Conversa
de Sábado a Noite (1ºAndar) – 22/3/1986 –
Sábado[Rolo VF36] (Jorge Doná) – p.
Conversa de Sábado à Noite (1ºAndar) — 22/3/1986 — Sábado[Rolo VF36] (Jorge Doná)
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...A marcha do pensamento humano é muito singular, ou ao menos a marcha do meu pensamento. Quer dizer, as vezes eu passo anos, vinte anos, trinta anos com um ponto para explicitar, mas com calma, mas não consigo explicitar. De repente as vezes eu explicito. Essa explicitação é uma produção feita sem fulgurações, sem brilhos interiores, aquilo é mais ou menos como um banco de coral que vem construindo desde o fundo do mar. Em certo momento, com uns milímetros a mais ele aflora, com uns milímetros a menos ele ainda estava em baixo d’água, com uns milímetros a mais ele aflora. Em certo momento que na história do banco do coral é irrelevante, mas que produz esse efeito, que aquilo aflorou e passou a ser uma ilha. De um banco de coral submarino, passou a ser uma ilha, à luz do sol.
Assim também uma longa elaboração pode chegar, de repente, a uma coisa dessa. E, enquanto você falava, exatamente, me vinha por conexão com isso uma afloramento tão fecundo, mas também que conduz tanto a isso, mas tão distante disso, que emaranham um pouco esse ponto central que eu tinha que tratar. Mas eu quero ver se eu apresento tudo de uma vez só. Pode ser com imperfeições, com coisas que depois a gente arranja melhor, dou como me está dentro da cabeça no momento.
Uma palavra que não se aprecia suficientemente hoje em dia, mais ou menos até privada de sentido, é a palavra Absoluto. Ela é mal vista, ela cheira a extremismo político, ela cheira a radicalismo, ela cheira a espírito polêmico, ela cheira uma porção de coisa que tem digo, ela cheira uma porção de coisas que o espírito Yalta detesta, porque o espírito de Yalta detesta, porque o espírito de Yalta e relativista fundamentalmente, de ponta a ponta ele é um espírito relativista e incute um relativismo como uma lepra, até o mais funda da alma humana.
E a idéia de conceito do Absoluto –– que, aliás, não se pode definir, é uma coisa que a pessoa aprende, percebe do que define –– o conceito de Absoluto é um conceito que escapa cada vez mais do gosto das pessoas. Eu ouvia falar, antigamente, em Absoluto, quando se dizia, por exemplo, que ele atingiu a perfeição de certa coisa, entendia-se a palavra perfeição no sentido Absoluto da coisa. Certas formas quase exacerbadas de celeridade tocavam nisso.
Por exemplo, eu creio que vocês não pegaram a celebridade do Caruso, do cantor Caruso. É um cantor –– você com certeza conhece aquela galeria coberta que há em Milão...
[aqui se perde algumas linhas]
...empresários, grande especialista em detectar sementes de celebridade para o teatro, e que viajava pela Europa a procura. E assinalaram a ele que esse cantor de café em Milão tinha uma voz muito boa. Ele foi lá ver o homem, evidentemente, à procura de um cantor, o homem viajava pela Itália assiduamente, não é.
Ele sentou-se, com certeza, ali, e ficou ouvindo o Caruso e viu que o homem tinha um timbre de voz muito bom. Então, quando acabou, num certo momento, ele foi falar com o Caruso, mas se fez apresentar por alguém do Scala onde o Caruso não tinha cantado. Scala é o celebérrimo teatro de Milão.
E ele disse ao Caruso o seguinte: “Sou fulano de tal e posso fazer sua celebridade, mas não é apenas pela propaganda e lhe apresentando boas relações, mas eu vou fazer com que o senhor passe, se o senhor quiser ser célebre, e então será mundialmente célebre, eu faço questão que o senhor passe por uma tortura. Porque o senhor tem idéias sobre o canto completamente erradas. E o senhor elaborou uma série de padrões de canto belo que não valem nada, e que desfiguram sua obra. O senhor vai ter que desaprender tudo o que imagina que está bem e começar a cantar de um modo que o senhor pensa que está errado. Daí se desprenderá em determinado momento uma voz magnífica. Sem minha propaganda, o senhor não consegue essa voz, sem minha ajuda. Com minha ajuda consegue, e lhe dou celebridade. O senhor quer seguir”?
