Conversa
de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) –
28/4/84 – Sábado [AC VI 84/04.18] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 28/4/84 — Sábado [AC VI 84/04.18]
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A riqueza fictícia dos bancos, cuja verdadeira raiz não é um bem, mas um know-how de informações e servidores * O obscuro sistema de informações das redes bancárias * O pacto de honra dos favorecidos pelo banco * Dar certo na vida não está vinculado às capacidades, mas a que se faça parte de um esquema * Duas recusas a duas ofertas de banqueiros que tentaram enredar o Sr. Dr. Plinio em negócios bancários * A máquina bancária é um mistério, que não deve se procurar varar pelo risco de ser pior * Ou inventar um sistema econômico onde os especialistas estejam de fora, ou onde fosse desvantajoso pedir dinheiro emprestado * Problemas para o Reino de Maria que só mesmo Nossa Senhora intervindo: a peste de guerra psicológica, depois que os homens aprenderem a fazê-la * Não só o mal é vulnerável à guerra psicológica — A morte da cavalaria com o livro “D. Quixote de la Mancha” * Convidando alguns dos presentes para a reunião com os Correspondentes
…entrosagem, ninguém ganha. Um homem que tenha que vender isso na rua de casa em casa, se ele não tiver isso… ele não ganha.
* A riqueza fictícia dos bancos, cuja verdadeira raiz não é um bem, mas um know‑how de informações e servidores
(Sr. Guerreiro Dantas: Dinheiro grande, não é?)
Sim.
Mas isso dá o seguinte:
O indivíduo tinha ouro ocioso guardado de lado. Com esse ouro ele começa a fazer o crédito. Quando ele tem muita possibilidade de fazer negócio, porque ele é muito informado de qual é o negócio que está dando dinheiro, e ele tem acesso aos homens que o servem de fato com empenho para fazer o dinheiro (são duas condições), ele pode com base no ouro — que já é um ouro supérfluo, porque não está na circulação — lançar operações de crédito, e nessas operações de crédito pôr em circulação muito mais do que vale aquele ouro.
(Sr. Guerreiro Dantas: A regra do banco é essa.)
O banco vive disso.
(Sr. Guerreiro Dantas: Ele pode emprestar dez vezes mais do que o capital que ele tem.)
Exatamente.
Tudo isso forma, então, uma riqueza fictícia, cuja verdadeira raiz não é um bem, mas é um know‑how de informações e de servidores. É evidente, é gente organizada. E, com isso, uma espécie de pólipo monstruoso que domina tudo.
(Sr. Guerreiro Dantas: Impressionante.)
E a partir da economia… quer dizer, o que é que a economia deveria ter, para impedir esse supérfluo fictício? Porque o ouro que não é supérfluo como massa… esse ouro é fictício, porque ele trancado numa gaveta é a mesma coisa que não existisse. Agora, com base nesse fictício, se constrói um bicho do tamanho de dez vezes esse fictício.
* O obscuro sistema de informações das redes bancárias
O lado mais puxado do negócio é o seguinte: o sistema por onde se é informado e o sistema por onde se conseguem os homens que servem de fato. É claro que toda rede bancária tem atrás de si um sistema de informações. Agora, esse sistema de informações tem que ter, necessariamente, indivíduos muito objetivos, em grande número, e que não cedem à tentação de, tendo informação, fazerem o negócio.
Vocês nunca ouviram falar na vida, de alguém que tenha sido informante de um banco, que tenha começado a fazer negócio particular e tenha deixado o banco de lado. Mais ainda: vocês nunca ouviram falar de alguém que tenha declarado que é informante de banco. É uma rede invisível.
(Dr. Edwaldo: É uma coisa religiosa.)
Religiosa.
(Sr. Fiúza: Em cidadezinha de interior, em pouco tempo o gerente está sabendo quem tem dinheiro.)
Mas por meio de quem? Não é por meio dele só, observando‑o. Muita coisa é ele observando, mas não é só isso.
