Conversa de Sábado à Noite ─ 21/12/85 . 10 de 10

Conversa de Sábado à Noite ─ 21/12/85

A atmosfera da Igreja do Sagrado Coração de Jesus reflete a seu modo o que o próprio Coração de Jesus refletiria de sua Pessoa * Um devoto do Sagrado Coração de Jesus pode emitir reflexos daquilo que ele adora em Nosso Senhor * Só com as graças que vêm através do Fundador é que se pode preparar para as grandes provações da “Bagarre” * A atenção que se deve ao fundador é exclusiva e não pode ser divisível, sob pena de derrocada espiritual * O sofrimento é semelhante a um forno que ao consolidar a cerâmica, não esculpe os desenhos, apenas fixa-os

Olhe aqui, dê para [o] Gonzalo cheirar, flor brasileira Gonzalo, os outros já conhecem, não sei se você já cheirou? Jasmim do Cabo. É um perfume de primeiríssima. Mas, olhe aqui, um perfume Francês não supera isto.

(Sr. G. Larraín: Como se chama?)

Jasmim do Cabo.

(Sr. G. Larraín: Mas em qualquer lugar aqui dá isso?)

É, onde quiserem plantar, plantam, com a disciplina nacional plantam pouco. Mas, é uma flor especial. Você conhece, meu Gonzalo? É uma coisa extraordinária. O perfume é extraordinário, já está muito diminuído, porque o perfume dura pouco na flor, ele se evola logo, mas se industrializassem bem, acho um perfume extraordinário.

(Sr. G. Larraín: Deixo perto do quadrinho?)

É, ela era entusiasta desta flor. Então, meu Gonzalo?

* As boas impressões que um terceiro pode ter de um Santo, pode ter também de um bom católico

(Sr. G. Larraín: O senhor pode falar da grandeza e do “pulchrum” que nós notamos no senhor, por exemplo, em Amparo o senhor trabalhando.)

Quer dizer, há um princípio, eu creio que é de Tertuliano, eu não me lembro bem, mas é de uma grande autoridade em todo o caso “Christianus Alter Christus”.

O princípio não se deve entender assim, Santos Alter Christus,

é Christianus,

qualquer católico portanto, fiel a essa condição, ele é um outro Cristo.

E, essa impressão que se desprende de um católico ainda que não seja santo. Essa disposição é a experiência da Civilização Católica, apresenta muito.

Há em Barcelona uma exposição, não sei se você visitou Barcelona, meu Gonzalo? Chamada del pueblo espanhol. Pueblo,

você sabe melhor do que nós é aldeia, não é povo, é aldeia, diz também do povo, mas é aldeia espanhola. E, é a reprodução de várias aldeias espanholas, com aquela arquitetura antiga, etc., extremamente pitoresca, mas extremamente pitoresca.

Então, tem mais ou menos como como se fosse uma exposição de todas aquelas aldeias, que a gente pode visitar, está aberta ao público. E, eu imaginei com o interesse que vocês podem imaginar e vendo aquilo eu pensava isto: sente-se o bom odor de Nosso Senhor Jesus Cristo aqui.

Neste povo que fez estas fachadas e que viveu deste modo aqui, sente-se o bom odor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora, Nosso Senhor Jesus Cristo, o bom odor de Cristo, se sente em cada um, naquilo em que, ele foi chamado a refletir a Nosso Senhor do mesmo modo, pelo contrário, como a pessoa Divina e humana d’Ele, do lado divino é infinito, na natureza divina é infinito, na natureza humana é inesgotável, acontece que em virtude disto o número de facetas que Ele pode apresentar é incontável também.

E, portanto [se] mais homens houvesse, mais seria possível representar e exprimir as perfeições que havia nEle, de maneira que a pergunta é, portanto, essa impressão que você teve vendo-me trabalhar, eu analiso não como uma impressão que causa um santo, mas uma impressão que pode causar também um católico comum, mas que procura ser fiel, procura cumprir honradamente os mandamentos da lei de Deus, etc., etc.

Porque os que habitavam os pueblos espanhóis, o povo espanhol, como média de povo, se compunha de bons católicos não podia se compor de santos, haveria santos pelo meio, os houve, mas não poderia se compor só de santos, daí vem essa introdução.

