Conversa da Noite ─ 16/10/82 ─ Sábado . 9 de 9

Conversa de Sábado à Noite ─ 16/10/82 ─ Sábado

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Se a TFP tivesse um brilho natural que desconcertasse as pessoas, isso facilitaria a visão de seu brilho sobrenatural * “O encaixe do magnífico na ordem temporal com o magnífico na ordem espiritual, era o que eu esperava para a nossa TFP” * Quando a admiração não converte uma pessoa, transforma-se em revolta. Exemplo: o que se passou com os jesuítas * Apesar de a TFP realizar dez em mil, ela está a caminho de encher sua própria medida * “Na pequenez a que nos reduziram, nós somos maiores do que se fôssemos grandes” * “A dificuldade da Revolução está exatamente em que ela tem que se lançar em cima de nós quando a vantagem dela era evanecer-se” * O Senhor Doutor Plinio dá a razão pela qual ele não rezou em voz alta as orações para o lanche * Desde que o mal não seja cometido por um membro da TFP, a Revolução não tem como atacá-la * “Quanto mais eles forem para frente e tudo em torno de nós for caindo, no coração das pessoas a pulsação é: AESó eles, só eles… AF”

meu João, o Coronel se recusa a fazer a pergunta, então faz você ou o Fernando Antúnez.

(Sr. J. Clá: … a obra da TFP que o senhor se referia na reunião de ontem à noite, ela é milagrosa, mas Nossa Senhora queria muito mais. São apenas 10 degraus numa obra de mil degraus.)

É, a proporção é essa.

(Sr. J. Clá: Na Reunião de Recortes, por sua vez, o senhor mostrou o cerco do adversário tentando enlamear a TFP. Ante essa perspectiva como o senhor vê ─ é o que achamos ─ que Nossa Senhora de repente dá de uma vez os 990 degraus que faltam.)

* Se a TFP tivesse um brilho natural que desconcertasse as pessoas, isso facilitaria a visão de seu brilho sobrenatural

Eu posso tratar de bom grado, mas desde que se coloque dentro disso mais uma questão para dar as perspectivas todas ao tema. Quer dizer, eu exponho um pouco dessa questão e daí você me põe essa outra. É das tais coisas: a preparação longa e depois a entrada no assunto direto.

Nós poderíamos [nos] perguntar o seguinte: Nossa Senhora certamente não queria para a TFP que ela tivesse uma glória dominadora e perpendicularmente dominadora que será a glória de Nossa Senhora no Reino de Maria, porque, do contrário, não viria a Bagarre.

Quer dizer, era natural que na época atual, antes de vir a Bagarre e vir a punição etc. etc., a TFP ocupasse uma situação difícil, até certo ponto precária e minoritária.

Mas, se a TFP internamente tivesse sido o que deveria ser e certamente não tivesse encontrado também tanta falta de correspondência, infelizmente, da parte do povo brasileiro, e por conexão dos outros povos onde ela tem existido; pelo plano de Nossa Senhora até onde é que parece que a TFP deveria ir antes da Bagarre? Para nós vermos depois isso que é realmente a TFP, fazermos a diferença, porque isso vai pesar depois na resposta da pergunta que o João me fez.

Eu tenho a impressão ─ compreende-se que não se pode ter a esse respeito certezas apodíticas ─ mas eu tenho a impressão de que a TFP deveria ser uma organização que tivesse um brilho, uma possibilidade de afirmar suas capacidades e seus meios de ação no plano natural, que deixasse desconcertadas as pessoas. E que à vista disso as pessoas começassem a perceber algo de providencial de sobrenatural na TFP.

Quer dizer, o brilho seria aí um primeiro grau para fazer luzir o brilho sobrenatural.

Para compreenderem a diferença entre ambas as coisas eu imagino um piquete de couraceiros desfilando. Agora suponho que eles fossem não de uma nação, ainda que da primogênita, mas que eles fossem de uma ordem religiosa de cavalaria, e fossem todos soldados, não uns quaisquer pagos para arranjar bem essa couraça, montar a cavalo e sair tocando corneta, mas fossem uns homens profundamente compenetrados daquela tarefa. Que impressão eles dariam.

