Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
10/11/90 – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 10/11/90
O “Grand-Retour” será uma ação especial da graça pela qual uma plenitude de espírito católico entrará em nós * A maior batalha da história: um choque de presenças, atrações e repulsas colossais de parte a parte * O cavaleiro medieval tinha uma graça especial de alegria na luta, no combate e na estridência da pancadaria * O “thau” é uma promessa permanente acesa em nós, a qual a gente não pode perder de vista * O conúbio com o horror, com a feiúra, com a sujeira, e com a maldade, será uma das maneiras pelas quais o demônio tentará levar os homens à revolta
* São Bernardo: “para passar de ruim a bom, o esforço é menor do que de bom para ótimo”
(Sr. Guerreiro: … a gente percebe que tem que vir, não é?)
Não tem remédio, é de um jeito que não…
(Dr. Edwaldo: Graças a Deus que não tem remédio.)
Graças a Deus que não tem remédio. Mas não tem mesmo. Agora, está vindo, vamos dizer assim, de um modo martirizante. Por quê? Porque a Bagarre tem que ser um longo martírio.
É verdade que a gente pode esperar que esse martírio seja menos cruel para os que tenham sido contra-revolucionários, isso é evidente. Não sei se é o tema que querem tratar; mas enfim, isso levanta uma questão curiosa. Como ver isto? Porque a antiga teoria nossa sobre a Bagarre é a seguinte.
Levado a um extremo que eu nunca defini assim; mas levado ao extremo, seria o seguinte: Isto é o mundo da felicidade dos ruins. Quando começar a Bagarre, começa o castigo deles, logo começa o mundo da felicidade dos bons. O paladino desta tese é José Fernando, evidentemente. Mas não é um advogado assim inteiramente decidido.
Mas a coisa tem seu lado de verdade, inegavelmente tem seu lado de verdade. Mas de outro lado também, a gente considerando que São Bernardo dizia uma coisa — eu não li isso em São Bernardo, mas o João leu e estava dizendo hoje — que para passar de ruim a bom, o esforço é menor do que de bom para ótimo. Agora, na Bagarre, nós temos que passar de bons para ótimos.
Bem, então como é o negócio? É extremamente complicado. Eu não sei se é disso que queriam tratar?
(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor não gostaria de tratar deste assunto? Exatamente a nossa pergunta está ligada à questão da “Bagarre”.)
Qual é a sua pergunta?
(Sr. Guerreiro Dantas: […] … o senhor teria comentado que os sinais luminosos na Europa poderiam dar margem a que viessem os discos voadores trazendo uma pílula amarela para exatamente proporcionar ao homem de hoje uma espécie de felicidade que permitisse ao demônio fazer com que o homem aceitasse a 4ª Revolução…)
Para dotar a natureza dele de propriedades que fizessem com que o desagradável que por algum lado há na selva, na natureza, não sentissem. Então é o sonho do fauno que fica realizado por inteiro. Agora, isso deveria ser, porque aqui está a história, eu disse, mas não cheguei a desenvolver inteiramente porque outros temas passaram e eu deixei de lado, mas eu deveria ter dito.
A questão é a seguinte. É que isto deveria ser uma promessa cheia de engano, porque o demônio é incapaz de não mentir, e deveria agir sobre o homem à maneira de droga, dessas coisas assim, de maneira que ao cabo de algum tempo ele estaria numa desgraça irreversível, como a do drogado.
(Sr. Paulo Henrique: Degradado.)
Degradado. E depois, de algum modo pegou naquilo e não consegue mais viver sem. Mas não consegue viver com, porque aquilo o destrói. E então, seria uma coisa à maneira de uma droga que liquidaria, que arrasaria o gênero humano. Mas arrasaria tornando — como se diz em espanhol, muito pitorescamente —al fin y al cabo, tornando mais selvagem e tão bicho quanto Freud queria.
(Dr. Edwaldo: Portanto, numa situação muito pior do que a do índio de hoje.)
* Tenho uma tendência a figurar o “Grand-Retour” como uma ação especial da graça pela qual uma plenitude de espírito católico entrasse em nós
Ah, muito, muito pior. De maneira que entraria uma mentira medonha dentro disso. Agora, isso é, sobretudo — isso eu disse, mas eu tive a impressão a posteriori que o pessoal não focalizou bem, vocês podem dizer se focalizaram bem ou não — o seguinte: que a apetência para isto como solução única está sendo preparada pelo inteiro desinteresse por tudo, nenhum gosto por nada, e, portanto, uma fórmula que faria os homens precipitarem em cima disso porque todo o resto não serve mais nada para a humanidade gasta.
(Sr. Paulo Henrique: Foi para isso que na reunião passada o senhor também acenou, para o desgaste do processo revolucionário.)
Isso daria a substância, mas uma substância ilusória, porque aqui está a questão.
(Dr. Edwaldo: Porque tem que ser assim…)
Pelo menos se pode dizer: como possa não ser.
(Sr. Paulo Henrique: O senhor dizia que a 4ª Revolução chegaria com muito poder e pouca vida.)
É isso. Muito poder e pouca vida. Que está na lógica de todo o resto.
