Conversa
de Sábado à noite – 28/5/1988 – p.
Conversa de Sábado à noite — 28/5/1988 — Sábado [VF 058 – JC 017] (César fabri
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(…)
Nem vou perguntar quais de vocês estiveram presentes à tarde (CCEE), quais os que não estiveram.
(Sr. –: Todos.)
Bem, mas durante a reunião hoje à tarde, eu me dei conta involuntariamente… Quer dizer, não houve a menor intenção nisso, esse lumen em alguma medida aparecia hoje à tarde, pelo menos em mais de uma parte na exposição, senão no conjunto da exposição. Não aparecia em grande estilo, em grande linha, mas aparecia o suficiente para se poder conversar sobre o caso.
Debaixo do seguinte ponto de vista.
Eu tenho consciência de que a exposição que eu estive fazendo estava muito clara, e que em vários… Eu adaptei muito a eles, o esquema geral que eu tinha era diferente, eu pretendia tratar muito mais da Reforma Agrária do que tratei, etc., etc. Eu resumi muito. Depois tive o cuidado de não parar para examinar papel nenhum, mas pedi que rolasse aquele… eu disse a eles. Bem, e tudo o mais.
Mas eu senti perfeitamente que o que manteve a atenção deles tão presa na reunião — porque neste ponto de vista foi notável, o entusiasmo deles não foi notável, mas a atenção foi muito notável — foi exatamente… Não que o assunto estivesse claro, se o assunto não estivesse claro, eles não teriam prestado atenção, mas se o assunto estivesse apenas claro, eles também não teriam prestado a atenção porque não tem o hábito de prestar atenção durante três horas e meia em nada que não seja assim um panorama de televisão, de cinema, coisas desse gênero, não tem o hábito de prestar a atenção.
Bem, e eles prestaram porque eu percebia que havia uma certa luminosidade meio prateada no que eu dizia, e que os mantinha meio deleitados e meio absortos, porque estava meio no espírito deles que eles só perceberiam bem essa luz prestando atenção no tema.
Então eles, que são muito característicos, prestavam atenção no tema para poder pegar essa luz. E essa luz os mantinha numa atitude fisionômica que eu me lembro bem: é discretamente, muito discretamente, maravilhados, deliciados. Muito discretamente. Não era um grande…! Não, isso não era, mas o tempo inteiro querendo que aquilo continuasse para poder absorver aquele lúmen. Mas não é tento pelo deleite que eles recebiam — o deleite entrava muito —, mas é porque eles percebiam que algo daquele prateado aderia à alma deles, e que prateava eles. E que era um bem que fazia, como que limpava, como que escovava, a alma deles de muita coisa que eles não percebiam, mas que é a Revolução, que era limpada em parte dali, algumas camadas da Revolução. E ficavam meio habituados a compreender que o mundo visto por algum aspecto é habitado pelo maravilhoso, e que isso punha a alma deles noutra clave.
Era, portanto, uma espécie de limpeza do ponto de vista contra-revolucionário.
Mário Navarro estava mais de frente.
Diga com toda franqueza, eu lhe mando, se chegou a observar uma coisa dessas ou não?
(Sr. Mário Navarro: Eu fiquei muito espantado com a atenção com que acompanharam a atenção, que foi uniforme até o fim. Eu acho que essa atenção assim só se explique por esse fator que o senhor mencionou.)
Talvez eu ajude a sua observação acrescentando uma outra coisa. Em nenhum momento você percebia que eles estivessem fazendo esforço para prestarem a atenção.
(Sr. Mário Navarro: Não.)
Eram inteiramente repousados
(Sr. Mário Navarro: Havia muita estabilidade na atenção.)
Mas uma estabilidade distendida, sem esforço e continuamente andando naquilo que não é hábito deles.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Eu me lembrei muito da primeira conferência que ouvi o senhor fazer em Belo Horizonte em 1961 sobre a RA, em que havia muito desse ambiente de agradável atenção que o senhor dizia, muito brilho do senhor na reunião. E essa de hoje me lembrou muito aquela. Não sei se é um testemunho que…)
Um testemunho que vale muito. Tanto mais que durante a reunião, eu tenho a idéia que me passou durante a reunião, passou-me a idéia durante a reunião assim: “Se o Paulo Henrique está presente, ele deve estar achando que está parecida com aquela primeira reunião de Belo Horizonte…” Hahahaha!
(Nossa Senhora! Que fenomenal! Impressionante!)
(Sr. Poli: Também a gente via que as pessoas que tinham que sair para qualquer coisa, voltavam logo, sem perder tempo. Ninguém queria perder nada.)
E, isso são coisas que querem dizer muito. Mas que querem dizer nessa linha de alguma coisa de… Eu só saberia explicar por meio do prateado: quer dizer, uma coisa clara, luminosa, que prendia a atenção, que deleitava, mas que limpava a alma do terra-terra e da sordície revolucionária e faria compreender que o normal da alma humana é viver noutro plano, e que a adesão a TFP traria esse influxo — para usar essa palavra — traria esse influxo para eles, mais ou menos, mas traria. Isso foi a impressão que eu tive.
