Conversa da Noite – 2/10/82 – Sábado . 8 de 8

Conversa da Noite — 2/10/82 — Sábado

Glorificação é propriamente quando o mundo toma uma personalidade com um determinado espírito como um facho de luz para lhe iluminar o caminho * A glória do Reino de Maria será correspondente à carga e à autenticidade daquele que tenha o espírito de Nossa Senhora * A arquitetonia das coisas pede que o homem mais perseguido e que mais lutou seja o mais representativo do espírito que vencerá * A missão do Brasil no Reino de Maria é dar a noção de afeto ainda mais quintessenciada do que o fez Portugal e ter a preeminência da bondade * A bondade do Sr. Dr. Plinio vem da Sra. Da. Lucilia. Sem essa bondade ele teria fracassado inteiramente no trato com o “geração-nova”. Dois exemplos.

* Breves comentários a uma entrevista feita ao Sr. Dr. Plinio publicada na “Folha”, e sobre a repercussão que a “Folha” e o “Estado” têm no resto do país

ninguém do Jardim América nos procurou para formar ao nosso lado — coligados contra o que se faz na Igreja—, os operários fazem. Aliás, nessa entrevista estão… Como no livro da CEBs também…

(Dr. Edwaldo: Inclusive os da imprensa.)

Também. Eles publicam, acho uma coisa incrível.

(Sr. Guerreiro: Está muito prestigiante a reportagem.)

Altamente prestigiante, mas altamente.

(Sr. M: Não tem precedentes.)

Tem uma mais do que isso, que foi o almoço na “Folha”.

(Sr. Poli: Mas noutro gênero.

Sim, mas enfim, era uma coisa altissimamente prestigiosa eles fazerem aquele almoço e apresentarem na primeira página, como grande acontecimento do almoço, que eu fui.

(Sr. Guerreiro: O nome do senhor era o mais citado.)

A história daquele almoço é: o almoço em que veio o Dr. Plinio.

(Dr. Marcos Dantas: Agora, essa entrevista pela matéria acho que atrai mais.)

Isso sim, quanto a atrair a opinião pública não tem dúvida, porque o almoço as pessoas olham por alto.

Agora, o que eu gostei muito foi de me ter lembrado de pôr o referendum, porque essa do referendum deixa as pessoas sem saber o que dizer.

Bom, graças a Nossa Senhora! E vamos tratar dos nossos temas enquanto há um pouquinho de tempo.

(Dr. Edwaldo: E nisso já entra o demônio com a tal combustão. Impressionante aquilo.)

Eu não sei se ficou muito claro para o pessoal do auditório a relação entre aquela história dos nazistas na Polônia e o que está sendo feito agora com o conjunto da opinião mundial.

(Sim.)

Aquilo é muito grave, muito grave. Sobre um ponto de vista — certo ponto de vista, apenas — é mais grave do que aquelas combustões narradas pelo Spann. Porque aquelas combustões narradas pelo Spann ou nós nos documentamos regiamente ou não podemos utilizar como material de propaganda. A força de nossa propaganda é a documentação. Se não tem documentação, não tem nada.

Agora, já pelo contrário, o caso lá da Polônia é uma coisa que se pode… é fácil ver, isso é assim. Que loucura publicarem um livro contando aquilo. Agora, aquilo é só judeu que sabe fazer. Só judeu…

(…)

a “Folha” tem repercussão local, nos meios políticos sabidos, mas por exemplo, no Rio a “Folha” não tem repercussão nenhuma.

(Sr. MF: Em Minas tem muita repercussão.)

(Dr. Edwaldo: Em Porto Alegre também, em uma hora esgotava.)

Mas chegava pouco, não é?

(Dr. Edwaldo: Mas o que estivesse, saía.)

Não sabia disso.

(Sr. Poli: Em Curitiba a mesma coisa. Ponta Grossa também.)

(Sr. Guerreiro: Londrina também.)

Mas no Rio não entra nada, não é, Marcos?

(Dr. Marcos Dantas: Relativamente pouco.)

Porque tem grandes jornais lá. Tem o “Globo”, tem o “Jornal do Brasil”. O “Jornal do Brasil” é um jornal de mão cheia hoje em dia, eu antigamente não reconhecia grandes qualidades jornalísticas no “Jornal do Brasil”, mas acho que melhorou muito. O “Globo” eu acho que é um jornal muito secundário. Aliás, acho que no Rio mesmo é mais jornal para o povinho, não é Marcos?

(Dr. Marcos Dantas: Não tanto, mas para os que gostam mais de sensação.)

(Sr. Poli: A distribuição da “Folha” é muito boa, às 8hs da manhã já está no Paraná.)

