Conversa da Noite ─ 29/08/87 ─ Sábado . 8 de 8

Conversa da Noite ─ 29/08/87 ─ Sábado

O choque do Senhor Doutor Plinio com a mentalidade revolucionária e os problemas de ação que se lhe apresentavam já em menino * Como o Senhor Doutor Plinio foi modelando seu modo de cumprimentar os meninos de sua idade * Em toda sua ação contra-revolucionária, o Senhor Doutor Plinio tinha muito em conta quem ele era, suas capacidades, suas lacunas

Então, vamos entrar diretamente nos nossos temas. Contra a minha vontade, eu estou chegando cada vez mais tarde para jantar, acontece que a reunião dos “enjolras” fica mais tarde também, e eu não consigo fazer muito curta a reunião para eles, porque a gente às vezes tem que explicar coisas que só saem bem explicadas levando algum tempo, e comprime a reunião aqui.

Às vezes eu digo para eles: “Eu tenho uma reunião ainda”, etc., mas eles não ouvem, de maneira que não há muita saída.

(Sr. –: Estamos também com muitas saudades do primeiro andar…)

Não, mas eu creio também que não demora muito não, ouviu?

(Sr. –: …esta sala é indicada para o MNF, mas para a reunião de sábado à noite…)

Não, é aquela do primeiro andar. Isto não tem dúvida. Mas eu creio que esta semana a gente se transfere para lá. Eu tenho a impressão, embora o Fernando não esteja fazendo uma cara propriamente entusiasmada.

Mas vamos fazer uma pergunta e tocar os assuntos. O que é que há então?

(Sr. –: …nos dar a noção como o senhor a desenvolve…todo o mundo da cogitativa do senhor… mas, explicar mais a ação contra-revolucionária profética.)

Você esboçou duas perguntas distintas, ao menos você raspou pelo menos nisso: como é que cabia a contemplação no meio de tanta ação, como é que cabia tanta ação sem prejuízo da contemplação. Em certo momento você raspou pelo menos nesta questão.

E depois outra é, como é que está pensada a ação em mim, de maneira que caiba tanta ação, sem prejuízo da contemplação.

São duas questões distintas, mas tenho a impressão de que a segunda questão interessa mais a você do que a primeira. É bem verdade ou não?

(Sr. –: Se o senhor pudesse entrar um pouco propriamente na questão da ação…)

* O choque do Senhor Doutor Plinio com a mentalidade revolucionária e os problemas de ação que se lhe apresentavam já em menino

A gente poderia dizer o seguinte: que dando rapidamente como introdução o histórico de como nasceu a observação da vida e da luta revolucionária e contra-revolucionária, depois se compreende melhor como é que a galharia enorme da ação nasceu em doutrina, já articulada e se compreende melhor como é que ela dirige a ação. É uma coisa que parece quase impossível de conceber, e como tantas coisas quase impossíveis, ela é muito simples. Se a gente dá a volta e se tem o segredo da coisa, ela acaba sendo muito simples. Isto que é o negócio.

Bem, e aconteceu o seguinte, sempre reportando-me ao começo da minha ação contra-revolucionária, e portanto no Colégio São Luís. Também em dois estabelecimentos secundários que eu freqüentei como intervalo do Colégio São Luís, e que foram o tal curso do Prof. Aquiles Raspantini e outro curso chamado qualquer coisa do gênero Colégio Paulistano, qualquer coisa assim, que é o curso de um Camilo [Vanzolini?].

Tudo isto mais o contato meu e o meu mundo de criança, e depois a sociedade nos cinco ou seis anos em que eu a freqüentei, freqüentei metido nela até em cima da cabeça. E um pouco a Faculdade de Direito representou um papel muito menor para isso, tudo isso junto constituiu o seguinte:

Eu com a posição tomada a respeito de uma porção de coisas, em virtude da inocência, do bom espírito, do ambiente de mamãe, um pouco o ambiente de minha casa, etc.., que eu tomava a sério como sendo um ambiente muito bom, etc., eu não via no ambiente de uma família tradicional o que pode haver de não tradicional e já desviando para as coisas modernas, eu no começo não via, então eu dava àquilo uma adesão inteira, sem jaças, a Igreja Católica por suposto, adesão sem jaça, que formava um modo de ser harmônico e coerente diante de mim.

