Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
21/7/84 – Sábado [AC VI 8/84.2] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 21/7/84 — Sábado [AC VI 8/84.2]
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Introdução à projeção do filme “Uma coisa que causa sensação”, de Michael Jackson * Para implantar seu reino na terra, o demônio tem de habituar a Humanidade ao hediondo — Dois modos de implantar seu reino: pela revolução ou evolução * A revolução, imposta a uma sociedade que não queira conviver com o horror — A evolução, familiarizando o homem com o demônio em seu horror, através dos costumes da vida comum * Uma vez que o demônio quer seduzir para ser amado de um modo a constituir um insulto contra Deus, a via do amor lhe convém mais do que a via da força * Estilos de vida ou modos de pensar e agir vão introduzindo a quinta coluna do feio no mundo contemporâneo — A Sorbonne foi a proclamação oficial dos direitos da feiúra * O feio aparecendo como sedutor, está aberto o caminho oficial para o demônio * Se a via que o demônio prefere é a da evolução, nós queremos a que ele não prefere, ou seja, a da revolução * Apelando para a liberdade que eles têm de mostrar o horror, poderíamos apelar para a liberdade de déployer as nossas magnificências — Dentro desses horrores se cria o clima ideal para a TFP abrir os olhos das pessoas * Todas as formas de apego à feiúra e nervosismo deve dar lugar a uma união perfeita entre nós
* Introdução à projeção do filme “Uma coisa que causa sensação”, de Michael Jackson
(Sr. Mário Navarro: … como sendo o décimo primeiro “megatrens”. “Trens” quer dizer tendências. Então “megatrens” são as grandes tendências do mundo moderno. São coisas geralmente na base da cibernética, etc.
Então o “Time” comenta que androgenia é a décima primeira “megatrens”. Há um livro que comenta as dez “megatrens” do mundo moderno, daí o comentário do “Time” dizendo que é a décima primeira. E isso vai totalmente na linha do que o senhor tem comentado sobre gnose, absolutamente.
Nesse artigo do Time, esse artista [do filme] é diretamente citado como um dos exemplos de androgenia. O modo de ele se vestir, todo o jeito dele é andrógino, quer dizer, é difícil saber se é homem ou mulher, etc. E as pessoas estão começando imitá‑lo e a se vestir assim, etc.
Quer dizer, propriamente a impressão que dá, salvo melhor juízo do senhor, é que isso é uma manobra mundial para dar mais um passo na linha da igualdade total entre os sexos, etc. Esse é um dos aspectos da coisa.
O filme já entra diretamente no hediondo, transformando o hediondo numa coisa absolutamente corriqueira e normal.
Esse filme, por exemplo, que vamos ver, eles venderam mais de 17 milhões de fitas de vídeo-cassete. O último disco que esse artista lançou vendeu mais de 35 milhões de discos. É uma coisa verdadeiramente avassaladora. E o Presidente Reagan convidou esse artista para a Casa Branca e deu‑lhe um prêmio como modelo para a juventude.)
Mas como modelo para a juventude?
(Sr. Mário Navarro: Modelo para a juventude, porque ele é Testemunha de Jeová, então ele não fuma, não bebe…)
(Sr. F. Antúnez: É só homossexual…)
(Sr. Mário Navarro: E não parece… Todo mundo sabe que ele é homossexual, mas ele leva uma vida muito discreta e se diria que preservada.)
Que modelo, hein? Hipócrita!
(Sr. Mário Navarro: Então o presidente o convidou para dar um prêmio, reuniu a imprensa toda, foi um verdadeiro carnaval, a cidade de Washington parou nesse dia, e ele fez um discurso à nação dizendo que Michael Jackson era um exemplo para a juventude.)
E a Nova Direita o que achou disso?
(Sr. Mário Navarro: Todos “adoram” o Michael Jackson, todo mundo gosta dele, de A a Z. Eles começam a compreender a importância das tendências, da Revolução A, etc., obviamente.)
Isso é pura Revolução A.
(Sr. Mário Navarro: Então estão pensando em bobagem, enquanto a Revolução está chegando às últimas conseqüências por meio dessas coisas.)
É altamente ilustrativo ver isso. Prognosticante do futuro, etc.
* “Disco-voador vai ter predicados desses: é o hediondo com uma pontinha qualquer insidiosa de maravilhoso para atrair”
(Sr. Mário Navarro: Agora, o homem, realmente, parece ser muito carismático. O modo como ele dança é simplesmente espetacular. Ele faz coisas que é difícil compreender como ele consegue fazer. É “rock and roll”, mas os passos que ele dá, os gestos dele, é tudo…. parece muito carismático.
Ele fez uma operação plástica. Ele é preto, então resolveu transformar o nariz dele em nariz de branco. Então transformou o nariz que era chato e agora é normal. E amendoou os olhos. Ele é um verdadeiro ET humano, uma coisa horrorosa. Quer dizer, a própria plástica já foi estudada para transformá‑lo no que ele é.
E ele gosta de se comparar com ET e com Peter Pan, que é um personagem de uma história de crianças, da era vitoriana, que é um livro completamente gnóstico, para prepara as crianças para a gnose. Ele se compara com essas duas coisas.
O Peter Pan é uma espécie de fada masculina e é mais ou menos isso que ele é. Chamam‑no de fada também.
Os adjetivos que usam com relação a esse preto são todos nessa linha, de uma mistura de maravilhoso com hediondo, com uma minúscula dose de maravilhoso, talvez, para atrair todo mundo para o hediondo.
E ele consegue uma coisa que os outros artistas de “rock” não conseguiram, que é atrair as crianças. As crianças normalmente não gostam muito. Só a partir dos 10, 11, 12 anos é que começam a gostar de “rock”. Com esse preto, as crianças de 5, 6anos já são completamente fanatizadas.)
(Sr. Paulo Henrique: Apenas um detalhe sobre o ET. Eu estive na Itália e o Cantoni, todo aquele pessoal casado do grupo dele, levava as famílias, levava as criancinhas para assistir o filme do ET dizendo que era um filme contra‑revolucionário porque chamava para o maravilhoso, etc. O Cantoni propriamente não foi, mas os amigos dele, do grupo dele, foram todos com as famílias.)
Mas ele não falava, não esclarecia?
(Sr. Paulo Henrique: Certamente dava conselho para levar, para assistir, que era a volta do maravilhoso, etc.)
Nossa Senhora! Tenham certeza do seguinte: disco-voador vai ter predicados desses: é o hediondo com uma pontinha qualquer insidiosa de maravilhoso para atrair.
No encerramento tinha isso. Era quase lírico o encerramento [do filme] do ET.
* Em certo começo da Bagarre, a atração misteriosa da loucura e do horror, permitirá aos demônios aparecerem e darem apetência do Inferno àqueles a quem quer levar
Quem vai me traduzindo do inglês?
(Sr. Mário Navarro: Eu traduzo. Que a Sra. Da. Lucilia nos ajude!)
O que diz aí?
(Sr. Mário Navarro: Que tem marca registrada, etc. Aí diz: “Tendo em vista minhas fortes convicções pessoais, quero salientar que esse filme de nenhum modo afirma a existência do oculto”. O que é uma estupidez, porque é exatamente o que o filme faz. Então, como Testemunha de Jeová, ele não acredita no oculto. O nome do filme é… nome que se dava aos filmes de mistério da década de 40.)
Esse é ele?
(Sr. Mário Navarro: É ele, fala como mulher.)
Isto o que é?
(Sr. Mário Navarro: Namorada dele. Ela vestida como uma fassureca da década de 40. Nesta primeira cena, o diálogo entre os dois: “Você sabe que eu gosto de você, não é? Quero que você goste de mim, como gosto de você”, etc. Isso tudo é ridicularizando cena romântica do passado.
Aí ele diz para ela: “Tem algo que quero dizer: é que eu não sou como as outras pessoas, eu sou diferente”. Ela não acredita, ele se transforma em monstro…
E isso é filme para criança. Então, sem nexo nenhum, se dá que eles estão como se estivessem vendo aquela cena num filme. Então eles estão, os dois, num cinema, vendo a cena, com os mesmos personagens. E aí sem nenhum nexo eles começam dançar. Ele cantando. Essa é a música de maior sucesso dele. É um Anticristo.
