Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) – 23/7/1983 – Sábado [RSN 46 e 83/07.36] – p. 9 de 9

Conversa de Sábado à Noite (Alagoas, 1º andar) — 23/7/1983 — Sábado [RSN 46 e 83/07.36]

Nome anterior do arquivo: 830723--Conversa_Sabado_Noite.doc

A Estrutura não acredita e tem raiva de quem acredita nos Novíssimos — D. Mayer não os prega porque não quer * Se nos proibissem outra atividade, faríamos Contra-Revolução pregando os Novíssimos * Os bispos se desmoralizaram muito, mas o povo só percebeu essa desmoralização e só resistiu à onda progressista, quando alguém muito católico os questionou e provocou uma frincha * No Santo do Dia, o Sr. Dr. Plinio explanou doutrina e improvisou metáforas sobre os Novíssimos, embora estivesse com apetência e atenção voltadas para outros temas * Nosso Pai e Fundador sempre sentiu mal-estar diante de tudo quanto não constitui um unum — A velocidade dos veículos o enjoava por impedir formar o unum das coisas que passavam * Excogitar as coisas invisíveis por comparação com as visíveis é outra necessidade dele e talvez do espírito humano — Imaginar companhias deliciosas para conceber a companhia de Deus * Está em nossa via profética excogitar uma vida temporal tão perfeita, que seja um caminho para o Céu e não um desvio * Faz parte da missão profética imaginar aquela hispanidade ideal que vivia na tendência das almas antes da decadência * O pior sofrimento é a Bagarre e o Grand-Retour que não vêm, os riscos de destruição de uma TFP irrepetível, e almas que não dão a Nossa Senhora o que deveriam * O Sr. Dr. Plinio chancela elogios do Sr. Guerreiro à pessoa e ao apostolado do Sr. João

Mas você assistiu o Santo do Dia de hoje à noite? Mas eu não vi você, onde você estava?

(Sr. Guerreiro: Nós somos os proibidos, o pessoal mais velho fica no pátio atrás. Mas estava magnífico, Sr. Dr. Plinio.)

Se nós pensássemos naquilo sempre, como seria tudo diferente, ouviu? E eles estão em condições porque eles, coitados, reflexões sérias sobre os Novíssimos nunca ouviram, com certeza. Ao menos a grandíssima maioria deles nunca ouviram.

De maneira que eu acho que o João fez muito bem me sugerindo o tema. Infelizmente terminou muito tarde.

Mas a questão é a seguinte: há uma espécie de obrigação, quando a gente se engaja nesse tema, de tratar com uma espécie de mínimo de extensão, porque do contrário parece um teminha. E é indispensável que as pessoas tenham uma alta idéia do tema, porque está tudo engajado nesse tema. O tema leva tudo consigo.

De maneira que não há remédio.

* A Estrutura não acredita e tem raiva de quem acredita nos Novíssimos — D. Mayer não os prega porque não quer

(Dr. Edwaldo: Aparece mais uma vez a maldade da Estrutura. Porque esse está no esquecimento mais total.)

Total. Não acreditam e tem raiva de quem acredita, porque não querem que isto seja assim. Eles podiam dize tanta coisas a respeito disso, não é?

Não é que eu queira voltar a um tema até que devemos evitar, porque nós não devemos nos deixar infestar pelo que eu vou dizer agora. Mas, por exemplo, quando eu li no Cornélio a Lápide sobre isso — vocês lembram que eu fiz até umas exposições no Auditório São Miguel sobre isso —, eu pensava comigo: “O que é que teria custado a D. Mayer, no tempo em que ele convivia conosco, abrir o Cornélio a Lápide e fazer o que eu estou fazendo, tirar umas notas sérias e dar essa exposição?”.

Os lábios de um bispo têm uma unção especial para isso e isso teria feito tanto bem. Não fez por que não quis fazer, não tinha vontade. Ele lê latim como quem lê português. De maneira que é como para um de nós pegar um dicionário e abrir: Inferno, ou Novíssimos, ou Céu, Paraíso, qualquer coisa, e ler. Não faz por que não quer fazer, não tem vontade.

(Dr. Edwaldo: Mas não sairia tão bem.)

Não sairia por quê?

(Dr. Edwaldo: Se ele fosse dizer qualquer coisa, não produziria o efeito, nem de longe, que o senhor diz produz, não é?)

