Conversa de Sábado à Noite – 06/04/91 – Sábado – p. 10 de 10

Conversa de Sábado à Noite — 06/04/91 — Sábado

Aproxima-se o momento das grandes surpresas, em que o extraordinário e o preternatural farão parte da arqui-confrontação, na qual teremos que escorar a aparência e crer na nossa superioridade sobre eles

* Rejeição à voz extra-oficial da Igreja

[Entrega de coleições de “Legionário” e “Catolicismo”]

(…) Este é um libelo contra o povo brasileiro, ouviu? Porque isso tudo feito e feito, de 1934 a 1992, quer dizer, anos ininterruptos de ação na imprensa…

(Sr. PR: 58 anos.)

Tem o seguinte: houve um tempo em que nós não publicamos nada.

(Sr. PR: Foram quatro anos apenas. Seriam então 54 anos.)

(Sr. PH: Seriam mais de meio século de ação na imprensa.)

É muita coisa. Fico muito agradecido. Muito. Muito. Corresponde a uma aspiração na qual eu não tinha coragem de pensar, está compreendendo? Porque eu não ia pedir isso e eu achava natural que vocês não dessem.

(Meu Deus, por que isso?)

Porque, para quê? Enfim…

(Mas a gente vendo isso é realmente uma coisa fabulosa. Folheando assim, as coisas que tem, as matérias que foram tratadas, é de uma amplitude impressionante.)

Pois é, é uma coisa impressionante e que foi rejeitada. Um jornal rejeitado. Ainda agora com esse esforço irracional de conseguir assinantes e tudo, a gente vê que a rejeição é mais marcada. Mas para nós é uma glória, e para a Igreja também, porque Ela, pela voz extra-oficial de seus filhos, Ela falou e eles não ligaram. Está acabado.

(Um eco fidelíssimo.

Um eco fidelíssimo. Vamos sentar meus caros.

* Um posto emissor de influências, de ações preternaturais e naturais, que manda rajadas para outros pontos, dentre os quais está a TFP

Mas então, meus caros, qual é o tema?

(Sr. GD: O Sr. quase no final da exposição que o Sr. fez na 4ª feira, o Sr. dizia o seguinte: esse abobamento [torna] o espírito humano flexível para os maiores absurdos e surpresas. Não será que está preparada uma monstruosa surpresa? Como é que o Sr. imagina como vai ser essa surpresa? Quais são os aspectos do profetismo que nós deveríamos mais olhar nessa conjuntura, para nos esforçarmos para acompanhar o Sr. nessa surpresa?)

Meu filho, eu não tenho assim reflexões muito longas, muito profundas para fazer sobre isso, porque é um pantanal tão negro que se põe diante de nós, e de fato contendo mistérios tão pavorosos que quase [nos] faltam dados para se fazerem conjeturas, mas alguma coisa a gente pode dizer. Depois, conversando, podem-se acrescentar eventualmente outras coisas.

Hoje eu não disse lá na Reunião de Recortes à tarde, quando aleguei que houve uma espécie de saturação da reunião em determinado momento, eu não disse tudo que eu pensava sobre o negócio, porque isso ia alongar muito a reunião e depois era o natural que as pessoas — ao menos certos feitios de espírito, aliás, louváveis — me crivassem ali de perguntas a mim mesmo sobre o que eu achava sobre o que eu vou dizer. E isso ia levar a reunião muito longe, e depois alguns iam caminhar muito, outros muito pouco e ficariam muitos para trás. A coisa não entraria oportunamente. De maneira que conversando com vocês eu posso dizer.

A coisa é a seguinte. Eu tive a impressão — que, aliás, de modo mais confuso, há tempos incalculáveis eu tenho — de que há um posto emissor qualquer de influências, de ações preternaturais, mas também de ações elétricas e nervosas, naturais, eflúvios, etc., tudo emitido e partido do mesmo posto, que manda rajadas para outros pontos. E entre os pontos alvejados naturalmente estamos nós de modo muito particular. E que de vez em quando certos eflúvios péssimos então vêm e tomam conta de uma determinada situação. E dirigem os acontecimentos numa determinada coletividade, onde os espíritos são dirigidos em certo rumo, e naturalmente então seguem o caminho determinado pelas capitulações dos espíritos. E que assim se movem as coisas.

