Conversa de Sábado a Noite – 17/9/1983 – [CSN 48] . 14 de 14

Conversa de Sábado à Noite — 17/9/1983 — [CONVERSA DE SÁBADO À NOITE 48]

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O cansaço de admirar leva filhos do Senhor Doutor Plinio a receber com indiferença explicitações que deixam De Mattei pasmo de admiração, apesar de não ter nenhum amor * Um dos fatores da grandeza da Senhora Dona Lucilia: ter sido isolada à medida que sua geração aderia ao mundo novo e abandonava certa mitologia familiar consonante com a Igreja * Os ares abrutalhados que o Senhor Doutor Plinio teve necessidade de tomar em sua adolescência causaram à Senhora Dona Lucilia medo de que ele tivesse mudado * “Filhão, eu não tenho ninguém… mas você eu tenho por inteiro!” * A queda de um quadro e a quebra da caixinha de música, no momento em que o Senhor Doutor Plinio pensava no imediato fim de seu isolamento, caso ele fosse a algum lugar ruim * Sem a graça de Genazzano, o coração do Senhor Doutor Plinio aos 74 anos não seria “um relógio suíço” e ele já teria morrido

Índice

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* Quando visitava a Alemanha, o Senhor Doutor Plinio teve pânico de ir parar na Lubianka - Na França, encontrou uma curiosidade mais malévola que benévola em relação ao Brasil

numa caixa de chapéu, a coroa da Baviera. E os comunistas dando tiro para acertar nele. Ele então conseguiu pegar o caminhão, e o caminhão tocou a toda para a Suíça. Lá na Europa as distâncias são muito pequenas. Então, em pouco tempo ele estava na Suíça. E a Suíça, com as fronteiras abertas, etc., eles estavam fora de perigo.

Eu pensei: “Esse pessoal aqui é habituado. Eu vou tomar o caminhão, começam a dar tiro em mim também. Que negócio é esse? E o pior não é que eu morra, é que eu caia no chão, ferido, e vou para Lubianka”. Que era meu pânico.

(Sr. Paulo Henrique: …foi uma noite horrível para o senhor, mas o senhor guardou tudo muito bem, a ponto de interessar o auditório.)

Comprei a caro preço. Agora, os personagens são muito mais interessantes que os do lado de cá do Atlântico. Nossa história não tem personalidades interessantes assim. Eu conheço pouco a história do Chile. Mas na história do Brasil não tem personalidades interessantes assim.

(Sr. Paulo Henrique: nossa história está começando…)

(Sr. Carlos Antunes: o senhor falou ontem: a história da América Latina tem poucas páginas escritas ainda tem muito a escrever. Ao passo que a Europa e Estados Unidos já escreveram quase tudo, não lhes restam muitas páginas…)

É isso. É verdade. Eu não garanto que todos os europeus que estavam lá tivessem gostado do que eu disse. Porque ontem eu fui um pouco duro com a Europa, no Santo do Dia. Mas a gente vê que eles ficam…

(Sr. Paulo Henrique: é duro, mas é a realidade.)

É a realidade, eles têm que ouvir. E sabe por que que eu disse? Para habituar a nossa gente a dizer isso para eles, para eles e outros europeus com que estejam. A metáfora do caderninho é para dizer para outros. Dizer: “Nós julgamos nossa posição na história assim”.

(Sr. Carlos Antunes: é o que senhor sempre disse.)

É, às vezes uma metáfora ajuda muito a empurrar uma coisa.

(…)

Paulo Henrique, está vendo essa toalha de renda? Foi mandada por gente simpatizante da TFP do Porto. É linda.

Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Rogai por nós…

Divino Menino Jesus.

Tende piedade de nós.

[O Sr. Paulo Henrique conta dois casos que demonstram como os brasileiros são bem tratados e considerados na Europa, inclusive na França]

Então mudou muito, porque quando estive lá não era isso. Era uma curiosidade. Tinha um pouco de benévola, mas mais malévola do que benévola.

(Sr. Paulo Henrique: eles tem lá suas distâncias, mas já sentem que aquilo já acabou.)

É, essa é a questão. Auri sacra fames.

(Sr. Poli: …fizeram uma civilização que não tem mais criados, não tome conta das casas, mulher trabalha para um lado, marido para o outro.)

Bom! São Paulo está ficando isso. Rio vai logo atrás de São Paulo. E as capitais maiores do Brasil estão ficando isso. É uma tristeza. É o mundo moderno. Eu garanto a você que os parisienses se ufanam muito mais dos bildings que eles têm lá, asquerosos, do que dos seus monumentos, suas coisas antigas. É uma coisa abaixo de qualquer crítica.

Mas meus caros, querem fazer uma pergunta?

(Sr. Carlos Antunes: …os inimigos vêm o êxito do senhor e invejam. O grande ódio deles é da inveja.)