Bom, eu tenho feito muitas outras conferências que eu vi e dão certo, etc., etc., mas de uma outra índole. As pessoas prestam atenção, o travamento dos raciocínios pega, etc.. Eu percebo que lhes faz bem num outro plano, no plano comum da argumentação. Mas ali não. Era o plano de argumentação mais algo. E esse algo era um pouco do lumen da TFP. É uma explicação que poderia dar. Não sei o que me dizem disso.
(Sr. Gonzalo Larraín: … achava que estava um pouco dura a reunião, que o senhor estava tratando com um público difícil.)
Também é verdade. Eu sentia a necessidade de um grande esforço para comunicar, à reunião, aquele nível. Isso é verdade. Eu fiz um esforço de adaptação muito grande, mas esse esforço de adaptação produziu muito mais do que um simples esforço comum de adaptação.
(Sr. Gonzalo Larraín Pressupostos dessa luminosidade, como disse no início.)
É preciso andar devagar. Hoje havia uma ação que a julgar por todos os indícios, era uma ação sobrenatural que pousava em mim como sobre um espelho, e as refletia sobre as pessoas. O próprio da luz que pousa no espelho, é que o espelho recebe a luz e a projeta mais adiante. Mas não são as qualidades intrínsecas do espelho, senão muito acidentalmente. Quer dizer, o espelho é claro, transparente, etc., mas não é como um quadro. O quadro tem aquelas qualidades intrínsecas a ele. O espelho não. O espelho tem aquilo que tem aquele espelho: reflete, mas é apenas uma coisa de reflexo.
Não se podia dizer que aquela luz fosse muito expressiva de minha personalidade. Há algo disso, do tal lumen, e por isso eu mencionei. E por isso eu vejo… mas vejo bem que o tal lumen que eu falei, se compõe disso e de várias outras coisas. Isso eu vejo. Mas que são de uma natureza diferente. Eu poderia expor aqui.
De que natureza são? Eu tenho impressão de que…
(Sr. Poli: O que são de natureza diferente mesmo?)
Outras coisas que comporiam o tal lumen são de uma natureza diferente disto de hoje à tarde. O de hoje seria um ingrediente do que costuma haver, mas que funcionou sozinho, de maneira que se faz notar muito. Habitualmente há esse ingrediente, mas há qualquer coisa a mais, ou há outros elementos e eu posso um pouco descrever o que são esses elementos, etc.
Quer dizer, seria preciso fazer uma distinção entre a pessoa e a missão. A pessoa tomada no seu trato individual e depois a missão.
Eu tenho a impressão de que na minha apresentação pública, quer dizer, sem tomar a pessoa individualmente, há coisas que, por preconceito revolucionário, impede a eles de verem exatamente como eu sou. Se as pessoas não tivessem preconceito revolucionário, elas me veriam como eu sou. Mas o preconceito revolucionário oblitera.
A primeira coisa que aparece — eu tenho a impressão —, que se deixa ver em mim, é que eu tenho um conjunto de ideais que são certas… um conjunto de persuasões, das quais eu amo o que tem de verdade, mas amo intensamente também o que tem de reto e de pulchro, e que tem, portanto, assim, três camadas: verum, bonum, pulchrum. Quer dizer, coisas de que eu estou profundamente persuadido, e amo a lógica que sustenta aquilo. E em nome dessa lógica, me torno apóstolo e quero que os outros se persuadam também. E esse desejo de persuadir por amor à verdade que eu estou conhecendo, já aí entra um certo preconceito revolucionário, porque parece a eles que a argumentação deixa-os meio sem jeito, porque em geral as teses que eu sustento não tem sido sustentada com lógica, no âmbito que eles conhecem. Pelo contrário, parecem teses ilógicas e insustentáveis pela razão.
Ora, eles me vêem aparecer em nome da razão, em nome do bom senso, em nome dos fatos concretos, e apresentar esta tese de modo irrespondível. E eles têm uma certa sensação de garra, que o raciocínio os agarra e os agarra com mão de ferro. Essa mão de ferro não existe, essa garra não existe. Existe uma luz, existe a força da persuasão.
Mas como essa coisa os obrigam ao bem, eles estão habituados à idéia de que tudo que obriga ao bem participa do tirânico — enquanto que o que empurra ao mal não é tirânico… O que obriga ao bem é tirânico na visão deles — [e], por causa disso, isso para eles participa da tirania, eles se sentem obrigados a ir para onde não queriam. Donde, desde logo, uma posição de resistência.
E no fundo da cabeça de muitos a idéia seguinte: “Ele tem a capacidade de raciocinar, e abusa dessa capacidade em benefício de coisas que são no fundo preconceitos dele. E faz uma espécie de malabarismo com o raciocínio. De maneira que eu não sei me defender e fico numa posição de inferioridade injusta em ralação a ele. Mas eu não me deixo levar. O que eu faço é me afastar dele.”