Eu tenho mesmo a impressão de que se a gente examinar bem determinados fatos internos do Grupo, tem-se a impressão que são suspeitos, pelo menos em parte, de serem causados por fatos desses. Por exemplo, o fenômeno não é todo ele causado por isso. Mas isso é suspeito de ter, no meio de causas naturais, uma participação de certas fagulhas disso. Também sabuguismo é suspeito de ser causado, em parte, por certas fagulhas disso. Certos sonos na reunião, certas amizades, certas inimizades, certas coisas assim: de repente, por exemplo, um que para o mal consegue fazer um grande número de amigos, e, se não diretamente amigos, consegue influenciar pessoas sobre as quais ele dirige de alguma forma as coisas, etc., tudo isso eu tenho a impressão de que existem fagulhas desse posto emissor misturadas com fatos naturais.

Ou seja, o posto emissor conhece os fatos naturais e prefere não agir diretamente. Prefere agir normalmente, de maneira a abocanhar toda a ação. Apenas, nas pontas de certas atividades, de certos estados de espíritos, ele aguça, ou carrega, ou esvazia, e com isso ele produz os estados de espírito que deseja produzir. Hoje a coisa foi muito clara, tão clara que eu me atrevi a dar aquele passo que foi muito arriscado. Porque se eu tivesse um pequeno engano e aquele fenômeno tivesse sido apenas um pouco menos agudo do que foi, eu teria corrido o risco de muitos dizerem que não.

(Sr. Poli: O Sr. foi milimetricamente preciso…)

Sim, porque ou era ser milimetricamente preciso ou era cair no abismo, na rejeição da parte de alguns e uma rejeição quente que daria origem depois a borbulhos, a comentários: “olha, veja aquilo, afinal também, que exagero! Também não é assim”, etc. Eu não sei que efeitos isso poderia produzir. O eu ter dado esse passo e tendo produzindo um efeito bom, nós podemos esperar em cadeia vários outros efeitos bons, desde que eu, de quando em quando, denuncie, sempre com um certo grau de proximidade com o fato concreto, de maneira a evitar que hajam desacordos dessa natureza. Mas certos fatos muito contundentes ou muito agudos, trata-se de determinar e furar.

(Sr. PR: Me lembro do Sr. em Curitiba, numa campanha que vendemos um livro, uma coisa assim, e o Sr. teve ocasião de falar da ação Uri Geller”.)

É isso mesmo. Mas só que não é uma coisa puramente Uri Geller. No caso de Curitiba foi muito mais geral. No nosso caso é específico para um grupo que é pequeno em relação aos transeuntes do centro de Curitiba. É uma ação muito mais especializada, muito mais típica. Mas verdadeiramente o que estou dizendo é um eco daquele pensamento.

Historicamente falando, por exemplo, certas coisas do tipo por exemplo, — vou mencionar amizades — meu caro João, meu caro Gonzalo, vão dizer para vocês quais são, se é que vocês não adivinharão. (…)

O que interessa aqui não é o fato concreto. Ou então o fato concreto interessa pouco. Ele tem o seu interesse autônomo, em si mesmo. Mas o que interessa verdadeiramente é a lufada de ar de um agente externo que produz certos efeitos mefíticos, que por sua vez criam uma atmosfera que na aparência ou na realidade são quase impossíveis a gente combater, e que tudo depende de Nossa Senhora abrir uma hora em que se possa dizer as verdades.

Então, eu estou dando a hipótese e a ação, e estou descrevendo a descrição de como a ação de joga. Estou dando por fim a contra-ação como deve ser. E com isso descrevo mais ou menos, em certos episódios da Bagarre, ou certos lances da Bagarre, inclusive nas relações internas dentre nós mesmos, durante a Bagarre, como é que se defende a boa causa.