Fora de dúvida que é. Não é só inveja. É a oposição ideológica, fundamentalmente, o maior ódio. Depois a inveja.

* Causas de agastamento para filhos moles: o Senhor Doutor Plinio luta mais contra riscos graves que contra riscos próximos; ele procura mais grandes bens que bens próximos

(Sr. Carlos Antunes: …o que leva um filho do senhor a pensar desse jeito, a não simpatizar com a maneira do senhor fazer as coisas, em meio à luta e às dificuldades, mas acharem que a maneira otimista é mais correta?)

É uma série de circunstâncias que influem para que as pessoas pensem assim. A primeira circunstância que mais diretamente influencia é a seguinte. Há uma espécie – eu noto muito isso – uma espécie de hábito de levar a vida mole, que faz com que quando a pessoa trata comigo e eu vou levantar os planos de ação, eu sempre prevejo as piores…

[Defeito na gravação]

acontecer. E em face disso eu lanço esforços preventivos muito árduos.

Eu, em vez de prever o mal mais próximo – eu prevejo também – mas minha maior atenção vai para o mal mais grave. O mal mais próximo vai remotamente, indiretamente. Porque se uma coisa pode me custar, etc., o sacrifício da vida, como eu sou responsável por minha vida perante Nossa Senhora, eu sou obrigado a lutar muito mais contra um risco de vida, embora remoto, do que contra um risco de maus negócios, embora próximo.

Agora, ninguém pensa assim. Os riscos remotos, ainda sobretudo quando são muito desagradáveis, a pessoa não prevê. E prever a perda da coisa próxima e gostosa, a pessoa prevê muito.

Isso faz uma reviravolta nas cabeças, fundamental, porque obriga a uma vida muito mais dura do que eles levam. E por causa disso, quando eu vou lançando planos assim, eu noto um agastamento muito maior do que habitualmente as pessoas têm entre si. E meus interlocutores não dizem, porque são do Grupo e me respeitam, mas eu percebo o agastamento dentro deles. Sobretudo se minha previsão está na órbita das atividades deles, e os obriga a fazer uma determinada coisa.

Outras vezes é uma coisa extremamente boa, mas é árdua, é improvável, todo bem senso leva a supor que aquilo não vai dar resultado. Mas por um raciocínio paralelo eu procuro alcançar aquilo porque é extremamente bom. Quem está trabalhando por mim ou sob as minhas ordens, está habituado a uma outra idéia: “Como é muito improvável, não vou fazer esse esforço. Porque a principal preocupação minha não é fazer vencer a causa, a principal preocupação minha é de levar uma boa vida. E no sistema que Dr. Plinio leva, pode ser a que a causa seja avantajada, mas a boa vida é prejudicada a toda hora”.

Agora, eu não posso evitar que isso cause mal estar. E se sinta mal à vontade uma pessoa que não levou a abnegação até esse ponto.

* Exemplo da procura de um grande bem porém remoto: a tentativa de conquistar um Romanov residente na Itália

Por exemplo, uma coisa na qual a pessoa em foco agiu… pelo menos não notei senão que tenha agido perfeitamente, foi meu querido Paulo Henrique. Mas houve um grão-duque, um Romanov portanto, que escreveu a propósito da Mensagem. Ele mandou um cupom. Sendo um Romanov, devia ser um homem muito velho, provavelmente meio tan-tan, e provavelmente venido a menos ao último ponto, e se não duvidar muito um [facadista?]. Além do mais um homem da I.O. e, portanto, um homem no qual não se poderia ter a menor confiança. Mas podia ser que ele tivesse um filho ou neto que fosse uma espécie de Andreas Meran.

Ora, isto eu consideraria para o Grupo um dom de Deus. Ter um verdadeiro Romanov eremita, ou camaldulense, ou apóstolo itinerante, quem de nós não ficaria comovido com isso? Mas é muito pouco provável. Porque de todos os príncipes da Europa saíram Dom Luiz, Dom Bertrand e Andreas! Mais nada!

O que eu insisti para o Paulo Henrique procurar o Romanov, eu fui até o limite em que eu receei exasperá-lo. Ele não deu nenhum sinal de exasperação, mas eu fui até o limite. Afinal, ele encontrou um homem que justificaria as previsões mais negras, porque era um gagá, que morava numa cidadezinha pequenininha – não era Genazzano.

(Sr. Paulo Henrique: se chama Tolfa.)

Um ninho de rato. Esse pobre grão-duque foi morar lá. E o Paulo Henrique conseguiu alguma informação sôbre ele, porque era um homem que às tardes ia jogar gamão, sei lá o que, ou xadrez, com um farmacêutico na arrière loje do farmacêutico.

(Sr. Paulo Henrique: era numa tabacaria.)