Eu levava o choque daquilo, daquilo outro, e eu percebia o contraste, mas ao perceber o contraste, eu não notava apenas o contraste entre uma coisa e outra, quer dizer, o mundo revolucionário faz tal coisa de tal jeito, e eu faço de outro jeito. Mas eu notava muito claramente ─ e aqui eu creio que entrava algo do discernimento dos espíritos ─ eu notava muito claramente o espírito que presidia aquilo, e o espírito que havia em mim oposto àquele espírito.

Eu vou dar um exemplo, foi dos choques primeiros que eu tive: o modo dos meninos se cumprimentarem fora do meu ambiente no colégio, etc.

É uma coisa de bom-senso que os meninos chegam no colégio, não vão estar saudando, chegam e entram na vida do colégio. São quatrocentos, quinhentos meninos, não vão estar dando bom dia para todo mundo nem nada. Isto é uma coisa que entra pelos olhos.

Bem, mas muitas vezes se encontravam na rua, então por exemplo, no que hoje é o centro velho e que naquele tempo era o centro da São Paulinho. A gente ia lá, rodando pelo centro velho, para mil coisas, para tomar sorvete, para comprar uma coisa numa bonbonnière, para comprar um chapéu, para mil coisas a gente tinha que ir ao centro velho e encontrava colegas girando por lá. E a regra era, cumprimentando qualquer pessoa, inclusive meninos, passar e cumprimentar tirando o chapéu amavelmente. Todo mundo usava, tirava o chapéu.

Bem, encontrava os meus colegas e em vez deste cumprimento afável, cerimonioso, a que eu estava habituado, eu não imaginava que houvesse outro cumprimento, bem, um cumprimento assim… mas não era só comigo, era de um com os outros. Quase não se cumprimentava.

Eu via logo que isso era um raccourci, uma abreviação das fórmulas de cumprimento antigas, européias, em benefício das fórmulas norte-americanas, e que o cumprimento norte-americano que eu via as pessoas se darem nas fitas de cinema era esse.

Mas eu percebia logo, por uma conexão, todo [um] mundo que havia atrás desta história de cumprimentar assim. A recusa da amabilidade, do respeito, da cortesia, da confiança recíproca; e o ritmo acelerado, o modo meio bruto de fazer, o desprezo das fórmulas como sendo coisas completamente inúteis e uma introdução de uma certa brutalidade na vida. Eu vi isso com toda clareza.

E via que o outro menino e esse, aquele, aquele outro, faziam, sentiam exatamente assim, e eu sentia, então, definida uma oposição que punha um problema de ação: à vista de ele fazer assim, nada mais fácil do que eu me pôr em dia cumprimentando como ele cumprimenta. Até mais simples do que o cumprimento afável, etc.

Mas a questão é: se eu for imitar o cumprimento dele, o espírito dele entra em mim. Depois é assim. E se eu mantiver o meu cumprimento afável e amável…

[Chega a imagem de Nossa Senhora]

Bom, se eu for então imitar o jeito dele, eu inalo o espírito dele, é inevitável. Se eu for cumprimentar a meu modo, eu fico debaixo porque eu estou gastando gentilezas e afabilidades com um sujeito que me responde com um aceno das sobrancelhas, eu fico fazendo papel de tonto, e isto também eu não posso fazer. Se eu fizer, algo de um espírito de, eu não saberia nunca dizer a coisa, Monsieur Émery entra em mim. De homem que não é capaz de manter a sua própria nota. Não é homem, não pode ser.

Então aparece um problema de ação, concreto, que corresponde à sua pergunta, não é?

* Como o Senhor Doutor Plinio foi modelando seu modo de cumprimentar os meninos de sua idade

Bem, então, como agir? Eu tenho que arranjar um mezzo termino, que faça com que eu mantenha, embora com uma manifestação discreta, todo o meu espírito, anuncie este meu espírito de modo mais discreto possível para evitar um entrechoque, mas de modo mais visível que seja necessário para evitar uma capitulação.