* O efeito do auditório sobre as almas

Vamos admitir que nessa reunião de 4ª Feira, no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, eu tivesse deixado passar a ocasião. Havia antes uma espécie de semi-modorra, acompanhada de um estado de espírito curioso que é esse: o Auditório é muito cômodo e, em comparação com o Auditório São Miguel e com o auditório de Jasna Gora, tem uma espécie de brilho mundano: ele ainda está pintado muito de novo, depois aquela espécie de cúpula com uma porção de luzes que foram postas, luzes um pouco fortes — a meu gosto coerentes com o resto — mas um pouco fortes e que têm um determinado brilho; cadeiras que parecem ser as do Auditório São Miguel mas nas quais eles se refestelam com um gosto notável; muitas pessoas se sentem reabilitadas de estarem sentadas lá e não nesses auditórios mais humildes. E um contentamento meio humano, tanto mais que o auditório se mostra então cheio de gente e dá uma sensação de poder, de amplitude da TFP que realmente impressiona. Para a idéia que nós fazemos de nós mesmos, realmente impressiona. Essas sensações eu vejo que são um pouco infladas. E, portanto, subestimar o que ali se faça, pela influência do auditório.

* Aproveitando uma ação angélica

Você vê por exemplo: aqueles áudio-visuais magníficos que foram lançados lá, em algumas vezes a presença caiu um pouco, notavelmente. Quando aquilo devia ter uma presença que ia crescendo. Eu via que era alguma coisa dessas que vinha. Olho atento para ver se Nossa Senhora não lançava uma corda. Olho atento para ver o demônio que estava fazendo. Era o demônio, mas também os não bons. Aparece aquela ocasião. Aquela reunião eu não compus, eu fui mais ou menos improvisando o tempo inteiro — e talvez vocês tenham percebido …

(Sr. CP: Não, não dava para perceber. Saiu brilhantíssima.)

Bem, mas eu fui lançando, lançando, lançando, e percebi que Nossa Senhora estava favorecendo e que eu poderia ter toda espécie de audácias — bem calculadas, não besteiras — mas audácias bem calculadas eu podia ter toda espécie, porque os anjos faziam uma espécie de “trué” (um buraco ali) e os demônios fugiam. Era fácil ir para a frente. Então veio aquela reunião que foi…

* Feudalismo da hierarquia celeste

(Sr. GD: O Sr. achava que eram anjos mesmo?)

Eu acho que sim, porque Nossa Senhora atua por meio de anjos. Ela é Regina Angelorum, e há toda uma coisa em São Tomás que mostra que coisas que Deus poderia fazer e Nossa Senhora — porque no poder de Deus está tudo, poderiam fazer diretamente — mandam os anjos fazer, como os anjos mandam outros fazerem, para exercerem o respectivo poder que está de acordo com sua dignidade. Há toda uma doutrina do feudalismo que se poderia justificar com isso. A doutrina feudal de que um rei devia distribuir o seu reino em apanágios entre os filhos, para os filhos também governarem. É por causa da dignidade do filho do rei que pede para que ele tenha poder e que tenha, portanto, um campo sobre o qual ele exerça seu poder. Acho isso de primeiríssima ordem. Mas de primeira ordem.

* Confiança na hora do abandono

Assim, coisas desse gênero, que indicam também o tipo de luta, porque há momentos em que nós aparecemos inteiramente amarrados, liqüidados e esquecidos por Deus, e em que a oração aos nossos lábios poderia ser a de Nosso Senhor ao expirar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” Mas, de outro lado, com confiança, com confiança, aparece de repente “apercé” numa coisa que põe a coisa nos eixos.

* Na Bagarre, paciência e abnegação na vitória contra o demônio

Bem, então na Bagarre — que eu acho que é uma Bagarre em todos os sentidos da palavra — esse fator psicológico, sobrenatural e preternatural, operando por esta forma, eu acho que tem uma participação de uma importância fácil de ver e fácil de aquilatar, mas que tem um lado de interessante: a nossa ação é dupla, como vocês estão vendo. Uma parte, um estilo de ação na terra que atrai o Céu; e a outra parte é um estilo de ação que enfrenta o demônio, às vezes e muitas vezes calando e fingindo aceitar a derrota, certo de que a vitória deslumbrante virá depois.

(Sr. PH: A gente vê que o Sr. é mestre, quer dizer, a paciência que o Sr. tem nas situações que é preciso suportar, e a gente vê que isso atrai a ação dos anjos.)

Eu creio que atrai, porque eu creio que Nossa Senhora se alegra em ver que nós levamos nosso desapego a ponto de passar por coisas que não tem eira nem beira.