Esse é o efeito que a lógica produz em muitos. Em muitos… Em alguns. Em alguns, o efeito não é tão radical se bem que eles não adiram. Mas eles pensam da seguinte maneira: “Está bem raciocinado, está de acordo com a doutrina católica, eu vejo que não tenho meios de negar, há um fundo na minha alma que se simpatiza com isso, mas eu tenho que fazer um sacrifício grande demais para seguir isso. E a esse sacrifício, eu não quero me sujeitar. Se eu viver muito no convívio dele, ele em certo momento me encosta na parede: ou é isto, ou eu rompo com coisas internas com que eu também não quero romper. Então é melhor eu fugir da alternativa, afastando-me dele.”
Mais uma vez é a idéia da garra que se põe, mas menos energicamente, menos limpidamente.
Bom, mas vem em todo caso a idéia de uma preeminência de personalidade diferente das outras preeminências. Porque as outras preeminências lêem num livro, num Tratado, uma idéia, outra idéia, eles não se sentem agarrados dessa maneira. E no contato comigo se sentem, ou tem a impressão revolucionária de se sentirem agarrados.
Outros correspondem à graça. Ficam deleitados, agradecem, querem me conhecer mais; tem momento de sustos, mas depois tem momentos de enlevo, a graça opera de novo e, enfim, acontece a caminhada para dentro da luz, que nós conhecemos. Mas esses são estágios de alma diferentes.
Agora tem, junto com isso, o bonum. A pessoa fica impressionada com a consonância que há, do que há de qualidades morais, em mim com aquilo que estou dizendo. E sentem uma espécie assim de correspondência, correspondência íntima: quer dizer, o meu modo de ser é a realização daquilo que eu digo. E eles percebem que eu amo o que digo, não só porque é verdadeiro, mas porque corresponde inteiramente ao que há de retidão no meu espírito. E essa retidão eles percebem bem porque eles percebem que eu não estou fazendo por vaidade, que eu não estou fazendo por interesse politiqueiro, que eu não estou fazendo por nada, mas que eu amo aquilo e quero que seja tudo daquele jeito.
E daí essa certeza do bonum ter qualquer coisa que, o verbo adequado é o verbo francês, “ébranler”, abala, mas é um abalo especial, abalo assim de terremoto. Não abalo de terremoto explosivo, [mas] de tremor de terra. Abala [a] eles; eles ficam meio abalados. E sentem, quando correspondem à graça, a comunicação dessa certeza para eles, mas, de um jeito tal que velhas certezas de outrora sobem de novo neles e eles que não estavam mais habituados a ter certeza de nada, se regozijam da reaquisição do direito de ter certeza — eles se sentem certos —, e essa certeza os encanta, e é a segurança que lhes volta à alma. Mas há alguns que odeiam a segurança, porque querem estar flanando vagabundamente entre várias hipóteses e várias coisas, lambiscando de cá e de acolá, sem essa certeza. Então esses se sentem mais uma vez agarrados.
Agora, isso vocês sentem…
(Sr. –: É bem isso sim senhor.)
(Sr. Guerreiro Dantas: A gente vê que hoje à tarde, não era apenas talento natural, mas havia algo de sobrenatural, novo, que era dado ao senhor para mover as almas naquela direção.)
Eu pensei nisso enquanto eu falava. Eu dizia: “Eu não me explico que essa gente esteja topando a parada, prestando atenção, e concordando com certeza.” Eles não ficavam incertos. Você, meu filho, em nenhum momento viu gente vacilante.
(Sr. Guerreiro Dantas: Não, não. O senhor afasta a vacilação das almas…)
Quase diria que exorcizo. Parece horrível, eu dizer tudo isso de mim, mas eu tenho que dizer. Vocês têm o direito de saber.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Uma pessoa sair de uma reunião do senhor não convencida de algum argumento, não é possível.)
É o efeito dos meus livros: o sujeito não contesta, não discute. Ele fica quieto. Calunia depois… Eu falei isso hoje: calunia — isso é claro —, mas argumentar, não consegue. E a certeza que acompanha isso é uma espécie de consideração dentro de mim, primeiro de minha retidão; em segundo lugar de minha sinceridade, depois de meu amor: “Eu amo!” Quer dizer, aquilo que eu quis, eu agarrei, me fixo naquilo: aquilo é assim!
(Sr. Gonzalo Larraín: O senhor tratou do verum e bonum…)
Falta o pulchrum. Quer no verum, quer no bonum, a clareza da expressão ajuda enormemente. A clareza da expressão e o conteúdo, a substância do conteúdo. A pessoa percebe que eu não estou falando para encher farofa, nada disso, mas que aquilo tem realmente conteúdo, que é um tema que está desenvolvido segundo as suas regras específicas, do bom pensamento, bom desenvolvimento. Eles percebem muito. Não sabem dizer, mas percebem muito. A inteira adequação do palavreado, do vocabulário… Eles estranham porque não se usa mais o vocabulário que eu uso, eles ainda conhecem, mas não se usa mais; e o vocabulário de si — é uma coisa própria das palavras, o pessoal aí fora nega isso —, mas as palavras tem uma certa vida que não é necessariamente colada ao sentido delas; elas têm uma certa musicalidade por onde elas dizem alguma coisa musicalmente, que coincide com o sentido que elas tem.