Você pode imaginar o que é esse grão-duque. Também não deu nada. Ele perdeu um tempo enorme, eu perdi um tempo enorme, e não tivemos nada! Você compreende que facilmente ele poderia ter cedido à tentação e dizer: “Eu já estava vendo. Como é que Dr. Plinio, que é tido como tão perspicaz, não percebeu que não valia a pena?”

(Sr. Paulo Henrique: O senhor na instrução já dizia: provavelmente deve ser assim, assim.)

Mas é de propósito, para isso, para não dizer que eu não previ. Eu preparei isso, todas essas coisas, para ajudar a você a esse ato de fidelidade. Porque seria exacerbante encontrar o que era provável. O provável era você encontrar esse pobre dechét da humanidade esmagado pela cólera de Deus. E, outra coisa, ele provavelmente não se converteu para a religião católica, não tinha nenhuma religião, e é tão ruim como quando havia o czarismo, ou pior. Porque é o resultado dessas coisas.

Mas – está vendo? – um outro modo de agir.

(Dr. Edwaldo: Se algum Romanov for encontrado, isso pesou.)

Isso pesou. Quem sabe se de repente nos cai na mão um Romanov, filho de lavadeira, numa abordagem? Quem sabe?.

(Sr. Carlos Antunes: Tem que cair na mão do senhor.)

Eu não sei, não sei qual é o futuro. São duas coisas que me deixam muito intrigados. Qual é o futuro dessas dinastias, é uma coisa. E qual é o futuro da França, é outra.

(…)

das atitudes das pessoas comigo.

* O cansaço de admirar leva filhos do Senhor Doutor Plinio a receber com indiferença explicitações que deixam De Mattei pasmo de admiração, apesar de não ter nenhum amor

Ontem eu tive uma conversa com De Mattei, Dom Bertrand e Paulo Henrique. E dei umas indicações a De Mattei, como deveria agir uma organização não TFP, e uma organização que de outro lado entretanto fizesse uma política [como] a TFP.

O fundo da minha idéia era a seguinte. Essa idéia foi colocada alí na hora. Esse homem é um homem que nós podemos mover em algum limite para alguma coisa. E é possível que, pela movimentação feita por ele – desde que essa movimentação não nos comprometa – apareçam elementos que nos sirvam muito mais do que ele. E portanto vale a pena, durante algum tempo, movimentar esse homem, porque pode aparecer alguma coisa que sirva.

Você talvez note que esse fundo de pensamento explica inteiramente o que eu fiz alí.

(Sr. Paulo Henrique: Agora noto. Porque notei que o senhor foi muito paternal com ele, dando-lhe instruções, etc.)

Essa paternalidade era uma obrigação, porque eu não poderia fazer com ele um jogo desleal, e transformá-lo num mero fantoche. Uma vez que ele eventualmente pode servir para prestar este auxílio para a causa de Nossa Senhora, ele provavelmente vai ter alguma graça para ver mais longe e ser mais direito. A expectativa dessa graça obriga-me a fazer desde já o jogo dessa graça.

(Sr. Paulo Henrique: o senhor viu algo de abertura nele para…)

Não, nada. Mas o fato de ele servir para isso obriga-me a essa atitude.

(Sr. Paulo Henrique: compreendo, não era de imediato, mas no futuro.)

É das tais coisas. Ver no futuro me dá muito mais trabalho do que normalmente eu tomaria se eu fizesse um mero negócio com ele. Porque eu trabalhei ali – você talvez tenha notado – eu trabalhei. E fiz por ele o que eu podia.

De outro lado, ele ficou pasmo de eu dar diretriz a respeito da situação na Itália, e política da Itália, etc., etc., que ele não pensou que eu, morando aqui no Brasil, eu visse como era. Não sei se você notou que ele ficou pasmo.

(Sr. Paulo Henrique: sim, ficou impactado.)

(Sr. Carlos Antunes: mas sem enlevo.)

Não havia nem um começo de amor alí. Mas havia admiração sem nenhum pingo de amor. Mas admiração pelo que ele não imaginava que saísse. Nesse sentido, muito espantado.

Agora, eu estava prestando atenção nos meus dois queridos brasileiros, dois filhos que estavam ali. A diferença entre a posição deles e a do De Mattei. Como o De Mattei nunca tinha visto isso, que eu vejo bem que é uma coisa muito pouco comum, muito pouco comum, o De Mattei estava propriamente assim… como se eu tivesse posto um brilhante na mão dele. Era ao pé da letra a atitude dele. Você talvez ache exagerado, mas é o que eu acho.

(Sr. Paulo Henrique: sim, ele até estava sentado na ponta da cadeira, pensei que ele fosse cair.)

É para pegar tudo.

(Sr. Paulo Henrique: …e nós, o senhor vai concluir, mas enfim, ouvindo como moeda corrente.)

Para Dom Bertrand, para o Paulo Henrique, é moeda corrente. De maneira tal que saíram de lá – olha que duas pessoas muito chegadas a mim e em que eu confio inteiramente, tudo – saíram de lá absolutamente como entraram. Não se passou nada na sala.

