Conversa de Sábado a
Noite – 4/5/1985 – p.
Conversa de Sábado a Noite — 4/5/1985 — Sábado [VF29A] (Confidencial) (Neimar Demétrio)
(Sr. Guerreiro Dantas: A foto daquela casa alemã.)
Aquela casa faz bem, ouviu? Tem um equilíbrio, uma coisa. Não é elegância francesa, é elegância alemã; mas a elegância alemã existe. Quando se fala em elegância alemã, os brasileiros tendem a dar risada. Ao menos os que são de São Paulo, inclusive para o Norte. Mas ela existe, e é uma elegância feita de força, de equilíbrio, de bom senso, de conforto, de estabilidade, de segurança; é uma elegância própria. Não é elegância latina, é uma outra coisa, mas é uma elegância… Olha como ele está contente… (Risos) Mas é verdade, é verdade.
Era preciso – vou dizer mais…
(…)
Aliás, todo mundo que não tenho visto, estou achando particularmente bem disposto. É um pouco irônico dizer isto no Guerreiro, que é tão forte, mas também está bem disposto. Eu acho que eu estando ausente, descansa. Acho que é isso.
(Sr. Guerreiro Dantas: Não, é que estamos fazendo simpósio sobre as reuniões aqui.)
Ah! Então é isso.
(Sr. Guerreiro Dantas: Tem sido ocasião de graças, alegrias, inesperadas alegrias…)
Essas são as melhores. Alegria na vida é isso. O resto é conversa.
(Sr. Poli: Depois, desdobramentos da matéria…)
A matéria é de uma profundidade inesgotável. Você compreende o seguinte: eu creio que se o estado de perfeição evangélico é o estado religioso, nós não temos estado religioso, mas temos o estado muito próximo do religioso. O relacionamento mais perfeito entre os homens que tem que ser o relacionamento entre os homens perfeitos. Porque, como o homem é a causa da relação, quando ele é mais perfeito, a relação é mais perfeita.
Acontece que neste estado de relacionamento, o mais alto da relação, é a chave de cúpula da relação, que é a relação com o fundador. E, portanto, provavelmente, não há relação humana mais perfeita do que a relação fundador com seus religiosos. E, portanto, a matéria que nós estamos aprofundando tem essa perfeição inesgotável. Acrescida de qualquer coisa que é implícita, ainda não está inteiramente explicita, mas que é o seguinte: por algo que é ligado à devoção a Nossa Senhora, tudo o mais, a relação… e depois por causa de nossa missão de trabalhar pela santidade religiosa e moral da opinião pública e por todas essas coisas, nós devemos ter um perfil de alma muitíssimo partícipe da alma de fundador, para ter as claridades, as percepções, e tudo o mais que ele tem.
Isso supõe uma forma de união de alma que eu creio que é maior do que a que houve em todas as famílias religiosas. De onde uma excelência ainda insondada deste teor de relações entre nós. Então a profundidade inesgotável deste tema que nós estamos tratando e também as torrentes de graças que vocês recebem com esse tema.
Porque a Providência está deixando bem claro que são torrentes de graças. É o que há de mais evidente. Para vocês eu acho que é mais ou menos evidente como uma coisa palpável, é assim. Mas equivale a um chamado, e equivale a uma promessa.
Vou ser um pouco indiscreto: todos vocês têm uns pontos encrencados na vida espiritual e têm os pontos encrencados, portanto, na vida externa. Porque, chamados para isto, enquanto não vêem isto bem, nada se conserta.
Esses pontos encrencados se consertarão, por assim dizer, sem ascese, sem dificuldade, se vocês seguirem esse caminho. Então, a fase anterior que vocês sentiam, porque isso mais ou menos todos vocês sentiam, estavam mais ou menos nisso todos, uma porta fechada que não tem caminho para frente. De repente vocês vêem a porta abrir-se.
É a felicidade que vocês procuravam aquém da porta, vocês encontram além da porta. Mas isso é apenas o começo. A felicidade que os espera é muito maior. E é muito importante ter isso em vista.
Mas diga, meu Guerreiro, você ia falando.
(Sr. Guerreiro Dantas: Numa das reuniões o senhor comentava, pitorescamente, os desvios que se deram no Grupo no relacionamento com o senhor, o Grupo tinha sido muito insensível à ação de presença do senhor. E houve então dois desvios fundamentais: 1) Dos aristocratas perfumados porcelanosos; 2) Os intelectuais independentes. Cada um definindo para si toda uma concepção do que é Contra-Revolução, que era completamente insuficiente. E quem sabe se não houve uma terceira categoria, dos que não escolheram nenhuma nem outra coisa e ficaram babando.)
Oh! Oh!
(Sr. Guerreiro Dantas: Então, na linha de conhecermos mais o operar interno da alma do fundador, se o senhor não poderia continuar a tratar daquele assunto, da penúltima reunião, em que o senhor atribuiu um pouco o salão no qual o senhor não pensava, porque D. Chautard o havia aconselhado a fechar.)