Aqui passa uma cena num cemitério. Enquanto o Michael Jackson canta, os mortos começam a sair. Ele que estava com voz feminina, na música passa a cantar com voz roufenha. Os mortos como que ressuscitam pelo poder da música dele.)
O que são esses incêndios que vão pulando ali?
O que é isso? Precitos.
(Sr. Mário Navarro: Ele muda de novo, se incorpora aos precitos e lidera os precitos. É uma coisa diabólica, pura e simplesmente! E agora, em todas as ruas das principais cidades dos Estados Unidos, se vê pretos dançando essas músicas no meio da rua, levando um gravador.)
Não há inconveniente em interromper um pouco?
Vale a pena vocês se darem conta disso agora, enquanto assistem, porque depois de terem assistido, perde muito.
Esta fita é uma preparação indiscutível para o seguinte: quando vier o sabath da Bagarre, em vez de os homens tomarem com horror, jogarem‑se dentro com volúpia.
A Bagarre vai ser desse gênero, e os homens se jogam dentro, comparsas. Não é, portanto, a idéia clássica do bombardeio que causa horror às vítimas, saem correndo, não querem submeter‑se ao bombardeio, mas é uma outra coisa: em certo começo da Bagarre, figuras assim começam a aparecer, mas num ritmo que é quase irresistível, pela loucura, pelo horror, pela atração misteriosa da loucura e do horror, que permite aos demônios aparecerem e darem apetência do Inferno àqueles a quem quer levar.
* Essa Bagarre vai nos causar horror na medida em que formos livres do pecado de Revolução
Mas a desrazão, a extravagância, a irreflexão, etc., vão encaminhando para essa direção. De maneira que a Bagarre no começo vai causar‑nos a nós o horror que isso causa, na medida em que nós formos livres do pecado de Revolução. Do contrário vamos sofrer a tentação que isto dá.
Tanto mais que não tenham a menor ilusão a respeito de uma coisa: é que isto aqui vai ser acompanhado de manifestações sexuais enormemente mais fortes do que está aqui, é evidente. E mais ainda: vai ser a sexualidade apresentada no seu horror. Não com as formas encantadoras do pastorinho e da pastorinha do século XVIII, mas com as formas medonhas que são intrínsecas a ela pelo pecado original.
Por causa disso, vai ser uma espécie de lubricidade ao mesmo tempo horrível e atraentíssima até ao delírio, que se estadiará nisso junto com outros horrores. Atraindo sobretudo para o androgenismo, para a homossexualidade, para toda espécie de abominações do gênero, atraindo, etc.
E os discos vêm já criando situação para isso. Isto é… mas vocês me dirão: “Se os homens gostam, não é Bagarre”.
Não. É porque eles entram nisso estraçalhados, como passarinho para dentro da boca da cobra.
(Sr. Mário Navarro: Lembra muito aquele sonho que o senhor contou, de um membro do Grupo que estava no Grupo todo dentro de uma casa e fora acontecendo essas coisas todas, com tentação de sair.)
Isso. E também explica talvez a recomendação de certas revelações particulares, discutíveis, mas talvez tenham um fundo de verdade, para as quais “aí de quem abrir janela!”.
É porque abrir janela é um movimento de consentimento com essas coisas. Olha e, naturalmente, pelo olhar fica muito mais atraído do que simplesmente pelos sons, etc. De maneira que é por aí que vem.
Mas isso aqui, a meu ver, está claramente definido: é habituar o gênero humano para começo da Bagarre. O que calha idealmente com a reunião de hoje à tarde, com aquele disco-voador que aparece, aquela coisa toda.
Bem, qual é a posição oposta?
Na medida em que o indivíduo for sério, lógico, tranqüilo, naturalmente acima de tudo tiver fé, mas tiver uma fé que inspira essas posições, aí ele rejeita essas coisas e ele, talvez até por necessidade de reação, vai caminhando para o espírito do gótico, para não se deixar tragar.
Então há todo um jogo aí dentro disso.
Eu não imaginei que a Bagarre fosse assim, mas estou vendo agora que será.
Vamos para frente.
(Sr. Mário Navarro: O fato de ser assim, em certo sentido torna mais fácil de o senhor combatê‑la também.)
Também, também.
Se você, à força de ver isso, resiste e fica de fora, fica o mais isolado dos homens, porque isso é entraînant. Não é propriamente atraente, é envolvente. Até vou dizer mais: é repelente e envolvente ao mesmo tempo.
* O objetivo de uma cena é mostrar como da natureza normal, aparente, que temos diante dos olhos, vai emergir o mal
(Sr. Mário Navarro: Ela então foge agora, nesta cena do filme, e se mete numa casa mal-assombrada.)
É o terror da pessoa durante a Bagarre. Foge disso e entra numa casa onde tem demônios, o demônio está solto.
É isso, tal qual. Dá‑se com gente do quarto de dormir dele.
(Sr. Mário Navarro: E é o próprio namorado que se transforma em monstro. Isso deve ter significado.)
Olha que horror. O namorado que se transforma em monstro vem a ser o seguinte: a impureza habitual no indivíduo começa a monstrificá‑lo.
(Sr. Mário Navarro: O senhor vê que de novo a coisa pára e parece que era um sonho dela.)
Um pesadelo.
(Sr. Mário Navarro: Do mesmo modo que estavam na primeira cena, de repente aparecem no cinema vendo a cena. Portanto, são duas vezes: que o que é realidade parece sonho, o que é sonho parece realidade. Só que quando ele diz: “Não se assuste, vou levá‑la para casa, ela vai saindo, ele olha para a câmara e os olhos de novo ficam verdes”. Ele então confunde o que é realidade e o que não é.)
Quer dizer, ele a iludiu, mas na realidade ele é assim.
(Sr. Mário Navarro: Aí termina o filme. E vem o filme explicando como é que foi feito o filme.)
É altamente significativo que o presidente dos Estados Unidos dê esse prêmio ao sujeito. É prenunciativo dos governos que vão aclamar isso. Naturalmente também um pseudopapa aclama isso.
(Sr. Mário Navarro: O senhor falava qualquer coisa sobre a impureza habitual.)
Ela vai se transformando, no indivíduo… a monstruosidade que a impureza habitual tem, se você olhasse para um impuro, você veria a impureza nele como uma forma de monstruosidade. Se se pudesse ver, seria como uma forma de monstruosidade.
Isto se torna aparente durante a Bagarre.
(Sr. Mário Navarro: O senhor relacionava isso com o fato de ser o namorado dela.)
É, o namorado é isso. O namorado que se transforma neste horror é a própria libido que começa a se manifestar monstruosa, mas atraente enquanto monstruosa. É o Freud. Não é mais atraente enquanto bela, enquanto qualquer coisa, enfim, que tem uma relação qualquer com a ordem, não é mais isso, mas é atraente enquanto monstruosa.
(Sr. Guerreiro: Usam o horror o tempo inteiro.)
É a Bagarre.
Olha, olha isso.
(Sr. Mário Navarro: Um homem sem cabeça.)
O que é isso agora?
(Sr. Mário Navarro: Nada. É o fim do filme, que eles põem o nome dos artistas. Agora, é o outro filme sobre a explicação.)
Que horror, mas é isso. Uma figura dessas abraça você e pede para sentar ao lado.
(Sr. Mário Navarro: Agora como foi feito o filme. Tudo o que foi visto antes, eles mostram agora no meio de máquinas, coisas que mostram o artificial da coisa. Como o senhor explicaria isso? É uma espécie de desmitificação? Agora mostra os fãs; o senhor vê meninos bem pequenos.)
Isso está muito claro.
Sabe o que é? É o seguinte: como é desta natureza normal que emergirá esse mal.
Estou dizendo que o objetivo disto é mostrar como é desta natureza normal, aparente, que temos diante dos olhos, que vai emergir esse mal. Essa natureza contém isso, não se espantem. Daí emerge aquilo.
São pessoas normais que podem tomar aquele grau e aquele jeito de ser. Então elas contém em gérmen, em si, essas pessoas assim contém em gérmen, em si, as pessoas que vocês acabaram de ver. É isso, mocinhas que eles reputam muito ingênuas, inocentes.
Note até o seguinte: que elas estão feitas de maneira a despertar a sensualidade, mas não têm nada de indecente, é uma outra coisa.