O Caruso achou que valia a pena, e o homem fez o Caruso passar por essa tortura. Deve ser uma tortura horrorosa, porque o sujeito que é cantor célebre naquela galeria, deve imaginar-se cantor célebre no mundo. De repente ele para diante dessa montanha muito maior do que ele e percebe que ele é um torrão de formigueiro. E como é agora? Vou desaprender? Como é, tarátátátá. Fez. E se tornou o Absoluto no canto.
Eu não vi. Eu quase não sou do tempo do Caruso. Quando eu era pequeno, o Caruso ainda cantava, mas creio que já não cantava em concertos, estava velho mais riquíssimo e com uma fama fabulosa.
Foi sucedido por uma tão (Tita Ruffi?), que teve grande fama, mas foi menos que o Caruso, não foi o Caruso.
O Caruso era o canto Absoluto. Mas a idéia que se fazia do canto Absoluto é que há um padrão de perfeição de voz que, em tese, alguém do gênero humano deve poder alcançar. E que esta é, portanto, em si mesma, a voz perfeita. E que é o padrão de todas as vozes. E, que porque ela realiza a perfeição do gênero, ela é o Absoluto do gênero.
[perde-se algumas linhas]
…ganhou a guerra, mas o militar Absoluto, o Rindembourg. A vitória dos Lagos Masurianos, sei lá o que, era o homem. E assim o meu mundo da infância tinham dois padrões que se chocavam: os padrões europeus cheios de absolutos. Orador: Jorréz, e daí para fora. Por outro lado, estadista:Gladstnone, Disraeli, eram os estadistas absolutos.
(Risos)
O que é meu Nelson, pode dizer. O que está causando em vocês?
(Sr. Nelson Frageli: Muita admiração. O senhor traz de volta um mundo que nós percebemos os fiapos, muitíssimo saboroso.)
É como um navio que navegou muito e que traz na quilha ostras das mais variadas épocas e dos mais variados mares. Eu nasci nisso. Esses eram os ecos que eu tinha na minha infância.
A rainha absoluta era a rainha Vitória. Eu, no meu interior protestava, era o Francisco José, o monarca Absoluto. E também não consentia que fosse o Rindembourg, eu tinha xodó pelo Kaiser, enquanto militar. Depois percebi que não. Ele representava muito bem o papel militar, mas ele não era o Rindembourg, nem era corajoso.
Assim o Papa Absoluto: São Pio X. Aliás, é o Papa Absoluto.
Agora, essa idéia do Absoluto exercia sobre mim uma atração enorme por causa de uma coisa que está por detrás desse conceito do Absoluto, que é o seguinte: é uma condição, é um estado, é uma situação na qual a coisa é mesma, possui tudo, tem a plenitude de tudo, e é adorada porque merecer ser adorada por tudo. Eu não tinha muito claro que isto era Deus. Eu tinha a idéia metafísica do Absoluto. Mas o que me ensinavam de catecismo… era tão simples eu ligar, mas infelizmente não liguei, que era Deus.
