Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
5/1/1985 – Sábado [RSN 058 e VF 025] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 5/1/1985 — Sábado [RSN 058 e VF 025]
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Dentro da insensatez geral, o nosso caminho é ficar fiel à razão por causa da Fé * Se não fosse a crença em Nosso Senhor Jesus Cristo, o jeito seria sentar-se à beira do caminho e levar uma vidoca * Três acusações do Fedeli ao Sr. Dr. Plinio dão uma idéia da situação em que vivemos * Nossa posição em relação à sociedade enlouquecida é mais incômoda do que a de São Simão Estilita em cima da coluna * O que torna a nossa posição praticável é uma Fé absoluta na ajuda da Providência * Situações em que podem acusar o Sr. Dr. Plinio de ter mandado atentar contra João Paulo II na Venezuela * O Sr. Dr. Plinio crê numa glorificação ainda nesta terra, mas não pelos simples dados da Fé
* Frases de socialistas sobre a família
(Sr. N. Fragelli: Estão mascarados nesse sabor, e atuam como se não soubessem.)
É isto! Mas é isto! Isto desconcerta ainda mais.
(Sr. G. Larraín: Essas mães não tiveram nada para reagir como estão reagindo.)
Pois é, elas estão reagindo porque elas têm o senso das coisas. As conseqüências mais imediatas do senso do ser, esse pessoal não tem. O Gonzalo lembrou bem.
(Sr. G. Larraín: Eu acho que essa gente é mais de interior. Porque acho que essa gente de “thau” é pura e simplesmente… O senhor não acha?)
Gonzalo, eu estive lendo uma coleção — aliás, uma bem interessante coleção, naturalmente eu pretendo publicar em alguma coisa nossa, e fichas que o Péricles organizou, montou — de declarações de socialistas, não de comunistas, socialistas, sobre a família.
Então eles dizem com naturalidade frases como esta: “Nós precisamos eliminar do espírito público a idéia retrógrada e sem fundamento de que o pai tem um nexo com o filho à maneira do proprietário sobre a propriedade. O que é natural é que quando o filho nasça, o pai, ciente de que o filho é da sociedade e não dele, entregue o filho para a sociedade”.
Eles, por uma certa prudência, não falam da mãe. Eles dizem “os pais”quando muito, ou então “o pai”. Porque quando chega à mãe, ainda pega algumas coisinhas. Não sei quanto tempo, hein? Se é uma mãe que aborta filhos assim, não sei quanto tempo isso ainda fica nela. Mas ainda há qualquer coisa. Então eles usam uma prudência satânica nesse ponto.
Agora, você sabe que quando a gente lê aquilo, a gente tem a impressão curiosa de que aquilo tem uma certa força pegajosa, que se o indivíduo não está armado com os nossos princípios, vai…
Ele diz assim — ele usa uma linguagem socialista, porque eles são treinados, depois tem demônio que ajuda e tudo o mais, eles fazem perfeitamente o jogo — o seguinte: “Nós precisamos renunciar à doutrina de que os pais têm sobre os filhos um direito à maneira de proprietário sobre a propriedade”.
Apresentar a coisa como doutrina, eu não sei se vocês sentem como eu que ela se enfraquece. Porque ela, antes de ser uma doutrina, é um brado da natureza!
(Dr. Edwaldo: É semelhante aos animais.)
Aos animais, é. Entre os animais.
Ela é um brado da natureza. E esse brado da natureza está adormecido, a mera doutrina não sustenta o negócio. Já é antipática.
Agora, o que tem é que exatamente eles dizendo “essa doutrina”,eles já colocam no mundo etéreo das doutrinas: onde eles têm essa doutrina, pode ter uma outra. Cai no relativismo.
* Dentro da insensatez geral, o nosso caminho é ficar fiel à razão por causa da Fé
Agora isso é… quer dizer, eu ponho a coisa assim: se nós fôssemos mais sérios, nós nos desconcertávamos ainda muito mais diante da desgraça que nós tomamos notícia numa reunião como esta. Porque é mais ou menos como de gente sensata, em torno do qual todo mundo ficou louco! Quer dizer, todo mundo ficou louco, não há homem mais infeliz do que, no meio dos loucos, do que o sensato que verifica a loucura universal! Não é?