(Sr. Mário Navarro: Estão dizendo que ouviram no rádio que iam filmar cenas na rua. Então vieram ver. Isso é realmente autêntico, filmaram mesmo.)
Olha, cara de pessoas que se encontra na rua.
Esse quem é?
(Sr. Mário Navarro: Tudo gente que estava na rua, que estão dizendo que gostaram muito.)
São os atores?
(Sr. Mário Navarro: Não, populares que estão sendo entrevistados. Esse judeu aí é o diretor, o homem mais nhonhô.)
Então eu estava interpretando errado, preciso modificar.
(Sr. Mário Navarro: Aí imitando.)
Tese: qualquer um pode fazer isso.
(Sr. Mário Navarro: Esse é o Michael conversando com o diretor judeu, nhonhô..)
Mas o mais característico que se possa imaginar como judeu. Deve ser judeu italiano. Ultra, ultra-italiano.
(Sr. Mário Navarro: Esse é um filme de terror da década de 40, 50, de onde tiraram a idéia de fazer o filme. Em Londres um ônibus bate, morre gente, acontece de tudo, um urso solto pela rua, um bicho horroroso.)
Eles um pouco ridicularizam isso.
Olha como é doce, suave esse homem.
(Sr. Mário Navarro: Estão contando como começaram a trabalhar juntos.)
Muito mega esse sujeito, viu?
* O Sr. Dr. Plinio discerne o demônio em Michael Jackson menino por uma “capacidade de comunicação de uma personalidade muito mais ampla do que a dele”
(Sr. Mário Navarro: Esse é o Michael Jackson antes, quando era menino. Já era famoso. Isso antes da operação plástica, nariz chato, olhos normais, mas já completamente andrógino.)
E com demônio no corpo. Esse chapéu vermelho é idealmente bem calculado para ele! Eu diria quase genialmente.
(Sr. Mário Navarro: Esse é o grupo dele com os irmãos, cantam juntos.)
Ele tem muito boa vez, hein?
(Sr. Guerreiro: O aspecto de demônio transparece no quê?)
Numa capacidade de comunicação de uma personalidade muito mais ampla do que a dele. Ele não tem a nota do verdadeiramente infantil. Ele impressiona totalmente um homem maduro, adulto, o que a criança não consegue.
Aqui você pondo dois chifres nele dá um Mefistófeles de opereta, viu? Eu acho.
(Sr. Guerreiro: Ele menino era um homem-menino.)
Um homem-mulher adulto.
(Sr. Mário Navarro: Essa música que está cantando é uma das mais conhecidas dele. É por causa dela que o presidente deu um prêmio para ele, porque ele cedeu essa música para uma campanha contra os que dirigem automóveis bêbados, intoxicados. Como ele não bebe, fez propaganda.)
Bom, mas essa história o que é isso aí?
(Sr.Mário Navarro: É tal música dele.)
E os personagens o que são?
(Sr. Mário Navarro: Todos criminosos, homossexuais, vão brigar agora.)
Olha aqui, dança com briga e morte durante a Bagarre. O sujeito fica louco para entrar também, morrer e ser morto.
Vocês notem que em tudo isso está subjacente uma espécie de furor. Frenesi facilmente conversível em furor.
(Sr. Mário Navarro: Ele dança como um demônio. Ele tem movimentes que não são humanos.)
Ahhh! não, não. Movimentos de loucura.
Vocês que são moços, se a Bagarre arrebentasse amanhã, vocês pareceriam para essa gente velhos como um velho de 90 anos não parece para uma criança de 13 hoje em dia, porque vocês se sentam numa cadeira normalmente, conversam, estão fazendo o que estamos fazendo. Pareceriam velhos, fanados. Propriamente é isso.
Olha a doçura mentirosa e engajante desses tipos aí.
(Sr. Mário Navarro: Os Estados Unidos são isso, esse é o americano.)
Mas são tantos judeus lá, é?
(Sr. Mário Navarro: Mesmo os não judeus têm essa aparente candura.)
(Sr. F. Antúnez: Essa é a voz do tipo.)
(Sr. Mário Navarro: Voz de mulher.)
Mas é de homem-mulher, mulher-homem.
* “Este aqui é o filme da Bagarre, mas inclusive com os aspectos semi‑maravilhosos pelo meio”
(Sr. Mário Navarro: Agora são cenas incríveis de gnose. Gnose pura agora.)
Isso terá durante a Bagarre, fogo de artifício de repente, tal qual! tal qual! De repente horror. E depois outra coisa: o sujeito peca durante isso e não encontra padre para confessar.
(Sr. Mário Navarro: Veja o fogo do Inferno, o pessoal caindo no Inferno.)
No Inferno, é. É isso. Diabólico!
(Sr. Mário Navarro: Os homens pegando fogo.)
É, demônio. Aquela declaração dele no começo, que ele não tem ocultismo, tem inferno. É do Inferno que ele faz a propaganda. É tal qual isso.
É o filme da Bagarre. Este aqui é o filme da Bagarre, mas inclusive com os aspectos semi‑maravilhosos pelo meio.
(Sr. Mário Navarro: Uma mão que joga estrelas. O cosmos.)
É um corpo perdido no cosmos, rumo ao Inferno.
(Sr. Mário Navarro: De repente pega fogo.)
Quer dizer, o horror à Bagarre vai dar ilusão de que o processo gnóstico é verdadeiro.
(Sr. Mário Navarro: É uma “Bagarre” gnóstica mesmo.)
É. É isso, é.
(Sr. Mário Navarro: Aí uma criança embevecida com a gnose.)
As crianças entram nisso como mosquito no açucareiro.
(Sr. Mário Navarro: Espectadores hipnotizados.)
É isso.
(Sr. Mário Navarro: Uma luz misteriosa inunda todos.)
Isso tudo — descida de disco-voadores é isso — e a acolhida que o mundo dá a isso, exprime bem como está pronto para aclamar isso.
(Sr. Mário Navarro: Nesta cena estão maquiando ele. Uma cara aberta.)
Um horror!
(Sr. Mário Navarro: Mostrando como tudo é artificial, etc.)
É.
(Sr. Mário Navarro: Esse é o técnico, diz aí “fazedor de monstros”. E fala com uma voz boazinha, normal.)
Isso tudo vocês vão ver durante a Bagarre. Uma pessoa assim arrancar os próprios olhos, pôr outro olho dentro.
Estão vendo?
* Antes de vir propriamente a Bagarre, vão se generalizar danças e aspectos da vida cotidiana filhos da maquillage, de maneira que quando for para valer, a transição está preparada
Aqui o que está insinuado é o seguinte: antes de vir propriamente a Bagarre, vão se generalizar danças assim e aspectos assim da vida cotidiana, filhos da maquillage. De maneira que quando a coisa for verdadeira, a transição está preparada. [Vira a fita]
Na próxima vez tem um ou dois que a gente desconfia muito que tem… não sei porque você chama de Cirilo, mas é isso, um Cirilo.
(Sr. Mário Navarro: O senhor chamou de cirilo numa Reunião de Recortes.)
Um cirilo. Depois são dois ou três e vai assim.
Quando isto for, o mundo terá entrado na Bagarre sem perceber. Não há assim um momento que começou a Bagarre; é um afundar gradual na Bagarre.
O que é, meu Nelson? Pode dizer.
(Sr. Nelson Fragelli: Achando graça do senhor se lembrar do nome Cirilo.)
O Mário é que está lembrando. Eu nem sei quem foi Cirilo, estou intuindo.
(Sr. Mário Navarro: Era um homem na Venezuela que declarava que vinha de um disco-voador, levava uma vida absolutamente normal.)
É isso aí.
(Sr. Mário Navarro: E o senhor dizia que — isso há dez anos atrás — existiam milhares desses.)
Agora, esses Cirilos desse tempo aí não vão querer imitar a normalidade. Eles vão ser a fina ponta da anomalia, mas sem solução de continuidade com a normalidade. Eles fazem a ponte.
(Sr. Mário Navarro: Quer dizer, acabou a normalidade.)
Acabou.
Naturalmente não preciso dizer a vocês que os bispos vão estar todos de acordo. Isso é óbvio.
Continua sendo as maquillages aí. Evita a idéia de que são demônios. O limite entre o demônio e o gênero humano, o não precito, fica apagado.
