Conversa
de Sábado à Noite – 17/8/1985 – p.
Conversa de Sábado à Noite — 17/8/1985 — Sábado [VF031] (Augusto César)
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Trabalho não me cansa. O que me cansa é apreensão. Apreensão me cansa, mas o trabalho de si, não. O que eu escrevi para o negócio do Pedriali são toneladas! Não me cansou.
No fundo, essa reunião que eu fiz para os enjolras lá é trabalho. Mas não me cansa. Eu toco a vida.
(Sr. Gonzalo Larraín: O senhor não sente?)
Não. Eu acho que não me cansou, porque tenho a impressão de que o esforço intelectual não cansa ninguém, que o que cansa é a torcida com que o sujeito faz o esforço intelectual. Pensar [não] cansa. O que cansa é torcer enquanto pensa. Será que vou conseguir acertar, como é, aí a torcida vai. E eu, toda vida, fui muito inimigo da torcida.
(Sr. Gonzalo Larraín: Quando o senhor diz que está cansado, é preocupação?)
Preocupado. Mas, o trabalho é muito diferente de preocupação. Vamos dizer, por exemplo, nossa conversa aqui à noite, não tenho preocupação. Agora, quando vem, por exemplo, certos casos espirituais, e que a gente nota que o sujeito está [para] se jogar da janela, está na cornija e a gente não quer, porque vê que Nossa Senhora tem desígnios com aquela alma, etc., etc., isso pode cansar muito.
(…)
…os dois estouram se a gente não fizer, então como é que vai arranjar? Essas coisas cansam, e cansam muito. Ou então um dia todo diretivo, dirigindo isso, aquilo, isso cansa. Mas, não é trabalho intelectual propriamente dito, é um trabalho que entra mais vontade do que inteligência. A vontade pode cansar-se, mas estou dizendo que o esforço intelectual não cansa.
Por exemplo, Mário, Edwaldo, Poli que me vêem todos os dias, de esforço intelectual propriamente, raras vezes me terão visto cansado. Isso não me cansa. Mas, vamos aos nossos temas que são mais altos do que esses.
Um parêntesis: nossas conversas do almoço têm sido dada para eles ouvirem?
(Não)
Valia a pena. Porque é um tema muito a próximo a esse. Não estou dando a ninguém, mas a vocês eu gostaria de dar. Desde que vocês tenham tempo.
(Sr. Gonzalo Larraín: Vamos fazer um simpósio.)
(Sr. Guerreiro Dantas: O espírito aristocrático e [m.?] no momento do fundador. E a fé dentro disso, a ligação desse espírito com a fé.)
Eu acho que seria mais verdadeiro, se fosse fazer a descrição de minha pessoa, de minha mentalidade, coisa da qual, como Fundador, eu não posso me subtrair, quer dizer, não posso tomar — nem quero, graças a Nossa Senhora nem me passa pela cabeça exibir-me — [a] iniciativa de me exibir. Mas, perguntado, eu devo dizer. Porque, uma vez que eu afirmo e vocês concordam, acham, que a vocação de vocês é seguir meus passos, eu hei de dizer para onde é que meus passos correm. Do contrário, não faz sentido. Como é isso aí?
Então, seria preciso ver bem o seguinte: isso que você diz, modelado mais de acordo com a encíclica de Leão XIII sobre as fórmulas de governo, que precisaria figurar na formulação que você disse, é verdade; modelado então de acordo com a encíclica de Leão XIII sobre as formas de governo, é verdade.
Mas, é verdade do seguinte modo: que, por detrás disso tudo, existe uma mentalidade, existe a idéia, a noção de uma mentalidade que é a mentalidade católica.
O que chamo a mentalidade? Palavra comum, que todo mundo emprega, mas o que quero dizer aí com mentalidade?
É a condição, a situação de uma mente, em que tudo quanto ela pensa é harmônico em torno de si, a partir de determinados princípios… Isto forma uma mentalidade. Quer dizer um homem que tem uma mentalidade dividida em princípio contraditórios, que a pessoa não leva até o fim, que tem apenas incompletos, etc., essa pessoa não pode dizer que tem uma mentalidade. Ele tem fragmentos de mentalidade. A mentalidade é a condição de uma mente que toma os princípios que merecem estar no centro de tudo, e os desdobra de maneira a aplicar adequadamente a todos os pontos.
