Conversa
de Sábado à Noite – 29/12/90 – Sábado
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Conversa de Sábado à Noite — 29/12/90 — Sábado
“1571—19…”: a data chave seria uma nova vitória da Contra-Revolução sobre os maometanos? * Caminhamos para a rota dos milagres, para a guerra dos santos contra demônios, para a guerra dos profetas
(Sr. Gonzalo: O senhor está melhor?)
Graças a Deus, sim. É uma coisa curiosa, esse resfriado tem vaivéns: no mesmo dia a gente tem a impressão que sarou, dá a mão para todo o mundo. Terminada a reunião volta um pouco, a gente não dá a mão para ninguém. Vai assim.
* “1571—19…”: a data chave, outra vitória sobre o mundo muçulmano?
(Sr. Mário: É a última ruenião de sábado da década, e é a última reunião de sábado da era pré-Bagarre.)
É verdade. E depois me pareceu que a reunião de hoje à tarde estava muito explícita quanto à Bagarre ouviu?
(Sr. Paulo Henrique: O Sr. João de outra vez já observou muito bem que aquele terceiro número no pupitre da Sede do Reino de Maria já pode ser escrito, porque só pode ser 9.)
Tem que ser…
(Sr. Mário: Não pode não ser.)
Ah, sim, claro. É, perfeitamente. Não tem conversa. Muito concludente, muito curioso.
Agora, vamos falar um minutinho sobre o número que fica vazio, o último. Todos já me viram falar, e talvez já tenham lido o livro do Bem-aventurado Holzhauser [?], um místico…
(Sr. Paulo Roberto: O senhor já falou várias vezes dele.)
Várias vezes. Eu li as profecias todas do Bem-aventurado Holzhauser, bem-aventurado, proclamado pela Igreja, etc., e é reconhecido como profeta e tal. O Bem-aventurado Holzhauser dizia — ele era do século XVIII — dizia que os árabes, os maometanos constituiriam um grande perigo nesse século. E que a grande luta da Igreja seria contra eles.
E eu me lembro que, quando eu li isso, eu pensei o seguinte: “Esse Bem-aventurado parece ter interpretado mal a mensagem que ele recebeu”. Isso pode acontecer. Porque, vamos dizer, há dez anos atrás era tão remota a possibilidade dos árabes terem um papel decisivo no jogo Revolução e Contra-Revolução, que embora se compreendesse que em rigor isso pudesse ser, eu mesmo falei nessa eventualidade, não se imaginava um papel central no assunto Revolução e Contra-Revolução como o Bem-aventurado Holshauser apresenta.
Mas, agora, se o ano de 1571 é o ano Lepanto — é mesmo — se é esse o ano de Lepanto, há uma certa coerência em que essa outra data seja uma nova vitória sobre os maometanos. Bom, mas que seja ao mesmo tempo uma vitória decisiva da Contra-Revolução.
(Sr. Gonzalo: Os maometanos encarnando neles toda a maldade da Revolução.)
toda a malícia da Revolução.
* O poder maometano ficaria fortalecido pelo desabamento dos EUA e da Rússia
E então nós temos aqui inesperados, ou semi-inesperados a considerar. Que seria exatamente uma irrupção maior ainda do poder maometano em certo momento da luta, pelo desabamento dos Estados Unidos, desabamento da Rússia, e eventual reconsolidação da faixa maometana de Marrocos até a Indonésia — eles serem um grande poder, eventualmente transformado em meio comunista, qualquer coisa assim, e contra o qual haja o embate decisivo!
Quer dizer, esses desabamentos todos deixam a eles numa posição central. Deixam? Podem deixar a eles numa posição central. De maneira que é interessante…
(Sr. Mário: Se o Saddam Hussein vencer, eles ficam automaticamente na posição central. Porque ele diz que está lutando em nome do Islã.)
Depois, Bagadad já foi a capital do Islã. Naquele tempo do Califado de Bagadad, já foi a capital do Islã. Eles podem restaurar ali um califado de Bagadad, uma porcaria qualquer, que seja o centro do Islã. E seja então um grande joguete do adversário contra nós, etc., etc. Quer dizer, faz um sentido com o qual, assim in recto, só se poderia contar na hipótese do desmoronamento dos dois poderes, e não na hipótese que é a que nós tínhamos em vista como mais provável, da confrontação dos dois poderes.
(Sr. Paulo Henrique: E a Europa já semi-invadida por eles.)
Já semi-invadida.
(Sr. Mário: E isso tudo tem que acontecer em 9 anos.)
É… É.
* Há 45 anos atrás o SDP previu esse acontecimento
(Sr. Gonzalo: Desde há quanto tempo o senhor vem prevendo isso. Desde o Legionário, em 45. O que o senhor diz hoje, o senhor está prevendo para muito tempo à frente.)
Sim, mas dentro de ser antes do milênio.
(Sr. Gonzalo: O senhor já previu tudo isso no Legionário.)
Com sarcasmos do Paulo, não é? Paulo dizia: “Estão tão bonzinhos, quietinhos, por que é que você agora vai imaginar que eles vão constituir um problema?!” Quer dizer, é a visão imediata.