(…)
Nós devemos levar uma vida sensata. Como é o nosso caminho dentro da insensatez geral?
(Sr. Paulo Henrique: Tem horas que me sinto empanicado em meio às loucuras desse mundo aí fora. Às vezes quando vou comungar em alguma igreja, o padre está dizendo: “Por uma sociedade mais justa e igualitária, rezemos ao Senhor”. Quer dizer, saio dali às pressas, porque aquilo não é Igreja. Fico nessa situação assim… Deve entrar muito demônio pelo meio…)
Paulo Henrique, ouvi dizer, não sei se é verdade, mas ouvi dizer isso, li até, que quando a pessoa viaja no Amazonas, dias e dias de navegação, fica com a idéia de que as margens é que estão andando e que ele está parado, ouviu? Isto tem alguma relação com o que você está perguntando.
Quer dizer, vendo tudo se mover malucamente, de modo tátátá, você vê que você está fora do movimento de todas as coisas, mas você fica com a idéia assim meio de que você está numa posição falsa: você não anda, você não está indo para frente, você não está viajando, mas que todas as árvores, as planícies e as casas, estas estão se movendo e fazendo, em algum sentido, um trajeto oposto ao que você queria.
Realmente, o que é preciso aí — isso é muito bonito — é fé! Porque na catástrofe da razão — porque esta é uma catástrofe da razão, não sei se concordam, é uma catástrofe — a gente fica fiel a ela por causa da fé.
* Se não fosse a crença em Nosso Senhor Jesus Cristo, o jeito seria sentar-se à beira do caminho e levar uma vidoca
Por exemplo, eu creio na razão porque creio em Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem -Deus. Porque se eu não cresse em Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem-Deus, eu diria: “Sabe de uma coisa? Essa porcaria, se arranjem! Com razão ou sem razão, vocês façam o que vocês quiserem e vão plantar batatas. E eu não vou filosofar sobre o caso de vocês, porque eu fico louco como vocês. O que é que eu vou fazer? Eu vou me sentar à beira do caminho e ficar levando uma vidoca, até que eu morra. Porque eu dentro dessa história, se eu me meter, é para ficar louco como eles. Se eu ficar de fora, eu fico louco porque não estou com eles. Se eu ficar de fora, eu fico louco porque não estou com eles. Então… o que é que eu tenho com isso? Dão do … [inaudível]… pensando nisso. É arranjar um dinheirinho, uma casinha, morar em Morungaba, en los afuera de Morungaba. Está acabado!”.
Todo dia eu vou para a cidade, compro pão, compro não sei o quê, não sei o quê, tenho um criado com quem eu não falo, que me prepara as coisas!
Eu sei que ao cabo de algum tempo eu vou jogar o livro no teto e vou dizer: “Para o que eu estou lendo? O que me incomoda que tal época histórica tenha acontecido qualquer coisa? Eu sou o Robson Crusoé sem Sexta-Feira, porque nem o Sexta-Feira quer saber de mim”.
A situação é do homem que não enlouqueceu, em torno do qual o mundo ficou louco. E os outros começam a dizer que ele é desequilibrado porque vive sem…
(Sr. G. Larraín: Culpam a ele de ser pior do que todos.)
Isso, exatamente!
* Três acusações do Fedeli ao Sr. Dr. Plinio dão uma idéia da situação em que vivemos
(Sr. G. Larraín: Aquela acusação que se poderia fazer de que o senhor matou a Sra. Da. Lucilia…)
Ah não! Eu acho que isso é assim! O Fedeli já disse que matei papai. Eu matei papai…
É uma coisa muito sabida, Maria Alice teve um grande banquete em casa dela. E ela mandou para cá uma espécie de … [inaudível]… ou coisa que o dera, no dia seguinte. Ela costumava fazer isso, quando tinha coisas assim, ela mandava trazer para mim, para o papai e mamãe, naturalmente. Em geral coisas pesadas eram mais para mim, e papai e mamãe comiam alguma coisinha. Papai, ahahah… pernambucano velho de guerra, entrava às vezes.
