Conversa de Sábado à Noite – 15/12/1984 – Sábado [RSN 058] . 14 de 14

Conversa de Sábado à Noite — 15/12/1984 — Sábado [RSN 058]

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Recontando a história da graça de Genazzano, o Sr. Dr. Plinio recorda as crises internas que afetaram o Grupo, quando este já florescia * Nosso Fundador era perseguido pela idéia de que alguma infidelidade sua estivesse levando o Grupo à ruína * Três membros do Grupo ousaram procurar o Sr. Dr. Plinio para “uma conversa parecida com a de Jó com os amigos” * Um acidente sofrido pelo Sr. Dr. Plinio parece confirmar os temores de que poderia haver um castigo * Primeiros sinais da graça de Genazzano: extraordinária consolação com a leitura de um livro sobre Nossa Senhora de Genazzano * A chegada da estampa e a insigne graça da promessa: “Meu filho, tenha confiança, porque você realizará sua vocação” * Em um livro sobre Frei Galvão e o mosteiro da Luz, os albores de uma nova graça * Alento na Igreja da Luz ao mesmo tempo que a graça de Genazzano se obnubilava completamente * A graças da Luz fizeram uma ponte entre os dois períodos da graça de Genazzano * Em Quito, a explicação das graças da Luz * A graça de Genazzano explica a calma do Sr. Dr. Plinio em meio às ameaças de estrondo * Por falta de apetência no Grupo, conseqüência do gosto pela Bagarre Azul, o Sr. Dr. Plinio não trata de muitos temas * O Sr. Dr. Plinio se refere à bonita ladainha de Notre Dame de la Bonne Delivrance * A beleza e o vigor das várias invocações da ladainha * A necessidade do equilíbrio entre a delicadeza e a força, para a ordem do universo

Ah, aqui está Nossa Senhora do Bom Sucesso. Que feliz encontro!

Bem, eu estava com saudades dos meus enjolras. E sem prejuízo de meu projeto de ir dormir lá segunda-feira à noite, eu quis reuni-los aqui. Mas as perguntas são dos mais velhos. E meu Carlos tinha uma pergunta para fazer.

* “Eu estaria, se não morto, inválido, se não fosse a graça de Genazzano”

(Sr. Carlos Antúnez : Hoje é aniversário da graça de Genazzano.)

Mas hoje domingo, ou hoje sábado?

(Sr. Carlos Antúnez: Hoje, domingo, dezessete anos.)

Dezessete, já? Veja como são as coisas, hein! Eu estou mais ou menos certo de que eu estaria, se não morto, inválido, se não fosse a graça de Genazzano. Porque tais, tais, tais são as coisas grandes e pequenas que a toda hora parecem caminhar para uma catástrofe, que se não fosse a graça de Genazzano, eu não teria agüentado.

Talvez estivesse vivo, mas inválido. Em todo caso, fora de ocasião de dar aos senhores uma reunião às duas horas da noite de sábado, depois de um dia cheio.

Eu disse isso, porque assim eu tenho um pretexto de consultar o relógio e saber que horas eram, para regular um pouquinho nosso tempo.

Eu sou gratíssimo a Nossa Senhora de Genazzano, mas muitíssimo grato. E quero ver o que posso fazer amanhã, que seja de agrado d’Ela, para comemorar essa data que, para mim, é de uma significação verdadeiramente única.

Diga, meu Carlos.

(Sr. Carlos Antúnez: Na primeira Reunião de Recortes, em 68 …)

Eu me lembro que fiz recostado num sofá, não fiz sentado, meio deitado, não sentado, por causa da posição da perna.

* Recontando a história da graça de Genazzano, o Sr. Dr. Plinio recorda as crises internas que afetaram o Grupo, quando este já florescia

(Sr. Carlos Antúnez: O senhor disse que um dia falaria longamente sobre a graça de Genazzano. Depois, em 72, o senhor de novo disse que falaria da graça de Genazzano algum dia antes da “Bagarre”. Como estamos na porta da “Bagarre”… o senhor contar algo?)

Eu já contei toda a história da graça de Genazzano e tenho uma espécie de vergonha de estar repetindo as mesmas coisas. Mas, enfim, os senhores pedem, eu atendo de bom grado.

Para dizer a coisa inteira, nossa metáfora dos becos-sem-saída, não é uma metáfora muito completa para descrever a situação diante da qual nós estávamos nos últimos dois ou três anos anteriormente à crise de diabetes que eu tive. De fato, era uma coisa diferente.

Não imaginem assim: um conjunto de becos que é preciso ir abatendo os muros para formar uma avenida, porque não daria toda a realidade. A realidade seria diferente.

Imaginem uma avenida e uma pessoa recorrendo a avenida, com a certeza de que deve percorrer a avenida de ponta a ponta, e de vez em quando, nos pontos mais inesperados do trajeto, se levanta um muro, que toma de ponta a ponta da avenida, de lado a lado, e cerca também atrás. A pessoa fica entre dois muros: casa de um lado, casa do outro, muro na frente, muro atrás. Então derruba o muro que está na frente, anda mais um tanto. Quando chega mais um tanto, levanta outro muro.

