Conversa de Sábado à Noite – 7/7/84 – Sábado [AC VII - 7/84.3] . 14 de 14

Conversa de Sábado à Noite — 7/7/84 — Sábado [AC VII - 7/84.3]

Pela argumentação contida no livro “Investida Frustra”, os que atacaram o Sr. Dr. Plinio ficam sem terem o que dizer * Sem lhes fazermos ataques, deixamo-los em maus lençóis * Mesmo havendo teólogos que estejam em desacordo em alguns ou todos os pontos do parecer do Pe. Victorino, nossa posição é muito cômoda * A censura da Irmã Eugênia pelas manifestações de entusiasmo de que o Sr. Dr. Plinio era alvo * A coletânea de fatos da vida de santos contida no segundo livro reforça muito nossa posição — Alguns fatos de culto a santos vivos * Estava preparado uma espécie de assalto geral contra a TFP com base na acusação de idolatria e que, fenecendo, ficou mais ou menos com uma cobra sem dentes * Várias aspectos da TFP, tais como devoção ao Sr. Dr. Plinio e Sra. Da. Lucilia, ficaram legitimados com o último estrondo * Com prudência devemos ir tornando público o que está justificado como coisa privada * Devemos ter o vocabulário adestrado para não nos prestarmos a chumbos, pois a TFP não pode viver de esforços em fazer refutações * De tanto fixarmos os olhos no adversário, nos saiu um pouco da vista a Sra. Da. Lucilia * O clima normal da TFP é de viver entre a aflição e a esperança radiosa, porque profetismo e estabilidade total não são coisas inteiramente compatíveis * Perdoar aqueles que atacaram, mas não reintegrá-los ao Grupo * A suavidade e a proteção da Sra. Da. Lucilia precisa ser — discretamente, mas ativamente — reativada * O livro foi o calço para que certas respostas no Encontro abordassem mais a Sra. Da. Lucilia

(Sr. Poli: … com o caso Mutuca, a devoção à Sra. Da. Lucilia ficou um pouco inibida. Agora, com a refutação à “Investida Frusta”, a devoção a ela toma outro alento. De outro lado, a Sra. Da. Lucilia nos aviva a esperança, sem o que desfacelaríamos. O senhor poderia analisar esses pontos de vista das perspectivas atuais?)

Há duas perguntas nessa sua pergunta.

Uma pergunta é: dado o caso todo do Mutuca, com o desenvolvimento que está tendo e a resposta que foi publicada etc., que papel joga esse fato no conjunto dos fatores de esperança e de apreensão, que existem atualmente?

Outra pergunta é: que papel joga a devoção a mamãe dentro dessa situação assim concebida, analisada, tendo em consideração o papel já anterior da pessoa que acende as esperanças e tendo em consideração o fato de que ultimamente — de um modo não censurável, mas efetivo — toda preocupação em torno dela se tornou menos presente, menos presente, porque outras preocupações entraram em jogo?

São duas perguntas. Não sei qual das duas vocês querem que eu responda antes.

(Sr. Marcos R. Dantas: É indiferente.)

Então vou responder nessa ordem.

* Pela argumentação contida no livro “Investida Frustra”, os que atacaram o Sr. Dr. Plinio ficam sem terem o que dizer

À vista da publicação desse livro, eu não vejo para o pessoal que demarrou esta ofensiva contra nós, eu não vejo saída nenhuma.

O que é que eu chamo saída, o que é a saída deles?

É continuarem a fazer a campanha contra nós, acrescendo o número deles e diminuindo o nosso, ou, pelo menos, sem acrescer o número deles, diminuir muito o nosso, diminuir o prestígio, a consideração, a simpatia em torno de nós.

Nesse ponto, a posição deles em comparação conosco é muito parecida com a do protestantismo em relação à religião católica.

Os protestantes têm dois fins:

Um é levarem muitos católicos a se tornar protestantes até chegar à demolição da Igreja. Teoricamente é isso. Mas, na realidade, se demolir a Igreja, ainda que não aumente o número de protestantes, eles já consideram a razão de ser deles de algum modo atingida.

Esta é a posição deles em relação a nós, neoprotestantes nesse sentido especial da palavra. Um sentido muito restrito da palavra.