(Sr. Mário Navarro: Mas não completamente.)
Não, não, não. É como transição..
(Sr. Mário Navarro: Aí dançando minueto.)
É. Aliás, o minueto é o extremo oposto disso. Você pensa no Boccherini.
(Sr. Mário Navarro: Essa mulher aí é a co‑diretora do filme.)
Na minha perspectiva tem um pouco de menino aí.
(Sr. Mário Navarro: Ela então explica como fizeram todas as loucuras. Aqui como foi feito o cemitério.)
Propriamente, propriamente esta é a Bagarre pacifista, que não nasce da guerra, mas da paz. Não é bomba atômica, mas é pior que a bomba atômica.
(Sr. Mário Navarro: Não haveria bomba A.)
Provavelmente não. Isso é a bomba atômica, mas noutro sentido.
(Sr. Mário Navarro: Estão dando instruções para ele, mexa a mão, faça isso, aquilo, os dois brincando… Para a cena do cemitério soltam um “spray” de fumaça.)
O que quer dizer isso?
(Sr. Mário Navarro: É a entrada da casa mal assombrada, instruções, etc., ação. E aqui a metamorfose, como ele se transforma num monstro, explicações, etc.)
Ele dá a entender que são pequenos métodos muito simples, não é?
(Sr. Mário Navarro: Sim, simples.)
Isso é para preparar, para habituar para a aparição do demônio, sem achar que é o demônio, mas meio desconfiando que é.
(Sr. Mário Navarro: Aí a máscara que fizeram, protegendo o precioso cabelo dele, porque a coisa mais preciosa que ele tem é o cabelo…)
Por que precioso?
(Sr. Mário Navarro: Porque usa daquele modo solto. Deve ter passado por “n” tratamentos, porque ele tinha cabelo de preto antes.)
Ah sei.
Quando aparecer uma pessoa assim, é um maquiado. Mas de repente alguns desconfiam que não é maquiado.
Mas não termina isso! Estou farto de ver maquillage, mas eu quero poder dizer que vi tudo.
(Sr. Mário Navarro: Eles então sopram e a cara vai se deformando.)
Olha o olho! Que horrível! É talvez a cara mais horrível do conjunto, a do judeu.
(Sr. Mário Navarro: Aí põem os olhos nele, artificiais.)
(Sr. Paulo Henrique: Mudam o colorido dos olhos, lente de contacto com cores. Porque preto com olhos verdes…)
Estão querendo mostrar personagem por personagem, que é para não ter dúvida de que é maquillage.
(Sr. Guerreiro: Americanamente dizendo como é feito. Mas porque é feito, não mostram.)
Tal qual.
Qual o nome do filme?
(Sr. Mário Navarro: “Uma coisa que causa sensação”.)
* “Isso é o desfecho lógico da Renascença” — “Para dizer tudo numa palavra só, no minueto podia se descobrir traços disso”
Essa cena é muito interessante, porque mostra o lado inteiramente natural, mas veio num envolvimento preternatural na própria melodia.
(Sr. Mário Navarro: Em que sentido?)
O modo de cantar está muito bem feito no sentido de envolvimento preternatural. Note, nunca um movimento desses é gracioso.
(Sr. Mário Navarro: Esse coreógrafo é um homossexual no duro!)
Uma coisa nojenta.
(Sr. Mário Navarro: São quase todos homossexuais.)
Esse judeu mesmo não é garantido, hein?
(Sr. Mário Navarro: Também. Apesar de se dizer casado, ter aliança, tudo…)
(Sr. Paulo Henrique: Característico o movimento do ombro.)
É interessante você se lembrar de qualquer coisa Renascença que tenha visto na Itália e pensar que isso é o desfecho lógico da Renascença. A essência da Renascença, o dinâmico que ia para frente era isso. Abandonaram o gótico para ter isso.
Aí, ao mesmo tempo, ponto de partida e ponto terminal..
(Sr. Nelson Fragelli: Roupas das contradas, são bonitas, mas por um lado já tem isso aí em gérmen.)
Claro, claro.
Para dizer tudo numa palavra só, no minueto podia se descobrir traços disso.
(Sr. Mário Navarro: E o judeu se preocupa com tudo, os mínimos detalhes.)
Tudo, tudo.
(Sr. Mário Navarro: Uma agilidade incrível!)
Mas é feita para dar ao homem a ilusão de que todas as leis do equilíbrio do corpo humano são falsas e que o homem abriu as fronteiras de si próprio para entrar numa atmosfera de irrealidade… muito real!
Notaram esse chão amarelo, meio verde, citron?
(Sr. Mário Navarro: Eles agora intercalam cenas de um “show” real dele, para mostrar como ele dança. E o pessoal fanatizado gritando. Luva numa só mão.)
É o disparate em tudo.
(Sr. Mário Navarro: Calça pelo tornozelo, com meia branca.)
* “Isso está inteiramente lógico com o que eu previ, mas é uma concretização que eu não tinha previsto”
(Sr. Nelson Fragelli: Convulsões.)
Você pegou perfeitamente, é convulsão transformada em dança. E você pode imaginar o poder contagioso disso se se lembra das convulsões contagiosas que houve em certo período da Idade Média. Dança de São Vito, etc.
Olha a quantidade de pessoas que tem nisso.
(Sr. Mário Navarro: Não se imaginava que fosse acabar nisso, mesmo há uns dois anos atrás.)
Não, não.
Essa via da Bagarre para mim é ultra-ilustrativa. Quer dizer, eu nunca previ isto. Isso está inteiramente lógico com o que eu previ, mas é uma concretização que eu não tinha previsto.
(Sr. Nelson Fragelli: Isso é uma espécie de Picasso da dança e da música.)
Tal qual. Depois esse ritmo talvez tenha um qualquer alcance cibernético.
(Sr. Mário Navarro: Esse passo que ele deu, chamam‑no “passo na lua”, como os homens andam na lua. Eu acho totalmente preternatural, é impossível o homem fazer.)
É, é. Incrível!
(Sr. Guerreiro: Todas as pessoas são horríveis.)
Todas! Valor nenhum, nenhum, nenhum.
(Sr. Mário Navarro: O que o senhor dizia do Anticristo que não vai ter valor humano nenhum.)
Nenhum, nenhum. Imaginar o Anticristo um super-homem, nada! Um mulato tirado de um bar.
* A aversão do Sr. Dr. Plinio ao judeu diretor do filme é porque tem a impressão que tudo o que está fazendo no filme já existe nele como en su tinta
E muito significativo é o judeu adestrando tudo.
(Sr. Mário Navarro: Pranchoso, simbólico. Olha, quem manda é o judeu.)
E não é grande judeu. Eles têm produzido coisa muito melhor do que isso.
Veja aí que rapaz engraçadinho.
Que horror! Vocês sabem que me sinto como se eu estivesse num poço fundo, cercado de emanações de gaz sulfúrico de todo lado.
(Sr. Paulo Henrique: Analisando ponto por ponto o miserável do judeu.)
Ah não, é um entraîneur da Revolução A, perfeito!
(Sr. Mário Navarro: Sempre com uma lata de bebida — pelo menos é o que parece — na mão. E não toma nada.)
(Sr. Guerreiro: No que esse judeuzinho dá tanta aversão?)
É porque eu tenho a impressão de que tudo isso que está fazendo aqui já existe nele como en su tinta, o ponto de partida é ele. Com essa cara, com tudo o mais, o ponto de partida é ele. No espírito dele é que está tudo isso. Modo de ser todo, etc.
Por exemplo, você garante que o modo de ser dele não tem nada de homossexual ou meio andrógino?
Depois ele é hipócrita. Todos os movimentos dele têm harmonia, mas ele entende como ninguém as regras da desarmonia e, é o entraîneur delas, ele as faz.
(Sr. Mário Navarro: Aí o preto está com o Mickey Mouse na camisa. )
É, é.
(Sr. Mário Navarro: O judeu diz que ele errou. Então manda o preto fazer direitinho, mostra como tem que fazer. E aí analisam o filme para ver os trechos que irão aproveitar. le aí quando era menino, o Michael Jackson.)
Mais uma vez se verifica o que eu disse.
(Sr. Guerreiro: Essas posses do demônio, como o senhor acha que se fazem? Como se hospeda e começa animar a vida.)
