Conversa de Sábado à Noite (Êremo Praesto Sum) – 4/2/1984 – [AC VII ‑ 84/02.08] – p. 9 de 9

Conversa de Sábado à Noite (Êremo Praesto Sum) — 4/2/1984 — [AC VII ‑ 84/02.08]

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A indignação de nosso Pai e Fundador contra a camada de pessoas, intermediária entre os ótimos e os menos bons, que se deixa influenciar pelo menos bons * O triunfo da “quinta coluna” desde que Lutero deu seu brado de revolta até os dia atuais * O pessoal do meio termo tem uma espécie de “profetismo do demônio”, pelo qual sentem que, sendo ambíguos, acabam ficando impunes, e conseguem levar para adiante todas as vantagens humanas que pretendem * O desejo de nosso Pai e Fundador de compor uma ladainha pelas nações, encabeçada por uma ladainha ao Papa * “Se eu não tenho horror ao pecado mortal do outro, eu não vou ter um horror real ao meu pecado mortal”

Índice

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Então, meus caros, qual é o tema do dia? Aliás, da noite! O pergunteiro é você meu filho? O que há?

(Sr. Dustan: Antes de mais nada queríamos agradecer a Nossa Senhora a graça imensa de termos assistido o Santo do Dia de hoje, uma graça magnífica! Não temos palavras para expressar o nosso agradecimento.)

Um Santo do Dia improvisado ali! Na medida do possível, não é?

(Sr. Dustan: O senhor pode expressar todo o amor que o senhor tem a Sagrada Eucaristia, a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora, a Santa Igreja, e isso luziu a nossos olhos…)

A nossa vida é essa, não é?

* A falta de abominação de muitos católicos em relação ao mal, conseqüência do amor tíbio que têm ao bem

(Sr. Dustan: Fazendo uma ligação com a Reunião de Recortes, nós gostaríamos de perguntar: como seria a reparação perfeita, a indignação de um católico Contra-Revolucionário face a toda abominação que o Senhor mostrou na Reunião de Recortes de hoje?)

A reparação é a seguinte. É preciso ver a situação como ela — eu não estou falando muito alto, porque eu tenho medo desses vizinhos aqui, “supermafiados”, me parece sentir no ar que a “máfia” progride aí, como progrediu naquele clubeco, aquela coisinha asquerosa ali encaixada no nosso quarteirão. E ela vai progredindo por toda parte, é claro. Mas enfim, é preciso nós não darmos a ela pretextos. Por isso eu falo em tom de voz não muito alto. Mas eu creio que dá para todos me acompanharem.

Então, vamos para frente! No meu espírito a questão se põe assim.

Se é verdadeiro aquele mar de lama todo que nós consideramos hoje à tarde, é verdade também que nós podíamos nos perguntar quais são os responsáveis para que aquele mar de lama esteja daquele jeito. Ora, os responsáveis são, naturalmente assim, à primeira vista, os que propagam e praticam. A primeira vista é isto. Mas a primeira vista nem sempre é a vista mais profunda, nem a vista mais exata das coisas. E aqui é bem o caso.

O senhor toma, por exemplo, aquela população que em Madrid estava dando aquela noite de escândalo. Eram, se não me trai a memória, cinco mil pessoas que estavam lá. Qual é a população da cidade de Madrid no momento? Meu Zayas?

(Sr. Zayas: Quatro milhões!)

Quatro milhões!

Quer dizer, portanto, que havia três milhões e quinhentos mil que essa hora dormiam. Muitos desses dormiam em camas que tinham atrás crucifixos, que tinham do lado imagens, que punham no bolso rosários, tinham água benta, tinham uma porção de coisas assim.

Esses, eu compreendo que não soubessem e que não pudessem protestar. No dia seguinte quando souberam, qual foi o grau de indignação deles, qual foi o grau de revolta deles? É a indiferença. Esses me indignam, em algum sentido, não em todo sentido, mas em algum sentido, me indignam mais do que me indignam aqueles que fizeram mal. Por quê? Porque esses são filhos da luz, esses têm todos os elementos para julgar o mal que estava sendo praticado lá. O que fizeram eles, que não espandongaram com isso? Quer dizer, em rigor isso teria sido suficiente para que caísse o governo socialista. Em rigor é isso. Se houvesse alma e houvesse um chefe, ele diria: “Nós vamos agora ao palácio do Rei, numa grande manifestação popular, impor ao Rei a demissão do ministério socialista, com a lei ou sem a lei, tem que acabar com essa porcaria!”.