Passou-se só isso. Que eu dei um plano político, um plano de psy-war para ele, relativamente à Itália, aonde há uns 30 anos eu não vou, há uns 20 anos eu não vou, de tal maneira que ele foi concordando – você deve ter notado – ele foi concordando com tudo aquilo daquele jeito. Mas ele não sabia dizer aquilo. Da cabeça dele não sabia.

Mas esse desgaste é cansaço de admirar: “Me deixe tomar fôlego, eu estou exausto de admirar”. E esse cansaço de admirar é uma das coisas por onde mais entra a recusa dos favores que Deus faz. Porque era um favor.

(Sr. Paulo Henrique: …especialmente os de nossa geração, tem esse cansaço… seria preciso readquirir o entusiasmo.)

Mas de fato dá num cansaço, o cansaço de admirar. Como quem diz: “Não, isso eu já sei! Ele faz coisas dessas. É a rotina dele… é fazer coisas dessas. E deixa eu viver a gostosura de minha rotina, ao lado da rotina dele”.

(Dr. Edwaldo: foi a crise dos apóstolos.)

Foi. Os apóstolos a gente vê que se enfararam de admirar Nosso Senhor. Por exemplo, não há nenhum sinal que a ressurreição de Lázaro tenha causado neles a admiração que causa em nós. Nenhum sinal. “É verdade… mas Ele já fez tantas dessas”.

(…)

* A autêntica solidão camaldulense cria condições para que renasçam a admiração e o amor ao Fundador - A melhor solidão é a de quem é rejeitado pelos que não amam a Deus

a solidão. A solidão camaldulense, quer dizer, a solidão autêntica, verdadeira, etc., tem qualquer coisa de grandioso. E a pessoa, adotando uma solidão por amor de Deus – é o caso deles – acaba no fundo, de um jeito ou doutro, aparecendo a ordem do ser, o real, a vida, etc., etc., numa atmosfera verdadeiramente grandiosa. A pessoa fica… – para usar uma comparação muito forçada – seria como se fosse a face de Deus que a pessoa acaba vendo.

E aí estabelecem-se espaços de alma para que a pessoa comece a sentir algo dentro de si, uma vontade de ver coisas dessas, um desejo de admirar, etc., etc. Eu não noto ainda que esteja nascendo, mas eu noto que as condições de alma para que isso nasça, essas vão nascendo.

Agora, melhor ainda do que a solidão camaldulense, é a solidão de quem está só porque é rejeitado porque os outros não amam a Deus. Essa é a solidão mais cheia de Deus. Eu não sei interpretar bem as bem-aventuranças, mas deve estar em alguma bem-aventurança. É uma solidão grandiosa, dolorosa. Uma verdadeira coroa de espinhos, mas grandiosa.

(Sr. Carlos Antunes: …o premio da solidão, camáldula, etc., é adquirir esse amor…)

É criar condições para esse amor à causa.

Eu noto, quando eu vou visitar os camaldulenses, que dentro do peso da vida deles – que é uma vida pesada, é verdade que a graça intervém, ajuda em muita coisa, etc., etc., mas é uma vida pesada – a gente vê, eu chegando de automóvel, é uma espécie da aragem de ar fresco. Mas um bando enorme de gente para a qual há 10, 20 anos atrás eu era uma aragem de ar fresco; depois deixou de ser, por isso mesmo, pelo cansaço de admirar e por outras coisas assim; mas eu chegando eles estão mais abertos para isso. E por que? Por causa disso. Está claro?

(Sr. –: Sim.)

(Sr. Poli: …a maior solidão que é a de estar só, o senhor dizia, é a de ser a única pessoa a amar a Deus.)

Ser recusado porque se ama a Deus, essa solidão é a que estabelece o espaço maior, aonde você se sente mais longe para tudo quanto significa adesão, e você se sente mais perto para tudo quanto significa pedrada. Quer dizer, eles são o mais possível fechado para qualquer qualidade que você tenha e o mais abertos que possam ser para os defeitos que você tenha. Ainda pior, eles quando odeiam os seus defeitos, é apenas com pretexto para odiar as suas qualidades. Porque de fato o que eles odeiam é suas qualidades. Eles odeiam que você ame a Deus.

* Um dos fatores da grandeza da Senhora Dona Lucilia: ter sido isolada à medida que sua geração aderia ao mundo novo e abandonava certa mitologia familiar consonante com a Igreja

(Sr. Poli: isso não foi um dos fatores da grandeza de Dona Lucilia?)

Foi, indiscutivelmente foi isso.

(Sr. Poli: Como o senhor via nela crescer a grandeza?)

(Sr. Paulo Henrique: e o entusiasmo do senhor para com ela.)

(Sr. Poli: e o entusiasmo dela para com o senhor, porque ela nunca se cansou da grandeza.)