Para se ver a mentalidade dele, quando ele…

(…)

* Se nos proibissem outra atividade, faríamos Contra-Revolução pregando os Novíssimos

Eu tenho certeza de que se, por exemplo, nós pregássemos exclusivamente isso, as meditações dos grandes santos ou visões e revelações e compuséssemos uma coletânea, um mosaico bem cuidado disso, só isto, e expuséssemos ao povo, nós faríamos Contra-Revolução a granel, mas granel! Se fôssemos proibidos de fazer outra coisa, faríamos a granel.

(Sr. Fiúza: Com esses pregadores que o senhor gostaria de ter, mudaria o Brasil todo.)

Ah, mudaria! Mudaria mesmo. O que tem é o seguinte: eles arranjariam pretexto para silenciar as coisas. Por exemplo, é certo que a CNBB vinha em cima deles. Isso é uma coisa indiscutível. Mas se fosse tudo bem alicerçado em vida de santo, etc., em obras de santo, eles não tinham o que dizer. O que é que poderiam dizer?

* Os bispos se desmoralizaram muito, mas o povo só percebeu essa desmoralização e só resistiu à onda progressista, quando alguém muito católico os questionou e provocou uma frincha

(Sr. Poli: E o senhor estancou muito, quase que totalmente, a possibilidade da CNBB neutralizar a atuação senhor, não é?)

Foi. A CNBB ficou muito diminuída.

Em última análise, vocês conheceram o tempo — para não ir mais longe — que um bispo de Santo André ou de qualquer outro lugar se saísse à rua levava uma multidão atrás de si. Isso vocês todos conheceram, não é?

Bom, por que não levam hoje em dia? É bem verdade que eles se desmoralizaram muito. Mas o povo percebeu a desmoralização deles a partir de ter percebido que há uma frincha, que há alguém dentro da Igreja que os questiona e que este alguém é muito católico. Aí é que nasce a interrogação.

(Dr. Edwaldo: Eles teriam levado de roldão.)

De roldão. E depois ninguém desconfiaria de nada, iam na onda. Eles iriam na onda puríssima e simplicissimamente.

(Sr. Poli: Eles só se desmoralizaram por causa do senhor. Por que se não fosse o senhor, eles teriam tudo para levar ainda mais, dizendo que pode fassurar.)

Isso, isso.

* No Santo do Dia, o Sr. Dr. Plinio explanou doutrina e improvisou metáforas sobre os Novíssimos, embora estivesse com apetência e atenção voltadas para outros temas

(Sr. Guerreiro: E depois na hora de apresentar o Céu, o comentário que o senhor fez hoje me parece extraordinário. E aquela idéia que para se ter noção do julgamento de Deus, do homem ser colocado diante de um tribunal formado por um homem que seja o maior sábio do mundo, depois por um outro que seja o mais elegante do mundo e depois por um terceiro que seja o homem mais inteligente e capaz, esta assembléia de homens paradigmáticos por excelência. O homem então não vai ser julgado por esse egrégio conselho de homens paradigmáticos. E que então isso tudo não é nada comparado com Deus.)

Uhhh!

(Sr. Guerreiro: Essa imagem da qual o senhor se valeu dá uma grandeza, exprime de um modo soberbo, magnífico quem é Nosso Senhor Jesus Cristo, a grandeza de Deus. Depois aquelas perspectivas de conversar com os anjos, que depois de mil anos já se teria conversado com o anjo tudo. […] O senhor desculpe eu falar assim com tanta franqueza.)

Não, fale de filho para pai.

(Sr. Guerreiro: Vem um pouco esse desejo de que o senhor comentasse um pouco isso e a ligação desses dons especificamente com a graça do profetismo. Porque realmente estava magnífico.)

Não, a doutrina, naturalmente, é a doutrina católica. Eu li sobre isso, ouvi, etc., é a doutrina, não é? Agora, as metáforas é a parte, por assim dizer, didática, eu improviso absolutamente na hora.

Eu nem sabia que eu tinha que falar disso. Foi na hora de descer do carro, ali no auditório, que o João me disse: “Olhe, o assunto é esse assim. Eles são muito novinhos, é bom uma exposição sobre isso os Novíssimos”. Eu disse: “Está bem”, pensando comigo mesmo: “Não sei e eu não estou com a mínima propensão a desenvolver esse tema”. Por isso, porque eu estou com a atenção toda voltada para temas diferentes, não é?

