Conversa
da Noite ─ 30/05/87 ─ sábado .
Conversa de Sábado à Noite ─ 30/05/87 ─ sábado
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O Sr. Dr. Plinio tem sede de transcendência. O Reino de Maria não será um paraíso na terra, mas será um reino em que o gênero humano estará apaixonado pela transcendência * O Senhor Doutor Plinio tem um desejo enorme de um mundo em que tudo reluza segundo a Cruz e segundo o Paraíso
…então não é a razão pela qual eu tenho tratado disto com vocês ultimamente? É propriamente o meu fundo de alma sobre o Grand-Retour.
(Sr. –: É isto.)
* O Sr. Dr. Plinio tem sede de transcendência. O Reino de Maria não será um paraíso na terra, mas será um reino em que o gênero humano estará apaixonado pela transcendência
Em última análise acaba sendo o seguinte: É que eu tenho uma espécie de sede de me encontrar num ambiente onde a transcendência de Deus, a transcendência incriada e absoluta de Deus, e a transcendência criada e portanto relativa de Nossa Senhora, mas depois todas as transcendências que há na criação, refletindo de Deus, nas relações entre os Anjos, entre os homens, dos Anjos com os homens, depois dos homens entre si, e na ordem espiritual, e na ordem temporal, e enfim, tudo o mais, tudo o mais, tudo o mais, depois nos três reinos, animal, vegetal e mineral.
Bem, que todas estas transcendências sejam, vamos dizer, postas de tal maneira em foco, que continuamente a gente tenha em vista isto.
A transcendência nunca brilha em abstrato, é como a luz física. A luz não brilha em abstrato, não há assim uma espécie de floco de luz, independente de foco, e que fica pairando no ar brilhando. Não existe isto. Existe a luz, um foco que irradia, mas este foco tem as suas qualidades próprias, que outro foco não tem, de maneira que a luz varia de uma luz para outra luz.
São Paulo diz: Stella difert stella, uma estrela difere da outra. As transcendências diferem entre si.
De maneira que a transcendência da rosa, que para usar a frase banal: “É a rainha das flores”. É mesmo. A transcendência da rosa, entretanto debaixo de um certo ponto de vista, é derrotada pelo cravo. Vocês todos devem ter visto certos cravos, que a gente diz: Rosa o que foi feito de ti? Tulipas. Há tulipas que francamente não há o que dizer. Orquídeas, mas as há. Orquídeas chamadas pingo de ouro, por exemplo, é uma coisa magnífica.
A gente diz: Rosa o que foi feito de ti… Ipês, alguns ipês.
A questão é que a gente depois vê a rosa, e ela… afasta todo o resto, com uma naturalidade, com uma cordialidade, com uma estima por aquilo que ela está afastando. E tão, tão perfeita. Mas é tão natural que seja ela e nada mais, que ela não empurra para longe, ela quase que atrai em torno de si as outras, e sorri. Mas é a rosa!
Há na rosa alguma coisa de acabado de fini, de perfeitamente harmônico, de uma beleza mais feita de charme do que de beleza propriamente dita.
Você veja, por exemplo, tulipa. Eu sou um grande apreciador de tulipa, mas muito. Mas a gente compara com uma rosa que tenha bem charme, a tulipa não resiste. Ela é muito dada a cálice para pôr licor dentro. Ela é um encanto, a tulipa, mas não é a rosa.
A rosa é alguma coisa… tanto é que Nossa Senhora é chamada a Rosa Mística. Não teria sentido chamá-la de Tulipa Mística, ou Cravo Místico, ou Orquídea Mística. Não vai, agora Rosa Mística, e ali está chamado como devia ser… Depois mais, hein! Vejam o adjetivo “místico”.
O que é místico, é sobrenatural, transcende todo natural. É místico. A palavra místico perdeu muito quando lhe tiraram o “y”, mas no tempo que ela tinha o “y” o “y” era o perfume gráfico da palavra rosa. “Rosa Mystica”!