Isso era propriamente a nossa situação. Nós estávamos numa situação assim,

O Grupo estava começando a florescer, estava começando se espalhar por todo o Brasil, já havia até alguns contato para fora. Eu já tinha feito viagens para a Europa, já tínhamos feitos relações, várias relações na Europa, relações na Argentina. Dr. Caio, Dr. SL, o Prof. Furquim, tinham feito muitas viagens, muitas rodadas pela América do Sul. Nós deixávamos de ser um grupo meramente acantonado naquele minúsculo prédio da atual Martim Francisco, para ser um grupo que tinha já expressão para fora, em vários lugares, e que prometia florescer mais ainda.

Mas crises internas dentro do Grupo, com pessoas do Grupo, iam, por outro lado, fazendo com que vocações das mais promissoras entrassem em derrocada. Uma, duas, três. Isto com o perigo de desedificar e de arrastar para trás todos os outros. Sem falar que eram almas muito especialmente queridas por mim e que sofriam essas tentações, essas derrocadas, essas coisas tão, tão e tão penosas.

* Nosso Fundador era perseguido pela idéia de que alguma infidelidade sua estivesse levando o Grupo à ruína

Nesse quadro de conjunto aconteceu que eu tinha sempre… era perseguido pela idéia de que deveria haver alguma falta grave minha. Não quero dizer pecado mortal, porque pecado mortal já se sabe se cometeu ou não, mas alguma infidelidade grave minha, que Nossa Senhora tomasse em consideração para fazer com que a toda hora estivesse ameaçando ruína a obra d’Ela.

Isto para mim era o pior dos tormentos, porque fazer o sacrifício que eu tinha feito a favor dessa obra, é praticamente sacrificar minha vida, para ver essa obra ruir presumivelmente por culpa minha, era uma coisa… nem sei o que dizer. Primeiro, vê-la ruir é o mais grave de tudo. Em segundo lugar, ver ruir presumivelmente por culpa minha, uma coisa verdadeiramente atroz.

* Três membros do Grupo ousaram procurar o Sr. Dr. Plinio para “uma conversa parecida com a de Jó com os amigos”

E algumas coisas pareciam confirmar essa impressão.

Me lembro que três, quatro noites consecutivas, o Dr. Paulo, Dr. Castilho, Dr. Adolpho e mais alguma pessoa do Grupo ficaram pintando a têmpera da sede da Martim, que estava muito ensebada, e eu avisei aos outros — portanto, Prof. Furquim, o Dr. Pacheco Sales que nesse tempo era do Grupo, e mais um ou outro — que eu os atenderia no meu escritório na cidade, porque naquele tempo os prédios de escritório fechavam tarde da noite. Era um escritório que eu tinha na Rua Quintino Bocaiuva.

Terminado o jantar, fui lá para atendê-los. Estava lá esperando que eles chegassem, quando chegaram os dois, sentaram-se diante de mim, e tiveram uma conversa parecida com a de Jó com os amigos dele.

Me disseram que tinham pensado muito a respeito das coisas que tinham acontecido, iam acontecendo para nós, que eram continuamente êxitos seguidos de catástrofes, e que eles estavam continuamente com esperanças que davam em desastres. Eles achavam que isso só podia ser levado à conta de uma imperfeição moral minha, que Nossa Senhora estivesse desagradada comigo e que, portanto, permitia que coisas dessas acontecessem.

Eu mais ou menos disse o que cabia dizer no caso: que por mais que me examinasse, eu não encontrava, mas que participava do receio deles, e pedia para eles rezarem, para eu ver se eu abria os olhos para isso, etc.

Eu nessa noite não dormi. Sendo que logo no dia seguinte… aulas, trabalhos, etc ., em quantidade.

* Um acidente sofrido pelo Sr. Dr. Plinio parece confirmar os temores de que poderia haver um castigo

Depois, certas coisas que impressionavam do modo mais penoso.

Eu me lembro que vínhamos a pé da cidade, era noite. Vínhamos a pé da cidade, subindo pela Rua Martinico Prado. Quando viramos na Rua Martim Francisco, estávamos conversando a respeito disso e falamos a respeito da possibilidade de haver um castigo, de ser um castigo essa encrenca contínua de nossas coisas. Eu tropecei numa raiz de árvore que tinha por debaixo do calçamento da Rua Martim Francisco, um daqueles plátanos feios que tem lá, eu tropecei naquilo e caí de bruços no chão. Eu andava com muito ímpeto antes do desastre — portanto, meus tombos eram impetuosos também — e caí de bruços no chão. Nesse momento, toda a iluminação pública se apagou, por uma coincidência.

Os senhores podem compreender como isso era uma coisa impressionante e torturante!

Isso tudo junto levou-me a começar a sentir a saúde abalada. Como eu era muito forte e tinha uma fisionomia muito boa, muito saudável — os senhores me conheceram naquele tempo, podem lembrar-se —, não de um Hércules, isso eu não tinha, mas de um homem muito gordo, aliás, e muito forte, com muito boa saúde, ninguém me dizia que eu estivesse com a saúde abalada. Eu então pensava que era impressão, etc., e passava por cima, mas sentia a saúde cada vez pior.