* A atmosfera da Igreja do Sagrado Coração de Jesus reflete a seu modo o que o próprio Coração de Jesus refletiria de sua Pessoa

Bem, agora, é evidente que aquilo em que eu fui chamado a admirar especialmente e adorar o Sagrado Coração de Jesus por meio de Nossa Senhora, isto eu seria chamado a refletir, porque o processo dessa reflexão, o reflexo faz-se assim: Ele revela, manifesta particularmente para cada alma, o que é admirável nEle que aquela alma deve adorar e que portanto ela deve refletir e portanto, nós devemos nos perguntar que fundamento haveria no adorar o Sagrado Coração de Jesus, que fundamento haveria para essas coisas.

E, como a Igreja do Sagrado Coração de Jesus pelos seus imponderáveis reflete muito o Coração de Jesus, então nós poderíamos dizer que, analogamente, o que se diz do Coração de Jesus Ele mesmo, pode-se dizer de algum modo da atmosfera da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Então, eu diria o seguinte, eu acho curioso você fazer essa descrição, porque a descrição que você faz me deixa ver, exatamente você estava descrevendo e eu estava pensando nEle, os aspectos d’Ele que eu adoro mais, quer dizer, por exemplo, na paixão d’Ele, eu adoro sem dúvida a paciência d’Ele, no sentido etimológico da palavra, quer dizer, a capacidade de sofrer não tem dúvida eu adoro, e portanto também a bondade com que Ele quis sofrer por todos nós, etc., mas, toda a vida me impressionou naquele mar de dores como Ele não perdeu, foi ganhando, foi manifestando cada vez mais, uma dignidade, uma resolução, uma seriedade, onde a gente vê que em nenhum momento, Ele perdeu a direção de si mesmo, mas pelo contrário Ele continuou a dirigir-se a si mesmo de tal maneira, que mais do que ninguém que houve, que há e que haverá, Ele era um [In manus sua anima sua semper tenet?] e é o que encanta, o oceano de dor, vamos dizer, por exemplo, o bom Jesus, como eu tenho lá no meu quarto, portanto com as mãos amarradas, com a cana do bobo, a coroa de espinhos, etc., ecce homo.

* O Sagrado Coração de Jesus leva consigo “não só uma firmeza refletida mas uma reflexão que gera firmeza impregnada de reflexões”

Está bom, mas tendo uma explicação inteira para si do seu próprio papel, compreendendo perfeitamente do que havia de perfeito em seu próprio papel e desempenhando aquela sua missão inteira, com toda a dignidade, pensem os outros o que pensarem, pense qualquer um o que pensar, isso é assim e eu compreendo isso, eu realizo o que Deus quer de mim, lá vou.

Uma firmeza, veja bem, que não tem nada de comum com a brutalidade, nada tem de comum com a façanhice “cyranosesca”, nada tem de comum com os romances de cavalaria decadentes, Orlando furioso, essas coisas assim. Ele é tão superior a tudo isso que até causa estranheza que eu evoque esse paralelo, uma firmeza cheia de doçura, e que está a qualquer momento… (…)

por isso porque Ele se tem a si mesmo nas mãos o tempo inteiro, Ele ela está a qualquer momento disposto ao… [ilegível] …desde que o… [ilegível] …tenha razão, mas se não tiver, Ele enfrenta o contraste, na luta em condições desiguais e Ele, o grande vencido ali, ao menos nas aparências, enfrenta a luta até o fim, é isso, isto foi resolvido e sai assim.

O que leva consigo não só uma firmeza refletida mas uma reflexão que gera firmeza impregnada de reflexões, mas uma reflexão que gera firmeza, por quê? Porque há a virtude da firmeza no refletir, isso é uma coisa que impressiona muito nas boas imagens do Sagrado Coração de Jesus, é a certeza, Ele vê, Ele sabe, Ele conhece, Ele chega às conclusões, é isso, e se é isso, só vale sendo assim, e eu vou chegar até o fim. Bem, no fim é a Cruz, pouco importa, vai assim.

