Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
1/9/1984 – Sábado [AC VII ‑ 9/84.2] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 1/9/1984 — Sábado [AC VII ‑ 9/84.2]
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A revolução social e a revolução da infâmia são reversíveis uma na outra * Para se ter uma certa adesão ao Grupo é preciso uma transformação muito profunda — A necessidade de se sofrer abandonos para se chegar a isso * A vida pode ser comparada a uma bobina que vai se desenrolando até chegar ao seu fim — Um fim bom ou mau, sem necessariamente ser de maneira brusca * “A arte de organizar a vida — que é uma muito nobre arte — eu acho que Deus deu a São Paulo” * O estado de putrefação da Estrutura… * Diante da putrefação da Estrutura, a indiferença de D. Mayer e dos padres tradicionalistas — O Falsa Direita é sempre muito impuro * O gosto pela monarquia do brasileiro e a atitude de retidão da TFP são fiapos que, como o “filho pródigo”, prendem o Brasil à casa “Paterna” * Todas as nações são filhos pródigos que se põem diante de Deus, e que podem romper ou não romper com tudo * O fato de nosso Pai e Senhor se interessar por isto, este ou aquele, representa ainda um ato de misericórdia de Nossa Senhora * “Se não fossem as infidelidades, o que o Grupo poderia ter sido a partir de 1967, poderia ter feito renascer o Brasil” * “O grupo do Chile tinha muito mais possibilidade de impressionar e de arrastar o Chile do que o grupo de São Paulo tem em São Paulo” * O que uma pessoa omite por infidelidade, ela acaba não sabendo o poderia ter feito… * A esperança de voltar as graças da “sempre viva” é um fiapo de ouro que restou * O papel da Sra. Da. Lucilia na difusão de graças no 1º Andar e na Consolação, tecendo os fiapos que ainda restam nas almas dos membros do Grupo * O imponderável da presença da Sra. Da. Lucilia no 1º Andar fala muito do “tal enquanto tal”
Hoje, mais do que nunca, a pergunta é do aniversariante, não é? Aliás, nós tínhamos posto o I romano numa questão que devia ser mais desenvolvida hoje, não é?
(Sr. RG: O Sr. Nelson Fragelli tem também várias perguntas, e como ele viaja, eu deixo as perguntas para outro dia.)
Não! não! Faça as perguntas que você quiser!
Acho que como aquilo estavam bem imbicado, acho conveniente ir por lá. Depois acho que dará tempo de responder alguma coisa do Nelson Fragelli também.
* A revolução social e a revolução da infâmia são reversíveis uma na outra
(Sr. RG: A Reunião de Recortes de hoje foi tão impressionante que entra naquela parte…)
Entra, está claro. Uma coisa do outro mundo, ouviu?
Eu fiz uma pergunta… eu também tenho o direito de perguntar de vez em quando.
O que é que acham? Qual é a parte mais lúgubre, mais ameaçadora da reunião? É a parte da Revolução social, ou é a parte da Quarta Revolução das mulheres perdidas?
Então, minha pergunta é esta: qual é, para o Brasil, a parte mais ameaçadora da reunião, é a revolução social, ou é aquela revolução da infâmia? O que indica putrefação maior?
(Sr. Nelson Fragelli: Acho que imediatamente falando é a Revolução social, porque o comunismo sempre se aproveita da degradação moral, de qualquer forma.)
Aproveita da degradação moral. Ela é o caldo de cultura dele. É uma pergunta que quase não se pode responder, ouviu? Porque é tal a reversibilidade de uma coisa, que quando a gente acaba de afirmar, de fazer uma afirmação, parece que a outra é a verdadeira. E quando a gente termina com a outra volta para a… Porque é uma coisa, são duas pilastras.
Agora, é uma coisa do outro mundo! mas do outro mundo!
(Sr. Nelson Fragelli: Mas não é animadora a Reunião de Recortes? Achei animadora.)
Naturalmente, porque indica que o fim está chegando.
(Sr. Nelson Fragelli: E há meios do senhor meter a cunha da TFP em diversos lugares, não?)
Também tem isso. A julgar, e aí nós vamos para a pergunta do meu Guerreiro, a julgar com muito jeito. Porque se nós formos, por exemplo, no ritmo do Alcaráz, que foi animador daquilo, ele revelou muito brilho naquilo, mas estamos liquidados…
(…)
… daquele jeito não pode ser. É preciso manobrar, ajeitar, etc., daquele jeito não pode ser.
