Conversa da Noite ─ 10/1/87 ─ Sábado . 14 de 14

Conversa de Sábado à Noite ─ 10/1/87 ─ Sábado

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Em tempo de tranqüilidade o Senhor Doutor Plinio não é menos militante do que em tempo de luta * Há no Grupo uma crosta de rejeição à “Bagarre” que por vezes o Senhor Doutor Plinio consegue diminuir, mas que a vida de rotina tende a aumentar * A cólera do Senhor Doutor Plinio chegou ao auge, sendo impassível de crescimento * Há um estado de espírito de total desprevenção face à vida, pelo qual a coisa boa é sempre a mais provável. O Sr. Dr. Plinio é todo feito do contrário deste estado de espírito * O estado de alerta permanente é a virtude da Contra-Revolução * Os que seguem os homens providenciais, têm uma especial obrigação de ser a luz reflexa do homem providencial. Não duvidarem nunca, nem sequer interiormente

Aquela pedra estava outrora numa posição melhor, dá idéia de uma chanfrura, qualquer hora eu chego lá e arranjo. Aqui está melhor do que estava, qualquer hora eu chego aí e eu mesmo ponho no lugar adequado, agora vamos cuidar de outra coisa.

Sedeatis.

Bom, vamos aos nossos temas, meus caros.

(Sr. Guerreiro: A pergunta tem relação com o almoço de hoje.)

O que é isto, vocês já estão informados do almoço de hoje, é?

* Em tempo de tranqüilidade o Senhor Doutor Plinio não é menos militante do que em tempo de luta

(Sr. Guerreiro: Todo este assunto do caos, acontecimentos inteiramente inesperados e o senhor citou a questão das três rachaduras: No Vaticano, na Rússia e nos EUA. No contato com o senhor a gente constata que na medida em que grandes catástrofes estão por vir, as certezas do senhor aumentam e a gente têm impressão de que o senhor lança estas certezas para pontos mais altos, e o senhor também fica com mais ânimo. Se o senhor pudesse explicar o porquê disto. A gente sente assim, não sei se o senhor sente assim.)

Ave!

Meu Caio, Nossa Senhora o ajude, meu filho. Senta aí.

Sedeatis.

Quer dizer, eu nunca me observei debaixo desse ponto de vista, de maneira que eu preciso fazer um certo esforço de memória, de introspecção para dar a você uma resposta bem exata.

Porque eu sinto que o que você diz é verdade, mas acho que a coisa é um pouco mais matizada do que você apresenta. Poderia apresentar-se assim: Você toma, por exemplo, um homem que dirige a guarnição de uma fortaleza. Nesta fortaleza moram guerreiros que estão entregues a fazer isso todos os dias, mas suponhamos que sejam bons guerreiros, que estão efetivamente lutando, dispostos a lutar etc. Nos períodos que não tem luta, estes guerreiros trabalham, então eles limpam uma coisa, acertam outra, arranjam outra, completam, constroem mais um apêndice para garantir mais a fortaleza etc., etc. Mas levam uma vida que se poderia dizer mais calma. Agora, basta que o inimigo se ponha à vista deles, ao menos o perigo do inimigo chegue a eles por uma notícia certa, que todas as aptidões militares deles vêm à tona e eles se apresentam nas ameias do castelo com valor ainda redobrado.

Bem, nossa alma é assim, a alma de todos nós, nós somos o dono de uma fortaleza que se chama Gonzalo Larraín, João Clá, Coronel Poli, etc., etc. Até Fernando Antúnez e Plinio, pode dar a volta, e nós temos uma deliberação estável, firme etc. de havendo guerra, enfrentar, enfrentar até o fim, é uma constante.

Bom, normalmente isto transparece na pessoa, mas transparece com menos clareza do que quando o inimigo está perto, o inimigo está perto, o guerreiro convoca todos os seus soldados, ou o chefe convoca todos os seus guerreiros, o que quer dizer isto?

Ele convoca todas as aptidões de sua alma, todas as possibilidades de seus recursos, ele convoca todos para entrar na luta.

Bem, ele dá então para os outros uma impressão de estar muito recrudescido na sua combatividade, no seu valor militar, na sua perspicácia etc., etc., e se lança à luta. Eu compreendo que seja muito edificante, perfeitamente.

Agora, até que ponto é real que ele de fato esteja recrudescido nas suas disposições, até que ponto isso não é senão a apresentação ─ a palavra apresentação não está bem ─ um vir à tona de uma coisa que estavelmente é sempre assim?

Esta é a pergunta.

Eu tenho a impressão de que comigo é estavelmente assim, à qualquer momento, a qualquer hora, de qualquer jeito, eu, sendo necessário, convoco os meus quatro ou cinco guerreiros e vou para a luta. Mas acho que isto aparece muito mais e é legítimo que apareça, porque no exercício da guerra se vê a qualidade militar, ela vem à tona. Como tudo que vem à tona, se torna mais visível, mas acho que em tempo de tranqüilidade eu não sou menos militante do que em tempo de luta.

É um pouco decepcionante, porque o quadro que você descreveu é mais bonito, mas eu sou obrigado a dizer a coisa como ela é. Em mim é assim. De maneira que o que há de real, isto sim, é que na presença do adversário, a vista dele estimula em mim, não, me proporciona conhecimentos novos, ainda que seja de matizes ou de pormenores, de odiosidades que há nele. E estas odiosidades novas, o por onde mais eu devo odiá-lo, isto aumenta o cumprimento das garras. Aí sim há uma coisa de verdadeiro. Mas que depois, não desaparece na hora do repouso.