Antes de tudo, enquanto montando a cavalo, os seus próprios cavalos, suas próprias couraças, a sua própria apresentação, teria enquanto tal uma espécie de perfeição natural intensa a tal [ponto] que levaria a perfeição natural quase até rachar. E faria compreender que havia ali um princípio de vitalidade maior do que a própria natureza.

Se vissem por exemplo, passar essa cavalaria esplêndida, de repente vinha em sentido contrário uma procissão e todos esses cavaleiros apeassem e num gesto magnífico se perfilassem, fizessem continência e ajoelhassem diante do Santíssimo Sacramento, e enquanto estivessem ajoelhando puxassem os rosários começassem a rezar, recolhidos, humildes, adoradores, se isso se desse, as pessoas ficariam com a sua capacidade de admirar mais ou menos como um fruto que estala de tanto suco, e abriria.

E as pessoas diriam: “Não, realmente, a Fé que eles professam é verdadeira, porque ela é o princípio de uma magnificência espiritual que não faz senão refletir-se entre a reversibilidade com a grandeza temporal. E é uma coisa magnífica, santa e verdadeira; o verdadeiro Deus, o Deus único está aqui”. E aderiam à Fé.

A TFP poderia ser isso na ordem da cultura, na ordem da categoria, na ordem da audácia, da capacidade polêmica, de maneira que a sigla TFP designasse excelência em todos os sentidos.

* “O encaixe do magnífico na ordem temporal com o magnífico na ordem espiritual, era o que eu esperava para a nossa TFP”

Os senhores me dirão: “Mas Doutor Plinio, vai contra a tradição das ordens religiosas, estranhamente contra a tradição das ordens religiosas. Olhe São Francisco de Assis, olhe o poverello, olhe esse, aquele, etc”.

É falso. Os senhores tomem duas grandes ordens dentro da Igreja, aliás muito diferentes uma de outra, duas grandes ordens: os beneditinos e depois os jesuítas. Como fizeram aquilo que deviam fazer de um modo magnífico, abundantíssimo, de rachar, uma coisa extraordinária, no plano natural e sobrenatural. A excelência do plano natural dava glória ao plano sobrenatural em que eles eram mais excelentes ainda.

Então os senhores tomem os controversistas jesuítas, os discutidores, os polemistas, os políticos, os homens de Estado, os missionários, os homens de piedade, os reformadores de ordens religiosas, os diretores de consciência. Tudo que um padre pode fazer eles faziam, mas faziam de um modo tão excelente que eles eram o sol do clero na Europa. Mas tinham se tornado famosos por sua inteligência, sua cultura, sua formação, seu tino, sua sabedoria; brilhavam aos olhos da Europa inteira.

Esse encaixe do magnífico na ordem temporal com o magnífico na ordem espiritual, era o que eu esperava para a nossa TFP. Agora isso, o que teria produzido, que repercussão teria tido isso sobre os ímpios?

* Quando a admiração não converte uma pessoa, transforma-se em revolta. Exemplo: o que se passou com os jesuítas

Em primeiro lugar, o número de conversões seria bem menor ─ pela maldade do homem hoje ─ do que a amplitude da admiração. E a admiração é assim, que quando ela não converte se transforma em revolta. Não tem por onde escapar, porque quando ela não converte ela se transforma em inveja. E transformando em inveja dá em revolta. É a cadência, não tem por onde escapar.

E o resultado é que com os jesuítas aconteceu isso. É ordem mundialmente famosa, era a glória da Igreja Católica, mas de outro lado, as invejas contra eles borbulhando dentro da Igreja e fora da Igreja de todo tamanho!

Por causa disso, por causa de sua irradiação a TFP teria sido odiada como Cristo triunfante ─ e Ele na sua vida terrena foi triunfante na manifestação de toda sua Pessoa, incomparável! ─ mas despertou ódio, despertou inveja, despertou ódio, resolveram matá-Lo.

Bem, resolveriam matar a TFP, e a TFP teria lutas tremendas, infortúnios terríveis, mas numa outra clave.

* Apesar de a TFP realizar dez em mil, ela está a caminho de encher sua própria medida

O que é que determinou o fato de sermos homens ─ para usar a expressão do Evangelho ─ modice fidei, homens de pouca fé? Determinou que a TFP realizou dez em mil. Mas esses dez [em] mil, de algum modo realizam isso com mais esplendor ainda, é a reversão da coisa.