(Sr. Nelson Fragelli: Mas a não fazer a procissão…)
A procissão é até ingênua. Depois, outra coisa, sabe que para fazer procissão é preciso licença da autoridade eclesiástica. Ele nem pensou… isso para ele nem existe, não é?
* Para se ter uma certa adesão ao Grupo é preciso uma transformação muito profunda — A necessidade de se sofrer abandonos para se chegar a isso
(Sr. Nelson Fragelli: Mas o senhor como aproveitaria? Essa gente está a nossa espera.)
Estão. De momento, a graça que eles podem receber é de longe um sinal, nós existimos! Agora, é possível que eles devam maturar dentro do infortúnio para alguns selecionados se voltarem a nós.
Quer dizer, vamos dizer, esses assim, como estão, se amanhã cessasse a Revolução social, eles bateriam com a porta da rua na cara. Para de fato se ter uma certa adesão a nós, é preciso uma transformação muito mais profunda. Do contrário não sai, é uma conjunção fortuita. E para isso não é bom que eles já saibam que nós existimos, mas sabem de modo mais assim… Mas que eles ainda não tenham todo auxílio. Eles precisam sofrer mais abandonos.
Porque se nós interviemos agora, eles começarão a ser agradados. Por que o pânico de que nós tomamos conta de um setor da opinião pública é maior do que tudo!
(Sr. Nelson Fragelli: O senhor não poderia dar um pouco a Teologia… Por que nas Reuniões de Recortes o senhor nos informa, fatos, fatos, fatos, necessaríssimos? Mas há uma falta muito grande de considerações tipo “Ó vos omnes” que o senhor fazia antigamente.)
De hoje em dia faz. Mas morreu sem ninguém sentir falta. É como “Ambientes e Costumes” e tudo o mais…
* A vida pode ser comparada a uma bobina que vai se desenrolando até chegar ao seu fim — Um fim bom ou mau, sem necessariamente ser de maneira brusca
(Sr. Nelson Fragelli: Pediria para o senhor dar um pouco a Teologia do Estrondo, enquanto tratando do mundo não TFP, e a vulnerabilidade nossa e as armas que nós temos. E no que isso pode dar. Qual é a melhor solução e a pior catástrofe dentro desse Estrondo. Porque eu vejo que o senhor tem sofrido infâmias enormes, tanto no que diz respeito às infâmias que lançam contra a Sra. Da. Lucilia…)
Depois, fazem para me fazer sofrer, não é? Com esta intenção!
(Sr. Nelson Fragelli: Depois no que de melhor o amor paternal do senhor nos deu, que foi o senhorio. Isto tem que ter um fim. O senhor poderia nos dar uma visão superior disso?)
A vida de todo homem, portanto, nossa vida também, de cada um de nós, eu compararia a uma bobina. Quando em determinado momento a bobina se esticou inteira, a vida tem fim. Pode não coincidir assim, por exemplo, o indivíduo teve um determinado ato de fidelidade suprema e logo depois morrer. Ou ele tem um ato de infidelidade suprema, e logo depois morrer. A cronologia não é tão apertada para se conservar dentro do mistério, porque do contrário não haveria mistério.
A gente saberia, quando o sujeito morreu, que ele fez uma das duas coisas, e isto não vai. Portanto, essa cronologia é um pouco fofa. Mas, dentro desta cronologia fofa, isto é assim.
Bem, eu tenho impressão de que essas coisas todas são entrelaçadas. Eu não dei o meu pensamento inteiro hoje na reunião, porque não dava tempo. Mas para tocar do jeito que você toma, eu diria alguma coisa, sendo que eu…
(…)
* “A arte de organizar a vida — que é uma muito nobre arte — eu acho que Deus deu a São Paulo”
… um móvel de estilo colonial. É o Brasil, a São Paulo da assimilação. Porque isso é um salão europeu.
(Sr. Nelson Fragelli: Dentro do Brasil a aristocracia paulista.)
