Conversa de Sábado à Noite – 7/4/1984 – p. 2 de 2

Datilografado por: FL

Nome anterior do arquivo: 840407--Conversa_Sabado_Noite.doc

Conversa de Sábado à Noite — 7/4/1984 — sábado [Rolo VF 3]

(…)

Pegue uma cadeira dessas aqui Guerreiro!

(Sr. Guerreiro Dantas: Eu acompanho bem de pé.)

Você acompanha bem de pé?

(Sr. Guerreiro Dantas: Faz me lembrar os Natais e os dias 13 de dezembro em que passamos aqui com o senhor. Nós ficamos de pé também.)

Bem, bom… se [for] [é?] uma ocasião de graças… Que Nossa Senhora o mantenha de pé!

Meu João!

(…)

constrangimento de alma, não constrangimento físico.

Porque constrangimento de alma nós respondemos facilmente. A questão é constrangimento físico.

(Sr. João Clá: Tem um gravador gravando.)

Então. Eu achava interessante pedir aos camaldulenses que estão lá dentro, que dissessem que eles estão na… que eles entraram na camáldula… Os que pediram para entrar digam, porque é preciso ficar sempre dentro da verdade, escrupulosa. Os que pediram para entrar digam que entraram porque pediram.

Os que foram aconselhados a entrar digam que foram aconselhados e entraram livremente. Primeiro ponto.

Segundo ponto: que eles têm perfeita consciência de que a qualquer hora do dia ou da noite, eles têm toda liberdade física de se retirar, porque aquilo está continuamente aberto com disposição para sair, etc.

Terceiro ponto: que eles são não pedem para sair, porque não têm vontade de sair.

Quarto ponto: que ali dentre eles têm um regime em que eles se sentem livres de levar a vida camaldulense, segunda a regra, sem cárcere, sem punições que tragam qualquer dano ao corpo ou à alma.

Precisa redigir isso. Por via das dúvidas, dar ainda para o Castilho burilar…

(Dr. Edwaldo Marques: E saindo da camáldula não perdem nada com isso.)

É bom dizer isso. Que não foi acionado o voto de obediência para obrigá-los a entrar para a camáldula. E que sabem que, saindo da camáldula, a situação deles é idêntica a que era anteriormente, sem penalidades nem desdouro.

(Sr. Guerreiro Dantas: Uma coisa interessante que aconteceu essa semana…)

(…)

Eles usam o hábito lá, mas que eles têm ao alcance deles o traje civil. De maneira que teriam toda a facilidade de saírem a público quando quisessem. Isso é uma coisa importante.

Ah! Mas eu não vou sair com esse traje!”. Se quiser sair, sai! Se, por exemplo, abrirem a penitenciária, o sujeito com aquela roupa…

(…)

o hábito. Eles estão sempre em condições de saírem à rua do modo mais fácil, porque — explicar — estão sempre de camisa e, de outro lado, as calças metidas dentro das botas. De maneira que se eles quiserem é só puxar da bota e sair à rua. Está acabado!

(Sr. Guerreiro Dantas: Eles fazem ginástica todo dia, têm roupas para isso. Têm pulôver, etc. A pessoa pode sair para onde quiser, no momento que quiser.)

No momento que quiser. Vamos dizer: se você fosse camaldulense no Êremo de Elias, você sairia ali de sua ermida para [a] rua, absolutamente quando quisesse, como quisesse, não há a menor dificuldade.

Eu acho que… bom…

(…)

* * * *