Naturalmente são hipóteses. Eu julgaria temerário a gente dizer que certamente será assim, mas o curso dos fatos girará em torno disso, alguma coisa nesse gênero, mais ou menos.
(Sr. Guerreiro Dantas: […] Qual a cartada que o senhor acha que poderia ser da parte da Providência, que Ela colocaria para que a luta adquirisse uma certa proporcionalidade?)
Realmente, não tem dúvida, na própria teoria posta na reunião passada, se supõe isto. Nós não podemos imaginar só o demônio agindo.
(Sr. Guerreiro Dantas: […] Deus como que desse ao senhor, ou atualizasse, uma série de dons que Nosso Senhor já deu ao senhor, para que conduzisse essa luta contra esse quadro do adversário, e auxiliá-lo já com forças preternaturais; e aí toda aquela teoria que o senhor em bom tempo dava sobre Escravos, Guerreiros, Monges e Exorcistas, não sei se o senhor se lembra. O senhor não poderia tratar um pouco disso?)
Quer dizer o seguinte, eu, por princípio, eu compreendo que até seria, teoricamente falando, seria lógico eu não fazer o que eu faço, mas por princípio eu faço isso de não me imaginar dentro da cena, que é uma coisa que se compreende; mas vamos falar do seguinte.
* O “Grand-Retour” como a alegria de ser inteiramente contra-revolucionário
Não fica claro dentro disso, ao menos não há elementos para tornar isto claro até o momento, não fica claro dentro disso o seguinte ponto: em que momento disto deveria entrar o Grand-Retour? Mas eu teria uma tendência que não é senão uma tendência, mas enfim, a figurar o Grand-Retour como uma ação especial da graça por onde nós recebêssemos uma ação do Divino Espírito Santo pela qual uma plenitude de espírito católico entrasse em nós, tão intenso que nós tivéssemos uma alegria do estilo e da intensidade que tem uma pessoa quando ela entra em Notre-Dame e na Sainte Chapelle; quer dizer, ainda muito maior, uma coisa inebriante.
Então, a alegria de ser ultramontano, a alegria de ser puro, a alegria de ser contra-revolucionário, a alegria de ser lutador, alegria de sermos tudo que nos tem custado tanto ser, essa alegria terá uma intensidade difícil de calcular, que nos daria uma forma de felicidade que seria a recompensa da fidelidade que temos tido.
(Sr. Paulo Henrique: Em parte nós tivemos isso na visão primaveril de nossa vocação. Nós tivemos essa semente, essa alegria de alma, esta convicção. Era ao sair na rua para uma campanha, ao abordar alguém para fazer apostolado, para falar a respeito das coisas nossas. Tínhamos realmente uma satisfação de alma, uma alegria muito grande. Infelizmente com o passar dos anos isso feneceu. Alguma coisa resta porque do contrário nós estaríamos…
Estamos aqui por isso.
(Sr. Paulo Henrique: Mas aquela convicção, aquele ardor, aquela felicidade de situação, pelo fato de ter conhecido o senhor, termos entendido a missão do senhor… Isso nos dava uma alegria de alma muito grande. Enfim, tínhamos potencial de alma para grandes arrojos decorrentes daquilo. Isso aos poucos foi murchando, murchando e hoje falamos disso, mas não temos a mesma alegria, não temos aquele mesmo arrojo…)
Embora falando isto viva um pouco mais em nós.
(Sr. Paulo Henrique: Exatamente! É verdade, o senhor me pegou no pulo. Quando a gente começa a se lembrar disso parece…)
Que o motor vai pegar, não é?
Agora, aquilo era apenas uma primeira gota do licor que nós deveremos ter, e a alegria disto é uma coisa que não há palavras que bastem para descrever, e que é tal que nós podemos dizer por experiência própria que quem não passou por isto, não sabe o que é alegria. Esses ricaços, essas pessoas não sabem o que é alegria, não têm idéia.
(Dr. Edwaldo: Ser rico é ter isso.)
É isso, isso é propriamente ser rico, exatamente, o resto não é nada.
Agora, é preciso dizer o seguinte, que nesse fenecimento houve, naturalmente, culpa nossa, mas houve também uma provação que foi concomitante e que acontece muitas vezes na vida espiritual. Por exemplo, uma criança que comunga, tem na primeira comunhão, muitas vezes, alegrias, etc., etc., que a gente está vendo que continuarão, mas que são um estímulo para a pessoa andar na esperança de encontrar isso na outra ponta da estrada. E a fidelidade, o ato de amor a isso leva a pessoa a percorrer…. ta-ra-ta-tá…
Bom, diante disso tem as infidelidades, infelizmente, mas também não se pode dizer que tudo se reduz a infidelidade. Dizer que nos foi posto nas mão um tesouro que nós jogamos inteiro fora… Primeiro, não jogamos inteiro porque alguma coisa resta, você diz bem. Agora, de outro lado, também é verdade que este tesouro em parte se evolou sem que nós jogássemos fora.
* A misericórdia de Nossa Senhora pode nos dar algo com que nós não temos idéia de como é, e que pode vir numa conversa dessas
Agora, aqui sim, faltava na evolação deste tesouro, um ato como quem diz: “Está bem, eu não sinto, mas o que senti é tal que eu farei e serei como se tivesse sentido”, aí faltou. Bom, e aí a parte de nossa culpa. Mas a misericórdia de Nossa Senhora pode nos dar algo nesse sentido com que nós não temos idéia de como é, e que pode vir, por exemplo, num bom momento numa conversa dessas.