E Ele chega ao seu pináculo com o Eli, Eli, lamma sabacthani, porque no momento em que Ele parece queixar-se Ele chama a Deus de meu Pai, como quem diz, eu estou numa provação tão profunda, que na minha natureza humana, Vós tiraste ó Deus, os elementos necessários para compreender, na minha natureza humana eu afundei portanto no pior desconcerto, mas Vós sois meu Pai, quer dizer, e esse salmo, disseram-me, eu não verifiquei, que é o começo de um salmo que fala da ressurreição, é o primeiro versículo de um salmo que canta a ressurreição, até o fim, até o fim, depois inclinada a cabeça expirou.

Com 1900 anos, perto de 2000 anos de diferença, de distância, nós sentimos à distância a força e a doçura com que ele inclinou a cabeça e aceitou o fim, e aceitou com uma resignação inteira, mas por quê? porque Ele quis, quer dizer tem uma…

Bem, agora, há nisso uma gravidade e uma sublimidade que eu creio que vocês sentem, antes mesmo de eu dizer isso, é tão grave, tão sublime, que a gente se sente transportado desde logo para um padrão e para um plano que quase não tem nexo com nada, a gente se sente posto em outro plano. E a bem dizer, essas coisas comentadas, a gente tem vontade de fazer silêncio, porque sobre algumas coisas dessas, o melhor comentário ainda é o silêncio, a gente lê, comenta em duas ou três palavras e faz silêncio, são coisas que… (…), fica assim, por quê?

* Um devoto do Sagrado Coração de Jesus pode emitir reflexos daquilo que ele adora em Nosso Senhor

Porque vem daquela gravidade, daquela imensidade, daquela doçura inefável, daquela força que ninguém quebra, daquela lucidez que espanta, da harmonia de tudo isto, de tal maneira que é assim, que nEle ─ ao menos se dá comigo, talvez não se dê com vocês, mas cada alma é chamada a refletir de algum modo ─ mas quando eu aprecio cada atributo divino d’Ele, cada qualidade divina, é tão grande, que a gente fica como que desconcertado, não sei se isso se dá com vocês? Mas assim…

Mas, quando se vê o conjunto, a harmonia é tão grande que a gente toma pé, não mingua, mas como que nos dá um pouco de fôlego para apreciar tanta perfeição na harmonia. É, é explicável que um devoto do Sagrado Coração de Jesus, ainda que não sendo um Santo, possa despertar essa impressão, uma vez que foi e é o que Ele tanto adora no Sagrado Coração de Jesus, não sei se está claro?

E, é explicável então, que eu quisesse e queira isto como condição para a aurora do Reino de Maria na alma de meus filhos, e é explicável também que haja “n” seduções do demônio do mundo para que eles não sejam assim, porque é precisamente essa forma de magnitude, de magnitude, que na realidade não se compara com nenhum rei da terra, não é nem de falar em grandeza régia, etc., dá uma parcela da coisa, transcende.

Essa magnitude, eu quisera, e é assim que eu sonho com o Reino de Maria, que estivesse na alma, do último lixeiro do Reino de Maria, guardadas as proporções, eu acabo de elogiar há pouco, nesse instante até a proporcionalidade de tudo, então, guardadas as proporções, mas que isto fosse o valor diretivo, porque eu não encontro no momento outra palavra adequada, eu vou empregar essa expressão, o leitmotiv da vida de cada homem é isto, é ser assim, e quisera que a TFP, impregnasse disto o Reino de Maria.

Agora, a minha grande dor, que eu vejo que, isso não preciso dizer a vocês agora, entra pelo olhos, toda a influência do século XX se exerce em sentido diametralmente oposto, não tem o que dizer. Agora a minha grande dor é que isso assim, os meus filhos sintam pouco em mim, ou se sentem, não deitam atenção e procuram não ver.

* Só com as graças que vêm através do Fundador é que se pode preparar para as grandes provações da “Bagarre”

(Sr. G. Larraín: Às vezes o senhor mostra mais e às vezes menos…)

Mostra” é menos bom dizer, do que “deixa” ver, não é? Não é “fazer” ver, mas é “deixar” ver. Por exemplo, quando eu convidei vocês dois para estarem aqui presente, é porque eu observei, que os que tinham presenciado outros trabalhos, em mais de uma pessoa produz esse efeito, naturalmente eu só posso querer esse efeito, não é que eu estivesse mostrando; e eu sei, eu estou falando por causa do gravador. Não é que eu estivesse mostrando, é uma coisa que se faz ver, mas que supões condições de alma de querer ver, supõe graças especiais, supõe condições de alma de querer ver, supõe graças especiais, supõe uma série de coisas, supões no caso concreto dos que estão aqui nessa reunião, graças de pré-bagarre, e são graças que estamos recebendo, são patentemente graças de pré-bagarre, quer dizer, graças para saber contar algum dia para saber pensar nisso de longe, ainda conto que tenhamos que passar muito tempo separados.

