Conversa de Sábado à Noite – 15/8/1987 – p. 8 de 8

Conversa de Sábado à Noite ─ 15/8/1987 ─ Sábado

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Comentário de uma foto da Senhora Dona Lucilia: Serenidade e calma dentro do infortúnio * A foto que deu origem ao quadrinho: “Ite vita est” * Foto da Senhora Dona Lucilia vendo a folhinha do laboratório Carroerba * Muita segurança e nada “heresia branca” * “O tempo inteiro que eu estava com mamãe, era como se fosse um sino tocando em louvor dela” * Comentário de Dr. João Paulo: “Aqui em casa, papai a gente trata muito bem, mas o entusiasmo é por mamãe” * O Senhor Doutor Plinio descreve a morte de Dr. Antônio e a reação que teve a Senhora Dona Lucilia no momento dos funerais * No momento em que Nossa Senhora ficou Mãe, a condição de mãe recebeu um acréscimo sobrenatural que a nobilitou no universo inteiro * Durante a graça de Genazzano o Sr. Dr. Plinio pensava: “Como o amor materno de mamãe é parecido com o de Nossa Senhora, embora com diferenças de grau insondáveis”

* Comentário de uma foto da Senhora Dona Lucilia: Serenidade e calma dentro do infortúnio

procurando perfurar uma certa névoa da inteligência que já está vindo. Ela está aplicando a vista com força. Não sei se notam a força da personalidade. Mas ao mesmo tempo, a serenidade, a calma. Eu considerando isto!

Depois, de dentro do infortúnio. Ela já surda. Um aparelhinho que servia de algo, mas, enfim! E quase não vendo nada. Com que ânimo ela procurava ver a coisa, examinar, etc. Mas ao mesmo tempo, um equilíbrio!

Eu acho uma foto! Um equilíbrio mental e temperamental de primeira ordem. Dentro da provação, dentro da dor. É impressionante!

* A foto que deu origem ao quadrinho: “Ite vita est”

Esta está um pouco menor. Deixa eu ver um instantinho.

Para mim ─ com olhar de filho ─ cada uma dessas que aparece, parece melhor que a outra. Porque aí ela não está aplicando mais a vista, nem a inteligência em nada do que ela ainda não sabe. Ela está vendo o que ela já sabe, ficou para trás. Ela está olhando a vida que foi para trás, e o que vem. Ela está aqui tranqüilamente entre a vida e a morte. Mas com uma dignidade, uma coisa…

(Sr. J. Clá: Mais especificamente, foi esta que deu origem ao quadrinho.)

Ah, foi!? Mas aqui tem alguma coisa que ainda é mais do que o quadrinho. Nesse Ite Vita est ─ como o padre diz no fim da missa. Ite Vita est. A minha vida já se foi. Já está feita, já está vivida, com dignidade. Foi sofrido o que era o caso de sofrer, mas também já está tudo cumprido. Agora, resta apenas dar o último passo.

(Sr. G. Larraín: Está olhando mais para o que foi?)

Um tanto para o que virá também, mas como quem diz: “O grande problema que o que já foi, já foi. O resto não pode deixar de ser…”

(Sr. G. Larraín: Um fundo de alegria?)

Paz! Uma alegria nascida da dor. Não é pura e simplesmente dizer alegria. É uma alegria que a pessoa ─ é alegria de quem está olhando as flores da dor! No fim da vida ela está colhendo as flores da dor. É isto: “Eu sofri aquilo, eu sofri aquilo, mas está tudo feito, bem aplicado, bem arranjado, vai indo. Alguma coisa não está bem, mas está bem porque Nossa Senhora arranjará”.

Isto assim ela vai tocando!

(Sr. G. Larraín: No quadrinho, tem um pouquinho mais de alegria?)

Tem mais.

(Sr. G. Larraín: No quadrinho, um pouco, já passando quase ao outro lado da morte.)

Não. Eu não interpreto bem assim. Eu diria quase o contrário: É quem ainda não dá a vida tão como inteiramente acabada.

Aqui não, está acabada mesmo.

Quer ver os modos de ser. O modo de estar jogado o xale, que aliás está aqui. Mas o modo de estar jogado o xale sobre ela, é um modo de estar jogado que foi a tal Emirene que pôs. Era uma tonta, mas ela dá não sei que coisa que o xale está compondo. Mas a gente tem a impressão que isto do lado de cá representa a vida que foi, e ali a pouco que resta a viver. A caudal da vida que já foi, e de outro lado é o pouco da vida que resta viver.