(Cel. Poli: Algo estamos sentido já, e não teria e menor surpresa que de repente viesse por inteiro.)
É exatamente. Quer dizer, a gente vê que essas conversas de sábados à noite muito, muito privilegiadas, são conversas em que a pessoa um pouco voa dentro desse ambiente e com esperança de voar mais um pouco no sábado que vem, e depois mais outro tanto noutro sábado, com o pontilhado de sábados mais ou menos indefinido, a pessoa toma um certo alento cujo valor a gente pode calcular pelo seguinte:
Imagine que por uma razão qualquer um de nós ficasse privado de comparecer às reuniões de sábados, por exemplo, o médico — graças a Deus é uma doença que não se põe mais assim, mas antigamente punha — ficou tuberculoso e tem que ir para Campos do Jordão num hospital passar um ano. Bom, nós poderíamos ir às vezes lá. Mas em primeiro lugar, a conversar não podia ser sábado; segundo lugar, não podia ser diante dos outros doentes; logo seria uma pequena rememoração cochichada; não podia ser aqui. De maneira que quando os que constituem o do Grupo descessem e o doente ficasse sozinho, era uma sensação de….: “olha, daqui dois ou três meses voltamos!”
(Sr. Guerreiro Dantas: Aí a pessoa teria que fazer o que o senhor falou há pouco, que é viver da memória disso.)
Viver da memória, e da esperança, você diz perfeitamente bem. E isto é mais difícil do que sarar da tuberculose.
Agora, eu tenho a esperança de que Nossa Senhora, por Sua misericórdia, nos dê isso numa intensidade que nós não calculamos e com uma nota propriamente religiosa ainda muito mais intensa. Quer dizer, que a Igreja Católica enquanto tal nos aparecerá com algo que Ela tem que é incomparável. Mas é incomparável!
Eu já contei a vocês uma tarde que eu fui levar o falecido Carlos Antúnez e o Marcelinho passear no São Bento, na igreja atual do São Bento, e que houve uma espécie de transfiguração, uma coisa única. Seria uma coisa nessa linha, mas muito mais consistente, muito mais definida, muito… enfim, incomparavelmente mais.
* A maior batalha da História: um choque de presenças, atrações e repulsas colossais de parte a parte
Bom, diante do adversário.
(Sr. Guerreiro Dantas: O Grupo visitado por essa graça, como seria o confronto com o adversário?)
Na perspectiva daquela hipotética pastilha amarela de que eu falei, nessa perspectiva a gente deveria imaginar um choque de presenças verdadeiramente… um arco voltaico de presença, de onde inexoravelmente — tudo isso são hipóteses — começaria a maior batalha da história, porque seriam de parte a parte, atrações e repulsas colossais, porque nós em tudo que recebêssemos nessa ocasião, em todo caso, nos sentiríamos atraídos pela pastilha amarela.
(Sr. Guerreiro Dantas: Mas o senhor acha que haveria essa atração?)
Haveria alguma coisa nas horas dos hiatos.
(Sr. Guerreiro Dantas: E eles se sentiriam atraídos pela nossa graça.)
Exatamente.
(Dr. Edwaldo: O senhor uma vez falava, a respeito dessa ação do demônio, em que a atração vai se dar naquilo em que nós falhamos, não é?)
Exatamente, nós ficamos fraco nisso e depois, independente disso, pela boa ordem das coisas a altura da virtude pode criar uma debilidade especial para o extremo do mal oposto, e é por causa disso que ao compor a parábola do príncipe perfeito eu imaginei exatamente um príncipe perfeito, um homem isso aquilo e aquilo outro, ademais príncipe, muito rico, etc., etc., a quem num certo momento a vertigem da posse das coisas que os outros não tinham, atiraria para uma vontade de despojar e de jogar-se do outro lado.
(Sr. Guerreiro Dantas: Lúcifer também.)
Lúcifer também. Eu vou mostrar a vocês uma fotografia do Point du Vue. É uma fotografia que eu não vou dizer o que é, para vocês verem e terem uma idéia do contraste. [Alguém sai para pegar a “Point de Vue”]
(Sr. Paulo Roberto: Do lado de lá eles também estão falando muito de presença. Outro dia vi um artigo de um desses teólogos, que falava para universitários. Ele dizia que o importante é da presença destes “apóstolos” e que eles difundiriam essa ação sobre os outros. Ele dizia também de João Paulo II, que ele fala muito da questão do ter e do ser, que é preciso deixar o ter para ser. E o ser está nessa linha da tal pastilha…)
É isso. Dá-nos a ilusão da pastilha.
[Nosso Pai e Fundador mostra a revista] Bem, não sei até que ponto são sensíveis a isso. Mas tem aqui uma coisa a respeito de rendas famosas, não sei se vocês vêem bem o fino, o bonito, etc., dessas rendas que estão aí, não é? Aqui a cafajestona da Soraia, vejam as jóias: colar de rubi com brilhantes. Você veja essa pessoa que não sei quem é, mas acho que é um manequim, com todas essas rendas da Bélgica. A Bélgica é famosa pelas rendas.