(Sr. CP: Isso é uma coisa do arco da velha. A pessoa deixar-se levar com essa docilidade, vai para lá, vai para cá, e ora vai tomando na cabeça, vai tomando na cabeça, sem nenhum momento de amor próprio. E ficar conformado com a situação. Isso é…

(Sr. ..: é um estilo de governo que o Sr. inaugura que eu acho que compra, que merece o Reino de Maria.)

* A misericóridia de Nossa Senhora e a necessidade de uma total flexibilidade para com seus planos

O fato é que Nossa Senhora na sua misericórdia, perdoando o que todos nós — e eu inclusive — temos que nos fazer perdoar, acontece que Nossa Senhora, por sua misericórdia, vai Ela ganhando a batalha. E nós somos os executores de planos que conhecendo a jogada podem dar no que dão, etc. São planos assim de uma luta grandiosa. A transpor isto da vida quotidiana para a vida em condições nem sempre normais, dá na mesma.

Agora, tem o seguinte: nas nossas condições a gente tem que estar nessa luta em tudo, de maneira em que não haja um traço, um movimento, uma coisa, que não atendendo uma solicitação da Providência para que a gente faça isso, faça aquilo, faça aquilo outro, para realizar o plano d’Ela. Uma flexibilidade total. Tem que ser.

(Sr. GD: Aí está o segredo do profetismo.)

É bem verdade, meu filho.

(Sr. Aí está o segredo do Sr. que só o Sr. tem. Eu pergunto se isso não pertence, não seria fato, digamos, da soberania de Nossa Senhora executante, digamos, o segredo de Maria.)

É, porque isto é um Reino de Maria. Se todos nós formos assim, nós somos o Reino d’Ela.

(Sr. GD: Um reino é constituído principalmente pelos elementos que constituem esse reino. Secundariamente vem os elementos materiais, físicos.)

Tal qual. E que deve ser assim até o fim, até o último ponto, etc.

* Duas reuniões que constituem duas surpresas gigantescas

(Sr. PH: Dentro das perguntas que o Sr. Guerreiro fez, das surpresas, elas serão enfrentadas com esse mesmo estado de espírito, serão liquidadas, digamos assim. Mas que estaria na ordem natural das coisas que no momento auge da Bagarre surgissem essas grandes surpresas. Mas tudo também está sendo preparado, graças vão crescendo, de maneira tal que quando chegar esse momento estaremos preparados …)

(Sr. GD: o Sr. poderia dar uma hipótese de como seriam essas surpresas monstruosas?)

Eu imagino o seguinte: você precisa notar que eu nunca explicitei isso como o estou explicitando agora, e que, portanto, pode ser que depois eu retoque, que eu precise alguma coisa, etc. Mas assim, como num rascunho — o que eu estou falando é rascunho, não é um jornal falado, não é uma exposição, é um rascunho falado — nessa linha eu acho que existem vários tipos de surpresas possíveis. Isto que eu estou dizendo aqui é uma surpresa para vocês, por exemplo. E é uma surpresa que, por um lado, pelo novo que tem, pelo inédito que tem e que pelo importante que tem, poderia ser chamada uma surpresa gigantesca, pela graça e tudo mais.

Agora, também o que eu disse hoje à tarde e que estou dizendo agora, é uma surpresa gigantesca também, embora essas surpresas tenham se inserido dentro das aparências do dia a dia. Bem, e na aparência não se passaram senão coisinhas.

* Nada é pequeno na vida de um profeta

(Sr. PH: Nada é pequeno na vida de um profeta, quer dizer, nada…

(Sr. GD: Uma coisa estupenda, Dr. Plinio. Essas arqui-surpresas que o Sr. comentou na Reunião de Recortes, mas como quê se escondendo nos pequenos fatos do dia a dia.)

E isso vai bem com o que ele dizia aqui: nada é pequeno na vida de um profeta e que, portanto, as coisas de aparência pequena muito frequentemente tem uma coisa grande dentro.

(Sr. GD: Mas há um mistério, porque coisas pequenas que naturalmente não poderiam engolir coisas fantasticamente grandes, de repente engolem. Há uma coisa singular.)