Exatamente. Aqui é o que a aristocracia paulista poderia dar, deu coisas muito mais ricas do que isso, mas eu digo como estilo, é o que poderia dar, era nesse gênero como clave. E a arte de organizar a vida — que é uma muito nobre arte — eu acho que Deus deu a São Paulo! Não me queiram mal os não brasileiros aqui — os não paulistas, quero dizer —, mas é assim: a arte de organizar a vida deu a São Paulo. Uma “metriz” da vida, um certo senso meio grego, meio romano da vida, deu a São Paulo.
Bem, agora, essa nação teve, por causa disso também teve uma…
(…)
* O estado de putrefação da Estrutura…
… a situação que nós imaginávamos. Enfim, o que nós sabíamos da Estrutura era muito, muito ruim. Mas do que nós pensávamos, antes de ler isto, para o que pensamos depois de ler isto, há uma distância maior do que daqui para saber que eles estão promovendo a homossexualidade. A distância é maior. Porque isso, meretrício e homossexualidade, afinal… hã hã hã… está acabado!
Porque não é meretrício, é a glorificação do meretrício. Meretricio é uma coisa. A glorificação do meretrício é outra.
E vocês têm lá, é isso.
(Sr. Poli: E uma coisa é uma pessoa qualquer glorificar o meretrício, e outra coisa é um bispo glorificar o meretrício.)
Não sei se entenderam o que disse o Queirós. Que um padre contou a ele que faz a mãe dele morar num prostíbulo! Antigamente se se dissesse para um sujeito: “Sua mãe mora num prostíbulo”, se ele tivesse um revolver na mão, ia direto! Quer dizer, uma coisa de não se saber o que dizer, não é? É desfecho, porque é o fim, não se sabe coisa pior.
* Diante da putrefação da Estrutura, a indiferença de D. Mayer e dos padres tradicionalistas — O Falsa Direita é sempre muito impuro
Eu chamo a atenção para um particular, hein? É a inteira atonia de Dom Mayer e dos padres tradicionalistas diante disso.
(Sr. Carlos Antúnez: São cúmplices.)
É, porque não ligam a mínima! Eles, aliás, nem espalham aquela posição tradicionalista pelo resto do Brasil, não fazem nada! Estão se abanando em Campos, está acabado.
(Sr. Carlos Antúnez: Todo Falsa Direita é sempre muito impuro.)
Muito, muito!
(Sr. Carlos Antúnez: No fundo gostam disso.)
Não! Quem não odeia isto, gosta! Não tem por onde escapar!
Bem, então, não sei se eu respondi a sua pergunta?
(Sr. Nelson Fragelli: Magnificamente! Gostei enormemente!)
Então, estou para a sua.
* O gosto pela monarquia do brasileiro e a atitude de retidão da TFP são fiapos que, como o “filho pródigo”, prendem o Brasil à casa “Paterna”
(Sr. RG: O que o senhor respondeu para ele entra exatamente uma parte daquelas questões todas que eram as cogitações do senhor sobre a hora presente. O senhor usou a palavra desfecho. E eu queria exatamente perguntar como é que todos esses acontecimentos se imbricam e apontam algo para o futuro.)
Quer dizer o seguinte, você tome por exemplo, tome o caso do filho pródigo, a parábola, mas meio alterada. Quer dizer, imagine… Porque Nosso Senhor, aquelas parábolas de Nosso Senhor, Ele dava com uma simplicidade enorme, muito sem pormenores, sem circunstâncias, etc., porque é como tinha que ser. Mas vamos circunstanciar um pouco a coisa:
Você imagina que o filho pródigo tivesse… não fosse apenas um pai em tese com um filho em tese, como foi na parábola, mas fosse um homem que, por exemplo, num determinado momento da vida arriscou a vida para com seu próprio braço tirar o menino das garras de bandidos que o seguraram, e o menino se lembra da cena e ficou gratíssimo ao pai.
Depois, mais adiante, o menino, numa situação muito dura da vida do pai, o menino teve uma caricia com o pai e lhe disse alguma coisa que a família inteira não disse, e é a vez do pai ficar muito agradecido ao menino. Suponha ainda que ao morrer a mãe — a parábola não fala de mãe — o filho pródigo… ela tivesse recomendado o filho pródigo especialmente ao pai. Três circunstâncias.