Por que razão? Dirá: “Uma ação revolucionária?”. Não, uma ação Contra- Revolucionária! Se está encarapitado no governo um revolucionário, pô‑lo fora é Contra- Revolução. Vamos para lá! Socialismo não tem o direito de existir, e fazer ordem é acabar com ele! Vamos varrê‑lo! E depois não nos contenta depor esse governo, é preciso fechar esse partido, é preciso prender ou expulsar o seu chefe, e estabelecer o policiamento de suas bases, de maneira que se extinga da Espanha. Isso é que tem que ser feito.

Bem, por que não fizeram isso? Porque eles amaram tibiamente! E a eles se aplica essa frase de Nosso Senhor: “Se fosses frio ou quente eu te amaria, te aceitaria, mas como és morno, começo a vomitar‑te de minha boca”. Essa é a questão. E, portanto, por toda parte o que mais me indigna são aqueles que “estão muito bons, han, han, han, …” que vão na onda.

* A indignação de nosso Pai e Fundador contra a camada de pessoas, intermediária entre os ótimos e os menos bons, que se deixa influenciar pelo menos bons

Quando os senhores pegam um grupo de ótimos, há sempre um ou dois que são os menos bons do grupo de ótimos, e há uma camada intermediaria. Porque tem que haver! Está bem, o que indigna é que a camada intermediaria não segue os ótimos, tende a seguir os outros.

Agora, isso tem um porte mundial, como talvez os senhores não calculem. Por exemplo, vamos tomar esses dois casinhos, passavelmente sem graça, mas que têm a vantagem de estar bem ao nosso alcance. Eu garanto que é uma minoria de três ou quatro pessoas que faz máfia aqui, como eu garanto que é uma minoria de três a quatro pessoas que faz máfia naquele clubeco. Mas, basta isso, encontrando os moleirões, que os moleirões se deixam levar. E é este deixar‑se levar que é a infâmia.

Eu também não creio, assim simplesmente, que a maioria dos judeus fosse favorável a soltar Barrabás e matar Nosso Senhor. Havia muitos ali que talvez preferissem prender Barrabás. Mas como se estabeleceu moda — havia meneuses agitadores da Opinião Pública que levaram a Opinião Pública —, eles por moleza se deixaram levar. Isso eu não perdôo! Eu não perdôo, não quer dizer o seguinte, que eu nunca perdoaria ainda que pedisse perdão.

Quer dizer o seguinte: que eu não tenho palavras suficientes de indignação contra uma coisa dessas. E isso, meus caros, já que falamos desse ponto, se dá sempre, esse concílio maldito dos moles com os maus. Até entre os ótimos tende a se estabelecer isso. Quando os senhores pegam um grupo de ótimos, há sempre um ou dois que são os menos bons do grupo de ótimos, e há uma camada intermediaria. Porque tem que haver! Está bem, o que indigna é que a camada intermediaria não segue os ótimos, tende a seguir os outros. Essa espécie de chefatura de cabeça para baixo, essa espécie de tendência infame e maldita de pactuar com o pior, isso eu não posso aceitar. E como nada no mundo do que se faz de tão horrível, se faria se não fosse assim, evidentemente, a minha primeira increpação e minha primeira energia iria contra esses.

E eu queria muito que na formação dos senhores isso ficasse bem claro. Mas ficasse bem claro! Mesmo porque, isso é um dos traços característicos da TFP.

* O triunfo da “quinta coluna” desde que Lutero deu seu brado de revolta até os dia atuais — “De lá até aqui, continuamente, as vitórias deles são de que o meio termo se alia com o mal”

Eu não sei se os senhores conhecem, eu não preciso dizer aos senhores, provavelmente — eu não estou vendo aqui no momento —, mas provavelmente o nosso auditório, graças a Deus, como todos os auditórios da TFP, tem um bom número de mineiros. Eu não estou vendo nenhum no momento, mas deve ter. Eu não elogio a eles exageradamente dizendo que são os políticos mais finos do Brasil. São finíssimos como políticos.

Não sei se os senhores conhecem a conversa de um politico mineiro, muito fino, hoje falecido, Milton Campos, com o Dr. Duca. Conhecem isso ou não?

(Sr. –: Não!)

Os senhores sabem que o Dr. Duca é de lá também. E uma vez vieram de trem, de automóvel, não sei como, enfim, de um meio qualquer de locomoção comum. Dr. Duca deve estar aqui… Meu Duca, onde é que você se aninha?