E chegou um paté, etc. Eu sou muito desconfiado com esta história dessas comidas assim. Experimentei um pouquinho, mamãe não comeu, e disse:
— Papai, eu não vou comer porque esse paté está ruim.
Ele começou a comer antes de mim, e estava mar-alto com o apetite de todo pernambucano na comida dele.
Ele disse:
— Não, não tem nada, eu como mesmo, não sei o quê, não sei o quê — e continuou a comer.
Ele não era autoritário, mas não admitia interferência no que era dele. O que queria fazer, ele fazia. Estava com 84 anos, mas o que ele queria fazer, ele fazia, e não dava satisfação. Eu não tinha certeza que aquilo ia fazer tanto mal.
Ele teve depois, no dia seguinte, uma indisposição muito forte, de cabeça já de uma vez. Mas Rosée e eu conjeturamos que essa comida estaria provavelmente estragada e teria precipitado coisa de cabeça. Naquela ocasião eu comentei isso, inocentemente, com pessoas do Grupo. Tirada dele: eu envenenei o paté que o papai comeu!
(Sr. –: Bom, mas aí é o delírio, etc.)
É.
Ele não diz também que eu não tenho nenhum defeito aqui na bacia?
(Sr. G. Larraín: Diz que é teatro.)
Teatro! E que eu fiz isso para tirar vários proveitos. Primeiro de andar de cadeiras de rodas, porque me dá prestígio, e em segundo lugar para em certo momento declarar que cessou, então forjar um milagre… O que eu posso fazer? Eu não posso nem sequer chamá-lo e mostrar a radiografia, porque eu me rebaixo. Eu me rebaixo. O que eu posso fazer?
Eu poderia dizer: “Seu cachorro, você venha agora comigo ao radiologista, indique você o radiologista, e vai radiografar a minha bacia. E você agora vai me dizer diante do radiologista se sustenta o que você disse ou não”.
Mas isso já é rebaixar… Porque quem acompanhou tudo o que se passou em torno do meu desastre… Não pode, não é possível!
(Dr. Edwaldo: Ele continuaria repetindo do mesmo jeito.)
Repetindo do mesmo jeito: “Ele pagou aquele médico!”.
Ele não diz que o Pe. Vitorino nos dá pareceres favoráveis porque quando vai a Nova Iorque o João arranja um apartamento muito bom para ele ficar? É mentira. João arranja um quarto igual àquele em que ele, João, fica.
Bom, mas estas mentiras, normalmente, eu mandaria alguém à casa dele dizer o seguinte: “Mandei alguém à tua casa para lhe quebrar a cara!”. É a solução. Hoje não pode, porque todo mundo vai ter pena dele. É a tal história: a pena mudou de lado.
* Nossa posição em relação à sociedade enlouquecida é mais incômoda do que a de São Simão Estilita em cima da coluna
Mas você me dizia que queria que eu explicasse alguma coisa, meu Guerreiro. O que era?
(Sr. Guerreiro: O senhor dizia há pouco que entrávamos num novo quadrante. Seria como tocar a vida nesse novo quadrante.)
É tal qual um homem trata… Se, por exemplo, um de nós ficasse prisioneiro na mesma sala com um louco, o que é que ele ia fazer? Passa o dia inteiro, anos a fio, com aquele louco na sala. Ele tem que fazer uma coisa que é: aprender os triques e miques da loucura de um louco, para ver se em alguma medida ele pode atenuar alguns efeitos desse convívio. Se ele percebe que dentro dessa loucura há algumas regularidade de equilíbrio que se sucedem, e de impressões que se relacionam — porque às vezes há —, ele estuda isso para ver como é que ele se arranja. Ele improvisa as condições do convívio como pode e quando pode. E confia em Nossa Senhora, porque o trabalho é sobre-humano.
