegueira dos homens do nosso século, mas é uma nota na qual ele vê aquilo, e se sente levado àquilo por uma espécie de admiração afetuosa. E que diz no fundo alguma coisa assim: “Afinal eu te encontrei!”

É alguma coisa nesse gênero. E que cria a seguinte reação caracterísitca: “Eu devo passar a minha vida olhando para este ponto”.

Donde, exatamente, a coisa característica do thau, que é: aqueles que recebem o thau, e moram fora de São Paulo, ficam com o propósito de vir assiduamente para ter esse contato. Você transpondo os Andes, você vir do Estado do Rio, etc., dos vários lugares, de maneira que aqui não tem um que originariamente morasse em São Paulo, mas que resolveram ir vindo, para irem fazendo essa operação que vocês não saberiam dizer — eu também não saberia dizer — mas que era de uma complementação.

* O thau do principiante é um luminoso e difuso discernimento dos espírito que atinge seu ápice na Sempre-viva

Agora, no começo o thau do principiante já é uma luminosa mas difusa visão. É um luminoso e difuso discernimento dos espíritos. Isso depois, com o tempo, vai crescendo, crescendo, até chegar o pincaro da Sempre-viva, onde está subentendido tudo o que eu estou dizendo, mas em que nem mesmo eu naquela época saberia discernir com a precisão que eu estou discernindo, por exemplo, esta noite.

* Devemos discernir e conhecer a Revolução através dos olhos do Fundador

Agora, haverá um determinado momento em que se nós formos fiéis a essa graça, ao para que esse discernimento nos convida, se nós caminharmos nessa direção, o que é que vai acontecendo conosco?

É que o que é característico do meu espírito é a Contra-Revolução. E isto não é uma palavra solta, tem que ser explicitado. É a Contra-Revolução nesse sentido da palavra: que se trata de conhecer tudo quanto é a mentalidade da Revolução, a psicologia da Revolução, como quem conhecesse um demônio, ou conhecesse uma pessoa. Porque a Revolução é tal, que no conjunto a alma dela é assim. Constitui um corpo místico do demônio, segundo a expressão própria de São Tomás de Aquino. Constitui um todo vivo, um todo de almas, mas imbricadas umas com as outras de tal maneira que forma como que uma pessoa só. E esse todo, evidentemente, pode portanto ser visto como se fosse uma pessoa só, embora se saiba que não é.

E é também a visão do por onde minha alma rejeita aquilo, o discernimento meu do que é a Revolução. No olharem como eu vejo a Revolução, como eu discirno a Revolução, vocês através dos meus olhos vêem melhor do que pelo mero discernimento dos espíritos individual. De maneira que a visão que vocês têm é uma soma do discernimento ddos espíritos individual, já recebido de mim pela vocação, mais do ver em mim e não na Revolução.

Por exemplo, toda a Revolução Francesa, nós temos um discernimento dos espíritos especial para a Revolução Francesa. Vocês têm um conhecimento da Revolução Francesa, e pelo thau já recebido em função de mim, vocês têm um discernimento pessoal do que é a Revolução Francesa. Mas, conhecendo, além do discernimento pessoal de vocês, em mim, o que eu vejo da Revolução Francesa, aí se completa uma coisa que vocês deveriam saber para serem inteiramente vocês mesmos. Vocês deveriam ver de um modo, entender de uma forma, etc., etc., de maneira a conhecer a Revolução Francesa. O que integra vocês: enquanto vocês não entenderem inteiramente como foi a Revolução Francesa, vocês não estarão completados.

E depois gera perturbação de toda ordem, essa não complementação.

* E nele ver a Contra-Revolução e a Igreja, da qual ele tem o discernimento dos espíritos especial para ver o que nela foi embaçado pela Revolução

Depois, há um ponto mais alto que é ver em mim o que eu vejo da Contra-Revolução. Ou seja, ver a respeito da Igreja o que ela é de fato, e que tantos besuntamentos e coisas que vocês sabem levou a embaçar, não a negar, mas embaçar.

