Conversa de Sábado à Noite – 17/11/1984 – Sábado [AC VII - 11/84.7] . 9 de 9

Conversa de Sábado à Noite — 17/11/1984 — Sábado [AC VII - 11/84.7]

A guerra dos profetas atualmente dá-se pelo elemento preternatural determinante na conexão do caso da Venezuela com o do Brasil * Uma resistência a toda prova no caso da Venezuela é determinante para que baixem os anjos e expulsem os demônios * A resistência dos membros do Grupo no Estrondo da Venezuela: uma guerra de alma mais autêntica do que a guerra do corpo * Com alabardas, como simbolismo todo do Grupo, nosso Fundador tem a intenção de que os membros do Grupo se preparem para qualquer forma de luta do corpo e do espírito dentro da lei de Deus * Deve-se querer ter o espírito do Fundador, ainda que seja dolorido e não se tenha consolação — “Dar-se inteiramente ao que o Fundador pede, é dar-se inteiramente à Igreja” * Quando um religioso diz “eu me dou ao meu Fundador”, os demônios afastam-se apavorados * A TFP seria uma Ordem Religiosa se estivéssemos em condições de normalidade da Igreja * A união com o Fundador é uma condição para tudo — “Nossa Senhora fez dos senhores um caminho para mim, e de mim um guia para o senhores” * O Estrondo da Venezuela criou uma sensação de se estar entrando para uma vida dura e cheia de anomalias como nunca se pensou * As duas fases da invasão dos demônios * A perplexidade da maioria silenciosa venezuelana diante da ferocidade do Estrondo

Então, meus caros, quem é o pergunteiro?

* A guerra dos profetas atualmente dá-se pelo elemento preternatural determinante na conexão do caso da Venezuela com o do Brasil

(Sr. Nelson Fragelli: Como devemos ver nesta guerra que se trava na Venezuela, o aspecto da guerra dos profetas, como se delineia…)

Não foi exatamente neste ângulo que eu impus a expressão. Realmente compreendia a guerra da Venezuela — o que bem pode ser chamada assim… compreendia isso —, mas compreendia evidentemente mais do que isto. Em função de uma conexão que eu estabelecia entre o que se passava em Santa Cruz, Cruz Alta, não me lembro bem, no Rio Grande do Sul e o que se passava na Venezuela.

Quer dizer, então haveria uma emissão de demônios sobre a Terra, e esta emissão de demônios determinaria a luta contra ele. Luta dos que lutavam, tendo do seu lado os anjos, contra os que lutam, tende do seu lado os demônios.

Bem, aí, então, o senhor está vendo que é uma coisa já posterior ao mero fato da Venezuela. Muito importante, determinante, o fato originário, mas afinal de contas é esse o negócio. Isso de um lado. Agora, de outro lado, o Brasil incendiado, e talvez a América do Sul toda meio em chamas preternaturais.

Agora, dado o fato de que o elemento preternatural é tão determinante nesta luta, então se explica que se entenda que aqueles que conduzem a luta de um lado e de outro, tem uma missão profética. Donde a guerra dos profetas. Não é? É um pouco decepcionante, mas é isto.

* Uma resistência a toda prova no caso da Venezuela é determinante para que baixem os anjos e expulsem os demônios

(Sr. Nelson Fragelli: O senhor nos mostrou hoje que a lógica não tem mais efeito em nada lá. A isto continuar, tem que haver a interferência propriamente profética, no sentido de que algo…)

É. Algo tem que acontecer! Os demônios em certo momento… é preciso apresentar a eles uma resistência que a pessoa não tenha a sensação de que é vitoriosa. Mas pelo fato de continuarem e continuar e continuar, é resistência e representa uma vitória! Em certo momento os anjos intervêm e expulsam os demônios! Como pode haver vais-e-vens, hein? Os anjos conquistam terreno, depois conquista terreno os demônios, de novo os anjos… Ninguém pode saber como é que isto será.

* A resistência dos membros do Grupo no Estrondo da Venezuela: uma guerra de alma mais autêntica do que a guerra do corpo

(Sr. Nelson Fragelli: A impressão que a gente tem, é que nós estávamos preparados para uma Cruzada e, de repente, temos que vestir um burel… É uma “Bagarre” feia desta maneira!)