(Sr. –: É o senhor Guerreiro.)

Dr. Duca não estar por aí, não? Ele contaria muito melhor do que eu esse negócio. Eu estou sentindo um silêncio, em que eu sinto a conivência dele, para não aparecer. Em vez de perder tempo nessa batalha, eu vou contar a coisa como eu me lembro. Se houver alguma… Agora eu percebi aonde ele está, está ali atrás! Bem, afinal, andemos!

Esse Milton Campos era o símile da mentalidade de “O Estado de S. Paulo” em Minas Gerais. E o grande amigo dele em São Paulo era o Júlio Mesquita — pai do que atualmente é dono do “O Estado de S. Paulo” — [que] naquele tempo era dono do “O Estado de S. Paulo”. É fato que se passou talvez há dez ou quinze anos atrás. Eles vieram rodando de Minas para cá, e falou‑se a respeito da TFP. Então, o Milton Campos disse isso. Que ele, como “O Estado de S. Paulo”, etc., não podiam suportar a TFP. Porque a TFP em vez de parar num meio termo e entrar numa composição com os que querem fazer o meio termo, a TFP queria chegar até a ultima lógica dos seus próprios princípios.

E que isso de chegar até a ultima lógica de seus próprios princípios, fazia com que eles considerassem a TFP um inimigo irreconciliável e capital. Dito e feito! Uma ocasião eu fui à Câmara dos Deputados, ia aliás, com D. Mayer, D. Sigaud, e o senhor Mendonça de Freitas, para apresentar o nosso livro sobre a Reforma Agrária. Estive com vários deputados, senadores, etc… Nenhum… uns muitos corteses, outros menos. Um dos mais corteses foi um dos homens que eu combati, foi o Plinio Salgado. O menos cortês foi o Milton Campos. Foi o mais grosseiro de todos. Não foi fazer esse… Mas foi, ele me viu, viu quem eu era, viu que eu estava ao lado de D. Sigaud, cumprimentou D. Sigaud com uma amabilidade exagerada, olhou para mim e foi embora sem me cumprimentar. Quer dizer, com intenção ostensiva, a intenção ostensiva de me desafeitar. Por quê? Porque nós representamos o contrário dessa mentalidade.

Agora, essa mentalidade o que é, debaixo do nosso ponto de vista? É a “quinta coluna” triunfante, desde que Lutero deu seu brado de revolta. Porque de lá até aqui, continuamente, as vitórias deles são de que o meio termo se alia com o mal. O mal se encolhe um pouco e faz engolir pelos bons uma parte de si mesmo. Nisso está feito a história. São girondinos e tudo o mais.

Exatamente o que fez a Contra-Reforma foi impedir isso. E não houve na Revolução Francesa uma Contra-Revolução que impedisse isso. É a contragironda, esses somos nós. Portanto, a reparação vai principalmente para aí. Eu sei que eles ficam indignados com essa visualização. Porque eles gostariam, naturalmente, que nós fôssemos por cima dos comunistas, etc., eles ficariam dando risadas por trás assim, como quem diz: “Deixe esses bobos pegarem no touro, mas tourada não é com o touro, a tourada é comigo, eles não percebem…”.

Não, não! A tourada é com você!”. Portanto, nas minhas cóleras, como nos meus atos de reparação, esta gente entra em primeira linha. Então, a Falsa Direita, etc… É isto! Por aí que eles vão! Está claro, meu filho?

* O pessoal do meio termo tem uma espécie de “profetismo do demônio”, pelo qual sentem que, sendo ambíguos, acabam ficando impunes, e conseguem levar para adiante todas as vantagens humanas que pretendem

(Sr. Luiz Francisco: O Senhor comentava após a Reunião de Recortes, que não sabia dizer qual o castigo que tocaria essa gente. Não sei se o Senhor podia dizer algo a esse respeito.)

Esse pessoal do meio termo, para dizer a coisa como eu penso, eles têm uma espécie de pressentimento que é, para usar a expressão que eu estive vendo num trabalho muito bem apresentado pelo Átila Guimarães, tirado do Cornélio a Lápide — tem isso no Cornélio a Lápide — e, por analogia, se pode empregar essa expressão: “profetismo do demônio”. Esse pessoal tem uma espécie de profetismo do demônio por onde está neles o seguinte estado de espírito:

Eles sentem que sendo ambíguos, eles ficam impunes. E que, portanto, tocando o jogo da ambigüidade, eles tocam todas as vantagens humanas no barco deles.

