Conversa
de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) –
29/1/1983 – Sábado [RSN 40] – p.
Conversa de Sábado à Noite (Êremo de São Bento) — 29/1/1983 — Sábado [RSN 40]
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O tema bengala tomado no seu esplendor * O estado habitual de se encontrar nessa cogitação, torna a pessoa esplendorosa * A brincadeira e a mentalidade Bagarre Azul são contrárias ao esplendor
* O tema bengala tomado no seu esplendor
… o esplendor do tema procede do fato de ele ser tratado do âmago de um tema muito mais alto que o abarca. O fato de ele ser tratado desse âmago dá ao tema o seu esplendor.
Por exemplo, bengala. Se aqui há uma exposição de bengala… por exemplo, na Europa de repente há uma exposição de bengala, porque lá há exposição de tudo, cachimbo, de não sei o quê, de tamanco, há de repente uma exposição de bengala.
Se eu for tratar exposição de bengala, então disser que há três variedades de bengalas: bengalas de junco, bengalas de madeira e bengalas de marfim, são três variedades, por força o assunto carece de esplendor, porque ele é tratado por debaixo, é tomar a matéria constitutiva da bengala e vai classificar de acordo com isso. Resultado: por mais que se possa haver bengalas esplendorosas, o assunto assim tratado carece de esplendor.
Agora, se nós tomássemos uma exposição de bengalas assim: bengala, expressão de senhorio, então o tema bengala tomaria esplendor.
De onde é que viria? É que seria tratado do âmago de um tema que está por cima dele e que o engloba. Resultado: poderia ter esplendor.
* O estado habitual de se encontrar nessa cogitação, torna a pessoa esplendorosa
Então um cérebro terá tanto mais esplendor, quanto mais ele tratar de cada assunto a partir do assunto que abarca superando-o, por via de superação.
Não basta tratar do assunto. Para que o cérebro tenha esplendor — não mais os temas que ele trate, mas que ele mesmo tenha esplendor — é preciso que se torne uma segunda natureza dele, nunca tratar de um assunto sem ter a necessidade de subir ao assunto que abarca. E entender que o assunto inferior só está bem tratado a partir do assunto que o abarca. E de só analisar todas as coisas a partir dos pontos que as abarcam.
Quando uma mentalidade está habituada a isto e faz o deleite habitual de sua vida em olhar as coisas assim, essa mentalidade desperta em si um esplendor.
O que é que esse esplendor dessa mentalidade? É a possibilidade que tem o cérebro humano de ver as coisas assim, esta possibilidade tornada não mais uma potência, mas uma coisa que age, uma coisa atual. A pessoa fica resplandecente.
Eu não sei se eu tratei isso bem.
O estado habitual de se encontrar nessa cogitação e de ver tudo assim torna a pessoa habitualmente esplendorosa. E normalmente traduz-se no maintien, nas maneiras, no trato, etc., porque a pessoa no trato com os outros, por respeito ao seu próprio esplendor, tende a fazer sentir esse esplendor, a elevar os outros até esse esplendor, mas a fazer-se respeitar enquanto tal.
Não sei se eu estou claro.
(Todos: Sim.)
Então, habitualmente a pessoa deve ter essa tendência para o esplendor. E na nossa vocação isso deve ser uma coisa muito acentuada.
* A brincadeira e a mentalidade Bagarre Azul são contrárias ao esplendor
O que eu reputo, por exemplo, contrário ao esplendor?
É uma pessoa que não pode estar numa roda de três ou quatro amigos sem soltar uma brincadeira, não pode tratar de um assunto sem imediatamente considerar o assunto nos seus aspectos práticos, só se entusiasma pelas questões que são os aspectos minores de todas as coisas. Essas pessoas pecam contra as possibilidades de esplendor que têm na sua própria alma.
Não sei se estou me exprimindo claramente.
Por exemplo, a mentalidade Bagarre Azul é uma mentalidade fundamental antiesplendorosa, porque não visa absolutamente a grandeza, não visa outra coisa senão o impor-se por uma razão secundária que é a soma de dinheiro que tem. E isso é inferior, a pessoa peca assim contra o esplendor.
Eu acho que assim eu consegui exprimir bem o que eu desejava.
(Sr. João: Ahahah! Mas não o que nós desejávamos…)
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