Depois, que eu acho que o cabelo prateado dela, não é uma aréola de ouro, mas a prata que lhe fica melhor.

Eu acho! Enfim, para o meu olhar de filho…

* Foto da Senhora Dona Lucilia vendo a folhinha do laboratório Carroerba

O que que mostram aí para ela?

[O Sr. João mostrou.]

(Sr. J. Clá: É uma folhinha de um laboratório italiano Carroerba.)

Ah, magnífica!

(Sr. J. Clá: Eu apanhei a folhinha porque ela tinha pedido para indicar as poses. Disse:

Será que a senhora poderia segurar esta folhinha na mão?

Ela disse:

Como não?!

Então, ela fez a pose de quem está lendo.)

Eu sei bem ─ aí tem o seguinte ─ ela está tomando esta posição para comprazer, mas ela não está vendo o que ela está olhando, porque ela já estava com a catarata tão adiantada que ela via muito pouco. E a prova disso é que ela tinha deixado de usar óculos. Mas eu não quis sujeitá-la a operação de catarata nesta idade. Uma operação que a pessoa tem que enfrentar acordada. Nesta Idade! Porque é arrancar o cristalino, acordado, nos dois olhos. Depois ainda fica uns dias com esta venda assim. E ela surda. Eu achei melhor deixar.

O médico me disse ─ ela sentada no oculista. Ele me disse baixinho:

O senhor deixa ela assim?

Ele queria fazer a operação. Eu disse:

Eu deixo.

Ele disse:

Bem, o senhor é o filho.

Eu disse:

É isto mesmo.

Eu sei, porque eu conhecia perfeitamente. Ela não estava vendo.

* Muita segurança e nada “heresia branca”

(Sr. J. Clá: Eu pedi a ela se não poderia olhar um pouco as flores.)

Ah! As flores chegavam muito mais perto da vista.

(Sr. P. Paulo: Com docilidade.)

Ah, completa!

Mas não sei se vocês notam o seguinte: “No meio disso muita segurança! Uma pessoa muito segura de si. Não é insegura não. A coisa é como é.

(Sr. G. Larraín: Muita noção de quem ela era.)

Muita. Monsieur Emerry não tem nada.

Aqui está mais tomada por uma tristeza. E uma tristeza até um certo desacordo por algo. Ela está se lembrando de alguma coisa que foi mal feita, etc. E ela ainda está no “baque” de uma contestação, alguma coisa que ela se lembrou, e que ela teve uma luta. E como de costume, nas lutas dela, uma luta que não lhe saiu melhor. Quer dizer, a outra parte não cedia o que ela queria.

Bem, é isto!

* “O tempo inteiro que eu estava com mamãe, era como se fosse um sino tocando em louvor dela”

(Sr. P. Paulo: … que tenha sido possível estas fotos. Que bênção!.)

Ah, eu me consolo nisso! Elas nunca teriam sido possíveis se não fosse aquela diabete que eu tive. Porque eu estava na cama, e vinha gente falar comigo etc., etc., e que saiu tudo isto.

(Sr. G. Larraín: É impressionante. Fazia tempo que não via estas fotos.)

Eu mesmo estou achando mais impressionante do que de costume! Não sei se notam, esta posição de braço é uma…!

(Sr. G. Larraín: Muito parecido com o senhor.)

Isto eu não sei.

(Sr. G. Larraín: O senhor herdou inteiramente dela.)

Não foi por falta de querer bem! Vocês pensam que têm idéia, mas não têm, de quanto eu queria bem a ela. Que eu queria bem a ela de modo inimaginável. Entende?! Não era nem um pouco uma adoração; nada. Mas eu queria bem a ela de modo inimaginável! Também não dava para menos.

Depois, era uma miscelânea de muitíssimo afeto, e de muito respeito. O respeito que eu tinha a ela era enorme!

Mas João, eu não estou conseguindo explicar o que é essa espécie de pau aqui atrás.

(Sr. J. Clá: É o Sagrado Coração de Jesus.)

Não, não. É que eu estava vendo a sombra.

(Sr. G. Larraín: E nesta aqui?)

Ela está numa posição vizinha à anterior, mas como quem absorveu a coisa, e está deixando andar. É a posição que ela está.

Quantas dessas fotos você tem João?

(Sr. J. Clá: Oito.)

Aqui, vocês não faziam idéia como o apoio sobre este braço, depois, esta posição das mãos dá a impressão de uma pessoa que é forte. Você vai ver o olhar, é um sol de bondade. Uma coisa extraordinária.

(Sr. G. Larraín: Vendo estas fotos, depois vendo o senhor, a pessoa entende o profetismo.)