Por causa dessas circunstâncias, havia entre os dois um relacionamento especial. Se o filho blasfema contra essas três coisas, diz ao pai: “Você me salvou dos bandidos, mas eu não tomo isso em nenhuma consideração, porque para mim, eu de tal maneira me enfarei com a sua personalidade, que nem sequer eu consigo ter gratidão. Eu dou por nulo e não acontecido o ato de carinho que eu tive com você, a respeito de… em tal emergência, porque eu matei este carinho dentro de mim, não o quero mais! Quando à recomendação de mamãe, pode jogá‑lo no lixo, porque a memória de mamãe não me vale nada! E eu quero são as fassuras da cidade…”.
Sobre a contextura comum das relações pai e filho que tem o cogente que há, o unitivo que há, essas três pancadas, se o filho fizesse, por exemplo, não dissesse isto para o pai de uma vez, mas escrevesse três cartas ao pai, de dois em dois anos, ou de três em três anos viesse uma carta dessas; quando viesse a última, o pai diria: “A taça está cheia!”.
Quer dizer, houve alguma coisa na mente do pai, por onde esses vínculos de união formam uma arquitetura, e quando o último vínculo foi arrebentado, alguma coisa da parte do pai se liquida. E de um pai muito virtuoso, pai santo até, isto pode ser assim. E o pai pensa a respeito do filho: “Se ele vier eu não recebo”.
Por quê? Porque está cortado. Poderia acontecer.
Agora, vamos dizer… que este filho, sed contra, o pai soube que usa sempre, vamos dizer, um objeto que Nossa Senhora esqueceu na casa. E que de fato o filho, no aniversário do pai, vai ao Templo para rezar. O pai fica vendo que umas fimbriazinhas ainda existem, e ele talvez… Ele faz um balanço destas coisas segundo os critérios dele, e talvez ele não corte com o filho por causa destes últimos fiapos que ficam.
Então, a monarquia e uma atitude reta da TFP diante desta situação, podem representar fiozinhos que ainda prendam o Brasil e salvem o Brasil.
Não sei se minha parábola adianta de algo?
(Sr. –: Fabuloso, extraordinário!)
* Todas as nações são filhos pródigos que se põem diante de Deus, e que podem romper ou não romper com tudo
Bem, eu entendi que sua pergunta foi esta. Como é que na presença de Deus se coordenam estas coisas, segundo que lógica? Todas as nações são filhos pródigos que se põem diante de Deus nesta perspectiva. E por aí podem romper ou não romper com tudo.
(…)
São os tais fiapinhos salvadores, não é? E Nossa Senhora tem com este, com aquele, especiais, não é? Bem, então, Deus pode fazer diante de uma nação, a mesma coisa.
(Sr. RG: Em função do que o senhor acabou de dizer que Deus não rompe por causa dos fiapos…)
Que Deus pode não romper, aí é diferente de não romper. Aí as razões inexcogitáveis, superiores d’Ele, pode não romper.
* O fato de nosso Pai e Senhor se interessar por isto, este ou aquele, representa ainda um ato de misericórdia de Nossa Senhora
(Sr. RG: Então, vem a pergunta: o que nós podemos tecer ainda nesse mundo vazio, para por assim dizer, amarrarmos Deus nessa situação ainda? Se o senhor pudesse ser o conselheiro do filho pródigo, que sugestões o senhor poderia dar a ele, se ele estivesse disposto a fazer alguma coisa para resgatar a estima do pai para ele.)
(…)
… com os fiapos, não quer dizer que necessariamente estes fiapos vão crescer muito. Quer dizer outra coisa: é que estes fiapos na presença de Deus representam a mesma coisa do que para o pai do filho pródigo. O filho pródigo não tenha insultado o pai num destes pontos.
(Sr. RG: É uma situação que estrangula mesmo.)
É, muito, muito! Agora, isto é uma razão para inclinar à misericórdia. E quem viu a pessoa falar, não tem dúvida que havia uma coisa da graça presente ali. Está claro isto?
(Sr. –: Sim.)
(Sr. Poli: Agora, o fato do senhor se interessar por isto, por este, por aquele, etc., condiciona muito também a misericórdia de Nossa Senhora. Seria como se o filho pródigo tivesse um padrinho que intercedesse por ele junto ao pai.)
