Conversa
de Sábado à Noite ─ 12/3/88 – p.
Conversa de Sábado à Noite ─ 12/3/88
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O cerne duro da Igreja não pode ser constituído por pessoas esparsas pela Terra * O cerne duro da Igreja é quase exclusivamente a TFP e sua existência depende de que os chamados a serem mais duros respondam inteiramente esse chamado * A história da TFP tem-se desenrolado em três ordens de coisas: os fracassos que dão origem a reconstruções; os encalhes que afinal se realizam; a intervenção de Nossa Senhora * A Sempre Viva foi um exemplo característico de encalhe; outro exemplo, foi uma comissão que o Senhor Doutor Plinio tentou instituir * “Nossa Senhora estabelece que uma luz fique sempre acesa, e que não só tudo renasça, mas que tudo vá indo para frente”
* O cerne duro da Igreja não pode ser constituído por pessoas esparsas pela Terra
…o que resta do cerne duro da Igreja? Aqui está a questão.
(Sr. Gonzalo: Do núcleo.)
O quê?
(Sr. Gonzalo: Do núcleo. Que núcleo.)
E é do núcleo da Igreja. Tomando a palavra núcleo no sentido do cerne duro.
E a resposta [eu] daria da seguinte maneira: muitos teólogos admitem que é de fé, e eu acho que é mesmo de fé, que nunca haverá na vida da Igreja uma época em que não haja santos.
Agora, esses santos são o núcleo da Igreja? Essa é a questão. Porque aqui nós pegamos bem no ponto, a Igreja pode existir sem o que nós chamamos de núcleo? É outra questão importantíssima. Teologicamente falando, vamos empregar aqui a palavra cerne duro porque núcleo se poderia dizer que o núcleo é hierarquia.
Então, vamos falar aqui do cerne duro da Igreja: “As portas do inferno nunca prevalecerão”! Quer dizer que ela nunca cairá em erro, e isso não quer dizer necessariamente que os infalíveis serão santos.
A questão da presença do cerne duro, portanto, em tese, pode haver Igreja sem o cerne duro com um protoplasma mole e a casca.
(Sr. –: Sim.)
Vamos chamar de protoplasma a zona intermediária mole, o protoplasma mole e a casca. Mas alguém dirá: “Mas não haverá sempre santos na Igreja?”
Sim, mas o que nós entendíamos como cerne não era apenas algumas pessoas vivendo plenamente a vida da Igreja, mas era um grupo, um bloco, um conjunto de pessoas, mais ou menos articuladas entre si, pelo menos subconscientemente articuladas entre si, colaborando e, pelo menos, uma corrente inteiramente definida.
Quer dizer, alguns espalhados de cá e de acolá, mas sem constituírem essa corrente definida, isso não formava o cerne duro.
[Várias pessoas interrompem.]
O cerne duro é uma coletividade, por maior ou menor que seja a originalidade.
(Sr. –: O senhor acabou de dizer que esse grupo não constituiria então…)
Esses santos vivendo esparsos na terra e alguns, eventualmente não conhecidos, não constituiriam o cerne duro da Igreja. A não ser no sentido místico da palavra, na ordem da Comunhão dos Santos, eles aí, na ordem da Comunhão dos Santos poderiam ser eles o cerne duro da Igreja. Mas na ordem da Igreja, enquanto realidade, visível eles não seriam o cerne duro da Igreja.
Quem seria? Seria um conjunto? O quê?
(Sr. Gonzalo: Está magnífico.)
É, eu acho que ela é essencial, pelo contrário, a gente fica rodando dentro do tema sem encontrar a porta de saída, ela é essencial, essa distinção.
Então, vamos direto ao caso. Até que ponto é necessário para a Igreja um cerne duro? Por quê? A gente poderia dizer, desde que haja a estrutura e desde que haja os fiéis, mas tudo pertencente à aba mole, como nós dizemos, se for isso, a Igreja continua a existir, as portas do Inferno não terão prevalecido contra Ela. E o tal cerne duro não é necessário para que se verifique a promessa divina. Para que serve esse cerne duro em função da promessa divina?
(Sr. Gonzalo: Está fabuloso senhor.)