Depois, é uma coisa engraçada com a Ladainha de Nossa Senhora, a maior parte das pessoas que rezam, não sabem o que significa nada daquilo, mas rezam com uma devoção: Rosa Mystica, Turris Davídica, Turris Ebúrnea, Domus Aurea, Foederis Arca, Janua caeli, Causa nostra laetitia… lá vai daí para diante. É uma genialidade que há na disposição, na escolha de cada aclamação, e depois no dispô-las, que um analfabeto qualquer ouve falar isto: “Aaaaah! Rosa Mystica…” Ele não sabe o que é, mas fica encantado.
QuÀ cum ita sint, como gosta de dizer o Castilho, posto que estas coisas sejam assim, a gente vê que as transcendências são mais ou menos como as torres daquela igreja da Praça Vermelha, São Basílio, Igreja de São Basílio.
Assim há um jogo de transcendências, irmãs, mas que brincam com a beleza e que vão subindo para o céu, que acho uma maravilha.
Esse desejo da transcendência é o desejo que eu teria enormemente se visse um gênero humano épris, apaixonado de transcendência, e todo procurando as transcendências em tudo, e portanto a maior perfeição em tudo, a maior beleza, a maior ordenação, a maior santidade antes de tudo e de mais nada.
Eu imagino o Reino de Maria assim, desde que o Reino de Maria não seja imaginado como um paraíso na terra. Seria decepcionante, que depois de 1987 anos de ter Nosso Senhor Jesus Cristo nascido, que depois disto ainda houvesse católicos que gostariam de ser bons católicos, e que estão imaginando que deva haver um paraíso na terra. Não! Onde Ele morreu, e sofreu o que sofreu, há uma frustração enorme se cada um de nós não encontrasse uma cruz. Isto não tem conversa, tem que haver uma frustração enorme.
* O Senhor Doutor Plinio tem um desejo enorme de um mundo em que tudo reluza segundo a Cruz e segundo o Paraíso
Sem embargo do que, a gente imaginaria um ambiente de transcendências, mas em que até se vê como figura mais transcendente, na ordem não da pessoa, que aí é Nossa Senhora, abaixo de Nosso Senhor é Nossa Senhora, mas na ordem dos símbolos, a cruz preta, nua e seca de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma cruz tão terrível, que Ele nem está crucificado ali. É a pura cruz, na aridez, na secura, na dificuldade, no fracasso, no abandono, etc., posta de pé, e aberta para todos os ventos, para todas as tempestades, e vazia, Ele não está mais lá.
Ele era, apesar de reduzido ao último da dor, Ele era a flor da Cruz, tirado de lá… está bom, é ali.
Então, em torno da Cruz um mundo de transcendências, em que a seriedade dá o fundo de quadro de tudo. Mas é um brilho, uma força, uma alegria, uma coisa extraordinária, isto é o mundo que eu quereria, e como eu quereria.
Todos nós podemos imaginar, quanto eu acho isto que nos cerca diferente do que eu estou dizendo. E a ponto de eu não poder dizer nada de tal maneira a diferença é colossal.
Mas eu não oculto que me custa ver, corta a alma ver, que nós propriamente não somos assim, e que nós temos condescendências de toda ordem, com coisas que não são assim dentro de nós. E a minha esperança, é que em determinado momento, se nós chegarmos até a hora “H”, bem humilde, produza assim uma explosão deste espírito em nós: Emitte Spiritum tuum et creabuntur. Et renovabis faciem terrae.
Eu aspiro a isto, não sei… A Escritura tem uma porção de comparações poéticas: como o pardal não sei o que, como o outro bicho não sei o que, como não sei o que, assim nós esperamos o Céu. Mas antes do Céu, eu esperava que este destino especial que tem o mundo, de reluzir tudo segundo a Cruz, e segundo o Paraíso, somados, presente, e reluzir com as graças de todos os reluzimentos, isto é uma vontade enorme.
Um mundo portanto, onde com a cruz houvesse justiça, houvesse seriedade, houvesse o trabalho, houvesse a luta e houvesse a força. A força em todos os seus graus, posta ao serviço da justiça, mas houvesse a força. Um mundo imensamente sério, portanto. Mas alegre, jovial, a Idade Média, mas de lá para frente. Muito mais, isto é o que eu quisera.
(Sr. –: A certeza propriamente do senhor, do Grand-Retour, qual é o ponto onde nasce esta certeza no senhor?).