* Primeiros sinais da graça de Genazzano: extraordinária consolação com a leitura de um livro sobre Nossa Senhora de Genazzano

Tudo isso criava assim um clima de crepúsculo sobre mim, uma coisa medonha. Quando me caiu nas mãos, não sei porque razão, um velho livro a respeito de Genazzano, escrito em francês, volumoso, de um monsenhor qualquer, já desconhecido em nosso tempo. Talvez tivesse sido um homem de destaque no tempo dele, mas no nosso tempo era desconhecido. Ele fazia uma larga descrição de Nossa Senhora de Genazzano, isso, aquilo, aquilo outro, e o assunto me interessou. O que eu não sabia explicar é que o livro me causava uma consolação espiritual, uma coisa extraordinária, e eu não sabia que razão era, mas eu me sentia inundado de consolação quando lia aquele livro. O resultado é que fiz a leitura inteira do livro.

E comentando com os meus amigos de Minas, especialmente com o Dr. Milton Mourão, eu contei que eu gostaria muito de receber uma estampa de Genazzano. Eles tinham alguém do grupo de Belo Horizonte que andava pela Europa. Dr. Milton escreveu…

Talvez Paulo Henrique conheça pormenores desse fato.

(Sr. Paulo Henrique: Não conheço. Era Dr. Vicente Ferreira que estava na Europa.)

Dr. Milton escreveu para o Dr. Vicente Ferreira e Dr. Vicente mandou umas estampas. Uma dessas estampas é a que está no meu quarto de dormir, no momento, num móvel, uma espécie de camiseira.

* A chegada da estampa e a insigne graça da promessa: “Meu filho, tenha confiança, porque você realizará sua vocação”

Nisso, antes de chegar a estampa, eu adoeci gravemente, fiz uma operação e estava no Hospital Sírio-Libanês recompondo dessa operação.

Eu, aliás, não sabia que tinha sido operado. Os médicos não me contaram, e minha irmã, minha sobrinha, não contaram também, os membros do Grupo não contaram que eu tinha feito a amputação que eu fiz, não sabia. Eu pensei, pelo que me tinham dito, que iam fazer apenas uma drenagem no pé para ver o que tinha gangrenado ou não, etc. Como eu não sentia a menor dor, eu nem desconfiei. Foi só um mês depois da operação que eu soube que tinham feito essa amputação.

Enfim, eu estava no hospital, mas estava preocupado, indisposto, etc., depois da operação, quando apareceu o Dr. Milton com a estampa. Quando eu olhei para a estampa, eu senti uma consolação, um atrativo, tive a impressão de que a imagem sorria para mim. E que, sem falar, sem falar, pelo jogo de fisionomia, à maneira da Sagrada Imagem, pelo jogo de fisionomia, Ela me dizia: “Meu filho, tenha confiança, porque você realizará sua vocação. Muitas coisas acontecerão, que darão a você a impressão de que a vocação não se realizará, mas tenha confiança, você tem minha promessa, a sua vocação se realizará”.

Isso foi uma coisa tão profunda, que eu tenho certeza que eu recebi essa graça, mas eu tenho certeza de que recebi essa graça. Evidentemente, quando aí começaram a aparecer as muralhas, eu tinha a promessa e essa promessa me fazia atacar a muralha despreocupado.

E, muitas vezes, atravessar a muralha com a muralha fechada, quer dizer, obstáculos que eu não sabia como resolver, mas que a gente transpunha e estava acabado. Obstáculos às vezes do outro mundo, e que me teriam deixado simplesmente maluco.

* Em um livro sobre Frei Galvão e o mosteiro da Luz, os albores de uma nova graça

Durante esse período, também, de restabelecimento, tinha na cabeceira de minha cama um livro sobre o Frei Galvão e o Mosteiro da Luz. Eu desde pequeno ouvia falar desse mosteiro e já tinha passado em frente, conhecia. Todo mundo que passa na Av. Tiradentes tem a atenção chamada para aquele edifício enorme. Meu bisavô foi médico das concepcionistas da Luz. Ele ia a cavalo com minha avó — aquela senhora bonita que está no meu salão cor-de-rosa — que era menininha. Ele punha ela na garupa do cavalo. Ele era tio dela. Punha na garupa, ia visitar as freiras da Luz e as freiras gostavam muito dela, achavam-na muito bonitinha, etc.

Depois, quando ela se casou, foi para o interior. Ela quando vinha de Pirassununga, ela ia visitar o convento com minha mãe. Levava então minha mãe e as freiras gostavam muito de ver minha mãe, etc. E minha mãe, de vez em quando, em situações difíceis, etc., mandava um bilhete às freiras — porque ela saía pouco de casa, por causa da má saúde — pedindo orações, e mandando uma esmola para o mosteiro. E ela se sentia atendida por essas orações.

Eu confesso que eu sabia de tudo isso, mas isso não me falava muito na alma. Eu comecei a ler o livro do Frei Galvão e também senti uma consolação, uma coisa extraordinária, uma alegria extraordinária vendo aquilo tudo.

E assim que eu comecei a poder andar, eu comecei a andar, por recomendação dos médicos, ainda de muletas. Mas eu não queria dar aos inimigos a alegria de me verem andar de muletas, então eu queria ir a uma igreja onde não houvesse ninguém conhecido. E o arquétipo da igreja onde não tem ninguém conhecido é a Igreja da Luz. Aquele povo daquele bairro é uma gente que eu não conheço, absolutamente.

Então comecei a ir, ainda de muleta, à Igreja da Luz. E tinha um fiel escudeiro, chamado Carlos Antúnez., que ia comigo inúmeras vezes à Igreja da Luz. Não da Luz mas da “Lú”.

