Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
26/5/1990 – Sábado [JC 13] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 26/5/1990 — Sábado [JC 13]
Após um período de grande confiança axiológica, o derramamento de um espírito e o surgimento da TFP II
Índice
* Em pentecostes e na conversão do Japão, um derramar de um espírito em torrente 3
* O derramamento de graças que se recebe a propósito da “RCR” 5
* A “Bagarre” será uma complementação das graças que se recebeu a propósito da “RCR” 7
* Uma pequena fagulha da grande pentecostes que virá 8
* A TFP é o primeiro esboço da plenitude da figura do católico 8
* A correspondência à Vocação e a defesa contra ações uriguelerizantes estão na crença na “RCR” 9
*_*_*_*_*
* Um estudo urgente para arrancar da bruma parte de nossa vida e para compreendermos o vai-e-vem das coisas durante a “Bagarre”
[Há uma troca de gentilezas entre o Dr. Caio e o Sr. Guerreiro a propósito de quem faria a pergunta]
Meu Guerreiro, eu sei que o nosso Caio tem muitas virtudes, uma das quais é a firmeza nas deliberações que, às vezes, os franceses chamam de entêtement… ahahah! Vamos lá ver qual é a sua pergunta…
(…)
(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor poderia explicitar melhor como é que seria a totalidade desse espírito contra-revolucionário que deve se manifestar ao mundo, como é que esse espírito se explicaria junto ao publico? Se o senhor pudesse descrever um pouco como é que seria o conjunto dessa mentalidade de ordem que levaria o público, tomando contato com ela, e em contraste com a Revolução, se voltaria para ela, para o senhor portanto.)
Um dos pontos que eu não tenho tido tempo de estudar, da doutrina católica, mas que eu acho dos mais essenciais para nós compreendermos toda a luta da TFP, e toda a teoria de opinião pública que o meu Coronel gosta tanto de estudar, é o seguinte: eu vou dar duas centelhazinhas da Escritura de que eu me lembro para servir de ponto de partida porque, de fato, eu conheço pouco a matéria. É uma coisa que não depende de a gente excogitar, mas depende do que Deus revelou a esse respeito. E aí seria preciso estudar a questão para acompanhar a coisa.
Mas eu digo desde já aos senhores o seguinte: isso seria um estudo muito importante, e até urgente, porque uma parte de nossa vida e de nosso problema se perde para nós numa bruma. E essa bruma faz-nos muito mal, e uma explicação dessa bruma faria muito bem. De um lado.
Agora, de outro lado tem que para nós entendermos o vai-e-vem das coisas durante a Bagarre, nós precisamos conhecer esse ponto. E não basta só conhecer, é preciso estar habituado a raciocinar a partir desse ponto. É um ponto tão especial, que é preciso ter o hábito de tê-lo em consideração, de saber ver, etc. Isso levaria algum tempo. E, portanto, valeria a pena a gente tomar em consideração.
* À vista de uma certa conjuntura histórica, Deus derramará por cima da graça suficiente uma abundância de um outro espírito
Eu só me lembro dessas palavras de uma frase que está no Novo Testamento, eu creio que está numa epistola, alguma coisa assim: “Eu derramarei sobre eles um espírito…” a frase vai para frente. Eu nem me lembro que espírito trata de derramar. Mas a idéia de comparar o espírito a um líquido que Deus difunde com abundância de quem derrama alguma coisa, e a idéia de que Deus prevê uma época em que Ele derramará um espírito. Portanto, a abundância desse espírito não é igual como se afirma, com muito bom fundamento, na doutrina da graça suficiente. A graça suficiente é dada para todos, constantemente e nunca falta, até o último alento. Essa graça suficiente, pelo fato de ser suficiente, embora talvez seja desigual segundo a necessidade de cada um, ela, entretanto, tem isto de igual a todos, que é o suficiente. Essa graça não se pode chamar propriamente de derramar. Até talvez seja, mas evidentemente a frase da qual eu apanhei um farrapo não quer dizer isto. Mas é por cima da graça suficiente uma abundância de outro espírito, que numa conjuntura histórica, à vista de certa situação histórica Deus derrama. E derrama para produzir certos efeitos.
