Conversa de Sábado a Noite (1ºAndar) – 15/3/1986 –Sábado [VF 36] (Jorge Doná) – p. 5 de 5

Conversa de Sábado à Noite (1ºAndar) — 15/3/1986 —Sábado [VF 36] (Jorge Doná)

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...Não, você não deve confundir normal com natural. Normal sim, natural não, o trato que há entre nós não é natural, tem uns certos traços de preter-natural, essa perpétua pancadaria, esse não compreender, esse mal estar, tem um certo aroma de ação de demônio, eu acho também inegável isto. Bom, e esta doçura tem um certo aroma de ação dos Anjos.

Entra meu Marcos. Como vai você? Está bom? Nossa Senhora o abençoe, vamos sentar.

Não, não é, depois não se dá, por onde há um continuo apelo da graça, não pode haver uma coisa puramente natural.

(Sr. Gonzalo Larraín: O Sr. Guerreiro está ai, eu acho que ele está na cozinha com o Sr. João.)

Lá em cima?

(Sr. Gonzalo Larraín: Não, aqui.)

É capaz. Acho que ele percebe que nós entramos. Ainda mais se ele estiver com o João. O João percebe. Qualquer coisa que passa o João percebe. Em todo caso mande avisar, mas não diga que eu mandei avisar.

Estamos falando do ambiente de Serra Negra. E eu estava dizendo ao Gonzalo que aquilo para mim, porque ele me perguntou qual era o significado daquilo sobrenaturalmente falando. Eu disse a ele que aquilo para mim, com o trato, é uma coisa certamente...

Entra meu filho, como vai você? Como vai você está bom? Olhe aqui Poli, você quer abrir aquele vidro lá. Abrir o voille faz favor. Se você quisesse abrir o voille é melhor.

Bem, mas eu estava dizendo o seguinte: que aquela conversa se poderia dividir um duas partes: uma foi o jantar e outra foi o post-jantar. O jantar eu achei bem bom. Excelente, tema muito bom, etc., ect., eu creio que veio na atmosfera do post-jantar. No post-jantar o tema até não esteve tão alto quanto no jantar mas a atmosfera estava mais alta, não é? Foi como eu senti.

Aquela solidão tinha qualquer coisa de mítico, aquelas árvores, aquela iluminação, aquela espécie de não era bem uma pontezinha, mas enfim, uma passagem, aquilo tudo, dava a impressão de coisa muito lendária, meio assim, aquela noite, naquela hora, por causa de um efeito da graça, e aquela suavidade de trato entre nós, se manteve ainda e se desenvolveu ainda mais, tudo como quem diz o seguinte, o Gonzalo chegou até a lembrar as graças do Jordano, o tudo como quem diz assim, várias coisas.

Primeiro é, no Céu estão para vocês, a torneira que abre não está cortada, é só abrir que as mesmas graças vem, apesar de nem tudo ter sido perfeição, nem tudo ter sido fidelidade, nem tudo ter sido excelente, mas Nossa Senhora está disposta a passar por cima e fazer-lhes entender chega essa hora.

Agora, ligado ao tema tratado, é um pouco como quem dá a entender, tratem deste tema e encontrarão as graças e mesmo a fundamentação psicológica para o trato que deve haver entre vocês psicológica não está tão bem quanto lógica, a fundamentação lógica do trato que deve haver entre vocês, e que deve haver com ela Nossa Senhora, quer dizer, aprofundem isto, estudem isto que as graças dos antigos tempos voltarão. E, um pouco mais que analisando se encontra, que é o seguinte, há um pouco de troca de vontades de todos com todos, quando o ambiente se estabelece com essa suavidade.

A tal ponto que há uma queda de barreiras de individuo para individuo, e uma pervazão que esta tira o individuo de um isolamento medonho, de um inferno de equívocos e de ressentimentos e o principio axiológico refloresce de algum jeito, as esperanças vem, não é?

Então, tem uma reminiscência, tem um enunciado, tem um enunciado de perdão, e uma promessa, mas essa promessa é condicional, aprofundem este tema que vocês terão, é a demarcação, denombremant, da coisa dá nisso. Eu não queria lembrar, mas eu estava notando.