E é uma coisa evidente que eu tenho um discernimento dos espíritos da Igreja, na qual eu vejo com particular clareza o que por desejo da Revolução foi embaçado nela. E que é também por esse mesmo processo, quer dizer, em parte pelo que vocês vêem, mas em parte porque vocês vêem não com seus próprios olhos, mas em mim, é assim que vocês adquirem o conhecimento inteiro da Igreja, de como ela é, no olhar da Contra-Revolução. E podem amar a Igreja como um contra-revolucionário deve amar.

* Um discernimento do passado, do presente e do futuro

E esta soma de discernimentos sucessivos chegam, pelo conhecimento que temos dos planos do demônio, etc., a discernir o plano do demônio para a 4ª Revolução, e a 5ª Revolução. Então nós temos um discernimento do passado, e um discernimento do presente, e um discernimento do futuro, vistos por esse mecanismo.

* Somados esses discernimentos num espírito fiel, a afinidade com o Fundador transpõe quaisquer distâncias. Este é o suco da obediência

Agora, quando esses discernimentos se somam num espírito fiel, forma uma afinidade tão grande comigo, que a léguas de distância, e sem nenhuma possibilidade de comunicação, um espírito e outro caminham na mesma direção.

Bem, e aqui está o suco da obediência, que não é dar ordem, por exemplo, de mudar a posição das suas mãos, ou não sei mais o quê, essas ordens para treinar a obediência, têm seu papel, mas não é isto. É essa sincronia de pensamento que faz com que a grande distância isso se sinta, se faça, se perceba assim. E que verdadeiramente faz de nós um.

Agoram quando todos façamos um, então aí esse um tem esta sincronia com o Coração Imaculado de Maria, e com o Coração de Jesus, de grau em grau.

* Assim nasce o Reino de Maria

Agora, no chegar a seu ápice, nasce uma visão tão clara e tão boa… Vamos dizer o seguinte: ao longo dessa caminhada forma-se e atinge o seu ápice, no ápice da caminhada, uma visão tão clara, tão luminosa do que é o bem e do que é o mal, do que é a verdade e do que é o erro, do que é o belo e do que é o feio, e de tudo como deve ser, e com o espírito tão alto, que já é o começo do Reino de Maria.

Quer dizer, ainda que não houvesse a Bagarre, e ainda que não houvesse nada, o Reino de Maria nasceria assim. De maneira que a teoria josefernandiana da Bagarre, que é uma teoria verdadeira, é muito complementar.

(Sr. Guerreiro: Muito adjetiva.)

É, muito adjetiva. Ela é verdadeira, nós devemos amá-la como eu a amo, etc., mas a questão é a seguinte: pensar que é nesta ocasião que se daria uma tal união de almas, vê-se que não está bem pensado. Nem vale a pena perder tempo refutando isso. É apenas de passagem afastar com a mão.

(Sr. Guerreiro: É como a Bagarre no Oriente Médio.)

É isso, exatamente.

* Essa união de almas pede a recusa de qualquer conivência com a Revolução e um amor sem restrições ao que nos é proposto nessa via

Agora, vamos virar a coisa do outro lado. Por que razão é que isso não se fez?

É porque no começo, no primeiro chamado do thau, houve um pedido, que era o seguinte: “Largue tudo!” Mas, não é largue tudo no sentido de largar o paletó, largar o relógio… Não é isso não. Largue qualquer forma de conivência, ou de condescendência que você tenha com qualquer coisa da Revolução, e ame sem restricção o que lhe for proposto nessa via.

E aí há recusas… “Na minha família vão achar feio…” Vocês conhecem essa história, não preciso estar dizendo. “Tio fulano não pensa assim”, e etc., etc., etc. E aí se esclerosa uma das veias iniciais desse sistema. E o sistema continua a progredir, mas já definhado.

Assim, com sucessivas recusas, chega a parar. Por bondade de Nossa Senhora, há qualquer coisa nessa aceitação primeira que é tão forte que ela não permite que desapareça. Mas é mesmo porque ela não permite. E então dá a figura do escravo morto, para uma escravidão morta durante vinte e quatro anos, tranquilamente, hem?