Vocês não podem ter idéia. Vocês pensam que têm idéia, mas não têm.

Vocês imaginem que um jato de luz que bate assim de frente, inunda uma coisa. Assim era o meu afeto por ela. Quer dizer, batia nela perpendicularmente. Eu a queria intensamente bem, mas in-ten-sa-men-te bem! Não havia intensidade em mim maior para querer uma mera criatura humana. Não havia intensidade maior possível!

Depois, eu manifestava a ela torrencialmente, agradava, dizia coisas amáveis. O tempo inteiro que eu estava com ela, era como se fosse um sino tocando em louvor dela. O tempo inteiro. Não parava!

Ela tomava isto, como está tomando aqui.

* Comentário de Dr. João Paulo: “Aqui em casa, papai a gente trata muito bem, mas o entusiasmo é por mamãe”

Meu pai às vezes ficava meio enciumado ─ sem dizer nenhum… ─ mas vocês conhecem a criatura humana como é. E então ele dizia assim, imitando o sotaque português. Dizia para ela meio de brincadeira: “Não te derretas!”

Mas eu percebia que ele queria que eu dissesse alguma coisa para ele. Eu tratava a ele muito bem, com muita atenção, com muita cortesia. Mas a diferença era enorme! E uma vez ele disse: “É. Aqui em casa, papai a gente trata muito bem, muito direito… Mas o entusiasmo todo é por mamãe, não é?!”

Eu…

Eu via aí que ela estava prestando muita atenção. Fazendo seus cálculos de tudo o que eu dizia.

Às vezes ela dizia: “Porque é que vocês não dizem isto para Nestor?”

Que era o tal cunhado que ela queria salvar de todo jeito. Uma coisa que tio Nestor nem alcançava. Ela também não entendia bem, mas achava que pondo aquilo para o Nestor ouvir, que bombardeava o Nestor para o Céu. Não era, ela estava enganada. Mas, enfim, era a idéia dela.

Então ela ouviu, e o desfecho era: “Porque não diz estas coisas para o Nestor?” Que ela compreendia que… podia ser.

(Sr. G. Larraín: O facho de luz de afeto era nesse estado de espírito assim?)

Agora, com uma diferença sem limites: O que eu quisesse estava feito. Depois, muito respeito até por coisas minhas que ela não entendia. Quando ela teve aquele sonho ─ não está gravando não é?..

(…)

É uma coisa que ajuda… Não quero que grave…

(…)

[Entra a imagem de Nossa Senhora de Fátima ─ Jaculatóriaa.]

Mas eram as coisas.

Eu nunca contei a vocês, mas peço que não contem a ninguém…

(…)

* O Senhor Doutor Plinio descreve a morte de Dr. Antônio e a reação que teve a Senhora Dona Lucilia no momento dos funerais

calendário. Mas desse calendários com folhinha. Compravam disso e ele mesmo pregava na parede. Ele ia falando assim, fazia um cálculo alto: “Tanto de tanto… nove fora tanto, me resta tanto para viver”.

Quando chegou o ano de mil novecentos e tanto ─ eu não sei que cálculo ─ porque mil novecentos e nove, não sei como é que se presta, para o nove fora que é o que ele queria morrer.

(Sr. –: Sobra um.)

Sobra um. Para ele morrer, deveria ser 1908 ─ o ano que eu nasci. Ele não disse isto. Quando chegou 1909, ele faz um cálculo e disse:

Esse ano eu morro.

A senhora dele lhe disse:

Não Totó ─ Totó era o modo de se chamar aqui no Brasil, tudo que chame Antônio ─ Totó não diga isto. Onde é que você está com a cabeça?

Esse ano eu vou morrer.

Algum tempo depois, ele estava almoçando, ou jantando, e olhou para o pulso dele e viu que a veia estava muito saltada, latejando. Então ele ─ estava só a família em casa ─ ele colocou um faca que estava perto, em cima da veia e disse: “Olhem como está se movendo esta faca. Isto quer dizer que eu vou morrer”. Era uma vaga idéia de pressão arterial alta que ele tinha, mas não havia aqueles aparelhos para se tirar pressão.

Então ficaram horrorizadas, etc, e disseram. Mas a medicina não dava volta nesse caso.

Aí ele foi para Santos, já com a idéia que talvez morresse em Santos. Mas a família toda ─ como ele era um homem muito forte ─ achou que isto passava.

Numa manhã ele saiu para ver um negócio ─ ele era advogado, e tinha uma grande firma de café em Santos ─ saiu do hotel e foi lá para ver o negócio.