Bem, como é que eu vou cumprimentar assim? Quer dizer, até que ponto este indivíduo com quem eu estou tratando, e outros que têm a mesa mentalidade, até que ponto toleram que eu leve adiante alguma coisa parecida com o cumprimento tradicional? Até que ponto ele explode?

Bem, de um lado, agora de outro lado como é que eu posso tapear a situação pondo num modo de cumprimentar aggiornato tudo quanto eu quero?

Fica aqui enunciado um problema que vocês vêem que se repete em série, em centenas de outro casos. É toda uma clave do estilo de vida que se põe.

Então o que é se deve fazer? É tirar do cumprimento a solenidade de um homem, porque eu cumprimentava com a solenidade de um homem, e não de um menino, pelo modo com o qual eu fui educado. Eu eu percebia que tinha alguma coisa, que eu não podia exigir dos outros esta solenidade assim, e que portanto eu deveria pôr um cumprimento de um menino para outro, que no meu modo de cumprimentar algo não era inteiramente real. Mas qual é o modo de um menino ser cerimonioso sem imitar os mais velhos? Sem ser portanto um doutorzinho, como é que ele é um menino cerimonioso?

Isto se faz assim, assim, assim. Bem, então eu vou fazer assim, assim, assim. Eu posso entrar nos pormenores como era o cumprimento. Naturalmente alonga muito uma série de reuniões das que tem que se tratar.

A questão era a seguinte: Primeiro ponto era uma seriedade de pessoa capaz de qualquer resposta e de correr qualquer risco. Não mexam comigo porque dá encrenca! Isso era a primeira coisa. E dá encrenca de argumentação, de boca, mas se for preciso eu vou mais longe, e embora eu não seja muito forte, eu faço de uma vez uma agressão tão bruta que vocês vão ver. Bem, e até lá minha força chegava.

Bem, então a primeira coisa é entenderem isso, mas por cima disso uma afabilidade um tanto maior do que todos eles tinham uns com os outros, mas por detrás a força.

Depois, uma linguagem, foi toda a vida o instrumento que eu procurei usar aproveitando talvez facilidades nordestinas, uma linguagem que sem ser uma linguagem pedante nem rebuscada, uma linguagem com muito mais vocábulos do que o deles, e portanto dizendo coisas que eles não sabiam dizer, e pondo na conversa uma espécie de natural superioridade também consistente nos temas que eu invocava, sem serem pedantes e cabendo numa atmosfera de brincadeira composta, não de brincadeira decomposta, coisas que criavam em torno de mim uma esfera de superioridade ajustada a menino.

Eu acho que vocês sentem bem, que esta fórmula, no vago que eu estou dando, corresponde ao que convém, não é?

Bem, mas tudo isso que é uma solução para um caso concreto, se desdobra, tem subjacentes, regras a respeito do caso concreto de como tratar o revolucionário.

Eles se vingavam a seu modo, quer dizer, não sabendo como sair disso, era boicote. Então, que atitude tomar diante do boicote?

(…)

Ou ser do jeito que eu acabo de descrever, não propriamente a sardinha com arroz, mas o ser do jeito que eu acabo de descrever, acabava dando necessariamente em pureza: ir à casa de “fassura”, enfim uma espécie de primeiro prêmio por ter feito tal e tal coisa ignominiosa em casa de “fassura”. Um desses primos por exemplo, mais próximos de idade em relação a mim, se tornou célebre por uma surra que deu em uma “fassura”, numa casa de “fassurada”, mas uma surra que a “fassura” ficou, nem sei, escangalhada. Então isto era uma prova de vitalidade, de força, de não sei mais o quê.

Mas diante de mim nem contavam o caso. Ficava entendido que eu empurrava isso para a categoria de casco de cavalo. Depois para a imoralidade contra a doutrina católica, eu sou católico não quero praticar.

Isto mais ou menos eu tomando cuidado de distraí-los, de entretê-los…

(…)

momento, enunciar estas regras. Mas elas estão vivas no meu espírito, e se eu for contando este fato, aquele fato, aquele fato, aquele fato, as regras vão jorrando no chão em quantidade, não é? E até hoje eu [as] emprego.