Então, até se pode dizer que existe uma mentalidade protestante, que a partir de um erro, que toma princípios errados, mas cuja contra-partida verdadeira é muito alta, então pode-se dizer que os princípios deles, sobre matéria muito alta, eles erram. Essa matéria alta se difunde por toda mente deles. Um tipo desses tem mentalidade. Tem para desgraça dele, mas tem mentalidade.
Essa definição de mentalidade não envolve, portanto, a afirmação de que o sujeito está certo ou errado. Envolve a descrição de um estado de coerência ordenada, proporcionada da mente. Isto é mentalidade.
Toma as convicções e os sentimentos, os desejos, as volições, as fobias, as rejeições, tudo isto governado por estes princípios, isto é mentalidade.
Agora, a minha idéia é que a mentalidade católica forma igualmente as pessoas no campo inteiramente religioso, de um homem que tivesse apenas tido considerações de caráter estritamente teológico na vida, como forma completamente um homem que tenha tido considerações na sua vida preponderantemente — não exclusivamente — preponderantemente de ordem temporal. Mas que estão ligada, no nosso caso, ao espírito católico, à doutrina da Igreja. Esse tem uma mentalidade.
Agora, a minha mentalidade seria assim, que ela é constituída, eminentemente, da consideração em conjunto, pelas respectivas inter-relações, pelas respectivas reversibilidades da ordem espiritual e da ordem temporal.
Portanto, da virtude, depois do bem e do mal, então uma consideração de ordem moral, da Revelação, da verdade e do erro…
(…)
Esses gravadores têm fita dentro? Eu me distraí e fui falando.
Bem, então que tenha essa noção total disso, mas tenha também noção de toda ordem temporal como é, reversível na outra. Com a seguinte idéia pièce maîtresse, que a pessoa com a mentalidade completa deve, ao menos é desejável, que tenha uma vista de conjunto da coisa espiritual, mas largamente tocada, e da coisa temporal largamente tocada. Mas separadas.
(…)
(Sr. Poli: É formada dessas respectivas…)
Quero ver um pouquinho.
(…)
[Acaba a fita, após quinze minutos. A continuação é de outra fita, sem indicação se houve corte, ou se simplesmente se quis mudar de fita por mudar.]
Então, distinta sempre, separada nunca. Quer dizer, a pessoa então, olhando para o lado meramente espiritual, percebe a conexão que aquilo tem com uma ordem temporal boa, e percebe o que aquela mentalidade espiritual lá é o fundo da ordem temporal boa. E, portanto, está amando aquela ordem temporal; como olhando para a ordem temporal, percebe que aquilo é uma defluência da ordem espiritual boa, da mentalidade espiritual boa.
Mário, você quer pegar em cima de minha escrivaninha aquela coisa de [Rottemburg?]?
Eu estou lendo agora uma vida de São Miguel Rua, primeiro sucessor de São João Bosco. É um tema totalmente religioso, totalmente eclesiástico. É uma coisa escrita por um dos primeiros salesianos, é um livrinho, mas tem muita densidade, muita dignidade, porque é dos primeiros salesianos, etc., é um bom documento. Mas, ele cuida única e exclusivamente de coisas espirituais.
Eu, lendo isto, sinto perfeitamente que aquilo gravita em torno de determinados princípios cuja repercussão é a ordem temporal boa. Como vendo certas coisas da ordem temporal boa, eu vejo os princípios espirituais bons que estão atrás disso.
Então vou tratar da ordem temporal boa. Vocês tomam aqui a cidadinha alemã de [Rottemburg?] que vocês conhecem, cidadinha que conservou a Idade Média tal e qual. Vejam um pouquinho.
Agora, eu, olhando isto, eu julgo ver ao mesmo tempo que coisa…
(…)
[A fita está toda cortada, sem que o Sr. Dr. Plinio faça sinal para parar o gravador, e cortada em assuntos inócuos, do ponto de vista São Pio V.]
