Conversa de Sábado à Noite – 9/6/84 – Sábado [AC VII - 6/84.6] . 16 de 16

Conversa de Sábado à Noite — 9/6/84 — Sábado [AC VII - 6/84.6]

Para os Apóstolos amarem Nosso Senhor como deviam ter amado, era de importância transcendental formarem uma idéia inteira seu a respeito * Se fizéssemos uma idéia tão exata, quanto podemos e devemos, de como foi Nosso Senhor, teríamos começando a amá-Lo como devemos amar * Um trabalho muito delicado, que sem a ajuda da graça não se faz na alma de nenhum homem — Como aos poucos foi se formando na alma do Sr. Dr. Plinio a noção de Nosso Senhor * Nosso Senhor imaginado por nosso Fundador * As variedades do modo de ser pessoal de Nosso Senhor enquanto andava de um lado para outro, o que mais encantava nosso Fundador * Um paternal puxão de orelhas aos Êremos pela última cerimônia não estar na altura que costuma ter: “Essas baixas de tono são imponderáveis, nem sempre a gente sabe dizer no que estão, mas não se pode permitir que continuem a baixar” * O Sr. Dr. Plinio põe os eremitas a par do término do trabalho contra o Mutuca * Filhos se levantam para defender o pai num livro de setecentas páginas * Como o Sr. Dr. Plinio fará a edição mimeografada chegar às mãos de D. Mayer e Mutuca * Devoção a Nossa Senhora e Nosso Senhor, uma devoção insincera para ocultar o culto ao Sr. Dr. Plinio e à Sra. Da. Lucilia, o ponto central da acusação do Mutuca * Culto cívico e culto religioso, duas formas de culto * Teólogo espanhol afirmando que culto privado prestado a quem não está canonizado é um meio de promover sua canonização faz cair o centro da argumentação de Fedeli * O desejo do Sr. Dr. Plinio de que os Êremos façam uma bonita cerimônia de lançamento do trabalho * Razões para apressar a divulgação da refutação

Então, meus caros? Quais são as perguntas?

* Para os Apóstolos amarem Nosso Senhor como deviam ter amado, era de importância transcendental formarem uma idéia inteira seu a respeito

(Sr. –: Como o senhor imagina que seria o amor de um apóstolo fiel seguindo a Nosso Senhor na Paixão, e qual seria o horror deste apóstolo e a increpação que ele faria diante de outros apóstolos que ao seu lado estivessem comendo pipoca?)

Está bom. Está uma boa pergunta.

Eu vou fazer uma pergunta muito mais baixa: onde está o meu lanche? Eu realmente terminei mais cedo um pouquinho a Bécassine. Eu podia ter dado uns dois quadros mais, mas é que eu estava com uma fome, uma… coisa mortal! Mandei o Gugelmin acelerar a marcha, para chegar mais depressa, para poder… Porque eu não calculei bem o que comia, comi muito pouco, e já estou varado de fome…

Vamos entrar no nosso tema.

Há uma coisa que, para nós entendermos bem todo esse problema, é muito delicada, é inesgotável, é inexaurível. É, aliás, muito ligada com a graça de Pentecostes, que nós amanhã vamos celebrar. E é a seguinte:

Aqueles Apóstolos e todas aquelas pessoas que tinham o convívio com Nosso Senhor — exceto naturalmente Nossa Senhora —, a gente percebe que eles não tinham entendido bem a Nosso Senhor.

Não que eles tivessem entendido errado, atribuindo a Nosso Senhor coisas que Nosso Senhor não tinha. Parece que com o curso do tempo, depois de equívocos primeiros, etc., eles acabaram pelo menos não formando idéias erradas a respeito de d’Ele. Parece, não tenho certeza.

Mas o que não se vê… vê‑se o contrário: é que eles não tenham formado uma idéia inteira a respeito d’Ele, exatamente como era a pessoa d’Ele. E isto era de uma importância transcendental para eles amarem a Nosso Senhor como deviam ter amado.

Quer dizer, se eles tivessem amado como deviam, eles teriam compreendido como podiam. Eles compreenderam menos do que podiam. Se eles tivessem compreendido como podiam, teriam amado como deviam.

Assim [é] o jogo entre o amor e a compreensão. E eles não tiveram esse amor assim.

Bem, o resultado é que os senhores vêem que custou para eles reconhecerem a Nosso Senhor como Deus. Nosso Senhor perguntou a eles: “E vós, o que dizeis que é o Filho do Homem?”. Aí São Pedro disse que Ele era Filho de Deus. E Ele manifestou seu agrado com São Pedro, constituindo a São Pedro fundamento da Igreja, instituindo o Papado, etc.

Pelo o que me parece, eles nesta ocasião reconheceram a Nosso Senhor Jesus Cristo como Filho de Deus. Mas antes… eles não responderam nada quando Nosso Senhor falou.

* Se fizéssemos uma idéia tão exata, quanto podemos e devemos, de como foi Nosso Senhor, teríamos começando a amá‑Lo como devemos amar

Agora, eu vinha pensando nisso no automóvel, quando vinha quieto do Buissonets para cá, e vinha pensando nisso. O senhores… Quem é Nosso Senhor Jesus Cristo?

Os senhores façam idéia disso:

Ele forma com o Verbo de Deus uma só pessoa. Não há duas pessoas, o homem e o Deus, o Verbo de Deus, ligados de algum modo. Não é, isso não. É uma só pessoa. É uma pessoa que tem duas naturezas: natureza divina, e tem a natureza humana.