Oh! meu Marcos, como vai você? Está bom, meu filho?
(…)
Que Nossa Senhora ajude.
(Sr. Fiúza: É um dispositivo que eles têm. O dono da pensão, do hotel, que sabe dos negócios, e quem tem dinheiro.)
Perfeitamente. Mas esse dispositivo é montado de modo muito clandestino.
* O pacto de honra dos favorecidos pelo banco
E depois tem uma coisa engraçada que é o seguinte: há uma espécie de pacto de honra, por onde o indivíduo a quem eles fornecem o crédito, age de acordo com determinadas regras. Se age de acordo com essas regras, eles são até paternos para a hipótese de o indivíduo se escarrapachar. Mas se age contra certas regras, o indivíduo está quebrado. Exemplo CAL. Exemplo CV. São homens quebrados.
Eu quero bem a eles, nem preciso dizer. Lamento que essa seja a situação. Mas prestem atenção: eles esperneiam de todo jeito e não saem de um ponto morto, depois que violaram uma certa regra.
(…)
… os homens, encontram as coisas necessárias para levar bem aquilo que eles querem.
(Sr. Fiúza: Vi esse dispositivo montado junto a pessoas que estavam prosperando, tudo conduzia a eles. Se chegasse um fazendeiro novo, logo ia ter com eles, daí a pouquinho era levado para conhecer o gerente do banco, conforme o caso o gerente oferecia crédito.)
Olha lá.
* Dar certo na vida não está vinculado às capacidades, mas a que se faça parte de um esquema
Depois é assim:
Você pega uma pessoa que não faça parte de um certo esquema. O sujeito pode ser um homem muito criterioso, faz a preparação do negócio. Ele manda vir então uma máquina do exterior, manda não sei o quê, não sei o quê. É um Job, porque a máquina chega mas falta uma peça. Ele manda vir a peça, a peça não funciona, tem que mandar vir outra. Quando a peça chega, depois de ele muito reclamar, o gerente com que ele contava pede demissão. E é um série de coisas, que a empresa dele não funciona.
Agora notem: não é dizer que precisa ser entrosado para funcionar a empresa; mas é preciso não ser um certo tipo de gente que não pode crescer.
Por exemplo, você não vê um intelectual que fique rico. Você pode ver um intelectual que tenha herdado uma fortuna, mantém a fortuna. Isso pode acontecer. Mas eu não conheço o caso de um intelectual que tenha feito fortuna. Não faz.
Um tipo de gente que não pode ficar rica.
Antigamente ficava rico o sujeito que tinha uma certa capacidade de dirigir, articular as coisas. Hoje em dia cada vez menos. E é gratuito enriquecer, como é gratuito ficar bispo. Não há razão nenhuma para se explicar.
(Sr. Fiúza: Conheço casos concretos de pessoas que subiram e não têm capacidade.)
É isso. É uma coisa simplesmente fantástica.
(…)
* Duas recusas a duas ofertas de banqueiros que tentaram enredar o Sr. Dr. Plinio em negócios bancários
… as duas únicas vezes que eu tratei negócio em banco de São Paulo. Foi uma vez durante o período da Reforma Agrária.
Eu recebi um telefonema: “Dr. Plinio, Dr. Fulano de Tal — sujeito ultrametido em banco, era diretor de um grande banco e maior acionista de um grande banco em São Paulo, riquíssimo — precisava falar uma coisa com o senhor, e pedia ao senhor, se o senhor podia dar uma chegada aqui no banco”.
O banco era a dois passos do meu escritório na Rua XV de novembro. Eu achei um desaforo. Ele se quisesse que viesse falar comigo. Mas eu sabia que os banqueiros costumam chamar pessoas, e que as pessoas vão porque, sabe, quando chamam vão.
Eu marquei a hora, para não ficar assim na dependência dele: “Está bom, diga a ele que às tantas horas eu posso ir”. E fui.