Quer dizer, a difusão dos espíritos, essa difusão é, no que diz respeito à história da salvação dos homens, que é o centro da história universal, essa difusão dos espíritos é um elemento essencial do guiar as almas e guiar a história. E é, portanto, também elemento essencial do guiar a história da TFP e a história da Contra-Revolução e da Revolução em nossos dias.
* Para o castigo dos homens, Deus às vezes solta um demônio especial, o que se assemelha com o derramar do espírito
É uma coisa horrível, mas também quando São Paulo fala a respeito da homossexualidade entre os romanos, que se tornou uma coisa pavorosamente freqüente. Sabe que havia velhos que entravam em concubinato com moços, mas com a condição de adotar esses moços como filhos. Então, adquiriam, pela noção do pátrio poder dos romanos, não sei o quê, adquiriam direitos despóticos sobre esses filhos. Mas também eram obrigados a deixar a fortuna. E como havia fortunas enormes em Roma, sujeitos que possuíam, por causa daquelas guerras de conquista, possuíam província ou países inteiros, mas como proprietários privados de tudo dentro das províncias, havia, portanto, fortunas fabulosas! E esses moços, para terem segurança de uma vida luxuosa, vendiam-se por essa forma a esses velhos. Não muito garantido de que eles matassem prematuramente o velho… está no jogo das coisas.
Mas, então, São Paulo diz que Deus os castigou, os romanos, com o vício da homossexualidade. O que dá impressão ou que Deus soltou um demônio especial, ou que saiu qualquer coisa assim, mas uma coisa em que Deus tem a iniciativa. Isso expôs então, ressalvando o livre arbítrio, e expôs a um vício particularmente péssimo, irregular, etc., etc. O que é meio parecido — não é idêntico, mas é meio parecido com o derramar o espírito. É, a bem dizer, derramar um demônio para castigar a complacência do homem com os outros demônios.
* Em pentecostes e na conversão do Japão, um derramar de um espírito em torrente
E a gente vê na história certas coisas que são, assim, sopros do Espírito Santo que se derramam. Então, vamos dizer, por exemplo, Pentecostes. Foi um derramar de espírito, talvez o derramar de espírito por excelência, e do qual ainda vivemos. Depois a gente vê que os Apóstolos derramavam esse espírito de que eles estavam cheios nos países aonde eles iam fazer apostolado.
Mas aí há “derramares” e “derramares”, conforme a reação do povo. Então, a gente toma, por exemplo, o Japão. São Francisco Xavier foi ter lá e produziu conversões em massa no Japão. E se não fosse aquela traição horrorosa dos protestantes holandeses, o Japão ter-se-ia convertido. E, de qualquer outra maneira, é certo que aqueles dois mil mártires de Shimabara constituem um dos mais belos reflexos desse derramar de graças, etc., etc.
Bem, no Japão veio como uma torrente, e uma perseguição tapou isso.
* Na Índia, um filete de catolicismo mantido por Deus durante séculos, à espera do aparecimento da TFP
São Tomé esteve na Índia, São Francisco Xavier também esteve. Dois grandes apóstolos, cada um a seu título, mas dois grandes apóstolos. Eles conseguiram, cada qual, fazer um pinguinho de conversos, que deram reciprocamente ponto de partida a dois filões de católicos: o filão de São Tomé, que são do rito Malabar, com hierarquia própria, linguagem própria, liturgia própria, os donos do corpo de São Tomé que se encontra numa das Igrejas deles. Depois vieram os de São Francisco Xavier, do rito latino, e fundaram outra corrente. Mas são duas ilhotas de catolicismo dentro da Índia, que tiveram uma espécie de torneira com pouca água que correu até hoje, em que é lamentável tão pouca água, mas espanta a continuidade do fio da torneira.
Tanto mais que pela idéia — agora, a partir do que eu vou dizer, é uma idéia vaga — os do rito Malabar eu tenho a idéia de que uma boa parte passou para o cisma, e que foi no século passado que essa boa parte voltou à Igreja Católica. Quer dizer que houve um tempo em que foi tenuíssimo, tenuíssimo!