Mas por exemplo, isso que eu estou dizendo das palavras, é uma coisa que não se diz, não se pensa, e com um outro qualquer para dizer, levaria uma meia hora titubeando. Eu vou e digo claramente, sucintamente, passo adiante. O sujeito não está habituado a receber pensamento assim. Vai, recebe, ele… acompanha a musicalidade das palavras que ele não entende, acompanha. Porque algo ele pega e a coisa vai.
Eles entendem que naquilo se cola um pulchrum que o vocabulário dá, que aquilo tem uma beleza para qual a primeira noção é dada pelo vocabulário e, ao mesmo tempo, o modo de exprimir comunica duas idéias: a energia quase que imanente naqueles conceitos, e a beleza que o conceito tem independente de qualquer coisa , independente de bater palma, de fazer propaganda, de não sei o quê, não sei o quê. De si, tem uma beleza que a pessoa fica atraída por aquilo logo de cara. Ao menos é como me parece observar o efeito do que eu digo.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Uma espécie de mística ordinária das palavras e do vocabulário que…)
É, exatamente. Você fez com os dedos um sinal que o gravador não pega. Você pôs mística ordinária entre aspas… você desenhou apenas com os dedos… E é preciso que explique para o gravador, para ficar bem entendido o sentido que você disse. Mas digamos que, entre aspas, é bem isso.
E esse é o papel da musicalidade. A musicalidade das palavras no vocabulário faz para o conceito, um pouco o que a posição da objetiva faz para o objeto fotografado.
Eu estou lendo um livro muito bonito, castelos desconhecidos da França, um álbum. É muito bonito. Mas, a gente vê que há uma espécie de dom da fotografia, dom do fotógrafo, de fazer sair de dentro da coisa, emergir de dentro da coisa, uma expressão que a coisa tem, mas que olho comum não pega. Mas que o fotógrafo, que é um artista, sabe fotografar de maneira que a fotografia apresenta ao homem comum aquilo que o olhar privilegiado dele soube perceber.
Bem, e eu sei que as palavras fazem alguma coisa disso na ligação entre a palavra e o sentido…
[Vira a fita]
Então eu sei que uma pessoa, por exemplo, me aconselhasse que eu mudasse de vocabulário, essa pessoa me daria um mau conselho. Porque eu perderia já na introdução do tema, eu perderia algo de imponderável para a expressão…
(…)
Agora, o pulchrum, no que é que está?
É, conforme o caso… porque há duas formas de pulchrum. Há um pulchrum metafísico que toma a beleza da coisa considerada em si, e um pulchrum moral que é a beleza da coisa enquanto retamente ordenada para um conjunto, não considerada em si, mas retamente ordenada para o conjunto.
Você pode imaginar, por exemplo, uma jóia com pedras de várias cores. Uma coroa, por exemplo. Você pode analisar pedra por pedra. Mas você pode também analisar o conjunto da pedraria da coroa. Bem, o pulchrum metafísico é o que toma a pedra: “Esta aqui é um rubi, tais e tais qualidades, vermelho, pápápápá…” Assim também, certas coisas, a gente deve ver o pulchrum da coisa considerada em si mesma, e, no modo de apresentar, esse pulchrum aparece. Outras vezes a gente ama o pulchrum da coisa, pelo belo relacionamento que ele faz no conjunto, mas em que a gente ama mais o conjunto do que o belo relacionamento.
Nisso é que a santidade é a “pulchritude” das “pulchritudes”, porque ela apresenta o belo relacionamento de todos os atributos do homem, internos, e depois externamente no trato com os outros. E como o homem é o rei da criação, e o que há de mais belo na criação é a alma do homem, a gente vê uma alma em que — metafisicamente se vê — o que tem de belo, uma alma, como espírito, e depois se vê o relacionamento daquelas potências da alma, aquilo tudo funcionando como deve, portanto, santamente… Santidade é isso! E depois vê a tomada de atitude com os outros, antes de tudo com os ideais supremos e depois com os outros — portanto, ideais supremos é Deus, e depois com os outros — retamente, como a natureza das coisas pede, como a ordenação de Deus pede, a gente vendo isso assim, a gente vê o pulchrum moral da coisa.
O pulchrum da alma de um homem é o pulchrum de ser alma. O pulchrum da virtude de um homem é o pulchrum de estar ordenado, relacionado, bem internamente consigo, com Deus e com os outros. Funcionando tudo bem.