E fiz muito en passant umas duas ou três jaculatóiras a Nossa Senhora, muito en passant, e pensei o seguinte: “Enquanto eles estiverem saudando, cantando e proclamando, eu vejo se eu penso alguma coisa disso”.

Mas eles, por que eu cheguei muito tarde, fizeram uma introdução mínima, e eu me vi de chofre diante do tema. De maneira que comecei a falar assim… de modo absolutamente improvisado. E Nossa Senhora ajuda, e eu tenho uma certa facilidade para fazer as correlações, e essa facilidade ajuda enormemente nessas ocasiões, não é?

De maneira que tudo isso, por exemplo, da bola de cristal, me veio na hora, porque eu sei que Platão imaginava assim: que todas as estrelas eram de cristal, giravam e tocavam música. Eu acho uma idéia lindíssima e me ficou na cabeça.

Primeiro eu falei só da bola de cristal. Quando eu falei da música, eu julguei que tinha obrigação de falar de Platão, para não me apropriar do que não era meu. Porque bola de cristal, qualquer um olhando uma estrela pode pensar…

(Sr. Guerreiro: Uma bola de cristal, a partir da qual se tivesse uma visão particularmente extraordinária do universo, essa bola de cristal ninguém pensou nela.)

Não, essa eu compus na hora. Depois também os raios de luz dentro da bola de cristal. Quando veio a música, eu tive que dizer que era de Platão. Mas depois outras a gente vai compondo na hora. Não tive tempo de pensar.

* Nosso Pai e Fundador sempre sentiu mal-estar diante de tudo quanto não constitui um unum — A velocidade dos veículos o enjoava por impedir formar o unum das coisas que passavam

(Sr. Guerreiro: Agora, toda essa imagem dessa bola de cristal, da qual se pudesse ter uma visão do universo particularmente esplendorosa, magnífica, compreensiva, essa imagem é a imagem de um desejo que o senhor cultivou e a gente percebe que é um ponto que orienta a vida do senhor, que é a procura desse ponto explicativo do universo mais alto.)

É, é sim.

(Sr. Guerreiro: E eu perguntaria então ao senhor nessa preocupação em achar esse ponto, depois de cinqüenta anos de luta do senhor, e aspirações, desejos, esse ponto é um ponto que uma vez encontrado, a pessoa o tem decisivamente ou é algo mais ou menos como a imagem que o senhor fez de Deus, aquela metáfora de Deus que a toda hora está se renovando, se reconstituindo? Ou é como um cristal, a partir do qual se vê? Se é assim, quando é que o senhor crê, na trajetória do senhor, que este ângulo do universo mais se fixou na alma do senhor?)

Não, esse desejo de unum, onde tudo se abrange, tudo se compreenda, etc., é uma apetência de alma que eu tenho desde mais menino, mais menino. E tudo quanto se apresenta assim desconcatenado e não encaixando num unum me causa mal‑estar.

Por exemplo, eu custei muito a me habituar a veículos andando a toda velocidade, não foi só por que eu enjoava. Eu enjoava, no fundo, era por uma coisa de estômago, mas era também porque eu não entendia o unum das várias coisas por onde eu ia passando. Tal paisagem, tal paisagem, tal coisa. Mal eu vejo, aquilo está jogado para trás e já não tem mais… O que é que une, que é da explicação? O que é que une todas essas coisas? Por que é que estas coisas seguem todas umas às outras? Por que é que elas não são colocadas em outra disposição? Qual é a ordem profunda disso?

Depois eu olhava para os passageiros do trem, eles estavam pensando em tudo, menos nisso, não é? Então, como é a cabeça deles que não cogita nisso? O que é que eles cogitam? Uns tontos. Presta atenção na conversa: conversa mais tonta e mais idiota que pode haver.

Você pode imaginar a conversa num trem… E animada, hein! Muitas vezes animada.

Bom, e isso é uma espécie de necessidade de alma.