O pai escrevesse a um padrinho que morasse na cidade: “Ele rompeu comigo, mas eu não rompi com ele. Você acompanha este filho para me ser grato?”. Podia ser, seria tão natural que ele fizesse isto. “Não diga a ele, não quero que ele saiba, mas vá acompanhando. Se ele for visitar, você tenha pena dele e trate bem, etc., porque o que você fizer a ele faz a mim, mas não conte a ele, porque eu de fato eu estou rompido com ele”. Uma coisa que podia ser.
(Sr. Nelson Fragelli: O entusiasmo com que…)
Para ser bem positivo, eu não posso mentir, eu disse não maquinalmente. Eu ia dizer, é que eu não quero. Mas diga, então!
* “Se não fossem as infidelidades, o que o Grupo poderia ter sido a partir de 1967, poderia ter feito renascer o Brasil”
(Sr. Nelson Fragelli: O entusiasmo que houve nos Congressos pelos símbolos que não é uma coisa ponderável? O fato de no encerramento um grande número…)
Um número grandíssimo! Centenas, quase a totalidade!
(Sr. Nelson Fragelli: É muito bonito! Não é ponderável isto?)
Aí entra o papel de vocês no negócio. É que quando a gente acende uma fogueira de São João… eu falo fogueira de São João porque são as únicas que eu vi em minha vida. Mas quando você acende a fogueira de São João, depois fica reduzido aquilo a uns pedaços de madeira que sempre contemplei com uma espécie de horror, por que já não vão pegar fogo, mas pedaços daquela lenha ficam em brasa.
Então, a lenha às vezes esfria completamente, mas ela ainda tem porções que são brasas. Com base naquele fogo, alguém pode acender um pavio e refazer a fogueira.
Bom, vocês todos a títulos diversos são brasas de uma madeira que é a Cristandade sul-americana. No seguinte sentido: que vocês representam restos de Fé, de Cristandade, vindos de circunstâncias muito diferentes, mas representam, e que tem um pouco mais de intensidade do que outras brasas da mesma madeira. A Providência queria encostar essas brasas numa vela para essa vela brilhar, ou numa acha de lenha para essa acha de lenha passar a ser novamente fogo.
Isto seriam vocês em relação ao Brasil. Quer dizer, se não fossem as infidelidades, o que o Grupo poderia ter sido a partir de 1967, poderia ter feito renascer o Brasil.
Mas, para tomar exemplo, são coisas que vocês dois conhecem. Vocês dois pertenceram ao grupo do Rio. O grupo do Rio está no estado em que você vê, não é? Bom, mas se em determinado momento, vocês tivessem tido uma fidelidade à “sempre viva”, os que entraram para a “sempre viva” tivessem tido uma fidelidade inteira, só com aquele punhado de gente o que se poderia ter feito!
É verdade… aliás, uma coisa que não se aceitava bem no Rio é o seguinte: é que o grupozinho do Rio só por si pegar fogo na cidade do Rio, não pegaria; mas quando o mito da TFP flutuasse também no horizonte do Rio, este grupo tinha possibilidades de agir em muito, multiplicado. Não queriam aceitar. Porque no Rio se faria o que no Rio se fizesse. O apoio, a colaboração de São Paulo, com muito pouco gosto. E um certo traço de bairrismo e de birra dentro disso.
Tudo! São Paulo não teria o direito de ser tão rica. São Paulo não era capital federal.
Olhe, que o Rio rifou a condição de capital como quem joga fora um sapato velho, uma coisa incompreensível! Mas argüia isto contra São Paulo! Ouviu? E mil outras coisas!
Mas acontece que também vocês no Paraná… e daí para fora… Por exemplo, se você, Rodrigo, Átila, alguns outros tivessem ficado no Paraná inteiramente fiéis, a possibilidade teria sido outra. Eu vejo que você hoje em dia se dá conta disso, mas naquele tempo… assim…
Bem, daí para fora, daí para fora. Você e o Jarbas no exército, poderiam os dois juntos, podia vir um terceiro, um quarto… Mas o Jarbas, por exemplo, nunca fez esforço sério para trazer ninguém para a TFP de dentro do exército. Ele queria era [ser] o capitãozinho Jarbas, está acabado.
* “O grupo do Chile tinha muito mais possibilidade de impressionar e de arrastar o Chile do que o grupo de São Paulo tem em São Paulo”
(Sr. Carlos Antúnez: Acho que o senhor salvava não só o Brasil, mas o mundo todo.)
Mundo todo!