Eu tenho impressão que nas exposições que eu faço, conforme os assuntos que as apresentam, não digo atabalhoamente, mas se sucedendo na saudável pluralidade dos temas: ora aparece uma coisa, ora aparece outra… Mas, muitos de qualquer desses pulchruns aparece conforme o momento. Bem, mas isso constitui uma coisa onde eu vejo bem que algo de minha alma também aparece. Agora, somadas as impressões anteriores, produz o conjunto seguinte, o efeito seguinte.
“É uma pessoa absolutamente ‘comme il faut’, mas uma pessoa ‘comme il faut’, que sai de tal maneira dos padrões e das regras, que eu não sei bem como me impostar, eu não sei como me impostar, como me pôr diante dele. Ele é diferente de tudo e de todos. Eu mesmo, os meus hábitos pessoais, não condizem com isso, de maneira que eu não sei quando é que eu estou fazendo uma gafe…, quando é que estou andando bem, quando é que eu estou dizendo uma banalidade… quando é que estou dizendo uma coisa que vale a pena. Não sei se é o caso de eu falar, o caso de eu calar… eu não sei nada. E isso me cria tais perplexidades que eu me sinto atraído, mas a minha timidez me encolhe, e eu fico meio assim. E prefiro, em vez dessas alternativas um tanto coruscantes, me envolver no manto fácil e ensebado da minha própria mediocridade.”
Tem muita gente que é assim. Isso é a impressão que a pessoa causa.
Agora, aparece a missão.
Vem uma noção vaga, seguinte: “Este homem tem um propósito, ele quer fazer uma coisa, e quer que eu colabore com ele na coisa que ele faz. Agora, eu colaborarei? Isso me empolga. Mas também não me confisca? Eu irei até lá? Até que ponto irei até lá?”
(Sr. Guerreiro Dantas: Eu acho que isso se põe de modo muito… muito vivo!)
Muito, muito, muito!
Agora, eles percebem mais o seguinte. Que flutua em torno disso, a pessoa que é convidada para isso, fica jogada entre duas impressões antitéticas, opostas.
Uma impressão é a impressão seguinte: “Isso não pega, porque não pode pegar. Porque tudo que me persuadiram, que é forte, que é grande, que é saudável, que vai para a frente, ruma do outro lado e, portanto, isso aqui é derrotado.”
Mas depois vem assim como uma tuba que canta o contrário: “A vitória é essa, o acerto é este… Quem vai vencer, no fundo é ele!”
[E a pessoa pensa:]
“E este pessoal todo que ele me convida a deixar, eu estou farto de ver que pessoal é. Eu estou habituado a eles a mais não poder, e nauseado deles a mais não poder também. Porque eu sei bem o que eles são. E o contraste é um contraste que… ele me atrai; os outros me repelem. Eu estou farto! Não aceito mais! Há um mau odor entre os outros que eu não posso suportar. E aqui não: há um clangor de música de guerra, há um perfume de lírio, há uma outra coisa nisso aí! Isso tem que vencer ou está tudo errado; e eu estou louco e ele está louco. Ora, se há uma coisa que ele não é, é louco. Nem os inimigos dele ousam dizer que ele é louco. Nunca nenhum disse que ele é desequilibrado. Queriam dizer; é patente que queriam dizer. Mas não dizem porque eles sabem que não pega. Se eles disserem, a própria afirmação lhes quebra os dentes quando falarem. Eles não dizem. Então, eu vejo que eu andando, eu sigo o caminho da História.”
Então entra. Entra no caminho da História e começa o corredor polonês, a pancadaria! E onde o sujeito esperava a vitória, ele começa a beber o trago amargo das derrotas. Bem, mas ao mesmo tempo, por detrás, a luz da vitória vai se fazendo maior.
(Sr. Guerreiro Dantas: É a luz da vitória que a pessoa já divisa?)
Por exemplo, você, Átila, outros, vocês na corrida de vir para São Paulo, vocês vieram levados pela idéia, com a RCR, etc., que se venceria. É certo. Isso é certo.
(Sr. Guerreiro Dantas: Lembro-me que em Curitiba aquela sede onde entramos para o Grupo, uma sala menor que essa daqui, umas poltronas vermelhas… sete pessoas. Mas era propriamente fascinante! Uma coisa incrível.)
Mas isso é uma graça hein!
(Sr. Guerreiro Dantas: E depois quando vi o senhor aqui em São Paulo, pela primeira vez, eu vi que a RCR estava ali, numa tal solidez, que me comoveu mesmo o ver o senhor.)
Pois é, mas são essas graças iniciais que eu estou descrevendo, atendendo exatamente de um modo muitíssimo imprudente o pedido de vocês, mas é uma coisa que eu tenho a obrigação de fazer.
Agora, aqui começa a questão.