* Excogitar as coisas invisíveis por comparação com as visíveis é outra necessidade dele e talvez do espírito humano — Imaginar companhias deliciosas para conceber a companhia de Deus

A idéia de Deus inesgotável me veio quando eu uma vez preparei umas conferências sobre isso e pensei… Eu disse, eu creio, até lá no Auditório São Miguel, mas eu não tenho certeza se disse. Para esses enjolrinhas não podia, por que não pegavam. A gente imaginar uma pessoa célebre no mundo por sua companhia deliciosa, de tal maneira que os homens todos fossem correndo atrás, quisessem ver, ouvir, etc. Esse indivíduo seria a causa da muita alegria de muita gente, mas não seria nada em comparação de Deus. E aí dá uma certa idéia de como é Deus.

Você vê a necessidade de meu espírito, mas eu creio que é do espírito humano, não é só meu, de, por comparação com as coisas visíveis, procurar excogitar como é que seriam as invisíveis.

Então uma boa companhia: Deus é a companhia eterna que nós vamos ter no Céu. Eu andarei bem se eu imaginar as companhias mais apoteoticamente interessantes na terra e imaginar depois como é Deus. Porque eu me levarei como todos os autores espirituais recomendam: as criaturas como escadas para chegar até Deus. Então essa idéia. Essa idéia me voltou à memória, eu tomei hoje. Estava pensada.

* Está em nossa via profética excogitar uma vida temporal tão perfeita, que seja um caminho para o Céu e não um desvio

(Sr. Fiúza: É o tipo de cogitação que a gente poderia dizer que é comum no homem, mas que nunca houve. A gente nunca viu nenhum autor tratar desse tipo, quer dizer, para Deus, falar da companhia das pessoas. De chegar das criaturas até Deus nesse tipo de relacionamento, não me lembro ter ouvido ninguém falar, nem excogitar, de pregador nenhum dizer, de fazer analogias com isso.)

É, eu também não me lembro. É possível que haja, mas eu também não me lembro. Mas isso eu creio que está na nossa via. E aqui tem uma certa ligação com o profetismo, que é de imaginar uma vida temporal perfeita como um caminho para o Céu, e não como algo que desvia do Céu.

Porque eu compreendo perfeitamente que uma pessoa que não seja chamada a excogitar uma vida temporal perfeita, seja levada a evitar as coisas da vida temporal. Por que não tem propósito.

Agora, para uma pessoa que tem a obrigação de excogitar a vida temporal perfeita, ela tem da criação uma idéia muito maior do que outros que conhecem outras coisas. Por exemplo, ciências naturais e tudo o mais. Porque o homem vale enormemente mais do que o que não tem espírito. E a sociedade humana — debaixo de certo ponto de vista, não assim pura e simplesmente, mas debaixo de certo ponto de vista — vale mais do que o homem.

Portanto, imaginar a sociedade perfeita temporal é, na ordem temporal, imaginar a perfeição da criação de Deus. Agora, a partir disso, tem que ser um degrau para ir para o Céu. Isso resulta de nossa vocação para excogitar a vida temporal perfeita e tendermos para lá.

* Faz parte da missão profética imaginar aquela hispanidade ideal que vivia na tendência das almas antes da decadência

(Dr. Edwaldo: Aquela visão que o senhor leu ontem da Espanha, porque aquilo era toda uma Espanha que vive muito na alma do senhor, que a Espanha deve tender para ser aquilo, mas o senhor vê a coisa mais alta, mais alto do que deve ser a hispanidade, não é? E estava uma coisa soberba.)

Mas é o mesmo processo mental: é imaginar uma hispanidade ideal que talvez não existiu, eu acho que não existiu, mas estava enunciada, estava insinuada, estava preparada no que existiu. Estava sobretudo na tendência das almas antes de começarem a decair. Então a gente levando isso até as últimas perspectivas, a gente cumpre a missão profética de guiar os acontecimentos terrenos nessa direção.

(Dr. Edwaldo: E a Espanha só será Espanha na medida em que caminhar para isto, não é?)

Exatamente. Por exemplo, o que eu temo muito que a maior parte dos espanhóis não tem idéia, não é?

(Dr. Edwaldo: Agora, para o senhor ver as coisas assim, em relação a cada país, deve constituir uma forma de sofrimento muito especial, não é? E uma coisa que neste sentido é inteiramente nova, porque faz parte da visão isso, não é?)

É, faz.