* Infiéis ao chamado, ficam como cães famintos em volta da cidade

Há uma frase da Escritura, não sei onde está, mas que diz mais ou menos o seguinte. Para pintar a miséria de certo estado de alma, ou do povo de Israel em certa ocasião, etc., diz o seguinte: “Eles circundarão a cidade, e terão fome como cães”. A gente imagina o que é. Antigamente os cães soltos pela rua, que vão se multiplicando assim, eram de vez em quando postos fora da cidade. E os guardas das portas não permitiam que o cão entrasse. Então deveria haver cães famintos rodeando a cidade. De vez em quando um jogava pão para o cão, o cão vivia mais um pouco. Mas era a imagem da miséria.

Quando o indivíduo começa a fenecer assim, ele procura num gesto louvável, mas de impotência, ele procura realmente progredir na vida espiritual, mas é progredir no sentido comum da palavra. Ele quer, por exemplo — eu louvo muito — ele quer não mentir mais, ele quer rezar mais uma Via Sacra por semana, etc., etc.

(Sr. Gonzalo: Acaba ficando meio tradeau.)

Meio tradeau, exatamente. Bem, eu louvo muito que faça isso, até pode ajudá-lo a se desentalar da situação em que está. Mas, se o indivíduo deita nisso a sua esperança fundamental, ele fecha os olhos para o problema.

(Sr. Guerreiro: Pode ir até para o céu, quem sabe…)

É, quem sabe? Depois de não sei que purgatório. Mas para o Reino de Maria não.

Então, o indivíduo fica em torno desse ponto que ele não quer ver, faminto como um cão que circunda a cidade. Faminto do quê? Era só ele aceitar aquilo, que ele mataria a sua fome, as portas da cidade se lhe abririam. Aquilo ele não quer. É o modo de ser que a Tia Sebastiana condena, é o modo de falar do qual o primo Juju faz sarcasmos horríveis, e etc., etc.

(Sr. Poli: Aquilo então é qualquer conivência com o espírito da Revolução, e abertura inteira para a Contra-Revolução?)

Isso. Mas não é para a Contra-Revolução lida num tratado de História só. Sobretudo não é isso.

* Recusando a graça, produzem-se desajustes temperamentais, para os quais não se quer aplicar o verdadeiro remédio

Agora, o que é que acontece? É que começam então a se produzir desajustes temperamentais, e desajustes com a própria vocação. E, conforme o caso for, são nervosas, são ambições, são… vocês sabem: formas de vaidade, etc., etc. Também não tenho que estar falando. Mas que são acompanhadas de problemas pouco mais ou menos nocivos ao equilíbrio neuro-psíquico. Então o sujeito fica todo sem saber o que fazer de si mesmo, fica todo atrapalhado. E ele deveria desfazer o nó, voltando ao ponto. E o ponto ele não quer.

Você falava há pouco da obra do João. Eu várias vezes comentei com o João isso, que infelizmente invejosos da obra dele não faltam. Eles vêem o que é que o João faz para obter o resultado que tem. Mas eles que quereriam ter os frutos que ele colhe, não querem empregar o meio que ele emprega. E que é evidente. Mas, há um certo apego que ali não. Deste jeito não, assim não!

Então, pode por exemplo aí ficar querendo alcançar esse fruto, como um homem que quer morder o próprio cotovelo. Então vai dando giro em torno de si à procura do cotovelo, mas não encontra. Assim também esse quer fazer uma obra como a do João, mas sem empregar o meio do João. E, naturalmente dá no que vocês conhecem. Não preciso tratar dessa questão.

Uma pessoa poderia dizer: “Mas eu quando iniciei essa obra, falei muito a respeito do senhor!” Não basta. É preciso falar com esse discernimento dos espíritos, sentido em si, comunicado aos outros. É fazer funcionar esta máquina. Fora disso não adianta fazer nada. A coisa é esta.

* Nosso anjo da guarda tem por missão capital fazer com que sejamos assim, e o demônio da perdição quer o contrário…



(Sr. Gonzalo: E com um demônio atacando especificamente esse ponto, que é super explicável que exista.)

É evidente que ele faz isso. Mais ainda, hem? Eu creio que se tudo isso é verdade, a missão capital do nosso anjo da guarda é de nos fazer exatamente ser assim. E que o demônio de nossa perdição exatamente quer o contrário. E que nisso é que entra o âmago da luta da Revolução e da Contra-Revolução em nós.