* São João Batista dividiu os essênios constituindo em torno de si uma organização um pouco parecida com a TFP
Aí se vai atrás do fio da meada, não é? A resposta é o seguinte: Deus poderia, em rigor, agir sem cerne duro na Igreja. Parece que o povo de Israel não tinha cerne duro nenhum quando Nosso Senhor nasceu. A gente vê que havia santos, havia o profeta Simeão, a profetiza Ana, Nossa Senhora, Zacarias.
(Sr. Gonzalo: Santa Ana, São Joaquim…)
Santa Ana, São Joaquim, Santa Isabel, São João Batista, etc.
Mas até parece, havia também os essênios, mas aqui é uma questão de história, mas tudo parece supor que os essênios têm muita coisa boa misturada com muitos elementos ruins, que era uma mistura, que os essênios tinham sido uma organização de um cerne duro e naquele tempo de decadência, havia de tudo lá dentro, mas tudo misturado, e parece que São João Batista, que tudo leva supor que era essênio, que São João Batista tinha como missão para preparar a vinda do Messias, “abater as colinas e levantar os vales”.
(Sr. Gonzalo: Que coisa bonita!)
É de uma beleza… nem sei o que dizer, não é?
Mas o que é “colinas e vales”? Ainda há uma porção de explicações, mas eu tenho impressão de que era desencumbrar uma porção de canalhadas que estava no cumbre e preparar o cerne duro que tomasse a direção do país, preparando assim a vinda do Messias.
Vocês podem bem imaginar que problemas a pregação de um dos essênios, São João Batista, havia de criar no meio de todos os essênios, quando ele levou muitos dos essênios a tomarem uma individualidade própria e irem no encalço dele e outros não. E ele, para bem dizer, deve ter rachado os essênios pelo meio.
(…)
…mas vamos voltar ao caso.
(Sr. Gonzalo: O senhor dizia que São João Batista dividiu os essênios.)
Mas ele deve ter criado uma coisa um pouco parecida com a TFP. Quer dizer, deveria ter toda uma corrente de cerne duro, além dos discípulos que o acompanhavam, uma espécie de correspondentes, mais ou menos espalhados pelo povo e que reagiam.
(Sr. Guerreiro: Senhor, isto é confirmado, sim.)
É confirmado? Quem disse isso?
(Sr. Guerreiro: Que os essênios, eles tinham fora sinagoga e da cidade, mas eles viviam fora da cidade, viviam no deserto, mas eles tinham dentro das cidades judaicas, tinham famílias que seguiam a eles e das quais saíram os continuadores dos essênios, as famílias das quais saíam os futuros essênios e eram os contatos que eles tinham na cidade.)
Você vê que uma organização muito parecida com a TFP, que rompidos com a sinagoga, [eram] mais fiéis que os outros da própria sinagoga, perseguidos naturalmente por esses rabinos de underground que estavam dominando e que na indiferença, uma hostilidade de muitos, com mau olho na organicidade romana, com ódio de Herodes, de Anás e Caifás, aquela cachorrada toda do underground que era o porão da sinagoga e espalhando gente por toda parte. Deve ter facilitado para Nosso Senhor a sua pregação. Essa é muito análoga.
(Sr. Gonzalo: Magnífico senhor, claro.)
* São João Batista estava preparando uma coisa que deveria ser um cerne duro imenso, que não se constituiu porque Herodes mandou decapitá-lo
(Sr. –: Só para tirar uma dúvida, Senhor Doutor Plinio, São João Batista, com essa espécie de discípulos, mais esses santos que havia na época de Nosso Senhor, eles não constituíam pelo número deles, não constituíam o cerne duro?)
Não constituíam?
(Sr. –: O cerne duro.)
Não. Seriam um cerne maior ou menor, mas era uma organização pequena, mas que todo povo conhecia, e que era um ponto de atração e de referência moral.
(Sr. –: Está muito bem.)
Que era diferente dos que eram [no mero?] terreno místico.
(Sr. Gonzalo: É que o senhor disse que no tempo de Nosso Senhor não havia cerne duro.)
A não ser que consideremos São João Batista.
(Sr. –: Então o senhor está considerando São João Batista como cerne duro?)
Cerne duro.
(Sr. –: Todo o apostolado dele…)
Exatamente.
(Sr. –: Para comparação é muito importante…)
É muito importante. Eu devo ter tido um lapso.
(Sr. –: Não.)