É bem verdade. A questão é a seguinte:

É que as realidades da alma são sempre realidades muito mais reais do que as do corpo. No que diz respeito à realidade da alma, que é o que importa mais, quando passa pelo o que estão passando os venezuelanos…

O que é isto agora? Automóvel?!

(Sr. –: Sim senhor.)

Quer ver, por exemplo…

(…)

uma revolução. De repente cercam… está cercado! Vai tudo para a cadeia! É assim! Simplesmente… Nenhum de nós pensava nisto quando acordou. Pode ir dormir na cadeia. Ou por outra, não dormir na cadeia. Eu estou com tanto sono que eu acho que até na cadeia dormiria!

Bem, mas vamos ver a coisa. Eles resistindo como estão resistindo — eles estão numa forma muito boa! —, eles mandam dizer que estão dispostos a qualquer coisa, e permanecer e a perseverar, etc… Realmente eles estão muito favorecidos por Nossa Senhora. É um lindíssimo episódio da vida do Grupo. Mas, lindíssimo!

Eles agüentando assim de alma, fazem o papel, por exemplo, de um ninho de metralhadoras perdido no meio de um exército agressor e que continua a resistir. Sendo que isto tem mais a realidade da guerra do que o ninho de metralhadoras. A guerra de alma é mais autenticamente guerra do que a guerra do corpo.

* Com alabardas, como simbolismo todo do Grupo, nosso Fundador tem a intenção de que os membros do Grupo se preparem para qualquer forma de luta do corpo e do espírito dentro da lei de Deus

Com alabardas, como simbolismo todo do Grupo, eu tenho como intenção que nós nos preparemos para qualquer forma de luta e, portanto, qualquer forma de luta, bem entendido, dentro da lei de Deus. E enquanto houver lei dos homens, não afundar o mundo no caos, também segundo a lei dos homens.

Então, dentro desta linha, a ideia é ir preparando o espírito de luta, para dar em qualquer forma de luta. Mas de fato, dará sobretudo na luta do espírito. E isto não é um jogo, isto é uma realidade. Não sei se está bem claro… Mas é esta a questão.

Então, eles lá estão fazendo isto. E de outro lado eles estão infligindo ao adversário, pela própria perseverança deles, uma espécie de prejuízo na opinião pública que eles não infligiriam se cedessem.

São destas coisas subtis, mas são assim. Os senhores imaginem, que Deus nos livre, que eles todos executassem o programa da Revolução. Vitória muito brilhante para a Revolução. Porque eles reconhecendo, era para o governo ADECO um triunfo aos olhos de toda a opinião pública. Este triunfo o governo não vai ter! Porque muitos já estão achando e dizendo que houve um procedimento ilegal, procedimento injusto. Alguns escrevem artigos, ou fazem declarações em jornal dizendo: “Eu sou contra eles e nas vias legais, lutaria para eles serem fechados, mas não posso admitir a idéia de que não tenham sido usadas as vias legais. Por que esta ilegalidade contra eles?”.

Mas no fundo fica que houve um medo de usar a legalidade contra eles. Os senhores estão vendo bem o recuo que pode começar e que é uma bomba jogada na quilha do navio do socialismo venezuelano!

Os senhores dirão: “Mas do que adiantaram as alabardas para estes rapazes?”.

Eles terem o espírito de luta! Para saberem travar as lutas do corpo e as lutas de espírito. Esta é a questão! O problema é este!

Quantas e quantas vezes sucede que a gente vê em guerra, homens que foram heróicos, expuseram a vida cem vezes. Mas chega na hora da batalha do espírito, eles capitulam. Quantas vezes! Vence a guerra, mas têm medo daquilo, disto, daquilo outro! Tem medo de uma gargalhada, tem respeito humano, tem não sei o quê…As voragens do espírito são coragens que exigem muito mais do que as coragens do corpo. Embora as do corpo sejam indispensáveis, e a gente deve estar pronto para tê-las no caso, se o caso se apresentar.