Bem, isto constitui portanto, acumulado ao longo da vida em muitas outras situações que eu tive, todas muito estudadas, porque isto me obrigou a estudar as minhas situações milímetro a milímetro. Todas muito estudadas, fez um acervo de experiência regulogênica, que gerava, mas que não era a concepção da regra no ar para depois aplicar, era a experiência transformada em regra. Era uma coisa completamente diferente.

Por causa disso muito útil. Acrescente a isso “n” situações históricas estudadas ─ “n” ─ e forma uma caudal de regras que se eu quisesse escrever podia tomar, suposto que eu vivesse uns dez anos, podia encher estes dez anos.

Não sei, meu filho, se o essencial disso está claro?

(Sr. –: Foi introdução.)

Bem vocês perguntem o que quiserem que eu vou respondendo o que eu souber.

(Sr. –: Constou que o senhor tenha feito o seguinte comentário, que sobre os problemas da ação, o senhor não cogitava mais praticamente…)

É, é. Está no que eu estou dizendo.

(Sr. –: E que o senhor só tratava de questões metafísicas, mais do mundo das cogitações, das arquetipias. As questões políticas o senhor já tinha dado a volta nelas. Isto até que medida corresponde realmente ao que sucedeu com o senhor? …não acha que praticamente o senhor esgotou aquilo que era necessário para o senhor agir…)

Para mim, exatamente. Não é para qualquer homem em qualquer lugar. [Sou] eu, Plinio.

(Sr. –: O senhor tem o cumprimento, a largura e a altura do assunto.)

Talvez seja assim.

(Sr. –: Porque se houvesse apenas o MNF sem a ação, o senhor seria um filósofo, não um profeta…)

Ah, não. Não tem dúvida.

* Em toda sua ação contra-revolucionária, o Senhor Doutor Plinio tinha muito em conta quem ele era, suas capacidades, suas lacunas

Mas tem o seguinte, me desculpe interrompê-lo, mas há o seguinte, que é delicado: é que no ponto de partida em que eu me coloquei, e do modo pelo qual esta construção foi feita, o ponto de partida foi uma observação implacável da realidade a meu respeito. Do que é que eu sou, do que é que eu não sou. Meus lados fracos, eu há pouco disse que nesse assunto eu fiz o papel de Jacó, eu noto que uns certos lados fracos de Jacó continuam a pesar sobre mim de maneira a ter que desenvolver uma reação constante para não me deixar levar por eles. E o modo muito exato de medir quem eu sou, quem eu não sou, o que é que eu posso, o que é que eu posso e devo, rationabiliter, pretender, mas o que eu não devo pretender, e uma análise muito exata do meio em que me formei.

Agora, não adianta dar nada a vocês, na medida em que não lhes dê um auxílio para formarem sobre si mesmos este cabedal, porque o resto todo fica no ar. Agora você vê como é delicado tratar disso.

(Sr. –: É delicado, mas é necessário.)

É, mas eu não sei se ouso. Não sei se ouso porque pega em pontos tão delicados, que não deveriam aliás ser tão delicados, mas que são, que quando se trata de assuntos desses ou eu evito, ou eu trato com cuidado com que eu trataria de dinamite.

Agora, como é que eu posso aqui começar a fazer uma análise da situação que eu entrevejo apenas e não vejo, de a, b, c, x? Eu concordo, eu transbordo de boa vontade para fazer, mas isso suporia de nossa parte uma preparação de humildade e de despersonalização nesse sentido de não ficar personalista, apegado, que seria uma preparação moral, de caráter propriamente moral, e vocês todos sabem bem como isto é delicado.

Depois naturalmente podia vir esta pergunta: “Quem é o senhor para se julgar árbitro dessas situações? O senhor vai medir todas essas coisas em parte, em função do seu ambiente. Como é que é seu ambiente, que já não existe mais, porque a Revolução e o passado tragaram esse ambiente, como é que o ambiente nos veria? Agora, o mundo contemporâneo nos vê assim? O senhor não está representado parâmetros exclusivamente paulistanos, exclusivamente brasileiros? O que é que vale para mim que sou de tal cidade ou de tal país, esta tabela que o senhor está introduzindo? Introduzindo?! Introduzindo a la senhor, pam, é isso!”