A criança foi tentada por ele para uma espécie de pecado imenso, concorda, ele entra.
(Sr. Nelson Fragelli: Acho perfeita a explicação que o senhor deu. Ele, quando menino, havia… produzia uma atração superior a que a personalidade de um menino pode. Logo tem alguém por trás.)
Algo a mais do que ele. Mas é o que está presente ali.
(Sr. Paulo Henrique: Para o outro lado, temos exemplo do senhor, o contrário, a ação da graça.)
Oxalá seja. Oxalá.
* Sendo o oposto completo ao que foi projetado, como a Sra. Da. Lucilia reagiria ao filme
O que foi, meu Mário?
(Sr. Mário Navarro: Terminou e queremos ver o senhor.)
Vou dar uma sugestão, antes de tudo: Amadeu, me acenda as luzes daqueles abat‑jours todos, e se dois de vocês pudessem levar embora o aparelho… e pôr a sala em ordem. Vocês vão ter uma outra impressão.
(Sr. Guerreiro: Dá uma certa pena assistir esse filme nesta sala.)
Eu estava pensando nisso, o que diria mamãe se ela assistisse nesta sala dela esse filme. Porque era feita para ser o oposto completo. Basta olhar! Na primeira cena ela iria para dentro, não assistia isso, absolutamente. Aliás, nem me passaria pela cabeça passar isto para ela ver.
(Sr. Nelson Fragelli: Na Comissão B uma vez o senhor comentou uma música de carnaval que tinha saído e falava: “Dá nela, dá nela”. O senhor então descreveu a reação da Sra. Da. Lucilia, e o senhor dizia: “Ela sempre muito delicada, muito fina, muito meiga — era a palavra que o senhor usou —, ´dá nela, dá nela´, para ela?”. Ela tomou completa distância daquilo.)
Ainda mais o modo pelo qual isso era cantado, porque a pessoa que cantava avançava batendo com os pés na frente — era sempre um homenzarrão, tinha qualquer participação nisso aqui — e gritava: “Dá nela, dá nela.“Essa mulher a muito tempo que me amola”. Então o coro gritava: “Dá nela, dá nela”. Mas tudo isso era o oposto do que ela podia imaginar como…
(Sr. Nelson Fragelli: O senhor disse que ela teve horror.)
Horror, repúdio, mas assim de um alheamento de não poder nem pensar.
* Para implantar seu reino na terra, o demônio tem de habituar a Humanidade ao hediondo — Dois modos de implantar seu reino: pela revolução ou evolução
Quer dizer, não há muito a dizer, porque au fur et à mesure da projeção, todos nós fomos comentando o negócio.
É uma clara introdução para o seguinte:
Se o pacifismo conseguisse evitar a Bagarre… porque vocês percebem melhor [que] um dos papéis da Bagarre de fogo, da Bagarre verdadeira, seria pegar um mundo que não estivesse preparado para isso. Portanto, se o mundo resistisse, como levar o mundo a isso? Seria o fogo e o inferno da Bagarre.
Vamos pôr o problema em termos mais pormenorizados, mais claros.
O objetivo do demônio sendo de fazer os homens conviverem com ele, para implantar o reino dele na terra — é o objetivo! —, então implantar o reino dele não é um reino mecânico, em que ele mande e, portanto, os homens obedeçam. Não é isso, não. É fazer‑se adorar enquanto horroroso. Essa é a tese. Em conseqüência, fazer adorá‑lo no horror dele, como um modo de odiar Aquele que o reduziu a esse estado, como um modo de detestar a perfeição de quem o reduziu a esse estado e amar a objeção dele, que é o papel dele no Inferno.
Ele no Inferno diz, embora ele saiba toda abjeção em que ele está. Ele sabe, mas ele finge para si próprio, finge para os outros que aquele é um estado bom. É um dos títulos, é modo de revolta…
Bem, ele quer que isto seja adorado pelos outros. O modo que ele tem é de habituar a Humanidade ao hediondo.
Agora, há dois modos: um modo violento, vamos dizer assim, o modo da força, o modo da revolução; e o modo da evolução.
* A revolução, imposta a uma sociedade que não queira conviver com o horror — A evolução, familiarizando o homem com o demônio em seu horror, através dos costumes da vida comum
O modo da revolução seria: se a Humanidade apresentasse, em condições normais, algum repúdio ao horror, se fosse um repúdio intransponível, quebrar esse repúdio familiarizando o homem com os horrores da Bagarre.
(Sr. Mário Navarro: Então bomba, etc.)
Não só com as bombas, mas com o resultado, o aspecto das pessoas que ficaram “hiroshimizadas”, “nagazaquizadas”, e que conversam aqui com um de nós… imagine a cena.
Um de nós tomou uma bomba, está com a cara toda transformada no tamanho de uma bolha, mas tem condições de, durante seis meses, um ano, qualquer coisa, conversar normalmente. Ele sabe que nós estamos aqui à noite, quer vir aqui conversar e nós não temos a falta de caridade de recusar a ele. Mas, vendo‑o, nos habituamos ao horror..
Não sei se vocês conhecem, depois da Primeira Guerra Mundial, o hospital…Vocês conhecem a palavra francesa gueule; é um dos modos de designar a face. Eu acho que deve ter uma origem comum com a palavra “goela”, em português, mas é um dos modos de designar a face. Então, la gueule casse eram os que tinham ficado horríveis no rosto e que, portanto, não se podiam apresentar aos homens.
Eram muitos, tomaram não sei se um, dois ou três edifícios grandes… Sei que um era um castelo. Tomaram e instalaram os gueule cassé lá, e viviam uns com os outros, porque o gênero humano não podia agüentar o horror de ver esses homens que tinham se martirizado para salvar a pátria. O convívio humano não podia suportar. É muito triste, tem‑se muita pena, mas põe no Gueule Cassé.
Agora, você imaginando uma cidade de São Paulo com… vamos dizer que tenha… parece que tem 12 milhões de habitantes. Então você ponha um milhão de gueule casse, não há hospital que chegue. Você tem que aceitar na vida de todos os dias.
E um tem aqui um tampão, outro tem… imaginem todos os horrores, convivendo com todo mundo. Isso tem que produzir uma baixa de senso estético e do teor da civilização, uma baixa insuportável.
Bom, mas é inevitável! E ao cabo de algum tempo é uma degradação na cidade, sem nome, imposta em nome da caridade cristã, mas imposta também em nome da falta de recursos: não se pode metralhar essa gente, eles têm direito à vida, e não há onde alimentar essa gente. Então um é datilógrafo, o outro é ascensorista, o outro é o quê? o seu barbeiro que vai lhe cortar o cabelo, mas de repente cai um pedaço de dente em cima de você, porque todo esse lado do rosto é postiço e cai. E você por boa educação… será um dos itens do código de boa educação: “Nunca dar a entender que sentiu a menor repulsa”; portanto é não senti‑la.
(Sr. Paulo Henrique: Isso leva à loucura.)
Não, havia um meio. Era calejar você pelo hábito. Se você ficou louco, vai para o hospício. Senão, você convive com eles. E outra coisa: leva para a mesa para comer junto.
(Sr. Paulo Henrique: A natureza rejeita.)
Mas é como dizia o Nelson há pouco, é forçoso. Posta a situação de uma guerra em que eles podem soltar instrumentos de combate deformativos, que não matam, esses que não morreram, matam mais do que os outros que morreram.
(Sr. Mário Navarro: Essa é então a primeira…)
A revolução! Imposta a uma sociedade que não queira conviver com o horror.
Mas você está vendo que isso não tem nada de uma gagueira, o que eu estou dizendo. É uma coisa que tem todo seu propósito.
(Sr. Nelson Fragelli: Há um caso há pouco tempo na França, no “Ancien Régime”, um “gueule casse” fez para ele mesmo uma face de madeira. E era conhecido como o “visage de bois”. E o senhor sabe que ele se casou? Encontrou…)
Uma louca.
(Sr. Nelson Fragelli: Uma louca que se casasse com ele.)
Mas você veja isso.
(Sr. Nelson Fragelli: É assustador, horripilante.)
Mas o que tem é o seguinte: a sensualidade, em alguns dos seus delírios, vai para aí.