Então, eu estou a disposição de outras perguntas!

* Deve-se querer ter o espírito do Fundador, ainda que seja dolorido e não se tenha consolação — “Dar-se inteiramente ao que o Fundador pede, é dar-se inteiramente à Igreja”

(Sr. Nelson Fragelli: Como o senhor sente a guerra dos profetas neste instante, em que frui para os nossos irmãos da Venezuela a sustentação “maior” nesta luta.)

Se eles ouvissem o senhor falar — o senhor está falando em termos rigorosamente católicos — de Fundador para os membros de uma obra, a relação é esta. Mas, se ouvissem o senhor falar, diriam: “Está vendo? É lavagem cerebral!”.

Bem, mas deixemos de lado a lavagem cerebral dos cérebros mal lavados deles!… E vamos enfrentar o problema.

Continuamente nas nossas relações, continuamente há um pedido de minha parte. E há uma aceitação que da parte dos senhores é minor ou é menor. Não analiso isto. Nem sempre é completa, em todo caso… O pedido qual é? Nós estamos aqui conversando. Eu vejo gente montada não sei bem no que. Deve ser uma espécie de escada, mas tem gente até nisto. A velha e silenciosa sala São Luís Grignion de Montfort está vivendo suas grandes horas. Eu pensei nela para ocasiões assim… Eu estou contente de vê-la assim.

Mas acaba sendo que nesse momento os senhores estão acompanhando com muito interesse o que se conversa. E este interesse é em parte ver uma comunicação de espírito, que eu sinto e os senhores sentem.

Eu vejo os senhores me olharem, me ouvirem, eu vejo que os princípios que eu estou dando e que eu ensino pela palavra, ensino pela fisionomia, ensino pelas maneiras, que isto os senhores consideram e desejam ter, e se alegram em ter.

Bem, de tal maneira que esta reunião aqui, é provavelmente a mais alegre das reuniões que num sábado de perdição se pode ter em São Paulo a esta hora. De longe, de longe!

Agora, há um ponto que é o seguinte:

Este espírito lhes alegra, porque lhes é dado junto com uma graça, uma consolação. E nada alegra mais a alma do que a consolação e a graça, mas para além disso, a Providência pede uma coisa. No dia em que for dolorido ter este espírito, nós não sentirmos nenhuma consolação, nós quereremos ter? Primeira pergunta.

Segunda pergunta: quando nós sairmos daqui, nós vamos conservar alguma coisa na alma, ou nós viemos aqui só porque há uma certa alegria ligada a este espírito, e na hora em que esta alegria passar, nós nos esqueceremos disto também?

Não sei se estão claras as perguntas.

Eu estou continuamente pedindo que aceitem com uma profundidade tal, este espírito, que estando eu fora continue nos senhores. Nos senhores vêm sempre esta ideia:

Para haver esta aceitação com profundidade, eu preciso romper com algumas coisas destas mentalidades aí fora. Ora, isto eu fico numa distância deste mundo que me assusta, e por causa disto, eu digo a este pedido: eu não digo não, eu nem sequer digo talvez… eu digo sim, mas eu não digo sim inteiramente. E o desejo é de dizer sim inteiramente. Não conservar um pensamento por detrás da alma, uma restrição… Tal não dou, tal coisa não quero… Não! É tudo, porque assim se deve fazer com aqueles que nós tenhamos em consideração de exemplares de catolicidade!”.

Então, não é porque os senhores me conhecem e os senhores se comprazem de mim, não é isso não. É uma coisa muito mais profunda. O que eu faço e o que eu digo é conforme o ensinamento da Igreja. Ora, a Igreja a gente segue indiscutivelmente! Se é conforme o ensinamento da Igreja, devemos seguir.

Não sei se está claro.

Então, dar-se inteiramente ao que o Fundador pede, é dar-se inteiramente à Igreja. Então, para frente!

* Quando um religioso diz “eu me dou ao meu Fundador”, os demônios afastam-se apavorados

(Sr. Carlos Antúnez: Falar do papel exorcístico que entra naquele dar-se.)