É.
(Sr. Guerreiro Dantas: Não seria daí que viria para nós graças especiais? O Reino de Maria não estaria ligado com esse ponto, à alma da alma do fundador? Eram perguntas que púnhamos. O senhor disse algo disso numa das reuniões, afirmando que o ponto por onde o senhor mais amava a Deus era considerar em Deus e por onde Deus era absolutamente transcendente em tudo. Mas de outro lado bondades e misericórdias d’Ele que acompanhavam o homem nas situações mais dolorosas, no pecado…)
E vergonhosas, ominosas.
(Sr. Guerreiro Dantas: E era razoável que este aspecto se refletisse na própria, na própria pessoa do fundador. Nos pareceu a melhor reunião da série, tinha mais o espírito das graças de 67.)
Foi, foi.
(Sr. Guerreiro Dantas: Esse ponto dava, a nosso ver, a arquitetura do salão. Agora, como estaria mobiliado o salão? Se o senhor pudesse se abrir um pouco, os tempos estão se fazendo. De repente tempos negros podem fazer com que o senhor nos deixe aqui…)
Ah! Pode. De repente é.
(Sr. Guerreiro Dantas: Comentar um pouco conosco esse ponto, de pai para filho.)
A metáfora do salão é uma metáfora boa, mas não serve muito para essa parte de exposição que vocês estão pedindo, porque vocês deveriam tomar mais como uma árvore, se você quiser um pinheiro, ou qualquer árvore com seus galhos. Aí vocês compreenderiam, teriam essa parte da transcendência que eu falei, e essa transcendência, essa posição diante da transcendência, qual é o efeito que isto produz em minha alma, e como é que isto depois se projeta, projeta suas repercussões, seus efeitos sobre todos os outros aspectos de minha alma. Aí eu poderia, com esta metáfora, mais comodamente explicar.
Porque, esse amor à transcendência, da parte de quem não é transcendente, portanto, não da parte de Deus evidentemente, mas da parte nossa considerando a Deus, ou na terra considerando nossos superiores, dá uma dupla posição, que de algum modo à alma que se coloca nesse fluxo, de algum modo, porque ama muito o que a transcende, aquilo que de algum modo nós amamos entre nós.
Então, de algum modo, toda a grandeza daquilo que nós amamos entra em nós e eleva cada um tão alto quanto ele foi criado para ser elevado. Mas de outro lado, como é uma coisa que existe originariamente em quem é transcendente, e não em quem está em baixo, cria vales de humildade insondáveis.
Mas o que vem a ser aí a humildade?
É, primeiro, a noção bem viva de que isto vem de outro e que a gente… é admirando outrem e, por assim dizer, perdendo-se nele que nos vem a grandeza. A grandeza não foi uma coisa arrancada de nós como uma matéria-prima que está em nós e que nós elevamos. Por exemplo, um solo com muitas riquezas minerais; o sujeito que é dono do solo vai ao subsolo, arranca aquela riqueza, modela e faz um objeto. Mas ele tirou aquilo que é do solo, ele aplicou um esforço naquilo, modelou, ele é o autor. Essa não é a posição de alma de quem está voltado para a transcendência, porque compreende que tudo nele, todo elemento, toda tendência para a perfeição, para a virtude, para a grandeza, e tudo, provém da atração que aquela grandeza causou a ele, na medida em que ele percebeu que ele era nada em comparação com aquela grandeza, quando se trata de Deus. Como que nada, muito pouco, quando se trata de duas grandezas humanas, terrenas a qualquer título, e que, portanto, ele recebe – que tudo quanto ele tem vem de um recebimento que resulta apenas da receptividade dele, da humildade, do desejo dele de dar, etc., etc.
Dou exemplos de minha própria vida. Por exemplo, eu já tenho dito que eu sei que, pela graça de Nossa Senhora, eu tenho o espírito bem lógico. Mas eu tenho historiado como esse espírito lógico nasceu em mim. Eu sei que esse espírito lógico, em algum modo, provém do fato de que, nos seus fatores naturais, de que a família de meu pai tem muita gente bem inteligente, e que na família de minha mãe é-se menos inteligente como média do que na família de meu pai, mas tem seu feitio de inteligência muito agradável, muito interessante. Não é tão brilhante, tão ágil, tão capaz de penetrar, é, entretanto muito agradável, de um trato muito conveniente, etc., e tal.
E, por causa disso, eu vejo que isso é uma coisa originaria que Deus deu a mim quando me criou. Meu pai, minha mãe… minha mãe me concebeu de meu pai. Deus me soprou uma alma imortal e isto foi constituído. É da natureza, foi constituído. Mas eu expliquei bem que isso não teria sido nada se eu não tivesse conhecido algo da lógica de Santo Inácio na alma e no espírito de um padre que foi meu professor de português, o famoso Padre Costa que depois, coitado, se desandou de tal maneira… “Desandou”, talvez [não] se pode dizer tanto assim, mas mediocrizou de tal maneira…
Mas então vocês estão vendo aqui o que é. Eu conheci em determinado momento uma rutilação de inteligência – é uma coisa sobrenatural, é o espírito da Companhia de Jesus que havia nesse padre – e que me encantou. Encantou-me como uma lógica que eu não tinha, assim firme, lúcida, forte, consistente, eu não tinha, e que me deu um amor enorme e ela: que maravilha! Eu vou me apoderar dessa lógica!