Eu suponho que fique no estado máximo de oposição a que eu fiquei no auge da batalha. Isso eu suponho. Não sei se foi clara minha exposição, se foi clara minha resposta.

Acho-os tão quietos que tenho impressão de que saí com uma “sem-gracês”, mas eu tenho que sair com a verdade. Me perguntam, eu tenho que dizer como é.

(Sr. Guerreiro: Parece que quando o perigo se faz, o senhor sente uma satisfação especial em enfrentar aquele novo perigo.)

É, em algum sentido sim, mas como eu amo a Causa e não desejo para a Causa, de nenhum modo, um risco, eu ao mesmo tempo fico com uma vontade louca de pôr a Causa salva do risco. O que se dá fazendo ofensivas, e matando na cabeça quem atacou. Não se dá não lutando. Aí está o perigo? Eu vou por cima dele, acabar com ele.

(Sr. Guerreiro: Quando o senhor descreveu os acontecimentos para 87, o senhor comentava e sente uma esperança e nos transmite uma esperança mais carregada do que habitualmente.)

Aí você tem razão, aí, quando se trata, aí você tem razão a cem por cento.

Quando se trata de uma mudança de quadro na luta, e que eu vejo que a gente entra por uma nova etapa que representa uma maior proximidade da Bagarre, com maiores entreveros, entrechoques, mas também mais perto da hora suprema e que Nossa Senhora vai vencer, eu tenho uma posição militante que é dupla, uma é de me jogar em cima deles, mas outra é internamente esfregar isso no nariz da “nhonhozeira”, a qual “nhonhozeira” constitui para nossa vitória um obstáculo muito maior do que vocês talvez possam imaginar, é um obstáculo terrível.

Então, por exemplo, da última vez, vocês talvez tenham notado uma coisa análoga ao que está dizendo o Guerreiro, quando falávamos hoje cedo…

(…)

* O advento do caos teve como efeito benéfico quebrar nos espíritos a falsa idéia de que tudo no mundo é estável

flancos novos. Chegar a hora suprema realmente aí é uma coisa diferente, não é qualquer luta, é a hora suprema que está chegando, então agora chegou a hora de acertar as contas, vamos ver etc., etc., está perfeito.

Acrescido de um outro lado que é o seguinte: É que eu acho que o bem espiritual que à vista do caos pode nos fazer a nós, é uma coisa colossal. Porque nós vivemos da ilusão de que há um sólido fundo de lógica e de bom senso nos acontecimentos que tem por autor o gênero humano e que há uma normalidade geral da natureza que começa por existir na alma humana, mais ainda do que nos astros, e que não permite que as coisas cheguem além de um certo ponto, e que portanto, sobretudo à vista dos descobrimentos científicos e geográficos e de toda ordem do século passado e deste século, o homem chegou a uma tal evidência da necessidade de ser racional que não é dada à natureza humana conspurcar-se a ponto que ela se reduza ao tribalismo. Isto não vai acontecer, é uma vie d’esprit, é uma coisa que edifica e que por causa disso é dita, mas que não é real e que não se toma isto tão a sério quanto eu digo.

Este lado é inteiramente errado, eu acho que quando o homem apostata, ele é capaz das maiores loucuras, nenhum resíduo de bom senso, de razão permanece nele. E menos ainda num povo quando apostata, e menos ainda numa área de civilização inteira, de vários povos quando apostatam, não fica o menor resíduo.

Um exemplo frisante disso foi Salomão, escreveu o Livro da Sabedoria! E se jogou naquela coisa, é incalculável! Bem, e que qualquer um de nós ─ y compris, eu mesmo, é claro ─ somos capazes de, se não abrirmos os olhos, nos jogarmos nesse abismo e que portanto tudo isto é instável na medida em que não seja firmado em propósitos religiosos com fundamento sobrenatural, muito definidos, muito firmes etc.

Esses são dois modos de ver o mundo aí fora que existem dentro do Grupo. O meu modo, por excelência, é este que eu estou dizendo. Acho que não é possível levar a severidade de vistas sobre o mundo mais longe do que eu levo, quer dizer, eu não concebo que metafisicamente seja possível levar mais longe. Depois há um degradé dos que vêem isso menos e menos, e menos, e menos e há aqueles que não vêem nada. Bem, por culpa deles, mas não vêem.

E acho que o quebrar neles este erro, mostrando que de fato até lá pode chegar a humanidade e que a nossa está adiantada neste caminho ─ tem mais isso ─ eu acho que isto é essencial para que a TFP esteja à altura da imagem que ela dá de si nas nossas cerimônias.

E que as cerimônias impulsionadas por nosso entrain geral ainda dêem mais do que elas dão, mas assim como os abismos aos quais os homens rolam são incomensuráveis; as atitudes a que eles podem subir também são incomensuráveis.

Era possível dar mais, não parecia, era. Tanto é que deu!

* No fundo, a pessoa não tem fome da “Bagarre” porque não quer ver de frente os efeitos do pecado original e do pecado de Revolução no gênero humano

(Dr. Caio: Do Natal para o Ano Novo já houve.)