Há, portanto, nEle uma verdadeira alma, um verdadeiro corpo, que estão unidos como a alma e o corpo estão unidos entre nós. Mas essa alma e esse corpo estão unidos hipostaticamente — quer dizer, por debaixo, “hipo” quer dizer por debaixo — a uma segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e forma com a segunda Pessoa da Santíssima Trindade uma só pessoa.

Agora, o resultado é o seguinte: cada vez que Ele falava, era o Verbo de Deus que falava. Cada vez que Ele olhava, era o Verbo de Deus que olhava. Cada vez que Ele fazia qualquer gesto, era reflexo na natureza humana mais perfeito que se possa imaginar, da natureza divina.

Portanto, manifestava uma santidade, uma perfeição, uma superioridade, da qual nós não podemos ter uma idéia, nem sequer remota… se não nos ajudar a graça de Deus. Com a ajuda da graça de Deus, a gente pode fazer uma idéia.

Se nós fizéssemos uma idéia tão exata, quanto podemos e devemos, de como foi Ele, nós aí teríamos começando a amá‑Lo como devemos amar.

A voz d’Ele, os olhares d’Ele, os gestos… que espelho do que era a Santíssima Trindade! Nós precisamos reconstituir um pouco disso, para nós amarmos a Ele como Ele merece ser amado, e não haver equívoco: não amarmos como Ele não foi. Porque se o amarmos como Ele não foi, acabaríamos um pouco amando quem Ele não foi. E os senhores compreendem o perigo disso.

* Um trabalho muito delicado, que sem a ajuda da graça não se faz na alma de nenhum homem — Como aos poucos foi se formando na alma do Sr. Dr. Plinio a noção de Nosso Senhor

Bom, esse é um trabalho que é muito delicado. E se não fosse com a ajuda da graça, não se faria na alma de nenhum homem. Porque, primeiro, é muito mais alto do que a cogitação de qualquer homem, não cabe. Depois, em segundo lugar, além desse problema da cogitação de qualquer homem, é que seria preciso utilizar dados muito imponderáveis. Ser um psicólogo do outro mundo, para recompor.

Naturalmente não se pode exigir isso de uma pessoa como condição da salvação.

Então, por causa disso, eu tenho impressão — sem poder fazer propriamente uma afirmação — de que com o Batismo e com as primeiras impressões religiosas, é dado à gente uma certa primeira noção d’Ele, que vai se aprimorando, nós vamos formando dentro de nós.

Por exemplo, eu posso me lembrar de como foi se formando aos poucos na minha própria alma. E o que pode servir aos senhores para tentarem como foi formado na alma dos senhores.

Graças a Deus, como todo mundo, eu tomei como ponto de partida que a fisionomia que as imagens d’Ele habitualmente apresentam, era uma fisionomia fiel, e que era aquela a cara que Ele teve em vida, na vida terrena. E que, portanto, aquela cara já queria dizer alguma coisa.

* Dado a examinar as pessoas pelo rosto, instintivamente examinava longamente a fisionomia de Nosso Senhor pelas suas imagens, perguntando-se se os episódios narrados condiziam com aquilo que imaginava da sua mentalidade

Eu me lembro que, dado a examinar as pessoas pelo rosto, eu instintivamente examinava longamente a fisionomia d’Ele. Sobretudo naquela imagenzinha do Sagrado Coração de Jesus que tem no Oratório do quarto de mamãe.

Longamente, atentamente, medicamente — quanto possa caber numa criança — eu examinava. E isso condizia com a imagem que há na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, condizia com a imagem que há no teto da Igreja do Sagrado Coração de Jesus também, e formava assim uma resultante, uma espécie de figura central, que era o essencial destas várias imagens, e como eu imaginava mais ou menos a Ele.

Então vinham os episódios da vida d’Ele, e eu procurava me perguntar se aqueles episódios eram episódios que condiziam, que estavam de acordo com aquilo que eu imaginava da mentalidade d’Ele. E eu percebia que não só estavam de acordo, mas que os episódios tomavam um realce extraordinário, imaginando os predicados por aquele Varão, com aquele rosto e com aquela atitude. Aquele rosto explicava o episódio, o episódio explicava o rosto. E que eu mensita, portanto, na verdadeira pista de entender como Ele era.

Depois eu procurava também ver na Igreja: dado que Ele fez uma tal obra, e dado que Ele tinha também fisionomia e que, portanto, devia ter tal personalidade, Ele se tivesse que fazer a Igreja, tela‑ia feito como Ela é? E eu chegava à conclusão que sim, que era inteiramente o que Ele devia fazer.

De onde, então, uma confirmação da Fé originária. Pela bondade de Nossa Senhora, Ela me obteve isso, como a todo mundo, de obter a Fé logo que é batizado. Nós nos tornamos templo do Espírito Santo, a graça habita em nós, etc., então isso ajuda enormemente para a formação religiosa vista como um todo. Agora, isso, por sua vez, ajuda ao amor. E esse amor, por sua vez, ajuda a conhecer melhor. E forma assim uma ação, num sentido ou noutro, que ajuda a compreendê‑Lo bem.

Eu não sei se eu… para essa hora da noite é muito árido o que eu estou dizendo? Mas a questão é que eu tenho obrigação de responder direito a uma pergunta sobre uma matéria desta importância. Eu não posso responder levemente, tenho que responder a fundo a pergunta.

* Nosso Senhor imaginado por nosso Fundador

Agora, como é que eu O imagino? Viria talvez a propósito dizer isto.