Aliás, eu tenho a impressão que mais de uma vida de Santo, e até no Evangelho, é assim também. Há um primeiro conhecer que traz todo o futuro, e depois começam as provas. E as provas põem em prova, em choque, o que a gente viu o que são aparências minores que abalam a gente. Então é tal coisa, é tal outra, não compreendi tal ponto bem, estava cansado, estava com dor de dente e por isso não acompanhei; um outro, eu vi que dormiu…
Então o indivíduo começa a questionar a evidência. E aqui está o mal do que ele faz, porque ele teve a evidência e ele não podia questioná-la. Mas o sujeito começa a questionar a evidência. E aí começa a aparecer… não são propriamente dúvidas, mas são névoas — e a minha pessoa também se empalidece —, e dentro das névoas, ela começa a ser projetada para o terreno comum. Então começa a comparação minha — mas, depois que a pessoa enevoou o meu quadro com esse processo —, comparação minha com os grandes homens que conheceu.
(Sr. Guerreiro Dantas: Eu pergunto se isso não é um problema de vinte ou trinta anos atrás, porque hoje não tem mais nada.)
Não tem, mas ficou o efeito disso na alma. Quer dizer, a névoa ficou, e Nossa Senhora vai limpando a névoa de nossas reuniões de Sábado à noite. Mas vocês tomem como eram as almas de vocês antes das reuniões de sábado à noite: tinham névoas. Não eram dúvidas…
(Sr. Guerreiro Dantas: Eu não me referia às névoas, mas aos homens de relevo, etc.)
É, mas não são os que vocês conhecem hoje. São os de outrora a que vocês tiveram admiração.
(…)
Eu queria mostrar esse lado: que todo edifício de idéias, por mais que valha, se… o valor de névoa — podia ser que houvesse um homem muito maior. Imagine o Churchill por exemplo; imagine, em certo sentido o De Gaulle. Eram homens muito notáveis. Mas isso não está ligado a todos esses predicados que eu falei, que tem um valor de veracidade maior que a genialidade. Esta é que é a questão. Em nenhum momento, estou reinvidicando, para mim, atributos de genialidade. Em nenhum momento eu estou reinvidicando isso. Estou dizendo coisas que fazem o perfil moral de um homem.
Bem, mas afinal aparecem essas névoas. Por exemplo, vamos dizer, gente americanizada, “hollywoodizada”, essa gente ficaria com muito mais confiança em mim se me visse manobrar bem negócios. E o homem que não sabe tocar negócios, para eles é meio um aleijado… Não é inteiramente como deve ser. Então teria mais confiança.
Um outro que me visse, por exemplo, dar umas respostas à la Caiado, ficaria muito mais confiante. Eu não tenho o espírito à la Caiado. Se querem de mim respostas sérias, ponderadas, bem pensadas, eu tenho. Se querem de mim karatê, eu não sou feito para o karatê; nem convém ao Arauto da Causa que eu represento saber jogar karatê. Absolutamente não convém. É como imaginar os Cruzados tomar Jerusalém a golpe de karatê… Não vai. O karatê tem lá outra função, mas não convém a nós. É uma coisa diferente.
Bem, mas são as comparações dos espíritos enevoados, em que começam a entrar hábitos mentais antigos, mil coisas antigas que o indivíduo procura transportar para os navios que os levam para os mais altos ideais, ele procura colocar mercadoria antiga dentro do navio. E vem todo o empestamento do mundo contemporâneo junto. Porque vem. E aí é a grande tentação, a grande luta, os ensabugamentos, as incertezas, os pecados, tudo fica nesse vai-e-vem.
(Sr. Gonzalo Larraín Agora, ainda no meio dessa incerteza, a luz da vitória vai crescendo, não é?)
A questão é uma questão curiosa. Você quer ver como é essa história da luz da vitória?
Há uma luz da vitória que a gente percebe meio profeticamente e que vocês perceberam no começo de seu contato com a TFP. Não era irracional, mas aparecia a vocês muito claramente: que tão alto e tão verdadeiro ideal… ou o mundo está trincado e vai caminhar para seu fim, ou ele tem que vencer. Bem, mas que não é baseado nessas razõesinhas menores. Quando isto que é luminoso — essa percepção é luminosa —, esta luz, se apaga, começa então as dúvidas, a axiologia, etc., etc., porque se apagou aquilo.
(Sr. Gonzalo Larraín: Mas a prova bem suportada, a luz sustenta.)
A luz sustenta. Quando ela suporta mal, a luz vai se apagando, enevoa. Bem, mas o que é muito interessante é que com curso do tempo, a nossa vitória…, eu não digo que vá ficando mais provável na pista da névoa, mas vai ficando menos improvável. Isso não tem dúvida. Porque o que temos feito, mesmo para a pista da névoa, tem valor. Tem seu valor. Tem seu valor. Bem, apesar disso, a certeza maior dada pelas nossas vitórias, é muito menor do que a dada pelo lumen. Olha que as nossas vitórias, dado a exigüidade dos nossos meios, significam muito. Significam inclusive uma assistência da Providência que não se pode negar.
Está bem. Tudo isso, não obstante, mexam como quiserem, nada é como aquela luz razoável, mas profética, que vem dos primeiros clarões.
(Sr. Gonzalo Larraín: A vitória está ligada a essa razão mais alta, independente dos fatos contrários.)