É, alguns dias! Mais ainda, hein, eu acho que uma cerimônia prepara a outra, mas há uma coisa terrível, hein, de passagem, porque não é o nosso tema, mas é o seguinte: A cerimônia vivida como eles viveram, a cerimônia faz com que cada um prepare a ascensão da outra; mas quando não é assim, é o contrário, cada uma prepara a decadência da outra! Porque vai ficando mais mecânica, mais autômata, automática e “plan-plan-plan”, entende?

Mas é o seguinte, as coisas são assim: Na medida em que a pessoa crê que nós vamos para o caos e não alonga o caos, não mede o caos como mais distante do que de fato ele está ─ são duas condições ─ na medida dessas duas condições acontece que a pessoa tem esta chama presente. Quer dizer, quand même qualquer um que é meio pobre nesta chama, vocês encontrarão no fundo esta carência. Ele não tem fome de Bagarre, ele não crê na Bagarre, porque no fundo não faz do gênero humano, dos efeitos do pecado original, dos efeitos do pecado de Revolução um juízo com toda a precisão que a História manda que se faça. Não quer fazer, a vida se torna incômoda, as desilusões se acumulam, as tristezas formam pilha, ele então não quer fazer e então a chama decai.

E para ter a chama alta, olhe para este lado. Então eu fico muito contente quando eu posso, vocês devem ter sentido isso na conversa do almoço de hoje [em] que se abria este horizonte. Aí esta descrição que você fez há pouco é cem por cento verdadeira.

Então não é em qualquer luta, mas é em uma determinada situação das lutas por excelência.

* O Sr. João narra dois episódios em que, durante a doença de 67, o Senhor Doutor Plinio manifestou sua combatividade

(Sr. João Clá: E que o espírito de luta do senhor faz um só com o senhor mesmo quando o senhor passa pelas situações mais difíceis. Aqui no quarto, antes do senhor ir para o Hospital Sírio-libanês, o senhor estava com 39,5 de febre ─ isto em 67.)

Foi por ocasião da diabete?

(Sr. João Clá: Sim, o senhor se sentia mal.)

Muito, [organismo?] envenenado.

(Sr. João Clá: O senhor tinha o hábito de lavar o rosto duas vezes antes de se deitar, o senhor tinha que lavar no próprio quarto.)

Não podia me mover.

(Sr. João Clá: Trouxeram ao senhor uma bacia, tinha umas toalhas sobre o colo. O senhor Dizia: “Ah, minha Mãe, minha Mãe, quanto eu seria feliz se no momento de eu me encontrar convosco pudesse Vos dizer que daqueles que me destes eu não perdi nenhum.)

Isso era a minha sombra: se fosse um castigo, porque eu não fiz tudo?

(Sr. João Clá: Mas aí o senhor levantou um pouco mais as mãos e disse: “Mas quanto mais feliz eu seria se nesse momento eu pudesse Vos dizer… [trecho censurado no microfilme]. Era uma situação mais trágica possível, entretanto o espírito e a luta estavam ali, e o senhor ainda considerava que a felicidade estava nisso.)

Mas é mesmo.

(Sr. João Clá: Depois o senhor foi para o hospital, o senhor [passou] pela operação, amputação etc.)

Eu não percebi.

(Sr. João Clá: Quando o senhor desceu da mesa de operação ia fazendo Ambientes e Costumes, comentando o teto do hospital. Quando o senhor entrou no quarto, estava Da. Rosée, Da. Maria Alice, enfermeiros, e o senhor começou a falar em francês. Estava sem travesseiro por causa da anestesia, com agulhas de soro no braço direito, assim o senhor gesticulava com o direito dizendo que os inimigos iam ver o que ia acontecer, que eles tinham dado um passo em falso muito grande, que agora era só o senhor sair do hospital que ia cair em cima deles. Da. Rosée dizia: “Querido, não é hora disso”.)

Faço idéia.

(Sr. João Clá: “Isso vai lhe cansar, vai lhe abater”. O senhor dizia: “Não, de jeito nenhum, isto é que me descansa”.)

Disso eu tenho uma idéia vaga.

(Sr. João Clá: Nisso saíram os enfermeiros do quarto e o senhor pôde deitar o verbo em português. Elas perceberam que o clima estava quente, então saíram. Assim ficamos os seis membros do Grupo e o senhor. Tal a força do senhor que o senhor foi dando a respeito de cada um o que o senhor imaginava que ia dar durante a “Bagarre” e no Reino de Maria. O senhor deu a volta e chegou a vez do senhor, e o senhor bateu no peito com força ─ isso depois da operação: “O que eu espero para mim no Reino de Maria não é nem governo, nem isto, nem aquilo, mas espero influência… [Texto censurado no microfilme] …não queira aceitar a minha influência, ficará mais negro do que um carvão!”)

Disto eu tenho uma idéia vaguíssima. Eu estava fora de mim, porque aí estava meio delirando, dizendo o meu pensamento, mas delirando.

(Sr. João Clá: O senhor nos via muito abatidos e dizia isso para nos levantar o ânimo.)

Isto para mim se evolou.

(Sr. João Clá: Uma combatividade que tem todas as gamas, todos os campos, todas situações.)

Queira Deus que se mantenha assim, cada vez mais até o fim.