Enfrentar uma sociedade enlouquecida é um trabalho sobre-humano. Você veja bem a situação onde nós fomos ter. Nós vemos que eles estão loucos.
Agora, se um de nós quisesse — que Deus nos livre — sair da TFP para viver inteiramente isolado, seria impossível, porque o sujeito iria voltar para a TFP como para uma ilha, porque o isolamento lhe seria mais penoso do que tudo.
Bem, podia dizer: “Não, eu tinha como solução: casar-se…”.
(…)
… de combater essa loucura. Porque se ela fizesse, por absurdos, pazes com a loucura, a loucura penetrava entre nós.
(Dr. Edwaldo: Loucos que não querem ser curados.)
É isso.
Então, qual é a situação? É a seguinte: ou desaparecer, ou conduzir uma batalha impossível.
(Sr. G. Larraín: Em que sentido desaparecer?)
Quer dizer, ou nos matarem, ou nós conduzirmos uma batalha impossível.
(Sr. G. Larraín: Frente a isso, como fica a coisa?)
É preciso frente a isto nós olharmos o seguinte:
Essa posição é uma posição mais incômoda do que a de São Simão Estilita, passar o tempo inteiro no alto de uma coluna. Nós somos São Simão Estilita, mas com gente debaixo dando tiro a toda hora no Estilita. Essa posição em que nós estamos é uma posição a mais difícil que se possa imaginar, mas é ao mesmo tempo a posição mais gloriosa que se possa imaginar.
Quando algum dia houver glória de novo sobre a face da terra, essa glória seria nossa. Isso é a pura verdade, isso é coisa certa.
Bem, muito mais do que isso, a glória do Céu será nossa. Muito mais.
* O que torna a nossa posição praticável é uma Fé absoluta na ajuda da Providência
Agora, a questão é nós compreendermos que isso torna explicável a nossa posição, mas não a torna praticável.
Não sei se a distinção vale ou não.
A pergunta é como torná-la praticável, como viver essa posição. Essa é a questão. E vamos agora entrar na questão.
Eu acho que nós nunca teríamos subido ao alto dessa coluna se não fosse uma escolha preferencial, especial, com muito amor de Nossa Senhora para com cada um de nós. Nunca! Por exemplo, o estarmos aqui, representa uma tal preferência gratuita, porque foi anterior a qualquer correspondência nossa, não é?
(Sr. G. Larraín: Apesar de toda incorrespondência.)
Apesar de toda incorrespondência.
Foi de tal maneira grande, que eu acho que nós temos a obrigação de dizer — vejam, eu vou dizer uma coisa puxadíssima: ou Deus participa dessa loucura universal, ou Ele me fará encontrar o meu caminho no meio dessa loucura universal.
Eu não estou, graças a Deus, blasfemando. Estou raciocinando o absurdo.
Como Deus não… o que é a minha pobre cabeça diante de Deus? Não é?
Acontece que Ele cria condições em que é certíssimo que Ele ajudará. Ajudará em dois sentidos: primeiro lugar dando saída para os apuros; em segundo lugar, dando uma força para atravessar os apuros. Quer dizer, há uma ajuda objetiva, extrínseca a mim, mas outra ajuda interna em mim.
(Sr. Paulo Henrique: Como o senhor disse antes, fica reduzido ao elemento da fé.)
Mas a Escritura diz: “Iustus autem ex fide vivit — O justo vive da fé”. Nós vivemos da fé.
(Sr. Paulo Henrique: Nesse extremo fica bem caracterizada essa virtude…)
Da fé, da fé! Que é, mais do que tudo, a virtude para que nós somos chamados!
Mas também vejamos: não é uma virtude entre as outras; é a raiz das virtudes.
(Sr. G. Larraín: É a virtude que o senhor mais ama.)
Ah, mas é líquido, líquido, líquido!