Isso seria a síntese, tanto quanto eu me lembro do que se tratou no almoço. O Coronel tomou nota, talvez…

(Sr. Poli: Foi isso sim.)

Quer dizer, depois disso, hoje, nos intervalos do dia, no momento que se tenha um pouco de tempo, eu fui procurando refazer esta ou aquela recordação, etc., para ver se confere. Confere pormenorizadamente.

* A triste cegueira do que recusa a complementação do Fundador

(Sr. Poli: O senhor falou no almoço a respeito da cegueira que a pessoa tem em relação a essa complementaridade, e como a pessoa fica atrapalhada, e quem menos nota o ponto por onde devia ser complementada é a própria pessoa.)

É isso. É um dos pontos doloridos da questão. É que nos padrões humanos comuns, nós fomos habituados à idéia de que nosso ponto de honra, nossa dignidade de varões consiste em não precisar de complementação. E que, portanto, nós devemos rechaçar a complementação como sendo um horror.

Isto é ligado a toda a mentalidade da Revolução. É a negação de um papel da hierarquia nas almas. A meu ver esse papel da hierarquia nas almas deve ter, se se estudar bem, similitude com a relação dos anjos uns com os outros. Deve ser uma coisa assim.

E certamente dos religiosos com os fundadores respectivos. Para São Francisco Xavier chegar a dizer que Santo Inácio era o Deus dele na terra, compreendem tudo quanto isso quer dizer. E as pessoas com a idéia da dignidade própria que não se deixa levar pelos outros, com a idéia de que nunca haverá um outro que exerça honestamente um magistério desses, uma direção dessas, porque os homens são ruins uns com os outros, e não são dignos dessa direção, então recusa isso e diz: “Até lá não vai!” Quando ele diz “até lá não vai”, ele fica cego para toda a falta que fica fazendo a ele aquilo que ele recusou. É uma cegueira especial.

Donde nasce que o indivíduo reconhecerá em si todas as faltas que quiser, esta ele não reconhecerá: que ele deveria ser complementado e que não quer.

* Como a “eureka” sobre o papel manchado, a SDL suavente dilui e faz desaparecer as manchas de nossa alma

(Sr. Gonzalo: O senhor poderia tratar um pouquinho do papel da SDL nisso? Porque entrou uma culpa muito grande de nossa parte, mas há também uma infestação preternatural. E o papel desinfestante da SDL é enorme também.)

Sim, mas é um papel especialmente grande — não é muito grande só, mas é especialmente grande —, no seguinte sentido. Ela faz com os defeitos que adquirimos nisso, como uma coisa que eu não sei se ainda se usa hoje, um negócio chamado “eureka”, para apagar mancha de tinta feita num papel. É um líquido… Antigamente se usava muito. Eureka em grego quer dizer “encontrei”. E indicava o entusiasma que causou na época o encontrar isso. De fato era uma coisa que, tinha uma mancha, você escreveu alguma coisa num papel, tinha dois vidrinhos: usando aquilo com uma proporção, e com um mínimo de habilidade, a mancha de tinta passava. Notava-se que o papel tinha sido corroído, mas pelo menos não se podia saber o que o papel tinha. De maneira que você podia conservar o papel sem entregar o segredo do papel. Então é uma grande coisa: eureka!

Esse papel é o dela. O papel do eureka no papel manchado é o dela na alma. Quando a pessoa chega lá, fica junto à sepultura no cemitério, e rezando, não rezando, olhando, enjolrando por lá, aquele eureka vai passando na alma, e as resistências vão se tornando menos débeis, as cegueiras vão se tornando menos grossas, as apetências más vão se tornando menos furiosas, e a coisa vai baixando, pelo contato de uma doçura espiritual diluente, que dilui a mancha e faz desaparecer.

(Sr. Guerreiro: É um “segredo sublime” mesmo…)

É um “segredo sublime”, é verdade! Isso é que é eureka. Ainda hoje eu estive lá, ontem eu estive lá também, e eu estava vendo. É a mesma coisa. Eu só teria que repetir o que eu já tenho comentado com vocês: aquelas pessoas todas paradas, sempre com essa coisa esquisita dessa geração, encostadíssimos uns nos outros, quando não há razão para isso. Mas eu desconfio, hoje em dia, que é para ficar mais perto da sepultura.