E, meu filho, como não? Isto pode acontecer, a começar por você, sai a Bagarre, você é militar é convocado para um lugar qualquer, como é que você faz?

Ah! Vocês estão brincando. Mas, então aí poderem viver dessa e de outras impressões e comunicá-las, mas é mais, é tê-las, é faze ver em si, é ser assim.

Oh! Meu Mário. Passou a enxaqueca?

(Sr. M. Navarro: Eu perdi a hora completamente por causa dos remédios, peço desculpas.)

Não, faz mais bem a você dormir.

Volte para a cama, meu Mário.

Pegue uma cadeira daquelas lá, e onde você quiser, mas diga então.

(Sr. Guerreiro: Nós vemos que nós também temos que passar pelos sofrimentos que o senhor passou…)

Eu acho também, sem esse sofrimento não vai e pela natureza da nossa vocação, pelo encaixe da nossa vocação, fundador e súditos, a coisa é tal que se isto não é visto em mim, e vivido em união comigo, não tem graças para que a pessoa tenha isso, ou é apreciado em mim, ou pode ler o manual de moral e de teologia que quiser, e ainda temos outra coisa, pode ler a vida de um santo canonizado, que esse gênero de graças não vêm a não ser por intermédio do fundador e a missão nossa, minha e por concomitância a de vocês, é essa de introduzir isso, já agora na Bagarre, como uma dimensão, na Bagarre, é a vida dos profetas. Bem, e depois mais adiante, como o padrão.

Agora uma coisa que eu nunca me animei a dizer, porque a forma de interlocução entre nós não criava ocasião propícia e depois a Bagarre está chegando e é preciso dizer as coisas como são, é o seguinte: eu vejo vocês às vezes num desânimo que diz o seguinte: “Isso até lá nós nunca chegaremos”, acompanhado de uma espécie de certeza que se enuncia assim: “Substância não há em mim para chegar até lá, eu já fiz o inventário meu e aliás, nem é tão difícil de fazer, não leva tanto tempo, eu já compreendi que eu por mim, com os remos que eu tenho, eu não levo este barco até lá, com os braços e os remos que eu tenho, esse barco meu, eu não levo até lá”.

Eu respondo assim:



É verdade por vontade de Deus, mas se aproveitasse as ocasiões que a graça os faz ver-me e detivessem aí os olhos e procurassem ver de fato, criava-se, punha-se a ponte necessária para isto, por cima do abismo, porque é por essa forma de comunicação que se estabelece isto. E esta forma de comunicação realmente não se estabelecerá de outra maneira, quer dizer, essa impressão de desânimo, enquanto revelando como é que é cada um, ela é falsa, o que é que ela tem de falsa? Ela é até muito verdadeira. O que é que ela tem de falso? É que a pessoa não vê o remédio, porque não quer ver, não quer fixar os olhos em quem, sendo fundador, comunica esta graça e aí vem. Não sei se isto está claro?

* São Pedro Julião Eymard queixava-se com os seus filhos espirituais de não receber perguntas relacionadas com ele e com a Ordem fundada

Eu me lembro, uma congregação que tinha uma finalidade admirável, uma congregação religiosa, não uma Congregação Mariana, que tinha uma finalidade admirável, mas que floresceu pouco. É a congregação dos Sacramentinos, mas o fundador São Pedro Julião Eymard, dizia ao súditos dele:

Aproveitem enquanto eu estou vivo para me perguntarem as coisas, porque depois vocês nunca mais terão quem explicará, porque a graça do fundador é uma graça única”.