Quer dizer, é fora de dúvida que os adversários, sem o dizer, consideram a TFP um portento. Eles não dizem, eles fingem que ignoram a TFP etc. etc., mas consideram um portento.

Ainda essa semana, eu estava vendo, não houve um dia, a bem dizer, no Brasil, em que um órgão de imprensa qualquer, pelo menos, falasse da TFP. Ora, ela é tão pequena, como é que ela faz tanto barulho?

Os senhores dirão: “Não, não é ela que faz tanto barulho, fazem tanto barulho a propósito dela”.

Eu digo: Aqui está o melhor, é isso mesmo, fazem tanto barulho a propósito dela, envolvem-na no silêncio para ela não poder fazer barulho, e por cima do silêncio vociferam.

Lucis in tenebris luceat et tenebras non compreenderunt: a luz brilha no esquecimento e no silêncio artificial, na escuridão, nas trevas ─ há uma reversão entre esse silêncio e a treva ─ mas as trevas conseguiram encapsulá-la, envolvê-la, constituir-se como uma redoma em torno dela; e os raios de luz que passam de cá, de lá deixam eles tão furiosos e esses dez por cento os deixam preocupados ao último ponto. É a realidade.

A TFP assim alcançou com poucos recursos essa performance de ter feito o que ela não faria ou o que ela faria com muitos. Se ela tivesse muitos recursos, ela reboaria nos países onde agora ela reboa. Até lá ela chegou. Mas ela reboaria muito mais nesses países do que reboa. A Bagarre [demorar ainda?], 2 ou 3 anos, ela está reboando tanto quanto ela reboaria se ela tivesse sido o que devia ser.

Quer dizer, a TFP está a caminho de encher a sua própria medida. Pequena como é, ela está a caminho de encher a própria medida.

* “Na pequenez a que nos reduziram, nós somos maiores do que se fôssemos grandes”

Os senhores vejam os senhores aqui, o bairro. Os senhores são rapazes que entram aqui de automóvel, na rua não param [para] falar com ninguém, não mexem com ninguém, com quem tratam, tratam com cortesia, recolhem-se a si, saem daqui, vão agir longe. O bairro é “nhonhô” a mais não poder, essa hora a “nhonhozança” que está por aí é total, mas é total.

Está bem, comparem a área do bairro com a área física da TFP, entretanto a gente vê que o bairro vive em função da TFP, vive com os olhos postos: “O que está acontecendo, o que é que é, o que é que não é?” É o papel da TFP, ela corusca.

Ela comparada ao que deveria ser, ao que seria o tamanho normal dela, ela é na linha majestoso o que esta imagenzinha aqui é, comparada a Nossa Senhora do Bom Sucesso de Quito. Está aqui, na linha encantador. Ela toma um raio de luz daquela imagem ─ Nossa Senhora é encantadora naquela imagem ─ está posta aqui, ela está de tal maneira viva, animada, coruscante, brilham tanto essa lantejoulas falsas, que a gente diria que são jóias autênticas, e dir-se-ia que é uma verdadeira rainha que está dominando, não uma abadessa mas uma rainha. O que tem é que a gente olha para ela e sorri, porque a graça leva a sorrir, ela tem o charm que leva a sorrir.

Nós não, nós somos em comparação com um ideal carolíngio algo igualmente pequeno, mas que leva a meter medo. E realizamos pelo menos essa forma de grandeza, e na pequenez a que nos reduziram, nós somos maiores do que se fôssemos grandes. E em certo sentido da palavra, não é pura e simplesmente, mas em certo sentido da palavra é. E aqui está nossa glória.

Não sei se está bem claro isso?

(Todos: Sim.)

Vamos dizer por exemplo, vamos ao Auditório São Miguel à noite, depois sai ─ sobretudo nos sábados à noite que é um déversement ─ saem aqueles “enjolrinhas” todos. Os “enjolrinhas” mirins saem pela rua bradando etc. etc. Tem na rua assim, saltitando, uns trinta “enjolrinhas”, no máximo quarenta, eu não creio que chegue até quarenta. Eles bradam uns brados discretos ─ discretos assim… também… mas tem ênfase e qualquer coisa da consistência de um comício, tem uma grandeza que em comparação com o que seria comício é essa imagem em comparação com a imagem grande, é o modelo mignon, mas que modela e que medo mete. É a TFP.