Eu vejo bem qual é a questão. É que eu disse e depois eu desviei o assunto, eu queria dizer que ele estava preparando uma coisa que deveria ser um cerne duro imenso, que cortou quando Herodes mandou decapitá-lo.
(Sr. –: Que pecado…)
Uh! E depois, por causa daquela porcaria daquela Salomé e tudo quanto sabemos.
[Entra na sala Dr. Marcos.]
Entra, meu Marcos, como vai você? Nossa Senhora lhe ajude meu filho, senta aí.
(Dr. Marcos: Obrigado.)
Então, a coisa é… Você vai pegar o bonde andando, ouviu, meu Marcos? A coisa é que São João Batista [e] os dele eram uma coisa que deveria ser muito maior, mas que já era um cerne duro, não era com as dimensões que presumivelmente São João Batista pensava. E que tomaria a coisa como Herodes não cortasse o fio, a Providência permitiu, [e] ele deve ter recebido graças, você vê bem que ele era sensível às pregações de São João Batista, e foi preciso a tal bruxa da Salomé exigir com insistência para ele mandar cortar a cabeça de São João Batista.
Quer dizer, a gente percebe que podia ter acontecido nas vias da graça, que Herodes não mandasse cortar a cabeça de São João Batista, e toda a batalha em torno de Nosso Senhor tivesse portanto circunstâncias diferentes. É um conjunto de hipóteses, mas hipóteses razoáveis, que se temperam, que se equilibram para formar uma certa idéia.
(…)
* O cerne duro da Igreja é quase exclusivamente a TFP e sua existência depende de que os chamados a serem mais duros respondam inteiramente esse chamado
…uma associação um corpo, que pode ser pequeno, mas conhecido de todo público e que é um ponto de referência para todos de que aquela luz ainda brilha. Isso é propriamente a pergunta, aí eu digo: o cerne duro da Igreja, neste sentido, visível, é quase exclusivamente a TFP, e isso é uma coisa notória.
Como também é notória que a TFP é conhecida no mundo católico inteiro, não quero dizer por cada homem, mas o que se entende o genérico, ela é conhecida por toda parte e, portanto, ela tem muito autenticamente um papel de cerne duro.
Agora, dentro desse cerne duro, repetem-se em relação à aba mole que nos cerca, porque eu não perguntei qual é a nossa aba mole. Problemas análogos aos que eu descrevi hoje à tarde, entre o cerne duro dos judeus e a aba mole dos judeus. Não sei se está muito maçante ou se eu estou me explicando bem…
(Sr. –: Claríssimo!)
E a resposta é o seguinte: há problemas dessa natureza, inclusive dentro da TFP que é o cerne duro, há gente que nós poderíamos chamar “aba mole da TFP”, e como há cerne duro, há uma coisa de desgaste, não é? Que é a casca, dentro da própria TFP.
A batalha toda para que esse cerne duro continue a existir e trave sua luta, é que dentro do cerne duro, os chamados a serem mais duros respondam inteiramente a esse chamado. É isso.
(Sr. Gonzalo: Está magnífico, Senhor Doutor Plinio.)
E o drama de responder e não responder de toda essa coisa junta, esse é o problema da TFP.
(Sr. Gonzalo: Que tamanho tem, não é?)
E você vai ver, são um punhadinho de almas.
(Sr. Gonzalo: E é mais, a responsabilidade é extraordinária.)
É terrível, porque pesa sobre um punhadinho de almas.
(Sr. –: Realmente é um problema, é um problema que tem dimensão de vida, porque é um tal problema, porque toca realmente.)
Então uma reunião desta pode acontecer que um aparecendo infestado a reunião fracasse, pode acontecer.
Uma reunião assim fracassando, é um compasso de um dos elementos vitais da TFP que isso não dá jeito.
(Sr. Poli: E, portanto, decisivo na ordem real das coisas universais, não é? Não só de hoje, mas de todas as épocas, não é?)
* A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel foi mais importante do que os feitos dos romanos naquele momento
É toda a luta da Igreja, quer dizer, é uma coisa colossal, e que tem uma ocasião muito bonita, que não nos dá ocasião de megalar. Porque uma coisa difícil de ver e de medir, como era difícil de ver a importância da visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel. Mulher de um carpinteiro, que vai visitar uma mulher de um sacerdote, porque são primas e ela está precisando de assistência ─ naquele tempo não havia assistência hospitalar organizada ─ então, uma prima vem de longe, o carpinteiro acompanha e as duas mães se encontram.