Agora, acho que qualquer das duas coisas, eu não vejo como eles conseguiam remediar, ou alcançar, pelo seguinte: o livro — eu posso dizer, porque ali não tem uma letra feita por mim, não pensem que eu dei esquema, nem nada, nada! — deixa‑os, pela argumentação, sem terem o que dizer. Quer o Fedeli com a refutação feita pelo Átila, quer o D. Mayer com a refutação feita pelo Gustavo Solimeo. Não têm o que dizer.

Esse é o primeiro ponto.

* Sem lhes fazermos ataques, deixamo-los em maus lençóis

Segundo ponto: sem fazermos ataque a eles — porque nós não atacamos —, nós os deixamos pessimamente. Sem fazer ataque. Porque se aquelas nossas respostas são todas válidas, eles empreenderam contra nós uma obra de detração inominável. De outro lado, nós não empreendemos contra eles, nós só fizemos a nossa legítima defesa. Eles não têm o que dizer.

Por que não tem o que dizer?

Porque para eles negarem o que está lá, eles precisam afirmar uma doutrina errada. Para afirmar uma doutrina errada, nós os massacramos.

Em segundo lugar, porque a autoridade do Pe. Vitorino e dos outros padres que estão lá, essa autoridade é uma autoridade transcendente. E eles têm medo…

(Sr. F. Antúnez: Dr. Castilho queria cumprimentar o senhor.)

Ah, Dr. José Carlos! Cumprimentar não, fazer parte da prosa.

(Dr. Castilho: Estou exausto.)

Ah bom, aí eu compreendo, uma conversa tão cacete suportar.

(Dr. Castilho: Não sei porque, me bateu um cansaço agora de noite.)

É porque você esteve aqui à tarde.

(Dr. Castilho: Ahahah.)

A explicação é muito fácil, não apresenta obstáculo.

Diga‑me uma coisa, o cântico nosso embaixo perturbou o quinto andar?

(Dr. Castilho: Não. Chegou muito discretamente, as orações também. Mas é evidente que não incomoda nada, só é pitoresco ouvir uma Ave Maria que sobe de um andar.)

De um andar de um prédio de apartamento, hein?

Eu estava preocupado, várias vezes fiz sinal para rezarem mais baixo.

(Dr. Castilho: Não é preciso. Aliás, nem papai e mamãe ouvem, estão ouvindo muito mal.)

Meu José Carlos, bom sono.

(Dr. Castilho: Obrigado.)

Nossa Senhora o abençoe.

Mas não só o nome do Pe. Vitorino esmaga o deles.

Bom, o Fedeli nem é galo dessa rinha. Mas o nome de D. Mayer, um bispo, e um bispo, para a América do Sul, muito inteligente, culto…

(Sr. Poli: Para quem não conhece…)

(Sr. P. Henrique: A cultura e o renome dele foi de estar junto ao senhor.)

(Sr. M. Navarro: O senhor tem as provas de que foi o senhor quem escreveu a P1?)

Não tenho. Tenho a prova testemunhal. Em quantidade. Fui visto em quantidades ditando.

(Sr. M. Navarro: O senhor ditava em francês?)

Eu ditava em francês, ele traduzia para o português. A meta era brincar, mas na realidade era evitar o meu vocabulário.

Bom, mas de qualquer maneira ninguém dá atenção.

Se eles forem escrever para o Pe. Vitorino, o Pe. Vitorino responde. E como é que ele vai sair da marmelada?

(Sr. P. Henrique: O parecer de D. Mayer é uma marmelada, com erros de português.)

Diz que São Carlos Borromeo é doutor da Igreja, quando não é doutor da Igreja. O contraste entre o parecer e o renome… é terrível.

Então, eu não sei o que é que eles vão fazer.

* Mesmo havendo teólogos que estejam em desacordo em alguns ou todos os pontos do parecer do Pe. Victorino, nossa posição é muito cômoda

Vamos dizer que eles consigam algum grande teólogo que escreve contra o Pe. Vitorino, dizendo: “Eu estou em desacordo em tal ponto e em tal outro ponto”, e pegue dois, ou três, ou quatro pontinhos secundários da resposta para entrar em desacordo. Qual é a nossa posição diante dessa segunda invectiva dele, eventual?

É uma posição muito cômoda. Porque se dentro da Igreja há teólogos que têm uma opinião A e outros teólogos que têm opinião B, nós estamos à vontade estando de acordo com A e não com B. Sobretudo em temas secundários.

Em tema capital grande teólogo não entrará em desacordo com o Pe. Vitorino, porque são pontos elementares. Os pontos versados são pontos elementares. Por exemplo, culto aos mortos que não foram canonizados, culto às pessoas vivas não canonizadas, isso é elementar, é bagatela, para os que conhecem a matéria.