Depois ─ sei lá ─ passeou no centro da cidade de Santos, e quando ele estava numa loja comprando ─ não se sabe o que ─ ele teve um desmaio. E então o dono da loja, o pôs deitado sobre o balcão. Ele aí, já fora de si ─ o pessoal de um lado para o outro ─ e o dono da loja telefonou para um serviço de saúde pública para pegá-lo. Não conhecia ele, e alguém que passou era conhecido dele. Olhou, parou e disse: “Ué, não é o Dr. Antônio Ribeiro dos Santos que está lá?”.

Foram ver os papéis, era. Arranjaram um jeito e levaram para a casa de um amigo que morava ali perto, deitaram e coisa e tal. Mandaram chamar o filho mais velho dele em São Paulo e etc.

Mas, notem que durante todo esse tempo, não avisaram a família. Minha avó em Santos, mamãe em Santos. Não avisaram. Dá a impressão que é para não chamar padre. Mas ele também não pediu. Não consta que tenha pedido.

Ele estava deitado na cama, e no quarto ao lado tinha várias pessoas, porque aí começaram a chegar conhecidos. Encheu o quarto de conhecidos. Todos conversando. Em certo momento ouviram chamar: “Gabriel, Gabriel” ─ o filho mais velho. O filho mais velho entrou e disse: “Papai o que o senhor quer?” Ele fez um sinal que estava indisposto, depois morreu.

Bem, aí tudo que podem imaginar: Mamãe não estava em Santos. Mamãe estava em São Paulo com papai. E subiu para São Paulo o trem para fazer o enterro no dia seguinte. Mas naquele tempo, era tudo feito com cerimonial que hoje não tem. Trem para levar um cadáver, precisa ser um trem especial. E já vinha carregado de flores, e se avisava a todos o conhecidos pelo telefone.

De maneira que no dia seguinte, o enterro esteve colossal.

Então, ela contava que ela estava numa casa, que ela tinha à pouca distância ─ a casa onde eu nasci. Há pouca distância donde vovô morava, que é a tal casa da Rua Barão de Limeira, onde depois passei toda a minha vida.

Chegou a certa hora, ela se vestiu ─ porque ela não conseguia andar! Mas, ela vestiu-se, etc. Meu pai mais um tio dela saíram com ela para irem um meio quarteirão. Mas diz que ela estava num tal estado de emoção e tristeza que ela não conseguia andar.

Então esse tio disse a papai: “João Paulo, você veja, ela não anda. Não é possível nós levarmos até a casa do pai dela. Não anda. Nós temos que levá-la para casa porque é inútil.” Papai disse: “Realmente, nós vamos levá-la. Você quer voltar para casa?” Ela fez que sim, como quem diz: “Não há remédio, eu vou”.

Então levaram para casa. A empregada ajudou a deitar-se e etc. Ela nem teve coragem de ver o cadáver do pai. Foi um “baque” tremendo.

Porque este homem ─ como você dizia há pouco ─ com tantas coisas contra ele, entretanto exerceu sobre ela um efeito benfazejo, não há duvida nenhuma. Mas ao máximo.

(Sr. G. Larraín: Lado de Patriarca.)

Não tem dúvida. Depois, fatos da vida dele, que ela contava; que eu já contei a vocês. Esses fatos falam a favor do homem. Mas, de outro lado… A gente não sabe.

Uma coisa é, quando eu disse a ela uma vez, o que eu faria com ela se ela ficasse protestante. A naturalidade! Ela nem pestanejou. Uma coisa horrorosa o que eu disse para prová-la. Nem pestanejou!

* No momento em que Nossa Senhora ficou Mãe, a condição de mãe recebeu um acréscimo sobrenatural que a nobilitou no universo inteiro

(Sr. G. Larraín: Ontem conversando com o Sr. João, sobre a capelinha…)

Você assistiu à Missa hoje aqui?

(Sr. G. Larraín: O Sr. João contou que a intenção primeira da capelinha era tê-la feito para ela. Foi antes do estrondo. Nesta capelinha está Mater Boni Consilii, mas tem uma presença dela muito grande. Se o senhor pudesse mostrar a relação dela com Mater Boni Consilii…)

É. Aí tem muita coisa misteriosa. Muita coisa misteriosa…

(…)

Nossa Senhora, é Mãe por excelência. O arquétipo de mãe é Nossa Senhora. Então, entre Nossa Senhora e todas as boas mães há uma espécie de nexo, que toda ─ vamos dizer ─ que a partir do momento que Nossa Senhora ficou Mãe, eu tenho a impressão que a condição de mãe recebeu um acréscimo que não vem da natureza, mas vem do sobrenatural; e que nobilitou a condição de mãe no universo inteiro. E que todas as mães que conservam alguma dignidade, algum conceito católico de mãe ─ dentro da tradição católica do que é mãe ─ todas estas mães tiveram, e terão até o fim do mundo uma espécie de superávit além da graça comum. Alguma coisa mais especial para serem mães inteiramente como deve ser. Como Nossa Senhora foi. E na linha do que Nossa Senhora foi.