…são uma fonte disso. Eu, de fato estou vendo uma cidade, estou vendo uma torre, estou vendo tarátá, tá, mas eu vejo nisso, como por um discernimento dos espíritos, qual é a santidade que entra na raiz disso. De maneira que isso para mim não é muito diferente de ler um tratado sobre a santidade.
Tem aí um funcionário… Aqui é o guarda-noturno da cidade de [Rottemburg?], com os trajes da profissão. Não sei se percebem a mentalidade conexa com isso. E de onde é fácil chegar aos princípios católicos. Quer dizer, o trabalho não é tão difícil. Isso aqui é quase um nobre. Não acham muito sério esse homem, muito respeitável a função? A seriedade dele? Mas isso não é inteiramente reversível com a arquitetura da cidade que vocês estão vendo?
(Todos: Sim.)
Bem, não é um nobre, é um mero guarda-noturno, mas você vê a seriedade da cidade, e vê a seriedade da fé católica. Eu vejo qualquer coisa da moral católica ali no seu cume! Uma forma de santidade.
Você toma, por exemplo, o espírito hollywoodiano, é um desabar!
Agora, o mais encantador foi o Jean Goyard, que me trouxe isto aqui, é a planta da cidade de [Rottemburg?], com tudo o que ela tem, etc., etc., é um verdadeiro encanto. Vale a pena vocês verem. Sabe que eu levei um bom tempo olhando isso! Porque isso se lê, não se olha, isso é como um livro.
Bem, uma coisa que é muito modesta, mas muito pitoresca neste sentido, é isto aqui.
Vocês não vêem a mentalidade que há nisso? Vocês não vêem a Igreja Católica tão bem, ou melhor, do que no Convento da Luz, aqui na Avenida Tiradentes?
(Sr. Gonzalo Larraín: Isso a partir de uma certa graça, porque não é qualquer um que veria isso.)
Mas vocês são chamados a isso. Eu acho aqui um encanto. Mas, para mim isto é um convite à santidade. Talvez até hoje não se tenha apresentado a planta de uma cidade como um convite à santidade, mas é! O traje de um guarda-noturno como convite à santidade, mas é, não adianta vir com lorota.
(Sr. Gonzalo Larraín: É a ponta de lança do thau.)
É a ponta de lança. Eu acho que isso não poderia ser mais ilustrativo, nem mais oportuno do que a propósito de um material muito modesto. Isso não custa nada, dinheiro nenhum.
(Sr. Guerreiro Dantas: Porque eu vejo mais nisso do que num santo, vamos dizer, que viveu há tempos atrás.)
Talvez seja um reflexo de sua vocação, você é mais chamado para ver assim. Eu estou certo que estou dizendo aqui para vocês, isso está atraindo mais vocês para a Igreja Católica. Não é verdade?
(Evidente.)
Mas, é próprio de nossa vocação.
Então, por exemplo, eu lendo vida de São Miguel Rua, que viveu no século passado, no tempo de Cavour, daqueles horrores todos, está bem, eu vejo que essencialmente tem em altíssimo grau o que está aqui.
(Sr. Gonzalo Larraín: Mas não é o mesmo.)
Vamos dizer, aqui o reflexo temporal é muito mais nítido do que nos reflexos temporais da obra de Dom Rua. Mas os princípios que aqui se notam, na alma de Dom Rua está mais do que aqui, mas ele reflete…
(…)
(Sr. Gonzalo Larraín: Mas deveria haver mais consonância na alma dele com isso.)
Não. Aí é preciso agir com muito cuidado. E que, se vocês tomam em consideração o mundo antigo modelado pela Igreja dos mártires, não teve os reflexos temporais que teve aqui. De maneira que você toma, por exemplo, o Império Romano no período de Constantino até os bárbaros, não tem o reflexo. Ficaram na cultura pagã.
(Sr. Gonzalo Larraín: Depois não.)