Não se pode chamar isso propriamente de um derramar de espírito. É um espírito que se comunica, mas com parcimônia, com uma bela e obstinada parcimônia, mas com parcimônia, e obtém frutos parcimoniosos. Enquanto há, pelo contrário, ocasiões em que há um derramar, um difundir abundante de graça, por uma operação especial de Deus que comunica ao bem uma capacidade de contagiar, uma capacidade de expandir-se, de se afirmar, que dá aos bons uma capacidade de lutar, de apresentar-se, de entrar em confrontação uns com os outros, corpo a corpo, em qualquer terreno que seja, e de vencer, etc., etc., um aplomb, uma segurança que eles normalmente têm menos. E eu creio que nesses derramares assim, não é verdade que os filhos da luz sejam mais pocas do que os filhos das trevas. Eu creio que isso é verdade para os episódios comuns da historia, mas que nos derramares isto deixa de ser assim para ser uma coisa muito mais abundante, muito mais esplêndida etc.
Bom, agora, o que é bonito é o seguinte: eu não tive ocasião de conversar isto com o Aloísio Torres, porque a gente não tem tempo de conversar tudo, eu gostaria muito de que ele estivesse presente na reunião que eu estou tratando disso, mas não vai também, até arranjar isto… enfim, não vai, mas eu gostaria muito. Se o Paulo Henrique mostrar os apontamentos quando ele vier, eu gostaria.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Com muito gosto. Posso escrever a ele na Índia, contando isso.)
Pode, pode fazer.
Mas, então, o que eu acho bonito é o seguinte: que pela última carta que ele me mandou, pelo modo de andar o grupo da Índia, aquilo vai andando de um modo impressionante. Vai andando de um modo impressionante! Aqueles Shureshs e outras coisas do gênero, Ivo Noronha, aquilo tudo, a gente vê que eles vão esperneando, porque têm dificuldades, etc., mas tal será! Mas ainda aquele Augusto e o Suresh escreveram-me uma carta muito bonita, num português correto — que é a língua natural deles, eles são católicos de São Francisco Xavier e falam o português — mas muito correto, relatando, a gente vê que é por incumbência do Aloísio, como está indo o grupo, etc. Muito interessante, muito interessante. Se vocês, aliás, me lembrarem, no próximo sábado eu poderia trazer a carta aqui para vocês verem.
A gente tem a impressão de que a expansão da TFP na Índia é uma fivela que vai reunir as duas coisas, e que a expansão, o derramar do espírito de Nossa Senhora na Índia, é algo para o que confluirão os malabares e os do rito de São Francisco Xavier. Note que até agora não tem nenhum malabar. E que explica na história de Deus esse chover de sementes, durante séculos, de um lado e de outro, para quando aparecesse a TFP Ele derramar o espírito.
* A declaração do Cardeal Ratzinger sobre a paganização da Igreja faz pensar num derramamento do espírito
E toda a história da TFP acaba sendo o seguinte: vocês devem ter visto hoje à tarde, eu não sei até que ponto lhes chamou a atenção aquela publicação da revista 30 Giorni falando da situação da Igreja, se ainda a Igreja existe, não existe, etc., etc., não sei até que ponto prestaram atenção…
(Sr. Gonzalo Larraín: Não, estava claríssimo, são declarações puxadíssimas!)
Puxadíssimas! Mas aquela declaração faz pensar num derramamento de espírito. Porque fala em quatrocentos anos que o paganismo está se infiltrando cada vez mais na Igreja. É uma declaração numa revista patrocinada pelo Cardeal que toma conta do Santo Ofício. Não preciso dizer mais nada. Que há quatrocentos anos está se infiltrando, está cada vez mais infiltrada, e que se pode dizer hoje que a abominação está sentada no lugar sagrado.
Eu, comentando isso, ainda me lembro de que falei da autodemolição da Igreja e da fumaça de Satanás que está penetrando na Igreja, que tem um nexo evidente com isso.