Vendo bem que aquilo estava em Santo Inácio, que Santo Inácio tinha transmitido para aqueles homens por uma sucessão hereditária, e que era natural que os alunos do colégio dele de algum modo participasse. Vou participar disso!
Bem, o amor àquela lógica deu-me aquela lógica. E deu-me uma apreciação enorme daquela lógica. Mas veja bem: não enquanto existente em mim, mas enquanto existente num modelo que não sou eu, do qual eu devo me lembrar constantemente para, até o fim da minha vida, progredir e ter aquela lógica em mim. De maneira que há um progresso de espírito lógico muito grande em mim, eu vejo isso pelo favor de Nossa Senhora, mas eu vejo, de outro lado, que eu estou posto em admiração de uma coisa que não mora em mim em sede própria. Vive em mim, mais à maneira de reflexo do que de um dom natural. E isto é que me leva para frente. De maneira que essa lógica eu sei que me dá uma certa potência intelectual que, graças a Nossa Senhora, eu sei apreciar, mas sei também como entra nisso alguns elementos hereditários naturais, mas entra, sobretudo, este fato: de que, como se fosse um anjo, em determinado momento se tornou claro para mim, passou pelos meus olhos a rutilância de um espírito lógico, de uma riqueza sobrenatural de alma, admirável. Da qual eu guardo como que um “flash” e uma fotografia até hoje, e que eu admiro, que eu admiro, que eu admiro, como um ideal extrínseco a mim a realizar.
Não sei se descrevi adequadamente o fenômeno?
É extrínseco a ele, mas esse extrínseco visto assim comunica sua rutilação. De maneira que eu vejo tudo quanto eu ganho com isso. Eu olho, por exemplo, para aquela minha fotografia lá e digo: se eu não me conhecesse, eu olhasse aquele homem, a primeira impressão que eu teria era de lógica, um homem coerente, e que está interpretando o ilogismo das coisas e das pessoas. Interpretando por luta, é uma interpelação beligerante.
Agora, no que é que isso não dá em orgulho?
É que eu sei que isto não é o que todo mundo pensa, quer dizer, eu nasci mais [pintado?] [dotado] do que um outro. E, por causa disso, eu olho para o outro assim. Eu sei que eu nasci mais dotado do que uns outros, como eu sei que outros nasceram mais dotados do que eu. Mas não é o que vem ao caso. É que eu estou à procura de um modelo que está maior do eu e do que todos os que eu conheço. Não é, portanto, uma corrida atrás da lógica de fulano,cicrano ou beltrano. Isso não me incomoda, é poca. Eu quero aquela lógica que é uma rutilância sobrenatural, evidentemente é uma graça, que tinha aquilo e que me deu aquele desejo, creio eu que desejo de sabedoria, porque sabedoria é isso.
Mas, nessa posição, ao mesmo tempo eu vejo quanto eu me engrandeço e é consideravelmente que eu me engrandeço, mas vejo de outro lado também que é assim, porque eu vejo que não é uma coisa extraída de dentro de mim. Eu vejo que minha natureza dá um certo apport a isso, dá uma certa comunicação a isso, mas que não basta. Nem de longe eu teria sido o homem lógico que eu sou se eu ficasse apenas com esses elementos naturais bons. Eu vejo bem, são bons.
Se quiserem outra aplicação mais concreta, é horrível falar assim, mas eu falo para o bem de vocês, eu não falaria se não por isso, e notem que é muito instado por vocês, filialmente instado, afetuosamente instado, mas muito instado. Instado nesse ponto, que eu percebo que se eu não atendesse o pedido de um modo muito autêntico, isso talharia a graça que vocês estão recebendo, irremediavelmente. Isso então me pede, me convida, me manda que seja de uma franqueza ainda maior.
Mas vocês vejam o seguinte: a composição das hereditariedades que eu recebi, repercute no ambiente onde me formei — vocês sabem bem, bem que não é meu ambiente paterno, porque estavam em Pernambuco, eu não tinha contato com eles, eu os vim conhecer homem feito, mas o ambiente materno. E o ambiente materno tinha como expoente de ambiente, a pessoa que dava o ambiente da família do ponto de vista humano era vovó. E todo padrão do que as melhores qualidades da família pudessem dar, na linha em que a minha família paterna não tinha, era vovó. Quer dizer, uma certa – eu não hesito em chamar de – majestade, majestade mesmo, alta linha, alta categoria, alta dignidade, com um certo toque de inteligência que não tornava aflitiva a desproporção. Porque, uma pessoa com todo aquele porte, se não tivesse uma certa dosagem de inteligência, ficava aflitivo. Mas, por outro lado, se ela fosse uma senhora sábia, filósofa, que improvisasse poesias, ela seria fatigantíssima.