* O pior sofrimento é a Bagarre e o Grand‑Retour que não vêm, os riscos de destruição de uma TFP irrepetível, e almas que não dão a Nossa Senhora o que deveriam

(Dr. Edwaldo: Sobre aquilo que foi dito hoje do cão do Stalin a respeito do Brasil, mostra muito a importância do Brasil em relação à vocação do senhor. Mas ver a situação que deveria ser e o que é, para o senhor deve constituir um sofrimento muito grande.)

É, mas a maior… Porque nestes sofrimentos todos, por maiores que sejam, há um ponto de equilíbrio da alma que ainda dá para suportar e que se chama resignação. É um ponto por onde a alma encontra um certo apoio e lá vai.

Agora, o que é para mim terrível é a Bagarre que não vem, o Grand‑Retour que não vem. Passam-se os anos, a TFP corre riscos vertiginosos… Sem TFP, praticamente não vejo nada, não há nada.

Não considero uma nova TFP reconstituível. O que está feito acho que é irrepetível. E vejo as pessoas brincarem com isso como uma criança brinca com um bilboquet. Sabem o que é bilboquet, não?

(Todos: Sim.)

Assim brincam com isso. Quer dizer, em certo momento, a bola arrebenta o barbante e quebra o bilboquet. Não tem nada… arranja outro barbante, outra coisa. Acabou-se.

Isso me causa um pesar que o qual eu ainda não encontrei o ponto de equilíbrio. Porque assim como eu vejo uma Espanha ideal, eu vejo o Plinio ideal, o Edwaldo ideal, o Guerreiro ideal, o Fiúza ideal, o Poli ideal, vejo tudo. E pelo menos o Plinio ideal não vejo realizado. E daí como é que é?

Eu estava fazendo a meditação sobre a morte e estava pensando: “Ninguém tem o direito de se espantar se eu cair morto enquanto falo dessas coisas. Está na minha idade. Ratione et tacti, ninguém poderia dizer: “Nunca imaginei isso”. Agora, se eu compareço diante de Deus com essa TFP assim como está e eu como estou, que contas eu vou prestar? É uma coisa terrível!

(Sr. Poli: O senhor não tem conta nenhuma para prestar. Ah, não tem!)

Bom… isso sabe lá cada um de si.

(Sr. Poli: Tanto não tem, que o mundo inteiro pode atestar isso. Pelos bons, pelo menos ruins e pelos péssimos, não é?)

Quando me dizem isso, para encerrar a conversa eu lembro o diálogo de D. Bosco e São Domingos Sávio, não é?

(Sr. Poli: É uma coisa.)

Agora, a questão é que é duro, é triste a gente ver às vezes certas almas que a gente está vendo o que é que poderiam dar, mas não dão. Não porque não querem dar, está acabado. Agora, você vai ver porque não querem, quando não é lama, é bagatela.

(Dr. Edwaldo: É, apesar de toda a decadência há gente pedindo apóstolos, não é? Até aqui, aquela história do Espírito Santo hoje.)

(Sr. Fiúza: Porque as pessoas vêem os membros do Grupo, mas vêem o senhor refletido nos membros do Grupo, apesar da infidelidade. O Pe. Sarto estava visitando o São Bento, ele não distinguia do eremita mais categorizado do empregadinho que estava limpando lá dentro. Ele estava vendo um padrão de pessoa. Quando ele chegou, viu o Sr. Dias Tavares como camaldulense, então chamando de santo homem, ele estava com um respeito, uma veneração. Ele não distinguia.)

É um dos lados pungentes da coisa. É que Nossa Senhora, para suprir o que nós não damos, Ela faz aparecer na TFP luzes que Ela comunica e que não tem a causa proporcionada em nós. E que Ela faz porque Ela quer.

(Sr. Fiúza: No apostolado a gente sente muito isso. […] E quem está de fora, vê outra coisa que a gente não vê.)

E quem está de dentro não vê isso. Não é verdade? Quer dizer, há muito gente que está dentro e que não vê isso.

(Dr. Edwaldo: Aquela história dos chilenos que não estavam no Chile e houve gente que os viu em campanha, não é?)

É, aquilo é uma coisa muito bonita. Aquilo é muito bonito. Quer dizer, eu não acredito que eles tenham visto no sentido de visão, mas ficou na cabeça o mito. O mito cobrou essa ilusão.

(Dr. Edwaldo: Bom, ninguém sabe, de repente foi um anjo.)