E, logo ela tinha muito esta ação sobre os que queriam estar em conexão com ela, essa facilitar, suavizar, propriamente é a quebra das barreiras revolucionárias entre individuo e individuo, porque o ambiente da Revolução é muito feito de coisas assim, e a Contra-Revolução é doce, é afável, o que diz São Paulo da paciência, tomada como capacidade de sofrer, nós podemos dizer da Contra-Revolução, é doce, é benigna é isso, empreende tudo, faz tudo, é corajosa, ela é isto, é aquilo, aquilo outro, isto tudo Nossa Senhora dá, desde que a gente indique, se compenetre desses acentos das mãos dela.

(Sr. João Clá: Hoje fez, um pequeno sorriso, mais muito bonito, tocante, o Sr. Dr. Plinio, saiu hoje daqui de manhã, mas estava tão quente o dia, que ele resolveu deixar o chapéu, então saiu sem chapéu, foi à missa, foi ao Coração de Jesus, e havia tempo, então passou pelo cemitério. E, eu por dentro: “Ele vai descer ao cemitério com este sol fortíssimo”, e chegamos ao cemitério, fez todas as orações e o Sr. Dr. Plinio ia descer, quando o Sr. Gugelmim disse:

Eu vou apanhar o guarda chuva para o senhor não apanhar sol.

Não, não faça isto meu filho porque vai haver gente que vai fazer máfia.

Não tem ninguém aqui, ninguém vai ver.

Não, de jeito nenhum, porque eu desço e imediatamente aparece alguém para ver..

Isto é certo.

(Sr. João Clá: Abrimos a porta do automóvel, passou uma nuvenzinha pequenininha enfrente ao sol, que durou o tempo que ele foi até o tumulo, sentou no automóvel, quando o carro virou o sol apareceu de novo.)

Foi exatamente assim, exatamente. Eu nem notei a nuvem, mas eu notei a sombra, que foi sombra o tempo necessário para chegar lá, oscular e sair. Depois isto, era ela a conta inteira, e a conta inteira. Nem me fale…

Mas enfim, isto seria a análise do nosso. Eu insisto um pouquinho sobre o caráter mítico daquele ambiente todo, sem ser um certo maravilhoso que aparecia em tudo aquilo, é aquela, mesmo entre nós, aquela cordialidade, não se estabeleceria assim, aquilo como quem diz, meus filhos tende a alma aberta, essa luz aberta para o maravilhoso e isto é o elemento do estudo da troca de corações, troca de vontades, é o senso do maravilhoso. Há um provérbio, eu não sei de quem é, creio que é de um autor francês, de quem eu não gosto, do Saint Exupéry, diz o seguinte: querer-se bem, não é o olhar um para o outro, é olhar juntos o mesmo horizonte. Mas, me pareceu que tinha a precisão francesa muito, ele mesmo tem uma outra coisa que diz o seguinte: para falar das almas, quando nós com o dedo apontamos a lua o sujeito olha para o dedo.

A alma comum, você diz, olha lá tal coisa, ele olha para o dedo, você está vendo. E, nós não podemos ser assim, nós temos que, se um de nós olha para o dedo, é uma coisa curiosa, nós estamos de tal maneira interligados uns com os outros sobrenaturalmente que se um de nós olha para o dedo, não é dizer que ele sai, daquele circuito, ele entope o circuito e não sai, é uma coisa tremenda isso, entope e não sai.

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: Não sai nada.)

Não sai nada, entope, então é, por exemplo, o papel de um sabugo. Você põe sabugo aqui, entope o circuito e acabou, mas que são coisas assim especiais para analisar do que existe de relação de alma entre nós e que espelham um estado mais alto da TFP por ocasião do Grand Retour, que haverá uma promoção, nesse sentido da palavra de uma ascensão muito grande nesta ordem de idéias e depois dando todo o clima do Reino de Maria.

(Sr. João Clá: …Se põe um sabugo ele quebra o circuito…)

Mas não sai do circuito, isso é que é tremendo, se pudesse dizer, por exemplo, podia ser, desliga-se do circuito e entra para a escuridão, não é verdade. E, os que estão no circuito tem que resolver o caso resgatando aquele, é tremendo isso, tem que resolver o caso e resolver resgatando aquele, não passando por cima, é um conjunto de coisas curiosas, mas é assim.

Depois eu não estou fazendo teoria, eu estou descrevendo uma situação que nós observamos, o que observamos de fato é assim, não é? Poderia até a Providência dispor outra forma de circuito, mas não dispôs conosco. E tem também uma coisa que dá pena, mas é assim, se um individuo, por exemplo, podendo vir a esta reunião não vem, ele deixa de dar a este circuito uma certa forma de riqueza que competia a ele dar, ao menos pela presença silenciosa.