A palavra exorcismo tem sentidos canônicos muito precisos, etc., no sentido de expulsar o demônio, de afastar… o demônio quereria é que uma pessoa dissesse ao seu próprio fundador: “Eu não me dou!”. É claro. Portanto, quando a gente diz “eu me dou”, a gente faz o contrário do que o demônio quer. A gente cria condições ótimas para espaventá-lo, para apavorá-lo. Daí estas frases de religiosos para com fundadores, que espantam de união e de submissão, não é? Mas é que isto vem desta comunicação em que a graça passa pelo Fundador e é dado àquele que foi chamado.

* A TFP seria uma Ordem Religiosa se estivéssemos em condições de normalidade da Igreja

A TFP seria uma Ordem Religiosa se nós estivéssemos em condição normal da Igreja. Infelizmente não o pode ser nas condições da Igreja de hoje. Mas não elimina o fato de que há uma fundação, e há uma relação de alma entre nós, como do Fundador para com os que constituem esta família de alma.

Não sei se minha resposta responde a sua pergunta.

* A união com o Fundador é uma condição para tudo — “Nossa Senhora fez dos senhores um caminho para mim, e de mim um guia para o senhores”

(Sr. Carlos Antúnez: É que o senhor falava do papel do exorcismo nesta hora. E não tendo união com o Fundador…)

Ah! não tendo união… é uma condição para tudo. Não tendo união não se revela nada. Tendo união recebe-se qualquer coisa, porque nós fomos chamados para esta união. Mas os senhores vejam como são as coisas, hein! Não pensem que isto é só de mim para com os senhores. É também dos senhores para comigo. Não é dizer propriamente que os senhores são meus mediadores, mas há este fato concreto:

Esta sala está cheia de gente, pela favor de Nossa Senhora. Se eu não me interessasse pelos senhores, na medida em que eu me interessasse menos pelos senhores, eu teria menos graça. E os senhores são para mim uma ocasião necessária, por vontade de Deus, de minha própria santificação. Como eu sou para os senhores! É uma linda reciprocidade. Como, aliás, de pai com filhos. O pai que é bom pai, se santifica a propósito do filho. E o filho que é bom filho se santifica a propósito do pai. É natural, é muito razoável. Volto a dizer: por mais que possam dizer que é lavagem cerebral, que é não sei o quê… eu acho que nem vale a pena referir-se a isto. Eliminar este conceito de dentro de nossa conversa.

E estas coisas são assim. É uma linda coisa que Nossa Senhora tenha ao longo de minha vida dito isto… nunca me apareceu e nunca me disse, é como eu dizia na reunião agora à noite: é pela razão inspirada pela Fé, pelo consenso, pelo feeling interior, discernimento interior da Voz da Fé, etc… Por tudo isto junto dá-se que eu tenho certeza, que eu, se eu não procurasse fundar a TFP, eu cometia pecado mortal e perdia a minha alma. Os senhores devem seguir a TFP formada assim.

Quer dizer, nós somos, uns para os outros ocasião de graça.

Não sei se está claro.

Eu vou fazer aos senhores uma pequena confidência:

Os senhores talvez tenham notado, eu fiz a reunião com um sono medonho. E eu apressei o fim da reunião porque eu tinha medo de dormir durante a reunião. Quando chegou a hora das orações, de sono eu bolostroquei, rezei três Ave Marias pelo meio, fiz uma salada porque eu não estava me agüentando.

Eu poderia mentir a mim mesmo que eu estava ultradispensado de vir fazer esta reunião aqui para os senhores. Podia! Não haveria um dos senhores que não achasse justo. À vista da batalha que eu estou conduzindo, e considerando como são os meus sábados, qualquer um acharia inteiramente legítimo! Levado por afeto filial, o meu Carlos Antúnez insistiu neste sentido, e fez bem insistir, ele deveria fazer. Eu me opus tenazmente. Porque eu tinha esperança que o sono, passando assim de um lugar para outro, etc., o sono passasse, e eu ainda pudesse fazer uma reunião que prestasse.

Eu tenho desejo ardente de fazer esta reunião. Estou fazendo esta reunião tão bem quanto consigo! Agora, se eu não tivesse fome das almas dos senhores eu não viria!!! A reciprocidade é dos senhores terem fome da minha palavra!