(Sr. Guerreiro Dantas: Não teria as harmonias que tem.)
Quebrava a harmonia. Mas eu notava que aquele tom que ela tinha… Certas coisas dela, eu contei a vocês o negócio das jóias que apareceram no quadro. Ela fez pintar o quadro a pedido de mamãe, e mamãe fez questão de ela mesma pagar o quadro. Quadro moldura, tudo. Ela dizia: …
(…)
…Ela seria muito menos do que ela foi se ela não admirasse a mãe. Então você encontra nela muito que ainda é da mãe. Mas, de outro lado, você vê que ela era ao mesmo tempo… ao mesmo tempo que se enriqueceu na consideração da mãe, que ela não era uma natureza, ela tinha uma grande alma, mas não era uma natureza brilhante, magnífica como a mãe dela, não era. Nem como inteligência, nem como porte, nem como beleza, nem como nada. Mas você sente que ali bateu aquele sol. Tem a santidade, mas que tem algo de senhora. Sente-se que ela tem muito do nobre da mãe em ponto menos brilhante, mas tem.
Agora, ela, amando o brilho da mãe, ela de algum modo se assenhoreou desse brilho. Mas estando numa posição humilde perante esse brilho,ela transmitiu aos filhos.
O que eu me empenho em mostrar aqui é a posição dela diante da mãe com aquela grandeza, a posição dela diante daquela transcendência, ao mesmo tempo enriquecendo-se e se mantendo humilde. Ela cresceu e não ficou mega perante a mãe. O resultado: ela deu um elemento para a formação dos filhos.
Aí vocês estão vendo o misto de grandeza e humildade que alta escola de alma trás consigo. Porque esse é o ponto central da tese, que é o contrário do ensina a Revolução.
(Sr. Paulo Henrique: Aquele ponto de que não manifestava orgulho.)
Não manifestava orgulho no seguinte: é que se a pessoa prestar atenção, eu ali estou, pelo olhar e pela atitude, empenhado numa guerra por um ideal. E a lógica, em parte é um elemento desse ideal, em parte é uma arma de guerra. Mas, eu, mais ainda, estou numa atitude de desafio e, portanto, estou medindo forças. Mas nisso tudo não existe, eu posso afirmar, fanfarronada nenhuma. Quer dizer, não estou pensando em mim e comparando com outro, como quem diz: “veja como sou grande. Porque eu no fundo tenho um amor a uma coisa mais alta pela qual estou lutando”. E se não fosse isso eu não teria um filho chamado Paulo Henrique… (risos). É positivo. Nenhum de nós. Porque, se notasse megalice, etc… não é possível.
(Sr. Fiúza: Um restaurador de obras coloniais, um sujeito internacional, é um francês de uns 75 anos. Visitou a sede, viu as imagens barrocas que temos lá, etc. Quando viu uma copia do quadrinho disse: - “É do final do século passado. É de pessoa da família imperial?”).
Mamãe morreu neste século, mas ela era muito do tempo anterior, inteiramente. Mas isso é muito característico. O que ela tinha da família imperial? Parentesco, por supuesto, nenhum! Nem mais remoto, nem mais longínquo. O que ela tinha? Um reflexo de vovó. Mas reflexo bem assumido, bem desejado na alma dela, uma outra coisa que é especial.
Mas aqui, voltando ao caso, com vovó. Eu via que havia em mim uma certa co-naturalidade com ela e com minha família materna, a começar por minha mãe, mas com minha família materna, havia uma co-naturalidade, natural, do parentesco. Via mesmo que como tipo físico eu era mais parecido com a família de minha mãe do que com a família de meu pai. Mas eu percebia bem que isto que eu possuía em comum com eles era em duas coisas:
Primeiro: Eles possuíam… Vamos dizer assim: Em mim estava uma coisa moribunda. Se eu não tratasse de evitar bem, isto que estava em mim era uma coisa que iria diminuindo para dar preponderância, por temperamento, aos fatores próprios da família de meu pai. Ora, eu não queria renunciar a nenhuma das duas coisas, eu queria fazer um equilíbrio das duas coisas, que é o que eu devia fazer. A solução equilibrada para meu caso era essa, fazer o equilíbrio das duas coisas.
Meu Fernando, você está com tanto sono, você não queria dormir meu filho? Seria mais humano.
(Sr. Fernando Antúnez: Vou seguindo assim.)
Coitado. Quase que eu mando arranjar uma cama para você dormir aqui, nós fazemos uma reunião em torno de você, há! há! há! Vamos falando. Você sabe que eu não estranho que você vá embora a qualquer hora, não é?
