Conversa de Sábado à Noite – 24/3/90 – Sábado – p. 4 de 4

Conversa de Sábado à Noite — 24/3/90 — Sábado



Diante das conseqüências mais inesperadas devemos continuar a sermos nós, e traçar o primeiro marco da maioridade da TFP * “Pode ser que aconteçam as coisas mais inesperadas e mais destrutivas de nós, mas a Providência nos atenderá de modo excecional”

* A situação mórbida criada por João Paulo II

quer dizer, é mais ou menos como nomear um Niemeyer cavaleiro de São Gregório VII, o que João Paulo II acabou de fazer. É uma coisa do outro mundo!

Quer dizer que houve um método pelo qual se colocaram todas as nações numa situação parecida com a Igreja, e das igrejolas, dessas pequenas igrejas prostituídas e heréticas, que ainda procuram abusar do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, dizendo-se cristãs. Bom, da I.O. eu nem falo, porque uma pessoa séria não perde tempo falando da I.O.

Tudo isto acumulado, nós temos um plano enorme que tendeu a fazer esta uniformidade de situação mórbida, é o mesmo morbus que está atacando o mundo inteiro.



* O fim da Suécia como modelo da Social Democracia

Agora, vamos virar para o outro lado da questão. Fala-se muito a respeito da questão da convergência. A convergência far-se-ia em torno da social democracia, e não diretamente em torno da autogestão. E o modelo dessa aí voltaria novamente a ser a Suécia. E eu me lembrei a esse respeito que o Adolphinho me deu um artigo, saído há uns meses atrás na Veja, a respeito do estado da Suécia. Uma coisa impressionante como o regime socialista sueco deixou o país!

E eu me lembrei de uma senhora que até tinha certa relação com a brasileira que é a Rainha da Suécia, que visitou a sede de Nova Iorque há algum tempo atrás, e com a qual tínhamos uma certa correspondência, e depois no brouhaha essa correspondência caiu.

Eu pensei: “Que pena essa senhora não poder nos dar pistas, para obter documentação sobre o estado péssimo da Suécia, etc., porque nós poderíamos aqui detonar uma carga contra a Social Democracia na Suécia”. Deixar primeiro elogiarem bem a Suécia, pôr a Suécia nas nuvens…. ……………………. detonarmos uma carga.

Mas no que é que dá esse negócio? Dá no seguinte. Que eu recebo pouco depois um grafonema dos Estados Unidos avisando que tinham recebido uma carta dessa senhora. A senhora esta refugiada na Irlanda, fugindo da Suécia. E dando informações ainda muito piores sobre a situação da Suécia, a serem juntadas a essa revista que o Adolphinho arranjou.

E a idéia era, portanto, escrever a essa senhora pedindo. Ela dava o endereço dela na Irlanda, etc. Fica ao nosso alcance.

Aí, portanto, também não tem caminho, porque é um caminho que a gente queima.

(Sr. Poli: Qual é o caminho?)

O caminho da Social Democracia na Suécia a gente queima. Porque as notícias da situação lá são péssimas!

(Sr. Guerreiro: A Suécia deixou de ser modelo há uns 10 ou 15 anos.)

Há uns 10 ou 15 anos, mas fez-se silêncio sobre ela. E não se contam as coisas que há a respeito dela. E ultimamente tem-se levantado de novo o nome dela, como modelo do regime social-democrata, pelo qual o mundo poderia se sair como meio termo entre o comunismo russo e… (…)

* “Pode ser que aconteçam as coisas mais inesperadas e mais destrutivas de nós, mas a Providência nos atenderá de modo excecional”

se é o que está preparado — vem as grandes [graças] de Nossa Senhora, em ocasiões que a gente não imagina quais são, e também não sabe quais são as grandes graças. De maneira que nós devemos nos preparar para, dentro da mexida, continuarmos a fazer o que estamos fazendo, na medida do possível.

(Sr. Guerreiro: Uma espécie de “gato e sapato” que nós recusamos na Sempre-viva, viria agora de fora para dentro.)

Vem de fora para nós. É isso mesmo. E nós devemos estar preparados para o quê? Não para isso, para aquilo. Não. É para qualquer coisa! Certos de que as graças individuais e as graças de grupo virão mais certamente, e de modo menos confuso do que as graças no grande caos geral. As graças da Providência para nós, daqui até a mexida e durante a mexida, virão de um modo menos caótico do que vêm para eles fora.

Por uma razão: é porque para nós o plano da Providência foi de organizar uma coisa. E Ela dispôs os fatos de maneira tal que essa coisa fica pronta e em ordem a combater. O combate aí se entende não no sentido do tiroteio, mas é o combate do bom combate.

E isto posto, nós devemos raciocinar do seguinte modo. Pode ser que aconteçam as coisas mais inesperadas e mais destrutivas de nós, mas a Providência nos atenderá de modo excecional, com uma bondade particular, quando a gente menos esperar, e mais regularmente do que a eles lá fora.

(Sr. Guerreiro: O Sr. diz a “nós”, TFP?)

A nós TFP.

(Sr. Guerreiro: A instituição do profetismo?)

Esta, e depois cada indivíduo dentro.

(Sr. João: Quanto mais unido à causa, mais proteção…)

É, exatamente. Este é o fato concreto, para aí caminham as coisas.