Isto para mim é uma coisa líquida.

Como por exemplo, pela Encarnação do Verbo, todos os homens tomaram uma dignidade maior. Então, por exemplo, eu creio ─ eu nunca li isto em teólogo nenhum, estou pronto a dobrar a língua, com alegria, diante do ensinamento da Igreja ─ mas eu tenho a impressão, que a partir do momento em que Nosso Senhor nasceu, eu tenho a impressão que as realezas se tornaram mais sagradas. Que as condições de professor, se tornaram mais doutorais. Que as condições de militares, se tornaram mais heróicas. E que toda a vida humana, recebeu em acréscimo sobrenatural que começou a perder quando a Revolução estalou.

Esta hipótese me agrada enormemente, que é um dos lados de onde vem o Lumen Medioetatis, vem disso.

Então, quem foi mais exímia mãe, tem um nexo com Ele, com Nossa Senhora, mais especial. E quanto mais extraordinariamente tenha sido mãe ─ mais de algum modo ─ num sentido simbólico da palavra, mas num sentido também vivo; que essa participação com o Coração Materno de Maria, lucrou alguma coisa. E isto era muito intenso nela.

* Durante a graça de Genazzano o Sr. Dr. Plinio pensava: “Como o amor materno de mamãe é parecido com o de Nossa Senhora, embora com diferenças de grau insondáveis”

(Sr. G. Larraín: O olhar da Senhora Dona Lucilia está colocado num ponto que lembra muito Nossa Senhora de Genazzano. Que é muito parecido. Não há alguma relação? Porque as duas estão olhando seus filhos.)

Eu precisaria pensar. Essas coisas são muito delicadas, e a gente não deve ser calvinista. Mas também não deve ir assim, no primeiro entusiasmo. É muito delicado, eu preciso pensar.

Eu, toda a vida tive daquela imagem de Nossa Senhora de Genazzano, a idéia: “O que pinta ali das relações de Nosso Senhor com Nossa Senhora, é uma espécie de consonância de intimidade tal, que eles nem precisavam falar. Que estavam sempre meditando e consonando numa mesma direção. E que Ela toca nEle, e O carrega. E Ele se deixa carregar por ela, com um naturalidade que representa o amor da Mãe e do Filho de um modo admirável, modo arquetípico”.

Assim é que a Mãe Perfeita amou o Filho Divino. Foi assim. E todo o amor de filho para mãe, se repete de algum modo assim, em graus diferentes. Porque exatamente a partir do momento que Ela ficou Mãe, houve isto; este deslocamento.

Agora, até que ponto situações concretas, supervenientes, podem estar dentro disso?

Eu me lembro o seguinte: eu me lembro bem do sorriso e da carícia dEla quando eu tive aquela comunicação. A ali me passou pela cabeça essa idéia. Não na hora, mas depois. Disse: “Como o amor materno dela é parecido, embora com diferenças de grau insondáveis”. Isto me passou pela cabeça.

(Sr. G. Larraín: Porque a capelinha sem ela, não tem de onde tirar essa bênção.)

Isto são coisas que o futuro dirá, explicará. Mas não é ilícito fazer hipóteses. Aliás o colorido da capelinha hoje durante a Missa, esteva uma maravilha.

Aliás, com a má memória que tenho, eu comecei a ver aquela história, e no primeiro momento eu disse: “Mas onde é que será que o João arranjou um foco de luz tão bom como esse aqui?”

Bem, depois como se espalhava luz pelo quarto, estava uma coisa extraordinária. Mas em certo momento caiu-me na cabeça: “É a ágata. É mesmo. A luz do sol varando a ágata, e produzindo aquela… É uma claridade! É uma coisa extraordinária!

Meus caros, vamos rezar?

Há momentos minha Mãe…

(Sr. J. Clá: … parecia a Sagrada Imagem.)

Eu não via porque estava de costas.

Domina Nostra Fátima…

Nossa Senhora os ajude!

eu já mandei recado a D. Espiridião que eu não posso ir lá amanhã. De maneira que eu tenho a tarde livre.

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