O Príncipe Yussupov fazia as delícias dele de freqüentar os antros de tarados franceses, parisienses — mas era internacional, era uma regra internacional que havia alhures em Paris —, que era de gente que se mutilava por gosto, se desfigurava por gosto e era meio gagá. E formava uma pegra onde entravam artistas, homens inteligentes, homens da alta sociedade como ele, etc., blasés do bonito. Ele mesmo conta episódios assim nas memórias dele, horríveis. [Muda a fita]
Não posso contar aqui as coisas.
Então isso tomando um aspecto sensual, fica como que ungido pelo demônio e lá vai.
(Sr. Paulo Henrique: Porque [em] tudo isso aqui, ritmo, etc., há uma carga de sensualidade enorme.)
(Sr. F. Antúnez: A familiaridade do diretor do filme com o preto…)
É sensual, aquilo é diretamente sensual.
(Sr. Paulo Henrique: Tudo ali insinuado.)
A regula tactus ali está violada do modo mais explosivo que se possa imaginar.
Agora, isso é a revolução.
Pode‑se imaginar uma fita que não dê a revolução, mas dê a evolução. Quer dizer, como é que os homens seriam familiarizados com o demônio em seu horror, sem a destruição, através dos costumes da vida comum.
* Uma vez que o demônio quer seduzir para ser amado de um modo a constituir um insulto contra Deus, a via do amor lhe convém mais do que a via da força
E a resposta é a seguinte, resposta a uma pergunta que, por cansaço não enunciei: qual das duas vias convém mais ao demônio?
Uma vez que ele quer ser amado, a via do amor lhe convém mais do que a via da força. Há mais ultraje para Deus que a Humanidade não ofereça esta última resistência que exige a violência, mas que a Humanidade espontaneamente se jogue nos braços dele, por sedução.
(Sr. Mário Navarro: E muito menos risco para ele.)
Muito menos risco.
(Sr. Mário Navarro: Com a guerra atômica pode destruir tudo e provocar a vinda dos anjos, etc.)
Exatamente. Aqui ele espera que não.
Sobretudo o que tem é o seguinte: que ele é o sedutor, ele quer seduzir para ser amado de um modo a constituir um insulto contra Deus. E é muito mais insultante contra Deus que ele tenha conseguido isso pela sedução, do que pela força. No fundo da coisa, na essência da coisa.
Quer dizer, o que você disse existe, mas a essência é essa.
(Sr. Nelson Fragelli: O senhor poderia repetir, por favor?)
O objetivo do demônio, por amor-próprio, por orgulho, e igualmente por ódio a Deus que nele se confundem, consiste em fazer com que a criatura humana tenda a ele por sedução e não pela força, porque pela sedução ele conquistou muito mais a alma do homem do que criando um fenômeno de força. E depois há mais autenticidade de amor, mais carga de amor na sedução do que na força.
Vamos dizer, o aspecto metafísico do negócio….
(…)
* Uma primeira coexistência do mundo com o horror quando se habituou ao comunismo
Bem, então esta via [do filme] é a via preferida, e é a via à qual ele pretende chegar pelo sorriso de Yalta, pelo pacifismo Roosevelt‑Kennedy, João XXIII e tudo que se lhe segue, toda essa seqüência de fatos, desarmamento unilateral, ecumenismo.
A inspiração do Concílio é eminentemente pacifista: estabelecer paz com tudo, borrar tudo com tudo. É eminentemente essa a coisa do Concílio.
E, de um modo absolutamente óbvio, também se põe que essa paz cria as condições logísticas — apenas isso — para o demônio exercer à vontade o processo de sedução.
Esse processo de sedução teve a sua primeira explosão remota com o arrebentar do comunismo no mundo, com a vitória da Revolução de 17. Quer dizer, a face permanente da Rússia para o Ocidente era uma face daquelas. A coexistência pacífica das nações com a Rússia e a queda das barreiras ideológicas foi, em nível internacional, em relação a essa careta que era a carantonha russa voltada para o mundo, não era propriamente ameaça, era a cara…
(Sr. Mário Navarro: Isso explica a cara desses tipos todos que estão no poder, e se vê que o negócio é forçado, que eles poderiam ter caras diferentes.)
Brezenev, por exemplo, óóóhhh!… aquela cara é para habituar o mundo ao horror.
Então, a Ostpolitik é transacionar, relacionar‑se, etc., com esse tipo de gente.
Muito mais remotamente — para verem como isso veio de longe — comparada com a face santa, benigna, bela da Igreja Católica, a IO tem algo disso. Mas isso já vem muito de longe. É subir tanto, que não vale a pena nem mencionar aqui, é de passagem.
Então, o mundo se habituou ao comunismo, quer dizer, uma primeira coexistência com o horror, mas era um mundo que até então procurava o belo, procurava o artístico, etc.
* Estilos de vida ou modos de pensar e agir vão introduzindo a quinta coluna do feio no mundo contemporâneo — A Sorbonne foi a proclamação oficial dos direitos da feiúra
Outra coexistência com o horror, num outro campo, até certo ponto anterior à Revolução de 17, até certo ponto não, é a explosão da arte moderna, que começa a fazer a conaturalidade com o feio. A casa feia… para chegar até a casa de cimento aparente, com tubulação aparecendo, e feia para ser feia. É o feio que vai se instalando de cá, de lá, de acolá na sociedade.
Por exemplo, terminar a espécie de “culto” pela mulher bonita e aparecer o “culto” pela cachorra com sex‑appeal. O sex‑appeal prescinde a beleza, e a beleza do rosto que era o brasão da mulher na ordem física, passa completamente de lado e fica o sex‑appeal, em que, para dizer a coisa no seu horror, as ancas fazem o papel do rosto. O predomínio da atração da mulher que outrora estava no rosto se desloca para as ancas. É fundamentalmente um jogo de ancas que determina o reluzir do sex‑appeal. Se isso se chama reluzir…
Assim, várias outras coisas vão introduzindo a quinta coluna do feio dentro do mundo contemporâneo.
Neste sentido é duro dizer, mas já a influência do estilo de vida norte‑americano, enquanto expulsando do mundo o estilo de vida europeu, que foi um fato concomitante com a Revolução de 17, já introduziu o banal, o medíocre, expulsando o belo e o aristocrático. Já com isso deu… representou também um passo no sentido da expulsão da beleza de dentro do mundo.
São invasões de monstrismo para cá, para lá, para acolá. Faz parte disso a Igreja miserabilista, que é a feiúra posta nos altares e posta em adoração, como ambiente natural de Deus a feiúra. Eles não percebem, ou não percebem, não vou discutir isso, mas, vamos dizer, o povinho não percebe, talvez, que isto é para pôr o feio no altar e depois entrar o demônio no lugar do feio, porque foi criada a moldura para ele. Isso é coisa certa.
Depois disso vem outros progressos do feio: o feio na moda, etc., e a introdução da monstruosidade.
Então o pôr em dia a homossexualidade, o pôr em dia o freudismo, que o Freud pede que se tome toda a conaturalidade da criança com as próprias ejeções, brincar com essas coisas, triste o dia em que o homem se tornou bípede, porque o homem deveria se arrastar na poeira, não deveria ter essa sensação de alheamento com os insetos e os objetos feios, os seres feios, devia ser um só… é a aclimatação do homem, por mil lados, com a feiúra.
Mas, vamos dizer, tudo isso que eram impressões esparsas pelo ar, brumas de feiúra esparsas pelo ar, se consolidaram de repente no rock, à maneira de um pinto maldito que pula dentro da terra, mas esse pinto virou galo na Sorbonne. E a Sorbonne foi a proclamação oficial dos direitos da feiúra.
Assim como houve a proclamação dos direitos do homem, a Sorbonne foi a proclamação dos direitos da feiúra. E aí a feiúra começou oficialmente se espalhar pelo mundo, mas oficialmente, à luz do sol.
Naturalmente, ninguém tinha a coragem de dizer, mas era isso.
Bom, ninguém me perguntará por que é que a Estrutura não reagiu. Porque o Vaticano II foi isso dentro da Igreja, diretamente, imediatamente é isso dentro da Igreja, não tem conversa. E está desdourando a Igreja de todo pulchrum que ela tem, que lhe resta. A Igreja está sendo maquiada como essas figuras aqui [do filme].