Daí eu comecei a me interessar, a gostar daquilo, etc. E eu pensava: “Alguma coisa a Providência reserva para nós com essa ordem das concepcionistas, e com essa devoção. Com isso alguma coisa a Providência reserva. Eu não sei o que será, mas reserva, porque essas consolações não se explicam de outra maneira”.

Quando eu sofri aquele desastre de automóvel medonho, eu ia lá também. Quando comecei a me restabelecer, ia lá de cadeira de rodas. E era na força do estrondo do Rio Grande do Sul. Ia todo dia, todo dia, todo dia.

E era assim:

Naquele tempo não havia ainda o sistema de grafonemas, e os telefonemas eram muito mais difíceis de dar do que hoje, eram complicados, etc. Então eu tinha combinado com o Dr. Edwaldo, que representava o Conselho Nacional junto à CPI do Rio Grande do Sul, eu tinha combinado com o Dr. Edwaldo que ele me telefonaria todo dia de Porto Alegre, dizendo como é que tinha corrido a coisa da CPI.

Eu, de manhã, levantava em geral aflito para ver as notícias do dia. Era sempre um trago amargo para beber, porque era CPI requerida num estado, noutro estado, noutro estado, abaixo-assinado de municípios de São Paulo pedindo o fechamento da TFP, uma coisa horrorosa. Mas engolia aquele trago, depois almoçava, etc., ia devagarzinho fazer minhas orações na Luz, depois voltava e vinha receber as notícias do Dr. Edwaldo aqui. Ele telefonava aqui para a sede.

Eu ficava numa espécie de aflição esperando o telefonema, porque o Dr. Edwaldo naquela hora me devia dizer como foi. Todo telefonema podia acontecer que houvesse um desastre e nós perdêssemos a partida, então era aquela aflição.

* Alento na Igreja da Luz ao mesmo tempo que a graça de Genazzano se obnubilava completamente

Mas na Luz me dava muito alento e me ajudava muito. E é curioso, porque nesse período do estrondo do Rio Grande do Sul a graça de Genazzano estava obnubilada completamente. É muito longo contar, sobretudo muito complicado contar, mas deu-se o seguinte:

Eu interpretei a graça de Genazzano de um certo modo. E quando se deu o desastre, eu entendi que, segundo a graça de Genazzano, não se poderia ter dado aquele desastre sem eu saber antes, sem eu estar preparado antes. Portanto, haveria uma certa superstição em eu acreditar na graça de Genazzano, apesar de um desmentido tão flagrante. Embora eu tivesse certeza de que essa graça era uma graça, diante de um desmentido tão flagrante haveria uma espécie de superstição em eu acreditar nessa graça. Portanto, eu pus a minha confiança na graça de Genazzano num suspense.

E foi nessa atmosfera que entrou o estrondo do Rio Grande do Sul, pegando-me numa situação miserável, porque eu estava de tal maneira quebrado, que eu não conseguia comer com minhas próprias mãos: meu braço direito estava inutilizado e era preciso me picarem a comida e dar na boca. E para eu falar no telefone — longos telefonemas interurbanos com Brasília, com autoridades, aquele Petrônio Portela que era presidente do Senado, se não me engano, de outros lugares — me seguravam o telefone no ouvido para eu poder falar, de tal maneira eu estava inutilizado.

Por cima disso, ainda houve outra coisa pior: foi num dia em que, quase simultaneamente, algumas imagens de Nossa Senhora existentes em sedes da TFP se queimaram ou se quebraram. Eu disse: “Olha aí, graça de Genazzano, zero, é o castigo. Esse estrondo aqui é o castigo”.

* A graças da Luz fizeram uma ponte entre os dois períodos da graça de Genazzano

Eu pensei: “Bem, mas eu tenho um certo alento na Luz e vou continuar a ir à Luz. Isso me ajuda a agüentar essa provação sem eu perder completamente minha saúde”. Porque dava para perder a saúde, tudo isso junto.

Terminou o estrondo, graças a Deus, com uma vitória para nós, até brilhante, e a vida continuou.

Fui me restabelecendo lentamente. Um dia assim me voltou o problema da graça de Genazzano à cabeça, e eu percebi que eu tinha interpretado mal a graça. Portanto, minha confiança na graça renascia completamente.

As graças da Luz fizeram uma ponte entre o período de Genazzano I e Genazzano II, quando eu estava atolado no fundo do problema do estrondo do Rio Grande do Sul e do desastre de automóvel.

Um desastre… os senhores não podem imaginar a coisa horrível. Eu, por exemplo, notava, durante o primeiro tempo, que eu tinha tomado uma pancada muito forte na cabeça e tinha ficado, portanto, com o raciocínio meio traumatizado. Os médicos me garantiam que eu ia ficar bom, mas eu ficava apavorado com a idéia de que não ficasse bom e não fosse mais capaz de dirigir a TFP, e observando a lenta recomposição de meu raciocínio.

Eu me lembro uma noite que eu não consegui dormir e que eu estava deitado. Eu passei esse período deitado no quarto de minha mãe, para evitar o barulho excessivo da rua. Eu estava deitado lá e estava procurando recompor, no corredor, do lado do quarto de minha mãe, que quartos havia, que eu não conseguia me lembrar. Um apartamento onde eu morava há uns quinze anos já, mas não conseguia me lembrar. Tive que perguntar o que havia, para conseguir recompor a memória. Foi lentamente, lentamente que minha memória foi se recompondo.