Enfim, era uma coisa, portanto, que era a perfeição das perfeições, por detrás de todas as perfeições, e tendo de maneira tal que, se Deus combatesse, o Rindembourg seria para Deus uma pulga. Se Deus cantasse, a voz do Caruso seria um miado de gato asmático, e daí para fora, algo tão eminente, tão eminente e existindo por si, e não devendo seu ser a nada, e tendo um modo substancialmente perfeito aquilo. Mais ainda, essa idéia me agrada muito: Deus não é perfeito, Deus é a perfeição, é a perfeição ele mesmo. Mas depois aplicando muito isso, tirando do mero ângulo da reflexão piedosa e aplicando a tudo, de maneira que Ele é absolutamente qualquer coisa que eu goste, em qualquer objeto que eu deite os meus olhos, e que seja um objeto digno de ser gostado, Ele é absolutamente a síntese de toda a perfeição. De maneira que Ele, de um certo modo, fala continuamente, por que Ele diz continuamente. De outro lado ele é um silêncio tremendo. Em Deus a gente vê isso, é uma manifestação continua de si num silêncio que o cerca, que é um silêncio perfeito. Esta idéia do Absoluto, eu vejo muito bem que se situa, expressa assim, essa idéia muito conhecida e muito pobre. Eu dou conceitos aqui que filósofos, etc., teólogos, dão muito mais do que isso, eu dou a coisa muito pobre. Mas expressa, focalizada assim, ela abre muito a idéia para uma sociedade que em todas as coisas quer ver a imagens do Absoluto. E que só se contenta com uma coisa na medida em que essa coisa lhe serve de prenúncio do Absoluto que ela vai conhecer e para qual ela foi feita.
Então, por exemplo, não sei qualquer coisa, a mais comum que possa haver, a gente gosta daquilo em última analise porque Deus é aquilo, a aquilo a gente vai ver em Deus.
Tome naquela mesinha um jarrinho que tem lá, de alabastro. Um de vocês me pegue lá. Está até estragado. Eu precisava mandar colocar ali uma parte. Não tem nada de extraordinário, é uma peça bonitinha.
Isto faz pensar, não quero dizer que tenha sido assim, me faz pensar num liquido grosso que foi assim, que em certo momento, por uma baixa de temperatura enorme esfriou e se petrificou de maneira a ser assim. Então aqui ficou um liquido petrificado. Seria uma imaginação.
Agora, tomando os vários contornos disso, a gente percebe que havia, dentro desse liquido hipotético, uma força que remexia elementos meios heterogêneos e tirava deles efeitos de beleza à cada momento. E que isto seria um instantâneo que em determinado momento fixou um aspecto de milhões de belezas a que isto teria dado lugar, teria dado ocasião sucessivamente.
Mas isto mesmo vem a idéia de que algo, por detrás, resultou de uma explosão primeira que pôs esse liquido nessas condições, com suas heterogeneidades, etc., e fez isso que em certo momento petrificou. É uma muito longa reflexão para um vasinho de pedra.
Agora, isto aqui tem um certo gáudio, dá para minha vista um certo gáudio de que esse liquido teria sido um liquido de uma qualidade muito grande. Por exemplo, se o Tietê petrificasse, não dava isso. Como é que seria um rio disto? Esse rio, se rio assim houvesse, não seria um rio Absoluto? Quer dizer, não seria um padrão de todos os rios? Ou poder-se-ia pensar outra forma de matérias, homogeneidades diferentes, movendo-se com impulsos diferentes, de maneira tal que se pudesse imaginar uma porção de rios absolutos –– portanto, não absolutos –– em maneiras diferentes. Então um rio do Paraíso, um rio ideal, que fosse o padrão de todos os rios, ou não cabe a uma mera criatura ser padrão de alguma coisa dessas? Mas então é o Criador o padrão dessas coisas.
Então, isto que eu gosto aqui, Deus não tem isso, Deus é isto. E isto que ele é, sendo um ser inteligente, infinitamente pensante e com uma substância tal que isso não é sequer nem um respingo Dele, é uma criatura que Ele tirou do nada para se parecer com Ele; que reflexões eu farei a respeito disto enquanto, num certo sentido da palavra, enquanto Deus, porque Deus é mais isto do que isto é.
Aí eu fui colocado na presença de uma coisa enorme, fortíssima, que me atrai, me deslumbra, me sustenta e me retém e eu fico, por assim dizer, detido por Ele, enlevado por Ele, imaginando que tem mil, milhões de aspectos assim, etc., eu fico sem ter o que dizer.