Então, elas cantam e depois nascem os dois meninos e a vida continua. Mas já ali começa a matança dos inocentes, começam os Reis Magos que chegam, os pastores que são acordados durante a noite e os Anjos que cantam, etc., etc., já ali.
Quer dizer, é de uma beleza, de uma simplicidade, e de uma beleza enorme. Nesse tempo é possível que em Roma estivessem traçando, provavelmente, decisões muito importantes para a história do mundo, entre os conselheiros do imperador no senado. Está bom, tudo isso, era farelo. Nossa Senhora foi visitar Santa Isabel!
(Sr. Gonzalo: A primeira voz que São João Batista ouviu foi a de Nossa Senhora, porque dizem que quando Nossa Senhora falou com Santa Isabel, na ocasião da visitação era Nosso Senhor que falava pelos lábios d’Ela, uma vez que Ele estava no claustro d’Ela, não tinha sentido que Ela falasse algo que não nascesse d’Ele, então a primeira voz que São João Batista ouviu foi a d’Ele.)
Depois, meu filho, a vocação de São João Batista, nascer assistido por Nossa Senhora, o que tinha em Si o Menino Jesus, é uma vocação… é uma vocação tal… O que é que faz esse menino? Fica mais velhinho, vai para o deserto comer mel silvestre e gafanhotos, e o Menino Jesus não está com ele, e levam uma vida que parece ser paralela. Uma simplicidade, mas uma grandeza!
(Sr. Gonzalo: Perdão pelo parênteses, mas é uma coisa que não resisto contar, foi ele quem indicou, com o dedo indicador dele, ele apontou a Nosso Senhor: “Esse é o Cordeiro [de Deus] que tira o pecado do mundo”. Então os católicos ─ quando mataram a Ele ─ alguns católicos fiéis, justamente os essênios, conseguiram pegar esse dedo de São João Batista, e depois com o tempo construíram uma catedral medieval sobre o dedo de São João Batista, na Normandia. Porque esse era o dedo que apontou pela primeira vez o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.)
Que coisa fantástica! Não, não tem palavras, a simplicidade disso, depois o fausto, o esplendor, é uma coisa de um tamanho tal que a gente se sente pequenino, mas fica deliciado de ser pequenino diante de tanta grandeza, é uma coisa estupenda. O que que é, meu Nelson, diga o que é?
(Sr. N. Fragelli: Não, é que é muito bonito.)
* A história da TFP tem-se desenrolado em três ordens de coisas: os fracassos que dão origem a reconstruções; os encalhes que afinal se realizam; a intervenção de Nossa Senhora
Aqui vem o problema do lado místico, para que nós façamos [o] que nós devemos fazer. Quantas almas estarão como a Sóror Dolores que ofereceu a vida, morreu de câncer por nós, como o Lúcio etc. Quantas almas estarão no Céu rezando, que se sacrificaram na Terra, almas que talvez não conheçam o nosso passado, nem saibam de nós no presente, mas que intuem que deve haver isto e que se sacrificam para que isto esteja de pé.
Deve ter coisas estupendas, que justificam certas coisas na TFP, que são de duas ordens, se quiserem, três ordens. Uma ordem é, os fracassos que dão origem às reconstruções. Outra ordem é de encalhes que afinal se realizam e a terceira ordem é as maravilhas com que Deus entra, que Nossa Senhora entra ex abrupto na contextura dos acontecimentos e agem. São três coisas diferentes.
Os fracassos são tantos…
(…)
(Sr. Gonzalo: …é, é bom não entrar em pormenores.)
É, é melhor não entrar em pormenores.
(Sr. Gonzalo: Não, se o senhor quiser pode, mas está à vista de todos nós.)
Quer dizer, coisas que não foram. Coisas existentes na TFP, com marcas de predileção divina evidentes e que sumiram simplesmente.
* As reuniões para a Comissão B acabaram sendo “pérolas colocadas nas mãos de múmias”
(AL: Se o senhor pudesse exemplificar?)
Meu filho, a Comissão de Opinião Pública I, do tempo da Rua Pará ainda.
(AL: Sei.)