Me lembro que mandaram um psiquiatra me examinar e que eu, para evitar do homem declarar que eu estava inválido, compus as perguntas que ele ia me fazer e dei as respostas, e preparei as perguntas para escorar o homem. Felizmente, ele fez-me as perguntas que eu imaginava, e eu tinha todas as respostas prontas. Mas me deu trabalho, porque a cabeça estava lenta.

(Sr. Paulo Henrique: E o veredito dele foi que o senhor estava melhor do que todos os presentes à consulta…)

Ele disse isso.

Mas eu me lembro que ele ia me perguntar o número do telefone meu. Ora, como eu nunca ligava para minha casa, eu não sabia o número de meu telefone. Eu sabia o telefone da casa de minha irmã. Eu pensei: “Vou dizer para ele que eu sei o telefone de minha irmã, mas não sei o meu. Mas ele vai diagnosticar que houve uma ruptura de matéria cinzenta, não sei o quê, tenebrosa, que precisa fazer uma injeção desse tamanho, não sei o quê, quando eu não acredito nisso, eu acho que vou recompor minha inteligência”.

Então quando ele disse: “Dr. Plinio, o senhor se lembra do telefone de sua casa?”, eu disse: “Dr. Oswaldo, eu não me lembro o telefone de minha casa por uma razão muito simples: quem telefona para minha casa é meu secretário, eu nunca telefono para minha casa”. E era verdade. Mas me deu trabalho para reconstituir o negócio.

* Em Quito, a explicação das graças da Luz

Agora, como é que se explica o negócio da Luz?

Estando em Quito, o meu querido João entrou em contato com as freiras da Luz, lá. Por elas, ele soube do Cuadernón e das profecias que falam a respeito do nosso século, da Bagarre, etc., que são de um tal alento para nós. De maneira que as duas coisas se relacionam bem uma com a outra, para formar um só todo.

Bem, aí está o negócio, está contada a história. Não sei se alguém quer me perguntar mais alguma.

Meu Guerreiro, uma pergunta.

* A graça de Genazzano explica a calma do Sr. Dr. Plinio em meio às ameaças de estrondo

(Sr. Paulo Henrique: E essa muralha que se apresenta agora?)

Ah, essa muralha? Aqui já pode ser considerado muito provavelmente como o primeiro tufão da Bagarre, o vento batendo em nossas janelas e quebrando o vidro, muito provavelmente. Nós não sabemos qual é o dia de amanhã.

Os senhores viram que eu demorei muito para entrar aqui. É porque vieram grafonemas de vários lugares, que o Sr. Fernando Antúnez e eu tivemos que despachar. Entre eles, grafonema dos Estados Unidos contando dezenas de lugares — mas aí os senhores têm tudo — onde saíram notícias de jornais, rádios, etc. Portanto, estrondo aceso nos Estados Unidos, em grandes proporções. Agora, com muita preocupação, porque nos Estados Unidos tem um mundo de jornais, um mundo de rádios. Nós não temos dinheiro para responder a essas publicações assim, não temos, simplesmente não temos. No grupo de Nova Iorque até ganham dinheiro, administram muito bem, mas não para uma coisa desse tamanho.

Quase no fim do grafonema, a pessoa que, a pedido do Sr. Luiz Antônio Fragelli, me grafonemava, dava as notícias, dizia o seguinte: que tinha que realçar que só em um lugar era mencionado o nome da TFP.

Não sei se os senhores vêem, ao menos no momento, como altera o panorama. Ao menos no momento. Não sei o que vai ser amanhã, mas ao menos no momento altera o panorama. Esse meu filho poderia ter colocado logo no começo. Não, coloca no fim. Depois que eu bebi toda a cicuta… ele vem: “Olha… não é propriamente assim”.

Os senhores compreendem como é penoso um grafonema de várias páginas, feito sob a impressão de que a TFP está sendo martelada e arrastada pelo chão. Não, é apenas um jornal, uma coisa qualquer, que mencionou o nome da TFP.

Depois também conta no fim que foram consultar um advogado muito capaz, a quem eles dão apelido de Farfalhante. Foram consultar o Farfalhante e que o Farfalhante disse que eram acusações tão evidentemente estúpidas, que ele aconselhava que nós, por enquanto, não publicássemos nada, para não dar corda ao estrondo. Conforme fosse, daqui a uns dois ou três dias publicássemos algo.

É evidente, não tendo mencionado nosso nome, não vamos meter a cabeça fora do pano do teatro e dizer: “É comigo isso”.

Bem, mas isso é no fim.

É uma pequena amostra do muro… quem começa a ler isso, não vai imaginar que no fim tem isso. Mas continuamente conosco é assim.

O que vai sair amanhã? Não sei, eu não sei.

Os senhores dirão: “Mas, Dr. Plinio, como é que se explica que o senhor esteja disposto, tranqüilo e falando conosco como se não houvesse estrondo? Eu sei que é como está”.

O Sr. Carlos sabe bem o quanto isso me preocupa. Mas Nossa Senhora me ajuda a tomar essa atitude calma. Por quê? Graça de Genazzano. Quer dizer, no fim dos fins, a vocação se realizará. Do contrário, eu estaria apreensivíssimo.