É, é difícil dizer.
(…)
* Só mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo poderia afirmar: “Eu sou Deus”
…o historiador não era uma sumidade ele próprio, mas era um historiador sério, que estas revistas, “Historia”, “Miroir”, etc., eles selecionam muito. Contrabando não entra, então diz:
“Eu não sei verdadeiramente como é que na lista das sumidades, não se coloca antes de tudo, Aquele diante do qual as sumidades dobraram os joelhos, e que fez uma coisa que ninguém ousou fazer até hoje, dizer: AEEu sou Deus AF.”
É, é evidente, por exemplo, para este pessoal muito ignorante assim, eles pensam que Buda se fez passar por Deus, Maomé se fez passar. Não se fizeram passar por Deus nullo modo. Buda existiu, etc., mas não se fez passar por Deus, ele se fez passar por um homem que tinha comunicação com Deus, etc., etc. O que tem é que ele não aceitava Deus transcendente, então ele julgava-se uma partícula de deus, como tudo era uma partícula, como, não sei, uma unha de gato que caia no chão, participa de deus.
Isto é uma outra coisa, é muito diferente dizer: “Deus é transcendente, e eu tenho em mim toda a transcendência de Deus”. Quem é que ousa uma coisa destas? Cai na gargalhada. Vou dizer uma coisa: não há nada que possa mostrar mais a insignificância de um homem, do que dizer: “Eu sou Deus”.
“Eu sou Deus”. Nosso Senhor Jesus Cristo se mostra tão calmo, é claro, Ele é Deus. Não tinha percebido, não?
Uma criança toma sem discutir: “É Deus”. Um velho afirma sem dúvida: “É Deus”. As duas pontas da vida.
Bem, são estas coisas assim…
(…)
…realmente eu disse [dorn??] por engano, é [berg?], no [Starlebergnzein??].
(Sr. –: Onde Luiz II morreu).
(…)
…por toda a parte, o fascismo, o nazismo e congêneres, floresceram mediante uma espécie de…
(…)
…ou para abafar um ressurgimento de um renouveau católico. E entre os protestantes tinha alguma coisa congênere. Aleijada, estropiada, mas enfim alguma coisa congênere.
Quer dizer, havia portanto, um apelo, um desejo destas coisas enorme, que o mundo todo desejava.
* Tentativas do Senhor Doutor Plinio para trazer ao Grupo alguns rapazes das melhres famílias de São Paulo
Hoje, vindo de Jasna Gora, eu ainda me lembrei de um malefício horrível feito por este tipo de gente. Eu acho que já contei isto a vocês: Havia um grupo de rapazes, novos, assim uns dez anos mais moços do que eu, uma diferença de idade insignificante em comparação com a distância de idade que há entre vocês e eu, e vagamente poderiam ser chamados de minha geração. Dez anos de diferença, vagamente podiam ser chamados de minha geração.
Estes rapazes eram rapazes inteligentes, alguns das melhores famílias de São Paulo, até das melhores dentre as melhores, ricos, etc., que tinham uma certa atração pela TFP, queriam dar-se conosco, etc., e tal, e imediatamente que eu vi isto, eu me pus em termos de contatos com eles, etc., etc. A mãe de um deles se dava com mamãe, estas coisas assim que facilitam as coisas.
Uns ou outros que não eram deste ambiente, tinham a vantagem de serem muito inteligentes, mas muito inteligentes, e fizeram carreira por aí depois…
(…)
…e eu mandei convidar estes rapazes, não por mim, como convite meu, eu mandei gente do grupo convidá-los. Eles foram todos a este banquete, etc. E havia uma aproximação, para nós, ultra, ultra-esperançosa.
Em certo momento, eles entraram para o movimento integralista, e no movimento integralista sabia-se que eu estava no combate oficial, porque “O Legionário” publicava coisas contra o integralismo. Eles tomaram as atitudes mais violentas contra nós, por causa disto. Quer dizer, no dia em que o Getúlio proclamou o “Estado Novo”, o Estado fascista que ele proclamou aqui no Brasil, isto foi em 1937, quando ele proclamou o “Estado Novo”, todo mundo dizia que Plinio Salgado ia ser chamado para chefe de Estado, o bom “Salazar” do Getúlio.