Depois veio uma graça especial para a Idade Média que foi se apagando pelo pecado de Revolução, até chegar a uma separação completa e um qüiproquó. Eu entendo que a Igreja do Coração de Jesus — estou conseguindo agora a biografia do arquiteto — eu entendo que a Igreja do Coração de Jesus tem, entretanto, umas certas consonâncias assim, reversibilidades assim. Mais interessante é o seguinte: aquele prédio, que é esteticamente, não digo discutível, mas sem grande valor, que tem de um lado e do outro, forma um todo com a Igreja que deu nisso, nessa Câmara de Vereadores meio comunista que há em São Paulo, os salesianos pediram licença para destruir aquele prédio e construir uns arranha-céus deles. A Prefeitura proibiu, dizendo que era preciso conserva a tradição. A Prefeitura de São Paulo!
Eles então resolveram fazer o seguinte, uma coisa horrível! Derrubar por dentro e fazer vários andares, e conservar a casca de fora; mas ainda há uma certa proteção da Providência e, que a casca se conserve por fora, porque no todo o prédio fora é todo temporal, mas conserva alguma coisa que tem dentro.
Se quiserem levar isso para ver pouquinho e depois me dar, podem levar. Eu tenho certeza que vocês gostariam de olhar um pouco, etc., etc., analisar. Minha irmã foi a [Rottemburg?] e se deliciou, se inebriou com [Rottemburg?]. Então quando recebi, mandei para ela ver. Ela gostou além de todo limite. Mas, eu acho que esse guarda faz parte desse mapa e dessa história; esse guarda não deve ser separado do resto. E esclarece então a vocês como é que eu vejo a coisa, como deve ser, portanto, a formação de nossas almas.
Se me permitem, para fazer a análise aí. O que é que tem aí?
É uma cidade, evidentemente, de pequena burguesia. E que tem todas as qualidades da pequena burguesia… É o próprio da pequena burguesia, ela é encolhida em si mesma, e porque ela é insegura, ela tem o enorme desejo de fazer como o pássaro que vai a uma árvore, se segura com todas as forças e faz ali um ninho forte. Ali eles moram, têm os ovos, etc., etc., e fazem a história deles lá. E, por mais leve que seja, é sólito.
Então tem a seriedade, a previsão, a lógica, a pureza, a constância, a continuidade de uma coisinha miniatura esplêndida de uma coisíssima, mas que é toda fechadinha e entassée sobre si mesma, que é propriamente a pequena burguesia, no esplendor de sua sensatez.
Agora, capaz de se defender. Se vocês olharem esse mapa, verão que ainda tem muralha. E, outra coisa, não abriram portas novas. As portas são as antigas. Bem, isto tudo, saber ver aqui o espírito da Santa Igreja Católica Romana, é uma coisa de outro mundo. Tanto mais que vou dizer a vocês uma coisa desoladora: [Rottemburg?] ficou protestante e é protestante! Bem, isso não tira o que eu disse.
É inútil dizer a vocês o gosto que eu teria de reabrir o culto católico em [Rottemburg?] e fechar o protestante; pôr para fora o pastor protestante a paulada, fazê-lo sair correndo, etc.
(Sr. Poli: Mas não deixar entrar padre progressista.)
Não, não. Padre progressista o que! Uh!
Então, aqui vocês têm o fundo de mentalidade.
(Sr. Gonzalo Larraín: Onde está a distinção entre campo espiritual e temporal?)
Eu vendo nisto essa coisa percebo o espiritual subjacente dentro disso e animando tudo isso. Vendo o espiritual, eu percebo… Porque aqui o espiritual está subjacente e vivo. No espiritual o temporal está como a árvore na semente; a ordem espiritual pode florescer uma ordem temporal, além da espiritual que é própria. É esta reciprocidade que faz ver melhor, no fundo, no fundo, no fundo, a própria ordem espiritual.
Portanto, é mais fácil amar o espírito católico e unir-se a ele, etc., para nós, muitas vezes entrando pelo campo temporal, para melhor compreender o espiritual. Por exemplo, vou dizer uma coisa que pode parecer um absurdo, mas, in concreto é mais formativo às vezes, para gente compreender um ponto de doutrina católica, ouvir uma música sacra, ou assistir uma cerimônia religiosa do que ler um trecho de São Tomás.