Antes de tudo e mais nada, uma pessoa… a impressão que Ele me fazia — e me faz — para ver a humanidade d’Ele santíssima, é de umas cogitações enormemente superiores a tudo que a gente podia imaginar, e de uma elevação, de uma altura que não teria proporção com nada. Mas sem a gente poder chegar com o pensamento nem de longe até onde Ele chegava, alguma luz desse pensamento fazia brilhar nEle, e a gente como que via a alma d’Ele inundada destas luzes de que Ele estava cheio.

Seria mais ou menos como um homem que não pode entrar numa Igreja, mas vê do lado de fora que a Igreja está acesa dentro.

Ele vê, portanto, os vitrais — pelo lado de que ele está, fora — acesos à noite. Ele se aproxima, ele ouve a música. Ele se aproxima ainda mais, o perfume do incenso chega ao seu olfato. Ele se encanta com a catedral, onde ele não entra. Os sinais da catedral o fazem perceber algo da beleza da catedral!

Assim seria nós — ao menos eu — com Ele. É perceber por aí qualquer coisa de uma elevação prodigiosa, mas desde o primeiro momento, desde o ponto mais fundo onde eu o poderia compreender, com essa característica de uma fusão harmoniosa, em nível indizivelmente alto, das virtudes mais opostas, formando uma harmonia extraordinária.

* Uma harmonia em virtudes tão opostas

De maneira que, por exemplo, uma força incomparável, mas de uma bondade, uma doçura incomparável também. Uma severidade inquebrantável, mas ao mesmo tempo um perdão de uma doçura sem fim. Uma superioridade divina, mas ao mesmo tempo uma possibilidade de descer até a ultima pessoa. Já não digo à ultima pessoa, mas ao cachorrinho da Marquesa de Grand´Air e fazer um benefício qualquer a esse cachorrinho.

Eu estou certo de que se o cachorrinho se aproximasse d’Ele, se alegraria com isso. Eu estou certo deste fato.

Bem, isto tudo indica a superioridade maravilhosa d’Ele — mas a harmonia d’Ele e a imensidade d’Ele para virtudes tão opostas levadas a um grau — caberem nEle com tanta harmonia.

Se essa harmonia devesse ser traduzida em sons, se eu imaginasse um piano, não era as notas de piano das duas extremidades do piano que o simbolizariam melhor, mas as notas do centro do piano, porque de algum modo contêm todas as extremidades do piano.

Um poder de tranqüilizar incomparável. Mas, de outro lado também, um poder de mover para a luta e para a batalha, incomparável!

Aí os senhores imaginem tudo se unindo e formando uma harmonia. Nessa harmonia estaria exatamente o que melhor o meu olhar pudesse pegar na natureza humana d’Ele, como transparência da divindade, da graça transparecendo nEle.

Agora, com isso também, e por isso, muita gravidade. Uma seriedade enorme! Impossível não é só vê‑Lo dizer algo que não seja muito elevado. Não é isso, não. É vê‑Lo dizer algo atrás do qual não haja uma elevação infinita. Imaginá‑Lo dizendo uma coisa banal, nem pensar! Isso é completamente excluído, não pode nem passar pela cabeça. Mas mesmo a Ele dizendo algo que não esteja por detrás uma coisa infinitamente perfeita, não tem.

E, realmente, os senhores tomem no Evangelho, tudo o que Ele falou, nas primeiras palavras já toma um tamanho que não se sabe como é.

* A natureza humana na sua perfeição, inundada pela união hipostática, com favores divinos insondáveis

Por causa disso também, mesmo quando Ele dormia — é certo que Ele dormia, o Evangelho conta —, o sono d’Ele [era] um arqui‑sono! De uma perfeição, de um equilíbrio, de uma doçura, de uma força, de um poder de manifestação, de toda santidade d’Ele tal, que se uma pessoa que entendesse quem Ele era e como Ele era se pudesse apenas passar uma noite inteira vendo‑O dormir, daria esta noite como a mais feliz de sua vida.

Uma outra coisa.

Ele tinha a natureza humana na sua perfeição, e inundada pela união hipostática, com favores divinos, insondáveis. Portanto, Ele olhando para cada um de nós, conhecia inteiramente como era.

Como Ele com o olhar sabia tratar a cada um! De tal maneira que, conforme Ele quisesse, um se sentia visto até o fim da alma nos lados ruins, ou se sentia visto até o fim da alma nos lados bons.

Os lados ruins, com uma rejeição, por onde o indivíduo teria vontade de fugir do seu próprio pecado. Pelo lado bom, com uma atração tal, que o indivíduo teria vontade de multiplicar por cem quinquilhões a sua virtude, logo de cara! Mas por uma bondosa condescendência para com os homens, não olhando inteiramente de um jeito nem inteiramente de outro, a não ser nas situações excepcionais, para os homens poderem viver ao lado d’Ele.

Assim, mil coisas…

Bem, e as graças de Pentecostes nos ajudam a ver isso ainda melhor. E aí vem a alegria de nossa vida.

Não sei se está claro isso, ou não está.

(Todos: Sim.)

* As variedades do modo de ser pessoal de Nosso Senhor enquanto andava de um lado para outro, o que mais encantava nosso Fundador

Bem, então me façam mais uma pergunta.

(Sr. Nelson Tadeu: O senhor relacionava a humanidade de Nosso Senhor com certos fatos do Evangelho. Não sei se o senhor poderia falar um pouquinho mais longamente a respeito disso.)