(Sr. Carlos Antúnez: O senhor disse em 1967: “Dêem‑me cinco homens sacrais e um canivete, e eu destruo a Revolução”.)
E é isso mesmo!
(Sr. Carlos Antúnez: E era o mundo todo que o senhor tinha em vista.)
É isso mesmo! E por isso eu estou falando de vocês todos. Por exemplo, por exemplo, o grupo do Chile tinha muito mais possibilidade de impressionar e de arrastar o Chile do que o grupo de São Paulo tem em São Paulo. Uma coisa impressionante! Impressionante!
Bem, mas fizemos disso o uso que fizemos, está acabado.
Em última análise, entretanto, esta conversa, por exemplo, é ou não é ainda brasa na qual se encontram achas de lenha para arder, para não ser o que… É! Eu noto que esta conversa lhes está fazendo bem. Eu noto. Quer dizer, há coisas que a gente reflete e se dá conta, etc., e tal.
* O que uma pessoa omite por infidelidade, ela acaba não sabendo o poderia ter feito…
Essa coisa tem isso de terrível, ouviu? Que o sujeito se omite por infidelidade, ele não sabe o que ele poderia ter feito. Você veja, por exemplo: você está vendo o trabalho do Átila.
Já aquela carta que ele escreveu do livro, excelente. Bem, mas se ele se omitisse de fazer estas coisas, ele não saberia o que é que ele deixou de fazer. Os dois irmãos Solimeos. Eles deram um tiro no adversário, mas um tiro monumental! É fora de dúvida! Mas se eles tivessem omitido, eles não saberiam.
Mais ainda: ele, Átila, mais os dois Solimeos, se eles não tivessem feito isto, estariam queixosos comigo porque eu não arranjo coisas para eles fazerem. E eles não sabem que é eles que não arranjaram o que eles deviam ter feito.
Porque você toma qualquer um deles infiel, o que é que eu iria fazer deles dentro do Grupo?
(Sr. Nelson Fragelli: O Filipe disse para mim pessoalmente que uma das razões que ele odiava o senhor, é que o senhor nunca deixou ele terminar um plano que ele tinha iniciado. Uma obra iniciada.)
(Sr. RG: Isto é mentira dele! Porque eu me lembro dele dizendo para o Sr. Átila, que ele nunca tinha conseguido terminar nada do que iniciara. Ele!)
Era a personificação da inconstância!
(Sr. RG: E tem mais: desculpe o exemplo, mas ele uma vez saiu com o Sr. Átila para irem de motocicleta para Curitiba. E no meio do caminho, as motos se separaram por causa da estrada, e ele, Filipe, voltou para São Paulo sem avisar Sr. Átila. Um escândalo.)
Mas é ele. E a culpa é minha.
(Sr. Nelson Fragelli: E depois, dentro de cada um de nós não está tão dorminhoco um Filipe, que vai acusar o senhor da própria moleza e do próprio fracasso.)
Mas é assim! Eu te garanto que uma cabeça que está cheia de coisas dessas é o Paulo Eugênio. Cheio!
* A esperança de voltar as graças da “sempre viva” é um fiapo de ouro que restou
Bem, mas voltando ao nosso ponto de partida, dentro da história interna do Grupo, então, as brasas e como é isto. A Providência, por exemplo, prepara para o aniversário do RG, prepara uma conversa assim. Quer dizer, conversa pegando a carne viva dos fatos, como esta, há muito tempo não temos, se é que tivemos.
É fora de dúvida.
(Sr. Nelson Fragelli: Eu e muitos outros temos muita esperança de que destas achas ainda fumegantes nasça novamente uma fogueira.)
Ah! eu também tenho! Aliás, é visível que eu estou falando com esperança. É visível! Eu não estaria falando com o empenho e com a animação que eu estou falando, se não fosse movido por muita esperança. Mas é uma esperança — veja a doutrina dos fiapos, hein? —, porque em vocês todos um certo fiapo ficou de esperanças da “sempre viva”.
De maneira tal, que se eu dissesse a vocês: “A ‘sempre viva´ no que ela tem de união espiritual está extinta!”. Seria um golpe em vocês, talvez fatal! Talvez fatal! É o único fiapo que ficou, porque ela ficou de existir por uma porção de lados práticos.
Mandar uma ordem, fazer isto, aquilo… nada!