Ele estava me esperando lá. Foi muito amável comigo, conversou, conversou. A certa altura ele saiu com o negócio dele. Mas umas duas horas de conversa. Ele saiu com o negócio dele, ele disse:
— O senhor gosta tanto de polemizar e polemiza tão bem. Eu tenho aqui uma polêmica de grande expressão econômica — era uma coisa qualquer a respeito de um serviço público qualquer em São Paulo, já nem me lembro que serviço público era. — Isso aí vai dar encrenca, vai dar polêmica. Queria saber se o senhor se incumbiria dessa polêmica.
Estava bem entendido que era de ser muito bem pago, mas que era uma polêmica que me absorveria inteiramente. Portanto, sair do ramo Reforma Agrária.
Muito amável. Ele tinha conhecido muito papai, meu avô. Não era de família tradicional, mas ele conheceu assim, debaixo para cima:
— Como vai Dr. João Paulo, Dr. Ribeiro? Oh, que homem!
Eu:
— Hêhêhê.
Afinal saiu isso. Eu disse:
— Olhe, Dr. Fulano, eu lamento — eu fiz de propósito, porque eu não queria ter negócio com ele, mas eu fui muito amável com ele. — O senhor me vê metido nessa campanha da Reforma Agrária, e essa é uma campanha que eu travo por ideal. De maneira que é uma dessas coisas que a gente não deixa por nada — enfim, isso tudo é o nada! — Numa outra ocasião, etc.
— Ah, pois não, Dr. Plinio. Quanto gosto, eu tive um prazer.
Me acompanhou até o elevador, etc. Nunca mais nos vimos.
Durante esse tempo que eu estava lá — isso cobriu o período do fechamento do banco — eu vi as funcionárias que entravam na sala dele e traziam uns mapas. Mapa escrito, não é mapa geográfico. Punham sobre a mesa e diziam baixinho de que seção era o mapa. Ele dizia “está bem”, “está bem”, “está bem”, e fez um maço de mapas.
Depois, no fim da conversa comigo, quando eu disse que ia sair, ele disse:
— O senhor me dá licença? Antes de o senhor sair, eu me despedir do senhor, eu quero acompanhá‑lo, mas eu quero deixar assinados esses mapas — e assinou todos os mapas sem ver nenhum.
Eu pensei: “Eu não subo, mas ele não fica em cima”.
Uns quatro ou cinco anos depois veio a notícia de que ele estava sendo roubado por certos funcionários e o banco dele estava no chão. Um ano mais ou menos depois, eu soube que ele estava saindo da casa da fassura, senhora da sociedade aqui de São Paulo, deu três passos na rua e caiu morto.
Quer dizer, ele perdeu a fortuna e não resistiu a pressões arteriais e coisas do gênero e morreu.
Outro.
Eu fui com meu cunhado apresentar o Príncipe Alberto da Baviera a um banqueiro, talvez maior ainda do que esse, ou ao menos iguais. Esse banqueiro eu conhecia, mas assim de cumprimentar só, não tinha nenhum conhecimento mais chegado a ele. Meu cunhado era muito amigo dele.
Ele nos recebeu embaixo, num salão geral, onde tem os guichês, etc. Quer dizer, não podia ser pior. Conversou um pouquinho, o meu cunhado apresentou o Príncipe Alberto, ele não deu a menor atenção ao Príncipe Alberto, foi um pouquinho amável para o meu cunhado.
Depois voltou‑se para mim completamente e disse:
— Dr. Plinio, mas o que é isso, que nós moramos tão perto um do outro, vemo‑nos todos os dias, e nós nunca nos encontramos para dar uma prosa? Eu gostaria. O senhor sabe o seguinte: aqui no banco servem um chá — não sei a que horas — e nessa hora vem todo mundo que tem uma boa prosa, vem também aqui dar uma prosa no banco. Eu sei que o senhor conversa tão bem. Lembre‑se um pouco da gente e venha conversar conosco aqui no banco. Olha, eu fico esperando o senhor a tantas horas, etc.