(Sr. Guerreiro: Agora, Sr. Dr. Plinio, também como o senhor levantava essa questão de disparidade entre o que a TFP deveria fazer e não faz, ainda esta semana, todo esse trabalho de Correspondentes e Esclarecedores, o que se vê é que realmente…)

É um trabalho grandioso, hein, meu filho?

(Sr. Guerreiro: Se tivesse umas cem pessoas trabalhando nisso, isso conquistava o Brasil para o senhor.)

Se tivesse cem pessoas trabalhando nisso, nós precisaríamos mil. Porque o que há de avidez pela TFP hoje em dia é uma coisa completamente diferente das condições de outrora, mudou tudo. Naturalmente não é na “saparia”. É não pensar na “saparia”, não existe. Mas para que vamos pensar neles?

* O Sr. Dr. Plinio chancela elogios do Sr. Guerreiro à pessoa e ao apostolado do Sr. João

(Sr. Guerreiro: Mas a gente vê que o São Bento, as camáldulas, tudo isso foram umas torres que o senhor construiu dentro da TFP, que é evidente que depois da Mensagem da TFP adquiriu uma expansão tão enorme, tão universal, que, como o senhor mesmo dizia, nós somos outros.)

Outros.

(Sr. Guerreiro: Agora, internamente também nasceram umas torres magníficas, no plano da instituição da TFP. […] Causa uma impressão muito profunda e as pessoas ficam indagativas e as esperanças neles aumentam muito.)

Muito.

(Sr. Guerreiro: Do que, por exemplo, se fossem rapazinhos que viviam como mais ou menos se vivia uns dez anos atrás, que todos os sábados íamos nos restaurantes comer isso, comer aquilo, um mundanismo ainda solto no Grupo. Aquilo não convence. Ao passo que toda essa mudança que houve e todo o mundanismo ficou no chão, isto tudo dá uma estatura à TFP, uma consistência, uma grandeza e uma nobreza. E digo a TFP aquele que de um modo ou outro segue o senhor. É realmente impressionante, é uma outra TFP que nasceu.)

Isso é fora de dúvida. Visto nesse ângulo, isto é inteiramente fora de dúvida.

Você precisava ver a minha impressão hoje à tarde.

Eu estive na camáldula de Jasna Gora, estava lá a Sagrada Imagem, então entramos em fila de dois e fomos para um salão, o tal porão onde tem o altar, e ali havia uma mesa preparada com um quadro de Nossa Senhora, uma foto de Nossa Senhora de Fátima. E lá puseram a Sagrada Imagem, eu rezei, depois dei uma recomendação a eles e nos dispersamos. Não falamos.

Você precisa ver a impressão que dava de seriedade, de recolhimento e de autenticidade, a impressão que davam aqueles rapazes. É uma coisa do outro mundo! E alguns a gente via modificados até o fundo da alma.

(…)

(Sr. Guerreiro: Quem vê hoje o Sr. João Clá e o conheceu antes, nele o processo foi inverso, não é?)

Foi.

(Sr. Guerreiro: Quem sabe se o senhor pudesse explicar um pouquinho, Sr. Dr. Plinio, como é que o senhor viu o itinerário da vida dele! Porque ele fez mais ou menos como aquele pássaro de São Tomás Morus.

Não sei se o senhor se recorda, a câmara focaliza aqueles pássaros voando. Eles descem num lago, todos os pássaros vão para um lado e um toma uma direção solitária. E que é um modo simbólico no filme a apresentação, no fundo, da vida de Tomás Morus.

A gente vê, entre nós, que todos seguimos essas ou aquelas vias, mas ele pegou um norte mais certo. Eu o vi lá em Jasna Gora, dando jornal-falado, o modo dele conduzir-se, tudo, sentia muito um trabalho da graça enorme, imenso.

Tudo o que ele tem feito, o acerto das coisas. Aquilo não é só inteligência, não. Uma pessoa inteligente não resolve as coisas assim. É muito fraco dizer que é apenas talento, engenho e arte. Ele os tem, mas isto… Ele está com 43 anos. Há dez anos atrás ele já tinha isto, ele era um rapaz muito vivo, muito precoce, já tinha essas qualidades.)

Muito dotado. É reconhecidamente muito dotado, não é?

(…)

*_*_*_*_*