E, vê-se que eles perguntavam pouco, ou não perguntava nada, porque não tinham vontade de saber, porque não amavam a ele, porque não se punham diante dele como quem quer receber os tesouros que ele oferece, é a parábola do banquete do rei. Foram convidados, mas não quiseram trocar de roupas, pôr-se em condições de receber o banquete, então manda vir outra leva, (…).

(Sr. G. Larraín: No “Legionário” o senhor era muito mais truculento.)

Muito mais, e mais por quê? Porque com a Bagarre azul eu tive que velar isso, por assim dizer, para não ser expulso da cidade, mas a cidade não era esse mundo aí, era o meu. Cada vez eu sentia mais brandido sobre mim um punhal de Dâmocles: “se você passar de um certo limite, eu começarei a fazer chicanas para dizer que você exagerou”.

Supõe a graça de ver com vontade de ver e querer ver isso. Se a pessoa não quiser ver não adianta, isso é assim, eu vou dar uma indicação característica.

Imagine que quando vocês estavam trabalhando, estávamos todos lá e eu a trabalhar, vocês ouvissem o barulho de um automóvel que está descendo e por repercussões dos “enjolras” percebessem que chegou “X” grupo num automóvel moderníssimo e maravilhoso que lhe deram de presente, a família, de repente ficou rica e deu de presente, e ele então chegou para nos visitar com esse automóvel, isto causaria em todo aquele ambiente um burburinho por onde vocês imediatamente esqueceriam o que estavam vendo, por quê? Porque chegou o automóvel.

Eu não me lembro bem em que parte do século XIX viveu São Julião Eymard, tenho impressão de que é plutôt pelo fim do século e que ele dever ter morrido por volta de 1890 mais ou menos, é a impressão que eu tenho, mas posso estar enganado.



* A atenção que se deve ao fundador é exclusiva e não pode ser divisível, sob pena de derrocada espiritual

Mas, então eu vou argumentar com uma pessoa do tempo dele, vamos dizer que ele estivesse dando uma instrução nos filhos deles num salão do convento deles, dando para… [inaudível] …Paris, um fato comum da vida religiosa. Bem, e quando ele estivesse no mais importante, no mais conclusivo, no mais impressionante do que ele dissesse, viessem anunciar que estava passando sob a janela dele Napoleão III, por exemplo, olha Napoleão III, um charlatão. Bem, e que, um sacramentino dissesse “Eu vou prestar atenção nas aclamações, ou nas vaias, vou prestar atenção no Napoleão III admirativamente, é um homem importante que está passando, mas eu não vou deixar de prestar atenção no que está dizendo o meu superior, vou dividir a minha atenção, nesse momento o superior sumia de dentro da cabeça dele, porque não é divisível.

Se a gente quer dividir esse gênero de atenção o lado bom se evola, o que é compreensível.

(Sr. Poli: São Luís fala isso a respeito da sabedoria.)

Querer ter um farrapo de sabedoria, é não ter nada, é uma ilusão, não tem, vai abrir a mão, não tem nada na mão. Agora, essas coisas têm o seu preço por isso, isso que eu vou dizer agora, todos sentem em si. É que se tiverem em si esse estado de espírito, vai acontecer que elas afugentam os outros. Quer dizer, se alguns de vocês tiverem esse estado de espírito percebem que afugentam os outros, cria o vazio.

* O sofrimento é semelhante a um forno que ao consolidar a cerâmica, não esculpe os desenhos, apenas fixa-os

(Sr. Poli: Eu acho que o papel do sofrimento aí é secundário, o problema é amar o senhor com exclusividade…)

O que você diz, eu acho que você não exprime bem o que está no seu espírito, mas o que está no seu espírito é uma outra coisa, que é o seguinte: o importante, se você tiver um feitio de espírito de um homem sofredor, o que é a nota capital, o feitio de espírito ou o fato de ele ser sofredor, evidentemente o importante é o feitio de espírito, ele arrostou o sofrimento, porque foi fiel ao feitio de espírito bom que ele devia ter, um outro homem que seja um sofredor, mas que não seja fiel ao estado de espírito que tem, esse sofre mal, sofre o sofrimento errado e não basta sofrer. Bem, é preciso sofrer a Cruz que Deus Nosso Senhor mandou, não outra cruz, então liquidando o caso.