Não era boa prosa, não era nada. Era, ao cabo de algum tempo, começar a falar imoralidade na minha presença para ver se eu tinha coragem de romper ou não tinha coragem. Muita amabilidade e a imoralidade junto. Daí a pouco oferecer um negócio. Se eu aceitasse o negócio, embrulhavam em negocinhos, e depois em negócios maiores. Estava vendido para eles.
Eu disse:
— Mas Dr. Fulano, não tem dúvida, etc.
E nunca apareci, porque eu já sabia que eu ia perder meu tempo. São máquinas especiais, eu já sei que funcionam assim.
* A máquina bancária é um mistério, que não deve se procurar varar pelo risco de ser pior
Uma vez eu peguei o meu querido Luizinho e agarrei com unhas de chumbo. Não era preciso para um material tão suave e de tão boa qualidade, mas eu agarrei assim. O tio dele que tinha um banco aqui estava vivo, e ele muito de dentro do banco, nesse sentido: que o banco facilitava tudo para ele, etc. Banco forte é assim.
Eu disse a ele:
— Você conhece bem o banco?
— Conheço.
— Mas o que é que o banco faz do dinheiro que a gente deposita lá dentro? Porque ele paga um juro. Ele guarda meu dinheiro e ainda me paga, porque eu depositei dinheiro com ele. É um negócio da China para mim depositar dinheiro com ele. Ninguém rouba, ele guarda, escritura aquilo tudo, me dá conta corrente periódica. Ele é que faz dinheiro, com meu dinheiro que está com ele, durante esse tempo. Como é esse negócio?
— Hã hã?
— Mas, Luizinho, presta atenção, olha aqui assim.
— Não, é que eles fazem negócio com esse dinheiro.
— Que negócios, onde, negociar quem? Você viu conversar quem a respeito disso?
— Nunca vi. Eles fazem os negócios, eu não sei que negócio fazem, nem com quem é. Eu só sei que dá dinheiro para a gente viver bem.
É o filhinho inofensivo do vampiro.
(Dr. Marcos Dantas: […] Tinha um amigo de infância, filho do ex-senador Afonso Arinos. Ele contou que o pai foi se candidatar e apareceu um banqueiro e ofereceu a ele todas as facilidades para a campanha: crédito, carro, “chauffeur”, tudo. Depois eu percebi: o político se elege e fica inteiramente controlado pelo banco.)
Completamente. Mesmo porque se ele não tiver um banco, ele não se reelege. Porque a condição de político, sozinha, não dá a ele o dinheiro suficiente para ele se reeleger. Não dá nem de longe.
Agora, o jornal embomba o sujeito durante esse tempo, etc. Se ele recusar ajuda do banqueiro, ele é ninguém, ele se apaga como um astro.
Quer dizer, essa máquina bancária sobre a qual eu tenho notícias muito elementares, críticas menos elementares do que as notícias que eu tenho, essa máquina bancária é um mistério. E não procure varar o mistério, porque é pior para você. Não converse com ninguém sobre isso e viva como vive todo mundo: sem perguntar sequer como é que o negócio é.
(Sr. Poli: Eles pegam até as fímbrias. Por exemplo, o F comprou uma máquina…)
(…)
… pelo pouco que eu sei da matéria, parece que é no fim do mundo mesmo.
(Dr. Edwaldo: São Paulo diz que da prevaricação deles nos veio grandes bens. O que não virá da conversão… Dá a entender que talvez haja um certo tempo entre a conversão dos judeus e o fim do mundo.)
(…)
* Ou inventar um sistema econômico onde os especialistas estejam de fora, ou onde fosse desvantajoso pedir dinheiro emprestado
Banco é uma coisa que se não houver oficial, tem clandestino. E o clandestino te dá mais trabalho controlar do que o oficial. Quando há oficial, tem clandestino também. Isso é forçoso. E o oficial te dá um trabalho louco para controlar e serve de pára‑vento para o clandestino. É mais fácil você descobrir o clandestino onde não tem oficial, do que onde tem oficial. Acho que isso é uma outra coisa certa.