Cada um aqui tem um modo de ser próprio, não é? No meu modo de ser, está… é uma coisa difícil de exprimir. O senhor pergunta, eu tenho que dizer como é. Pode parecer meio rebuscado, mas, enfim, eu tenho que dizer como é.

Os episódios da vida d’Ele são todos episódios maravilhosos. Mas não me impressiona tanto este episódio, aquele e aquele outro, quanto as variedades do modo de ser pessoal d’Ele, enquanto Ele andava de um lado para outro.

De maneira que, por exemplo, a majestade — toda vida me impressionou isso — com que Ele diante do Sepulcro de Lázaro… Primeiro a bondade com a qual Ele chora junto ao sepulcro, porque Lázaro morreu. E depois como que não podendo conter a sua própria dor, brada: “Lázaro, sai daí!”, com um brado que eu imagino majestoso e fendendo a sepultura! E a vida volta em Lázaro.

É uma coisa majestosa.

Imaginá‑Lo recebendo a censura de Madalena: “Senhor, ele já cheira mal, há quatro dias que está na sepultura. Se Vós tivésseis vindo antes, ele não teria morrido…”. É, portanto, uma censura. E estava insinuando — ao menos me parece que ela insinuava ali — que pela relação de amizade que havia entre os dois, Ele tinha obrigação de ter salvo Lázaro da morte. E talvez tivesse mesmo. Só que Ele deu algo melhor do que salvá‑lo da morte, foi tirá‑lo da morte!

Bem, mas naquele momento talvez Ele, que era Ele, tivesse parecido a Madalena ligeiramente tisnado de culpa… E como é que Ele se portou nessa ocasião, em que Ele não deu a ela nenhuma justificação? Foi para a sepultura, e quase pareceu justificar a censura, chorando. Quer dizer: “Realmente, então, meu amigo?”…

Então, por que deixou morrer? Por que não veio mais cedo? Ela Lhe disse que Vós poderíeis ter salvo a ele. Vós chorais a morte que podíeis ter evitado? Que pranto é este Vosso?”

Não sei se eu estou claro.

Ele faz Lázaro ressuscitar. Madalena… bem, não há o que dizer, não é? Essas coisas não têm comentário, não é?

A cena dos fariseus dizendo: “Ele precisa ser morto!”.

O senhor sabe que a primeira vez que eles falaram em matar a Nosso Senhor foi quando eles viram Lázaro ser ressuscitado. Eles falaram que precisavam matar. E Ele sabia tudo isso.

O senhor pode imaginar bem Ele vendo Madalena, com certeza inclinada diante d’Ele, prostrada diante d’Ele, chorando com emoção dulcíssima — foi com certeza o que se deu — e Ele atendê‑la como quem diz:”Minha filha, eu lhe perdôo. Você deveria ter compreendido que eu não tenho falta! Mas, mas… eu lhe dei um dom que você não esperava”.

Depois passar perto dos fariseus e dar um olhar… Que olhar! São coisas do outro mundo! Não se imagina, a pessoa não imagina. Podemos ter vislumbres disso.

Então, essa sucessão de atitudes d’Ele, Ele indo a Betânia descansar… alguém é mais adorável do que Ele imaginando‑O descansando afável — eu não poderia dizer distendido, porque Ele não se tendia —, repousando no convívio com Marta, com Maria, com Lázaro, com os Apóstolos, com Nossa Senhora, certamente na vida cotidiana ou um palácio, como era a residência de Lázaro, recebendo as honras, conversando na intimidade, etc.? Como tudo isso seria Ele se consolado de tanta infâmia, ao ver o que havia de maravilhoso naquelas almas que Ele estava formando na virtude. É uma coisa maravilhosa.

Tudo isso junto, as várias atitudes d’Ele se sucedendo, sobretudo no momento de passar de uma posição para outra, me deixam especialmente encantado.

Está claro?

(Todos: Sim)

* Um paternal puxão de orelhas aos Êremos pela última cerimônia não estar na altura que costuma ter: “Essas baixas de tono são imponderáveis, nem sempre a gente sabe dizer no que estão, mas não se pode permitir que continuem a baixar”

Meus caros, agora eu não vou produzir encantamento em ninguém que está na sala. Não é porque eu vá me retirar, mas é porque eu vou ficar. Eu devo pedir a uns que saiam, e a outros que fiquem. Os que não forem dos dois êremos, eu devo pedir que saiam.

Não é agradável. Vieram de tão longe a essa hora da noite, meu conspícuo Edwaldo, meu querido Poli e outros, e eu devo pedir que saiam. Não é agradável.

Eu devo pedir que fiquem os dos dois êremos, porque eu tenho um puxãozinho de orelha a dar… Também não é agradável… Portanto vou desagradar a todos. O que é que eu posso fazer?

É incorrer no desagrado de uns e de outros, para o serviço de Nossa Senhora. E assim, vamos andando!

Fechem bem as janelas… Está tudo bem fechado?

Meus filhos, eu tenho realmente um puxãozinho de orelhas a dar. Eu não tenho só um puxãozinho de orelha a dar, eu tenho outra coisa a falar também. Quando eu tenho que dar um puxão de orelha, eu não digo que é só um puxão de orelha, eu não minto fazendo alguma coisa além de dar um puxão de orelha.

Eu vou então agora dar o puxão de orelha, e depois tratar de outro assunto. Mas eu queria saber se todo mundo que está aqui pertence aos Êremos São Bento e Praesto Sum, ou tem alguém de fora. Ao menos como estagiário.

(Sr. –: Estagiário tem.)