Veja bem o seguinte; nunca seria de meu espírito ficar só na consideração sensível da coisa sem chegar à doutrina. Vocês me conhecem bem e sabem como eu sou raisonante, ou se quiseres, raisonable, quer dizer, como eu gosto de saber, como é, prova com que, que argumento, qual é a maior, qual é a menor, qual é a conclusão, tatá, tatá, e que sem isso não me mantenho. Mas também aqui entra outra coisa: a reversibilidade entre a verdade conhecida pela razão e a verdade conhecida pelos símbolos é uma outra imensa coordenação que faz parte do meu espírito.
De maneira que, por exemplo, um mero tratado sobre formas de governo não me diria tudo se eu não tivesse largamente a história das instituições, das organizações, dos símbolos, etc., etc., não me diria.
Então, e [é?] outra espécie de reversibilidade e bivalência que vocês notam no MNF às carradas! Ora sai um raciocínio tatá, tatá, depois o símbolo; ora encontro um símbolo e depois daí parto para o raciocínio. Mas, não fico sem as duas coisas. Graças a Nossa Senhora não sou dos tais que, por simbolismo odeiam o raciocínio e por racionalidade desprezam o símbolo. Nunca! As duas coisas se completam. Não sei se respondi a pergunta.
(Sr. Guerreiro Dantas: O assunto comporta outras explicitações.)
É um pórtico. Não quero dizer que o assunto esteja esgotado. Eu diria: o pórtico do assunto é esse. Estou mesmo emprestando a vocês isso, não só para distraírem, que é uma coisa boa, mas é porque sei que lhes fará bem à alma, por causa do que estou dizendo. Tivesse eu muitas coisas dessas, eu organizaria uma coleção.
Agora, é preciso dizer. Esse [Rottemburg?] tem uma benção especial. Eu visitei em Barcelona a exposição do pueblo espanhol, que é uma reprodução de uma das aldeias espanholas mais características. Pueblo em espanhol é aldeia, não quer dizer só povo. Bem, é um encanto, é católico, mas não tem a densidade católica disso. Isso não é! Isso é uma coisa única.
Depois tem grandes vantagens, é que se compreende melhor nossas idéias sobre aristocracia, porque vocês estão me vendo falar disto, que é de uma condição popular modesta, transportado de simpatia e de embevecimento, mas literalmente transportado! Mas é diferente da condição pequena burguesia, como fez a Revolução.
Ora, enquanto as coisas da nobreza ficaram, as coisas da pequena burguesia Contra-Revoluçionária quase não ficaram, e eu não tenho elementos para exemplificar. De maneira que, quando isso me caiu na mão, eu disse: “isso eu pego, é um tesouro!”
Eu não sei como entraram duas ou três fotografias de afgãs dentro disso. É outra coisa!
(Sr. Gonzalo Larraín: Não tem nada que ver!)
É até pitoresco, hein. Mas, não é a mesma coisa. Acabou-se. É muito interessante, etc., etc., mas não é [Rottemburg?]. Note o seguinte: a cor de que é feito o traje desses afgãs aqui é uma cor muito delicada, muito bem matizada, eles são selvagens, mas a cor é muito…
(Sr. Gonzalo Larraín: O “edifício” de nossa fidelidade só se reergue por essa visão unitiva da Causa, da Causa enquanto tendo a visão unitiva.)
Só se reergue por aí, estou inteiramente de acordo.
(Sr. Gonzalo Larraín: E essas reuniões devem caminhar para vermos o senhor assim.)
Isso é assim, está bem dito, estou de acordo.
(…)
O famoso colóquio de Óstia entre Santo Agostinho e Santa Mônica é um hífen entre relações terrestres e celestes. Eles foram conversar na porta, na janela quero dizer da hospedagem que dava para um jardim interno. E começam conversar, e tiveram juntos um êxtase. Não foi assim um rapto de repente, mas foi por etapas. Essas etapas têm um sabor que a gente sente aí bem os pontos, por assim dizer, intermediários entre o Céu e a Terra, e percebe na conversa terrena deles como é uma conversa no Céu. Isso é uma coisa magnífica.
Então, os aspectos mais altos da vida terrena, no convívio terreno, estes aspectos serem tidos como convite para se pensar no Céu. Eu acho isso uma coisa que dá outro sentido ao Céu, e outro sentido à Terra também.