Mas vamos dizer que alguém diga: “Eu não estou de acordo”. Então dá uma polêmica e o Pe. Vitorino cita cinco, oito, dez teólogos e canonistas etc., e eles citam cinco, oito, dez do outro lado.

Nós dizemos: “Nós agimos de boa fé, retamente, seguindo este grande canonista. Não atacamos ninguém porque pensa de outro modo. Convivemos lado a lado”. Com essa posição eles não nos destroem.

(Sr. M. Navarro: Essa é a pior hipótese que se pode imaginar.)

É quase irrealizável.

* A censura da Irmã Eugênia pelas manifestações de entusiasmo de que o Sr. Dr. Plinio era alvo

(Sr. M. Navarro: O livro 2 reforça muito nossa posição.)

A um ponto como vocês não podem imaginar. Eu conheço o livro 2, é inimaginável.

(Dr. Marcos R. Dantas: O que é o livro 2?)

É o seguinte, Marcos:

Essa parte do livro consta da carta do Átila a mim, o parecer do Gustavo Solimeo e um posfácio do Borelli. Isso é um volume.

O livro 2 é histórico, só de história. São fatos da vida dos santos comprovando a doutrina dada ali. São quinhentos e tantos fatos da vida de santos, tirados de livros com imprimatur, etc. Santos canonizados pela Igreja.

O que o santo fez, isto é legítimo qualquer um fazer, porque santo é um modelo. E toda vida do santo — você conhece perfeitamente — é analisada antes de ele ser canonizado, etc.

Por exemplo, uma coisa.

A Irmã Ana Eugênia me censurava muito, numa conversa que tive com ela, a mais desagradável possível. Ela me disse:

Dr. Plinio, o senhor se deixa aplaudir e aclamar por esses rapazes. Um santo não faria uma coisa dessas. O senhor deveria tomar como norma a regra das freiras do Sion…

Faça idéia, uma organização anticomunista tomar como norma a regra das freiras do Sion. É muito boa lá para elas, mas é outra finalidade.

Ela me dizia:

Lá, por exemplo, as freiras são proibidas de aceitarem certas manifestações de carinho das meninas, porque isso pode envaidecer, etc. E o senhor faz coisas dessas, que podem envaidecer.

Eu não dei a ela, porque poderia dar algumas respostas… etc.

Ela disse:

Olha, Dr. Plinio, eu não sou pessoa em condições de argumentar com o senhor. O senhor diz isso, eu não sei argumentar contra. Mas eu sei de uma coisa: é que o senhor desperta com isso uma inveja que coloca sobre sua cabeça um estrondo terrível! E o responsável pelo estrondo vai ser o senhor, porque o senhor não desmobiliza dentro da TFP manifestações de entusiasmo, que outras pessoas vêem e estão dispostas a não suportar”.

Eu disse:

Irmã Ana Eugênia, as coisas não são simples como a senhora pensa. O entusiasmo não é uma coisa que a gente corta assim como um barbante, pode ter um barbante de qualquer tamanho que queira, então graduar esse entusiasmo… O entusiasmo é como uma chama. Depende de tantas condições a chama num pavio. Muitas vezes a gente poda a manifestação de entusiasmo, mata o entusiasmo. Não pode ser assim.

É, eu não estou em condições de discutir com o senhor.

Se ela não fosse freira, eu diria: “Mas então [não] compreendo como a senhora veio cá falar comigo. Porque se não está em condições, sob um tema elementar, trocar duas palavras comigo, boa tarde, faz favor, a porta da rua é a serventia da casa”.

* A coletânea de fatos da vida de santos contida no segundo livro reforça muito nossa posição — Alguns fatos de culto a santos vivos

Bem, tem lá fatos.

São Vicente Ferrer, século XV, famosíssimo santo, dizia de si próprio que era o anjo do Apocalipse, previsto em tal trecho, etc. Isso é ultraprovado. Quando ele entrava nas cidades, o povo o aclamava, etc. No começo ele se opunha, mas quando ele viu como dava glória a Deus que ele fosse aclamado, não só ele aceitou as aclamações, mas ele incentiva o povo a aclamá‑lo.

Isso uma pessoa não pode dizer que não está em condições de entender. É a coisa mais clara que há no mundo.

Outro fato.