Pode ficar. Então, a coisa é a seguinte, o puxão de orelha:

A missa do aniversário do meu batizado foi uma atenção muito delicada, muito boa, falarem nisso, gostei muito, etc., não tem dúvida. Mas a mim me pareceu que algo no tônus da nossa participação não estava na altura que costuma ter. E essas baixas de tono são imponderáveis, nem sempre a gente sabe dizer no que estão, mas não se pode permitir que continuem a baixar.

Se estivesse aqui o meu João, eu diria a ele, os senhores nem saberiam que eu percebi qualquer coisa. Mas não estando aqui o João Clá, em vez de eu falar simplesmente com o Encarregado de Disciplina, me pareceu melhor falar pessoalmente.

Certas coisas como, por exemplo, na hora de me ser apresentado aquela coisa com a lembrança das orações que eu devo rezar, não se acendeu a luz, alguns entraram atrasados para a cerimônia, alguns dos que entraram, sem missal… Essas coisas não são a tradição do São Bento e do Praesto Sum… e representam uma baixa que não pode absolutamente ser.

Mas como nosso João Clá, se Deus quiser, não demora, ele vindo, ele trata disso com os senhores melhor, e eu posso passar para outro assunto.

* O Sr. Dr. Plinio põe os eremitas a par do término do trabalho contra o Mutuca

Outro assunto é o seguinte:

Levantem a mão aqui os que não têm voto de obediência. São uns nove ou dez. Eu quero que os que não têm voto assumam o compromisso sub gravi de não dizer o que eu vou contar, a não ser quando os fatos se tornarem públicos.

Os fatos quais são? Eu comunico aos senhores em segredo operacional, porque os senhores vão ter uma operação dentro do fato, e é por isso que eu os comunico, antes de comunicar a quase todo mundo dentro do Grupo.

Eu volto a dizer: quase só tem conhecimento disso os que têm alguma ligação operacional com o que está se fazendo.

Graças a Deus está preparada e está a ponto de estar terminada a nossa… Eu não quero brado, nem ós, nem nada, porque pode dar a entender aos que estão fora que está se tratando de outra matéria. Não se compreende que os senhores recebam um puxão de orelha, com uma ovação de alegria. Portanto, silêncio.

Mas está preparada a nossa contra‑ofensiva contra o Mutuca e as coisas que ele está preparando. O que se fez, se fez de um modo espontâneo, e do modo mais decoroso possível para a dignidade da TFP e pessoalmente minha. Não me ficava bem eu responder àquelas cartas. Quer dizer, os senhores não estão me vendo escrever a um livro, para responder àquelas cartas.

Por outro lado, há uma tal quantidade de difamações dentro daquilo, que alguém tinha que desmentir aquilo. E duas pessoas, três pessoas dentro da TFP se abalaram, ou quatro pessoas dentro da TFP se abalaram a títulos diversos a fazer isso, de maneira que se pode dizer que eu não sou autor da réplica que está pronta. Eu sou a pessoa defendida, não sou o defensor. Filhos meus se levantaram, empunharam o gládio e me defenderam.

* Filhos se levantam para defender o pai num livro de setecentas páginas

Como é que se passou isso?

O Sr. Átila escreveu-me uma longa carta, espontânea, fazendo análise da carta do Fedeli, e debaixo de todos os pontos de vista desmontando o que tem de teológico, debaixo do ponto de vista da doutrina católica, debaixo de todos os pontos de vista, fazendo uma refutação cabal daquilo.

Isso passou pelas mãos do Dr. Borelli, que é um eximíssimo revisor. O Dr. Borelli, tendo um feitio de espírito um tanto diferente do do Sr. Átila, mexeu e remexeu alguma parte e depois mostrou ao Sr. Átila. Mas isso levou muito meses de trabalho, com consultas a livros, pontos de doutrina, uma trabalheira enorme!

De um modo espontâneo, o Sr. Gustavo Solimeo ofereceu a escrever a refutação, daquele parecer de D. Mayer a respeito da Ladainha de mamãe. E fez também uma refutação primorosa.

E de um modo também espontâneo, os senhores sabem bem, o meu caro João captou todo o serviço magnifico de coleta e ordenação de textos, que constituem então duas partes inteiramente diferentes no livro.

Uma é a Parte I, que é a refutação das doutrinas do Fedeli e é também… vamos dizer, Parte I‑A é a refutação das doutrinações do Fedeli; parte I‑B, a refutação do parecer de D. Mayer. Depois, Parte II, pelo exemplo das vidas dos Santos, provar que as ações que nos recriminaram são ações santas, diretas, confirmadas pela Doutrina Católica, etc.

Bem, isso forma no total um livro de setecentas páginas.

O Dr. Borelli ainda escreveu, a pedido meu, aí uma sugestão minha, um posfácio. Quer dizer, uma vez que tudo isso fica provado, então, por esses e aqueles argumentos e doutrinas, o que dizer do conjunto da situação? Quer dizer, como é que a situação se põe?

E o nosso querido e admirável João levou esse livro para a Espanha. Ele fez duas viagens à Espanha, como os senhores tiveram ocasião de ver, e fez aprovar sucessivamente a primeira parte desse livro, por um teólogo chamado Alonso Moran, se não me engano… Como é?

(Sr. Fernando Antúnez: Aprovação pelo Pe. Vitorino … O Pe. Arturo Alonso aprovou textos.)

Pois é, trechos. O livro não. Mas o Pe. Arturo Alonso Lobo, que é um insigne dominicano, professor de Salamanca, fama mundial, etc., fez umas três ou quatro consultas sobre os pontos muito importantes. Essas consultas, aliás, foram aproveitadas, foram introduzidas pelo Dr. Borelli, dentro da refutação do Dr. Átila.