Vamos dizer o seguinte: no momento é positivo que todos estamos recebendo uma graça que nos une, e que está havendo uma ação sobrenatural nas nossas almas, que está nos mostrando por onde nossas almas são próprias a se unirem, e que, portanto, Deus está agindo aqui. Ele não está aqui como está na Eucaristia, não está neste sentido, mas está agindo aqui.
É ou não é verdade que, portanto, tem que haver coisas parecidas com isso no Céu? E que se pode compreender no Céu que a gente aborde Carlos Magno, pergunte a ele coisas.
[Vira a fita]
Depois, falar com Ele! Perguntar, por exemplo, o seguinte: “em tal aspecto assim da vida da TFP, que gáudio teve vosso Coração Sagrado? Como pulsou? Como foi essa pulsação? Mas também, Senhor, como foi essa pulsação no momento que Vos dei aquela dor? E como foi essa pulsação no momento que Vós Vos alegrastes porque eu disse sim? Quer dizer, contai-me a história de minha vida no vosso Coração”.
Mas, aí o respeito não tem palavras! O amor não tem palavras, e é o Céu! É propriamente o Céu.
Agora, imagine Ele tornar patente o Coração d’Ele e deixar ver ali como é que o coração de carne d’Ele vibrou e Ele contando, nos dando pormenores sobre aquilo, nos dizendo a respeito de nós mesmos alegrias e tristezas que dávamos a Ele, que não chegamos a pensar, e como é que Nossa Senhora interveio, e Ela então conta também.
Os senhores já imaginaram o que é saber de nossa história contada pelo próprio Nosso Senhor, pela própria Nossa Senhora? Por exemplo, isto aqui é uma meditação sobre o Céu! E eu vejo que, pelo favor de Nossa Senhora, está fazendo bem a vocês, muito mais bem do que um sermão.
Mas, isto eu acho que participa do Reino de Maria. Quer dizer, tudo isso que nós estamos dizendo aqui, eu acho que é participante do Reino de Maria.
(…)
(Sr. Gonzalo Larraín: O senhor o veria mais como rei temporal ou sacerdote?)
Como a causa eterna e viva de todo aquele estado de espírito de que falei, o reservatório, a fonte, a quintessência, enfim, Deus enquanto sendo assim se exprime através da Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo perfeitamente para nós.
(Sr. Gonzalo Larraín: Mais do ponto de vista sacerdotal ou régio, se pudesse separar.)
E do ponto de vista previamente ao sacerdotal e régio, do ponto de vista santo. Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deos Sabaoth. Quer dizer, com uma perfeição moral, mas uma perfeição moral de estontear, infinita, um oceano, um mar, uma coisa que eu não saberia o que dizer.
Agora, nesta perfeição, instalados muitos harmonicamente o sacerdócio e a realeza, de maneira tal que seria um sacerdócio de um esplendor sacerdotal nunca visto e uma realeza nunca vista também. Sacerdote como ninguém e Rei como ninguém. De maneira que todos sacerdotes participam do sacerdócio d’Ele, e todos os reis da realeza d’Ele. Rex regum et Dominus dominantium. Rei dos reis e Senhor de todos aqueles que dominam.
Agora, se, por exemplo, a gente conversasse sobre Ele assim, então nossa piedade ao meditar, por exemplo, o Nascimento, a Visitação, os mistérios todos do Rosário, não mudaria em algo? Aí então teríamos a porta daquilo que nos chama.
Meus caros…
(Sr. Poli: Podemos fazer outra amanhã ou segunda.)
Depende de ter despachinho ou não. É certo que tem despachinho, não é?
(Sr. Poli: Quarta-feira.)
Se der, será com gáudio para mim. Vamos rezar, meus filhos?
[Oração da Restauração]
Eu estava conversando com vocês aí e minha atenção estava sendo atraída por uma coisa baixa de nível. Sabem o que é? Estão vendo aquele quadro da Duquesa de Nemours? Periodicamente a gente remonta — porque não deve aparecer aquele preguinho, nem aquele cordãozinho — a gente remonta e com o tempo o cordãozinho estica e o peso do prego repete aquilo. Estou precisando mandar ajeitar de novo.
* * * * *