Agora vejam aqui, por exemplo, que maravilha uma coisa dessas. Não resisto a lhes mostrar o famoso castelo que os senhores já devem ter visto de Vaux-le-Vicomte, veja…. é o que pode haver de bonito, mas a meu ver é o que pode haver de bonito! … Essa mesa aqui com um tampo de mármore e madeira dourada esculpida — são duas que Fouquet mandou fazer —, tão, tão pesadas, que quando mandaram embora todos os móveis dele, não foi possível carregar, não se sabe como foi levada para aí. Então, são os dois únicos móveis do tempo do Fouquet que estão aí nesse castelo e que datam do século XVII.
Não sei se vocês vêem o rafinement que tudo isso traz. Agora, vocês querem ver… Não, isso aí é francês, agora o que eu vou apresentar a vocês não é francês e, portanto, muito inferior. Mas enfim, para os senhores terem idéia da coisa… O extremo oposto.
* Comentário da foto do duque de Edimburgo: “tirar férias de ser nobre é como uma apostasia”
Tem aí um homem numa fotografia colorida pescando em [Balmoral?] e sozinho. Aqui você já tem uma. Isso é o ideal do que esse homem gosta… vocês estão vendo quem é, não é?
É esse. Isso é o duque de Edimburgo. Procura representar-se a figura dele vestido de almirante inglês, e [depois a gente vê] isso aqui. E aqui explica que esses são os momentos de distensão dele, onde ele se sente verdadeiramente feliz.
(Sr. Guerreiro Dantas: É o tal problema da vertigem, não é, senhor?)
Eu estou dizendo para ilustrar o problema da vertigem, não sei se notam que ele aqui não se penteou, ele está velho, quase com setenta anos, e está num barquinho, mas num barquinho muito qualquerzinho em que ele mesmo rema. E aqui ele tem uma espécie de anzol com que ele pesca uma porcaria qualquer. Mas no fundo é um burguês que se levantou de manhã com frio, pôs o capote com que ele vai a rua e foi brincar numa pontinha de jardim que ele tem.
Não sei se vocês percebem essas atrações bipolares como são na natureza humana decaída.
(Sr. Paulo Henrique: Mas haveria uma maneira de ser legítima dele fazer isso?)
Meu filho…
(Sr. Guerreiro Dantas: O que o senhor censura nessa fotografia? É o estado de espírito?)
O estado de espírito. É o estado de espírito.
(Sr. Paulo Henrique: Estaria nas proporções de ele fazer isso?)
Não, a resposta é o seguinte. Deve haver distensões um tanto mais elevadas que dêem a ele tudo quanto isto dá, mas ele aqui está gostando de não estar elevado. Porque o problema está aí.
(Sr. Guerreiro Dantas: E a gente sente que aí ele abdicou da condição de duque…)
De duque de Edimburgo.
(Sr. Guerreiro Dantas: Nem que seja por algumas horas, mas ele abdicou.)
(Sr. Paulo Henrique: Uma caçada…)
Uma caçada estaria perfeitamente…
(Sr. Paulo Henrique: Estaria a altura de um nobre fazer…)
Exatamente. Em que ele nunca deixasse de ser nobre, nunca tirasse férias de ser nobre, porque isso é uma apostasia. Um nobre que faz isso aí, é como um padre que vai passar férias no interior e se veste de civil para isto. Tira a batina e se veste de civil para isto.
(Sr. Paulo Roberto: Um militar.)
(Dr. Edwaldo: Ou um bispo na praia de calção.)
Um militar também que desista da farda. Um bispo na praia de calção e tudo mais. Mas que são férias de Deus. Aqui é exatamente a natureza humana decaída que não agüenta tanta grandeza perto de Deus.
(Sr. Paulo Henrique: Mas estaria na proporção dele, por exemplo, cuidar de rosas num jardim…)
Inteiramente, inteiramente.
(Sr. Paulo Henrique: Isso não.)
Isso não, aqui… Depois você veja, meu filho, o seguinte, é o capote dele… que a gente vê que é de uma boa casimira, agasalha muito esse capote, mas é proletário, cortado a la proletário, a cor e tudo mais…. e depois a gente tem impressão que é velho, está amarrotada, que…. como ele, ele está velho amarrotado. E depois tem isso, aqui ele com certeza pesca alguma coisinha que não vale nada e que ele remexe com águas paradas, com besourinhos, com coisas que ele não deveria estar mexendo, é uma outra coisa.
(Sr. Paulo Roberto: É ilustrativo.)
É ilustrativo. Aliás, eu não tinha me dado conta, mas parece que está chuviscando aqui, que ele está com um guarda-chuva, não é?
(Sr. Paulo Henrique: Isso deve ser a vara de pescar.)
Mas eu tenho a impressão que isto aqui é água parada, porque ele não está andando aqui.
(Dr. Edwaldo: É água parada, sim.)
E depois o jeito todo, vocês estão vendo que aqui é meio pantanoso, é meio terra e meio água.
E note o seguinte, que ele sabia que estava sendo fotografado assim, e se vocês prestarem atenção, a cara dele está muito entretenida, ele quer é isso.