Eu recebi telefonemas ameaçando-me de agressões, de morte, etc., e eu desconfio que este grupo estava metido nisto, de ódio.
Eu durante este tempo inteiro, eu disse contra o Getúlio o que eu entendia, contra o Getúlio não, contra o Plinio Salgado. Escrevi contra ele, vocês sabem disto, fiz um relatório contra ele, sabem esta história toda. E este relatório era a razão mais próxima de quererem me matar. Eu continuei a viver.
Mas sempre eu tomei o cuidado de nunca dizer uma coisa que envenenasse em nada as relações destes rapazes conosco, porque eu tinha esperança de que algum dia Nossa Senhora ainda os atraísse para nós.
Houve um passo assim, porque quando o Getúlio fechou o integralismo, eles mesmos me contaram, gente lá deles me contou que eles ficaram com pavor do que faria “O Legionário” contra eles. O que publicaria, etc. Eles achavam que “O Legionário” ia subir as grimpas. Se tivesse querido, subiria, porque D. José chegou a me oferecer uma audiência com o Getúlio para conversar as coisas com o Getúlio, e ele oferecia audiência a quem ele sabia porque oferecia. Ele sabia que ele obtinha.
Eu por causa destes rapazes, tomei um atitude política, que era a de sacrificar a política do “Legionário”, para conseguir atraí-los a nós, e não fiz uma coisa a favor do Getúlio, não fiz um elogio porque o Getúlio tinha fechado o integralismo. A partir do momento em que o integralismo foi fechado, o “Legionário” não falou mais do integralismo.
Então, este rapaz contou que no primeiro domingo depois de fechado o integralismo, que eles foram: “Vamos ver no AELegionário AF o que é que vai sair, vai ser uma coisa de esquartejar”. Abriram: “Não, foi coisa de paginação, jornal pequeno, não teve tempo de publicar nada, vai haver pancadaria no domingo que vem”. Domingo que vem, nada. “Mas é extraordinário, o que mudou lá?!” No outro domingo, nada. Então eles disseram: “Não, nós temos que nos render às evidências”.
Alguns deles tinham escritório no prédio onde eu tinha escritório também. Antes disto, quando nos encontrávamos, eu cumprimentava sempre amavelmente, e eles com respeito, mas distantes. Um dia, embaixo do elevador, quando o elevador chegou no hall do hotel, eu ia sair, eles me disseram:
─ Plinio, você quer nos dar um instante?
Eu disse:
─ Pois não, o que vocês querem fazer? Querem subir? O que vocês querem fazer?
─ Não, não, aqui mesmo, nós podemos resolver nosso caso.
─ O que é que é?
─ Nós viemos dizer a você que damos a mão à palmatória na presença do que você fez, porque todos nós estávamos convencidos de que você estava vendido. Por mais monstruoso que seja, um católico de Comunhão diária como você, estar vendido, nós não encontrávamos explicação para sua atitude. Mas acontece que sua atitude prova uma honestidade tal, que nós não podíamos deixar de dizer a você que nós retraímos o que dissemos, então sabemos que caluniamos a você.
Eu poderia ter dito a eles: “Não é a mim que vocês devem dizer, vocês devem dizer isto aí àqueles junto a quem vocês caluniaram, porque conheço a justiça de minha posição. Vocês não vão mudar nada em mim porque me dizem isto, vocês devem dizer isto…” Mas não disse.
Assim, não os abracei propriamente, mas bati com as mãos nas costas dos que estavam mais próximos de mim, etc., etc.
Apesar disto, ficou uma barreira tão profunda, que passou-se mais ou menos, vamos dizer um tempo “X”, e casou-se um parente meu, e eu encontrei um destes rapazes, um irmão exatamente deste que você conheceu, encontrei neste casamento, e conversando assim com uns e outros eu me pus em condições de que o movimento natural das pessoas, levasse a ele estar perto de mim, e nos encontramos.
Daí a pouco nos encontramos. Cumprimentamos amavelmente, etc., etc., e eu disse:
─ Bem, “fulano”, agora chegou o momento de nós unirmos força ─ o Getúlio estava tomando um sentido esquerdista ─ chegou o momento, o comunismo vai ser um perigo, etc., etc., etc.