Isso, há uma coisa singular. Mas, enfim, toda a nossa vida quotidiana para vocês muda de aspecto.

(Sr. –: É muito bonito isso, porque qualquer coisa assim de inesperado aparece assim.)

E aparece assim, de repente. Você tome as menores coisas: você está vendo aqui uma Sagrada Família esculpida em madrepérola e ali uma ametista. São dois objetos bons, próprios para estarem numa sala. Mas, esses objetos são ambos de origem de apostasias. Um foi-me dado pelo Cosmin e família. E o outro foi dado pela esposa do Pássero e pelo grupo de moças que ela dirigia. O Pássero e ela passaram duma atitude militante, em que eram exímios, para o casamento e por consequência disso são correspondentes. O Cosmin e família romperam e estão de viseira erguida contra nós. Bem, mas aquela Sagrada Família de madrepérola propriamente ficaria melhor daquele lado e o objeto de ametista ficaria melhor do outro lado. Mas estão colocados ali para o Cosmin — até há pouco, até a ruptura —, vindo de repente, encontrar o objeto dele devidamente valorizado, para não causar o efeito desfavorável que pudesse o demônio arranhar e produzir uma coisa.

Então a colocação de dois objetos decorativos numa sala faz parte da vidinha, mas… é preciso pôr deste lado, deste jeito, porque tem que ser.

(Sr. CP: Nós estamos encantados, mas o horário do Sr. está um pouquinho tarde…)

Não, mas eu vou um pouquinho mais longe, porque acho que convém.

Agora, então isto é uma linha.

* Na arqui-confrontação, com fenômenos extraordinários e preternaturais, temos que escorar a aparência e crer na nossa superioridade sobre eles

Uma segunda linha eu tenho a impressão que são coisas do tipo propriamente “urigelleriano” mas muito mais extraordinário, espetacular, intervindo durante polêmicas, durante batalhas, durante circunstâncias que a gente não pode prever, e intervindo de tal maneira que tudo muda de aspecto. A palavra “urigelleriano” diz por si uma série de coisa que não pedem descrição. Outra é aparições preternaturais, que não se inserem no quotidiano, que são espetaculares. Por exemplo, aparições de super-homens, de super-mulheres, de pessoas fantásticas, perto das quais nós somos formigas, na aparência. Nós temos que escorar a aparência e crer na nossa superioridade sobre eles, pelos desígnios de Nossa Senhora, continuando a lutar com a nossa insignificância contra eles, e com persistência, e às vezes de viseira erguida, de qualquer jeito, certos de que em determinado momento o inverossímel vira para o outro lado e nós continuamos.

(Sr. GD: … como é que o Sr. entreviu isso e que lhe permite dizer isso? Então aparições fantásticas, homens fantásticos, mulheres fantásticas, demônios, e que nós teríamos que lutar contra isso. Por que é que o Sr. acha que isto será assim?)

Porque sendo a natureza da luta em que nós estamos a arqui-luta da História — e da História — porque depois vem o istmo e a península, porque já não são a História, são o “post-scriptum” da História. São os últimos tempos. Mas, na nossa perspectiva, isto aqui em relação a toda a História é supremo. Agora, os vários gêneros de possibilidades que eu enumero são esses.

Você fazendo uma lista do possível, esta enumeração se encarta nessa lista. Na arqui-confrontação todo o possível tem que acontecer, senão não seria a arqui-confrontação por excelência. Logo, isso vai acontecer. É um raciocínio simples, como você vê.

(Sr. GD: É muito bom o Sr. ter explicitado as razões que o levaram a fazer essa enumeração. Essas não são meras hipóteses, o Sr. tem certeza que vai ser assim.)

Não, em rigor Deus poderia chegar aos seus fins de outra maneira. E poderia alcançar sua glorificação de outra maneira. Por que é que eu tenho certeza que é desta maneira que Ele a alcançará?

É porque o conjunto dos acontecimentos guardam entre si uma certa harmonia parecida com a harmonia que deve reinar entre os móveis de uma sala. Assim, por exemplo, vamos dizer, a majestade real tendo sido elevada ao píncaro egoístico e solar a que a levou Luis XIV, a ser jogada no chão só poderia ser jogada no chão por uma Revolução daquele tamanho. Para além das proporções entre o que vai ser construído e o que vai ser destruído. Não sei se estou claro.