(Sr. Paulo Henrique: E o que os franceses deram como título ali…)
“Prince aux état d’ame”. Ele quer dizer o seguinte. Que há uma relação — aliás, eu acho muito bem apanhada — entre esses dois estados de alma, pai e filho; mas explicando que apesar disto o pai não está de acordo com o filho em tudo, mas ambos estão fugindo do palácio.
* Comentário sobre o Príncipe Charles: “é o pródromo da 4ª Revolução”
(Sr. Paulo Roberto: Sendo que o filho já vai para a 4ª Revolução.)
Ah, 4ª Revolução. Não isso aqui é um pródromo da 4ª Revolução.
(Dr. Edwaldo: Ele representou uma vez uma peça em que ele saia de dentro de uma lata de lixo.)
Exatamente. [Referindo à revista] Eu acho que isto é muito ilustrativo!
(Sr. Guerreiro Dantas: Vamos pedir a Dr. Luizinho que mande comprar uma revista dessas para mostrar na camáldula…)
Eu tenho muito medo dessa revista, eu leio com muito cuidado e implacavelmente quando acabo de ler, eu mando rasgar em 4, na minha presença, porque eu tenho medo. Tem muita coisa que não deve ser.
Bom, vamos sentar meus caros.
(…)
(Cel. Poli: Pode fazer o papel da pastilha amarela.)
Ora, se pode fazer!
Mas aqui os dois, o pai e o filho estão com um estado de espírito na linha da pastilha amarela, e eles julgam que eles aí estão contentes, estão no itinerário do Freud! Porque é por aí que se vai.
(Cel. Poli: Nunca senti tanto esta opção para Deus e para o demônio como agora.)
Não é? E depois um moralista comum vai dizer que o duque de Edimburgo não está pecando em nada aí, um homem que está descansando, que é uma coisa até compreensível, ele faz muito bem, etc. E humilde, não tem nada contra a pureza aí, e humilde. “Aí a gente vê que ele é homem que não se deixa enganar pelas grandezas da terra”. Porque vai por aí o sermão.
* O cavaleiro da Idade Média queria construir o castelo, ele queria construir a catedral, ele queria construir as fortificações da cidade, ele queria uma outra coisa
Mas enfim, o que nos interessa aqui é a Bagarre e o Reino de Maria. A gente deve imaginar um estado de espírito de um homem da Idade Média, mas no período ascendente da Idade Média, ele não tinha nada disso, ele queria construir o castelo, ele queria construir a catedral, ele queria construir as fortificações da cidade, ele queria uma outra coisa. E o gosto dele é formar a casa recolhida dentro da qual a agente se sentia à léguas da rua. Bem, e para esse pessoal é tudo o contrário. Aí a gente vê de longe os estalidos desta última revolução como vem.
* Um fatinho do Senhor Doutor Plinio em Santos vestido com roupas de “palha de seda”
Aliás, isto é tão profundo que eu me lembro, a mim pequeno, 4 ou 5 anos, compraram para mim — menino no meu tempo se vestia de um modo que eu creio que é muito diferente do tempo de vocês — compraram para mim um roupa, assim conforme roupa de menino, mas de um tecido que não sei se vocês chegaram a conhecer, talvez não, chamado palha de seda, chegaram a conhecer?
Bem, é de seda, mas é uma seda feita de tal maneira que você tem a impressão de palha, mas muito agradável ao tato, e depois um tipo de roupa que se usava muito folgada. Eu me lembro eu, na praia de Santos, naturalmente naquele tempo muito menos freqüentada do que hoje, não tem comparação, e com outro pudor… pudor não, outros restos do pudor que não existem mais hoje. Na praia quase deserta andando com duas ou três pessoas… [Vira a fita.] … e batia o vento e entrava pela minha roupa e enchia toda de vento e me dava um bem estar, mas um bem estar de tal maneira que era meio inebriante. E eu senti que ali havia uma espécie de padrão, de modelo, de estilo, para a vida, mas que era o contrário de tudo aquilo que fala dessa atmosfera que eu estava habituado, e me veio uma solicitação: “por que não ser assim, e não ser como as outras pessoas que eu conheço em São Paulo. Isso não é verdadeiramente a vida?” Não deixa de ter alguma coisa da pastilha amarela, hein! Eu eu tive que fazer um esforço sobre mim para não ceder. Agora, quanto menino há por aí que…
(Sr. Guerreiro Dantas: isso é uma coisa tremenda. Eu me lembro que nos tempos de colégio ainda, quando chegava o verão — no Paraná as estações são mais definidas do que aqui —, a hipótese de sair do colégio e ir para uma piscina… [Olhe que] a piscina é uma poça d’água comparada com o mar. Mas ficava-se lá como um lagarto; aquela piscina que a gente de repente mergulha, sente a água fresca no corpo… Era a embriagues de todos os rapazes quando começava a chegar o verão. A última aula era só pensar na piscina.)
Eu imagino isso totalmente, porque isto para mim era o banho de mar. O mar é uma coisa absolutamente inebriante.
* Como se aproveita a criança para ir preparando com um século de antecedência, a pastilha amarela
Bom, vamos dizer, por exemplo, que um rapaz diga sim a uma coisa dessas numa hora de irreflexão — mas onde a irreflexão já é uma culpa — diga sim a alguma coisa dessa, fica nele uma embocadura aberta para uma série de outras capitulações de que ele não se dá conta, mas fica no funda da alma dele. Mas essa embocadura é um fechamento para a cultura.