Mas esta noção de que uma certa união de alma ficou, essa noção é um fiapo de ouro.
* O papel da Sra. Da. Lucilia na difusão de graças no 1º Andar e na Consolação, tecendo os fiapos que ainda restam nas almas dos membros do Grupo
(Sr. RG: É um fiapo que se conserva ainda, por causa, em grande medida das graças que recebemos aqui no Primeiro andar, graças da senhora do Quadrinho.)
Ah! isto também estou certo!
(Sr. RG: Por cima de tudo isso, ela teve uma atitude tão materna…)
Isto eu estou certo também. Eu sinto que o tempo que vocês passam conversando comigo aqui aos sábados à noite, é um tempo em que ela age sobre as almas de vocês.
(Dr. Edwaldo: Ela está presente.)
Está presente. Está agindo, a meu ver é uma coisa evidente.
Seria uma coisa, vamos dizer, por exemplo, se nós resolvêssemos para todo o sempre mudar as nossas reuniões, por exemplo, para a Sede do Reino de Maria, a nossa reunião de sábado, elas pereceriam. Não se agüentariam. Uma vez outra sim, não tem dúvida. Mas para todo o sempre, pereceriam.
Quer dizer, há uma bênção que ela deixou aqui, que faz com que seja a casa dela. Eu moro na casa dela, mas a casa é dela. É um imponderável, mas é assim.
(Sr. Poli: E tem uma arquitetonia própria o fato desses fiapos e essas brasas serem cultivados pela mão dela, e reconhecer que uma esperança certa é nela e só nela.)
É tal qual!
(Sr. Poli: A esperança no senhor é ela!)
Pois é evidente! Eu vejo quando eu chego domingo à tarde na Consolação, aquele mundo de gente que está lá. O que é? É fiapo que ela está… retecendo… é uma tecelã! Tece de cá, de lá, de acolá… com este, com aquele, os modos mais singulares… Enjolras que nunca viram, que se entusiasmam, que rezam… E veteranos…
No domingo passado, Adolphinho! Com pasmo para mim, apareceu lá!
Com pasmo para mim!
(Sr. Poli: Ele é capaz de aparecer amanhã de novo.)
Ah! é capaz.
(Sr. Poli: Ele estava visivelmente consolado lá.)
Estava, é isto. [Vira a fita]
… não se pode dizer que esta reunião de hoje à noite foi a reunião dos fiapos, isto não é verdade. Mas que um tema notável, foi o da bobina, depois outro do filho pródigo, e outro dos fiapos. São três metáforas que dão a ver muita coisa de uma situação geral que sem estes pormenores não era mensurável adequadamente.
Não é?
* O imponderável da presença da Sra. Da. Lucilia no 1º Andar fala muito do “tal enquanto tal”
(Sr. Nelson Fragelli: Muito da presença dela me fala muito “tal enquanto tal”.)
Tem muito sim.
(Sr. Nelson Fragelli: Porque a aristocracia paulista, pelo o que eu ouvi do senhor e pelo que a gente sente confirmando o que o senhor disse, um tal senhorio, um tal respeito, uma tal solidez que tem muito neste apartamento… tem o respeito de coisas religiosas, etc… Aquela reversibilidade que o senhor assinalava do “tal enquanto tal”, etc… Acho este salão muito apropriativo para recolher tudo isso. Quando a gente está fora, as dimensões deste salão crescem, crescem… porque é ele que povoa tudo…)
Isto, exatamente! E que valem muito mais do que a coisa concretamente tomada. O imponderável vale muito mais do que ponderável. Mas muito mais!
(Sr. Nelson Fragelli: O senhor pode repetir por favor?)
As coisas que povoam isto formam um universo que vale muito mais do que as coisas ponderáveis: tal objeto, tal outro objeto.
É diferente. Isto é uma coisa… isso eu percebo bem. Meio mítico! Isto eu percebo bem!
Meus caros, Nossa Senhora ajudou bem a conversa. A senhora do quadrinho também. Eu proponho que nós vamos dormir agora, e que rezemos três Ave Marias pelo nosso aniversariante. E que rezemos a Oração da Restauração.
(Sr. Poli: E agradecemos muito ao senhor e à Sra. Da. Lucilia.)
A mamãe e a Nossa Senhora certamente!
“Há momentos minha Mãe…”.
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