(Sr. Guerreiro: Mas essa hipótese que o senhor acaba de levantar, que eles emergiriam como centro do problema mundial, não pelo conflito entre as duas potências, mas pelo desmoronamento das duas potências, está muito interessante.)
É isso. Faz sentido. Agora, mais doloroso aí é o seguinte. É que… (…)
* Guerra entre as nações, e guerra entre núcleos autogestionários
(Sr. Guerreiro: De repente pode haver uma combinação para o ocidente todo naufragar nessa guerra com o Iraque.)
Ah, não, eu acho que é para onde a coisa corre.
(Sr. Guerreiro: Mas inclusive militarmente falando, em que o Ocidente saia perdendo.)
É. Eu acho que a coisa caminha — eu não tenho tratado disso, eu até tenho um recorte muito interessante que o Coronel leu hoje, um artigo daquele Paul Francis, sobre os aspectos militares do negócio. Eu não li hoje porque ainda não abordamos os aspectos militares, porque os dados que temos são dos mais vaporosos. Um técnico exímio não nos falta, mas faltam-nos dados não vaporosos. Mas em certo momento os aspectos militares vão ter que entrar no nosso jogo total.
Porque é evidente que isto vai dar numa guerra, e segundo algumas coisas que eu tenho lido de cá, de lá e de acolá, eles esperam duas espécies de guerra: dentro das potências autogestionadas, guerras de regiões; e nas potências ainda existentes como nações, guerras entre as nações. De maneira que é uma espécie de erisipela geral mais violenta em alguns pontos, e menos em alguns outros pontos, mas é a configuração geral da situação.
(Sr. Guerreiro: Não é uma guerra mais de dois blocos, mas uma guerra autogestionária.)
É isso, exatamente. Pelo menos nos países que estiverem em autogestão, e onde, portanto, as diferenças entre as regiões se acusam muito mais.
* Exemplo de como isso pode se dar no Brasil
Se vocês quiserem ter idéia da viabilidade disso, imaginem o seguinte. O Brasil. Nós todos que estamos aqui, e eu nunca vi em ninguém da TFP, é preciso dizer que não é só aqui na roda, eu nunva vi em ninguém da TFP o mínimo laivo ou tendência separatista no que diz respeito ao Brasil. Graças a Deus. É uma coisa que eu não toleraria. Eu sou um feroz anti-separatista.
Mas, vamos imaginar a realidade. Quer dizer, se divide o Brasil em grupos autogestionários, e por assim dizer se proclama que o Brasil como tal deixou de existir. Porque é o caminho. Está bom. Agora, eu pergunto: isto uma vez implantado, nosso senso de sermos brasileiros é muito mais uma lembrança e uma esperança do que o senso de uma realidade atual. Porque agora nosso senso de união é o senso de uma realidade atual. Mas se isto fica uma recordação, mas foi extinto, e fica uma esperança que não existe, o que é que resta da coisa?
O resultado é que guerras entre regiões, muito mais difíceis de admitir no Brasil, acabarão podendo se produzir. Apesar do modo de ser tranquilo nosso, acabam podendo existir. Quer dizer, há uma mudança de panoramas que não é fácil da gente imaginar.
* Um período de desagregação com guerras, pandemônios, e inclusive ofensiva indígena
(Sr. Poli: Eu pergunto ao senhor se não está no dinamismo do momento atual uma queda: é mais difícil começar a cair, do que uma vez caindo a coisa se desenrolar totalmente.)
É a tal lei de Newton.
(Sr. Poli: Não está no dinamismo dessa desagregação geral que ela se acelere mais?)
Muito! E é com o que eu conto para se poder imaginar possível a série de fatos dentro de nove anos!
(Sr. Poli: Mas eu estava aspirando dois, três anos…)
Ah, meu filho, não! Não pense em dois, três anos apenas do Reino de Maria… Pode ser…
(Sr. Gonzalo: De Bagarre.)
Ah, dois, três anos de Bagarre?
(Sr. Poli: Não, para a coisa se desagregar, e esta ordem ruir, de modo que não estejamos no Reino de Maria, mas não estamos mais nessa ordem.)
Ah, não, isso não. Isso eu espero que seja bem antes do ano 2000. O difícil vai ser, feita a desagregação, um curso de coisas que permita uma reconstrução.
(Sr. Poli: Não, mas o mais importante é a liquidação dessa história.)
Isso é evidente. Mas não é o que eu tinha em vista quando estava falando aqui no momento.
O negócio é o seguinte, então. Nós teríamos um período, que seria um período de desagregação, e nesse período de desagregação guerras, pandemônios. E aí eu acho que também epidemias, e terremotos, o que mais vocês possam querer. Inclusive o de que eu não senti ainda circunstâncias para tratar de público com o nosso auditório, mas é a ofensiva indígena. Evidentemente só significa alguma coisa porque tem por detrás isso… É evidente. Mas a questão é que tem.