Aí vocês têm idéia dessa bipolaridade.
(Sr. Guerreiro Dantas: É um gênero de posição que esteriliza a alma do homem para a elaboração cultural.)
Exatamente. Esteriliza mesmo porque se apresenta de tal maneira que para gozar é preciso não estar pensando, não é como uma delícia qualquer que você tem que pôr as suas melhores antenas em funcionamento para sentir, mas é uma coisa brutal, primeira, que te envolve e te domina, e você se esparrama dentro daquilo.
(Sr. Guerreiro Dantas: Ela é fundamentalmente física.)
Física, é vegetativa!, convida o homem a não pensar e a vegetar.
Agora, no meu tempo de menino havia várias formas de brinquedo e várias situações onde de passagem o menino era convidado para isso. Bom, isso ia repercutir na educação que ele daria ao neto.
(Dr. Edwaldo: Isso é de uma importância vitalícia, se pudesse se dizer assim, porque não houve ninguém que dissesse isso, a não ser o senhor. Agora, como é isso? Deveria haver decadência, de qualquer maneira.)
(…)
Agora, do que isto vem a propósito? Não é para descrever cenas mais ou menos pitorescas de crianças, não é. É para compreendermos como se aproveita a criança para ir preparando com um século, se pode dizer, de antecedência, a pastilha amarela. Aqui está a questão. Daí nascem a incompatibilidade com o paletó e quanta coisa há vem daí.
Depois vem a coisa assim, vamos dizer, chega a hora de ir para a missa, se uma criança gozou intensamente disso e depois vai a missa de meio dia, a missa não pode deixar de trazer a privação intensa daqueles gozos, e, portanto, paulérrima, na hora insuportável do domingo. Porque não pode deixar de ser. Ademais não ensinam bem o que é a missa, renovação incruenta do sacrifício do Calvário!? A criança não sabe o que é aquilo. Sermões nem me fale! Nem me fale! Sermões horrorosos, monótonos, insuportáveis e tudo mais.
Bem, no total o que é que fica? Não fica nada. Fica uma preparação lenta para coisas destas que remotamente vão preparando o homem para a ordem da pastilha amarela, porque tudo isso se desgasta, desgasta, desgasta, e a única apetência que vai nascendo sem a pessoa ter a noção é para o tal verde. Não é o verde, cor verde, é …
* A eliminação dos botões nas calças para pôr zíper, já é uma abominação
(Cel. Poli: Desabotoar completo.)
É acabar com os botões. A eliminação dos botões nas calças para pôr zíper, já é uma abominação que tem sua relação com isso. E daí uma porção de coisas. Quer dizer, nós não percebemos, mas nós estamos sendo manuseado para a animalidade. E o convite que nós temos é para a angelicidade.
(Sr. Paulo Roberto: A gente vê nos rapazes do São Bento que eles têm o ideal de serem aquilo e que são…)
Não estão representando, é aquilo mesmo.
(Sr. Paulo Roberto: Para nós é meio difícil de a gente ter uma coisa assim externa que mostre para nós o modelo…)
O bom eremita de São Bento tem — e são quase todos — uma graça pela qual entra nele um equilíbrio oposto a isso, por onde, por exemplo, eu nunca, nunca vi nenhum deles…. nunca tive sinal de que algum deles propusesse de deixar de usar botas em dias de calor. Agora, você quer uma coisa mais contrária a essa coisa da pílula amarela do que você passar a vida inteira de botas?
(Sr. Paulo Roberto: O hábito também em dias quentes…)
O hábito em dias quentes. E depois ao menos podia pedir para ficar com a túnica sem escapulário, já seria alguma coisa! Ou incomparavelmente pior ficar com o escapulário sem túnica. Não, é aquilo… e nunca vi… Eu vejo muitos deles, muitas vezes é, natural, puxar o lenço e enxugar o rosto, quer dizer, estão com calor, mas nenhum pouco eu vejo um mal-estar dentro da túnica.
(Cel Poli: Não há caso.)
(Sr. Paulo Roberto: É o contrário dos jovens de hoje em dia.)
Mas clamorosamente contrário, nem sei dizer quanto contrário! Nem sei dizer. A meu ver é uma… É das tais coisas, Luizinho e eu conversando chamamos o João, por gracejo, de “carismático”, mas ele tem um certo carisma para transmitir isso a essa gente, e é uma coisa extraordinária, como equilíbrio é uma coisa extraordinária.
(Cel Poli: Aí fica muito claro o por onde a coisa tem que correr.)
É
(Cel. Poli: O que levam a eles a não tirarem as botas, a não tirarem o escapulário? É que por onde o Sr. João mostra um modelo a seguir que eles aderem com entusiasmo e com alegria de alma, e aí então o resto todo acaba. Tendo energias para isso, o senhor entrando se equilibrando.)