Agora, que eu mandei abrir o vidro, a nhonhozada dorme. Bem entendido, se isto fosse uma festa bandida, está muito bom, não tinha nada, mas sendo para dizer oh! para o que eu digo, não é possível, não é?

Então, está o mistério deste… Nossa Senhora fez dos senhores um caminho para mim, e de mim um guia para o senhores. Assim Ela dispõe as coisas.

Meus caros, singremos para a frente! Há mais alguma pergunta?

* O Estrondo da Venezuela criou uma sensação de se estar entrando para uma vida dura e cheia de anomalias como nunca se pensou

(Sr. Nelson Fragelli: De que maneira poderíamos tomar melhor a questão da Venezuela, de semelhança à alma do senhor?)

Eu junto à reunião de hoje à tarde. Tanto mais que eu acho que a grande maioria esteve presente à tarde na reunião, de maneira que forma um todo…

Eu tive a impressão da reunião de hoje à tarde, o seguinte:

Que à medida que eu fui falando e dando aquelas “disrazões” e aquelas loucuras todas, na desordem que nos chegavam, e que os senhores foram vendo este amortecimento da razão humana, etc., os senhores foram vendo também a espécie de petulância e de atrevimento que havia no meio daquilo, e isto foi comunicando aos senhores uma certa noção, um certo mau cheiro do demônio que havia na Venezuela. E que vários se sentiram até um pouco amarfanhados, um pouco pegos pela coisa, um pouco assim tisnados pela coisa. E que ao lado disto tinham horas que eu num olhar… não no olhar de todos, mas no olhar de um e de outro, eu notava ora no olhar de um, ora no olhar de outro, esta idéia seguinte:

Isto é um desaforo grande demais, se eu estivesse ali eu dava um berro, fazia uma encrenca, porque isto eu não suporto, onde é que se viu! Eu não ia discutir assim estas besteiras com ele, mas dava lá uns berros…”.

Mas depois vinha uma noção da inutilidade desta reação. E uma noção de impotência. Porque os berros não adiantariam nada, só estragariam a coisa e, portanto, não adiantava de nada. Então, a idéia: “Não, mas eu deitava um argumento assim…”.

Mas no inventar o argumento, em certo momento a pessoa percebia o pé que resvalava, porque o argumento a gente percebia que não dariam atenção, não ligariam. Um argumento daquele tipo do Duarte, que mentiu a respeito do Santiago Gusmán…

(Sr. –: Salas.)

Salas. O argumento contra o Salas é um argumento, mas não sei… Dois meninos que brigam no colégio, um apanha outro na mentira, lança aquele argumento. Argumento mais fácil de entender. Prega no nariz do tipo… Huuu! O pior é que os que estão em volta não ligam também.

Então, o sujeito que trouxe um argumento inteiramente sólido, sério, etc., vendo esta recusa, tem vontade de brigar de novo. Mas ao mesmo tempo percebe que ele se zangar, os outros vão receber assim também.

Não sei se está claro.

E me deu impressão que tudo isto junto deu, senão a todos, talvez a todos, em todo caso a vários, uma sensação de entrar para uma vida dura e cheia de anomalias como nunca se pensou. O portal de um corredor que desce sinistro, e que se caminha para uma espécie de campo de concentração.

O mais curioso é o seguinte. É que nós… a pessoa só baixa nesse estado de espírito que se afirmou tão truculentamente na nossa, aliás, querida Venezuela… essa pessoa só baixa até este ponto, quando a pessoa longamente baixou sem antes perceber.

(Dr. Edwaldo: Antes do episódio lá do Sul, não é?)

Antes, já, já… É só a propósito do Trancredo—Maluf. Esta situação Trancredo—Maluf já está …

(…)

* As duas fases da invasão dos demônios

(Dr. Edwaldo: Uma invasão de demônios. Como é que o senhor vê esta invasão de demônios. Como é que o senhor faria…)

Eu acho que a invasão dos demônios tem duas fazes nesse quadro histórico.