Quer dizer, durante quatrocentos anos, os católicos, e às vezes os bons, não viram isto que o Cardeal Ratzinger vê, ou alguém que escreveu esta nota vê com tanta precisão. A ponto de chegar a dizer, como vocês devem ter notado hoje na reunião, que ele diz que a Igreja foi antigamente uma Igreja de pagãos que tinham se tornado cristãos, e hoje a Igreja é uma Igreja de cristãos que na aparência apenas são cristãos, porque no fundo são pagãos.
(Sr. Poli: Com o coração pagão.)
Quando o coração é pagão… o que é uma coisa puxadíssima, porque onde a Igreja é constante de pessoas cujo coração é pagão, a gente se pergunta até que ponto a Igreja está existindo.
* O derramamento de graças que se recebe a propósito da “RCR”
E é uma coisa curiosa que, se nós formos perguntar como é isto, nós encontramos duas coisas. E disso eu tenho experiência pessoal, posso atestar. É que para um da TFP, ou que é chamado a pertencer à TFP, a gente falando do negócio das três Revoluções — porque é evidente que quando ele fala desses quatrocentos anos, é o humanismo-renascença — quando a gente fala para um da TFP, ele se entusiasma, e pode até ser que ele se converta com isso. O Rodrigo estava me dizendo outro dia que a conversão dele se deu ao livro das três Revoluções. Julgo que uma vez você me disse a mesma coisa, mas não tenho certeza. Com o Átila é certo, ele me disse isso. São três exemplos de pessoas que leram o livro e mudaram de vida.
Não sei até que ponto isso foi com vocês outros, mas há numerosos que são assim. A propósito da leitura do livro, Nossa Senhora derrama um espírito. E alguns leitores do livro — Mário Navarro é outro — alguns leitores do livro mudam de mentalidade com isso, etc., etc., o que esses infames parlapatões sobre seitas chamam de lavagem cerebral. É uma conversão. Não é outra coisa senão isso. Alguns parlapatões falam de lavagem cerebral. Mas, na realidade, é um derramar de espírito.
Esse mesmo livro posto na mão de uma grande maioria não mudaria as posições. E a prova disto não está tanto nos esquerdistas que têm lido e não mudam, mas está exatamente nos tradeaux. O número de tradeaux que mais ou menos leram a “RCR” não é tão pequeno. Mas o Caio deve ter notado que eles coriáceos a isso. Não mudam com a leitura.
(Sr. Poli: Cantoni, que sabe a RCR de cor…)
Não mudou de mentalidade.
Bem, mas enfim, quer dizer que é um livro que a Providência acompanha com um derramar de graças. Mas, com uma coisa curiosa. Essa é a minha opinião: se nós imaginássemos uma TFP que correspondesse inteiramente às graças que tem, ainda não seria a TFP necessária para a Bagarre. E que há duas espécies de etapas de derramamento de graças: uma é o derramamento da graça que, a propósito ou da “RCR” ou a propósito de outras coisas, prepara para pertencer a TFP. Mas há um outro derramamento de graça que eu acho que é a essência do Grand Rétour, que prepara para um TFP II, que tem outro impulso de graça, outra força, e que aí está para lutar completamente contra a Revolução.
Se eu não estiver claro e quiserem uma explicação, eu estou inteiramente à disposição.
(Sr. Gonzalo Larraín: Mas isso depende só de Deus?)
Daqui a pouquinho nós vamos tratar disso, exatamente. Mas eu não sei se eu dizendo isso, um certo instinto interior não lhes confirma isso que eu estou dizendo. Mas para mim isso é altamente axiológico.
O que é que é esse derramar de graças? Para nós foi gratuito. Ás vezes foi uma coisa que desde pequeno germinou na nossa cabeça. Encontrou a TFP e só depois de entrar na TFP é que a pessoa vai ler a “RCR”, que não foi, portanto, o motivo determinante da conversão. São muito numerosos os casos assim. Outros casos, como nós dissemos, foram determinados pela leitura da “RCR”.