Quer dizer, se me dissessem — é outro absurdo — “você perde todas as virtudes, mas conserva a fé, ou perde a fé e conserva as outras virtudes”, eu empurro todas as outras virtudes de lado como bagaço, porque quero a fé.
(Sr. Paulo Henrique: Todas as outras são conseqüenciais da fé.)
São conseqüenciais. Não se explicam, não se mantêm, não são sentido, não são nada, se não for a fé.
Alguém dirá: “Mas a caridade?”.
A fé e a caridade estão amalgamadas uma na outra. Distinguem-se perfeitamente, num tratado de moral distinguem-se perfeitamente. Mas na alma em concreto, o sujeito tem fé, ele perde a fé quando ele perde o amor. E ele perde o amor quando ele perde a fé. Está acabado.
(Sr. Paulo Henrique: Se ele não acredita, não pode amar.)
Mas se ele não ama durante quanto tempo, ele acreditará?
* “Eu vivo catando em todos os horizontes um padre, um bispo que apareça, que nos dê apoio”
(Dr. Edwaldo: Para nós essa fé tem que ser vivida em união com o senhor, porque o que resta é isso. Porque se a pessoa pensar em querer fazer frutificar o que julga ter em si, ela afunda. Quer dizer, a pessoa tem que fazer o ato de fé seguinte: “Eu me uno à fé do Sr. Dr. Plinio”.)
É precisamente o que o D. Mayer censuraria. Você deveria dizer: “Eu me uno à fé que há no episcopado e que há no Sumo Pontífice”.
Está bem, querendo una, e depois vai ver o que te acontece.
Quer dizer, é verdade, eles são os mestres da fé. Mas normalmente, se eu não estivesse unido a eles, eu perderia a fé. Porque um dos elementos da fé é estar unidos a eles, ou perderia a fé.
A situação em que nós estamos é tão tenebrosa, tão misteriosa, que eu vivo catando em todos os horizontes um padre ou um bispo que apareça que nos dê apoio.
Ainda agora no Chile apareceu um D. Polidoro… Você conhece esse D. Polidoro?
(Sr. G. Larraín: Ouvi falar, mas acho que já naquele tempo era meio… Eu acho. Não conheci.)
Mas era do seu tempo?
(Sr. G. Larraín: Sim.)
Bem, chegaram a utilizar o D. Polidoro bastante para o caso das senhoras de Pudahuel, etc.
D. Polidoro fez visitas à sede… enfim, as coisas vão andando com D. Polidoro. Mas já se verificou por uma porção de coisas que não dá para a saída… Não dá para a saída.
Por exemplo, eu não teria face para dizer para você: “Gonzalo, você vai para o Chile, para … [inaudível]… D. Polidoro as coisas com você”. Não teria coragem de dizer isso. Você mesmo me olha… “Que isso?!”.
(Sr. G. Larraín: Não é sério.)
Não é sério.
* Situações em que podem acusar o Sr. Dr. Plinio de ter mandado atentar contra João Paulo II na Venezuela
Uma coisinha que eu esqueci de dizer, e que tinha muito empenho até me dizer a vocês, é o seguinte: é que por causa disso também, os acontecimentos têm uma seqüência louca.
Não sei se vocês já verificaram a doidice que há com o negócio do exodus dos rapazes da Venezuela. Porque eles fugiram e até agora as famílias fingem que não sabem que eles fugiram. Eles escreveram cartas às famílias, inclusive às famílias inconformes, e dizendo as verdades às famílias. Porque eles pensavam que era impossível que a polícia não soubesse logo. Eles tinham medo que durante a fuga a polícia…
Bom, fingem que não. Até agora, até agora, por que razão eles estão fazendo este carnaval de que eles pensam que os rapazes estão lá, e mentindo que a polícia está acompanhando de perto?
Uma das coisas contava, um dos grafonemas, que os juízes já têm preparado, a Juiz Rosita, qualquer porqueira, decreto prisão de todos os membros da TFP — que, aliás, é o que receávamos — a partir de dez dias da chegada de João Paulo II, para evitar que atentassem contra João Paulo II.