Agora, daí, por exemplo, a intransigência, a lógica, a combatividade, coisas que nós admiramos tanto, tem seu fundamento nessa idéia do Absoluto. O Absoluto foi contestado e é preciso destruir quem o contestou. Ele foi sofismado e precisa destruir o sofisma alegado contra Ele. Precisa quer dizer, está na perfeição dele não suportar, não tolerar a contestação, e ele quer, portanto, destruir aquilo que o contestou.
Alguém dirá: “Não, olhe a lei do amor”.
Sem dúvida nenhuma. Ele prefere realmente, modificar aquilo que era uma semelhança dele e passou a ser uma careta, ele prefere que volte a não ser uma careta. Recusado, precisa ser destruído! Não tem conversa.
Essa idéia do Absoluto assim é uma coisa que corresponde ao fundo do meu senso do ser, mais no mais profundo. E a minha apetência de todas as coisas no fundo, é guiada, por esse desejo do Absoluto. Mesmo a ênfase com que eu estou falando, é uma ênfase que decorre do fato de que eu percebo o Absoluto da verdade que eu estou dando. E eu ponho em posição enfática, que é bem evidente quem vem do amor aquilo que eu estou dizendo, mas vem também de um habitual estado de guerra em torno de mim, que faz pensar em Deus, não digo nesta roda, mas aí fora, um pouco também, porque um pouco disso existe em nós, se opõe a isso.
Daí vinha uma coisa que eu falava hoje ao Fernando: para…
(…)
…para a hierarquia, etc., etc. Parece-me uma excelência da ordem católica sempre que um determinado conjunto de seres se organiza, primeiro hierarquicamente, de maneira tal que cada ser superior tem algo a mais de densidade, ou pelo menos pode ter algum mais de densidade que é o fundamento da hierarquia. Em que, portanto, cada superior é meio deiforme para o inferior.
Agora, de outro lado, é preciso que no alto esteja algo que seja daquele circuito e não de outro, e seja mera criatura. Mas tão, tão carregadas de dons que esteja para com os outros numa situação de semelhança –– não de identidade –– mas de semelhança com Deus em relação a criatura; porque é o que mais aproxima da noção do Absoluto, que é o que procuramos nesta terra, se temos almas bem orientadas.
Então um exemplo: o Bispo e o Vigário geral. Depois o Bispo e Papa. O Vigário geral tem, digamos isso para simplificar muito, segundo o antigo código, ele tinha quase todos os poderes do Bispo, era o representante geral do Bispo para todas as coisas. E o Bispo não era um executivo. O Bispo era um homem que ficava no seu palácio, na sua soledade, nas suas contemplações, recebendo seus sacerdotes, recebendo almas privilegiadas, ou pessoas em situações privilegiadas, e tocando, portanto, pelo que tem de mais fundo, a diocese; o que merecia mais amparo, mais estimulo ou mais correção, ou mais assim, e tocando um contato pessoal que as vezes é simplesmente saber que ele existe. E às vezes tomar uma atitude assim: chamar, fazer, avisar. E, numa ou noutra situação excepcional, dardejar um raio ou ter um ato esplendoroso.
O Vigário geral é o executivo da diocese. O Bispo vive numa espécie de altura meio isolada e que se diria um tanto ociosa, se não fosse o fato da função dele exigir muita contemplação, inclusive de sua própria grandeza, inclusive de sua excelsa missão, para ter uma espécie de matrimonio espiritual com a excelcitude de sua função, ele ser de tal maneira que, por exemplo, D. Duarte. No Brasil havia muitos Arcebispos naquele tempo, mas quando se dizia o Arcebispo, era D. Duarte. Não é por ser o Arcebispo de São Paulo, mas pelo ar dele, pelo jeito dele, ele era o Arcebispo por excelência, estava perto do Arcebispo Absoluto.