Agora, você vai fazer uma fiscalização desse sistema, a fiscalização te devora. Você não tem meios de fiscalizar um sistema desses.
De maneira que seria preciso inventar de duas, uma: ou um sistema econômico onde os especialistas estejam de fora; ou um sistema econômico também — aqui estaria a dificuldade — onde fosse mais da vantagem de todo mundo não pedir dinheiro emprestado, e o empréstimo com fito de lucro, ser uma coisa execrada pelos costumes e pelas convicções.
Porque a raiz de toda coisa é o comércio feito…Comércio é com fito de lucro. Indústria não pode deixar de ser fito de lucro. Mas não ser feito com base de empréstimo.
Toque seu negocinho, faça seu primeiro dinheirinho. Como parece ter feito papai Narciso, como parece ter feito papai Vasco da Costa. Sistema português. É a saída. Aí essas coisas tomam uma proporção humana, as finanças deixam de ser um casa assombrada, onde tem fantasmas, e é uma coisa habitável.
Isso é fácil de fazer?…
* Problemas para o Reino de Maria que só mesmo Nossa Senhora intervindo: a peste de guerra psicológica, depois que os homens aprenderem a fazê‑la
(Dr. Edwaldo: É fundamental para a sobrevivência do Reino de Maria.)
É fundamental, mas eu não saberia como fazer isso. Eu confesso.
(Sr. Guerreiro Dantas: […] No Reino de Maria guerras haverá. A guerra absorve bens, esgota os países. Como será isso?)
Olha aqui, isso conduz a perspectivas que só mesmo Nossa Senhora intervindo. Não é intervindo chamando um homem e revelando alguma coisa, mas é intervindo nos acontecimentos de maneira que, assim como a água sai de dentro do chão e dá a fonte, a solução saia de dentro da realidade. Porque a gente não fabrica solução para coisas dessas.
Você quer ver uma coisa? Eu vou te dar um problema para o Reino de Maria, que é um problema de estontear.
Nosso Senhor deu à Igreja as chaves de ouro e de prata. E essas chaves são o bastante para ela exercer a sua missão, porque Ele não a deixaria desequipada.
Agora, do jeito que as coisas caminharam, acaba sendo que, depois que se inventou o processo de guerra psicológica, se a Igreja não souber guerra psicológica, ela de fato não dirige os acontecimentos da terra. E num país onde haja uma pessoa ou uma instituição sabendo fazer guerra psicológica, os títulos de rei, de imperador, são quimeras.
Ora, não podem ser! Quem acaba com essa peste de guerra psicológica, depois que os homens aprenderam a fazê‑la?
Eu compreendo a resposta: pode haver uma guerra psicológica para o bem.
Nós estamos fazendo! Mas com que facilidade isso vira para o mal. Com que facilidade.
Você imagine que a TFP tivesse um sistema de guerra psicológica inteiramente estudado. Você não teria medo de minha sucessão? Um pouco que o sujeito se desviasse num ponto do caminho reto, isso não podia ir pelos ares?
Você dirá: “Mas tem a graça do profetismo”.
Mas nós vamos imaginar uma dinastia de profetas? Como é que é isso?
Quer dizer, na verdade, era preciso libertar da guerra psicológica, como quem enxota um fantasma. Consegue‑se isso? Ou isso é um castigo que aconteceu para o mundo e Nossa Senhora arranjará um jeito de que um homem, que não entre nessa história, possa viver sem ela? Um homem, eu digo: um rei, um imperador, um papa, etc.
Alguém dirá: “São Pio X viveu muito bem sem isso”.
Quem é que lhe disse que São Pio X viveu muito bem? É o contrário, ele se queixava da impossibilidade de jugular o adversário. Ficou só, foi assassinado. Como é que viveu muito bem?! De onde é que saiu essa quimera?!