São João Bosco esteve em Paris, para fundações salesianas. Ele era muito conhecido em toda Europa, havia muito entusiasmo por ele na Europa. Em Paris, quando ele andou por uma rua, reconheceram‑no e fizeram ali, de improviso, uma espécie de aclamação, manifestação, etc., num lugar que até atrapalhava o trânsito, uma coisa assim meio de estourar. E começaram a pedir a ele fatos, coisas dele, etc. Ele deu o que ele tinha. No fim, quando ele andava na rua, era tanta gente, que ele mandou imprimir — ele — santinhos com a cara dele, que ele dava e assinava para quem pedia na rua.

Depois outra de São João Bosco.

Os alunos gostavam tanto dele, que faziam para ele uma espécie de quadriga assim — sabe como criança faz, chamam cadeirinha — para ele ir sentado e eles aclamando. E assim desfilavam pelos pátios do colégio. Ele aceitava.

Agora, aonde é que vai parar essa [acusação deles]? Pulverização.

Assim há vários outros fatos.

Santa Teresa de Jesus traz lá uma carta dela para uma Bem-aventurada Ana de Jesus, que era carmelita fundadora dos carmelos na França. Santa Teresa escrevia da Espanha, naturalmente, então dava para a Bem-aventurada Ana de Jesus notícias de como ia o Carmelo da Espanha. Então falava como é que tratavam São João da Cruz, quanto era virtuoso São João da Cruz, a boa vontade que tinha com ele, as freiras, o entusiasmo.

Mas notem que ela não era canonizada, estava viva. A Bem-aventurada Ana de Jesus estava viva. São João da Cruz estava vivo. Portanto, eram pessoas de carne e osso, circulando pelo ambiente.

Ela diz: “Precisava ver, quando entra em nosso convento o Frei João da Cruz, qual é o entusiasmo geral que produz: algumas freiras se precipitam para lhe beijar os pés, outras para lhe oscular as mãos, tiram um pedaço da roupa dele e tal. Quando chega a hora de ir ao refeitório — muito espanhol o que vou contar agora —, vai ele e o companheiro, elas servem a comida a ele. Mas, de fato, quando ele acaba de comer, comem do prato dele e bebem da água dele, como se fossem relíquias, tal o entusiasmo que têm por ele”.

Agora, eles estavam vivos, não estavam canonizados. Como é que é isso? Isto é uma santa, escrevendo a uma beata, contando o que é que um carmelo faz com um santo.

(Sr. Fiuza: […] Acabo de ler os “Ideais de São Francisco de Assis”, composto por diversos cronistas franciscanos famosos. Relata que havia um irmão João, contemporâneo de São Francisco, que por bom espírito imitava tudo que São Francisco fazia: maneira de ser, gestos, tudo. São Francisco proibiu isto, porque causou certa estranheza. Mas dali a pouco São Francisco se referia a esse irmão chamando São João. E esse imitava tudo que São Francisco fazia.)

Imagine, hein? Culto da personalidade, hein? Seita!…

É interessantíssimo. Não deixe de mandar logo que você chegue a Belo Horizonte. Você poderia talvez ditar pelo gravador para o Baccelli entregar aqui, porque esse livro entrou para ser impresso agora, se der tempo ainda ponho isso dentro.

Esse livro de São Francisco que você conta, é muito conhecido, é uma fonte muito boa.

Há outros fatos assim.

Um fato da vida de São Francisco, já que você está falando dele.

Apresenta‑se na portaria um mendigo e fala com o irmão [que está] tomando conta da portaria, dizendo que queria falar com São Francisco.

Não, não pode.

O mendigo insiste.

Está bom, eu vou falar com ele, para ver se ele atende.

Foi falar com São Francisco, que disse:

Eu não posso atender, mas sei o que ele quer. O senhor dá um pacotinho — era um pacotinho minúsculo —, dá para ele, que é o que ele está querendo.

O porteiro pensava que ele queria comida, qualquer coisa. Queria isso.

Foram abrir o pacotinho, o pacotinho continha pedaços de unha de São Francisco, que ele mandava de presente para o mendigo. O mendigo ficou encantadíssimo, contentíssimo, que “era precisamente o que ele queria”.

(Sr. Fiuza: Ele dava relíquias dele para os frades.)

Ele em vida.

* Estava preparado uma espécie de assalto geral contra a TFP com base na acusação de idolatria e que, fenecendo, ficou mais ou menos com uma cobra sem dentes

Bom, dirão, com todo fundamento: “Você está muito longe de ser São Francisco de Assis”.