Ele me ouviu com a cara impassível. Quando terminei ele me disse:
─ Plinio, agora é tarde.
Depois eu soube que ele tinha entrado para o partido comunista, mas no “agora é tarde”, ele reconhecia que ele tinha estado em direção a isto. Que houve tempo em que. Evidente, não é? Não foi possível, afundou no comunismo e sumiu.
Ainda outro dia teve uma coisa, um espanholzinho qualquer, quis vir para o Brasil, e foi tirar passaporte no Consulado, na Embaixada, e o funcionário brasileiro meteu a lenha na TFP, aconselhou que não viesse, que absurdo, etc., etc.
Então, o Pedro Paulo me grafonemou, ou escreveu, enfim, o fato chegou ao meu conhecimento documentadamente.
Eu fiz uma carta ao embaixador brasileiro lá contando, e protestando vivamente contra a coisa, etc., etc., que eu não toleraria uma coisa destas, e coisa e tal, que eu protestava, bababá, com uma certa cortesia, mas foi. Mandei a carta, e excessivamente ocupado, eu não tomei o trabalho de ver qual era o nome do embaixador. Disse, ponha o nome do embaixador em cima e mande. É um erro que o Mário Navarro nunca cometeria. Meu muito querido Mário Navarro.
Eu pensei que não respondesse, porque a carta era muito puchada. Recebi uma carta muito atenciosa: “Exmo Sr. Professor, Doutor Plinio Corrêa de Oliveira, etc., eu recebi, etc., reconheço que tem toda a razão, já chamei à ordem o funcionário tal ─ eu não sabia o nome do funcionário, ele declarou na carta, funcionário tal, tá-tá-tá, etc. ─ e com isto queria lhe apresentar minhas atenções…”
Eu ainda aí li em diagonal a carta, por excesso de ocupação eu não li a assinatura. Algum tempo depois me disseram que era um dos indivíduos deste grupo, que tinha ficado embaixador do Brasil na Espanha, e que isto era o reflexo ainda, desta admiração longínqua.
Aí eu escrevi uma carta a ele: “Meu caro fulano, me desculpe, é indesculpável, mas você sabe como é a vida ocupada, etc., eu queria dizer a você que tive muito gosto…”
Uma carta muito amável, e a coisa ficou por aí.
Bem, mas para vocês verem que espécie de gente era atraída por esta coisa.
Todo este longo parênteses era para ver que espécie de gente, entre parênteses, referindo-me a uma conversa nós dois, para você ver o que eu fiz para atrair esta gente ao grupo. Isto é um exemplo entre cem mil.
* Se os participantes desta reunião tivessem correspondido à graça, o Grupo seria outro. A esperança está no “Grand-Retour”
Agora, isto, para voltar ao caso do profetismo, indicava que era uma coisa, um anseio individual meu, mas que fermentava em muitos, mas que eu sentia que alguma coisa tinha rumo nesta direção… [Vira a fita]
…se tivessem correspondido à graça, vocês teriam preenchido muitas vagas, que ficaram vagas. É preciso notar isto. Mas quanto tempo vocês perderam, depois perderam de que modo? Em que condições? É preciso ver de frente. De que é que adianta não ver?
Depois as coisas eu digo assim um pouco rápido, porque também está ficando muito tarde ─ il y a Monsieur le valet qui veut dormir tôt, cet un droit humain, protegé par loi, donc il faut avoir tout sorte de respect envers au dort??]… Mas enfim, para dizer a coisa um pouco depressa, está compreendendo?
Se tivesse havido isso, eu não sei até onde as coisas iriam, mas com uma reserva, que seria preciso que um grande número de pessoas tivessem o fervor que deveriam ter tido.
Você vê um exemplo com o São Bento e o Praesto Sum. O São Bento e o Praesto Sum fizeram no Grupo uma coisa de uma dificuldade tremenda, que é reviver flor murcha…
(…)
…mas eles são mais moços, a quase totalidade deles, não a totalidade, mas a quase, em condições inferiores, etc. Irromperam dentro do Grupo por um tufão. Em ponto muito pequenino se poderia dizer: Emitte Spiritum tuum et creabuntur. Et renovabis faciem terrae.