(…)
* A luta das presenças cria as incompatibilidades ululantes, estridentes. Odios! Mas é propriamente “inimicitias ponam”
Agora, aí a gente compreende a luta das presenças e como a luta das presenças cria as incompatibilidades ululantes, estridentes. Odios! Mas é propriamente inimicitias ponam, que dá todo o sentido a que um se levante com a cruz na mão e que outros se levante sei lá, com um emblema pornográfico qualquer, etc., porque passou o tempo dos budas, não é mais isso que vem.
* O cavaleiro medieval tinha uma graça especial de alegria na luta, no combate e na estridência da pancadaria
Bom, então la vai… Mas a gente pode imaginar o que a gente vê que o cavaleiro medieval tinha: era uma graça especial da alegria na luta, no combate, na estridência da pancadaria…, são coisas especiais. O amor para libertar o Santo Sepulcro, o amor especial de estar usando aquela maça com aquela bola, com aquelas pontas e pá! pá! pá!, e joga um turco no chão, e lá vai para frente, tudo isso dá uma alegria especial. E é nessa linha que eu vejo o Grand-Retour.
Também, o recolhimento celestial numa catedral… Vocês se lembram um quadro de Fra Angélico representando São Domingos, um mongezinho sentadozinho ao pé da cruz lendo e assim com… Mas não sei se percebem que por ali, por exemplo, aquela alma não pode se ter entregue a essa plenitude de mar e piscina, para falar só disso, vocês sentem que não é possível.
(Sr. Paulo Henrique: Um equilíbrio, desde pequeno por onde não se deixou seduzir…)
Seduzir e nem levar por aí.
Isso enfim, equilibra muita coisa.
(Dr. Edwaldo: Já se tem falado mil vezes disso, eu sei, mas para nós o único caminho na situação atual é o de nos reportarmos sempre ao senhor, não é? Diante de qualquer situação. É o ponto de apoio e é o modo de nunca nos afundarmos.)
(…)
* O thau é uma promessa permanente acesa em nós, a qual a gente não pode perder de vista
… é só recapitulando, não é? Nós já tivemos uma saída muito grande para isso por meio exatamente do thau, mas o thau ficou como uma promessa, uma esperança de outras coisas, outras coisas, e extinguir completamente isto. Mas o thau é uma promessa permanente acesa em nós da qual a gente não pode perder de vista que como promessa que é, há de ser cumprida por Deus na sua santidade infinita, etc., etc., etc.
Agora, vocês me dirão: “Qual é a utilidade dessa conversa de hoje a noite?”
(Cel Poli: Não…)
(Sr. Paulo Henrique: O “thau” permanece em nós como uma promessa continuamente acesa, para outras e outras coisas. De fato, sentimos isso, e às vezes — não sei qual é o comportamento de cada um, mas numa alma desequilibrada, enfim, desde a raiz, digamos, por causa da má educação das “Fs”, etc., isso nos leva para um certo destempero em momentos como esse; em vez de tomarmos, como Dr. Edwaldo falava a pouco, o senhor como modelo, mestre, regente, enfim… Temos essa sofreguidão de atingirmos tudo aquilo que o “thau” nos promete, e ficarmos assim meio angustiados, desesperados — pelo menos falando em causa própria. Qual é o verdadeiro equilíbrio de uma pessoa portadora dessa voz interior? Diante das promessas deste “thau”, como deve ser esse comportamento equilibrado? Porque de fato o senhor está nos ensinando, mas às vezes isso aflige, porque parece que não vem. É aquela longa espera, o “rio chinês”. Não sei se o senhor compreende que um filho faça uma pergunta dessa para o pai.)
Eu compreendo perfeitamente, e tenho uma resposta. É que nós devemos compreender que nesse rio chinês há alguma coisa penitencial necessária, e outra coisa que é propriamente a provação para subir a montanha, e que, portanto, não é tão anormal que leve esse tempo. A questão é que nós ficamos com a idéia meio norte-americana de pressa; a coisa tem que ir num marche-marche, logo e de metrô. Bom, o metrô aqui está tão aviltado que não se pode comparar, mas vamos dizer de minhocão ou de avião, na linha reta e está acabado, não tem conversa.
(Cel Poli: O senhor ia dizer qual é a utilidade dessa conversa…)
Bom, é o seguinte, se nós ficarmos com ela bem fresca na memória, ela por si, deita sementes. A questão é essa. E aqui levanta um problema muito delicado que é como ficar com a coisa bem fresca na memória? É preciso passar por um esforço desagradável, não tem remédio. O esforço, é um esforço mnemônico, mas que não pode ser principalmente mnemônico, tem que ser meio de memória, portanto, eu explico a palavra um pouco pedante, mnemônica é memória, é um esforço de treino de memória, mas tem que ser algo por onde isso não fica como um objeto de museu nas nossas cabeças, mas nós saibamos de quando em quando degustar.
(Sr. Guerreiro Dantas: […])
E compreendendo, meu filho, que há uma ajuda para agüentar a demora de que falava Paulo Henrique, porque é essa a questão.
(Dr. Edwaldo: Como meio para guardar […] … olhando para o senhor e aproveitando os contatos com o senhor, porque senão não se guarda dessa maneira como o senhor diz.)
Aqui é um ponto que eu não posso opinar.