Mas relativamente é raro, é curioso isso, que um membro da TFP tenha entrado por outras razões, lendo a “RCR” passe por essa transformação dentro da TFP. É assim. Eu não sei se eu interpreto bem. Eu julguei sentir uma espécie de estupefação muda com o que eu disse, mas vamos aos fatos.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Quando o senhor escreveu o livro “RCR”, o senhor tinha em vista atrair as pessoas de thau?)
Era só o que eu tinha em vista.
* A “Bagarre” será uma complementação das graças que se recebeu a propósito da “RCR”
Bem, e isto quer dizer que há uma espécie de dinamismo em torno da “RCR”, a propósito da “RCR”, que dá no seguinte: os que estão dentro da TFP, chegando até a Bagarre, eles vão passar por um acréscimo de tonus que corresponde aos que, lendo, se converteram. Porque vai haver uma complementação. Depois, é uma coisa curiosa, é singular isso, liga-se um pouco à doutrina das vertentes, mas em geral quem entrou pela mão da “RCR” precisa fazer um certo esforço para ter um grau de piedade correspondente a tudo quanto a “RCR” pede. Olha que o papel do sobrenatural é posto bem claramente na “RCR”. Mas há uma…
(Sr. Gonzalo Larraín: O que atrai não é isso.)
Não é isso, mas a gente tem a impressão de que no momento oportuno a graça será dada. Não tem o caráter de uma repreensão. São as obras de Deus que Ele faz nas suas etapas, nos seus momentos, etc., de maneira que nesta hora de derramar o espírito, as três vertentes não desaparecem, mas a carga muito mais acentuada por uma vertente do que por outra torna permeável uma vertente à outra, e isso dá uma espécie de plenitude que é uma coisa que depende da hora da Providência para a TFP receber.
Eu volto a dizer, isso não é uma repreensão. Eu acho que se eu quisesse forçar uma pessoa de vertente político-social, que é mais especialmente a vertente da “RCR”, a ser tão piedoso quanto ele é [contra-revolucionário?], eu estaria fazendo uma coisa meio prematura. Era preciso ter a sua hora, ter seu momento etc.
* Depois de um período de provação, virá o dia em que a TFP receberá uma acentuação do espírito nela derramado que a transformará
(Sr. Guerreiro Dantas: Apanhar bastante.)
É, apanhar bastante… entra pelo meio. Mas tudo isso, por além de um significado por vezes punitivo, tem o significado de um plano cuja beleza só depois compreenderemos. Como, por exemplo, o fato do veio de São Tomé e do veio de São Francisco Xavier continuarem a existir, sem se entender muito por quê, mas em vista de um fato futuro que eventualmente explicará isto, e muita glória para Nossa Senhora. Parece-me verdadeiro isto, parece-me oportuno ver isto assim etc.
E, portanto, uma coisa é a correspondência inteira à graça que atualmente nós temos, e outra coisa é a aquisição de uma certa plenitude que é própria ao momento em que um certo espírito será derramado. E que então a TFP terá uma força de impacto que eu definiria assim: hoje ela atrai e articula os “contra-revolucionáriaveis”. E é uma grande obra, hein! O que ela está fazendo no mundo hoje é tão difícil que, sem muito auxílio especial da graça, não iria. E muito especial. De um espírito derramado. Mas virá um momento em que será dada a ela, por uma acentuação de todo o espírito que nela foi derramado, uma situação por onde ela converterá muitos maus.
Quer dizer, e aí ela terá uma força de avançar, uma força de impacto e uma força de convencer, de arrastar e de conquistar posições… eu falo no terreno da guerra psicológica contra-revolucionária. Eu não estou falando aqui de uma cruzada de armas. No caso de uma cruzada de armas também teria sua aplicação. Mas eu não estou falando disso. É uma capacidade de conquistar que, a começar por mim, eu não tenho!
(Sr. Gonzalo Larraín: Não… Aí não vai, não.)
Bem, ao menos os fatos não mostraram.
(Dr. Edwaldo Marques: É que a blindagem do outro lado é muito grande.)