Vamos nós seguindo. Eu notava que minha vó, que era o paradigma da família nesse ponto, quer dizer, ela que tinha levado as características que todos os membros da família tinham em comum, ela que tinha levado ao ponto mais alto, e depois num ponto onde tinha dado tudo o que podia, eu notava bem que aquilo era uma coisa que era meio hereditária da família, meio de hereditariedade física, temperamental da família, mas que era mais do que isso, que ela tinha haurido uma certa tradição de família que eu não sei bem como veio, nem do que é que veio, mas que eu posso descrever, que era uma espécie de noção… um perfume de Civilização Cristão. Na Civilização Cristã, como alguém da família trouxe de Portugal — eu não sei quem é — havia uma noção dada pela Civilização Cristã do que são os valores aristocráticos, que é uma noção que supera o intelecto humano e supera a capacidade moral do homem comum, e que é especificamente a incidência da luz sobrenatural sobre as pessoas que tem uma tradição…
[Vira a Fita]
…batizada, acumulada. E que aquilo, condicionado a qualquer coisa de Portugal, mas a qualquer coisa que o Brasil confere de novo àquilo, era um elemento magnífico de um país que ia nascendo…
(…)
….de um tempo em que o homem da Idade Média recebia da Igreja “flashes” desses, às torrentes, a propósito da vida religiosa e da vida temporal, e que esta era a cristianização da vida temporal.
(Sr. Paulo Henrique: Tinham consciência disso?)
Acho que não tinham. E o “tal enquanto tal” entra aqui, está aqui. Dá-se aí uma harmonia que não está sozinha em nenhuma das duas ordens. E embeber disso a sociedade temporal, é nossa missão.
Ensinar e embeber. Não é só ensinar, mas educar.
(Sr. Paulo Henrique: Dando exemplo.)
Sendo, porque a questão é ser.
Então, o que eu fiz com o meu mestre jesuíta, eu fiz com minha avó, mas também com o mestre jesuíta foi pouco, com minha avó foi pouco. Foram ocasiões de que a Providência se serviu para eu perceber um reluzimento de graça presente na Civilização Cristã, difuso e que no caso dela se exprimia daquela maneira. No caso daquele jesuíta, o propósito de outra coisa, se exprimia de outra maneira. Não sei se estou claro.
Daí eu julgar que eu deveria… eu não deveria procurar ser exatamente uma versão masculina dela, por uma razão: eu perderia toda espécie de continuidade com meu tempo. E se eu chegasse àquela forma de brilho, seria com muita dificuldade e eu teria uma forma de ser que não me dava uma propulsão dos acontecimentos, porque para empurrar as coisas não basta àquela atitude pictórica, mas é preciso a força de quem toca para frente. A figura dela é muito estática, de uma perfeição que se realizou e cuja missão é estar parada e fazer-se admirar. E aquilo ali não pode… ali é uma propulsão militante (foto).
Ela simboliza a vitória. Eu simbolizava a mesma estirpe caída no precipício, e devendo ganhar a luta. E aquela não é uma posição de luta.
Então compreendi que não poderia ser aquilo, mas que eu tinha que conservar um certo aroma daquilo, na medida em que as necessidades da luta permitissem. E, sobretudo, uma admiração enorme por aquilo, de maneira que eu pudesse ensinar aos outros como isso foi.
(Dr. Edwaldo Marques: Se não fosse esse recolher, por amor, aquilo, aquilo desapareceria.)
Desapareceria. Daí o fato de que, menos em minha fisionomia, mas muito mais em tudo quando eu faço haver uma nota daquele tipo de grandeza. Inclusive em lances da vida com personagens sem grandeza… eu gosto muito de resolver as coisas por meio de carta. E a carta tem uma grandeza que o destinatário não tem. Em geral o destinatário sai pequeno logo de cara. Bem, é um recurso da luta, porque essa grandeza vem, mas atualizado por minha época, para minha geração. E com o prestigio do passado para a geração de vocês. De um modo tal que, tendo a Revolução me negado pão e água, ela não pode fechar os olhos à minha presença no Brasil.
(Sr. Gonzalo Larrain: Nem no mundo.)
Nem no mundo. E vocês estejam certos que isso não seria assim, se não houvesse o fator do que herdei de vovó. Estou me exprimindo com cuidado. Não é dizer que este fator é o fator único. Isto não seria assim, se este fator não estivesse presente.
Estou falando aqui a filhos, que são, pela constituição de nossas relações, quase súditos no Direito Canônico da palavra. Mas eu falo com uma dignidade e uma grandeza que tem algo de uma conversa de salão. E que eu quero que seja assim.
Por quê? Porque quero que vocês peguem esse aroma da Civilização Cristã e o levem para frente. E nisto eu tomei com ela a mesma posição, de reconhecimento da transcendência e de humildade que eu tomei com o Pe. Costa.