Nunca, nunca. Isso é indiscutível.

É diferente. Ela se formou… É uma coisa que vocês.. talvez Paulo Henrique em Minas tenha pego alguma coisa assim, mas por exemplo vocês já aqui em São Paulo eu duvido, vocês dois, Rio Grande do Sul, Chile, eu duvido que tenham pego. É o seguinte. Os mais velhos tinham qualidades e defeitos, mas construíam tacitamente uma espécie de mitologia da seguinte maneira. Os aspectos bons da pessoa eram os únicos que tinham direito de aparecer, os aspectos maus ainda quando se notasse a gente devia fingir que não vê. E devia evitar de falar sobre esses aspectos maus.

De maneira que, para uma pessoa mais moça numa família, apareciam nos mais velhos apenas os aspectos melhores. Isso formava uma espécie de mitologia da família que tornava os membros da família, para os mais novos, profundamente respeitáveis.

De maneira tal que críticas que se pudessem fazer às pessoas da geração dos meus avós – pessoas que eu não conheci e de quem mamãe falava de vez em quando – no fim da vida dela, ela soltou algumas coisas. Antes disso ela apresentava invariavelmente como pessoas nas quais ela só via qualidades. Foi no fim da vida dela; mas pequenas críticas.

Por exemplo, a mãe dela. No fim da vida dela, ela contou que ela achava a mãe dela extremamente fraternosa. E a entrada que a mãe dela dava aos irmãos era uma entrada – depois que ela falou eu comecei a me lembrar e achei que ela tinha razão – era uma entrada única. Quando aparecia um irmão em casa, passava por cima dos filhos, passava por cima de tudo: “O meu irmão que chegou!” E alí todo o resto não tem importância: “Chegou o irmão, chegou a irmã”. É aquilo!

E naturalmente a boa ordem não é essa. Me pareceu que estava um pouco insinuado, sem eu ter certeza, que por alguns lados a minha avó colocava os irmãos dela acima do próprio marido. Pareceu-me que estava meio insinuado, mas não tenho certeza que ela tenha dito isto.

Mas isso é uma crítica pequena. Oxalá só houvesse isso para dizer das pessoas. É uma coisa que ela só me disse quando ela estava muito velha. E com o recuo do tempo ela foi dizendo alguma coisa. Antes disso nada. Ela nunca me falou mal da mãe dela. Eu via os defeitos da mãe dela, ao lado de qualidades. A mãe dela tinha qualidades, mas eu via os defeitos. Ela não.

Quando eu cheguei à idade de começar a perceber a parentela como era, eu ficava espantado de ela não falar, então eu cutucava: “Mãezinha, a senhora notou assim, notou aquela, notou aquilo outro, aquilo outro”. Eu via que ela notava, porque ela tentava umas desculpas muito esfarrapadas ou não desculpava nada, mas ficava quietinha como quem diz: “Porque você se mete nisso?” Bom. Pela idéia que a gente deve conservar dos mais velhos esta idéia mítica.

Eu acho que talvez em algumas famílias de Minas ainda exista isso.

(Sr. Paulo Henrique: uma vaga idéia, peguei algo, mas muito remoto.)

Mas o que eu conhecia de outros lugares de São Paulo, nada! Não sei se é bem assim, tem também alguma coisa.

(Dr. Edwaldo: se tinha, eram restíssimos disso.)

Bem, infelizmente conheço pouco o Rio Grande do Sul. E não conheço o Chile.

Então, ela tinha admiração por todas as pessoas, vendo as pessoas de acordo com essa mitologia. À medida que a geração dela foi abandonando essa mitologia, não procurava mais imitar isto, mas ostentava o contrário disso, ela foi se sentindo heuetée e demodée. E com isso também o intercambio dela com os outros foi caindo, até passar por eclipses fenomenais. Nunca grosserias ou coisas assim. Muito raras.

(…)

o problema é que ela, com isto, foi percebendo que era todo um mundo consoante com a Igreja que ficava para trás. E um mundo novo que vinha. Ela sabia observar muito bem isso.

* Os ares abrutalhados que o Senhor Doutor Plinio teve necessidade de tomar em sua adolescência causaram à Senhora Dona Lucilia medo de que ele tivesse mudado

No colégio São Luiz, cuja recordação tem muita importância, porque várias das minhas decisões da vida eu tomei sendo aluno no São Luís. Eu fui precoce nesse sentido. Mas, enfim, o fato concreto é que no colégio São Luís eu notei que, para eu não levar a tensão com os colegas a um ponto que fosse insustentável, eu precisava em algo ceder, que não fosse contra a minha consciência.

E eu era até então um menino de maneiras muito suaves, muito afetuosas, muito atencioso, etc. E compreendi que eu tinha que tomar uns ares abrutalhados, para excluir de mim a idéia de que eu era um carola, efeminado. E que era uma necessidade. E tomei esses ares.