(Sr. Gonzalo: E como o senhor vai passar, todo mundo quer ficar mais perto do senhor.)

É possível também… É possível. Bem, o fato concreto é que eu percebi que não é um defeito tonto de uma geração estarem todos acumulados uns nos outros, mas é por causa disso. Mas eu acho que se aproximando mais do lugar da sepultura onde sabem que ela está, sentem de algum modo que essa ação é mais intensa.



(Dr. Paulo Roberto: Mas é isso mesmo. A gente gostaria de pôr a cabeça lá dentro.)

É isso!

(Sr. Gonzalo: O Sr. João entrou lá dentro uma vez, e disse que é uma bênção impressionante. A distância é pequena, mas…)

É, é outra coisa. Bem, mas aí é um papel todo contra-revolucionário, no sentido próprio da palavra: é a eureka em cima da Revolução. É uma coisa admirável, que explica aliás o ódio… Porque é fora de dúvida que quando a Revolução fala disso, fala com ódio, não é?

* Se a Revolução pudesse, destruiria a sepultura da Senhora Dona Lucilia

(Sr. Paulo Roberto: Querendo destruir.)

Ah, não, se puderem por exemplo num período em que haja caos em São Paulo, qualquer coisa, eles destroem umas quatro ou cinco ou dez sepulturas naquele cemitério. Uma é a dela. As outras destroem para tapear. Então, por exemplo, destroem a da Marquesa de Santos, que é o contrário dela… Como, aliás, eu tenho muita desconfiança — não sei se vocês se lembram que houve um tempo que havia um culto ao jazigo da Marquesa de Santos…

(Sr. Paulo Roberto: Ainda há!)

Mas diminuiu, não é?

(Sr. Gonzalo: Diminuiu sim.)

Diminuiu de tal maneira que, quando eu vou, eu percebo um sinal quase imperceptível. Mas houve tempo que houve ativo. Naturalmente ninguém achava ruim. É à vontade. Por que não? Mas aí é à vontade, está tudo muito bom. Eu acho que era uma provocação, com a esperança de que nós sentindo o antagonismo, quiséssemos pelo menos jogar no chão as velas queimadas junto à sepultura da Marquesa. Um pouco como revide. E que então cultores da Marquesa destruiriam alguns arranjos florais, etc., na sepultura dela. E que isso desse correria no cemitério durante a noite, etc., para então proibir esse culto no cemitério, escândalo, etc., etc.

Como nós deixávamos aquilo passar sem olhar, sem dar importância, perdeu a graça e a coisa se esvaiu.

* Uma participação no carisma do discernimento dos espíritos para uso próprio

Agora, o que eu achava que seria muito importante, é que vocês se chegassem a lembrar isso de cor. Porque se não lembrar de cor, ficar assim uma coisa vaga, não adianta nada. E depois também o negócio de ter guardado num papel, o papel amarela em cima da mesa da gente, com os livros que a gente projetou ler e não leu, com os recortes de jornal que a gente ficou de ver e que não viu, com sujeira, com guarda-chuva quebrado que ficou lá para consertar e que não consertou, e daí para fora. Isso não adianta nada!

(Sr. Gonzalo: A partir de segunda-feira vamos estudar.)

Eu achava que conviria muito. Mas, tendo sempre como idéia que isso se trata de uma graça mística de discernimento dos espíritos.

Eu estou vendo uma objeção: é que o discernimento dos espíritos é um carisma, e que o carisma é dado ao indivíduo não para o bem próprio mas o bem do outro. E aqui é um carisma que é dado ao indivíduo para o bem próprio.

Isso é quadratice, simplesmente. Porque, por exemplo, se eu tenho o carisma do discernimento dos espíritos, e vejo no indivíduo que ele, por exemplo, pode ser má companhia para mim, eu devo servir-me disso para meu uso. E, portanto, não é exclusivo como costumam dizer.