Você pode imaginar essa prisão como era. Depois não sai mais.
Depois você faça idéia o vexame. Na hora de serem soltos afinal, repórteres, etc., coisa insuportável.
Bem, eu não tenho certeza que isso vá degenerar numa acusação a mim, de ter mandado gente atentar contra João Paulo II. Não tenho certeza. Pode ser que dê, mas pode ser que não dê. Porque tudo corre de um modo louco.
(Sr. G. Larraín: Eles poderiam dizer que o senhor mandou algum outro membro da TFP de outro lugar.)
Aí eles teriam que começar a provar que eu tenho alguma relação com esse outro.
(Sr. G. Larraín: Mas eles não provam nada.)
Não, eu digo interiormente para efeito do Brasil. E, por conexão, da América do Sul. Porque se no Brasil ninguém acreditar, por osmose, no resto da América do Sul, ninguém acredita.
(Sr. G. Larraín: É o que senhor disse na Reunião de Recortes: se entra esse demônio, as pessoas acreditam em qualquer coisa.)
Aí acredita em qualquer coisa. Aí acredita em qualquer coisa.
Basta ver, por exemplo… existe lá uma emigração portuguesa bem numerosa. Pelo modo de gente de língua portuguesa comporem o nome, é possível que um sujeito, com mãe Corrêa e pai Oliveira, componha para si o nome Corrêa de Oliveira. É perfeitamente possível. Então eles arranjam um Ernesto Corrêa de Oliveira, que atenta contra João Paulo II, e ganha um dinheiro para isso.
Bem, eles vão dizer que é meu primo. Então está criado o caso. Documentos, etc. e tal, pertence à família Corrêa de Oliveira… O Larouche logo inventa que esta família é… e aquelas coisas, aquele bábábá dele, inventa.
Pode ser, mas isso pode também não acontecer. De fato, o curso dos acontecimentos é tão louco que pode sair de tudo isso alguma coisa que eles estão tramando e que nós não conjeturamos. Porque não se conjectura o que é que o louco vai fazer.
Essa é a coisa em que nós caímos… É o fato. Não adianta a inconformidade diante do fato. É o fato!
* O Sr. Dr. Plinio crê numa glorificação ainda nesta terra, mas não pelos simples dados da Fé
(Sr. G. Larraín: Como o senhor se sente diante dessa situação? O senhor disse que chegará o momento da glória. Como o senhor se sente que isso é assim, e que será como o senhor pensou sempre, na vocação do senhor, uma vez que tudo fala do contrário?)
Em rigor, não são os simples dados da fé. Eu falei da fé. Em rigor não são os simples dados da fé. Porque a fé não garante que um homem não possa ser chamado a morrer na total obscuridade, não ser nem sequer glorificado depois de morto, e só no dia do Juízo ele ser glorificado. A fé não protege ninguém contra isto, não contém nenhuma promessa contra isso.
Agora, como é que eu creio que isso vai ser assim?
Eu não posso alegar dados da fé. Menos ainda eu posso alegar dados baseados no amor de Deus. Porque se é verdade que o limite de amor de Deus é amá-Lo sem limites, como dizia São Francisco de Sales, então eu devo estar disposto a dar a minha vida para passar por todos os horrores e dar a minha vida, ainda que seja para que aconteça comigo isso: de eu ser um homem que morra martirizado e completamente ignorado. E só no dia do Juízo eu seja apresentado por Nosso Senhor — como os outros justos — aos outros homens.
Todos nós ou pomos um limite ao amor de Deus, ou nós devemos admitir isso como possível. E em tese, quer dizer, eu no apresentar o caso, eu conto que Nossa Senhora me dê as graças para agüentar isso.
Então de onde é que vem a impressão muito marcada e do que é que vale criteriologicamente essa impressão de que isso não será assim? Eu acho que é bem a pergunta que você me faz, não é?
Vamos tratar da resposta a esta pergunta.
(…)
Vamos rezar 3 Ave Marias e entrar…
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