* Há no Grupo uma crosta de rejeição à “Bagarre” que por vezes o Senhor Doutor Plinio consegue diminuir, mas que a vida de rotina tende a aumentar

(Sr. Gonzalo L.: Tenho a impressão de que onde o Grupo tem um erro maior, é uma na consideração do senhor neste ângulo.)

Eu acho que nós consideramos a questão debaixo de dois ângulos diferentes. Eu a considerei debaixo de um ângulo onde o problema é muito autêntico, você considerou debaixo de um ângulo ─ são ângulos legítimos ─ debaixo do qual o problema é menos autêntico. Você considerou os ímpetos contra a Bagarre e autenticidade desses ímpetos, eu considerei a crosta da rejeição da perspectiva da Bagarre e autenticidade desta crosta. Esta crosta é de uma autenticidade inegável. E me alegra que os acontecimentos permitam de arranhar e raspar esta crosta, porque à força de arranhar e raspar, há de chegar um momento em que ela capitule.

Mas é diferente de se eu fizesse esse comentário que eu não fiz, que é esse: 2Vejam como me alegra quando digo isto, notar quanto cresce em todos nós o fogo do entusiasmo pela Bagarre etc., etc.”

Não foi o que eu disse. Eu disse que a crosta se diminuía e que me alegrava muito ver a crosta diminuir.

Eu tenho idéia de que, à força de diminuir esta crosta, venha num momento uma graça, mas é uma graça nova que talvez prepare o Grand-Retour, não sei, que leve até lá.

Agora, que há uma autenticidade de estados de espírito passageiros, mas muito bons conduzindo a isso, eu acho que há. Eu não posso garantir, por exemplo, que aqueles rapazes que fizeram aquela marcha tenham estavelmente a integridade do estado de espírito em que eles estavam ali, pode ter altos e baixos. Mas tem momentos em que aquilo é autêntico neles e não havia ali um grande desejo da Bagarre, não há, mas um real e vivo desejo da Bagarre que de vez em quando sopra na alma deles estavelmente tem uma certa existência neles, eu acho que há.

O perigo, o perigo é exatamente que esta crosta é contagiosa e que todas as tentações que o demônio faz são para criar esta crosta. De maneira que o perigo é que na perduração da vida do Grupo, a rotina acabe revestindo isso de uma crosta. A gente vai ver por que é, é porque subconscientemente a ótica da rejeição do mundo que os fez abandonarem tudo e entrarem para cá, está diminuindo.

* A cólera do Senhor Doutor Plinio chegou ao auge, sendo impassível de crescimento

(Sr. Gonzalo L.: Esta ótica é a consideração da cólera do senhor.)

Eu acho que sim.

(Sr. Gonzalo L.: E não coisas que não são isto.)

Dizer “não”, acho que é um pouco exclusivo demais. É “menos”, o “não” está exclusivo demais. Menos sim. Eu acho que é, acho que deve ser, eu sendo o Fundador e tudo mais, deve ser isto e é isto. E ainda que os outros progridam muito ainda deve ser ─ espero que Nossa Senhora me assegure que seja, me firme nisto ─ deve ser que eu deva estar na frente e que devo ser o leitmotiv principal, eu não mencionei porque não posso mencionar a mim mesmo. Mas uma vez que você põe o problema ─ é razoável que a minha figura faça este papel.

(Sr. Gonzalo L.: Todas as nossas contra-facções nascem por não considerar este lado. Todos os aspectos, por exemplo, ver o espírito aristocrático. Na linha da pergunta do Sr. Guerreiro, a cólera do senhor aumentando, é vendo isso que a gente pode acertar o passo.)

É, e a minha resposta a ele foi: Eu acho que ela já é total, mas se medirem essa totalidade até o fundo eu acho que é a melhor ajuda para aumentar o passo.

(Sr. Gonzalo L.: Mas ela não cresce?)

Eu acho que a pessoa pode realizar em vida, antes de morrer, o teto de algumas das virtudes que deve alcançar, é o normal. Isso é assim. Vamos dizer, comparando uma casa de grande elevação, mas vamos dizer, por exemplo, a vida mística de Santa Teresa chegou a um ponto onde possivelmente não tivesse mais o que crescer, e ainda viveu muitos anos, tinha outras coisas para aumentar.

(Sr. Gonzalo L.: O senhor achou que isso está no topo?)

Eu não vejo ─ com toda a franqueza, falando com toda a franqueza ─ eu não vejo o que aumentar.

(Sr. Paulo Henrique: Uma pergunta.)

Fale com a mesma franqueza com que o Gonzalo [falou].

(Sr. Paulo Henrique: A partir de quando ela atingiu este topo?)

Esse auge não se alcança assim de uma vez só, em certo momento eu conquistei, a gente vai por um lado da montanha, a gente sobe e põe um ou dois homens em cima, depois do outro lado da montanha sobe e deixa mais cinco, e assim até lotar o alto da montanha de guerreiros que ocupam e disparam a partir dela. Há, portanto, um chegar ao alto da montanha que é meio processivo, uma parte da gente já chegou e outra parte não chegou. E para falar com toda a franqueza, acho que no Colégio São Luís eu mandei alguns guerreiros para o alto da montanha.

E acho que de lá para cá tenho enchido a montanha com mais alguns, tenho a impressão que não cabe mais. Agora desde quando? Eu compreendo a pergunta, não censuro, mas me espanta porque eu também não me perguntei isso. Em certa hora constatei. Quando foi? Eu também não sei, mas está cheio o alto da montanha.