Não tem dúvida nenhuma. Mas isso é uma outra questão. Se vocês tentarem isso, eu não escrevo nenhuma linha, nenhuma letra, para dizer que vocês estão errados. Deixo dizer o que quiser! Eu só não quero que você diga que é contra a doutrina católica o que estou fazendo.

(Dr. Marcos R. Dantas: Santa Teresinha em vida já dizia: “Eu farei uma chuva de rosas”.)

É, há tantos casos que arrebenta.

De maneira que eu não sei o que eles vão fazer. Por enquanto eu sei: eles estão quietos.

(Sr. P. Henrique: […] O Sr. Gilberto Nascimento encontrou‑se com um senhor de Campos, ao qual contou a separação de D. Mayer do senhor. O senhor ficou indignado, disse que vai a Campos perguntar a D. Mayer: “Durante 50 anos V. Excia ensinou que devíamos simpatizar com Dr. Plinio, agora muda. De duas, uma: ou ensinou durante 50 anos o erro, ou está ensinando agora”.)

Agora, o que eu vejo é que estava preparado uma espécie de assalto geral contra nós com base nisso. E que isso fenecendo, o assalto ficou mais ou menos com uma cobra sem dente.

Cobra sem dente é minhoca, não tem importância nenhuma. Assim ficou esse assalto.

Eles vão procurar outra coisa para fazer, mas eu não vejo verdadeiramente o que é que pode ser.

Bom, isso então é o lado estrondo do negócio.

Eu não acho que deixe de haver estrondo; farão um outro estrondo daqui a pouco com uma outra coisa qualquer. Poderiam ter feito com o Paulo Maurício, por exemplo…

(…)

* Várias aspectos da TFP, tais como devoção ao Sr. Dr. Plinio e Sra. Da. Lucilia, ficaram legitimados com o último estrondo

(Dr. Marcos R. Dantas: O senhor sempre ensinou [que] por oposição ao erro a Igreja se definiu melhor e acabou aperfeiçoando suas instituições.)

Até desenvolvendo.

(Dr. Marcos R. Dantas: Não se esperaria que isso acontecesse com a TFP também?)

É, acontece. Porque há uma porção de coisas que havia contra nós, que nós praticávamos, nós mesmos, com um certo receio — sabíamos que era legítimo, do contrário não faríamos, mas não sabendo bem como calçar na doutrina católica — e isso tudo aparece esplendidamente calçado.

Portanto, coisas que seriam para nós perturbadoras em outra ocasião, como, por exemplo, o culto a mamãe, passam a ser as coisas mais naturais que possa haver. E isto legitima muito vários aspectos da TFP. Isso é um aspecto da questão.

Outro aspecto é: com a torrente de má vontade e de inimigos que temos entre nós, nós só podemos pôr isso inteiramente a nu com um pouco de distância e aos poucos, depois desses livros terem circulado e dessa coisa ter embebido o povo. Porque como os hábitos não são esses e o que se tem como doutrina católica não é isso, nós trabalhamos por eles se nós fizermos uma divulgação prematura.

Agora, acho que a TFP sai muito engrandecida e muito prestigiada debaixo desse ponto de vista que você disse.

* Com prudência devemos ir tornando público o que está justificado como coisa privada

Porque amanhã, por exemplo, no rigor desse livro, se puser um quadrinho desses na sede e vier gente rezar diante do quadrinho, ajoelhada, desde que não seja na capela, porque na capela pessoas não canonizadas não podem ser expostas ao público…

(Sr. Poli: Não pode no altar, nas estalas pode.)

(Dr. Marcos R. Dantas: Em vitrais também poderia.)

Poderia. Desde que não seja no altar poderia pôr. Mas, você compreende, é preciso habituar.

(…)

com prudência nós devemos preencher. Quer dizer, tornando público, no nosso procedimento, o que está como coisa privada justificada. Naturalmente tomando com cuidado.

Desde o estrondo ficou compreendido que era legítimo me pedir a bênção, oscular a mão. Não se vai fazer isso em público, porque os costumes são por demais diferentes disso. Mas não se esconde.

Se alguém perguntar, é!

(Sr. M. Navarro: Muito bonito, o Sr. Átila disse pela primeira vez em público, numa reunião no mês passado no Auditório São Miguel. Isso marcou época. Ele disse de passagem: “Pois é, Dr. Plinio, isso foi no dia em que eu pela primeira vez tomei a bênção do senhor, em 1967”.)

