Conversa
de Sábado à Noite (1ºAndar) – 24/2/1990 –
Sábado [JC 12] [Jorge Doná] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1ºAndar) — 24/2/1990 — Sábado [JC 12] [Jorge Doná]
Uma contra luz que nos vela o Sr. Dr. Plinio.
*O simultâneo apreço e desprezo com que o Sr. Dr. Plinio era recebido nos meios eclesiásticos.
...Não conheço a vida dele. Você não podia me arranjar uma brochura pequena para eu ter tempo de ler antes de fazer a sesta? Depois eu faço a sesta e falo.
Ele disse: “Pois não. E me trouxe uma brochura de umas trinta ou cinqüenta pagina que eu li de um modo ou doutro antes de dormir. Depois de dormir vieram me avisar que estava na hora, eu fiz toalete, etc., desci. Lá vi D. Helvécio, sentado num trono onde está o altar mor, cercado de dignitários eclesiásticos, etc., e eu fui diretamente para o púlpito. Chego lá, começo: “Srs, perepepepé”. E antes de dormir tinha me ficado na cabeça o seguinte: o que caracteriza esse São Domingos Sávio é uma grande propensão para o exercício da virtude do respeito. Ele sabia respeitar tudo e a todos de um modo exímio, admirável. E alguns fatos que contava lá, mas que o biografo não tinha analisado nessa linha, eu disse: eu vou contar isso.
Fui, contei, palmas, palmas, palmas dentro da Igreja. Fala o arcebispo elogiando sobriamente, mas dizendo que eu tinha acertado inteiramente nesse ponto. Terminado o negocio, despedidas, veio ele brincalhão, com brincadeiras: “Então Dr. Plinio quanto trabalho de vir até aqui, hem? Só mesmo o velho D. Helvécio conseguia isso do senhor, há, há, há”. Tomei o avião e voltei para São Paulo.
De um lado é um hiper apreço, mas de outro lado é um pouco caso. Eu já era um homem de quarenta e tantos anos, um homem feito, formado, tinha o meu passado. Não tinha ainda havido esse episodio de D. Teodoro Kock. Então como é que se explica isso? Não sei se percebem o jogo constante de efeitos e contra-efeitos. Eu poderia contar casos assim...
*Um Arcebispo que fez ao Sr. Dr. Plinio os elogios que ninguém tinha feito.
Só houve uma exceção. O D. Helvécio tinha um irmão que eu quase não conheci. Era o Arcebispo de Goiânia, de Goiás. Este homem uma vez estando nós no coração de Jesus, estando todos ajoelhados diante daquela imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, ...A missa –– ainda não havia missa nova –– ele veio de encontro a nós –– Orlando Chaves –– e fez um discurso dizendo tudo o que nunca ninguém tinha dito. Eu agradeci muito, etc., ele foi muito amável e ficou nisso. Esse me deu apoio até o fim da vida. Foi o único caso.
*Uma atitude de D. Gastão Pinto que não correspondia à amizade que tinha ao Sr. Dr. Plinio.
Um casinho pequeno. D. Gastão Pinto era muito meu amigo, era vigário geral em São Paulo e logo mais seria Bispo em São Carlos. Trabalhou muito para eu ser candidato. Houve um pregador francês que esteve aqui, chamado padre Coulè, um jesuíta, que fez umas conferencia no teatro municipal. E foram senhoras… Encheu o teatro municipal. E eu fazia parte da comissão organizadora disso. E como em certo momento eu tinha reservado uma frisa para mamãe e para vovó irem, eu estava um pouco à espera de elas chegarem no hall, para encaminhá-las até a frisa. Vovó estava muito idosa, precisava de um apoio, e mamãe tinha um problema nos pés que ela não andava bem, de maneira que eu tinha receio que saísse alguma coisa. Então estava por ali. Quando elas chegaram estavam alguns padres que elas conheciam e que se aproximaram para cumprimentá-las, e eu também. Os padres eram entre outros, o padre Pedrosa, que ainda não tinha ficado beneditino, era o vigário de Santa Cecília, e o D. Gastão Pinto. Bem, tatá, tatá, elas foram para a frisa. Eu não fiquei ma frisa, eu não me lembro porque. Fiquei por outro lugar, e algum tempo depois eu soube, pelo D. Pedrosa, que quando minha mãe, minha avó e outros saímos, que o D. Gastão Pinto disso ao D. Pedrosa: “Que familiaridade exagerado do Dr. Plinio com estas duas senhoras”. Um amigo meu! Então o D. Pedrosa disse a ele: “Mas não ele é filho de D.Lucilia e neto de D. Gabriela”. “Ah, eu não sabia”. Logo depois…
(…)
*A preguiça do grupo em acompanhar a luz do Sr. Dr. Plinio.