É colossal. Mas nós deveríamos ter uma força de destruição das blindagens maior do que a força das blindagens. Mas virá em seu momento. Depois de um período de grande confiança, de persistência, de humildade, de espírito de fidelidade axiológica… há uma frase na Escritura que eu não sei onde é que está: Laetatus sum in his quæ dicta sunt mihi: in domum Domini ibimus: “Eu me alegrei com a coisa que me foi dita: nós entraremos na casa de Deus”. Assim também nós hoje, nesse período, ouvimos a promessa de que entraremos na casa de Deus, nos alegramos durante essa dezena de anos. E, de momento, nós entraremos na casa de Deus: ou seja, nós conquistaremos o adversário e tudo será casa de Deus.
(Sr. Gonzalo Larraín: É muito bonito que isto que o senhor está explicitando agora, é algo que a graça nos havia dito no começo da vocação.)
É isso. Note que eu não estou tomando o trabalho de demonstrar nada, hein.
* Uma pequena fagulha da grande pentecostes que virá
(Dr. Edwaldo Marques: A força de impacto dos Apóstolos depois de Pentecostes não tinha paralelo com o que havia antes. Foi uma coisa colossal! Eles converteram milhares de pessoas da noite para o dia.)
Foi. E assim é que eu imagino os dias que nos esperam, e os derramares de espírito.
Agora, isso tem a vantagem seguinte: que alguns de nós podemos ficar enlanguecidos quase até a morte, mas ouvindo isto, tem elementos de nova vida que não contavam. O que é uma espécie de nova fagulha dessa grande pentecostes. Uma fagulha pequena, mas que vai.
* A TFP é o primeiro esboço da plenitude da figura do católico
Eu tenho a impressão de que a plenitude do espírito da TFP e a plenitude do espírito do escravo de Nossa Senhora segundo São Luis Grignion de Montfort, a plenitude da figura do católico veio sendo gerada pela Igreja ao longo dos séculos — se não houver pretensão nisso — eu tenho idéia que, enquanto plenitude, ela tem seu primeiro esboço na TFP…
(Sr. Gonzalo Larraín: Nasceu em 1908.)
Não, isto não estou dizendo. Nós somos o primeiro desenho, o primeiro dibujo — dizem vocês espanhóis — disto. E que é uma coisa curiosa, se nós olharmos para nós a esta luz, nós somos em nós mesmos a justificação de nossa esperança. Porque, durante quatrocentos anos, não se viu algo… passaram pela terra santos tão maiores do que nós, mas também não viram. De repente chegou o momento de nós vermos.
(Sr. Gonzalo Larraín: Pode-se dizer que o senhor é o Santo Sudário da Cristandade e da Igreja…)
Não, não, não!
(Sr. Gonzalo Larraín: Não, mas a imagem de Nosso Senhor foi se explicitando na Igreja ao longo dos séculos, até que apareceu o Santo Sudário.)
É foi.
(Sr. Gonzalo Larraín: E ai é a imagem perfeita de Nosso Senhor.)
Historicamente demonstrada, etc., etc.
(Sr. Gonzalo Larraín: Do mesmo modo a figura do católico foi se explicitando ao longo dos séculos, até dar na TFP que aparece agora.)
Nessa linha é. Nessa linha é. E quando nós dizemos isso, nós compreendemos alguma coisa que, se nós tivéssemos compreendido mais cedo, teria evitado para nós muitas crises.
Eu sou levado a pensar que mesmo essa explicitação dessa noite, em conseqüência exatamente daquele artigo do 30 Giorni, que essa explicitação já é um remoto sinal precursor de alguma coisa que começou afinal a se mover e que nos deve dar um comecinho de esperança a mais. Mas o que é mais seguro é que nós, olhando para nós, somos de um modo completo — apesar de nossas inumeráveis negligências, etc., etc., — nós somos de um modo completo um tipo de católico gerado ao longo dos milênios. E que, portanto, devemos ver nisto a noção de um desígnio providencial. E, na noção desse desígnio providencial, a confiança de que ele se cumprirá. De maneira que nós temos em nós a causa de nossa esperança!
[Vira a fita]
* A correspondência à Vocação e a defesa contra ações uriguelerizantes estão na crença na “RCR”
A prova disso é que a pessoa vê aquilo que durante quatrocentos anos não foi possível.