(Dr. Marcos R. Dantas: Me disseram que Da. Sílvia, correspondente, osculou a sua mão.)

Marcos, nesses Encontros, quando termina, mil e tantas pessoas vão lá oscular a minha mão.

(Sr. M. Navarro: Sim. Osculam a mão e ajoelham. Já desde o outro Encontro. Teve gente que osculou os pés. Eu vi.)

(Sr. P. Henrique: Quando do estrondo na França e a “Refutation”, um banqueiro disse para Martim Afonso: “Agora vocês estão mais fortes ainda”.)

(Sr. M. Navarro: Eu percebo que há uma aerologia nova depois disso, percebo que possa chegar em Washington — dependendo do contato e com prudência — e dizer: “Dr. Plinio é um homem providencial, guiado pela Providência, nós temos certeza de que ele é um santo”. E com a maior naturalidade.)

Pode. Feito com um certo doigté, é por onde a coisa gradualmente deve andar. Não vou dizer isso de público, porque começa a passar pela ponte uma cavalaria pesada que não tem jeito.

* Devemos ter o vocabulário adestrado para não nos prestarmos a chumbos, pois a TFP não pode viver de esforços em fazer refutações

(Sr. Guerreiro: […] Dizer que o senhor é santo, acho que diminui, devido a conotação da palavra junto ao povo. O senhor é muito mais que um santo!)

(Sr. M. Navarro: […] Tudo fica tão “direitinho” com base no Código do Direito canônico, etc., que haverá risco de ficarmos no relacionamento meramente de um religioso para com seu superior. Por isso mesmo que há o risco de se baixar de nível, de se deixar de ver o lado profético.)

Esse risco está muito bem observado e existe.

Existe um outro também, que é o risco da falta de expressões adequadas para tudo isso.

Por exemplo, o meu caro Guerreiro dizia há pouco: “Dr. Plinio é mais que um santo”. Você compreende que uma pessoa deduziria daí o seguinte: “A Dr. Plinio cabe a hiperdulia”. Vocês vêem bem como isso é uma coisa inconveniente.

(Sr. Guerreiro: Mas santo tem uma aplicação muito diferenciada.)

Quando se diz: “Fulana é uma verdadeira santa”, quando se diz isso, já se sabe que tipo de senhora é: é uma senhora como Mons. Emmery julgaria que deveria ser uma verdadeira santa, quer dizer, heresia branca.

Essa conotação de heresia branca, na linguagem corrente, entrou na palavra santa. Enquanto que no vocabulário teológico não, é a pessoa que praticou em grau heróico as três virtudes teologais e as quatro virtudes cardeais. Isso é o santo.

Agora, você compreende que há algo de verdadeiro no que você disse, há algo de impugnável se nós não tivermos vocabulário adestrado para não nos prestarmos a chumbos. E nós não podemos nos prestar a um outro chumbo, porque não podemos viver de esforços desses.

(Sr. F. Antúnez: E o que o senhor despende nisso, é um prejuízo enorme.)

É.

Afinal de contas, vamos dizer o seguinte: um grupo de homens como nós passa boa parte de uma noitada longa conversando sobre Fedeli, sobre Jarbas, sobre… É uma coisa que não tem…

(Dr. Marcos R. Dantas: Isso não é tempo perdido, porque vai se avançar daqui para frente.)

Isso é diferente. Mas para nós era muito melhor que as nossas explicitações se dessem com o adversário externo do que com o adversário interno.

(Dr. Marcos R. Dantas: Sim, mas o adversário interno está nos obrigando a nos explicitar melhor.)

Isso não tem dúvida nenhuma. Mas se nós tivermos outras ignorâncias de linguagem que levem a outro chumbo, nós vamos ser obrigados a nos explicitar mais ainda, nós vamos perder tempo.

(Dr. Marcos R. Dantas: Daí para frente concordo. Mas o Sr. Fernando Antúnez deu a entender que [não] foi tempo perdido esse livro. Com esse livro circulou um ar fresco, vai‑se poder fazer com mais desembaraço, mais naturalidade a devoção ao senhor e à Sra. Da. Lucilia, que se fazia furtivamente.)

Por exemplo, no meu escritório tem um hall desses, depois uma janela. Ajoelhar, pedir a minha bênção ali, antigamente era uma imprudência insigne. Hoje é uma coisa que se pode fazer sem grande preocupação, porque se alguém vir, a gente pode esfregar o livro no nariz.