Você quer ver até que ponto é a força dessas coisas? Você está falando, eu estou ouvindo e lembrando de coisas que você me disse. Você me contou que a primeira atração que você teve para o Grupo foi ouvindo uma conferência minha sobre a Reforma Agrária, uma série de conferências minhas sobre a Reforma Agrária em Belo Horizonte. Naquela ocasião, quando você me falou — você me falou mais de uma vez disso — mas em todas as ocasiões analisei e percebi o seguinte, que agora você vai perceber, mas você não tinha percebido antes, é o seguinte: você se sentiu muito atraído pela doutrina que eu dei, pela aplicação que eu dei. Mas entrou também, e isso eu acho que você percebeu, algo de minha pessoa que causou em você uma impressão favorável.
Mas se eu me apresentasse a você sem esse elemento que eu meio herdei, mas, sobretudo, assimilei de vovó por essa dupla atitude minha de assimilar pela admiração, mas de outro lado me reconhecer abaixo como um discípulo, se eu não tivesse assimilado isto e algo disso não houvesse em mim, mas eu fosse, por exemplo,…
(…)
(Sr. Paulo Henrique: … ali saiu uma faísca, não sei.)
Duas almas se ligam, porque o tal “flash” acaba sendo a ligação de duas almas na visão simultânea delas, de uma mesma graça. Mas eu estudei bem o seguinte: eu hesitei muito de falar de Maria Antonieta ali, naquela conferência sobre a Reforma Agrária, porque o ambiente não era nada preparado para admirar Maria Antonieta, nada. E evocar Maria Antonieta a respeito da Reforma Agrária no Brasil, era a coisa mais contra indicada que poderia haver. Mas eu percebi que, porque eu tinha herdado alguma coisa dela, estava feita a rampa de acesso. Porque, por exemplo, se ela falasse de Maria Antonieta, não produziria o choque negativo de uma professorinha pública falando de Maria Antonieta na aula. Porque ela tornaria interpretável Maria Antonieta, e eu, como neto, e neste sentido, discípulo dela, tornava Maria Antonieta interpretável, para um auditório de umas trezentas pessoas que teria, talvez, lá.
(Sr. Paulo Henrique: Muito mais. Calculamos duas mil pessoas.)
Então, duas mil. Eu calculo muito mal essas coisas.
Vamos tocar para frente. Então eu percebi que isto era, portanto, este aspecto de salão, uma certa forma de amabilidade, uma certa forma de tratar bem, enlevando, agradando, enlevando, nunca jogando para baixo, fingindo às vezes que não percebo com quem trato e fingindo que estou tratando com um personagem mítico que eu sei que não é aquele com quem eu estou tratando, eu levanto o individuo até a altura do personagem mítico com quem estou tratando. E, com isso, eu estou continuamente fazendo esse jogo da transcendência para cima, para cima. Quer dizer, estou elevando, constantemente elevando. Que é minha missão não só de ensinar isto, mas de fazer degustar e fazer andar nessa direção.
Agora, isto choca muito com um certo conceito de aristocratismo, que é de ter uma gravatinha, e de estar bem arranjadinho, e de ter um cinto que não sei o que, e o sapato não sei o que, e o relógio não sei o que…
(Sr. Gonzalo Larrain: Perfumado e emporcelanado.)
É exatamente, que isso não tenho, não quis ter e, se eu tivesse tido dinheiro para ter, eu considero que me teria… [faltam palavras] …não é nossa coisa. Nossa coisa é outra.
Aí eu percebi que, por uma coisa que está nesse dom meio natural e meio sobrenatural da família de minha mãe, a casa de minha avó era toda à maneira dela. Móveis, as atitudes que as pessoas tomavam lá dentro, que entravam lá dentro, isso, aquilo, tudo era deste sistema. E que isto não era apenas o estado de alma de uma pessoa, mas que era o cadre da pessoa. E com o cadre da pessoa… e, por exemplo, dizendo cadre em francês, eu não estou explicando o que é cadre, mas estou insinuando que é moldura, mas estou insinuando que se trata do ambiente e não da moldura, mas sei que dizendo isto em francês eu nobilito o conceito que estou fazendo bem a vocês, eu sei tudo isto e estou fazendo intencionalmente, eu meço cada um dos efeitos enquanto eu falo, é natural, tudo isso é minha obrigação, é uma obrigação que eu cumpro com prazer. De fato, no fundo, estou cantando um hino a essas coisas, é verdade, no fundo estou cantando um hino. Estou, meu filho, atendendo seu pedido, portanto, exuberantemente. Me parece que é a reunião que vocês queriam.
Mas, então, vejam a coisa como a Providência dispôs de um modo bonito: dentro disso…
(…)
…É para fazer ver Deus assim. Portanto, não é o Deus do M. Emery. Vejo bem que na figura de Deus plantada pelo M. Emery há expatriadas muitas verdades sobre o Deus verdadeiro, no que diz respeito à bondade d’Ele, à misericórdia etc., adoro essa misericórdia, vivo dela, não valeria nada se não fosse ela, mas, que é um lado que eles querem esquecer, é o Deus da transcendência.