(Sr. Guerreiro Dantas: Para ver, a pessoa poderia ter uma certa graça, mas realizar é que são elas.)
Fale então em corresponder.
(Sr. Guerreiro Dantas: Quer dizer, é a realização desse…)
No próprio indivíduo ou fora?
(Sr. Guerreiro Dantas: Nele.)
Não. Na realização dele, eu digo: existe uma promessa, e enquanto ele crer no que está na “RCR”, e ele continuar nesse ato de fé, ele tem em semente essa promessa que virá. Porque os que não têm uma promessa para isso, não aceitam isso. É o thau!
(Sr. Gonzalo Larraín: Não quer dizer que seja infalível que será, mas existe o chamado.)
Existe o chamado, existe o chamado. E, enquanto a pessoa persevera na convicção de que isto é assim, ela está em ordem a isto. Não quer dizer que ela tenha conseguido. Ela está em ordem a isto. E o mais importante aí é estar em ordem a.
(Sr. Gonzalo Larraín: Está muito bonito.)
E é muito animador para nós. E quase…
(…)
Eu tinha uma convicção confusa, que nessa conversa dessa noite se tona mais clara, de que para fazer face aos discos voadores e coisas que eu acho que os russos estão armando no sentido de Ury Gueller, e coisas assim, eu acho que nós temos nossa defesa nesta alegação: eu creio na “RCR”! É essa a nossa defesa.
(Sr. Guerreiro Dantas: E ai é uma questão de convicção.)
Convicção. Questão de convicção.
(Sr. Guerreiro Dantas: Princípios.)
Princípios, mas são princípios que envolvem certo amor. E se pode de algum modo dizer que se explica aqui aquela frase de São João: “No anoitecer dessa vida sereis julgado segundo o amor”. Porque sem amor não se permanece nisso. É uma convicção amorosa desses princípios que dão estabilidade.
* As graças especiais da TFP II
(Sr. Gonzalo Larraín: Essa TFP II seria uma intensificação dessa graça, seria um reavivar muito grande dessa graça, ou seria algo mais nessa linha?)
Vamos dizer o seguinte: é algo que reaviva esta graça e acrescenta qualitativamente alguma coisa. Então, é quantitativamente mais e qualitativamente melhor.
(Sr. Gonzalo Larraín: Na mesma linha?)
Na mesma linha. Agora, aí nós teríamos esses tesouros inapreciáveis de uma piedade, e todo um conjunto de vida de um católico inspirado por isso até o fundo, que não tiraria as vertentes predominantes religiosa e psicológica. Na psicológica entra o discernimento dos espíritos, e na religiosa entra propriamente a virtude da religião. Mas que tudo isso tomaria um entrelaçamento e, ao mesmo tempo, um ser o que é, mas acentuado muito, admiráveis!
* O Segredo de Maria e a “RCR”
(Dr. Edwaldo Marques: Teria uma relação com o Segredo de Maria?)
Sim, eu acho que sim… que o conhecimento do Segredo de Maria revelaria isso.
(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor acredita que o senhor tem essa virtude da Contra-Revolução, e que ela seja distinta do Segredo de Maria? Não é possível. A virtude do Segredo de Maria deve habitar no senhor, para o senhor poder realizar a obra que o senhor realiza.)
Meu filho, aqui é puramente conjectura, mas de tal maneira conjectura que eu pediria a vocês para não tomarem senão enquanto conjectura. Mas eu tenho a impressão de que o Segredo de Maria é a revelação aos homens de algo sobre Maria, que provoca um vôo ascensional, de caráter piedoso, que reflete em todo o resto.
(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor acha razoável que esse conhecimento de Nosso Senhor seja distinto da “RCR”, da visão da “RCR”?)
Não. A gente vai perceber aí que a “RCR” contém isto que explica mais a fundo a “RCR” do que nós pensávamos.
(Sr. Guerreiro Dantas: A virtude da “RCR” está concebida em função da percepção disto.)
Isso…
(…)
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Alagoas, 1º andar