Mas se tem no Paraná, deve-se admitir que tenha para Minas também…

(Sr. MF: Lá chega às 9, 10hs da manhã.)

Os jornais são como as pessoas, têm épocas de mais vitalidade e menos, como as pessoas. O “Estado” é um jornal envelhecido.

(Dr. Edwaldo: O “Estado”, com essas publicações que a “Folha” tem feito do senhor, fica em situação péssima, fora do mundo.)

Péssima. Fica fora do mundo, fora do mundo. Eles devem ficar indignados com essas publicações.

* Glorificação é propriamente quando o mundo toma uma personalidade com um determinado espírito como um facho de luz para lhe iluminar o caminho

Mas, meus caros, vamos então aos nossos temas, sob a presidência grandiosíssima de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Alguém tem algo para me perguntar?

(Sr. Poli: Tenho embaraço em apresentar a pergunta…)

O que é uma coisa que embaraça o Coronel? O Coronel é muito desembaraçado!

(Dr. Marcos Dantas: A tese do Coronel é que para haver uma manutenção do clima contra-revolucionário no Reino de Maria, seria necessário uma glorificação do senhor e da Senhora Dona Lucilia também.)

vamos dizer, por exemplo, há anos atrás — para mostrar o contrário como é — há uns 20, 30 anos atrás, não sei quanto tempo — vocês devem ter ouvido falar —, uns dois ingleses, Lord Carnervoll e outro cujo nome não me lembro, descobriram restos de um faraó Tutancamon, um faraó obscuro. Mas como eles entraram na câmara, enfim, pela primeira vez pegaram os tesouros internos de uma pirâmide, em que eles levaram a nu, etc., etc., o nome de Tutancamon ficou famoso no mundo inteiro.

Foi uma glorificação?

Não, porque o mundo aplaudiu aquelas coisas, achou muito interessante, mas não é um valor que o mundo incorporava a si. Ele registrava como uma coisa curiosa que ficou no seu caminho.

O bonito é quando o mundo toma uma certa personalidade como um facho que pega para iluminar seu caminho. Isso é que é propriamente a glorificação.

* A glória do Reino de Maria será correspondente à carga e à autenticidade daquele que tenha o espírito de Nossa Senhora

Então, é certo o seguinte: a glória do Reino de Maria será correspondente à carga e à autenticidade do que o indivíduo tenha do espírito do Reino de Maria. Ou seja, do espírito de Nossa Senhora. Os homens ávidos desse espírito glorificarão a quem teve mais do que eles e a que pode lhes servir de um facho, um flambeau que eles vão levando pelo caminho para iluminar a sua vida, para eles realizarem suas intenções.

Também é certo que nesse sentido como o espírito do Reino de Maria vai ser o contrário do espírito da Revolução, se uma pessoa não só teve o espírito do Reino de Maria, mas teve em grau eminente o espírito oposto à Revolução, teve como ninguém teve; este está em condições de representar o espírito do Reino de Maria como ninguém representou. E este naturalmente está apontando ser aceito e iluminar a estada dos que vierem. Isto é a glorificação.

* A arquitetonia das coisas pede que o homem mais perseguido e que mais lutou seja o mais representativo do espírito que vencerá

Trata-se de ver aqui quais são os traços desse espírito que a Revolução recusou.

(Sr. Poli: Está fenomenal.)

Isso é assim, para exprimir em termos simples é assim.

É claro, também, que o mais perseguido e o que mais lutou mereça uma glória especial. Mas a arquitetura das coisas pede que o mais perseguido, que mais tenha lutado, seja mais representativo desse espírito que vencerá.

Então a própria luta do conquistador se funde com a glória do fundador, e daquele que é o precursor. Porque um fundador é precursor, [é o] que vai na frente, corre na frente, anda na frente indicando aos outros o caminho que devem seguir. Isso é uma coisa que se explica bem, faz uma composição razoável. Eu não falo dessa pessoa ou daquela outra pessoa, mas suposta uma certa situação histórica o razoável é isso.

* A missão do Brasil no Reino de Maria é dar a noção de afeto ainda mais quintessenciada do que o fez Portugal e ter a preeminência da bondade

Se conjuga com isso um outro dado — sobre o qual eu creio que nós já conversamos aqui, mas eu não sei se já tratamos disso [em concreto] — que é o caso seguinte: ainda esta semana, [por] estes dias, eu passei uns 15 dias ou 20, sei lá, no São Bento por causa dessa obra que tem aqui em frente da casa que não me permite dormir. E, com isso, saía naturalmente à noite muita reunião para a “enjolrada”. E uma noite eu fui falando a respeito dos vários países da Europa, o espírito próprio aos vários países, essa coisa toda. Ah! Em larga medida também foi no MNF, porque isso também foi matéria de MNF.