E sentem mais ou menos que nesta vida há uma coisa qualquer por onde mesmo, é mais raro eles sofrerem do que os que estão nas outras duas posições ideológicas. Essa é a era dos mornos. Bem, e por causa disso, eles se põe numa posição como se o universo fosse dos mornos, e como se eles tivessem uma espécie de blindagem contra Deus, que lhes garante que nada lhes acontecerá, ou pouco lhes acontecerá.

Daí vem a segurança em geral dessa gente. E a gente olha essa saparia — porque o sapo é o tipo do morno —, essa gente toda, a posição deles é de seguros da vida, etc., e um seguro que a gente olha para eles e percebe que eles têm razão para estar seguros. Eu não sei se estou me exprimindo bem.

Bem, esses, esse tipo de gente, eu imagino que atitude teria se eles vissem de repente que aquilo que eles imaginam que é uma blindagem contra Deus, se racha e que eles ficam na sua insignificância, na sua covardia e na sua incoerência, sujeitos à cólera vingadora de Deus! Quer dizer, eles ficariam como quem perde completamente a razão, perde completamente o bom senso. Seria mais ou menos como o romance, de um mal romancista, falou‑se dele há uns vinte anos atrás, eu acho que os senhores nem ouviram falar dele, um tcheco chamado Kafka. Esse Kafka sonhou, num dos romances dele, que ele de manhã tinha acordado e estava transformado numa enorme aranha.

Quer dizer, ele tinha toda a mente de um homem, mas ele estava transformado em aranha. E a partir daí ele desenvolve o romance dele. É um romance besta, eu detestei aquilo. Leram‑me pedaços para eu ler, que eu tive que ouvir por questões de interesses de nossa Causa. Mas eles se sentiriam transformado em aranha, uma coisa sem sentido completamente.

Bem, nesta hora, eles tentariam arrepender‑se. E tentariam colocar‑se de nosso lado, alguns, porque a outros preferiam ir para o Inferno. Mas aí, destes, vários sentiram que é tarde, que não se arrependem mais. E de qualquer maneira, o ódio que eles formaram contra nós é tal, que eles prefeririam, muitos deles, ir para o Inferno a entrar num entendimento conosco.

Quer dizer, essa coerência que vai até o fim, eles odeiam isso, como nós odiamos o demônio! De maneira que, por exemplo, vamos dizer agora…

(…)

Disso eu não tenho dúvida. Não sei se está claro?

Bem meus caros, mais duas ou três perguntinhas e nossa noite está encerrada.

* O desejo de nosso Pai e Fundador de compor uma ladainha pelas nações, encabeçada por uma ladainha ao Papa — “Eu me desfaria de alegria e de bem‑estar de alma, se eu pudesse compor uma ladainha de louvor ao Santo Padre!”

(Sr. Maurício Sucena: O Senhor disse no Santo do Dia que gostaria de compor uma Ladainha das nações. Sabemos que o tempo aqui não permite tal, mas se o Senhor pudesse um pouco nos dizer como seria, etc…)

A ladainha das nações, neste sentido da palavra “Ladainha pelas nações”. Porque Ladainha de nossa Senhora é ladainha para Nossa Senhora. É claro que não seria uma ladainha… Os senhores estão vendo bem por que é que eu estou dizendo isso… é para dar na cabeça de quem os senhores sabem! Não nos amolar, não termos “mutucagem”. A ladainha em favor das nações. Como se poderia fazer a ladainha dos oprimidos. Não é rezando para o oprimido, evidentemente, mas é em favor dos oprimidos, em prol dos oprimidos.

Agora, aí seria bonito imaginar, fazer o cortejo das nações. E esse cortejo das nações, a gente fazer considerando nelas o que ainda vive, e não o que atualmente existe. Porque para isso não teria a menor vontade. Pegar essas nações enquanto construtoras de prédios de apartamento de oitenta andares, fazer ladainhas para elas!?

(…)

Das”, os senhores tomando a expressão “das”, a palavra “das”, nesse sentido, a ladainha das nações deveria começar por uma ladainha ao Papa. Chave de cúpula da ordem Católica, chave de cúpula da Igreja Católica, está muito bem e, principalmente e como tal, aquele para quem se voltam todos os olhos que em qualquer ordem se levantam. Até onde se pode levantar, encontram a ele.