Você participou de várias dessas reuniões. É impossível que não se lembre delas. Você se lembra, você fez isso várias vezes também. Várias vezes as pessoas chegavam ávidas, vinham correndo dos aviões, dos trens, dos automóveis que vinham para pegar uma reunião inteira ou uma parte da reunião.
Pouco antes de minha débâcle, da minha diabete ter sobrevindo, eu fiz uma reunião, não sei se você esteve presente, não sei, porque essa reunião não se realizou na Pará, mas foi feita na Martim, naquela sala do fundo, em que eu disse: “Acho que nossa reunião não tem futuro, porque eu tenho a impressão de que vocês não aproveitam nada e que cada vez que eu venho nessa reunião é como se eu tivesse uma série de múmias mortas com as mãos assim, e eu passo, e em cada reunião eu distribuo umas tantas pérolas e ponho na concha das mãos. Conservam, não jogam fora, mas isso não lhes faz bem nenhum porque são mortos”.
“Eh, eh…” saíram contentes, escolhendo restaurantes em que iam comer e logo como seria o jantar no “Palacinho”, em Amparo como que seria etc., está acabado. A coisa morreu, para aqueles morreu.
A outra comissão que se constituiu, a dois romano, se constituiu sem eles, foi assim.
(Sr. –: Agora, toda a visão histórica que o senhor montou hoje, para falar sobre a frincha, pelo que eu entendi, o princípio básico foi uma teoria de opinião pública, essa questão do cerne, do núcleo.)
Foi, foi teoria da opinião pública, é fora de dúvida.
* A Sempre Viva foi um exemplo característico de encalhe; outro exemplo, foi uma comissão que o Senhor Doutor Plinio tentou instituir
Agora, há coisas que encalharam. O exemplo característico do encalhe foi a “Sempre Viva”. Mas encalhada de um modo tristíssimo. Ela deveria ser o cerne duro da TFP, encalhou.
Depois, outra coisa que encalhou, eu não sei se tem gente aqui presente, que tenha participado dessa reunião, eu menciono a sala porque pode reavivar na memória, se realizou na Rua Maranhão anos depois de a sede estar lá, que eu creio até que foi antes do desastre, foi entre a hecatombe diabética e o desastre. Foi na sala dos Reis Magos, no fundo, que eu convidei uma série de pessoas mais aptas intelectualmente no grupo, para participarem de uma comissão de leitores.
(Sr. Gonzalo: Eu me lembro, não estava convidado, mas eu me lembro dessa reunião, acho que o Sr. Guerreiro estava nessa reunião.)
(Sr. Guerreiro: É, eu me lembro que foi com as pessoas mais velhas.)
Eu me lembro que tinha alguns que eram da Santa Maria Martirum. Você estava aqui, meu filho?
(Sr. –: Não, não me lembro.)
(Sr. Gonzalo: Foi quando começou a Comissão de Leitores, não foi?)
É, foi a primeira reunião que houve, na saída alguém me perguntou: “O senhor crê seriamente que o que o senhor acabou de instituir aqui, é viável?”
Eu disse: “Eu creio que um passo foi dado, quando será dado o segundo passo, eu não sei. Mas um passo foi dado”.
* “Nossa Senhora estabelece que uma luz fique sempre acesa, e que não só tudo renasça, mas que tudo vá indo para frente”
A coisa se esfarelou, mas nos êremos e nas clausuras está revivida de fato, está indo muito bem, por enquanto… E que faz, dá muita impressão de que aquela coisa do Evangelho de São João, que “a luz vivendo nas trevas e as trevas não conseguindo circundá-la”, que essas trevas entram dentro da TFP e procuram envolver tudo e sepultar tudo, que a TFP não é uma casa fechada a essas trevas, mas que Nossa Senhora, por mera disposição d’Ela, estabelece que uma luz fique sempre acesa, e não só tudo renasce, mas tudo vai indo para frente.
Então vocês vejam a coisa bonita que, por exemplo, vocês são sobrevindos de alguns desastres.
(Sr. Poli: Na linha que desapareceram, o senhor recebia todos os dias aqui na sua casa, quando acabava o expediente, o senhor recebia um grupo, do pessoal do Vínculo Profético, portanto o pessoal mais velho, em que o senhor tinha uma conversa de quarenta e cinco minutos a uma hora, e às vezes até mais, diariamente. E é de se arrepiar vendo como é que desapareceu.)
