CSN – 10/8/1985 – p. 4 de 4

Conversa de Sábado à Noite — 10/8/1985 — Sábado [VF031] (Augusto César)

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(Dr. Paulo Brito: Guerra dos profetas…)

Não há melhor início, porque você vê que a trombada dada pelo adversário contra nós. Em primeiro lugar é uma trombada de um bicho acuado que dá uma patada. Eles estão acuados, porque aquilo não é atitude de quem está avançado, é uma atitude de quem está na defensiva, e que não tem o que dizer. Isso não tem dúvida nenhuma.

Agora, eles entraram… Vamos dizer que na fuga, vamos dizer assim, acossados por nossa tática — entrou toda uma tática dentro disso — acossados por nossa tática, eles não tiveram senão, como remédio, fugir, protegendo a sua própria fuga com cargas de artilharia. Isso foi o que foi feito.

Nesta coisa eles colocam como ponto crucial da batalha a questão da Venezuela, não, a questão da pureza e a questão da liberdade religiosa. E, colocando a questão da pureza, eles colocam toda a questão do conflito entre a moral antiga e a moral nova dentro da Igreja. Não sei se ficou claro como é que coloca.

Colocando a questão da liberdade de pensamento, eles mais uma vez colocam a questão da Missa e a questão, portanto, da liberdade, enfim, da atitude ante o Concílio, que é no fundo o que está, da reforma da Igreja.

Bem, esses temas passam a ser temas cruciais pelo seguinte: se a TFP venezuelana ganha esse processo, desmoraliza o surto desse processo no mundo inteiro. Se ela, pelo contrário, perde esse processo, ela…

(…)

e, portanto, rastilho de pólvora. Esse é o negócio. De maneira que é guerra de profetas mesmo!

(Sr. Guerreiro Dantas: Não, entendi como pretendem ganhar uma guerra pondo de lado toda a questão jurídica de modo tão espantoso. Aberrações jurídicas…)

De cair de costas!

(Sr. Guerreiro Dantas: Até não entendia bem como o senhor dava tanta ênfase à parte religiosa e não na parte jurídica.)

Porque a parte jurídica nem precisa de discussão. [Risos]

A parte jurídica é tal, é tal que não há elementos para se analisar seriamente, de tal maneira isso é despiciendo. Agora, você precisa considerar o seguinte: da intimação que nós recebemos para a situação de hoje, algumas coisas mudaram e essas coisas foram muito sensíveis, no jogo geral das coisas.

A primeira coisa que mudou foi o seguinte: eles fizeram uma investigação… A defesa da TFP venezuelana que foram os abaixo-assinados das famílias, aquilo tudo que ele menciona, eles não pensaram que a TFP venezuelana se defendesse daquele jeito e com esta eficácia. Eles não pensaram que tantas famílias enfrentassem o estrondo publicitário, que tantos ex-membros do Grupo enfrentassem o estrondo publicitário, que nós conseguíssemos, portanto, depoimentos de nosso lado, próprios a nos escorar de algum modo, eles não pensaram uma coisa dessas. Eles não pensaram que aquele decreto de fechamento obtivesse aquele repúdio geral do meio jurídico da Venezuela que nós publicamos aqui. Não pensaram, sobretudo, que a questão da lavagem-cerebral fosse esmagada como foi. Porque a lavagem-cerebral é slogan. E a gente falando de lavagem-cerebral, isso é uma coisa tremenda. A ameaça que me veio por aquele médico foi de lavagem-cerebral.

Esmaga a questão de lavagem-cerebral. Você viu que esse sujeito falou de lavagem cerebral por alto, e logo dando como liquidada a hipótese da lavagem cerebral, por causa daquele testemunho de dois médicos, aquela história. Aquilo não resolve nada. É preciso examinar os métodos, como é que seguiram esses métodos, para ter feito interrogatório a esse respeito. Não foram por aí, porque a questão de lavagem cerebral estava liquidada! Aquele folheto foi realmente decisivo.

Bem, o fato de nós conseguirmos de um médico muito bom de Caracas um atestado de que os nossos estavam bem de cabeça… Bem, é toda uma série de providências contra que os deixam muito “aperriados”. Não deixa totalmente derrotados, mas muito “aperriados”.

Por outro lado, eles não contavam com uma coisa que foi maravilhosa, que foi a falta de ressonância dessa campanha na Colômbia. Na Colômbia começou, e a TFP lá, com muita força do que na Venezuela, foi esmagada logo. No Equador, o Presidente da República é nosso, esmagou o negócio também…

(…)

cega a favor de um lado. Depois o absurdo é o seguinte: é que o Estado não pode também legislar mais sobre isso, porque a legislação não nos atinge, seria retroativo. De maneira que não… A menos, naturalmente, que vamos para costumes jurídicos congoleses, [dalmei?], sei lá o que, então é outra questão. Mas, na nossa formulação, eu acho que nós estamos ganhando a partida.

(…)

O que eu não acredito é que essa história fique nisso. Ainda que ganhemos o processo na Venezuela, nós seremos acusados de outras coisas por outra gente. De repente é na Espanha, ou em qualquer outro lugar. Mas isto haverá. Você viu o Lorenzon no Rio Grande do Sul, que levantou de que somos insufladores desse morticínio de… Eu já estou com minha reposta para o Lorenzon preparada, que é de dizer que eu nego inteiramente e que ele, a prova de que ele não tem nenhuma demonstração disso é que ele não faz a mínima alusão a prova nenhuma.