E me dei conta que eu tinha mencionado todos menos Portugal. E realmente Portugal não entrou com nenhum contributo para a Europa. Portugal não é um componente da mentalidade européia. Quer dizer, você não pega nenhum traço de Portugal onde você diga: “O europeu está aqui representado”; ou um traço da Europa em que você diga: “Aqui está a influência de Portugal”. No que nós chamamos cultura européia a influência de todos os outros povos está presente.

O Eça dizia que Portugal é o sepulcro de pensamento humano, porque o que se pensa em português só é lido em Portugal e no Brasil, em nenhum outro lugar do mundo se fala português. Então, pensado entra para a sepultura, dizia ele. Realmente, fica assim à margem.

Mas, eu creio que Portugal não chegou a tempo de dar o que ele podia dar e que o Brasil deveria dar ainda mais quintessenciadamente do que Portugal, e que é a noção de afeto.

A noção de afeto, seu corolário: bondade, carinho. É preciso dizer que Portugal tem quando os outros povos não têm. Isso é positivo. Ainda eu estava vendo aqueles espanhóizinhos muito garbosos que vieram desta vez e cantando e fazendo… “pintando o caneco” lá no São Bento, e o Azeredo, Sepúlveda e o Eurico ali presentes e olhando aquilo tudo. Via também o Guillaume e o “Áustria”.

A gente estava vendo as reações das várias raças: os espanhóizinhos cantando aquele sapateado deles todos, o Guillaume… (…) [Risos.] … de vez em quando ele me olhava assim — porque eu estimulava muito os espanhóizinhos —, ele me olhava com uma certa pena com quem diz: “Como Dr. Plinio precisa ter paciência para estimular essa gente. Enfim, para o apostolado compreende-se que ele faça. Mas certamente ele que é tão apreciador do talento francês não está apreciando esta sapateada aqui”. De fato aprecio. Ele está muito enganado.

O “Áustria” com aquela cara assim de gatão dele, ambíguo, não fazendo a cara do Guillaume, mas ambíguo, como quem diz: “Não estou compreendendo, nem sei o que estão fazendo. Não tem nada comigo.”

Eu estava vendo o jeito do Azeredo e dos portugueses, olhando com uma bondade enternecida para os espanhóis, comprazidos e querendo bem a espanholada.

É uma atitude nossa que desse jeito, entender o querer bem como português e como brasileiro, depois entende também, eu acho que em nenhum povo do mundo se entendeu. E eles mesmos não se querem bem entre si à maneira de um brasileiro e de um hispano-americano em geral.

Eu digo por exemplo,…

(…)

recebido de Portugal, mas com o processo Revolução não houve tempo e ficou de lado. E eu tenho impressão que é a grande coisa com que o Brasil entrará para o Reino de Maria. Quer dizer, o brasileiro tem essa capacidade de querer bem e querendo bem, assimilar, apurar sínteses, quintessências dos vários povos e com isto ficar com uma forma de preeminência — parece literatura piegas o que vou dizer, mas não é, é real —, é a preeminência do afeto, da bondade, do modo paciente, clamo, comunicativo de fazer as coisas, etc., etc., que os outros povos não têm. Eles não vêem assim e não são assim uns com os outros.

A Revolução armou essa mentira de que todo ultramontano, todo contra-revolucionário não tem isso; que a bondade é um distintivo do liberal e que ela consiste no fundo no permissivismo, deixar todo mundo fazer o que quiser. E que quem quer fazer leis, regras, normas, protegê-las com sansões, estabelecer hierarquias, esse não tem bondade. É o conceito corrente de bondade que há por aí. Donde por exemplo, o socialista parecer um bondoso e uma marquesa parecer sem bondade, uma pessoa que estabeleceu distância sem afeto, pecou contra a bondade…

Eu creio que caracteriza muito bem a verdadeira Contra-Revolução ela inaugurar junto com o reino da ordem o reino da bondade. Mostrando a incompatibilidade de uma coisa com a outra a tal ponto que nenhuma das duas coisas pode-se supor sem a outra. E que esta bondade é o próprio modo de ser da autoridade, é o próprio modo de ser do poder, é o próprio modo de ser da riqueza, do talento, da cultura. Quando eles são lógicos consigo mesmo, eles são bondosamente.

E eu devo dizer…

(…)

* Um exemplo da bondade brasileira: a atitude da Imperatriz Leopoldina diante da filha ilegítima do Imperador D. Pedro II

sendo nomeada Duquesa de Goiás tinha direito de freqüentar a corte e depois ela era filha reconhecida do imperador, portanto, devia ser apresentada à imperatriz.