Vamos dizer, por exemplo a pureza: A pureza a pessoa pode levar a pureza ao seu topo, seu auge e ainda ter outras virtudes em que subir.

Ele agora…

(…)

compreende pela interação em todas as virtudes, eu não estou dizendo que quando uma virtude chega ao topo, ela não cresce mais, eu quero dizer que, especificamente no que diz respeito a ela, a carreira dela está terminada, pode desenvolver-se pelo efeito de circunstâncias colaterais, isto sim.

O que quis falar é daquela marcha em reto específica daquela virtude. Não sei se estou claro.

* Há um estado de espírito de total desprevenção face à vida, pelo qual a coisa boa é sempre a mais provável. O Sr. Dr. Plinio é todo feito do contrário deste estado de espírito

(Sr. Poli: Eu pergunto se com isto o senhor não abriu uma nova vertente dentro do Grupo, dentro do mundo ─ uma hipótese ─ relacionado com o pecado imenso, por onde neste ponto uma vez tocado é uma conquista de cúpula.)

Eu precisaria pensar um pouco mais, assim de momento não saberia responder, mas eu tenho a impressão de que no pecado, hipotético, do príncipe hipotético, no pecado imenso entraria certamente isto. Lembra-se daquela atitude dele, o querer despir-se de seu aparato real etc., etc., e lançar-se como um fauno, pela natureza afora, gozando a simplicidade esplendorosa que Deus põe na natureza e rejeitando adornos, belezas etc. Neste estado de espírito teria ─ quer dizer, é lógico que tenha, não teria assim hipotético ─ é lógico que ele tenha como corolário o seguinte: que assim como o homem não tem que se diferenciar tanto da natureza porque a natureza é amiga, é boa, ela serve como habitat para o homem, ele não precisa se distanciar tanto dela, não precisa se adornar tanto para ganhar distância em ralação a ela e subir. Assim o homem virtuoso em relação ao comum dos homens, não deve achar-se tão superior, nem deve achar-se tão ameaçado, nem tanto, nem os outros o levam tanto para baixo, nem os outros estão tão embaixo, nem o pecado dos outros é tão tremendo quanto a gente acha quando a gente chega na via dos castelos de altas ameias e das cerimônias de grandes adornos. Não sei se a correlação está clara.

Quer dizer, há uma atitude de desprevenção diante da vida, de otimismo, uma política de uma fortaleza que tem habitualmente as pontes levadiças baixas, para os quais o bom é o provável, e provavelmente todas as coisas acontecerão bem. É um estado de alma e este estado de alma leva o indivíduo a esperar da natureza que ela lhe seja amiga como era de Adão e Eva no Paraíso. E que ele se adorne muito menos, porque tudo isto, vamos dizer, quatro, cinco homens ─ a comparação cabe melhor à moça que ao homem ─ quatro ou cinco moças andando no Paraíso, elas colhem quatro ou cinco flores paradisíacas e colocam nos respectivos cabelos. O comentário é: “Pobre coroas dos reis, [dos] ourives da terra, o que é que sois vós em comparação com as flores que Deus pôs na natureza e que adornam nossos cabelos, se vós sabeis usar melhor as coisas que Deus deu do que as coisas que o homem faz. Olhai os lírios do campo, não tecem, nem fiam; entretanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles”.

Está vendo? É um lírio, na beira de um arranco, e barranco talvez com água suja. De fato qual o rei que teve uma roupa, qual é o tecelão que fiou uma roupa, um tecido comparável à pétala de um lírio?

Então tudo isto é aflição de espírito e vaidade… [Vira a fita]

abaixe a ponte levadiça, encoste de lado as armaduras, sorria para quem esteja no mato. O adversário não está à sua espera para cair em cima.

Não sei se descrevo o estado de espírito dele…

(…)

porque é evidente que atrai, você diz bem, é feroz a atração desse estado de espírito. Portanto, é preciso ter uma prevenção tremenda contra este estado de espírito, porque se não a gente cai mesmo.

Bem, e eu inteiro sou feito desta prevenção, e tenho filhos que têm preguiça de se prevenirem tanto assim. Não sei se dei a explicação.

(Sr. –: O demônio nos pega.)

Pega por aí.

Bem, agora, eu encontro uma tendência enorme para isto que já é…

(…)

* Nossa cólera deve atingir o todo da Revolução, do contrário, nossa Vocação não estará atendida

(Sr. Gonzalo L.: …a relação a Nossa Senhora, a união com Ela de quem chegou ao topo. Seria ter a plenitude da virtude d’Ela, ou aquilo que o senhor pode ter da virtude da cólera d’Ela?)

Ah, a cólera d’Ela, a relação entre a cólera d’Ela e a minha?

(Sr. Gonzalo L.: Isso. E dado a crise em que a Igreja está, as outras virtudes no topo. E isto não seria a resposta ao almoço de hoje? Porque o senhor representa a Ordem na sua totalidade.)

Aí nós teríamos que saber bem direito, antes de responder a pergunta, do que é que nós falamos, porque o topo é uma metáfora, esta metáfora de fato pode aplicar-se a realidades muito distintas. Nós temos que fazer uma certa distinção dessas realidades para podermos andar.