(Sr. Gonzalo Larrain: É o Deus de Plinio Corrêa de Oliveira, assim como se diz Deus de Jacó, Deus de Isaac, etc., deve ser Deus visto por eles a seu modo. Aqui vemos que é Deus do senhor.)
Ao menos, quando eu disse Deus do M. Emery, eu tive a intenção de dizer isto. Na Bíblia não sei bem se quer dizer isso, mas no Deus do M. Emery quer dizer isto. E neste sentido, por oposição, Deus de Plinio Corrêa de Oliveira.
(Dr. Edwaldo Marques: Deus se apresenta assim: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó.”)
Aí eu acho que o sentido é: eu sou o Deus que fiz tal coisa para Abraão, que fiz tal coisa para Isaac, para Jacó, sou Deus do povo judaico. Vocês creiam em mim, porque falei a Abraão, a Isaac, a Jacó, sou Eu que estou falando agora a vocês. Mas, enfim, a exegese da Bíblia aqui não é muito importante. O que é muito importante é que de fato eu empreguei essa expressão no M. Emery. Quer dizer, o Deus incompleto e, enquanto tal, falseado que M. Emery apresentava, diferente do Deus que eu apresento e que, segundo eu sustento é o Deus de Igreja Católica. Porque o M. Emery, exatamente eu considero que não apresentava o Deus inteiro da Igreja Católica.
Agora, isto constitui uma ação de presença. E é preciso dizer bem [a] verdade, essa ação de presença que obstáculo encontra em vocês para ser amada? Encontra obstáculos, porque a atitude de vocês diante de mim, não é a atitude minha diante do Pe. Costa, nem a atitude minha diante de minha avó, nem a atitude minha diante de mil coisas da Civilização Cristã que eu fui compreendendo, que eu fui amando, por exemplo, o Papado, por exemplo, toda a Igreja Católica, com a sua Hierarquia, com suas instituições, com sua beleza, nada é nada disso. Quer dizer, tudo isto eu procuro dar, mas amo assim e esta presença não produz em vocês um efeito análogo ao que produzia em mim isto, quando eu conhecia.
Então fica aí o que é preciso modificar…
(…)
…(Sr. Gonzalo Larrain: Isso é tão extraordinário, e, por outro lado, precisa o Grupo pegar fogo nessa pista, mas nós, conosco mesmo não vamos fazer isso. Aí entraria o mistério da escravidão, mas revivido, em que o senhor vivendo em nós, se olhe a si mesmo e aí a coisa caminha.)
Tem toda razão. Aí Nossa Senhora verá.
(Sr. Gonzalo Larrain: Não se faz. Só o senhor faz isso que o senhor fez com Dona Gabriela e com o Pe. Costa. Ou o senhor faz em nós ou não fazemos.)
É tal qual assim. A tal ponto é tal qual assim que eu vejo, por exemplo, ainda hoje estava rezando a “Oração da Restauração”. Aquela oração foi ditada por mim no Giordano, acabando de comer uma pizza, ou quando tinha acabado de comer uma pizza, na conversa comum do Giordano. O Giordano era um restaurante, o mais baixa-de-nível que possa haver, como plebeidade. Era um esforço dessa nossa mentalidade manter, naquele ambiente do Giordano, o clima para aquelas graças que nós recebíamos lá. E que de algum modo àquela mesa dos juízes pegava e… [faltam palavras] …depois estavam humildes aqui, receptivos. O líder deles, o Lutero, querendo bancar o católico, para ter alguma influência sobre eles.
O fato concreto é o seguinte: se não fosse o João ter levantado a oração, ela teria sido esquecida completamente. Foi mostrada, se colocou na primeira gaveta. Eu acho que quando foi feita a operação São Pio V, não tinha mais nada dessa oração, estava morta a oração.
(Sr. Gonzalo Larrain: Como o senhor responderia essa questão?)
Meu filho, eu responderia exatamente nos termos que você pôs. É preciso obtermos uma graça por onde isso se dê. É exatamente isso.
(Sr. Gonzalo Larrain: Sra. Da. Lucília)?
Respondendo com toda objetividade, acho que ela me ajudou enormemente para isso, se bem que eu ache que tenha entrado no meu caso pessoal mais um fator qualquer que é graça da vocação, que – sobrenatural – que ela tinha. Ela tinha a vocação para me preparar para isso. Ela assim como me ajudou enormemente, tem dado mostras que ajuda vocês. E que, portanto, eu acho necessário – não necessário teologicamente – necessário pela experiência, que recorram a ela para isso. Quer dizer, não se deduz da Revelação, seria uma loucura dizer isso. Mas os fatos dizem isso, a experiência mostra…
(…)
…Aqui você levanta uma questão… dá num caminho muito bonito no seguinte: que, aliás, se prende a Elias. Até que ponto a intercessão de Elias é poderosa para isso? E até que ponto a intercessão de Eliseu é importante e preciosa para isso? E dos santos da corrente eliática, toda. É por onde a coisa entra.