Depois ele levou o conjunto do livro para um Pe. Vitorino Rodrigues, também um egrégio dominicano, com fama internacional, dezenas de livros publicados. E ambos deram parecer escrito de acordo com a nossa posição!

Mas o parecer já está conosco. E tudo feito com tal cuidado, que as folhas todas do livro estão numeradas e rubricadas por ele, e a firma dele reconhecida em tabelião. De maneira que não tem conversa.

E diante de um teólogo de fama universal como este… são dois teólogos: um aprovou o livro inteiro, Pe. Vitorino Rodrigues; outro aprovou alguns pontos fundamentais do livro, Pe. Arturo Alonso Lobo. Então, diante disso, todo o raciocínio de D. Mayer e Orlando Fedeli, etc., desaparece, pulveriza, deixa de existir, se desintegra pelo ar.

Isso é o que propriamente se dá.

Para nós, brasileiros, isso é de uma importância enorme, porque nós temos preguiça de acompanhar raciocínios muito comprimidos. Mas [não] o que vem assim de brucutu e afirma: “Não, olha lá, o Pe. Vitorino já disse”, etc. Então, junto com o livro, deve vir também uma biografia, um curriculum vitae dos dois padres. De maneira tal que a pessoa já vê, tapa a boca completamente!

* Como o Sr. Dr. Plinio fará a edição mimeografada chegar às mãos de D. Mayer e Mutuca

Esses livros devem ser mimeografados e devem ser depois… Nós, de imediato, não vamos publicar livro na imprensa — era dar a eles, sobretudo ao Fedeli, um realce que ele não merece — e imprimir o livro. Nós fazemos uma edição mimeografada, que, aliás, eu não vou mandar a D. Mayer, nem vou mandar ao Fedeli, porque não merecem. Mas eu farei chegar às mãos deles.

Quer dizer, como é que eu farei para chegar às mãos do D. Mayer, que é o que de longe importa mais do que o Fedeli, porque D. Mayer pelo menos é Bispo, Fedefi não é nada?

O que eu pretendo arranjar com isso?

Eu pretendo, já está combinado com o Pe. Olavo, que no dia em que essas coisas estão sendo mimeografadas, no dia em que esteja tudo pronto, etc., um ou dois dias antes… não, no dia em que estiver pronto e mimeografado, vai um portador para Miracema, e leva para o Pe. Olavo e para os amigos dele exemplares desse livro. Mas com sobras, de maneira a eles distribuírem a alguns padres da diocese de Campos que são simpáticos a nós, embora sejam diretamente do grupo deles, e aos padres amigos. Os senhores compreendem que… dez minutos depois D. Mayer tem vários exemplares na mão.

Os senhores dirão: “O senhor está incoerente com o que disse à tarde. O senhor foi à tarde tão respeitoso com ele e agora procede assim…”.

Acho que nenhum dos senhores quer uma explicação. Pode se passar por cima e está acabado.

Agora, com o Fedeli como é que eu pretendo fazer?

O Válter de Oliveira mandou‑me uma carta de cem páginas — carta de cem páginas! — mostrando‑me os pontos em que ele não estava de acordo, apesar daquelas conversas, etc. Eu mandei dizer a ele que eu estava respondendo a carta dele. E até agora não respondi. Eu vou escrever um bilhete a ele dizendo: “Aqui você tem a resposta às perguntas que você me fez em sua carta. Não creio que seja necessário eu ter outra interlocução com você do que essa. Porque se em tão longas reuniões e um tão longo trabalho eu não chegar a lhe convencer, eu não tenho esperança de lhe convencer mais. Fique com esse livro aqui, vai para você”.

Compreendem, ele telefona para o Fedeli na mesma hora, o Fedeli no mesmo dia tem. De maneira que eles ficam sabendo, e vamos ver qual é a atitude que eles tomam.

Se eles forem a público, nós saímos a público. Se eles não forem a público, a coisa liquida como ela está. Mas nós não temos medo, nós temos a nossa posição tomada! [Vira a Fita]

Consta por vários lados que o Fedeli está procurando apontamentos sobre a TFP para escrever um livro contra a TFP, que era a TFP conhecida por dentro, e que esse livro ele pretende jogar contra nós.

É que eu não sei… esse livro que ele escrevesse, ele tem que saber desde já que esse livro é um livro que seria muito aprovado pelo quarto e quinto poderes, e que a zoeira do quarto e quinto poderes poderiam nos dar trabalho e até despesas para nós pormos os pingos nos is.

Mas levando essa bombarda na cabeça, os senhores compreendem que não vai ser fácil ele escrever o livro dele. Porque ele vai ter que antes de tudo explicar como é que ele escreveu essas cartas recheadas de erros contra a Doutrina Católica, e erros que são acusações pessoais… É evidente.

Agora, então, para frente.

* Devoção a Nossa Senhora e Nosso Senhor, uma devoção insincera para ocultar o culto ao Sr. Dr. Plinio e à Sra. Da. Lucilia, o ponto central da acusação do Mutuca

Mais ou menos como é que é esse livro?

Os senhores examinando as três cartas do Fedeli, os senhores notam que o ponto central, tudo gira em torno do seguinte:

O comum do povo brasileiro — eu tenho impressão que os povos sul‑americanos em geral, talvez norte‑americanos, não sei, mas o povo brasileiro ao menos é assim — tem uma idéia muito errada, muito imprecisa do que é culto. E ele explora essa idéia — talvez ele mesmo tivesse essa idéia errada quando escreveu — acusando a TFP de promover um culto a mamãe e a mim. Essa é a primeira acusação.