Desapareceu completamente. Depois outra coisa, no desinteresse geral, como um curso de água pode desaparecer num areal, sem fazer barulho nem nada, assim essas coisas desaparecem. A gente vai ver depois alguma coisa fica, e fica… porque pega afinal.
Em última análise, o grupo do Chile I pereceu, mas foi chamado a São Paulo ad majorem. Pega o nosso desígnio de apostolado nas Forças Armadas, ficou só em você e no Jarbas, não houve apostolado. Há irradiação, expansão em sua pessoa, mas o Jarbas no que afundou! E a coisa parou. E é preciso dizer que o Jarbas tinha uma lábia para apostolado, e um jeito que se não fosse o desvio medonho onde ele entrou, teria tomado todo um rumo.
O Grupo do Rio, bem, você está na presidência do grupo, mas que hecatombe anterior. Já houve vários grupos em Curitiba, mas o Átila que serviço tem prestado? Você está aqui conosco. E depois eu tenho certeza e eu percebo que vai prestar ainda.
Meu Paulo Henrique, a catástrofe do Grupo de Belo Horizonte, onde houve uma catástrofe. Bem, depois catástrofes talvez mais dramáticas que a do grupo do Rio. Houve, mas essa catástrofe de fato deu origem a alguma coisa, que está renascendo, que está reconstituindo e de outro lado vários de vocês, que serviços estão prestando…
(…)
…que com quanta coisa vocês dois, o período áureo do Bureau de Roma não foi precisamente o período que vocês estiveram lá. Na École Saint Benoit nossa ação, o estrondo etc…
(…)
…e reconstitui a coisa mais marchant na vida do Grupo no meu modo de entender.
* A ação de Nossa Senhora no sentido de promover, recrutar, e acalentar esperanças com interferências extras
Bem, Nossa Senhora vai arranjando, o mais bonito é o seguinte: como vai promovendo ao mesmo tempo que Ela vai recrutando e que no meio de tudo isso a esperança da “Sempre Viva” fica de pé. Eu acho que sem essa vida de conjunto, a pergunta: Quem somos nós? Quem é o conjunto TFP? Quem é cada um de nós? Não se responde inteiramente.
E essa reunião aqui tem um quê de reunião de opinião pública, tem um quê de reunião, portanto, da opinião pública I, da opinião pública II, um quê de… de um quê de…
(Sr. Gonzalo: Tem um arqui quê, não é?)
Que vai dando vida a tudo isso e Nossa Senhora conserva quase miraculosamente toda essa história.
Agora, interferências extras: interferência extra muito bonita, a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, o quadro, foi você e o Rodrigues que compraram.
(Sr. Gonzalo: Impressionante senhor, aliás eu estou por ir lá para rezar a Nossa Senhora incansavelmente.)
Eu acho que sim, eu disse ao João: “Olha, a qualquer hora o Gonzalo aparece aí”.
(Sr. Gonzalo: Eu já falei com ele várias vezes com ele para ver se ele abre o portão, ele não fecha evidentemente.)
Não, não.
As reuniões do MNF.
* O Senhor Doutor Plinio ainda espera a volta de certos apóstatas
Minas e Rio, uma coisa que me deu tanta alegria quando se constituiu, explodiu, está se tecendo de novo, está pegando de novo, etc. São coisas que indicam uma ação “recriática” de Nossa Senhora, de recriar, criar de novo, estupenda, na qual eu espero ainda conversões de fora para dentro de apóstatas, está compreendendo?
(Sr. –: De apóstatas?)
De apóstatas. Dois que eu espero ─ não afirmo, eu espero, esperar é diferente de afirmar ─ e espero com muita ênfase são: o Bento, por mais que eu imagine por onde andou o Bento.
(Sr. Guerreiro: O senhor espera que ele volte ainda?)
Espero. Espero o Carlos Antúnez, espero o Siqueira.
(Sr. Guerreiro: Carlos Antúnez, ainda?)
O Carlos Antúnez, o Siqueira, mas o Carlos Antúnez não tem palavras o que ele fez.
(Sr. Gonzalo: Quando o senhor fala, eu tenho uma impressão que vai acontecer.)