* O feio aparecendo como sedutor, está aberto o caminho oficial para o demônio
Chega o momento em que o cerco da feiúra está tão grande — esta é uma evolução, eu estou descrevendo uma evolução —, chega o momento em que essa feiúra está tão espalhada, que ela pode fazer não mais a proclamação de sua independência que lhe dá o direito de existir à luz do dia, mas mais: o seu cântico de sedução. O cântico de sedução é, por exemplo, essa fita. Já foi o ET, e essa fita.
Agora, o feio aparecendo como sedutor, está aberto o caminho oficial para o demônio. E o caminho oficial para o demônio consiste em que, aos poucos, o frenesi, o compasso louco, as formas doidas, etc., vão tomando conta da Humanidade e vão se transformando lentamente em hábito. Eles saberão fazer isso de um modo exímio.
Por exemplo, aqui na Pça. Buenos Aires, a gente passa de manhã, tem três, quatro casais, três ou quatro pares dançando assim, dos quais um dos pares é de velhos que dançam de se dar gargalhada. Mas ninguém ri também, porque o ridículo cessou, o hediondo cessou. O que mais querem? Não tem nada.
Então isso se multiplica, dá festivais cada vez mais horrendo, pode transformar‑se num hábito, numa cidade, permanentemente, haver um ponto onde se dança isso na rua.
(Sr. Mário Navarro: Isto nos Estados Unidos está se dando mesmo, nos centros de Nova Iorque, centro de Chicago, eu vi. Em Chicago eu vi uma multidão assim no centro da cidade, uns cinco ou seis pretos com gravador, com pilha ali, imitando o Michael Jackson, fazendo exatamente as mesmas coisas.)
Noite e dia!
(Sr. Nelson Fragelli: Nas escolas devem fazer isso.)
Também, intervalo de aula. De repente durante a aula.
(Sr. Lanna: Agora, Sr. Dr. Plinio, isso aqui, no Brasil, está geral. Na última cidadezinha do interior do Brasil só se fala de Michael Jackson, em todas as discotecas, clubes, na última cidadezinha que o senhor vai, no Brasil. Esse filme aí passa em televisão constantemente, a gente vê por aí.)
Ah! passa por aí? Eu pensei que fosse uma ultranovidade.
(Sr. Lanna: O primeiro. O segundo nunca vi.)
(Sr. Mário Navarro: É uma novidade velha. Isso foi lançado já há algum tempo.)
Agora, eu queria que vocês tivessem a noção da situação em que nós estamos, aqui no Brasil, com o que acaba de contar o Lanna. Duas revoluções simultâneas que se generalizam pelo país: a Igreja chefiando a revolução sócio‑econômica, e isto fazendo uma revolução muito mais profunda, com o Brasil concentrado no problema: é Tancredo ou Maluf? Que é, evidentemente, um alibi, para evitar que as pessoas se dêem conta do que está passando.
Eu vejo, por exemplo…
(…)
… uma revolução social, as chamaradas dessa perspectiva também habituam o espírito público ao horrendo.
* Nesse perspectiva é de chamar atenção a falta de notícias da cura de moléstias — O ambiente gélido das UTIs
Isso tudo é de tal maneira, que você veja o seguinte:
Há muito tempo eu não leio — pode ser que nas revistas científicas haja, mas eu não leio —, não tenho conhecimento de uma forma qualquer de cura de uma das moléstias que já existiam. Antigamente vinha de vez em quando uma notícia: uma moléstia que se curou, tem uma cura, que não sei o quê… Acabou!
Você sabe de moléstia que se curou? Não sabe nada.
Mais ainda: as tais câmaras de recuperação na qual jogam os indivíduos são câmaras assim. Quer dizer, não tem essas cenas, mas aquele gelado, você fica deitado ali, fica sem socorro nenhum, sem saída nenhuma. E outra coisa: quando eles poderiam fazer pelo menos tabiques separando os doentes, não tem tabique e não separam sexo.
(Sr. F. Antúnez: E não põem roupa.)
Não põem roupa. Quer dizer, é uma coisa assim “eteziana”.
Eu soube outro dia de uma senhora, amiga de Rosée, que fez uma carta para os filhos dizendo o seguinte — para ser aberta caso ela tenha um derrame, porque é uma pessoa que está velha, qualquer coisa que pode suceder assim, um enfarte, qualquer coisa. “Vocês estão rigorosamente proibidos de me levar a qualquer hospital. Eu prefiro morrer em casa do que sobreviver dentro de um hospital. Me curem em casa se puderem, porque eu quero viver, mas prefiro morrer a ir para um hospital”.
Agora, por que isso?
Porque ela percebe que ela provavelmente vai para a câmara de recuperação, não quer.
Eu tenho uma prima, pessoa até muito rica, que foi levada para uma câmara de recuperação dessas. É uma mulher voluntariosa, mas é uma senhora. Ela deitada numa câmara de recuperação dessas, as pessoas se satisfazem umas diante das outras, não tem outro jeito, é assim. E ela precisou de um enfermeiro— enfermeiro homem, para atender mulher! Tocou, tocou, tocou a campainha, não veio. Afinal, quando ela já estava em desespero — o que é obviamente contra‑indicado para um doente que está numa câmara de recuperação, é o contra‑indicado — afinal veio alguém. Ela foi atendida e disse: “Vocês prestem atenção no que eu vou dizer. Uma vez que eu tenha uma necessidade qualquer e que, em poucos minutos, eu não seja atendida, eu pego essa porcaria toda que está em cima de mim — que são umas maquininhas para medir pressão, não sei o quê, não sei o quê —, jogo tudo isso no chão e saio como eu estou, pelo hospital afora, à procura de um quarto para mim, ou vou para casa assim! Mas tolerar isso, eu não tolero mais!”.
Como ela tem dinheiro, tem prestígio, etc., a coisa funcionou.
Mas isso é por enquanto. Daqui a pouco dinheiro e prestígio não adianta mais nada! Nada, nada. Isso é por enquanto.
Eu acho que mais o pessoal teve medo da braveza dela, porque nós estamos nisso.
Bem, todas são sombras que vão invadindo dentro desse quadro.
* Se a via que o demônio prefere é a da evolução, nós queremos a que ele não prefere, ou seja, a da revolução
(Sr. Mário Navarro: O papel do senhor nessa nova perspectiva?)
Se a TFP tivesse sido feita sob medida para contrastar tudo isto, o papel seria esse.
(Sr. Mário Navarro: São Bento é o oposto disso.)
É direta, clamorosa e magnificamente o oposto disso. Hábito, tudo o que a TFP faz, estandarte.
(Sr. Mário Navarro: A missa do Encontro. )
Ohhh! Ohhh!
(Sr. Mário Navarro: Dava vontade de ir direto agora para aquela missa.)
Isso, exatamente.
O que me dizem da sede de Nova Iorque, tudo o mais, é o contrário. Na limitação de suas medidas, a Sede do Reino de Maria é, etc. A sala do Reino de Maria, tudo o mais, é o contrário.
Quer dizer, se a TFP tivesse sido feita sob medida, ela seria assim.
(Sr. Mário Navarro: Qual das duas fórmulas o senhor prefere? Se diria que o senhor prefere a revolução. Mas diante do fato que a TFP é feita sob medida para lutar contra isso, o senhor prefere a primeira ou segunda?)
Eu acho que a TFP é feita sob medida para lutar contra isso, mas numa via penitencial horrorosa. Porque se a TFP tivesse sido fiel a si mesma, ela forçava aqui no Brasil… essa revolução.
(Sr. Mário Navarro: Forçava que houvesse a revolução?)
(Sr. Paulo Henrique: Claro.)
(Sr. Nelson Fragelli: Mas forçava através desse aspecto antievolução.)
Isso, exatamente, antievolução e pró-reduzir o demônio à necessidade de usar a força. Pois se a via que ele prefere é a outra, nós queremos a que ele não prefere. Ainda que não houvesse outras razões para isso.
* Apelando para a liberdade que eles têm de mostrar o horror, poderíamos apelar para a liberdade de déployer as nossas magnificências — Dentro desses horrores se cria o clima ideal para a TFP abrir os olhos das pessoas
(Sr. Paulo Henrique: O senhor no início disse que o Encontro alimentava muitas esperanças. É possível fazer algo na linha do que o senhor disse num simpósio recente, de quebrar um clã de uma cidade pequena, a nível nacional, ou uma manobra internacional como essa?)