A segunda acusação é mais grave do que a primeira: Nossa Senhora seria utilizada como um para‑vento para esse culto; nossa devoção a Nossa Senhora e a Nosso Senhor Jesus Cristo não seria sincera, mas apenas para ocultar esse culto. Isso é, de longe, o mais grave.

E ele dá como prova disso fatos de que ele deve ter provavelmente prova, porque são fatos comuns. Quer dizer, ele dá uma porção de fatos que, segundo a linguagem católica, constituem ato de culto. Porque aqui está o imbróglio.

Vamos dizer, por exemplo, os senhores me oscularem a mão, constitui ato de culto. Os senhores tocarem objetos em mim, constitui ato de culto. Enfim, essas homenagens todas que os senhores me prestam.

Consta‑me por aí que os senhores… Eu soube, por exemplo, outro dia [que] fui a Amparo, fui ao barbeiro, mandei cortar o cabelo, dormi enquanto cortava o cabelo, e um mês e tanto depois eu soube que dois filhos meus — para usar a linguagem das proclamações — que estavam me acompanhando, diante de todo mundo do salão do barbeiro, apanharam os cabelos que caíram no chão e levaram para casa. Isso é um ato de culto.

Agora, vejam — os senhores estão um pouco cansados — a confusão que se estabelece.

Para o comum das pessoas, ato de culto é uma pessoa sentar‑se aqui, acender vela aqui, e começar a rezar para a pessoa. Então, fazer um ato de culto para mim, seria se acendessem vela aqui e aqui, pusessem um altar na frente, ou eu me sentar no altar, e os senhores começarem: “Dr. Plinio, perepépé…”. Isso seria ato de culto.

Bem, esse ato de culto é um ato contrário à Doutrina Católica, é um ato louco. Nunca se praticou, é um ato evidentemente louco.

Mas segundo a linguagem dos teólogos, ato de culto não é isso. É isto, mas é muito mais do que isto.

* Culto cívico e culto religioso, duas formas de culto

Há duas formas de culto.

Culto é a manifestação de admiração ou respeito que se presta a alguém, por qualidade que a pessoa tem, ou por cargo que ocupa. Então há duas espécies de culto: o culto cívico que se presta ao chefe de Estado, às autoridades, à bandeira do País, às insígnias do País, etc., é o culto cívico; [e o culto religioso].

O culto religioso é a manifestação de respeito que se tem a alguma pessoa por um particular nexo que ela tem com a religião, ou por que ela recebeu as ordens sagradas. Então se reverencia, ajoelha, beija a mão, enfim, as outras manifestações de respeito. Em algumas ordens Religiosas osculam‑se os pés do superior — osculava‑se até o começo deste século —, os pés do Papa, etc.

Isso é um ato de culto, por ser uma pessoa sagrada, ou com as pessoas que a gente imagina que têm santidade, ou que têm realmente, ou a tiveram mesmo,

Os atos que a gente presta de veneração — então, encostar coisas, taratátátá — são também atos de culto. E este culto não é proibido.

Vem, então, exuberantemente provado, por razões teológicas, por razões históricas, etc., que esse tipo de culto é permitido, sempre foi praticado pela Igreja, é a coisa mais natural que há no mundo, etc. Isto vem então, quer o Pe. Alonso, quer o Pe. Vitorino, provam exuberantemente isso, com uma linguagem teológica rica, suculenta, etc.

De onde as provas que ele tem não provam nada, porque provam atos permitidos.

Não sei se está claro isso.

(Todos: Sim.)

Ele me fala que ele tem duzentas provas. Eu sempre quis ver estas provas que eu não consegui ver. Eu pedi mesmo ao Sr. Enrietti que pedisse aos senhores pais dele que mostrasse as provas. Eles mostraram uma coisa tão sem nexo com isso, que nem tem nada.

Eu acredito que eles tenham… duzentas eu não acredito, mas umas cem provas de que existam coisas, é… a todo momento, mas a todo momento! Ele envenena certas coisas.

Quando os senhores se põem de joelho enquanto eu falo, ele diz que quer dizer que os senhores estão rezando para mim. O que é uma mentira tão manifestada, que é melhor não perder tempo falando. Vamos para frente.

* Teólogo espanhol afirmando que culto privado prestado a quem não está canonizado é um meio de promover sua canonização faz cair o centro da argumentação de Fedeli

Agora, a construção do livro dele era assim, como ele diz: “Ato de culto é proibido. Ora, eles prestam culto ao Dr. Plinio, porque tais coisas assim são culto, logo eles estão fazendo uma coisa sacrílega. Prestam culto à Da. Lucilia, porque tais coisas assim são culto. Ela morreu e não está canonizada, e só a pessoas canonizadas ou beatificadas se presta culto, então é proibido”.

Nós damos a resposta:

Culto não é só isso. Há uma distinção na Igreja entre culto público e culto privado. O culto público é o culto que a Igreja presta em cerimônias oficiais d’Ela, Igreja, a pessoas que morreram e que estão canonizadas ou beatificadas. É pecado gravíssimo fazer ato de culto público a pessoas não beatificadas nem canonizadas. É evidente!

Mas o culto público precisa de três qualidades: ser feito em nome da Igreja, por um ministro da Igreja e num local sagrado. Não coincidindo essas três circunstâncias, não há culto público.