Por exemplo, a brincadeira muito espirituosa que o Paulo Henrique fez sobre a sardinha com arroz, podia vir uma pergunta: “O Senhor Doutor Plinio não está achando um horror só por que é fora de seus hábitos? O senhor conta que em sua casa fazia cuscuz, e que o senhor comia cuscuz com toneladas de arroz. Agora, será que neste cuscuz não entrava sardinha? E de vez em quando não entrava portanto arroz com sardinha no seu prato? É só porque era feito nas casas de famílias que o senhor, cujo

(…)

(Sr. –: O senhor tem toda razão… o modo com que o senhor tocou a Reunião de Recortes hoje foi diferente pelas pessoas que havia. Eu gostei enormemente, eu achei que foi uma reunião que o Senhor fez para europeus e eu me senti absolutamente à vontade. Foi uma reunião lógica, grave… Isto daria para ser reduzido a explicações. Mas em outras reuniões… em que a gente não sabe por quê?)

Sim, meu filho, mas para vocês conhecerem as regras têm que partir da observação fria e real de vocês.

(Sr. –: Mesmo para esse caso, dos italianos?)

Realmente não, mas você ficaria na superfície, para descer até o fundo a coisa é diferente.

(Sr. –: Sem isto não haverá Reino de Maria, ou haverá com outros.)

É verdade.

(Sr. –: Mas a matéria que o senhor tem é a que está em volta do senhor…)

É, é claro.

(Sr. –: É um pouco aflitiva a situação então.)

Eu, como de costume, estou pondo o preto sobre o branco, com toda a lealdade.

(Sr. –: Se o senhor pudesse indicar o caminhar como seria por aí…)

O caminhar que vocês deveriam tomar é o seguinte:

(…)

(Sr. –: A pergunta foi feita para pedir uma teoria da ação… Para conhecer bem isto nós tínhamos que ter uma noção do que nós éramos, em função um pouco do meio do qual nós éramos, nós vínhamos, para nós podermos entender que foi da noção que o senhor tinha de si próprio e do meio que o senhor nasceu, é que o senhor formou essa visão de como atuar.)

Ou seja, a teoria da ação supõe uma teoria da situação.

(Sr. –: Esbarra-se num problema moral… o reconhecimento dessa situação. Isto visto, aí o senhor poderia tratar de toda a questão da ação.)

Não, isto visto, eu dei um modo pelo qual era possível eu fazer uma análise destas situações, sem as pessoas ficarem demais feridas. Que este modo consiste em compreenderem uma certa teoria de tradição que não é absoluta, que não é uma regra para todo mundo; das variedades das tradições; do incompleto em todas as tradições, em função de uma certa idéia católica de tradição perfeita, que nunca existiu na realidade, mas que é um pólo para o qual nós devemos tender todos, e que daria um modo menos pessoal de carregar…

Então não seria o seguinte: eu comparo com você, faço esta crítica, mas é, eu que sei que tenho lacunas, falando com você quero que você ouça as suas lacunas, bem, com vistas a uma tradição absoluta que não existiu, mas que foi um ideal para o qual o mundo caminhou durante algum tempo. É o ideal católico.

Não acham que isto está bem?

(Sr. –: Magnífico.)

Bem, então pegamos isso como cabeça de ponte, se Deus quiser para o sábado que vem. Se bem que me tenha assaltado neste momento um receio singular, vejam como as coisas são difíceis, que eu não sei se é tentação ou não é, mas uma espécie de contrição assim: Não haverá mais reunião de sábado!

(Sr. –: E por quê, Senhor Doutor Plinio?)

Em função da reunião de hoje à tarde, caos. Veio-me uma contrição, será verdade? Será tentação? Também não sei.

(Sr. –: Por um lado é uma esperança.)

Por um lado é uma esperança. Seria a Bagarre que chegou, mas chegou um tanto prematuramente para nós.

(Sr. –: Ah! Mas de qualquer maneira que chegue, é melhor que chegue, não é?)

Eu acho que sim.

Há momentos minha Mãe…

(Sr. –: Se o Senhor pudesse rezar… para que isto não ocorra.)

Vou rezar. Rezemos três Ave Maria já.

Ave Maria…

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