* Não só o mal é vulnerável à guerra psicológica — A morte da cavalaria com o livro “D. Quixote de la Mancha”
(Sr. Poli: O poder do mundo de hoje está entre os filhos das trevas e o senhor.)
Eu estou convencido de que, com a Mensagem, nós… [Vira a fita]
… estou convencido também de que na França ele não aplicou porque se o tema ficasse atual na França, o livro criava uma impossibilidade de os católicos colaborarem com aquilo. O livro aí teria muita saída e criava essa impossibilidade. Estou convencido disso.
Isto é um sujeito em São Paulo, que acompanha os jornais, não tem outra informação a não ser os jornais, mas entende um pouco de guerra psicológica, faz um livro e quebra um programa. Quem é que nessas condições pode governar?
Quer dizer, você está sentado no Elisée, está governando uma coisa, ganhou a eleição, fez toda uma série de coisas, está com sua vida arranjada. À distância, tem um crioulo sentado no Brasil, que resolve escrever um negócio que te põe uma porcaria. Fala com uns fazendeiros do Texas, com quem ninguém ia imaginar que esse crioulo ia ter contato, e sai uma porcaria dessas em cima dele. Resultado: assim quem governa?
(Dr. Marcos Dantas: […] No “O Estado de S. Paulo” de hoje: Mitterrand está mais à direita do que Giscard, mandou o programa do PS para as urtigas.)
Porque cai se não fizer isso.
(Sr. Fiúza: Para ele é uma derrota maior, ficar direitista do que cair.)
Muito mais.
(Sr. Fiúza: A situação está tão ruim, que não pode nem mais cair.)
É, não pode nem mais cair. É a mais modesta das liberdades que o homem tem… ahahah! A mais modesta liberdade que o homem tem é de cair.
A objeção contra isso é: “Não houve outros livros que remexeram assim a história também? E a gente não querer que isso seja assim não acaba com a vida intelectual?”.
É um tal remexe-mexe tudo isso, que nós podíamos conversar aqui até as cinco da manhã, nós sairíamos com a impressão de que nada é resolúvel.
Quer dizer, é preciso vir um anjo à terra que faça com que as coisas comecem a correr bem.
No MNF nós estamos estudando os anjos. E, para estudar os anjos, temos estudado Dionísio Areopagita. É diáfano! É um homem de abstrações musicais. Formidável!
Você devia pedir lá para o seu amigo Átila, para ele lhe franquear para ouvir o Dionísio Areopagita, ouvir as reuniões. O Átila lê, faz uns comentários, a gente faz também.
As reuniões comentadas do Dionísio Areopagita. O homem é um homem monumental.
Há assim certos momentos em que Nossa Senhora parece que entra e todos esses problemas se resolvem, aparecem os homens que põem os pingos nos is, etc., e tudo se constrói.
(Dr. Marcos Dantas: […] Ele quer caminhar para o mal, o senhor barra o caminho dele com a bandeira do bem. É legítimo.)
Legítimo é, eu estou certo de que fiz um ato de virtude.
(Dr. Marcos Dantas: O problema é se alguém com guerra psicológica impede outrem de governar bem.)
Aí é que está, esse é que é o problema. Porque se um livro, com a pancada bem posta no lugar, liquida, esse livro pode ser manobrado contra um São Luís.
(Dr. Marcos Dantas: Liquida porque ele estava com más intenções.)
Aí é que está. A sua idéia é que só o mal é vulnerável a essas coisas, e não é verdade. Você pega o “D. Quixote de la Mancha”, matou a cavalaria.
Gerações inteiras, papas, reis, etc., levaram a cavalaria até onde levaram. No prefácio da primeira edição do D. Quixote está escrito que a vitória de Lepanto ressuscitou a tal ponto o ideal de cavalaria na jovem nobreza européia, que todos estavam querendo acudir à cavalaria e que para evitar essa ressurreição se escrevia o D. Quixote. E de fato matou.
(Dr. Marcos Dantas: Mas não havia uma contraguerra psicológica para anular.)