Por exemplo: Eu posso imaginar ─ como chamava aquele santo franciscano que combateu em Belgrado? São Fidelis Sigmarini, se não me engano é ele ─ ele combateu… havia um grande herói católico, um general, como chamava? São João de Capistrano. Bem, este São Capistrano ─ havia um grande general foi quem ganhou a batalha.

(Sr. –: Na batalha de Viena?)

Não, não é a de Viena, é Belgrado.

(Sr. M. Navarro: Acho que foi João [Uniader?])

Bem, João [Uniader?], parece que aliás era um muito bom homem, combateu em entendimentos com ele etc., etc.

Bom, o João [Uniader?] quando terminou a batalha em que eles derrotaram os turcos etc., parece que estava nos costumes dos tempos fazer uma espécie de parada, os soldados se punham em ordem, o chefe vencedor percorria a cavalo. Ele fez questão que São João de Capistrano percorresse as fileiras das tropas ao lado dele, porque diz que os dois tinham ganho juntos a batalha. Porque São João de Capistrano ia a cavalo com o crucifixo, ele não podia usar armas, era religioso e com o crucifixo e pregando etc., etc. semeando o desejo da luta, da guerra, da indignação etc., etc.

Evidentemente dava-se no espírito dele o seguinte fato: É que ele tinha um estado habitual ─ segundo as vias comuns da graça ─ um estado habitual de cólera do adversário, que era um topo onde ele tinha chegado, mas na hora da batalha, para incendiar mais as almas etc., etc. uma graça extraordinária, ou vinha nele e elevava a cólera dele a um grau próprio às graças extraordinárias, então maior ─ não é que não tivesse chegado ao topo, mas maior ─ ou então se poderia dizer que a Providência intervinha estavelmente ─ e não de passagem ─ elevou na ordem da batalha para sito, depois ele ficava nesta ordem, mas onde ele tinha chegado não mais pelas vias comuns da Providência, mas por um sopro da graça extraordinário que o elevou lá.

Quando nós falamos de topo, falamos desse estado estável da graça, não falamos desses estados transitórios que podem tornar-se estáveis, mas que grandes operações extraordinárias da graça produzem, isto é uma coisa extraordinária.

Então, dizendo que eu julgo que essa minha cólera chegou a esse topo, eu estou longe de negar aquilo que pelo contrário eu espero, é que na sua misericórdia, Nossa Senhora me obtenha toda sorte de “capistranadas”, de graças à Capistrano que me sejam necessárias para realizar o que devo realizar.

Portanto, distingamos bem o que é que é uma coisa e outra etc., para nós sabermos bem do que estamos falando. Bem, isto é de um lado.

Agora, de outro lado tem também o seguinte: é que no nosso caso, qual é o objeto dessa cólera? É, em última análise, o pecado imenso, ou o pecado de Revolução como ele se apresenta em concreto nos homens de hoje e como, pelos traços da História, nós percebemos que ele foi desde sua origem.

Falamos a respeito disso ainda ontem no almoço. No século XIV, ou XIII já, [não?] no XIV mais, como é que foi a destruição, a desordenação etc., etc.

Então, este objeto abarca, neste ponto do pecado, é um tal vértice da ordem moral, é um ponto tão sensível no amor a Deus, portanto a Nossa Senhora e a Igreja, é um ponto tão sensível que abarca toda a ordem moral, e instalada ali a ação do demônio, a ordem moral inteira fica tocada.

Então a gente pode ter uma cólera especial, por exemplo, contra a impureza, não sei, outro tem contra a mentira, outro tem contra não sei o quê, não sei o quê, são cóleras. Está muito bem, mas de fato, em nós isto não pode apresentar-se à maneira de uma aula de catecismo, que apresenta muito legitimamente as coisas diferentes. Então tem pecado da mentira, tem pecado da gula, tem pecado, pecados capitais, daquele, daquele outro. Mas é uma coisa diferente que é uma espécie de píncaro de todos os pecados capitais, que é o tal pecado imenso e que nos faz odiar aquele píncaro enquanto píncaro, enquanto presente em todos os pecados, e enquanto encontrando dentro de cada pecado, de cada defeito da alma um apoio logístico odioso.

Bem, então esta cólera tem que atingir o todo. Se ela não é uma cólera de todo, nossa vocação não está atendida. Isto nós sabemos, é bom lembrar.

* O estado de alerta permanente é a virtude da Contra-Revolução

Agora, isto posto, qual é a virtude que nós amamos? Porque é o problema. Qual a virtude que nós devemos amar? É também algo de todo que atinge um ponto tão excelente do amor de Deus etc., etc., que toma a personalidade inteira. E de passagem eu chamo a atenção para o fato de que é uma coisa tão sutil, que até não se pode fazer disso apenas uma matéria de formação espiritual comum, porque é quase impalpável, entretanto é importantíssimo.

E que quando nós de fato relaxamos a nossa oposição ao mundo, relaxamos nossa oposição a este todo de mal do pecado imenso. E diminuímos o nosso amor a este todo de bem, e que portanto o lado palpável para sabermos como nós estamos é ver nossa oposição ao mundo como está. Porque exatamente pela própria sutileza disso, ou a gente se utiliza de sintomas palpáveis ou…

Na medicina tem muito disso, doenças tão difíceis de diagnosticar mas que emitem, entre outros, um certo sintoma fácil de pegar. A medicina toma conta desse sintoma especialmente, porque dá uma via mais certa de conhecer o estado do doente. Assim, na nossa vocação, por ser muito impalpável o ponto, há uma porção de sinais palpáveis e estes sinais palpáveis devem ser objeto especial de nossa atenção.