Trinta anos, não sei quantos anos depois disso, mamãe comentando comigo uma coisa, outra, me disse o seguinte. Só assim. Que ela uma vez estava no terraço da casa de minha avó – nós morávamos lá – estava no terraço da casa de minha avó. Saiu a esse terraço assim para tomar um pouco de ar, um pouco de sol, não se costumava ficar no terraço. E ela muito ávida de sol – no que eu era o contrário dela – muito ávida de sol, quando a tarde era bonita, às vezes ela ficava assim, cinco minutos, dez minutos no máximo, no terraço para tomar sol, e voltava.

Ela estava no terraço quando me viu chegar do colégio. E viu mudança brusca no meu modo de ser. O modo de meter o pé no portão, ou a mão no portão, empurrar o portão com força para cima, e carregando uma série de livros que era difícil carregar tudo junto, e pisando bruto, e subindo a escada assim.

Ela pensou: “Pronto! Acabou-se o Plinio …”

Você está vendo bem quanto ela percebia essas mudanças. Depois ela mesmo disse: “Depois eu fui ver… e não, não tinha mudado nada!”

É porque eu quis graduar até lá. Você vê que ela percebia muito dessas coisas, e que ela portanto tinha sensibilidade…

(…)

[Vira a fita]

* “Filhão, eu não tenho ninguém… mas você eu tenho por inteiro!”

mas você eu tenho por inteiro.

(Sr. Poli: foi aqui nesse corredor, não é?)

Foi. No espaço que fica entre a porta do meu escritório – portanto espaço minúsculo – e a porta que dá para o hall. Nesse lugar. É mínimo. Parou e ali e – coincidência – eu estava lá, e ela me abraçou e disse: “Filhão, eu não tenho ninguém… mas você eu tenho por inteiro!” Eu beijei a ela, brinquei um pouquinho com ela, etc., etc. Enfim, agradei um pouco a ela, e continuei no meu trabalho e ela nas atividades dela.

(Dr. Edwaldo: ela vivia disso, sem isso ela não agüentaria.)

Se por exemplo eu morresse, tenho impressão, acho, que ela morria pouco depois. Embora ela tivesse até um bom coração – agüentou até 92 anos. Mas não sobreviveria. Ah, isso eu tenho certeza. Aliás, para ela era o melhor. A vida dela perdia a razão de ser, se eu morresse. Ela vivia para mim. Enfim, coisas e coisas e mais coisas, nem sei o que dizer.

Mas perguntem mais algo que estou à disposição.

(Sr. Carlos Antunes: o senhor pensou em algo aí…)

É o seguinte. Essa casa aqui, montada como está…

(…)

* A queda de um quadro e a quebra da caixinha de música, no momento em que o Senhor Doutor Plinio pensava no imediato fim de seu isolamento, caso ele fosse a algum lugar ruim

estava a porta do meu quarto para o quarto de mamãe aberta, mas fazendo a minha sesta obrigatória. Mamãe fazia questão, por causa do desvio da espinha. Mas eu acho que não adianta nada, não é Edwaldo? Deitar encima do chão, com uma toalha apenas… adianta é?

(Dr. Edwaldo: Sim.)

Eu era muito hostil a isso, mas bastava ela querer que… era lei abraçada com encantos.

E eu estava deitado, mas pensando uma coisa não boa. Eu estava pensando em toda a perseguição que eu sofria, gemendo por causa do meu isolamento e pensando o seguinte. Aqui estava o lado não bom. Eu não estava formando plano de ir para um lugar ruim, isso não, mas eu estava imaginando, a lá enjolras, como seria se eu… Eu fiz essa reflexão: “Se eu me levantasse e fosse agora para um lugar ruim, eu iria para o banheiro que está aí ao lado, levava o rosto, fazia a toilette e depois viria me ver aqui no espelho do quarto de mamãe, porque o espelho é melhor do que o do banheiro, acabava arranjando alguma coisa no laço da gravata, e depois sairia. E as mil barreiras que há em torno de mim se moveriam, e o mundo estaria aberto para mim”.

Eu estava entregue a esse pensamento, quando de repente esse quadro despencou, como se fosse uma punição, encima daquela caixinha: pammm! E eu fiquei assustadíssimo, e me perguntei se não seria um aviso do céu. Me fez bem.

Bem, uns quarenta ou cinqüenta anos depois, o João Clá conserta isso e como resgata os efeitos desta concessão que eu tinha feito. Não sei se está claro.

(Sr. Paulo Henrique: claríssimo. Quanto ao resgate, não havia o que resgatar.)

Havia, havia. Não era bom. Isso é um pensamento que poderia conduzir a alguma coisa má. Não poderia conduzir a tentação contra a pureza. Eu tive tentações contra a pureza. Não quero dizer que não tenha tido. Tive muitas, mas graças a Nossa Senhora venci-as. Não era isso que estava em cena, mas é a tentação de me vender, de abandonar esse isolamento.