Depois, poder-se-ia fazer o seguinte raciocínio: eles estão dando uma divulgação tão ampla a isso, é sinal que querem estraçalhar a TFP. Mas não é verdade. Várias vezes houve, em nível nacional, coisas que foram desse gênero.

* O caso da bofetada em Porto Alegre, cujas notícias tiveram circulação nacional

Eu creio que contei aos senhores o caso de um membro do Grupo, creio que é o Ireno de Porto Alegre, não sei bem, que meteu uma bofetada num sujeito. Foi o Valmeron. Meteu uma bofetada num sujeito que lhe disse a propósito da TFP… o sujeito era contra a TFP.

Descendo de um elevador, o sujeito era um conhecido dele e o interpelou — o estrondo ainda não tinha arrebentado — e perguntou a ele se ele ainda estava na TFP. Ele disse que sim, estava. Ele disse: “Você não deveria estar, porque você não vê que aquele não é seu lugar? Na TFP só recebem pessoas de elite, de uma classe alta, e sua mãe é uma lavadeira. Portanto, você não pode estar lá dentro”.

Como ele viu que havia… não há nenhuma vergonha em ser filho de lavadeira, mas quando se diz isso com intuito de deprimir, tudo o que diz respeito à mãe é respondido com uma sonora bofetada. O Valmeron meteu uma bofetada nesse sujeito e o sujeito foi choramingar na Polícia que tinha levado uma bofetada do Valmeron, por causa da TFP.

Bom, isso é completamente contra os hábitos. Eu estou falando aqui para brasileiros dois mais variados Estados. Os senhores sabem que é completamente fora dos hábitos. Em qualquer ponto do Brasil, o sujeito levar uma bofetada e queixar na Polícia, é fazer papel de cretino, que não tem palavras, não tem palavras. Eu acho que ele já provocou o Valmeron para o Valmeron lhe dar a bofetada, para ele poder ir queixar na Polícia. Acho que foi isso.

Essa notícia circulou por todo o Brasil. Nós temos um dossier: a bofetada do Valmeron. É um dossier.

Não quero dizer que estivessem dispostos a eliminar a TFP. Uns dois ou três anos depois é que arrebentou o estrondo. Não se pode ter essa certeza assim.

Que há um desejo de eliminar a TFP, há, é evidente, mas no que é que isso pode dar ou não dar? Eu acho que na Venezuela são tão inábeis em inventar essas coisas que, por um pouco de bom senso que se tenha, se percebe que é mentira. O bom senso não é muito abundante hoje…

Então aqui está, meu Paulo Henrique.

* Rápidos comentários sobre “estrondo” no Brasil e em outros países

(Sr. Paulo Henrique: Repercussão sobre o que passa na Venezuela, contatos que tive aí com pessoas conhecidas nossas. Um dia depois de ouvirem a notícia, eles não conseguem nem dizer o nome do país onde se deu o fato.)

Está vendo que engraçado?

(Sr. Paulo Henrique: Eles falam: um país da América Central, falam Bolívia, Ou assim: “Foi Colômbia ou Venezuela em que se passou uma coisa com vocês”.)

Conservam uma notícia confusa porque fizeram uma leitura não desconfiada e tomam a coisa assim.

(Sr. Paulo Henrique: E muitos dizendo que não acreditam mesmo na imprensa.)

E isso, graças a Nossa Senhora, tanto quanto eu saiba, no Brasil está bastante geral.

Agora, na segunda-feira a “Folha” prometeu que publicaria nosso desmentido. E o desmentido está muito categórico. Mas temos ainda outras coisas a publicar, caso eles mexam, de maneira que o aperto em cima deles não é brincadeira.

De qualquer maneira, trancada como essa, nunca tivemos. E a impressão é que se trata realmente… Em Lima, por exemplo, nove jornais publicaram a notícia. O país onde está mais alentadora a situação é na Colombia: só duas rádios. Colada ali na Venezuela, só duas rádios. Essa é a coisa.

* Por falta de apetência no Grupo, conseqüência do gosto pela Bagarre Azul, o Sr. Dr. Plinio não trata de muitos temas

Mais uma pergunta, meus caros, enquanto houver tempo.

Meu Guerreiro, você ainda não fez uma pergunta. Vá lá.

(Sr. Guerreiro: O senhor disse que sentia saudades de estar com os filhos. Em cada cabeça há cem perguntas…)

Não, eu com eles estou muito. Com o senhor estou uma vez por semana.

(Sr. Guerreiro: Cogitações do senhor que o senhor não comenta com ninguém, guarda na solidão. Outro dia vi o senhor trabalhando… enfim, comento isso na expectativa…)

De que saia algo.

(Sr. Guerreiro: Quer dizer, o senhor não poderia pelo menos pegar um ou outro ponto assim?)

É bem verdade que há uma série de assuntos que eu conversaria… sobre os quais eu conversaria e sobre os quais eu não converso. Isso é bem verdade, está bem percebido.

Agora, por quê? É porque enquanto a respeito do “tal enquanto tal” e outras coisas do gênero nós não tivermos uma apetência muito maior, não há interlocução possível a respeito desses assuntos que representam algo que há de muito interno, naturalmente, em mim, e a respeito dos quais, comunicativo como sou, eu gostaria de ter interlocução. Mas como é possível essa interlocução? Se se fosse tratar, não interessaria, porque, ao pé-da-letra, não interessaria.