Não vale a pena fazer em público. Por exemplo, encontrar no restaurante e fazer isso. Ainda que conhecessem esse capítulo do livro, é uma coisa que…

(Sr. Poli: Mas vai chegar a ocasião.)

Vai chegar até lá. Depende apenas de nós manobrarmos bem. O que ganhemos de terreno com isso é simplesmente fabuloso.

* De tanto fixarmos os olhos no adversário, nos saiu um pouco da vista a Sra. Da. Lucilia

Para ir à segunda parte de sua pergunta: mamãe.

Eu acho que não só o assunto ficou um pouco parado, mas houve qualquer coisa como se perdesse um pouco da atualidade dentro dos acontecimentos, ficou meio fora de foco, quando era um assunto ultra em foco.

Isto poderia ser mais focalizado. Não sou eu que vou focalizar, mas uma vez que vocês perguntam, eu acho isso. E com isso eu respondo à sua pergunta.

Por exemplo, quando eu vi que você e o Poli tinham pergunta sobre isso, fiquei contente. Porque me parece que nós não podemos deixar estagnar isso. De nenhum modo até. E que de tanto fixarmos os olhos no adversário, nos saiu um pouco da vista esse ponto. Isto me parece. Esse é o conjunto da impressão da coisa.

* O clima normal da TFP é de viver entre a aflição e a esperança radiosa, porque profetismo e estabilidade total não são coisas inteiramente compatíveis

(Sr. Poli: […] A Sra. Da. Lucilia e a esperança.)

Eu sou tão cauto nas coisas da TFP. Não há dúvida nenhuma, entretanto, que a TFP vive entre a aflição e a esperança radiosa. É o clima normal da TFP. A TFP numa situação inteiramente definida, estável e incontestável, a TFP perde alguma coisa de sua própria característica profética. O profetismo e a estabilidade total não são coisas inteiramente compatíveis.

E me parece que, portanto, nós, enquanto estivermos peregrinando à espera do Reino de Maria, devemos estar entre uma certa aflição — que de vez em quando cresce muito de ponto, depois assenta de novo — e uma esperança radiosa. Essa esperança é uma certa graça que o recurso a ela comunicava muito. Mas muito.

E isso eu acho absolutamente essencial, porque depois de ter obtido essa vitória, a tendência de uma pessoa é: “Puxa, noutra eu nunca me meto, porque eu nunca pensei que pudesse sair uma coisa como essa. Portanto, agora que sei como é, ‘gato escaldado de água fria tem medo´, eu nunca mais volto a uma coisa dessas. Agora deixe eu ahhh…”.

Deixa de viver da esperança e da confiança, para viver de uma situação legal inteiramente arranjadinha. É o que você aludia há pouco. E isto é uma coisa perigosa.

Então não tenhamos ilusões. Nossa Senhora nos dá distensões, nos dá repouso, eu devo reconhecer que eu aprecio esses repousos e essas distensões superlativamente, mas eu compreendo bem que isso que é uma espécie… para usar a linguagem moderna de que eu não gosto, uma tensão entre a esperança e a aflição, é propriamente o clima profético dentro do qual a gente pede ajuda, a ajuda vem, a gente insiste, a ajuda não vem, mas depois vem, etc., que é o oxigênio de nossas almas. [Vira a fita]

* Perdoar aqueles que atacaram, mas não reintegrá-los ao Grupo

(Sr. M. Navarro: … parece que o Walter de Oliveira já está querendo voltar.)

É. Mas eu já mandei cortar. Não tem conversa.

Se ele vier me falar, dizer: “Dr. Plinio, eu estou reconhecendo”, etc., eu digo: “Walter, fico muito contente, você me dá uma alegria grande com isso. Voltar à TFP você não pode. Porque se você depois de me conhecer tantos anos, admitiu que era possível que eu utilizasse a devoção de Nossa Senhora como um pára-vento para a devoção a mamãe…”.

(Sr. M. Navarro: E precisou do Pe. Vitorino…)

“… para te convencer, você tenha paciência, você não me conheceu, e eu não posso colaborar com você”.