E então esta espécie de concessividade para com o mundo, para com a ordem externa, esta idéia de que o mundo não está todo posto no demônio, como disse Nosso Senhor, Nosso Senhor disse: Mundus totus positus est in maligno. Esta falta de contínua vigilância, de maneira que nós sabemos que de qualquer um nos pode vir, em determinado momento, a punhalada inesperada, ou a tentação inesperada, porque é assim.

Isso é o estado de espírito, o nosso dar-nos a Nossa Senhora inteiramente é o nós praticarmos esta espécie de estado de alerta permanente, quer dizer, isto chama mortificação pela doutrina católica. Mortificação é isto, é muito menos flagelar-se, ou qualquer coisa do que isto. É a virtude da Contra-Revolução. A virtude da Contra-Revolução é esta.

(…)

* Os que seguem os homens providenciais, têm uma especial obrigação de ser a luz reflexa do homem providencial. Não duvidarem nunca, nem sequer interiormente

numa igreja de um pueblo de um lugar secundário, mas cheia, ele estava pregando, em certo momento ele viu que uma senhora que estava ali ouvindo falou qualquer coisa contra ele, ou pensou qualquer coisa contra ele, foi uma coisa assim. Ele parou e disse:

Senhora, daqui a pouco vai cair o teto da igreja em cima da senhora e matá-la porque a senhora disse ou pensou… pararapam”. A igreja inteira ouviu, antes de cair o teto, morreu a mulher.

São João Bosco ─ o amável São João Bosco ─ pregando, vejam que tempos, um retiro para banqueiros. Tenho vontade de sentar no chão quando penso nisto e começar a chorar. Tudo diferente. Ele disse ─ eram vinte e cinco banqueiros ─ mas ele pregou o retiro para os vinte e cinco banqueiros, ele disse: “Dos senhores que estão aqui, não vão voltar todos para o retiro do ano que vem, um vai estar morto!”

Conhecem bem a fama que ele tinha. Quando se reuniram no ano seguinte: “Como eu disse, falta um…”

Todos sabiam perfeitamente quem tinha morrido, provavelmente tinham ido ao enterro.

Quer dizer, esses, Deus quer, Deus abre o caminho para que a providencialidade d’Ele apareça. Bem, agora, no que diz respeito a outros, eles têm que galgar a montanha das inverossimilhanças.

(Sr. Gonzalo L.: O que são outros aí?)

Outros homens providenciais. De tal maneira que eles são cercados por incompreensões e ninguém vê que eles são providenciais. E a missão deles só se realiza se os outros virem que eles são providenciais. E para estes é uma coisa altamente consoladora que eles ficam cercados desse lusco-fusco por onde meio em certas horas ─ você aludia muito bem isto há pouco ─ em certas horas que você chamava hora de lucidez aparece claramente a providencialidade, e depois em certas outras horas vem tudo que vocês sabem, a constatação dessa providencialidade se empana, fica empanada.

Bem, eles vêem com aquele empanado, não percebem com aquela clareza e nestas horas isto forma uma espécie de fluxos e refluxos. Tem horas em que tudo em torno deles se torna fácil e eles andam, e horas em que as pedras se levantam do caminho para cair em cima deles.

Bem, e para estes há uma consolação, que foi o que se deu com Nosso Senhor, na sua vida terrena o que cercou a Ele foi isto. Ele era infinitamente mais do que um homem providencial que, ele era por assim dizer a Providência, ou era propriamente a Providência, tenho dúvida quanto à correção da linguagem teológica. Bem, mas Ele era Ele, era Homem-Deus, está bom, até reconhecerem que Ele era Homem-Deus, que batalha!

Mas não é só isto, mesmo a providencialidade d’Ele, às vezes aclamavam, e às vezes dormiam. Era isto.

Entretanto é verdade que Ele realizou a sua Missão Divina e se tornou notório em toda a Terra etc., etc., etc. Quer dizer, há homens providenciais e homens providenciais. Mas os que seguem os homens providenciais, têm uma especial obrigação de ser a luz reflexa do homem providencial. Não duvidarem nunca, nem sequer interiormente e andarem.

* Fidelidade do Senhor Doutor Plinio à Igreja e à Idade Média

Eu faço isto e faço com a Igreja, é incrível, não é? Nós que vivemos atacando a “Estrutura”, eu faço isto com a Igreja, mas faço também com a Idade Média, de maneira que certas coisas ─ a Idade Média tem certas coisas que evidentemente não são aceitáveis ─ mas certas coisas que ela fez que são muito bonitas ou admiráveis etc., de repente parece descobrir dentro um defeito, o verdadeiro é não olhar, porque se a gente for analisar assim e olhar o defeito, apaga-se em nós a visão do belo.

O Caio estava dizendo ontem, me chamou enormemente a atenção isto, que a Igreja de Notre Dame tem um aparente defeito de construção entre as torres. Explica um pouco no que consiste.

(Dr. Caio: Parece simétrica na fachada, mas de fato uma das torres é mais estreita do que a outra, para quebrar uma monotonia.)

