Conversa de Sábado a Noite – 16/4/1988 – p. 2 de 2

Conversa de Sábado à Noite — 16/4/1988 — Sábado [VF 058-JC019] (Plinio M. Gomes)

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(Sr. Guerreiro Dantas: Papel da Sra. Da. Lucilia na vida do Grupo, de um realce discreto…)

À maneira dela.

(Sr. Guerreiro Dantas: Exatamente. Hoje qualquer problema dentro do Grupo, quer espiritual, quer de necessidade material, tudo passa pelas mãos dela, e ela encaminha a Providência. Tendo em vista a festa dela que se aproxima, vinte anos, queríamos comentar um pouco com o senhor isto, na esperança de que o senhor possa explicitar um pouco melhor todo o papel dela, na linha da esperança, da confiança, etc.. Não sei se o senhor sente isso assim…)

Sim, posta essa constatação, o que eu digo a esse respeito, não é?

(Sr. Guerreiro Dantas: Exato.)

Eu gosto enormemente de ouvir o que você está dizendo, ainda mais que você fala em seu nome, manifestando, fazendo uma constatação a respeito de vários outros… O…

(…)

Então é a convicção de que a mãe perdoa absolutamente tudo. E que ainda que seja a pior traição, a coisa mais horrível que haja, a mãe perdoa. Mas com um perdão que tem uma tristeza enorme, não tem nenhum ressentimento. É a atitude que o Evangelho descreve, como Nosso Senhor descrevia, quer dizer, divinamente, o Pai do filho pródigo. Ressentimento nenhum, queixa nenhuma. Ele chega e encontra uma festa como conseqüência de sua bofetada. Única coisa que se lhe pede é que peça perdão. O filho pede perdão abundantemente. O perdão do pai é muito mais abundante do que o filho pode. Vai muito além, cobre completamente tudo.

Então, ele precisa perdoar absolutamente tudo. E precisa que o filho nunca tenha a sensação, da parte do pai, de um retraimento egoístico. Isso não. Mas tem que ser tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo!

Quer dizer, se não for isso, o papel que o pai muito bom deve ter. Mas, há uma coisa qualquer do coração materno que tem uma particular missão de ser assim na vida de um homem.

Bem, e que a mulher mais ou menos masculinizada… melhor não falar, não é? Vocês não querem nenhum pouco a descrição de uma mulher masculinizada aqui nessa hora.

E esta atitude de alma é que leva o filho a confiar contra tudo. Eu me dirigirei a minha mãe, e ali eu encontro uma saída.

Foi o que eu tive a graça de sentir muito com aquela “Salve Regina” diante da Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Quer dizer, Nossa Senhora é minha Mãe e perdoa absolutamente tudo, desde que, simplesmente, eu me deixe tocar e peça perdão. Mas que perdoa absurdos, perdoa estapafúrdios e perdoa sorrindo. De maneira que sobre aquilo que é uma montanha que é o meu pecado, ela faz vir um mar cem vezes mais profundo do que o meu pecado é alto. Desde que eu me deixe tocar e peça perdão, ela perdoa. Mas perdoará quantas vezes for, ela perdoará assim: sorrindo.

Você ponha essa certeza na alma de um homem, ele é homem completamente diferente do que eu descrevi aqui. Começa que é só assim que ele compreende bem o que é ser profundo. Porque vão dizer para ele: “Profundo foi Nitsche…” Primeiro, não foi profundo. Depois, vamos dizer que tenha sido. O que é? Um louco! Profundamente louco, está acabado!

Bom senso, a gente aprende assim.

(…)

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