(Sr. P. Henrique: Depois daquelas reuniões que o senhor teve com ele, em que ele foi de uma insolência, uma petulância…)

Sem nome! Perdoar no sentido de dizer que eu peço que Nossa Senhora afaste qualquer castigo dele, desde que seja para a glória da Causa d’Ela afastar, isso eu peço. Eu não desejo mal nenhum a ele. Mas daí a dizer que eu posso reingressá‑lo…

Por exemplo, imaginá‑lo conversando nessa roda aqui, como, por exemplo, D. Mayer, eu não posso. Se ele viesse pedir perdão, eu diria isso: “V. Excia é um bispo…”.

(Sr. Guerreiro: Ele deveria fazer um pedido de penitência público, convocar a imprensa.)

Aí sim.

(Sr. P. Henrique: E creio [que] faria parte da penitência dele não se aproximar, ficar isolado, numa gruta ou floresta.)

O consultar o vate da TFP, não.

Não sei se a resposta está clara.

* A suavidade e a proteção da Sra. Da. Lucilia precisa ser — discretamente, mas ativamente — reativada

Portanto, compete a vocês pedirem a Nossa Senhora, se quiserem por meio de mamãe, que reative o assunto que ficou assim, o assunto que levou um soco.

Não quebrou nada, mas ficou azulado. Não precisa mandar consertar nada, é preciso que o sangue volte àquilo, que a normalidade volte àquilo. O assunto tomou um soco.

Não é dúvida, mas é que na aflição do combate nós perdemos de vista a suavidade da proteção dela. E nos deixamos monopolizar por essa aflição a ponto de perder de vista essa suavidade. Essa suavidade está um pouco longe de nós, como quem diz: “Procure‑nos”.

Procurem‑na”, diria ela. Propriamente é isso.

Isso precisa ser — discretamente, mas ativamente — reativado.

(Sr. Fiuza: […] Isto que o senhor disse, explicita a impressão que tive olhando a fotografia dela: “Eu estou aqui, vou ajudar mais, passou a borrasca…”.)

Isso. E “eu estive presente na borrasca. Vocês não sentiram, mas minha prece entrou para isto”. Coisas desse gênero eu acho que devem estar em nosso espírito. Isso é que se trata de fazer.

* O livro foi o calço para que certas respostas no Encontro abordassem mais a Sra. Da. Lucilia

(Sr. Poli: […] Uma glorificação da Sra. Da. Lucilia antes da “Bagarre”, algo já meio aconteceu no Encontro: ela como instrumento da misericórdia de Nossa Senhora, para ela nos fazer inteiramente do senhor.)

Eu rezei muito para ela durante essa provação. Rezei muito. E discretamente deixei transparecer que estava rezando muito mais do que o costume.

Eu não sei se durante o Encontro esse pensamento estava presente em outros. Eu não notei.

(Sr. Guerreiro: No Encontro, na reunião de sexta-feira, a consonância do auditório com o senhor foi uma graça que só se via no Grupo.)

(Sr. M. Navarro: O ambiente estava melhor que o do Auditório São Miguel.)

Estava muito bom o ambiente.

(Sr. Poli: O senhor disse: “Eu conheci uma senhora que me deu tal conselho”, todos logo atinaram com a Sra. Da. Lucilia e aplaudiram.)

Por exemplo, antes desse livro eu não faria essa referência a mamãe, nunca. Nunca. Eu me esquivaria de dar a resposta que eu dei no auditório. O livro foi o calço para essa resposta.

Agora, o que vocês devem fazer para atualizar isso, isso já é uma outra questão, depende muito do feeling. Por exemplo, já foi um grande passo essa conversa. O resto depende muito do feeling, também das graças que ela conceda, a um conjunto de circunstâncias.

(Sr. P. Henrique: […] Mandar logo a fita para o Sr. João Clá, ele pode ajudar muito no êxito disso.)

Aliás, um dos grandes propulsores disso é ele. Ele fez muita falta no Encontro. Muita falta.

Bem, meus caros, fizemos um périplo grande de assuntos. Se tiverem mais alguma coisa para perguntar, eu estou à vontade, estou à disposição; se não tiverem… não quero retê‑los.

(Sr. Guerreiro: […] Há uns dois anos perguntamos ao senhor se não seria possível se começar a difundir para o público em geral que temos contato com a senhora do quadrinho. Acho que 60 ou 80% do Brasil gostaria do quadrinho. Isso poderia ser uma salvação para este país, que está afundando. O senhor disse…)

(…)

(Dr. Marcos: … e a FUNAI em Brasília nos disse que índio que perambula é dono de tudo, porque as terras aqui eram deles, índios…)

(…)

onda socialista e confiscatória, recomendamos recorrer à intercessão da alma…

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