* Sem a graça de Genazzano, o coração do Senhor Doutor Plinio aos 74 anos não seria “um relógio suíço” e ele já teria morrido

(Sr. Paulo Henrique: o demônio, com a vocação do senhor, quantas cargas, quantas lutas, quantas provas…)

Hiii… inenarrável. Eu fico pasmo de ver que com essa idade ainda estou com o coração tão bom. Um charlatão homeopata, que eu fui consultar pouco tempo atrás, fez um exame cardíaco detido, segundo os rigores da homeopatia. Quer dizer, com aquela maquininha, não sei bem como é a história, uma corneta, uma coisa que encostam na gente. Bem, ele fez o exame dele e depois no fim me disse: “É um relógio suíço”.

Porque, no meu tempo de mocinho, adolescente, eu passava por tantos apertos nesse sentido, que muitas vezes eu sentia meu coração bater, bater aqui dentro da garganta, sentia como se o coração estivesse na garganta e batesse. Tais eram os apertos.

(Sr. Poli: a idade não é nada, mas a roda viva em que o senhor está, o que senhor move, o que o senhor agüenta, o senhor carrega, era para deixar qualquer coração espandongado.)

Aí é preciso dizer, eu devo a minha sobrevivência à graça de Genazzano. Senão não teria agüentado. Aí isso você pode ter certo que eu teria morrido.

* O Senhor Doutor Plinio oscula todos os dias, de manhã e à noite, duas pétalas tocadas no afresco de Mater Boni Consilii e um cordãozinho tocado no Santo Sudário de Turim

E por isso está junto com alguns santinhos que eu tenho no meu oratório, e osculo toda manhã e toda noite, tem um cartão onde estão presas duas pétalas, comprimidas e muito bonitas, de rosas colhidas no altar de Nossa Senhora de Genazzano, e que um filho meu me mandou de Roma, com um bilhete e com um cordãozinho vermelho, que eu perdi memória do que é. Você se lembra do cordãozinho vermelho?

(Sr. Paulo Henrique: não me lembrava.)

Tem um cordãozinho de seda vermelho junto, mas eu perdi memória do que é esse cordãozinho de seda vermelho.

(Sr. Paulo Henrique: não me lembro de ter enviado, mas muitas vezes rezei pelo senhor lá.)

Foi. E eu ficava muito sensível a isso, mas muito. Tanto mais que me dizem que a imagem lá está muito abandonada. Bem tratada, não é?

(Sr. Paulo Henrique: isso sim…)

Amadeu você me traz, lá no oratório meu, de Nossa Senhora, aquele cartãozinho com duas pétalas de rosa.

(Sr. Paulo Henrique: aquelas rosas colhidas no altar, colocadas num pau que tem um alicate na ponta, e a rosa foi tocada no vidro que reveste a imagem. Foi a razão pela qual mandei para o senhor.)

É, eu gostei muito. Aliás, pétalas muito bonitas. Mas você apertou bem depois, secou bem, não foi?

(Sr. Paulo Henrique: creio que dentro de livro.)

Olha aqui, essa aqui. Eu osculo isso tão de pressa, de manhã, que eu nem me lembro, mas tem alguma coisa escrita aqui, não tem?

(Sr. Paulo Henrique: sim.)

Foi você me que escreveu isso?

(Sr. Paulo Henrique: não, “pedaço de seda que cobriu a Santa Síndone – não foi mandado por mim – no transporte do “duomo” à real capela, na noite de 8 de outubro de 1978.)

Então é esse negócio. Eu estava para perguntar para você. Mas eu tinha explicação a isso: com certeza eu recebi mais ou menos ao mesmo tempo as duas coisas, e eu liguei uma coisa a outra. Aqui o que tem atrás?

(Sr. –: “Em Nosso Senhor Jesus Cristo ver todos os irmãos crucificados, ó Pai que glorificou o teu Filho, Jesus Cristo, na sua beata Paixão, e o constituiu Senhor na sua ressurreição dos mortos. A nós que veneramos a sua imagem representada no Santo Sudário, “dona de contemplare” o seu rosto glorioso. Amén”.)

Ah, então isso tocou no Santo Sudário. Mas isso osculo todos os dias, de manhã e a noite.

* O Senhor Doutor Plinio deseja um parecer eclesiástico sobre o milagre do afresco de Genazzano suspenso ao ar, uma boa fotografia do afresco, informações sobre Petruscha e sobre o processo de canonização do Bem-aventurado Belezzine

(Sr. Paulo Henrique: …há pouco tivemos notícia que um notário esteve lá, verificando com corda o milagre, etc. Mas nunca nos deixaram ver por trás, já tentamos de todos os modos. Tem um padre que fica rezando ali, sempre. O senhor talvez me desse algum conselho.)

Se voltar a Roma, não deixe de ir à Genazzano, mas combine antes comigo bem como tentar mexer para ver a declaração do notário.