Veja bem, essa contraguerra, propriamente dita, nem os jesuítas tiveram na Contra‑Reforma.
(Dr. Marcos Dantas: Por isso que o Reino de Maria só é possível com o seu profetismo.)
(…)
… e depois a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e Maria tem qualquer coisa por onde faz, por assim dizer, a guerra psicológica contra‑revolucionária. Por assim dizer, é uma coisa muito mais alta.
Virá disto para o Grupo na aurora do Reino de Maria? É uma coisa para perguntar.
Meus caros, eu deploro enormemente, mas…
* Convidando alguns dos presentes para a reunião com os Correspondentes
Meu caro Marcos, eu queria dizer a você o seguinte: não sei se você foi informado que vai haver uma reunião de Correspondentes amanhã à tarde aqui em São Paulo. Gostaria que você fosse, para ver um pouquinho a coisa.
Agora, sobre a reunião de Correspondentes do Rio, depois se você quiser me perguntar qualquer coisa, dizer qualquer coisa, qualquer coisa assim, embora a Hipoteca fique prejudicada, é possível que eu arranje um tempinho para conversar com você e com o Koury sobre esse assunto. Se quiserem.
(Dr. Marcos: Sim.)
O Queiroz me disse que ele levou uns apontamentos — como eu queria, aliás, sobre esse nosso serviço, que, aliás, tem algo de guerra psicológica contra‑revolucionária. Se você leu as diretrizes ou ouviu as diretrizes, você deve ver que, em ponto individual, não coletivo, tem algo disso.
Então, se quiserem perguntar alguma coisa, etc., eu estou à disposição. Depende um pouco do tempo que o pessoal de Campos vai tomar.
A reunião será provavelmente nos Buissonets. Mas de um momento para outro, por acúmulo de gente, é possível que a reunião seja na Sede do Reino de Maria, ou qualquer coisa. Você se informe, é muito fácil.
Até deve haver missa do Côn. José Luiz antes lá.
Bem, e eu falo aqui em presença de um antigo membro da Comissão de Opinião Pública: se você quiser ir à reunião, meu filho, você vai. Depende de você.
(Sr. Guerreiro Dantas: O senhor que vai fazer?)
É, eu devo responder. O pessoal de Campos deve fazer perguntas, e no meio dessas perguntas deve sair um bombardeio a respeito do caso D. Mayer. Eu tenho que me sair. Depois eu devo dar diretrizes a eles, etc. Quer dizer, vai ser… A maior concentração de Correspondentes que nós temos no Brasil é essa.
Mas não diga que eu o convidei, porque aí teria que convidar esse, aquele, aquele outro, e vai longe. Mas eu gostaria, se você fosse, caso você possa ir.
Vocês vejam, os que quiserem ir, se tiverem paciência. Eu não posso encher de muita gente, mas um ou outro que queira ir, é à vontade.
Bem, meus caros, e agora eu vou fazer guerra revolucionária na cama.
(Dr. Marcos Dantas: A declaração conjunto de Mons. Lefebvre e D. Mayer foi publicada no “Washington Post”, saiu uma nota no “Jornal do Brasil”. Certamente financiado pelos grupos Lefebvre.)
É evidente. Que, aliás, têm dinheiro à vontade.
Você me recortou essa notícia?
(Dr. Marcos Dantas: O Koury certamente.)
Você fala com o Koury.
Bom, mes très chèrs…
Há momentos minha Mãe…
(Sr. Poli: Foi uma super-reunião.)
Isso vocês é que sabem.
Eu fiquei com curiosidade apenas de saber o seguinte: como é que o filho do Afonso Arinos te contou o resto do caso? Ele disse que o pai recusou o dinheiro do banco?
(Dr. Marcos Dantas: Não, aceitou, embarcou na canoa.)
E é por isso que ele foi para frente. É tal qual. É assim mesmo.
Meu bom Fernando, você tinha uma pergunta então?
(Sr. Fernando: Em particular.)
Ahahah!
*_*_*_*_*