Medindo se nota. Eu me lembro de mim olhando as torres de Notre Dame, embriagado pela simetria, que só era simetria porque não era. É incrível. Mas se você olhasse isto, voltasse para a casa dizendo a seus amigos, “nós podemos nos gabar de uma coisa, descobrimos um defeito em Nobre Dame”. Perderiam a noção da beleza. É ou não é verdade que se apagava a noção?

Ainda ontem, naquela conversa ontem eu vi isto. Eu tinha uma dificuldade interna enorme, que vocês devem notar que está no meu temperamento, mas com a qual eu não conversava, nunca disse isto a ninguém, mas eu não prestava atenção nisso é como se não existisse, como um mau pensamento: contra os [Jubees??] das igrejas da Idade Média [Jube?] é uma espécie ─ entre a capela Mór e o corpo da igreja, uma espécie de colunata que parece cortar a perspectiva. Dizia

Mas onde é que se viu isto? Este [Jube??] corta a perspectiva da igreja, um absurdo, não se pode pensar nisto…” etc., etc. Está bom, cala-te boca, porque foi a Idade Média que fez isto e a Idade Média não errou.

Ontem me veio uma possibilidade de explicação belíssima, se for esta mesmo uma explicação, estão justificados todos os [jubes??] do mundo. Algumas igrejas da Idade Média tinham o eixo do presbitério, não era continuação do eixo da nave, para indicar a cabeça de Cristo morto inclinada. Pode pôr cinqüenta [jubes??] que eu me ajoelho e beijo cada um. Se é para indicar: et inclinatus capite, eflavit spiritum, eu osculo o que quiser. É uma coisa tal que passa por cima e tudo.

Quando eu visitei a catedral de Toledo, eu encontrei uma coisa e pensei: “Esta é forte”. A catedral de Toledo é lindíssima, mas bem no meio da catedral, aqueles meus bons espanhóis constroem uma espécie e galeria, um quadrado dentro do qual eles põem salas lindas e realizam concílios importantíssimos, mas que é um trambolho no meio da Catedral. Logo me veio na cabeça, eu não terei errado? Eu fui ver lá dentro, era uma coisa que já me parecia da Idade Média decadente declinante, isto deve ser declínio da Idade Média. Ontem na conversa, eu: “Olha lá, eu não deveria ter suspenso meu juízo? Quem sabe se isto tem uma outra explicação lindíssima”. De tal maneira nós devemos suspender nossos juízos.

(Sr. M. Navarro: Isto é conseqüência do Concilio de Trento.)

Assim na igreja?! Naquele lugar?!

(Sr. M. Navarro: O concílio de Trento mandou pôr, praticamente só os espanhóis fizeram, quase todas as catedrais espanholas têm, em obediência ao Concilio de Trento para promover o Ofício dos Cônegos.)

Porque não faziam na Capela Mór, lá em cima?

(Sr. M. Navarro: Pois, é uma idéia muito boa, mas que a Revolução transforma numa droga daquela.)

Bom, mas aí uma infiltração do processo revolucionário dentro do concílio?! O que é meu espanhol?

(Sr. João Clá: São as únicas catedrais do mundo que ainda os Cônegos cantam o Ofício.)

(Sr. Fernando Antúnez: Em Notre Dame cantam também.)

Eu faço idéia como é o canto lá! “Dominús Vobiscúm”! Tenho minhas reservas em relação a isto.

Bem, mas vamos adiante, aí vocês vêem até onde a gente deve suspender o juízo. Não está gravando, está?

(…)

vocês muitas vezes, independente desta reunião, não tivessem suspendido o juízo não estariam aqui.

Escute, que horas são?

(Sr. –: 2:10hs.)

É, daqui a pouco nós vamos ter que terminar. Mas o que é que há?

* Para quem quer ser fiel, a Providência dá um discernimento dos espíritos em relação ao Fundador a fim de que possam ver sua totalidade

(Sr. Gonzalo L.: O que [o senhor] está dizendo é extraordinário. A gente suspende o juízo por uma certa arquitetonia, mas não só haver a suspensão do juízo, mas ser o que o senhor quer que seja.)

Pode ser tratado porque o essencial do assunto se responde num instante, pode ser desenvolvido em outra reunião, mas para dar a pista, portanto não é para não tratar, mas para facilitar de tratar eu indico. É o seguinte: para quem queira ser fiel, a Providência dá uma espécie de discernimento de espírito no que diz respeito ao Fundador, de maneira que a pessoa pega o que é a totalidade dele.

Daí vem o demônio e pergunta ao indivíduo: “No que se funda logicamente essa incondicionalidade?” E se ele não joga com o dado do discernimento dos espíritos que é um elemento de nossa vocação, se ele não joga com esse dado, ele se atrapalha e não sabe o que responder. A resposta é essa: “Eu vi. Portanto não venha com as suas coisas, porque eu vi. Eu vi duas coisas. Eu vi que ele é assim, e vi que quem não quer que eu veja é você. São duas coisas. Mas discerni a graça ali, mas te discirno a ti. E portinhola no rosto, não lhe dou atenção”. De tal maneira há abertura do caminho que o resto da estrada ─ pssitt! ─ vai.

Bom, meus caros, eu comecei a reunião um pouco mais cedo com a intuição, intuí que ia acabar um pouco mais cedo.

(Sr. –: Magnífica reunião.)

Vamos andando. Vamos rezar, meus filhos?

Há momentos minha Mãe…

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