Por exemplo, vamos ver, livros que eu marco. Eu marco os livros sem tomar em consideração os temas que eu não trato. É claro. Eu marcar uma coisa que ninguém entendeu porque eu marquei, do que adiantou? Eu trato dos assuntos que eu sei que estão mais ou menos ao alcance do interesse dos meus filhos. Os outros eu não trato, não marco. Então, deixo passar toneladas de linhas a respeito disso que eu não marco.

Agora mesmo estou lendo uma coleção das memórias do Príncipe de… [inaudível] … que me foi dado pela TFP francesa, com aquele acerto e savoir faire único: edição antiga, boa, muito bem encadernada. O homem é o Saint-Simon do reino de Luís XV e Luís XVI, e teve o bom gosto de morrer um pouco antes da Revolução Francesa. [Vira a fita]

De sorte que aquela fedentina da Revolução Francesa não me entra livro adentro. Ele era tão fechado naquele mundo dele, que ele nem percebeu a Revolução que vinha. Era um nhonhô. Mas a questão é um nhonhô de 1984, e outra é o nhonhô daquele tempo, não tem comparação, não tem comparação.

Bem, há uma porção de coisas ali, imponderáveis, etc., que eu não comento. Nem marco, nem comento, nem nada, porque não se entenderia, não se entenderia.

Agora, o que é que eu tinha desse gênero no espírito quando o senhor esteve em casa, eu estou fazendo esforço de memória para lembrar e não consigo, porque eu estava com a atenção muito especialmente voltada para os temas que estava despachando. Mas, sem dúvida, era normal que se desse esse fato, que eu estivesse tendo presente muitos outros temas desses que são temas incomunicados, isso é verdade. Não são temas misteriosos. São temas comunicáveis, inteiramente comunicáveis, desde que uma pessoa se interesse, queira condescender em tomar conhecimento desses temas.

E o gosto nosso pela Bagarre Azul leva-nos a não termos vontade dessas coisas. São temas sérios demais, profundos demais, ponderados demais para ter vontade. Então, eu deixo de lado para tornar nosso convívio agradável também para aqueles com quem eu convivo. Ao menos na medida em que eu posso.

(Sr. Guerreiro: Que temas o senhor considera que o Grupo não teria maior interesse? O senhor poderia dizer algo? Poderia vir daí uma certa apetência, ao vermos que nossas cogitações não são as do senhor, poderíamos receber uma graça para compreender isso, etc. Vamos supor que fosse uma conversa, não com o auditório que está aqui…)

Não, eu quero muito bem ao auditório que está aqui.

(Sr. Guerreiro: Pelo menos a primeira fila.)

Não. Todas as filas…

* O Sr. Dr. Plinio se refere à bonita ladainha de Notre Dame de la Bonne Delivrance

(Sr. Guerreiro: Mas, por exemplo, que assuntos mais falaram ao senhor nesta semana e que o senhor poderia conversar com certo gênero de gente? Que gênero de personagem poderia compreender essas temáticas? Qual seria o papel disso para um entendimento da luta RCR, etc.?)

É pena. Se eu soubesse que o senhor iria perguntar isso, eu faria uma experiência interessante, porque isso não é propriamente um tema. É toda uma clave, é todo um plano de temas, não é um só tema.

Mas aqui me ocorre, por exemplo, uma coisa muito bonita: eu recebi — não me lembro bem quem me mandou, mas está em francês — uma ladainha de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Notre Dame de la Bonne Delivrance. A delivrance, em francês, é o ato pelo qual nasce o filho da mãe, e ela fica, portanto, libertada das dores, do penoso do período da gestação.

Nossa Senhora não teve esse penoso porque Ela era concebida sem pecado original, desde o primeiro momento de seu ser. Mas, por comparação, como uma mulher, filha de Eva, é castigada dessa maneira, por comparação podia se dizer Nossa Senhora de la bonne delivrance. E é o bom sucesso, porque se entende o sucesso isso: nascer bem. É o sentido da palavra.

Mas, por uma analogia curiosa, eu notei na ladainha que se faz uma comparação entre o sucesso da gestação e o sucesso de um esforço, o sucesso de um empreendimento, etc.

Creio que foi o João que me disse que na Torre de Belém há numa coluna, a uma pequena distância da Torre, uma imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso que presidia a despedida dos navegantes. Estão vendo aí que o sucesso era o êxito de chegarem, de pregarem a cruz, difundirem o reino de Cristo, arrancarem também um ouro que não estava ausente dos empreendimentos daquele tempo — não é, meu Sepúlveda? — e voltarem ricos, imersos em sacos de ouro. Esse era o bom sucesso de que falavam.

* A beleza e o vigor das várias invocações da ladainha

E tem a ladainha muito forte… Ah! Está aí?

Vejam as invocações. Kyrie eleison, etc., começam então as invocações da ladainha:

Nossa Senhora do Bom Sucesso,

Santa Maria, prometida no começo dos tempos para ser a liberadora do mundo

Veja a invocação bonita e cheia de substância. Ela daria nascimento ao mundo novo, dando nascimento a Nosso Senhor Jesus Cristo. No começo de todos os tempos Ela foi prometida como sendo a libertadora do mundo.