Primeiro eles se põe mudos, e até dão a entender que está tudo muito bem, mas vão agindo. Na segunda fase entram muito mais do que estavam, e põe-se todos juntos a uivar.

Então, o senhor toma… por exemplo, agora, se o senhor tomar automóvel e for passar num bairro estritamente residencial de São Paulo — residencial assim… —, o senhor encontra uma tranqüilidade, uma serenidade, uma boa ordem, uma coisa extraordinária.

Bem, esta tranqüilidade, esta boa ordem, já é ela impregnada de ação do demônio. Não na tranqüilidade, mas no seguinte: numa espécie de apego excessivo a esta tranqüilidade, e a ilusão de que ela é maior do que é mesmo. Quer dizer, uma invasão de demônios mudos.

Numa outra fase, que é a fase dos Estrondos, os demônios se põe a uivar. Aí já é uma outra questão.

Na Venezuela nós temos a passagem brusca deste estado de tranqüilidade para os uivos do demônio. E uivos e invasão de novos, não é? Estas são as duas fazes.

Meus caros, se houver pergunta, eu estou à disposição.

* A perplexidade da maioria silenciosa venezuelana diante da ferocidade do Estrondo

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: A maioria silenciosa, como é que se comportou nesse caso?)

Eu não falei hoje, porque falei ontem. A pergunta se põe inteiramente. Quer dizer, toda a impressão que se tem é que a maioria silenciosa, no primeiro momento, ela ficou meio flatté, meio contente, porque tem uma certa birra, uma birra misturada com amizade — amizade… —, com simpatia. Pelo lado birra teve gosto porque a TFP levou uns safanões. Mas não quereria que estes safanões fossem além de um certo limite. E quando ela viu as calúnias, as mentiras, evidentemente mentiras chegarem até um certo excesso… Depois o governo extrapolar da ordem constitucional e praticar o que praticou, ela começou a ficar com medo, sob a forma de perguntas. Estas perguntas alguns deputados têm feito na Câmara.

O que é que o governo tem em vista fazendo esta campanha, e transformando esta campanha num show?

Nós não gostamos da TFP…”.

Quase todos levaram campanhas da TFP na cabeça.

Um disse: “Tal época me fez tal campanha; tal época… Uma TFP ativa. Então, fez isto tudo. Mas nós não compreendemos:

1º) O tamanho do show tem proporção com o tamanho da organização? Um Estado como é o Estado venezuelano não poderia perfeitamente conviver com esta organização sem sentir abalado, de maneira a desatar violências dessas? Por que extrapola para fora da lei?”.

Interpelação Democracia Cristã: “Não está havendo da parte de vocês, socialista, o desejo de ocultar algo, e por isso fizeram este show?”.

Bem, esta impressão envolve por detrás a convicção da nossa inocência. Evidente! Uma vez que pela disposição de Nossa Senhora isto baixe, em pouco tempo dá origem… isto o quê? A violência do adversário baixe por causa desta ação boa. Isto dá origem, no fim, uma simpatia por nós, que é um verdadeiro triunfo!

Poderão fazer isto? Chegarão a fazer isto? Também não sei. Mas o adversário está jogando o cento pelo cento. Isto é positivo.

(Dr. Marcos Ribeiro Dantas: Jogo arriscado para eles.)

Jogo arriscado. Donde a ferocidade deles. Eles se sentem perdidos se não ganharem a batalha. Tudo isto é muito parecido com a Paixão de Nosso Senhor. Muito parecido!

(Sr. Nelson Fragelli: Salta aos olhos!)

Salta aos olhos! É o tempo inteiro parecido com a Paixão de Nosso Senhor.

Agora, houve uma coisa: na Paixão de Nosso Senhor começou os discípulos dormindo no Horto, e na nossa reunião de hoje à noite eu vou acabar dormindo… Eu estou de novo rachado de sono. Eu tenho trabalhado muito e estou muito cansado. E percebem que eu daqui a pouco já não estou fazendo a reunião bem feita, e o sono está tomando conta de mim. De maneira que os senhores não me levarão a mal, mas eu proponho que nós rezemos, e que nós vamos embora.



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