(Sr. João Clá: Ainda que esteja com dor de cabeça, ainda que…)

Se vier. Eu senti muito isto hoje falando com o Paulo Henrique, Paulo Henrique não veio aqui, porque ele está em Porto Alegre servindo, não cabe a menos inculpação a ele não estar aqui, de qualquer maneira ele seria um enriquecimento se ele estivesse aqui, ele estando lá, as graças desta reunião ele não ganha. Como também não ganhou as graças de estar em Serra Negra, e ele não tinha a menor culpa, que culpa ele tinha, ele está executando ordens.

É uma coisa curiosa e aqui tem uma coisa própria…

(…)

indica uma serie de fotografias enfadonha do nascimento, lembra-se daquele príncipe de liége, irmão do Rei Leopoldo que casou com aquela italiana Paula, uma princesa Paula da Itália, ela teve uma filha e essa filha se casou com o arquiduque Lourenço da Áustria, e teve uma filha agora, uma filhinha, então é a neta dela, neta deste casal, e a revista da uma pilha de fotografias insípidas sobre isto. Mas, o meu olhar caiu em cima do Lourenço de Habsburgo, vocês sabem que se eu pudesse encontrar um Habsburgo a altura de ser inteiramente um arquiduque, a minha alegria, o nosso Áustria está a caminho disto, mas a minha alegria, eu estava olhando para ele, cara vazia, boba, burra, mas sem ideal, sem chama, os olhos que parecem de vidro, uma cara assim, mau um jumento. Até pensei em mostrar para o Áustria, depois eu vi que era dar demais importância ao caso, pensei nesse hominho que eu falava a pouco, é um detrito.

Porque o Áustria é fino, esse tal Lourenço, está claro é um detrito, um comparação com esse hominho que eu falava a pouco, é outra coisa, é outra coisa.

(Sr. Gonzalo Larraín: Se o senhor pudesse falar um pouco mais daquele circuito que o senhor estava falando…)

É exatamente que nós falávamos agora neste instante é a continuidade do circuito no tempo.

(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor podia falar algo da causa primeira deste circuito?)…

(…)

De qualquer maneira havia nela algo que era o mais sublime e que os homens se não começassem a ver na concomitância de uma graça de amor, matariam, é duríssimo o que eu estou dizendo, mas você não acha isto?

(Sr. João Clá: Totalmente…)

Numa estação de metro, por exemplo, de Paris, mas assim direto, só de ele falar a voz dele já produziria nem sei o que.

(Sr. João Clá: Não precisa nem entender a palavra, só o timbre de vós já bastava…)

É isso, não precisava nem entender a palavra, nos matavam.

Mas, em que o papel da graça nos preparando é maior do que o nosso papel agindo. Olha que eu sou um ultra Inaciano, mas isto é assim, no caso concreto é assim.

Nesse ponto a Igreja do Coração de Jesus é de uma doçura inefável, a pessoa pode se por ali em qualquer ponto da Igreja tem uma bondade séria, envolvente que é única, mas isto é assim.

(Sr. Gonzalo Larraín: Com este ponto se faz tudo, sem este ponto não se faz nada…)

Nada, é um ponto exatamente, enfim a graça da para cada um como quer, eu parti há amando isso, e outros Nossa Senhora, acho que todos com o batismo amam, com o thal nem se fala…

(…)

em última análise é preciso ter uma coragem de ter rompido que é o negocio, entende, porque o sujeito… por exemplo, um de nós poderia não ter coragem de entrar num daqueles veículos que vão para os outros astros, não é? De repente se sentir completamente cortado de qualquer contato com a terra, perdido no espaço, pode dar um sentimento de insegurança dos mais aflitivos.

Bem, assim é quem viaja dentro dessa ruptura, porque é assim, sente-se anos luz de tudo, e em parte nó por causa da coisa, em parte é por causa da ruptura que causa, que a pessoa não tem coragem de fazer.

Meus filhos, agora eu lamento, mas tenho que ir andando.

Há momentos em que minha alma se sente…

Meu filho, uma das grandes alegrias de Serra Negra é tê-lo ali.

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: Peço orações para que isto dure… nós vamos agora nos transformar numa comissão permanente.)

Ótimo, isto é magnífico, isso, isso. Ainda que devamos mandar o Coronel algumas vezes ao Rio.

Meu filho que Nossa Senhora o ajude.

Meu filho João cheque aqui, Nossa Senhora o ajude meu filho, e o ajude também a descansar direito.

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1ºAndar