(Sr. Guerreiro: O carisma é dado ao senhor; a nós é dada uma graça para discernir esse carisma.)

É dada uma participação nesse carisma. É uma participação, o carisma é uma coisa sobrenatural.

(Sr. Guerreiro: O senso psicológico é um dom, que é inerente à própria natureza humana.)

É, mas aí é um dom natural, não é o dom sobrenatural do carisma.

(Sr. Guerreiro: A graça do carisma atua sobre esse senso psicológico que todo homem tem, mais ou menos.)

Soma-se a isso, funde-se com isso.

(Sr. Guerreiro: Nossas almas foram construídas por Deus, de tal forma que eles foram feitas para ficar nessa dependência, onde elas só se complementarão na união com o senhor.)

É, como eu imagino que seja um anjo com outro. (Vira a Fita)

(Sr. Guerreiro: …são considerações que vale a pena a gente fazer para agradecer a Nossa Senhora no dia da festa da Sagrada Escravidão, essa suprema e bendita bem-aventurança que Ela nos proporcionou, e que, com o auxílio e a possibilidade da SDL, nós podemos passar a eureka nas inconformidades e ingratidões que tivemos com esse dom arqui-iminente que a Providência através do senhor nos concedeu. Essa explicitação de tal modo nos explica a nós mesmos em função da História, que é realmente uma imensa alegria poder conhecer isto tudo com essa clareza que o senhor explicitou.)

É, meu filho, uma primeira visão do Reino de Maria. Mas, o que é tocante, é que é nascendo em cada um de nós.

* Nossa Senhora, Rainha dos Corações, e Rainha dessa união de almas com o Fundador - O Segredo de Maria

(Dr. Edwaldo: São Luiz Grignion diz que o Reino de Maria começará nos corações. É o que o senhor explicitou. Por isso Nossa Senhora no Reino de Maria será Rainha dos Corações.)

Isso, isso! Não, e depois aqui muito bonito é o seguinte: é que a gente compreende que assim é que Ela é Rainha dos Corações. É mais ou menos como dizer, por exemplo, como Ela é Rainha dos Anjos. Ela é a Rainha dos Anjos, que movimenta isso que se poderia chamar o mecanismo da inter-ação dos anjos uns com os outros. Assim também entre nós.

Quer dizer, tudo se esclarece tanto, tudo fica tão rico, etc., que é uma beleza.

(Dr. Edwaldo: O Segredo de Maria vai por aí.)

Isso. É, o Segredo de Maria, eu acho que essa observação está muito bem achada. O Segredo de Maria ou é isto, ou está nisto. Isto está muito bem achado. Porque isto de fato é perfeitamente secreto para o comum das pessoas.

(Sr. Paulo Roberto: Tanto é que eles não entendem mesmo o que nós somos em relação ao senhor.)

Não, não compreendem. Eu tive pena até outro dia, de um rapazinho… (…)

* É normal o súbdito tomar o Fundador como pai

A esse respeito há uma coisa interessante. Há uma senhora na Argentina que tem um filho na TFP. E andou lendo aquelas coisas que a revista “Humor” (que eles chamam de “Tumor) está publicando. Então a senhora comentava — uma senhora que tem uma filha que é carmelita no Chile — ela deve ser chilena para ter a filha carmelita no Chile, ela disse: “Essas coisas que estão falando que o pessoal tem com o Dr. Plinio, eu vejo que minha filha tem com a superiora carmelita. A minha filha me disse na presença da madre que ela sente a madre mais mãe dela do que eu! Eu acho uma coisa natural, não fico enfurecida”. Isso é uma boa mãe, entende?

(Sr. Gonzalo: É, mas são poucas…)

Oh!!

(Sr. Paulo Roberto: O senhor poderia ir conosco, no fim da reunião, até o quarto da SDL para rezarmos lá?)

Podemos, meu filho. Vamos daqui a pouquinho lá, mas eu quero dizer uma palavra ao Gonzalo antes. Se quiserem até podem me esperar lá. Eu apenas recomendo que andem fazendo pouco barulho, porque o Amadeu já deve estar dormindo. Mas se andarem pé ante pé não tem nada. Podem me esperar lá. (…)

*_*_*_*_*