Uma coisa bonita. Não sei se notam que é quente, tem algo de vigoroso que me agrada ver, a devoção a Nossa Senhora rutilando nisto.

Depois vem logo em seguida:

Santa Maria, anunciada pelos profetas como a mulher forte que deveria dar liberdade ao seu próprio povo

Lembram-se da mulher forte do Evangelho? Então Ela é anunciada pelos profetas, antes do Evangelho ainda, já prevista como a mulher forte da qual viria a libertação do seu povo.

Eu acho que tem suco isso, tem pensamento.

Que pensamento tem? Essa seria a conversa: que pensamento tem?

Santa Maria, figurada por Judite e por Ester, libertadora de Israel

Israel é a prefigura da Igreja Católica. Então Ela é libertadora da Igreja Católica.

Agora, Judite é a que cortou a cabeça de Holofernes. E Ester é aquela que conseguiu do imperador da Pérsia, Assuero, uma boa disposição em relação aos judeus, e que com isso orientou, um pouco remotamente, a política dos persas favoráveis aos judeus, etc. Quer dizer, é tomada como prefigura de Nossa Senhora.

Mas a gente pensar Judite passando a faca no pescoço de Holofernes, Nossa Senhora esmagando a cabeça do demônio, ou seja, também a Revolução, é forte, é forte.

Depois uma outra invocação aqui:

Nossa Senhora, que operastes nosso próprio nascimento, consentindo na Encarnação do Verbo

Isso é bonito. Dando esse consentimento, Ela abriu para o mundo as portas do Salvador. É uma ação densa, intensa, grande, forte. Depois é preciso pensar para a gente entender o que é.

Santa Maria, que consumastes…

Então Ela deu consentimento à libertação, aceitando em ser Mãe de Deus.

Santa Maria, que consumastes nossa delivrance, aceitando de ver morrer na cruz o Vosso Filho para a salvação do mundo

Quer dizer, ali a delivrance se completou, nós ficamos remidos porque Ela consentiu. Se Ela não tivesse dado consentimento que o Filho d’Ela fosse morto, o Padre Eterno não teria dado a Redenção para o gênero humano.

Qual é a origem disso aqui?

(Sr. Jiménez: O Sr. Bussoti rezava diante dessa imagem de Nossa Senhora, que é uma imagem medieval que passou por várias vicissitudes e hoje em dia está num convento de freiras em… [inaudível] … num hospital. E lá tinha essa ladainha.)

Eu vejo que tem aprovações eclesiásticas, tudo.

(Sr. Jiménez: Não me lembro. Creio que é para recitação privada.)

É para recitação privada, sim. Por exemplo, não poderíamos recitar em conjunto porque não há licença, mas de si é muito ortodoxa, etc. 1

* A necessidade do equilíbrio entre a delicadeza e a força, para a ordem do universo

Agora, aqui entra a questão: o que é que me aflora ao espírito pensando numa coisa tão forte a respeito de Nossa Senhora? Essa é a pergunta.

Então, é o seguinte:

NEla se encontra, no mais alto grau, tudo o que se pode imaginar de perfeição da delicadeza e em algum sentido da palavra — é preciso notar bem, em algum sentido da palavra — na medida em que a delicadeza contém algum elemento de fragilidade. É interessante, é altamente confortador, para se ter uma noção da perfeição d’Ela, ver a este aspecto juntar-se este aspecto desta força. E todas aquelas perfeições da alma d’Ela que nós vemos expressas em termos de delicadeza, de bondade, etc., expressas ao mesmo tempo em termos de força, dando uma idéia global da beleza moral d’Ela, muito maior do que simplesmente a gente tem olhando um lado só. E, por assim dizer, matando uma espécie de fome de algo que falava para glorificá-La.

Bem, isso tem por detrás uma coisa metafísica: é para a ordem do universo a necessidade do equilíbrio entre a delicadeza e a força. E sobre isso se poderia fazer uma reunião do MNF. Mas acontece que as reuniões do MNF se fazem ao meio-dia e meia, uma hora… e já são três horas. Os senhores estão com sono e não está muito longe de eu ficar com sono também. De maneira que eu proponho que nós nos retiremos.

Apenas o coronel não disse uma palavra até agora, nem Paulo Roberto.

Coronel, você tem alguma coisa?

(Sr. Poli: Está na hora do senhor se recolher, não é?)

Mas se for uma pergunta rápida, eu tenho uma resposta rápida.

(Sr. Poli: Não. )

E meu Paulo Roberto? Só não me fale de Brasília… ahahah!

Nem tem vontade de falar, não é, Paulo Roberto? Está lá por sacrifício, está farto daquilo.

Meus caros, vamos andando, então.

(Sr. Dustan: O senhor disse no Santo do Dia de hoje, a respeito de Frei Galvão, que ele tinha sempre a alma nas mãos. O Santo do Dia era a propósito de Santa Luzia, do dia 13 de dezembro. E dela a Igreja diz o mesmo, que ela tinha a alma sempre nas mãos.)

Que bonito! Que bonito!

(Sr. Dustan: Exatamente o dia que o senhor nasceu.)

Que a Igreja nos obtenha isso!

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1 Para recitação privada, isto é: não pode ser usada em cerimônia oficial da Igreja.