É evidente que a homenagem que se presta no cemitério a mamãe, e que consiste em estar ali presente, essa homenagem não tem nenhuma dessas circunstâncias. Tudo isso é um tecido misto de ignorância e malevolência.

Agora, destruído isso, nós temos aí o parecer destes dois padres e tudo o mais, depois eles citam autores e tudo mais. O Pe. Arturo Alonso Lobo, uma coisa assim, chega a dizer assim, porque ele trabalha para a canonização dos santos dominicanos: que o culto privado prestado a quem não está canonizado, é um meio de promover as canonizações e que, portanto, é elogiável! É evidente!

Então o centro da argumentação do Fedeli cai.

Agora, por que é que cai? O que impressiona mais é a questão do culto. Explicada a questão do culto, aquela história da ACE, aquela coisa toda, é uma bobajada que não tem eira nem beira, que impressiona depois que a pessoa foi na onda da… Se o leitor não foi na onda da questão do culto, aquilo de si não tem nada. E a questão do culto está esmagada.

A questão da ACE está provada de sobejo. Há depois vários outros pontos que também são refutados, são menores, eu nem me lembro bem quais são. O grosso é esse.

* O desejo do Sr. Dr. Plinio de que os Êremos façam uma bonita cerimônia de lançamento do trabalho

Agora, o que é que eu desejo do senhores?

No dia em que chegar… porque eu tenho muita pressa em fazer andar isso, mas muita pressa. No dia em que chegar, portanto, isso, e talvez já chegue segunda-feira à noite, mas eu sei que não haverá tempo para segunda-feira à noite, há uns rabos para acrescentar, no dia em que chegar essa documentação toda, etc., no dia em que chegar tudo, eu desejaria convocar uma reunião, se não for numa quarta-feira ou numa sexta-feira, seria uma reunião extra, e eu desejaria contar isso ao Auditório São Miguel no seu cheio!

E gostaria que os meus dois Êremos fizessem uma bonita cerimônia, que entrassem marchando e apresentando os exemplares mimeografados dos livros. Marchando, cantando, etc. Isso seria uma coisa muito bonita.

E eu gostaria que os senhores fossem se dispondo, para terem tempo livre para irem ideando a cerimônia, etc., porque o Sr. Fernando Antúnez me disse que os senhores levam pelo menos dois dias para se adestrarem para uma cerimônia dessas, convenientemente. E realmente a coisa merece uma cerimônia assim.

Eu, então, quis dizer isso aos senhores hoje à noite, na alegria de lhes fazer participar de tão grande graça, de um lado. Mas, de um [outro] lado, também para que já vão sendo feitos textos, elucubrações todas, planos, etc., de maneira tal que isso seja uma das grandes noites do Auditório São Miguel!

* Razões para apressar a divulgação da refutação

Qual é a razão que eu tenho dessa pressa? Muitas razões. Uma das razões que eu tenho é seguinte:

Eu receio que na entrada do Encontro o pessoal do Fedeli organize alguma forma de protesto, e que isso impressione muito os de fora que vêm, que conhecem a TFP muito mais por alto. E eu preciso, conforme for, pôr os livros sobre as mesas, se quiserem. Ou dar algumas conferências, e tratar disso. Eu preciso fazer isso. E preciso, portanto, que toda a TFP já conheça, já saiba, saiba responder no Encontro, saiba explanar, etc.

Por isso tenho urgência em que o Dr. Borelli, que foi um coordenador exímio nisso, o Sr. Gustavo Solimeo, que escreveu uma parte excelente, e o Sr. Átila, que escreveu a parte mais extensa, brilhante, fizessem exposições no Auditório São Miguel, para porem os senhores ao corrente de toda a matéria. Naturalmente eu estaria presente, e iria acrescentando alguma coisa.

E era preciso coordenar tudo isso antes do Encontro. O tempo trabalha contra nós. Eu queria ver se os senhores trabalhavam contra o tempo.

Meus filhos, está feito o negócio. Os senhores hão de reconhecer que valeu a pena puxar‑lhes um pouco a orelha!

(Sr. –: Recomendação…)

Olhem isso aqui, por exemplo. É culto! O senhor não fez isso de modo inteiramente espontâneo?

(Sr. –: Sim.)

Fez. Os senhores fazem às vezes… Às vezes eu procuro retirar o pé, mas eu vejo que é meio lutar contra a onda… Ele para isso tem toda uma interpretação, que nem vale a pena contar aqui.

(Sr. PM: Poderíamos rezar o “Magnificat”?)

Podemos rezar. Deixe apenas eu acabar de expor.

Ele explora também o fato de alguns dos senhores me chamarem de “Meu senhor”. Então é que eu escravizo os senhores… e daí para fora.

No momento oportuno saberemos também responder isso. Está tudo previsto, no orçamentizado.

Bem, meus caros, agora vamos, como encerramento, rezar o Magnificat como ele propôs. Mas baixo, porque eles não compreenderão que os senhores terminem com Magnificat um puxão de orelhas…

Magnificat…

Os senhores devem combinar entre si, para dar a mesma disposição, que fique… possam conversar sobre isso apenas no território dos dois Êremos, ou em automóvel onde só tenham pessoas dos dois Êremos. Não os eremitas servidores, infelizmente, porque não há razão para introduzi‑los no SO. Agora, nos dois êremos, nos lugares onde tenham certeza que eremitas servidores ou outros visitantes não ouçam a conversa, como regulamentar isso? Os senhores combinem entre si.

Meus caros, vamos andando!



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