(Sr. Paulo Henrique: De fato, às vezes o senhor está falando dos temas os mais aflitivos, a respeito da situação da estrutura…, a gente olha para o senhor e o senhor está completamente distendido […] por ser um homem que está esperando o dia da “Bagarre” mais do que nós aqui, com mais desejo […].)
Vocês me pegaram quando eu tinha a idade de vocês hoje, é mais ou menos assim. Quer dizer, quando vocês me pegaram, eu já tinha vivido tudo quanto vocês viveram e mais um tanto.
(Sr. Paulo Henrique: […] o senhor é o modelo para o qual nós devemos estar olhando […])
(…)
(Sr. Guerreiro Dantas: … discos voadores que vêm certamente com as tais fórmulas de encantamentos.)
Traz desequilíbrios horríveis a esse respeito.
(Sr. Guerreiro Dantas: […] Qual seria a atitude da Providência proporcional ao lance que o adversário daria, e o senhor, então, comentou que seria dar a nós uma intensidade muito grande desse espírito, dessa graça que é o “thau”… À medida que os acontecimentos se precipitarem, a atitude do senhor para conosco vai se modificando na linha de que nós possamos contar com o senhor cada vez mais, para exatamente estas eventualidades […])
Quer dizer o seguinte, a missão do Fundador é essa, e o que pertence — a palavra canônica me escapa — mas a uma sociedade do tipo da nossa, tem inteiro propósito que peçam isso a mim, mas evitando sempre nas formulações como na realidade, aquilo que possa ter idéia de culto a mim, porque isso realmente eu compreendo que por exemplo, São Francisco Xavier pedisse a Santo Inácio.
(Dr. Edwaldo: Eliseu pediu a Elias.)
Eliseu pediu a Elias. Eu compreendo, mas é preciso ter muito cuidado a esse respeito.
(Sr. Guerreiro Dantas: Mas de qualquer modo, o enfoque da perspectiva é bem esse. É daí que nós devemos esperar enormemente. Não ficarmos com os olhos de hoje olhando o terrível dos acontecimentos de amanhã […])
Eu acho que com as devidas cautelas é.
(Sr. Guerreiro Dantas: Mas é assim, senhor. Todo o princípio do feudalismo, tem que se aplicar de modo muito grande. […] a metáfora do olhar do capitão…)
(Dr. Edwaldo: A metáfora do olhar do capitão.)
(Sr. Guerreiro Dantas: A metáfora do olhar do capitão. O olhar da alma do capitão.)
É, os marujos devem olhar para o capitão, é fora de dúvida.
Meus caros, nós estamos muito… Meu filho…. (…)
* O conúbio com o horror, com a feiúra, com a sujeira, e com a maldade, será uma das maneiras pelas quais o demônio tentará levar os homens à revolta…
… dessas reuniões, são pontos mais culminantes, deveriam nós nos lembrarmos e ficarmos mais marcados, porque senão se perdem dentro da poeira dourada das reuniões. Por exemplo, aquele assunto dos durões é um assunto que nós não poderíamos perder. Eu não acho que tenhamos feito mal em deixar o tema, não; mas deveria ficar marcada de um certo modo para eventuais retornos ao tema, houvesse possibilidades de tratar, houvesse vez para isto na escolha dos assuntos, etc. Com organicidade, sem pressão, sem nada disso, mas que eu acho que seria muito importante. Mesmo porque eu tenho a impressão que uma das maneiras pelas quais o demônio tentará levar os homens à revolta é o seguinte.
Em certos momentos ele se apresentar como um ser imundo, torto, desqualificado, que não tem eira nem beira, e se apresentar como sofredor, dizendo: “Eu estou sofrendo tanto assim, estou sofrendo porque em certo momento um ente inclemente me abateu e me reduziu a isso, e não tem pena de mim, e eu vejo você sofrer também, o seu sofrimento é um desdobramento do meu, o nosso carrasco é o mesmo — há isso é perigoso! —, e venha cá, me abrace que eu lhe comunico um carinho que nunca você teve, você vai sentir o que é compaixão…”.
Você sabe que isso é extremamente perigoso? Mas extremamente perigoso! Porque aí a gente faz um conúbio com o horror dele, com a feiúra dele, com a sujeira dele, e com a maldade dele; um conúbio por onde nós nos endemoniamos.
Bem, então, como é o antidurão face a isso? Porque o demônio faz essas coisas. O sujeito é durão, durão, durão, em certo momento ele se sente isolado, ninguém entende, e ele quer compaixão; o demônio oferece. Vocês não acham que há um perigo nisso vertiginoso? Se nós não tratarmos de nos preparar contra coisas dessas… porque a coisa vem por aí, hein!, eu não sei para onde nós vamos.
(Sr. Paulo Roberto: É o que D. Chautard diz na alma de todo o apostolado, que se a pessoa não tiver um amor a Nosso Senhor, no fundo ela vai se apegar às coisas sentimentais…)
Não tem remédio! Não tem remédio! Então vamos ter isso assim, alguns assuntos desses nós termos em vista para termos cuidado, não é?
Meus filho…
(Cel Poli: Uma reunião muito boa.)
Graças a Nossa Senhora foi, foi muito boa.
(Edwaldo: Vamos pedir à Sra. Da. Lucilia que nos ajude a ver o senhor, “ut videam”.)
Vamos andando, meus caros.
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