Bem, isso focalizado, meu João Clá, cabe sua pergunta, como é sua pergunta?

(Sr. J. Clá: O senhor respondeu que a TFP fez os mil degraus em um… A segunda parte da pergunta era em vista do cerco do adversário, aí como Nossa Senhora intervirá para a TFP realizar tudo quanto deve?)

* “A dificuldade da Revolução está exatamente em que ela tem que se lançar em cima de nós quando a vantagem dela era evanecer-se”

A TFP ─ o senhor diz bem ─ está cada vez mais acuada, mas a Revolução também está. Na maneira dela, ela está cada vez mais acuada também e deixando a TFP…

Meu caro Spann, tem uma cadeira aqui, não lhe tinha visto, não quer vir sentar? Senta aqui. Prefere ficar em pé? Vem sentar aqui, eu não lhe tinha visto antes. Olhe aqui, vamos sentar. O Spann vai nos fazer uma pergunta também daqui a pouco.

Mas a dificuldade da Revolução está exatamente em que ela tem que se lançar em cima de nós quando a vantagem dela era evanecer-se. Quando chega a esta situação, quer dizer, quando o mal chega a um determinado extremo, a Providência lança contra o mal uma porção de maldições que fazem ver aquilo que ele tem na sua essência e que ele escondeu. Porque nós estamos numa época em que o mal é que parece inteligente, sagaz, combativo e bom político e coroado de êxito, e o bem parece, pelo contrário, desarmado…

(Sr. J. Clá: o senhor Amadeu disse que se o senhor tomar o remédio antes do chá, o senhor chega lá dormindo, se tomar depois não faz muito efeito.)

* O Senhor Doutor Plinio dá a razão pela qual ele não rezou em voz alta as orações para o lanche

Por que não rezei alto, hein? Não era melhor que eu tivesse rezado alto [para que] todos me acompanhassem, do que eu rezar baixo uma oração individual? A oração de todos em comum não é melhor do que a oração individual? Terá sido uma irreflexão de minha parte? Então o que é que foi?

É que nas condições psicológicas ─ justas ─ mas peculiares em que se encontra o auditório, os ouvintes aqui, se eu começasse, me pusesse a rezar havia qualquer coisa no ritmo da ação comum que quebrava alguma coisa da continuidade. Enquanto que não fazendo assim, não havendo aquele ritmo auditivo, a continuidade se assegurava melhor por uma finura psicológica qualquer que eu teria alguma dificuldade de exprimir agora, mas que com mais tempo eu poderia perfeitamente exprimir.

E a gente deve estar ao par de todas essas coisas para não fracassar. E eu digo para os senhores irem prestando atenção e depois saberem fazer quando os senhores estiverem com 74 anos e estiverem com os “enjolras” do Reino de Maria. Bom, mas o ambiente não se rompeu, eu posso continuar a falar.

* Desde que o mal não seja cometido por um membro da TFP, a Revolução não tem como atacá-la

O mal de fato é estúpido, é desajeitado, é derrotado por natureza. E a Providência coloca condições em que o demônio começa a agir estupidamente, tontamente, pisa nas próprias pernas, tropeça sobre si próprio e faz besteiras. E ele está engajado nisso, ele está fazendo besteira. E um gênero de besteira de que o “heresia branca” não tiraria proveito, nem perceberia, mas é um gênero de besteira de que o contra-revolucionário verdadeiro pode tirar proveito. Aqui está toda a questão.

E a Revolução, por exemplo, no caso que eu estive narrando hoje à tarde, a Revolução está fazendo besteira, porque eu não quis dizer ali porque não houve condições ainda para eu organizar bem o modo de fazer aquela reunião, mas de fato, eu não tenho nenhuma certeza que durante a reunião não se colam aparelhos auditivos do lado de fora daquele prédio e o que é que aquele aparelho pega ou não. É uma rua!