O Vigário geral era mero padre, que se vestia quase como um Bispo, porque em geral era cônego e tinha, portanto, um anel com pedra semi preciosa, vestia de friso com Bispo, usava faixa como Bispo. Não podia usar cruz. Alguns recebiam o titulo de…
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…musical ao último ponto, que os dava até o direito de usar mitra, mas não tinha o direito de usar báculo. Mas por um decreto do Bispo, ele podia ser reduzido ao estado de mero sacerdote. Ele beijava a mão do Bispo, mas não se ajoelhava, etc. Mas por um decreto do Bispo, aliás, foi o que fez o D. Carmelo com D. Mayer, da condição de Vigário geral, passou a ser vigário de uma paroquiazinha das redondezas.
Quer dizer, enquanto semelhante com o Bispo, quase um Bispo. Enquanto mera criatura do Bispo, um nada a quem o Bispo pode dar um peteleco e fica reduzido a muita pouca coisa.
Não sei se exprimo aqui o paradoxo que há nessa situação, mas o pulchrum que assegura ao Bispo o domínio de toda a diocese, mas assegura em termos que ele não tem que descer a executividade a não ser em poucos pontos, e pode ser um homem de pensamento, pode ser um pastor absoluto de sua diocese. Ai tomada a palavra absoluto, claro que entre aspas.
Então, abaixo do Vigário geral vinha toda a rede de padres, de vigários, etc., etc., toda a hierarquia que há entre os sacerdotes. Mas o Bispo e Vigário geral nesse ponto. E meio parecido com Nossa Senhora, primeiro com a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais aí em virtude da união hispotática, isto transcende a qualquer comparação. Depois Nossa Senhora em relação a qualquer… às criaturas humanas. Ela é mera criatura, mas de outro lado, Ela é a medianeira de todas as graças é a Imperatriz do universo, e todo o governo do universo é dado a Ela, inclusive Anjos e tudo, é Vosso! Então nós temos essas várias formas de hierarquia, uma é então de um grau para a outro. Vamos dizer,por exemplo, no mero Vigário para o decano. Depois, do decano para o Vigário geral. Ainda tem no meio disso cônegos, há outra categoria, mas no todo estão juntos e tem que reduzir isso tudo a uma fileira de gente hierarquizada, e enquanto tal forma uma categoria.
Depois, entre os cônegos, há os catedráticos e os honorários, depois existe o chantry, existe o tesoureiro, existe não sei o que, que forma uma categoria dentro do cabido. Todos eles tem uma relação assim de maior densidade ou menor, mas desfecham em alguém que é semelhante ao poder supremo, e, entretanto, não é senão uma formiga diante do poder supremo. Isto parece a perfeição da organização.
Agora, o secretario de estado era isso no Vaticano. Agora mudaram tudo isso. O Cardeal Merry Del Val foi isso com São Pio X.
Isto é uma coisa muito bonita e que fala do Absoluto de um outro modo, coroando todas as outras formas de hierarquia e que, a seu modo, é uma representação magnífica do Absoluto também. Mas, do absoluto da criatura, portanto, de um absoluto que não é absoluto, mas é a criatura enquanto imagem do absoluto.
Agora, acontece que, assim como o homem tem dois olhos, assim também, para ele ver bem, considerar bem uma perfeição, ele quase tem que considerar numa espécie de aparente contradição. De maneira que é no conforto entre ela e outra perfeição paradoxal com ela, que ele realiza o papel das duas mãos que se unem para rezar.
Assim também a ordem espiritual e a ordem temporal, ambas são como duas orquestras que realizam a mesma partitura, mas com instrumentos diferentes. Instrumentos afins e deferentes. Se quiserem, uma é um órgão, e é a Igreja que tem todas as sinfonias, não precisa de pluralidade de instrumentos. Se quiserem, a outra, a sociedade temporal é mais desatada, mais frouxa, é uma orquestra.
Mas as duas se realizam, a seu modo…
[vira a fira]
… mas, as duas realizam, a seu modo, uma certa excelência. Aqui então nós temos a idéia de um espírito (epri?) de Absoluto, que tem fome e sede de Absoluto, como deve ver essas coisa e querer essas coisas…
(…)
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