(Sr. J. Clá: Depois das graças que o senhor obteve no Desastre.)
Isto é conjetural. Pode ter sido isto, coincidiu que fosse, etc.
Mas, deixemos isto de lado e vamos ver a coisa como é:
Se simplesmente vocês tivessem correspondido à graça, eu não sei a coisa até onde teria ido.
(…)
…por incêndio, em que uma parte da torre levou raio, a torre inteira levou ventos, os mais devastadores, e que continua em pé pelo equilíbrio das partes que a constituem. Ela não é uma ruína de torre, mas… é uma coisa que está suspensa para não ser uma ruína por circunstâncias…
Nisto há [algo] de bonito, que pelo menos está sendo possível dizer a vocês.
O João sabe bem, a uns filhos que eu quero muito, mas muito, como são os da Martim, são os da Pará, o que eu tenho dito.
(Sr. –: Não há o que falte.)
Não há o que falte.
Digo com muito respeito, com muito afeto, vocês vêem bem como eu trato a eles. Depois outra coisa, eu estou continuamente dando tarefas a eles, dando serviços a eles, etc., para os manter na, na… homem eu não sei o que é que eu não faça. Mas tenho dito coisas de todo o tamanho. Isto é assim.
Depois é uma coisa curiosa, hein! Estas coisas… é assim: por que é que estas coisas se quebrando, não se reconstituem?
O dom de chamar gente ─ a vocês foi dado que isto aproximou-os muito mais de mim ─ o dom de chamar gente não lhes foi dado. Teriam tido, mas não lhes foi dado.
Porque em toda a parte onde existem grupos assim, uma esclerose, um fechamento, uma coisa “do arco da velha”.
O grupo de Curitiba floresceu quando esteve lá o Poli, no começo com vocês ia tendo lá florescimento, depois não foi. Depois outra degringolada, com o Antoine parece que vai indo bem, mas também não é a gente que vocês atrairiam.
(Sr. –: O pessoal que deveríamos atrair, com eles aconteceu uma tragédia…)
E não adianta, meu filho, vir com a idéia de recompor, reunir esta gente. Não vai, passou.
(Sr. –: Com eles houve um anoitecer… a firma, a família…)
Dinheiro.
(Sr. –: É uma espécie de apagar das coisas…)
Então é o que aconteceu com estes integralistas. Mesmo este que foi professor do João. Você vê que…
(Sr. –: Qual é a esperança no meio de tudo isto, Dr. Plinio?)
O Grand-Retour. Nós voltamos ao começo da conversa.
Você veja, por exemplo, o grupo do Chile. Eu acho que os que estão dirigindo o grupo do Chile, são muito bons. O Juan Antonio eu acho muito bom. O Raul del Corral, é uruguaio, é muito bom rapaz. Está integrado na direção lá do grupo. O Felipe Lecaros, este chileno mesmo, é muito bom rapaz, mas é muito bom rapaz, mas já não é a mesma coisa.
Outra coisa, você, se quiser olhar a coisa de frente, tem que reconhecer, que salvo uma coisa inteiramente especial de Nossa Senhora, não haverá um recrutamento deste gênero.
Veja em Belo Horizonte, o que nós fazemos para reviver aquilo é do outro mundo.
(Sr. –: Vi hoje uns doze. São todos de nível operário…)
Tem o seguinte. Não há neles nenhum destes operários que salpicam e vão para o alto.
São coisas que a gente deve respeitar, vocês devem agradecer, eu agradeço a Nossa Senhora do fundo do meu coração, que vocês estejam aqui. Diga-se entre parênteses, com muito afeto, mas também com quanto esforço meu. Mas estão aqui, eu agradeço a Nossa Senhora do fundo de minha alma.
A coisa é tal, que, por exemplo, está aqui o Gonzalo…
(…)
…não adianta nada, mas ele remexer um pouco a terra para quando chover, a terra receber melhor aquela água. Nem sei se isto existe na agricultura, mas é uma metáfora.
Bem meus caros, “Há momentos minha mãe…”
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