De maneira que é assim que a coisa deve se ver. (…)
* Caminhamos para a rota dos milagres
(Sr. Gonzalo: …nesta era de milagre, o senhor não acha que haveria um certo denominador comum, uma vez que o problema é a Revolução, a oposição ao senhor, etc.? É nessa ordem que nós devemos esperar os milagres do que em todo o resto? Ou então numa ordem inesperada de eventuais conversões, etc., coisas assim? Porque a peste hoje é a Revolução.)
Vamos dizer, por exemplo, a batalha se não me engano de Tolbiac, em que Clovis se converteu. Ele prometeu ali ao Deus de Clotilde que se ele ganhasse a vitória, ele se converteria. E de fato se converteu, com toda a nação. Essa conversão, esses historiadores de meia tigela que andam por aí entendem a coisa assim: que os francos eram uns bárbaros muito imebecis e muito toscos, e que como o rei deles se fez católico, eles automaticamente se fizeram católicos também.
Mas isto do ponto de vista teológico é inaceitável. Porque a fé é um rationabile obsequium, e é preciso que não fosse um ato baseado na crença supersticiosa de que o rei ensina a verdadeira religião, mas fosse baseado em alguma coisa de sobrenatural que tocasse a alma deles, e lhes desse a fé. Então se deve imaginar que esse povo inteiro, contagiado pelo bom exemplo do rei, se comoveu, teve um discernimento dos espíritos de que era de fato aquilo bom, etc., etc., e se converteu. Isto é o que se pode chamar um milagre da graça. Quer dizer, não é um milagre no sentido científico da palavra como o milagre de Lourdes, mas é uma operação extraordinária da graça que não tem explicação senão por meio da graça — postos os dados da Teologia.
(Sr. Gonzalo: E isto o senhor acha que…)
Está incluído nos milagres de que eu falo. Eu tomo a palavra em lato sensu.
(Sr. Gonzalo: Mas de modo preponderante? Não digo nações inteiras…)
Não, não. Eu não vou tão longe não. Eu admito que entre aqueles que sobrem durante a Bagarre haja um bom número de não católicos, ou de católicos que viviam mal, e que se convertem, por um milagre da graça.
(Sr. Gonzalo: Mas não serão nações inteiras. Porque muitos vão se perder na Bagarre, a Bagarre vai destruir, etc.)
Ah, não, não são nações atuais.
(Sr. Gonzalo: São filões nos lugares que se convertem.)
É, exatamente.
(Sr. Guerreiro: O senhor poderia continur um pouco nessa linha que o senhor vinha tratando, da Bagarre e do Reino de Maria? O senhor falava da rota dos milagres.)
Bom, enganchava com a pergunta que fez o Gonzalo. Quer dizer, a rota dos milagres se poderia definir assim: é uma rota que só se torna transitável em vista de toda espécie de fatos inabituais, e das mais diversas espécies, decorrente de uma ação da Providência ou da graça.
* Ações da Providência e ações da graça
Há uma certa distinção: uma ação da Providência, por exemplo, que não é diretamente uma ação da graça, é uma ação que produza por exemplo uma trombada de automóveis, ou então a ruína de uma ponte quando vai passar certo personagem, etc. Não é a graça que agiu. É a Providência.
Agora, às vezes a Providência age por meio da graça. Então são os milagres da graça: conversões inesperadas, e coisas assim.
E essa dualidade de situações compreenderá a meu ver também aparições, ou moções internas da alma, aparições para grupos grandes de pessoas, aparição para uma pessoa, de anjos, de santos, de almas piedosas… em cuja salvação nós cremos, etc., e que se apresentam a nós, e que falam da parte de Deus, etc., etc. Esse é o conjunto da coisa.
* Ações paralelas do demônio
Mas, você precisa notar o seguinte também: devemos contar com a ação paralela dos demônios. E, portanto, uma espécie de ação também aonde desastres com os quais não contávamos surgem nos nossos caminho, e provocados pelo demônio.
(Sr. Paulo Roberto: Nas próprias pessoas?)
Meu filho, de repente é na rota dos milagres: de repente uma pessoa com cuja fidelidade você contava até debaixo d’água faz o papel de Judas!
(Sr. Guerreiro: Já tem alguns preâmbulos.)
Ora!
* A guerra dos santos e dos demônios, a guerra dos profetas
(Sr. Guerreiro: O senhor gostaria de desenvolver ainda esse assunto?)
Não, eu… Essa é dessas temáticas que se podem desenvolver indefinidamente, conforme as perguntas apareçam. Mas a linha geral da rota dos milagres, a palavra “milagre” seria então num sentido muito amplo da palavra. O demônio não é capaz de milagres, mas ele é capaz de interferências nas coisas, em que fique claro que foi ele que fez. Por exemplo, aparecer e deitar a “mão”, é uma ação que ele produz sobre a matéria dando a impressão de uma mão que se pousou nessa parede, por exemplo, e que queimou a parede. É qualquer coisa assim. Que o anjo da guarda dessa casa evite isto, mas enfim, qualquer coisa dessa natureza. Até interferências dele, claramente demoníacas, etc., durante entrechoques muito violentos, inesperados, etc.
Quer dizer, seria a guerra dos anjos e dos demônios, dos santos e dos demônios, a guerra dos profetas, e daí para diante! (…)
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