(Sr. GD: Confesso que no momento não consigo acompanhar as razões que o Sr. apresentou. Há pouco o Sr. falou o seguinte: esses demônios e esses super homens, super eventos que poderão vir, e, como o Sr. disse há pouco, será o ápice da história e, portanto, todos esses possíveis teriam que acontecer. Agora, isso de si já exprime inteiramente. Por que que o Sr. ficou depois argumentou na Revolução Francesa?)

Porque entendi que sua pergunta era a seguinte: Quais são os fatos históricos que fundamentam o que eu disse? E que você queria fatos históricos, além da razão doutrinária que dei.

(Sr. PH: Ficou completo, SDP. A doutrina e os exemplos históricos. O que está sendo derrubado é a IM, a Igreja, portanto a luta tem que estar na proporção.)

E depois reduzir a Igreja, diretamente fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a esse extremo de humilhação em que Ela está, ou se admite a intervenção do preternatural, a fumaça de Satanás, ou se admite isto, ou não se explica nada. Porque a imensidade da fundação exige simetricamente, a haver uma derrubada, a imensidade da derrubada. Se você quiser, o tronco e a copa de uma árvore tem proporção com as raízes. E quando você derruba a árvore vêm aquela galharia enorme das raízes, vêm à luz.

* A hora da plena manifestação de um e outro lado

(Sr. GD: Então é normal que os últimos lances desse confronto, o fundamento de energia e força para a tentativa de derrubar a Igreja se mostre na sua plenitude…)

Isso. E se mostram de tal maneira que fica claro para os séculos vindouros que foi o demônio que quis e que teve poder. De tal maneira também que vai acontecer que os homens do Reino de Maria vão ficar numa alternativa de ou querer Maria e o Reino d’Ela, ou querer o demônio. E como o reino d’Ela vai ser o que nós sabemos, o que será o contra-reino d’Ela vai ser de um péssimo inimaginável, e os homens que vão fazer isto — que tentarão a derrubada — não vão ser homens com a maldade, por exemplo, dos (não digo dos chefes da Revolução Francesa) mas dos semi-chefes, que não viam claramente o demônio dentro daquilo. Não, são homens que sabem o que é e querem: “Queremos o demônio e não queremos Maria”. E daí todo o resto: o Anti-Cristo.

(Sr. Mas também a glorificação que o Sr. vai ter também vai ser necessário. Vai ser um corolário…)

Esse é um pensamento que eu desvio no meu espírito, porque acho que é mais conforme a D. Chautard não pensar como será. Mas o que você diz deduz-se do que eu acabo de dizer.

Agora, o curioso é o seguinte: a vocês faz bem pensar nisso. Bom, mas a mim não.

(Sr. GD: Não, a nós não nos faz bem pensar; nos faz bem pensar que com o Sr. vai ser assim.)

Mas a mim não faz bem pensar nisso. Será como Nossa Senhora quiser e o que for será.

* A aventura está começando

(Sr. GD: Então, toda a concepção de Bagarre, que esboçava há anos atrás, e que o aspecto predominante da Bagarre era como quê o confronto físico; a gente percebe que isso não desaparece, mas a gente vê que por detrás disso, envolvendo isso, há uns gigantes adamastores que aparecem do lado imundo da Revolução e que vão sair de dentro dele. Antes o Sr. fazia alusão a isso. Me lembro que em 67, em Curitiba, o Sr., numa Reunião de Recortes, falou dos discos voadores. O Sr. disse o seguinte: “quem tem ouvidos para ouvir que ouça, e quem tem …. de para-vento que veja”. E depois o Sr. quase não tratou mais do assunto. Mas agora o Sr. de tal modo coloca [vira a fita] … aquela conclamação “Que todos os homens que tem sede de aventura que se reunam ao Sr.” Porque o Sr. saciará por muito, e por muitos séculos. Quer dizer, se alguém quer aventura que se reúna ao Sr.)

Isso.

(Sr. GD: A aventura vai começar, não é, SDP?)

Está começando. Simplesmente o fato de hoje à tarde eu chegar e dizer: “Todos os srs. foram percorridos…” Isso é uma coisa notável. Notável.