Claro, claro. E o que me levava a dizer hoje à noite, ao João e ao Fernando Antúnez que propriamente o sujeito recebe o mais alto da vocação no começo. E quando ele joga fora o mais alto da vocação, ele caminha longamente como o povo judeu no deserto, até encontrar de novo a Terra Prometida. E quando ele, pelo contrário, o tempo inteiro é fiel a esta luz primeira, o caminho lhe parece fácil.
(Sr. Gonzalo Larraín: E ele vai conhecendo mais. No começo ele não conhece tudo de uma vez.)
Não. No começo ele não conhece todas as coisas, mas ele conhece tudo. Não conhece coisa por coisa, mas o todo ele conhece. E o problema para todos nós foi que nós… não é que “defecimus in via” não se pode dizer, nós não caímos no caminho, mas nós cambaleamos. Daí então… toda espécie de coisas, de todo jeito, todo tamanho. É uma outra questão, não é?
Bem, agora, tudo isso junto dá uma certa idéia de um representante de uma Causa, de uma missão, de uma procuração — mas a palavra “procuração” é um pouco tabelioa demais… —, de uma condestabilidade, não é? Que termina o quadro.
Mas é curioso. Tudo isso tem seu lumen e um lumen muito precioso, mas que é um pouco distinto do lumen prateado de hoje à tarde. Muito maior, muito mais sério, muito mais abrangente, mas uma certa forma de brilho não tem. É uma outra coisa. É o complemento de hoje à tarde. O de hoje à tarde é um complemento do conjunto que eu acabo de dar. Um ingrediente, se quiserem.
(Sr. Paulo Henrique Chaves: Esse seria um brilho dourado, e o da tarde prateado.)
Isso, uma coisa assim. Bem, e que forma parte do tal charme grandioso da TFP. Agora, para essa gente fica muito mais difícil conceber que uma pessoa assim possa — por causa dos preconceitos liberais — no contato pessoal ser muito afetuosa, ser muito solícita, ter muita preocupação em servir, ser despretensiosa, ser até humilde, isso não compreendem. Não compreendem porque se… os que eles conhecem fora do Grupo, postos nessa situação, se tomariam de uma megalice insuportável. Então fica difícil a eles compreender como é que alguém pode não cair nessa megalice. E fica meio…
(…)
Bom, agora… eu ia dizer uma coisa que me escapou.
É uma coisa assim… Os quadros comuns… Eu respeito muito esses quadros. Alguns são M. Emery — M. Emery eu não gosto —, mas tirado M. Emery, eu respeito enormemente, eu tenho toda solidariedade de minha alma, com certos quadrinhos representando criança que está atravessando uma ponte e o Anjo da Guarda está velando para que a criança não caia na ponte, e coisinhas assim. Eu respeito muito e gosto muito.
Mas não é possível que os nossos Anjos não vejam tudo isso? Não é possível que eles não conheçam as nossas almas e não é possível que eles não amem muito as nossas almas, porque há disso dentro deles? E eu me pergunto: mesmo dada a quantidade incontável de Anjos que há, muito maior do que a quantidade de homens, se a Providência não designa Anjos da guarda que são parecidos com o que nós deveríamos ser, e que são parecidos nesse ponto? E que o que nós deveríamos ser nesse cortejo da TFP, o Anjo seria uma coisa análoga no regime dos Anjos e que ele seja vizinho de um trono deixado vazio por um Anjo que caiu, e que nós sejamos os que devem preencher os lugares de demônios que estão no Inferno?
De maneira que haja demônios que nos tentam, porque eles foram como nós devemos ser, e tem um ódio medonho de ver que nós o realizaremos no Céu. E que de outro lado os Anjos nos esperam, e acompanham e querem e amam por uma contigüidade, uma proximidade especial, eles querem nos conduzir até lá!
(Sr. Paulo Henrique Chaves: E que é do interesse deles, pois uma vez que caiu determinado Anjo…)
Algo ficou faltando na ordem deles. Eles então querem e amam, querem levar para lá. E se não se explica um tanto a devoção que devemos ter ao Ajo da guarda, pensando em nós dormindo, e o Anjo da Guarda olhando para nós e querendo-nos bem, mas querendo bem por essa razão! Por aquilo que nós deveríamos ser, que ele sabe que continuamos chamados a ser, e que em parte somos!
E o que é que nós diríamos se nós pudéssemos acordar durante a noite, e ver o nosso Anjo da Guarda, velando e nos considerando com afeto e talvez comentando com outro Anjo? Não haverá aí um chamado especial para a devoção ao nosso Anjo da Guarda? É possível que esse Anjo que tenha nos ajudado a não quebrar a perna em pequenos, se desinteresse de nós [a ponto de] quebrarmos nossas almas?
A missão de nos conduzir através de uma ponte não será muito menor do que conduzir nossas almas através dessa espécie de Mar Vermelho que se abre para passar a TFP dentro do mundo moderno?