Agora, que a TFP habitualmente quando sofre, quando tem sofrido acusações, não tem respondido acusando os adversários, porque a matéria não tem sido [no] terreno político, tem sido [no] terreno religioso, doutrinário, etc., mas que aqui entra um assunto político pelo meio e o modo de discutir o tema varia. E que eu precisava dizer, tomada em conjunto a questão agrária, eu precisava manifestar, depois de desmentir categoricamente a acusação, manifestar minha preocupação diante da atitude tomada pelo Lorenzo no caso. Porque não compreendo como é que um homem, deputado, moço e apoiado pela propaganda se manifesta tão receoso do que possa ter feito a TFP em Belém do Pará, onde ela não tem núcleo, não tem nada, o que possa feito lá, e não vejo o homem preocupado em o que fazer para manter a ordem contra as invasões que estão sendo feitas em todo o país. Me faz apresentá-lo como homem que tem posição tomada na questão da luta de classe, porque os excessos possíveis de uma classe o preocupam, os excessos reais, evidentes, berrantes de outra não o preocupam. Nisso ele está entrando com um lutador. Não sei se no eleitorado dele se tem consciência de que ele é, portanto, um homem de posição tomada definidamente pela esquerda, contra a direita.

E que a esse respeito cabe uma outra questão: ele fala de SNI, que ele vai pedir para o SNI para desvendar. Eu pergunto: ele pediu para o SNI para verificar qual é [a] oposição que o PC e o PC do B e o PCB, e se congratularam, etc., etc., ele está inteiramente despreocupado que eles não vão tirar, não estão tirando proveito do que está se passando? Apesar do “Isveztia” publicar tal coisa e o “Pravda” ter publicado tal coisa assim?

E é por cima do eleitorado dele, porque nós vamos distribuir isso no setor eleitoral dele, vamos mandar distribuir lá, publicar lá.

(Sr. Poli: Uma tal bofetada!)

Pois é, mas precisa tomar! E que isso tudo o caracteriza inteiramente nesse ponto, e que não adianta ele vir depois arranjar um abaixo-assinado de amigos garantindo que ele é o que não é, porque nós queremos res non verba. O que é que ele diga para os amigos dele não tem o valor da expressão dos fatos e dos gestos que ele põe. Os fatos e gestos dele são esses.

Eu manifesto minha preocupação. Pronto.

(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor é capaz de ser eleito deputado pelo Rio Grande…)

O Lorenzon é da zona de Santa Maria?

(Dr. Edwaldo Marques: Cruz Alta.)

Que distância isso fica de Santa Maria?

(Dr. Edwaldo Marques: Pouco.)

Então, mandamos para lá. Quer dizer, não fica nas nuvens não. Os fazendeiros… Aliás, Edvaldo, aqui tem uns argumentos contra a Venezuela, aqui, que eu assim não tinha formulado e que me são úteis. Essa coisa contra o Lorenzon já fica dita. Publico assim no Rio Grande do Sul. Agora quero ver com o que é que vem.

Sou capaz de pôr ainda isso: que a Assembléia Legislativa cedeu seus locais ao Partido Comunista festejar sua restauração. Eu pergunto: ele, Lorenzon, faria um discurso na Assembléia pedindo para emprestar para a TFP fazer uma reunião também? E por que não?! Por que essa discriminação? Se todas as opiniões têm liberdade e foi o que disse Sarney nesse discurso, então quero perguntar: por que razão é que a TFP não tem liberdade, e ela não pode ter agentes percorrendo as fazendas do Rio Grande do Sul, sem ser suspeitada de fazer desordem?

Suposto que seja desordem, dizer a um dono que se defenda quando é atracado em sua propriedade. Que é outra coisa que eu queria que ele exprimisse o que ele acha, se é desordem ou não.

Quer dizer, vem com história, vem com história. Nossa defesa durante o estrondo de 75 você viu, foi o tempo inteiro defesa, não teve nenhum ataque, nem mais. Desta vez estamos em democracia, olha aqui: “Maurrepas, déchirrez!” Está acabado.

(Dr. Edwaldo Marques: E o outro teve a coragem de dizer que o relatório não foi publicado porque a publicação seria favorável a nós.)

Foi. Ah! Eu não vou tocar no estrondo de 75. Se tocar, vou dizer: “Todos vocês sabem que linda edição, por conta do governo do Estado, ele mandou fazer em papel glacê, etc., etc., dessa história da TFP, e depois diz que não publica, mas faz uma edição de luxo para distribuir entre seus amigos; e não publica por quê? Porque seria favorável a nós! Onde está a justiça? Vocês quiseram investigar ou difamar? Esta foi uma comissão de investigação ou foi uma comissão de difamação? Que se calou porque não encontrou meios de difamar! Venham vocês aqui agora”.

Se vier com amolação, é isto. Pronto! Vão plantar batatas!

(Sr. Poli: Tem uma referência elogiosa ao senhor, dizendo que em 75 não conseguiram nada…)

Mas como quem dá a entender que se fizessem agora talvez se conseguisse.

(Sr. Guerreiro Dantas: Falando em personalidade, tem um pessoalzinho lá de Itaquera que quer ver o senhor de perto, ter uma reunião com o senhor.)

Ó messa!

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