* Diante das conseqüências mais inesperadas devemos continuar a sermos nós, e traçar o primeiro marco da maioridade da TFP

(Sr. Poli: É muito confortador ouvir o que o Sr. está dizendo, e com a segurança categórica com que o Sr. diz.)

Não, eu estou dizendo, meu filho, que é lógico pensar assim. E vocês estão vendo que é lógico pensar assim, eu estou desenvolvendo um pensamento coerente. Quer dizer, se vocês quiserem fazer objeção, qualquer coisa, eu estou inteiramente disposto a ouvir. Mas me parece muito coerente.

Então, qual é a nossa posição diante disso?

A posição é a seguinte. Nós podemos ser arrastados para as conseqüências mais inesperadas, e devemos continuar a ser nós, e a caminhar conforme os passos que se nos puserem pela frente, com segurança e tranquilidade, porque Nossa Senhora nos dará os meios de dentro do absurdo continuarmos a ser nós. E aí se traçar, vamos dizer o seguinte, o primeiro marco da maioridade da TFP! Porque até aqui a TFP esteve na…

(Sr. João: Na infância!)

Mas é, até certo ponto é. Porque ela esteve como uma pessoa que está recebendo uma educação para começar a viver. Mas ela inteira, cada membro individualmente da TFP considerado, estar metido dentro de uma história e ter que agir, isto não se deu ainda. E ter uma forma de união com o Fundador que também não é a forma de ser segurado pelo Fundador pela mão, como um pai leva um menino, mas é de um adulto que à distância de seu pai, às vezes privado de notícias dele, age segundo o espírito dele.

* “Não estamos mais na lógica de uma vida comum, mas nós estamos jogados numa das situações mais extraordinárias da História”

(Sr. Guerreiro: Mas é bom ter sempre presente a mão!)

É bom, meu filho, não tem dúvida! Ah, ah, ah… Eu creio bem que Ela não nos privará disso inteiramente. Mas, com coisas muito mutáveis, dentro das quais nós temos que pensar o seguinte: nós não estamos mais na lógica do lumen rationis, não estamos mais na lógica de uma vida comum, mas nós estamos jogados numa das situações mais extraordinárias da História!

Esse é o negócio levado às suas últimas conseqüências.

Agora, para vocês agirem numa eventualidade dessas, é preciso terem compreendido que isso é um período intermediário entre a situação vigente ontem — porque não se pode dizer que seja vigente hoje — a situação vigente depois da Bagarre. É uma situação que prepara novos céus e novas terras. E que nós, postos diante dessa situação, nós devemos compreender que o lógico é que nada seja lógico, e que devemos pôr nosso coração a largo para isso.

(Sr. Guerreiro: Tudo que é externo à TFP é ilógico; dentro da TFP é sumamente lógico.)

Lógico. (…)

* O que nós tanto esperamos está chegando!

(Sr. João: O panorama é grandioso.)

É grandioso. E depois, justifica inteiramente o nosso passado. Nosso longo passado, nossa longa espera, nossas aflições porque não chegava… Vem chegando! Depois, agora está incontestavelmente chegando! Não é dizer que vem, não vem, não é nada disso. É uma coisa que está chegando. Vocês não podem nem chegar na reversibilidade do jogo: que a situação da Igreja volta atrás… que a perestroika

(Sr. Gonzalo: Constrói de novo o Muro de Berlim…)

Não pode!

(Sr. Poli: É a pasta saindo do tubo.)

A pasta saindo do tubo. A pasta está saindo do tubo.

(Sr. Poli: Essa situação será ainda mais assim quando houver uma manifestação inteira do Sr., uma manifestação muito mais palpavelmente decisiva.)

Meu filho, isto é uma coisa que daqui a pouco nós tratamos.

* “Vocês devem ter o espírito preparado para a surpresa”

Bom, daí pode acontecer, por exemplo, que haja uma dispersão da TFP. E nós não devemos achar tão natural que o Aloisio Torres esteja jogado na Índia, e que o Cícero nas Filipinas, e o bom Ureta na África do Sul, e que nós não pudemos sair de dentro das nossas conchas, porque é a mãe da natureza! ….. está na Austrália, mas a gente sair do mundo ocidental é uma loucura!

Quer dizer, nós não sabemos, eu não sei absolutamente o que é que nós vamos fazer, e no que é que as coisas vão dar. E vocês devem ter o espírito preparado para essa surpresa. O que é que eu posso fazer? Uma longa previsão e avisos, tudo isso foi dado, mas não é o seguinte, dizer: “Agora a Providência diz: redde rationem tuam”. Não é isso que eu estou dizendo. É o contrário: a Providência entrará com graças maiores, Nossa Senhora nos será mais materna, ajudar-nos-á ainda mais, etc., no meio também de situações imprevisíveis!

Bem, e faremos nisso um trabalho de conjunto, e coordenado, o qual trabalho durante a Bagarre aparecerá. Mas aparecerá num momento e numa situação, numa hora em que Nossa Senhora intervenha.

Agora, qual é a hora da intervenção de Nossa Senhora? É o mais misterioso. E é compreensível que seja o mais misterioso. Vamos tocar isso para frente. Esse mistério de Nossa Senhora como é que se dá, como é que é o caso, etc., etc.?

Dá-se da seguinte maneira. Pode, por exemplo, dar-se da forma seguinte. Quando a coisa estiver… (…)



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