(Sr. Paulo Henrique: não sei se ele vai ser sensível a dinheiro, mas…)

Se ele reza tanto assim, mais vale a pena não empregar o dinheiro, mas tocá-lo pela oração. Dizer que é um senhor que recebeu uma graça assim, etc., que luta muito e que entretanto encontra na graça que recebeu o fundamento de toda a sua resistência, etc., que estaria muito interessado em conhecer, etc, e como é exatamente, que você falou com esse senhor, que esse senhor gostou muito, ficou muito agradecido, que é uma pessoa de idade, etc.

(Sr. Paulo Henrique: é, vou fazer uma promessa à Senhora Dona Lucilia e confiar.)

Isso, isso. É, vamos fazer uma tentativa.Porque exatamente eu ouvi dizer que a imagem é uma tela, mas que fica de pé.

(Sr. Paulo Henrique: é um afresco.)

Sobre um pouquinho de reboco de parede, então?

(Sr. Paulo Henrique: Sim.)

Ah, ficou o buraco na Albânia, é.

(Sr. Paulo Henrique: no livro de visitas está consignado, tem albaneses que vão lá e pedem que ela volte para a Albânia.)

Qual é a sua impressão, volta ou não?

(Sr. Paulo Henrique: não sei se ela fica na Itália, porque a cidade de Genazzano, que é pequenininha, o prefeito é comunista.)

(Sr. Carlos Antunes: para a Albânia ela não vai, porém vai para onde esteja o senhor.)

Nunca essa idéia me passou pela cabeça.

(Sr. Paulo Henrique: ela é linda. As imagens não dão a realidade.)

Não seria possível tirar uma bonita fotografia de lá, diferente dessas estampas? Você sabe fotografar?

(Sr. Paulo Henrique: tem vidro na frente, parece que assim se torna difícil. Eu não entendo de fotografia.)

(Sr. Carlos Antunes: o senhor desejando que venha, Ela vem.)

Aí é o caso de dizer: Dominus non sum dignus.

O São Bento canta um Dominus non sum dignus lindíssimo.

(Sr. Paulo Henrique: se o senhor não é digno quem é digno?)

Ninguém. Ela está lá onde Ela quis ir.

(Sr. Paulo Henrique: mas houve uma rejeição.)

Imagine o que seria, se o comunismo tomasse conta da Itália e a imagem aparecesse aqui.

Como é que se chamava aquela beata?

(Sr. –: Petruscha.)

Petruscha. Mas ela é bem-aventurada?

(Sr. Paulo Henrique: parece que é beata.)

Ficam as três encomendas eventuais:

1) conseguir o parecer do notário eclesiástico e conseguir olhar um pouco como é, para descrever;

2) se possível uma boa fotografia;

3) informação da Petruscha, o que que é, se houve processo de canonização, se pode se obter esse processo;

4) o processo de canonização do bem-aventurado Belezzine. Porque tem umas fotografias de lo ultimo dele. Inclusive tem quadros dele a la “heresia branca”.

(Sr. Paulo Henrique: colocaram aquela máscara nele.)

E com os olhos saltados, uma coisa esquisitíssima. Mas ele tem que ter sido outro. E ele é para Ela, um pouco o que é São Luiz Grignion de Montfort para o conjunto da devoção a Nossa Senhora. De maneira que eu tenho relíquia dele e tenho muito devoção a ele.

(Sr. Paulo Henrique: …tem também lá o sino que foi tocado pelos anjos quando Nossa Senhora chegou. Ela chegou no dia da festa de S. Marcos, 25 de abril. Por isso a festa dela foi colocada no dia 26 de abril.)

O corpo de São Marcos foi entregue aos cismáticos, não foi?

(Dr. Edwaldo: foi o crânio de Santo André.)

Pior ainda.

(Dr. Edwaldo: Santo André foi o primeiro que Nosso Senhor chamou.)

(Sr. Paulo Henrique: daí a disputa, da I.O. pela primazia, porque Santo André foi o primeiro a ser chamado, então negam o primado de São Pedro.)

Uma coisa completamente ridícula. A lá eles.

Mes très cher. “Há momentos, minha Mãe, em que a minha alma…

(…)

Vamos rezar 3 Ave Marias pelo aniversariante. Chega aqui meu aniversariante. A única coisa que tem é que vou incluir o João Clá nas três Ave Marias.

(Dr. Edwaldo: precisa-se fazer uma relação das coisas a serem resgatadas, como por exemplo, o crânio de Santo André.)

Oh, nem me fale. Parece que os estandartes de Lepanto foram devolvidos. É uma coisa que…

(Sr. Fernando Antunes: foi Paulo VI, ele devolveu as bandeiras muçulmanas que em Lepanto tinham sido conquistadas.)

Mas aquilo é nosso. É uma blasfêmia ele devolver.

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