(Sr. Guerreiro Dantas: É um caminho. Mas, compreendo que o senhor ponha isso, porque o senhor se coloca como extrínseco a isso, o senhor não tem o problema que nós temos. Nós não estamos com os problemas resolvidos. Eu tenho o senhor aqui ao meu lado e o senhor me propõe rezar lá para Elias…
Santo Elias nos dirá: “Recorreram a mim que estou longe. Porque não recorrem ao que está ao lado de vós, que vos formou, vos alimenta com sua palavra, com sua paciência, com tudo”. Não sei se senhor compreende. Se entende que o senhor tenha dado essa hipótese por uma questão de estrondo, qualquer coisa assim.)
Não é não. É que eu penso muito mais em Elias do que vocês imaginam. Por tudo quando eu falei a vocês, o passado me é muito mais presente do que é para vocês. Não sei se vocês notaram, mas o passado vive para mim meio amalgamado com o presente. E deve ser isso.
(Sr. Guerreiro Dantas: Rezei durante algum tempo, e rezo ainda de vez em quando uma jaculatória ao senhor.)
A mim, para que eu consiga de Nossa Senhora. Isso acho inteiramente legítimo. Que diferença faz entre você chegar para mim e dizer: “Dr. Plinio, peça tal coisa.” E à distância, você sabendo desse meu…, aquele filho meu que naquela hora estiver precisando quede uma intercessão minha, Nossa Senhora sabe que estou apoiando, é isso. Creio até que está escrito no Torreão I.
(Sr. Guerreiro Dantas: Se o senhor pudesse então rezar nessa intenção.)
E poderia fazer o seguinte: em todo Angelus que eu rezo ao meio-dia, eu… rezo três Ave-Marias… [defeito na gravação]… Intenção em dois sentidos: um bem meu. E outro sentido, uma intenção particular que eu não quero revelar agora. Não posso, não devo revelar agora. Ora, posso colocar isso.
Mas para que isso se dê, seria preciso que vocês assumissem um compromisso muito sério, muitíssimo levado a sério de rezar também, comigo, ao meio-dia isso. Pelo contrário, isso se degradaria. De tal maneira que fosse sujeito a controle. E esse controle, eu daria obrigação subgrave de dizerem a verdade no controle. Então não fica obrigado, subgrave, rezar ao meio-dia, mas fica obrigado subgrave, a no controle, dizer a verdade, que não rezou. Fica obrigado subgrave a fazer o controle e, no controle, dizer a verdade.
O controle é dizer de tempos em tempos como tem sido. E, segundo ponto, dizer a verdade. Vamos regulamentar. Eu não estou dando a ordem ainda. Vamos regulamentar isso na reunião que vem, se Deus quiser. Vou pensar bem. Portanto, não está dada nenhuma ordem, não está combinado nada. É anunciado uma deliberação, mas ainda não está dada nenhuma ordem. Depois vemos.
São três Ave-Marias consecutivas. O Angelus rezo para saudar a Nossa Senhora, sem intenção definida. São três Ave-Marias.
Agora, eu gostaria – não estou mandando – que rezassem um pouco a Elias. Eu gostaria. Por exemplo, que Elias pudesse restaurar o nosso Êremo de Elias, segundo as intenções que nem chegaram a ser vislumbradas, que maravilha seria. Vamos pensar nisso, andar nessa direção. O resto, na reunião que vem, se Deus quiser, nós veríamos.
Há uma coisa que passou, eu não censuro, acho normal, que passou meio despercebida, é a doutrina sobre a excelência da relação de alma entre o fundador e o religioso. Lembra-se logo no começo. E depois aquela definição que era propriamente o Thau.
O thau era apenas ver por uma graça, por um discernimento dos espíritos, por uma graça do discernimento dos espíritos, ver em si a graça que entra ensinando as coisas da Contra-Revolução, mas é vê-las em união comigo. Isso é um conceito novo de thau.
De maneira tal que aquele que está correspondendo ao thau, nota muito em si e em mim a plenitude do thau dele. E quando decai, decai por aí, começa a não notar em mim a plenitude do thau dele. “Notar”, o que quer dizer aí? É ter esse discernimento.
(Sr. Paulo Henrique: Plinianos alter Plinio.)
É isso. Mas é no discernimento conjunto de uma mesma graça. Aqui está a questão. Por exemplo, agora nessa reunião à noite, eu falei a vocês muitas coisas. E como eu quis falar em termos lógicos, o lógico da coisa pode ter falado ao espírito de vocês. Mas, mais do que isso, eu senti que vocês discerniram em mim, quer dizer, vocês viram em minha alma essa graça, por uma graça presente na alma de vocês. E isto é que faz o mais vivo da união entre o fundador e os religiosos, ou como que religiosos, na nossa obra, pelo menos. Esse ponto acho tão importante quanto o resto que foi dito. E tudo isso dá matéria para falarem durante a semana.
Meus filhos, vamos andando.
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