No trato com o Fundador, a gente dever ver no Fundador o feitio de espírito, aí terá coragem para sofrer, e o feitio de espírito, quer dizer, o sofrimento fixará esse feitio de espírito. Eu ouvi dizer, não sei se é verdade, que essas porcelanas pintadas fazem-se assim: um artista, ou uma artista, pinta o que quer, vamos dizer, um prato de porcelana, mas pinta, enquanto aquela massa está meio crua. E pinta com uma tinta especial que suporte o que eu vou dizer agora. Depois a massa é introduzida num forno de altíssima temperatura, a temperatura fixa na porcelana a tinta e consolida a tinta na porcelana, de maneira que o forno não fez o desenho, o forno deu fixidez ao desenho, isso também faz o sofrimento conosco, o sofrimento conosco fica o bom feitio de espírito, o bom feitio de virtude na nossa alma, mas ele por si, o sofrimento não dá esse feitio de espírito, ele é uma condição de fixação, não sei se eu me exprimi bem, meu filho?

Quer dizer, portanto mais do que tudo, o católico que sofre muito, o mais importante é ser católico, não é ter sofrido muito, o sofrimento cria condições, por onde a alma dele fixa o ideal católico e forma um só todo com o ideal católico, como a pintura forma um com o prato, eu não sei se a realidade é essa, mas isso é secundário. É isso mesmo?

Podemos imaginar uma alma que venha receptiva e inocente, mas sobre a qual o feitio de espírito pinta.

(Sr. G. Larraín: O senhor fez isso com a Igreja, o senhor viu o feitio da Igreja em Nosso Senhor Jesus Cristo e o senhor viu, amou e isso fixou.)

É isso. Lembra daquela espécie, não é uma poesia, mas enfim: “Quando ainda pequenino”… ─ esse processo está descrito ali ─ eu vi e considerei enlevado ─ depois vem o sofrimento ─ eu dei o meu coração, voltei as costas para o futuro e fiz desse passado o meu porvir”.

É o sofrimento, quer dizer, aquilo não foi jogado no papel assim, como quem escreve uma besteira, foi pensado.

É preciso ter visto a Ele antes e querer segui-Lo, depois negou-se a si mesmo, “toma a Cruz e siga-me”.

(Dr. E. M.: Não pode haver enlevo sem isso.)

Não, é condição.

(Sr. Guerreiro: Esta frase foi cantada pelo eremitas de uma forma tão…)

Ah, eu vi. Eu vou me permitir uma reflexão a esse respeito, (…) e que pode destinar grandes feitos no serviço d’Ela, pessoas que tenham um tendência para a perfeição realizada em algum ponto, mas longe de estar realizado em outros, desde que haja a manutenção cuidadosa do estado de graça, aqui é a questão.

Depois a Providência chamará essa pessoa por alguma via, às vezes fazendo-lhe falar as verdades severamente pela boca de um filho, não tem dúvida, [está?] longe de ser a condenação da severidade, mas não da circunspecção, que leva a esperar a hora para fazer isso, porque aquilo é uma coisa tal que evidentemente se emana dele. Não. Emana do senhor. Por intermédio dele, a Providência dispôs assim, são coisas (…).

(Sr. Guerreiro: Em Amparo nós estivemos uma meia hora com o senhor, vendo-o trabalhar.)

Vocês estiveram só meia hora ali? Eu tive idéia de que estivessem umas duas horas.

(Sr. Poli: Foi mais de uma hora.)

* O pensamento nasce como as fontes ─ “Bendito o dia em que minha alma disse: nasceu um pensamento”

A gente poderia dizer o seguinte, sempre na perspectiva do Fundador, como dever ser o Fundador. Uma coisa que toda a vida eu tive vontade de ver, por mais incrível que seja, na idade em que eu estou nunca vi, é uma fonte, mas eu sobretudo gostaria de ver a água saindo de dentro da pedra, não é a água canalizada, por exemplo, a fonte do Danúbio é assim. Ela sai do chão e encaminha para o reservatório, o reservatório é todo forrado de mármore, etc., e tem umas torneiras monumentais e de lá sai o Danúbio, do palácio do príncipe de [Furstenberg?] no parque dele.