E nas horas de nossas aflições, de nossas angústias, de nossas incertezas, etc., de nossas tentações, não será o caso de nós rezarmos ao nosso Anjo da Guarda, em nome da presumível semelhança entre ele e nosso lado bom, para virem nos socorrer e ter pena de nosso lado bom? Eu acho que é uma coisa que se pode considerar.
Mas também, quando nós nos sentirmos tentados, não é o caso de pensar no demônio oposto ao nosso, que nos espreita, que quer acabar conosco, que quer nos assaltar e que quer fazer isso, aquilo, aquilo outro, e que é ele que está ali querendo nos levar para o Inferno na tentativa do lugar dele ficar vazio no Céu? Não é verdade que esse demônio tem que ter a nós um ódio especial?
Não consideram que essa reflexão é muito boa para nós nos lembrarmos na hora da tentação, como também é muito bom lembrar na hora da tentação do Anjo da Guarda? Eu acho de primeira ordem.
(Sr. Gonzalo Larraín: Agora, a primeira parte é muito exorcística. Isso do Anjo da Guarda completa o que o senhor disse na primeira parte.)
Claro. É em função, estritamente em função do que eu estou dizendo. Quer dizer, respeito enormemente, mas é uma visão muito menor. E eu estou aqui querendo pôr em foco uma visão muito maior. É das tais coisas, mas visto nesse ângulo, nessa perspectiva, é tão grande essa visão do Anjo da Guarda, do papel dos nossos Anjos da Guarda, que excede à visão comum como muitas outras coisas nossas excedem às visões comuns. Porque eu creio que vocês notam bem que isso é muito maior do que uma visão comum. Aliás, é uma visão que eu creio que, por exemplo, um bom pároco nem teria meio de comunicar aos seus paroquianos para sentir tudo isso. Era preciso ter uma conversa, como nós tivemos, para poder compreender tudo, em toda sua extensão.
E muito mais bonito é Nossa Senhora como Regina Angelorum ser a Rainha da Contra-Revolução. Ela dirige a Contra-Revolução dos Anjos que atuam sobre nós, e que atuam sobre os acontecimentos da Terra, etc., etc., de maneira a sair o que Ela quiser. E Ela tem todos os matizes, todas as glórias, todas as cores, todas as belezas da Contra-Revolução, Imaculada Conceição esmagando a cabeça da serpente! Rainha dos Anjos que comanda o Exército dos Anjos, como é o Exército dos Santos, “Regina Sanctorum Omnium” — Rainha de todos os Justos, especialmente nessa Terra, Rainha dos Contra-Revolucionários; que é nossa Mãe, que nos guia, e que nos ama a nós, Ela mesma, especialmente por essa razão. E como Ela tem aí a virtude de todos os Anjos, ela é o arquétipo da virtude do Anjo que nós devemos substituir no Céu, como tal, há um nexo de nós com Ela que é um nexo especial, por onde Ela nos ama especialmente.
Há uma porção de coisas da vida espiritual que tomam calor, tomam fogo, tomam nexos com os nossos problemas e que não foram bem estabelecidas, e em vista disso se estabelecem bem. Protetores celestes nossos, etc., não é?
Bom, eu apenas quero que fique bem gravado na fita, pelo assentimento de vocês, que eu só estou dizendo todas essas coisas, que eu nunca disse nada de parecido, em primeiro lugar; segundo lugar, que eu só estou dizendo pela insistência de vocês, porque vocês me dão razão quando eu digo que se eu me recusasse a dizer, vocês sentiriam que lhes corta o caminho para ir de frente.
(Todos: Inteiramente assim, é isso mesmo.)
(Sr. Gonzalo Larraín: Também é bom dizer que a pergunta foi feita, mas foi cortada. O senhor está respondendo uma pergunta.)
Isso, exatamente. Quer dizer, supõe que vocês todos pensam assim. Eu quero induzi-los a dizerem na fita — vocês já tem dito — que isso é assim.
(Sr. Guerreiro Dantas: Esperamos que isso seja apenas o começo…)
Eu não sei mais, muito o que dizer, mas enfim… vamos conversar… Não é? Bem, enfim, em linhas gerais, eu creio que… Está dando exatamente 3h. Nossa reunião, espero que tenha atingido… Eu fiquei com pena do João não estar presente, e o Fernando também porque eu dizia a eles no jantar… eles diziam que era preciso falar a meu respeito, que eu faço reuniões falando a respeito dos outros, falando bem, elogiando, etc., mas… E eu estava dizendo que eu não ia falar a meu respeito. De repente cheguei aqui e abri a língua! E ele não estava, coitado. Mas espero que ele ouça.
(Sr. Gonzalo Larraín: Ele com certeza achava que íamos pedir ao senhor para falar de nós…)
Não! Não achava isso. Mas ele achava que eu tirava o corpo… No fundo ele não disse, por respeito, mas é o que ele achava.
Aí está feito. Eu acho que podíamos ir andando, agradecendo a Nossa Senhora. Vamos andando!
“Há momentos minha Mãe…”