E eu me desfaria de alegria e de bem‑estar de alma, se eu pudesse compor uma ladainha de louvor ao Santo Padre!

Quem sabe se folheando o Cornélio na gruta, isso vai. Agora não vai. Nós estamos em plena batalha. Nunca ninguém compôs obras de literatura em plena batalha! Bem. Depois disso, por aí, nem sei o que é que iria. Seria o cântico de respeito e de louvor do novo mundo para o antigo mundo!

Seria também o preito de fidelidade. A promessa de continuar, a promessa de respeitar, de conversar, de estimular e de continuar. Seria uma coisa esplêndida. E é dentro disso que eu conceberia o elogio das nações e a impetração por cada nação. Mas isso é uma coisa tão longa, que eu não tenho — para dizer uma palavra só — folego para compor agora não. Mas fica assim, vagamente esboçado. Mas pesando sobre essa ladainha, uma terrível interrogação e um luminoso ato de confiança.

Terrível interrogação. Todos nós temos sangue europeu, ou quase todos. E, portanto, amamos a Europa, como quem ama o sangue que lhe corre nas veias… Europa continuará? Olalá! Não sei, não… Bem. Agora, o que a Providencia poderá fazer viver? Muitas vezes quando eu faço a visita ao Santíssimo Sacramento, eu penso nisso:

Quem duvida disso não tem Fé em quem está realmente presente no Santíssimo Sacramento, porque Ele é a fonte de todas maravilhas. Ele é que cria tudo. E Ele se quiser fará coisas incomparavelmente mais belas, tomando resíduos de povos que nós não imaginamos quais são.

E possivelmente, se o Reino de Maria contar com as nações européias e americanas, o Reino de Maria vai ser ainda mais belo do que nós imaginamos! O que lá sei? Mas depois de uma reunião com a de hoje à tarde é possível não ter essa dúvida? Não é uma certeza, é uma dúvida. É possível não haver essa dúvida? Quem pode não ter essa dúvida?

Bom, última pergunta!

* A ladainha da indignação seria retomar a História e aí fazer as increpações todas

(Sr. Maurício Sucena: Há o lado indignação, que o Senhor disse que também teria.)

Não. A ladainha da indignação seria retomar a História e aí fazer as increpações todas! Quanta coisa para dizer! Mas já é outro caso.

(Sr. Dustan: Será que o Senhor fazendo essa ladainha, não moveria o Coração de Nossa Senhora a Ela salvar essas nações que o Senhor tanto deseja?)

Eu… [ilegível]… desse ponto, um ponto, que é o seguinte:

Eu quero a maior glória d’Ela. Se Ela afirmar a maior glória d’Ela dizendo para as nossas nações: “Eu vou vos mostrar que Eu não preciso de vós!”. Nós não devemos querer isso? Está claro? Vamos dizer por exemplo, que nós vivêssemos no tempo da queda do Império Romano do Ocidente. Nós pediríamos na certa para que o Império Romano não caísse e continuasse a civilização latina. Bem, o que é que teria acontecido? A Idade Média não teria sido o que foi! Essas coisas são…

(…)

(Sr. Dustan: […] Nossa Senhora, por onde Ela não quereria que o Senhor fizesse.)

Não, não é isso! Me parece que seria razoável que talvez Ela não quisesse. E aí… hic taceat omnis lingua, porque quero a glória d’Ela, com exclusão de qualquer outra coisa.

Bem como essa foi uma resposta rápida, eu dou mais uma. Meu Guerreiro, chegou sua vez! [Vira a fita]

* “As pessoas são analisadas de acordo com o que convém a nós: se a pessoa convém, é boa; se não convém, não é boa — Depois de ter avaliado molemente as pessoas, chega a ocasião de avaliar as nações, avaliar-se-á molemente também”

(Sr. Guerreiro: […] Qual o ponto moral, religioso ou metafísico de que a pessoa deve se nutrir, para ter a mesma indignação do senhor e a tristeza do senhor, em considerar o panorama que o senhor deu na Reunião de Recortes de hoje?)

Com muito gosto, mas a clave procede de um outro ponto do horizonte. É que …

(…)

trata com uma pessoa, avalia um conjunto de coisas. A pessoa tem umas duas ou três qualidades morais muito saliente, que agradam a gente. Depois tem alguns hábitos que a Opinião Pública elogia muito. Depois tem algumas boas disposições para conosco, que leva com que a gente se sinta muito lisonjeado, muito contente. Então, tudo isso entre na avaliação da pessoa juntamente com outros critérios. Um dos critérios é se a pessoa está em estado de graça ou não está, se vive bem ou vive mal.