Bem, isso é muito bonito, ele fez uma bonita obra de arte, mas outra coisa é o seguinte, quando eu era pequeno, e que mocinho, que ia de trem para Santos, aquela descida de trem para Santos é uma beleza, um dia precisávamos de fazer isso juntos, é uma beleza, acho que ainda há meios de descer de trem para Santos.

Mas, a gente via, não sei se hoje em dia já escangalharam isso também, aqueles montes de pedras altíssimas, e um filão de pedra que escorria ao longe da fonte assim, em vários lugares, mas eram filões e filões de pedras assim, às vezes de uma mesma pedra escorriam de altura dela e em pontos de diferente alturas. E, eu ficava encantado de ver aquela água correr ao longo da pedra, mas, mais eu tinha vontade de ver a boca da pedra, onde saía a água, aquele mistério da água límpida que saía dos segredos tenebrosos, de uma profundidade escura de uma pedra.

E, eu sabia que isso era a beleza de alma do explicitar, depois de um longo trabalho de apalpação inteiro, das suas próprias impressões, em determinado momento, explicitar em duas fases. Primeiro definindo para si, precisando para si, o que é que ela [inteligiu?]; em segundo lugar encontrando a palavra que [intelige?], que exprime perfeitamente, pam-pam, o sentir isso sair, tem a glória de um nascimento de sol.

É uma beleza. Jó disse, ele disse em outro sentido, eu inverto o sentido, “bendito o momento em que a minha mãe disse: nasceu um homem”, “é bendito o momento em que a minha [alma] disse: nasceu um pensamento”.

Agora, isso vem de onde? Vem do ver, considerar o Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora, a Igreja Católica, nas profundezas que tem insondáveis, minha alma limitada, olha para essas riquezas que nEle são infinitas, na Igreja e em Nossa Senhora, são inesgotáveis, são insondáveis.

E diante daquilo, eu sinto, diante do insondável e do insondável inefável, eu sinto que gotas de insondável vão tomando expressão, é tal ponto, é tal ponto, é tal outra, e depois encontro a palavra, e que isto é, uma operação amorosa interna, que dever ser chamada oração, é elevar sua mente a Deus, isso é oração, eu rezo, durante o dia, todos sabem, eu rezo uns 45, 50 minutos de oração todos os dias, mas não é só isso que eu faço de oração, com a graça de Nossa Senhora o meu pensar é uma oração, porque eu não penso sobre outra coisa a não ser isso, ninguém me viu pensar em uma coisa desligadamente disso, tudo o que eu penso tem ligação com isso, e quando eu me entusiasmo, acontece tão freqüentemente, pelo que eu penso, eu digo, digo com entusiasmo eu digo com entusiasmo, porque eu amei o fruto de minha própria oração, e é assim.

Agora, ela já nasce armada, porque já nasce no seguinte, com uma atitude face a mim mesmo cobrando uma integridade de entrega àquilo e cuidando de afastar qualquer coisa que possa a qualquer maneira evitar uma completa entrega àquilo. Quer dizer, já nasce armada dentro de mim diferenciando-se de outras coisas que quando toma a palavra, já nasceu armada para o adversário, não venham interpretar de tal jeito, de tal jeito, eu sei que vocês vão fazer chicanas, eu os conheço e sei que chicanas farão, mas a palavra está escolhida para que a arma de vocês se quebre nesse granito, não possa furá-lo, não sei se está claro? E eu sei que é assim. (…).

* Breve comentário sobre Nossa Senhora do Bom Sucesso: Rainha profética que fala de castigos, e o castigo é o triunfo d’Ela

(Sr. G. Larraín: A Imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso…)

A impressão que eu tive, pelas fotografias, uma das impressões que eu tive é que a foto não absorvida, a Imagem não é absorvida por nenhuma foto, pode aproximar-se muito ou menos.

Bem, outra impressão que eu tive foi o seguinte, é uma Rainha Profética.

É uma Rainha Profética, do alto de sua função de rainha, por assim dizer produz os pensamentos de que cogita.

(Sr. G. Larraín: Ela é terrível e fala de castigos…)

É terrível, castigo e afirmação do triunfo d’Ela, o modo pelo qual o báculo d’Ela pousa no chão, esmaga o demônio e aquela imagem é feita pelos Anjos.

Meus muito caros, o que é que eu posso fazer?

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