Disse-me o Dr. Luizinho que aquilo dá para a rua, e é realmente, a configuração do terreno confirma isso inteiramente: dá diretamente para a rua, não tem uma só janela e ninguém de dentro do prédio está olhando para aquela rua. O resultado é que o sujeito pára lá, encosta o aparelho de som que quiser e grava o que entender. E aquelas reuniões têm portanto uma privacy muito discutida, mas muito discutida.

Mas na realidade, os senhores vejam aqui, nós temos uma boa privacy e se houver um aparelho de som do outro lado, o mal está dando risada porque eu estou falando, mas eu vou falar.

Acontece o seguinte, se eles fizerem a guerra de “rabo de palha”, eles podem querer nos envolver, mas nós não somos combustíveis. Desde que o mal não seja feito por um nosso ─ essa é a questão ─ desde que o mal não seja feito por um nosso, essas coisas não pegam. Pode dar muito trabalho, pode ter que fazer esforço etc,. é uma batalha, é verdade, mas não pega.

E o resultado é que se a coisa sair assim sem haver da parte da TFP um ponto errado, nós ficamos no incêndio geral como uma estátua de mármore branco, que terminado o incêndio, está na sua originalidade e na sua alvura primeira. E eles sabem perfeitamente que a TFP glosará isso, eles não têm a menor dúvida, que a TFP vai glosar isso de modo protuberante e implacável. E eles estão fazendo, porque eles estão colocados numa falsa posição onde eles não têm suficiente inteligência para saber se eles estão se enrascando.

* “Quanto mais eles forem para frente e tudo em torno de nós for caindo, no coração das pessoas a pulsação é: AESó eles, só eles… AF”

O caso Mitterrand. Pode ser que eles tenham lá suas razões que eu não conheço para darem ao caso Mitterrand a saída errada que estão dando. Mas a julgar pelos dados que conheço, a atitude deles no caso Mitterrand está espetacularmente errada. O que é que eles deveriam fazer… eu não quero dizer. Não há um dos senhores que quer que eu diga, mas saibam que a saída está completamente torta.

Resultado, eles queiram ou não queiram estão trabalhando para derrubar Mitterrand, fingindo que derrubam pela mão de um outro, mas eles sabem que nós tiraremos proveito da situação. Não tem por onde escapar.

Assim uma série de outros casos em que ─ agora minha resposta ─ à medida em que eles forem nos acuando, sempre sob condição de não sair uma coisa errada de dentro do Grupo, aí eu não respondo por nada, se não sair uma coisa errada de dentro do Grupo, eles vão ficando numa situação em que quanto mais eles nos acuarem mais nós vamos ficar numa posição monumental. Porque a TFP já está tomando uma certa monumentalidade, é algo de inegável, a TFP está na legenda. E…

(…)

quanto mais eles forem para frente e tudo em torno de nós for caindo, no coração das pessoas a pulsação é: “Só eles, só eles…”

Agora, com muito recuo se pode dizer: o Concílio foi uma obra-prima de bem pensado, e a realização dele, uma vez concebido o plano, o que se fez para a realização dele, foi de uma habilidade política total.

No fundo, a gente está fazendo bem o peso, o Concílio é gauche, errado e está fracassado. Acaba sendo que aos olhos do mundo inteiro ficou claro que aquele pessoal “heresia branca” do fim do pontificado de Pio XII, tinha nas entranhas o Concílio. E que, portanto, toda essa gente, quando o Concílio, de um modo ou de outro, estiver recusado, toda essa gente fica recusada, condenada pela História. Isso é um erro, eles deveriam ter feito outra coisa.

Hesito em dizer o que eles deviam ter feito, na conversa da hora do almoço eu insinuei, mas não ousei dizer claramente, mas eles deviam ter jogado isso de outro jeito.

No fundo, no fundo eu só posso dizer isso, é que a “Mensagem” não causaria a impressão que ela causou se a TFP falasse em nome de uma hierarquia autêntica, mas corrompida. É porque ela se apresenta como um fato único, desvinculado da estrutura, que a “Mensagem” impressiona tanto.

(…)

para desengarrafar a TFP. Mas está no próprio jogo das coisas, é na ordem instituída pela Providência, vem isso.