…Uma coisa assim e produziu sobre os membros do grupo o seguinte efeito: os membros do grupo da Pará, Martim, etc., mais tarde sobre os membros do grupo de fora do Brasil que conheciam recentemente, um primeiro movimento em que contra luz não se exercia. E depois um segundo período em que começava a se exercer contra a luz.
Agora, nesse segundo movimento mais uma vez nos olhos de vocês então uma espécie de contra luz. Quer dizer, vocês olhando para mim vim uma coisa que vocês cotavam nesse nível e depois uma contra luz que punha nesse nível, e causando mais uma vez a sensação do manquitola acentuadamente. E projetando-se tudo isso sobre o modo de ver a TFP e o modo de ver a vocação. Então, característico, Reunião de Recortes. Na primeira era a reunião uma maravilha, na segunda era igualmente uma maravilha, mas uma maravilha que não nos maravilha, e que se tornou para nós monótona embora seja mais maravilhosa, porque não tem, talvez por culpa nossa, não dá o élan necessário para nós voarmos de acordo com o continuo convite dessa luz do Dr. Plinio.
Eu nunca disse isso a vocês porque se não houvesse…
(…)
*Em tudo o que toca a salvação ou perdição dos homens, há uma certa quota de ação dos anjos ou (demônios) e uma quota de ação dos homens.
…O corpo místico do demônio, eu suponha que… Seja a mesma coisa, há uma certa cota de acordo com os desígnios da Providência, uma certa quota de atividade que compete ao demônio, e uma certa quota de atividade que compete aos homens, para que na ação da perdição e da salvação dos homens esteja suficientemente representada a natureza Angélica e a natureza humana, para o equilíbrio geral da criação. E que às vezes é uma ação direta do demônio, às vezes não. Precisa uma ação assim dos homens, e a coisa não se desencadeia se os homens não agirem. O mesmo eu acho que é o lado do Corpo Místico de Cristo.
Agora, acho que a determinadas pessoas que tem uma missão especial de produzir esta perdição, e que de fato deve haver em vários lugares campânulas odiando-nos especialmente, e os apostatas de um modo tão particular na perdição nossa, como há também anjos, e haverá talvez almas piedosas e santas que lutam sem saber que é por nós, talvez, mas por um ponto chave do desígnio da Providência. E esse ponto chave pode ser uma reunião de sexta-feira.
Para vocês verem bem a presença do sobrenatural nessas coisas, basta calcular a reunião de sexta-feira. Sábado, sábado, eu falei sexta por engano, é sábado. As reuniões de sábado, isso aqui, o que está se realizando aqui agora. Elas são desiguais. Há umas noites que elas tem muito mais intensidade, outras menos, mas normalmente elas são de uma altura muito maior do que as reuniões comuns do grupo. E embora as reuniões do MNF possam ser muito o boas, não tem a espécie de graças que essa tem. Essa aqui é voltada especialmente para a vida espiritual, e as reuniões do MNF tem seu beneficio para a vida espiritual, mas esse efeito assim tem um tanto per accidens”. E aqui não. É uma reunião em especial feita nessa casa, sob o bafejo especial da dona da casa.
(Sr. Gonzalo Larraín: …)
(…)
*A contra luz que condiciona o thal a si.
…circunstancias que tem sido muito tratado por nós, mas que se trata de agora colocar nessa perspectiva. Mas tudo quando diz respeito a apegos desordenados a família, admirações a valores nacionais, terrenos, egoísmos pessoais, xodós de toda a espécie, etc., com que a pessoa entra para o grupo, o thal durante algum tempo suspende, e mais tarde quando a contra luz começa a agir, o thal fica objeto dessa contra luz, ela tem outro meio de se defender. Porque o sujeito que está exposto a essa ação, ele, por exemplo, recebe uma carta de alguém que evoca a ele uma serie de impressões, de sensações –– que de si não são pecaminosas! –– ele: “Isso não é pecado, e eu vou me entregar a isso. É gostoso, e não há razão nenhuma… aliás, se eu for consultar qualquer confessor, o confessor dirá…” é melhor nem falar o que o confessor dirá.
(Dr. Edwaldo Marques: Terra de ninguém).
Terra de ninguém. “Então eu vou me entregar a isso”.
Você está vendo que para isso seria preciso pegar essa conversa toda, essa exposição, toda essa doutrina da contra luz para a pessoa cair em si…
(…)
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