Quer dizer o seguinte:
Naturalmente como fazer, eu preciso pensar, não tenho a fórmula pronta aqui. Mas que nós, em determinado momento, apelando para a liberdade que eles têm de fazer essa porcaria, poderíamos apelar para a liberdade de déployer as nossas magnificências, não se pode negar.
(Sr. Guerreiro: Porque contra isso, só tem uma solução: é cerimônia do São Bento.)
Pois é.
(Sr. Guerreiro: Com “sedia gestatoria” e tudo…)
Você pega só uma coisa, que no lugar onde está não chama tanto atenção, mas no filme do Encontro me chamou muito a atenção: quer dizer, naqueles horrores do salão do Espéria, a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Não sei se notaram que caráter régio tinha. Grandioso!
(Sr. Paulo Henrique: Parecia mais bonita do que é na realidade.)
Pois é, exatamente, uma coisa extraordinária.
Imaginem uma procissão com aquela imagem, ou então com uma imagem muito bonita reproduzindo Le Beau Dieu d’Amiens, e, por exemplo, gente que passa pela rua, gente nossa com hábito, cantando à noite, enquanto as pessoas dormem — eles vão tolerar essa bagunça durante a noite — cantando salmos penitenciais, cantando em rectus tonus, com turíbulos, com cruz, etc. Fura ou não fura?
(Sr. Nelson Fragelli: É a guerra!)
(…)
Dentro desses horrores se cria o clima ideal para a TFP abrir os olhos das pessoas. É o profeta que fala na hora em que o filho pródigo está comendo as bolotas dos porcos.
Porque isso são bolotas dos porcos. Se isso não é bolota dos porcos, nem sei o que é porco, nem sei o que é bolota, nem o que é hora.
(Sr. F. Antúnez: Eles não se dão conta.)
Pois é, mas falando…
(Sr. Poli: A reunião de encerramento do senhor, no Congresso.)
Eu procurei dar esse tom, Davi ali que abatia Golias, etc.
(Sr. Nelson Fragelli: A evolução, para nós, é a guerra mais difícil.)
É a guerra mais difícil.
(Sr. Nelson Fragelli: Entrar num restaurante como autênticos membros do Grupo ou entrar à bala, é mais fácil entrar à bala…)
É mais fácil. Inegavelmente mais fácil.
(Sr. Nelson Fragelli: Essa primeira guerra é muito mais difícil.)
Nela é que nós vimos lutando, não sem alguma glória, há décadas.
(Sr. Nelson Fragelli: É propriamente o aspecto profético da guerra. O outro é desencadear final.)
É isso. Mas o bonito, o bonito é….
(…)
* Todas as formas de apego à feiúra e nervosismo deve dar lugar a uma união perfeita entre nós
Não há um dentro do Grupo que não tenha dado adesão a uma forma de nervosismo oposta à minha calma. E o nervosismo é isso posto dentro da pessoa. A pessoa calma parece insípida e besta para o nervoso, que na vibração encontra sua satisfação.
(Sr. Guerreiro: As eletricidades desse sujeito é um auge de nervosismo.)
Oh! aquilo é a glorificação, a apoteose do nervosismo, de ponta-a-ponta.
Agora, você toma pessoas que nós conhecemos ou tivemos notícia, procure nervosismo lá. Resultado, consideração: pessoa monótona.
(Sr. Paulo Henrique: Tida como pessoa monótona.)
Por quê? Porque na neurose geral, não suportavam essa vizinhança, é claro.
Então aqui está nossa lacuna colossal. Para vocês que me deram o gosto de assistirem comigo essa projeção e de conversar muito mais do que dois dedos de prosa sobre esse assunto, vocês têm uma graça grande e um incitamento a uma outra coisa.
Quer dizer, como fazer com que todas as formas de apego a esses resíduos de feiúra — são resíduos de mal, feiúra é modo de dizer; o que tem dentro disso é o mal, cuja face é a feiúra —, de nervosismo, essas coisas assim, que isso tudo dê lugar a uma união perfeita entre nós? Porque, não tem dúvida nenhuma, mais do que tudo o que impede é isso.
* Bolsões na África do Sul com uma certa inocência e vazios de demônios ainda
Bem, meus senhores…
(Sr. Lanna: O senhor falou em disco-voador hoje à tarde. Num ambiente como o que foi passado aqui, a vinda de um disco‑voador, o ET, seria recebido como que apoteoticamente.)
Apoteoticamente. Ele é o coração disso. Ele é o rei da festa. Disco-voador já é o demônio.
(Sr. Lanna: Então casa bem em todos os ambientes o preternatural e esse natural muito chegado ao preternatural.)
Pantanosamente misturado e conduzindo até lá. Aliás, você deve se lembrar da fita do ET, que ele vinha num disco-voador e voltou para um destino ignorado, retornando ao disco-voador.
E vejam que bonito… a coincidência feliz da reunião da tarde, do grafonema do Silvio della Valle e agora a reunião à noite. Vinte quatro horas que Nelson chegasse atrasado, essa seqüência você não teria à sua disposição.
(Sr. Nelson Fragelli: Dou muitas graças por isso.)
Eu sinto à distância — Nelson talvez pense, mas eu sinto à distancia — que essa luta do horror com a ordem natural das coisas se trava na África do Sul em termos um tanto diferentes do que aqui, que tem uns bolsões de horror que andam por ali até piores, por alguns lados, do que os daqui, mas que constituem bolsões dentro do ambiente geral. Mas a natureza da África do Sul não tem a maldição da natureza da África Central e Setentrional, tem uma certa inocência, tem alguma coisa de vazio de demônios ainda, e esse sítio é muito menos apertado em Johannesburg e outros lugares do que no Brasil.
Eu me engano?
(Sr. Nelson Fragelli: Não, senhor. Sobretudo no Cabo, eu acho verdade isso. O Cabo da Boa Esperança, há muita bênção, ali a natureza é diferente.)
(Sr. Paulo Henrique: Mesmo com os negros cantando…)
(Sr. Nelson Fragelli: É exatamente como o Sr. Dr. Plinio disse, bolsões pelo lado negro e pelo lado inglês saxão que vai ao demoníaco, ao “punk”, ao feiticeiro. Exatamente como o senhor diz.)
Mas, de outro lado, na natureza há qualquer coisa que não está impregnada como aqui.
(Sr. Nelson Fragelli: Exatamente. São vastidões…)
Mas vastidões onde o ritmo do progresso ainda não entrou.
Você tome, por exemplo, duas estradas — uma delas não sei, uma você conhece muito bem: Rio‑Petrópolis e outra São Paulo‑Santos. São estradas infeccionadas o tempo inteiro, você atravessa a natureza tornada insuportável. Olha que eu conheci uma e outra num outro ambiente. Isso poluiu a natureza inteira por aqui.
Lá não. Há cantos da natureza, pedaços de litoral, etc., que ainda sorriem, que não estão infestados, nos quais vocês, sem se darem muito conta, respiram. Não é?
(Sr. Nelson Fragelli: Sem dúvida.)
Bem, meus caros, o Nelson deve estar exausto. Um pouquinho eu estou também.
(Sr. Nelson Fragelli: Compreendemos quanto ao senhor.)
Eu fico muito contente de os ter aqui. E não há mais razão para eu fazer outra conferência sobre isso.
Está feita, quem quiser ouça. Eu depois preciso pensar se vale a pena ou não passar isso nas camáldulas. Porque uma coisa é ouvir isso aqui e espalhar depois por aí, e outra coisa é ficar com esse ritmo não sei quanto tempo dentro do ouvido. É uma responsabilidade muito séria que eu não posso tomar sem refletir. E a fortiori para a enjolrada de toda ordem. A Ordem Imediata e o Conselho Nacional, eles vêem isso… estão dentro do barulho da vida…
(…)
Não vou mais pensar no assunto. Depois me digam se valeria a pena passar um grafonema a ele felicitando o fato de ele ter posto ao alcance do Grupo esse… Me parece que viria muito a propósito, muito útil, muito interessante.
Bom, vamos deixar o Nelson dormir.
Vamos rezar três Ave Marias.
*_*_*_*_*