E então, a gente é levado a compor uma espécie de opinião a respeito dos outros que consta de dois elementos: um elemento muito vivo, que é a impressão. E um elemento mais ou menos platônico e teórico, que é o juízo que a gente faz à vista da confrontação entre o que a gente sabe da pessoa e os Mandamentos.

Então, é freqüente por exemplo, a gente saber que “A” ou “B” ou “C” é herege. Por exemplo, um ministro protestante. Mas é um ministro protestante que vive num país católico, que teve cem ocasiões de se converter e não se converteu. É, portanto, um homem altamente rejeitável. Mas ele é amável, ele é gentil, ele faz elogios, tem aquela bajulação própria de um ministro protestante, aquela coisa toda, a gente… ele nos pegou numa hora em que nós estávamos deprimidos por causa de críticas de outros, e nos inflou, a gente diz: “Aquele é bom”.

Mais adiante a gente encontra uma pessoa que a gente sabe que é contra-revolucionário ultramontano, mas teve a infidelidade de fazer um juízo errado a respeito de nós, ou às vezes um juízo certo, mas que nós não gostamos que fosse feito. Dizemos: “Aquele é ruim”.

Forma‑se o hábito de ter noções, juízos inteiramente errados a respeito das pessoas. Errados por que são ambíguos e feitos dentro do caos. Em que, em ultima analise, as pessoas são analisadas de acordo com o que convém a nós: se a pessoa convém, é boa; se não convém, não é boa.

Bem, ora, isso é entre nós um hábito tão, tão generalizado, e que de tal maneira vem desde a infância, que eu não acredito que haja um, que não tenha alguma coisa desse defeito. Agora, o resultado é que quando chega a ocasião, depois de ter avaliado molemente as pessoas, chega a ocasião de avaliar as nações, avaliar-se-á molemente também. Porque é preciso ter a noção da gravidade do pecado mortal.

* “Se eu não tenho horror ao pecado mortal do outro, eu não vou ter um horror real ao meu pecado mortal” — As nações de tal maneira se colocam em pecado mortal, pela moleza de uns e pela canalhice de outros, que devem ser julgadas com muita severidade pela gravidade do pecado que cometem

Quer dizer, as palavras “pecado mortal” dizem tudo. É um pecado que leva a Deus retirar sua graça da alma, de maneira que a alma é como morta. E enquanto a pessoa permanece no pecado mortal, Deus a odeia! Deus a ama apenas no sentido de que Ele ainda deseja salvá‑la. Mas enquanto ela resiste a esta salvação, ela é odiada por Ele.

E eu, portanto, devo ter horror ao homem que está em estado de pecado mortal, sob pena de eu mesmo cair no risco de me deixar levar pelo pecado mortal. Porque se eu não tenho horror ao pecado mortal do outro, eu não vou ter um horror real ao meu pecado mortal. E, portanto, em certo momento, vem uma tentação mais ou menos forte, eu peco. Ora, isso é capital para nós avaliarmos as nações.

As nações que de tal maneira se colocam em pecado mortal, pela moleza de uns e pela canalhice de outros, essas nações devem ser julgadas com muita severidade pela gravidade do pecado. E nunca eu os exortarei suficientemente a ter uma noção inteira da gravidade do pecado. Eu vou dizer mais:

Eu acho que a maior parte das pessoas que peca, peca por que não tem uma noção inteira da gravidade do pecado. E isso reflete na reunião.

Pessoas que aderem a nossa causa com toda alma, que podem estar vivendo na posse habitual do estado de graça, etc., essas pessoas vão julgar o pecado no outro, elas não têm a severidade necessária. Vão julgar seu próprio pecado, também não tem severidade necessária. E por isso pecam! Quer dizer, uma das coisas características do espirito católico, é o horror ao pecado mortal, que é o horror que o próprio Deus tem ao pecado mortal. Isso nós não devemos perder de vista, e é o fundo da coisa. Não sei meu filho, se eu fui claro?

(Sr. –: Sim.)

Bem, então meus caros, já são duas e meia, já é hora de nós nos despedirmos, etc., e Salve Maria!

(Sr. –: Fatinho!)

Fatinho?! Não tem fatinho. Não se conta fatinho a essa hora. Vamos rezar uma Ave Maria…

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