* O Senhor Doutor Plinio comenta a última conversa que teve com o Bento Ribeiro Dantas no qual discerniu ainda uma luz de esperança
(Sr. Guerreiro: O senhor espera… e que é que move o senhor a esperar?)
O Bento, por exemplo. A última conversa que eu tive com o Bento, eu já percebia que ele estava “apostata ou não apostata”, ele ainda não me disse, mas eu percebia perfeitamente. E eu via bem como era a alma dele ─ o Marcos sabe disso ─ eu tive muitas conversas com ele, muitos contatos com o Bento etc. Mas na última conversa que eu tive com ele, eu percebi que havia nele uma luz circundada exatamente no que há de mais tenebroso, exceto uma coisa: eu não notava nascente nele, nenhuma forma de ódio contra a TFP. E não notava nele nenhuma forma de ódio nem de ressentimento contra mim. Eu notava apenas uma luz que permanecia acesa e o resto eram concessões, molezas dele, mas sem nome! E, meu Marcos, não me queira mal, mas ele enveredou por uma megalice do arco da velha, mas do arco da velha!
Mas a luz que me pareceu ver na alma dele na última conversa, me pareceu ─ vejam a palavra “me pareceu”, eu tomo dubitativa ─ uma promessa; ele ainda voltará.
(Sr. Gonzalo: Essas coisas com o senhor não falham.)
* “O Carlos Antúnez tem tomado atitudes que desanimam todas as esperas” enviando às mães da Venezuela circulares anti-TFP
(Sr. –: Agora, é um pouco misterioso apostatar e depois voltar.)
Ele não é.
(Sr. –: Ele não, eu digo os outros que o senhor mencionou, o Carlos Antúnez…)
Estridentes, depois ele tem ultimamente [tomado] atitudes que desanimam todas as esperas.
(Sr. –: É?!)
É. Eu não vou entrar nesse pormenor, mas de escrever uma carta mais bem dizer uma circular.
(Sr. –: Pode gravar?)
Pode. Uma carta a todas as mães da Venezuela, dizendo que esteve com João Paulo II que é um santo homem, e que ele vive muito feliz, contente da vida, determinou uma contra-ofensiva de várias mães contra a TFP, mandando várias cópias da carta dele. Escreveu às mães favoráveis.
(Sr. –: Do Chile está escrevendo para a Venezuela?)
Para a Venezuela. Se sabe também, uma espécie de carta de saudação, carta de despedida, depois com o mesmo texto para todas, uma circular, não foram muitas. Não sei se calculo mal, pondo quatro ou cinco.
Quer dizer, é um ato de sabotagem contra o Grupo.
(Sr. –: Alta traição.)
É. Ao mesmo tempo que pedia para se telefonar, para o Fernando telefonar para o Juan Antonio que é um que está dirigindo o grupo atual do Chile, chegou a falar uma hora com o Juan Antonio no telefone, se não me engano, uma vez uma hora e meia. E às vezes, ele Juan Antonio, contando fatinho daqui de São Paulo. O Carlos Antúnez às vezes interrompia e dizia: “Me conte, porque me faz bem”.
Para ver até que fundo está essa alma.
* O Siqueira é um caso análogo ao do Bento
E o Siqueira que caiu mais ou menos no itinerário do Bento. Inclusive megaladas soltas. A única pergunta que eu fiz sobre o Bento ─ nem a você perguntei ─ foi para um de seus filhos, não me lembro se foi para o André ou para o Filipe, foi relativamente recente. Disse:
“Vocês encontram-se com o Bento?” E eles me disseram que muito raramente, na casa da senhora sua mãe, assim, festa de aniversário, casos familiares.
Eu perguntei:
─ Como ele trata vocês?
─ Trata como sobrinhos, mas com uma certa frieza e um certo afastamento.
─ Mas ele ataca a TFP?
Eles me disseram que nunca viram ele atacar a TFP, nem falando com eles, ele toma atitude de hostilidade, a atitude é de distância e de frieza. Não sei se você confirma isso?
(Dr. Marcos: É, confirmo inteiramente.)
Eu tenho de dizer. O Siqueira você conhece.
(…)
…são algumas pessoas assim.
(Sr. Gonzalo: É claro, há outras que devem entrar, que o senhor diz nomes que não se dá isso. Como o senhor disse que há nichos que a imagem volta, mas há nichos que vão ficar sem imagem.)
(…)
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