Agora, eu acho que a Providência fará intervenções e por exemplo, eu não me espantaria se…

(…)

chegamos às duas e vinte da manhã, eu queria que o nosso Prof. Spann nos fizesse uma pergunta.

(Sr. Spann: O senhor, outro dia, evitou uma desonra à Imagem de Nossa Senhora Aparecida lá no estádio do Pacaembú, com isso o senhor evitou uma desonra a todos os povos católicos. O senhor não comentou isso, e houve indiferença ao fato, o senhor poderia comentar isso?)

* Compete ao Sr. Dr. Plinio considerar os efeitos de sua ação com objetividade e tendendo ao minimalismo. Para nós, porém, é o contrário

De algum modo, mas fazendo esse comentário, eu vou comentar de algum modo porque assim que se presta. A sua pergunta é muito explicável, mas a esse propósito vou dizer uma coisa que é muito útil para ser conversada entre nós.

É o seguinte: é bem verdade que eu evitei? Vamos tomar isso de frente, eu gosto das perguntas inclementes, implacáveis, eu gosto de as formular pela ponta e depois abordá-las. É bem verdade que eu evitei?

Certeza não se pode ter. Que elementos existem para uma verossimilhança disso, algo que pareça a verdade?

Os rumores recolhidos até o dia do ato, os rumores faziam entender que se passaria uma coisa desse gênero e uma coisa que ainda era misteriosa, que estava guardada no segredo. Fala a favor da hipótese de uma mudança de plano o fato de que o que se passou não tem mistério nenhum! De onde, parece, o plano mudou. Isto é uma coisa plausível.

Agora, é bem verdade que fomos nós? Também parece uma coisa plausível. De maneira que plausivelmente transpirou que a TFP estava preocupada com isso, algumas autoridades policiais com quem nós tomamos contato souberam ─ tiveram que saber para prevenir o fato ─ que nós estávamos empenhados de tal maneira no caso, tiveram medo que nós tirássemos o partido. E eles então não agiram.

O sr. está vendo que é uma coisa toda ela hipotética, de um hipótese perfeitamente cabível.

Agora, acontece que eu não comentei porque o que diz respeito à nossa linha ascensional compete a mim estar na objetividade, mas com uma certa tendência ao minimalismo. E os senhores com uma certa tendência ao maximalismo. É explicável que isso seja assim, é saudável que isso seja assim.

Para nós entendermos que é saudável, nós devemos imaginar o oposto e nós veremos como esse oposto seria doentio. Seria uma associação em que o presidente quer convencer aos sócios que ele está fazendo isso, aquilo, aquilo outro, e os sócios estão rebarbativos, defendem-se contra a hipótese, increpam o presidente, e seria a morte da associação. Se isto é a morte, o contrário é a vida. É nessa plenitude de vivacidade que essa boa ordem consiste.

O sr. me dirá: “Mas Doutor Plinio, o senhor com isso, de algum modo, inibe a nossa faculdade criadora, porque o senhor sendo sistematicamente restritivo, isso acontece que nós de algum modo ficamos inibidos”.

Não é verdade, porque as restrições que eu faço deixam campo livre para as objeções maximalistas, e são tais as restrições que era para fazer, que constituíam para os senhores um afetuoso desafio a quem encontre o… E obrigando-os ao jogo de lógica que os faça tomar a posição adequada. De maneira que há uma verdadeira colaboração ao que eu digo.

E por essa forma, eu aqui, feito o balanço da coisa, digo ─ deixando de lado o maximalismo, o minimalismo, respondendo sua pergunta ─ acho muito verossímil que tenha sido a TFP, primeiro ponto.

Segundo ponto, não falei por causa desse minimalismo que me compete e que compete aos senhores saberem interpretar, ainda quando eu não lhes dê corda, porque, ou os senhores andam com sua própria corda nesse ponto, ou não foi nada feito.

Eu não tomei o remédio mas sinto o sono me invadir, o cansaço há muito tempo que é dono da praça. Eu proponho que, eu vou rezar as orações de depois da refeição que eu fiz, e proponho que rezemos três Ave-Marias.

Aqui está a encantadora Nossa Senhora do Bom Sucesso, rezemos em louvor d’Ela.

Ave Maria Filia Dilecta Dei Patris…

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