* Somos como lâminas de espada feitas para brilhar no campo de batalha, e que vivemos dentro da bainha, mas intactas para a hora da batalha

(Sr. GD: SDP, uma coisa impressionante: a cinematografia aí fora, a televisão, a gente vai nas casas de uns e pega assim pedaços, às vezes anúncios, coisas para crianças. É exatamente como o Sr. descreveu: criaturas fantásticas, seres fantásticos, homens fantásticos, mulheres fantásticas, demônios propriamente ditos super fantásticos, isso em geral é o “pão nosso de cada dia” da televisão. O que eles estão preparando, não no plano escrito, mas através de meios áudio-visuais o que eles estão preparando, incutindo as pessoas para o convívio nesse mundo é impressionte. De tal modo que o ET que o Sr. viu anos atrás… aquilo é a primeira letra do alfabeto… o ET hoje está superado.)

Mas é assim. Quer dizer, no fundo, nós somos como lâminas de espada feitas para brilhar no campo de batalha, e que vivemos dentro da bainha, na escuridão e na asfixia da bainha, um número incontável de anos. Nossa fidelidade à bainha nos tornou intactos para a hora da batalha.

(Sr. GD: Nós não, o Sr.)

Todos juntos.

(Sr. PR: Mas essa é a compenetração a que o Sr. nos convida. Não é uma compenetração heresia branca, mas é a desses grandes lances da História…)

Desses grandes lances. Bem, meus caros…

(Sr. CP: Foi uma reunião de muita clave…)

Achei que foi, que Nossa Senhora ajudou muito. Me impressiona como Nossa Senhora está cumulando as reuniões umas sobre as outras.

(Sr. PH: Á luz do que o Sr. disse hoje, daria para fazer uma revisão da história do Grupo também.)

Ah, pode, pode.

* Dois pontos para a próxima reunião: extinção da memória e da escrita

(Sr. GD: Se o Sr. pudesse explicitar quais são os aspectos de alma do Sr. que nós devemos olhar e procurar conhecer mais e amar para acompanharmos o Sr. nesta guerra fantástica.)

Eu gostaria que vocês fizessem uma outra coisa: vocês começassem por dizer quais são os aspectos que vocês acham.

(Sr. GD: Mas a gente sempre pega a coisa pelo lado menor, não?)

(Sr. PH: Mas o Sr. aconselha como um exercício para nós?)

(Sr. GD: … de modo que se o Sr., com as graças desta reunião, se o Sr. pudesse tratar desse tema… é uma pena que a reunião tenha terminado, porque ela poderia caber muito bem na continuidade das graças que Nossa Senhora deu para esta reunião.)

Está bem, então vamos fazer assim: eu queria que me lembrassem de duas coisas: em primeiro lugar — eu tratei disto com o Rodrigo hoje à tarde — eu julgo que se deve estudar a hipótese de que, depois da extinção do “lumen rationis”, vir, mas vir a seu modo, vocês não podem imaginar como é que seria, — eu alguma coisinha direi, mas porque só vejo essa coisinha — da extinção da memória.

(Sr. GD: O que a Revolução fez foi isso, daí a palavra Tradição.)

Pois é. De maneira que nós teremos tentações que nos darão a impressão que estamos desmemorizados. Mas nossa memória não desaparecerá.

(Sr. GD: E daí a importância dos princípios. Quando o homem sobe aos princípios fica muito mais difícil ao demônio mexer nisso.)

Muito mais, muito mais.

(Sr. GD: Ao passo que as coisas imaginativas e da sensibilidade o demônio mexe enormemente.)

Isso é uma coisa. Outra coisa é: você falava da televisão, etc. Eu tenho a impressão que o demônio conduz diretamente ao analfabetismo, hem? As coisas escritas vão desaparecer. Os homens não saberão mais ler e escrever. Eles ficam na dependência de figuras, de coisas assim, que os levam. Prestidigitações. E é terrível, mas mesmo vocês, que são tão mais moços que eu, ainda foram criados na geração do livro. Bem, mas o livro é para ser queimado. Esses dois pontos valeria a pena a gente analisar para compreendermos a enormidade do negócio.

Meus filhos, lamento, mas tenho que ir andando.

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