Então, diante de uma série de damas da corte, entrou a governanta da Duquesa de Goiás levando a menina, apresentou à imperatriz, e havia uma certa expectativa na corte para saber como é que a imperatriz receberia a filha do adultério. A menina era uma menina de mês de nascida, uma coisa assim.

Entregaram para a imperatriz e disseram: “Queremos apresentar a V. Majestade a Duquesa de Goiás”. Ela tomou nos braços a menina, osculou, entregou e disse: “Coitada, minha filha, você não tem culpa de nada.”

Essa mulher soube entender o Brasil. Levar o heroísmo da bondade a ponto de chamar de “minha filha” a filha da Marquesa de Santos, cujo reconhecimento era uma bofetada nela, e dizer ao mesmo tempo um dito pelo qual ela afirmava a culpabilidade do marido [e dizia que] ela não aceitava o fato consumado. Foi um bonito lance.

Assim outras coisinhas da Imperatriz Leopoldina deram a impressão de que ela era uma pessoa que por alguns lados entendeu o Brasil.

* A bondade do Sr. Dr. Plinio vem da Sra. Da. Lucilia. Sem essa bondade ele teria fracassado inteiramente no trato com o “geração-nova”. Dois exemplos.

(Sr. Guerreiro: Aspectos da bondade do senhor que a partir do que o senhor tem falado da Senhora Dona Lucilia, se têm visto melhor. Vê-se que ela atendeu nisso ao senhor.)

O que eu possa ter nesse sentido vem dela. Isso é certo, certíssimo.

(Sr. Guerreiro: Daí o facho de luz do futuro deve ter um diadema…)

Eu tenho esperança no sentido de que conhecendo a ela se interprete muita coisa que há em mim, mas que eu vejo que as necessidades da luta criam condições que a pessoa ficam com dificuldade de ver. Mas de fato há.

(Sr. Guerreiro: A propósito dela o senhor revela aspectos psicológicos que dir-se-ia que o senhor não tem.)

Eu não saberia ter. Quem me formou foi ela. Eu me lembro de vê-la tratar todo mundo assim, tratar a mim também e muito marcadamente a mim. E eu me lembro de que todo o enlevo palpitante que eu tinha por essa atitude dela, [enquanto eu via o] NANE dos outros. Eu me lembro de refletir: “Minha pugnacidade está em oposição ao que ela faz.” Depois pensar: “Isto eu resolverei de futuro, agora eu sei que eu tenho que ser pugnas, mas não posso renunciar a ter no fundo da alma aquilo que ela é, um dia saberei o que fazer dessas lições.”

Quando eu comecei a tratar com a “geração-nova”, eu compreendi: “Ou eu me AElucianizo AF ou isso não funciona.” Teria sido o fracasso mais completo! Ou eu me poria numa atitude AEluciliana AF ou eu teria sido o mais injusto e teria conduzido ao fracasso, um desentendimento de relações completo.

Você tomando minha truculência — diga-se entre parênteses, bem lusa, eu me sinto interpretado, expresso pela truculência portuguesa, quando tem de ser tem de ser, agora vamos lá! —, bem lusa, é assim. Você tomando em consideração tudo isso, seu eu não tivesse tido uma mãe assim que me tivesse feito ver o outro lado da questão, você pode imaginar se eu poderia por exemplo, ter tocado para a frente o LA. Impossibilidade! Ele se esvaía. Eu me lembro as primeiras estranhezas que eu tive tratando com ele, foram fabulosas. Mas estava um bom rapaz, como se diz em espanhol, a todas luces um bom rapaz, é óbvio que é um bom rapaz, uma boa pessoa, apreciável, mas faz um propósito, no dia seguinte:

Como é, LA, você cumpriu o propósito?

Hã?

Eu estou perguntando a você se você cumpriu seu propósito…

Que propósito?

Ele vinha descendo de brumas assim em diagonal, eu já dentro pronto a dizer:

Como propósito? Você está me tomando por um palhaço?! Você ontem não resolveu tal coisa assim? Um de nós dois aqui nesse negócio é um palhaço. Ouça bem, meu caro!

Eu via que ele tinha feito o contrário do que ele tinha formado o propósito com uma tal candura, eu quase ousaria dizer uma tal inocência, que eu caía das nuvens. Eu dizia [para comigo]: “Isso aqui, não sei, o verdadeiro é meter umas bengaladas nele e romper as relações com ele. Mas quando eu olho essa limpeza de alma que está aqui diante de mim… eu não vou fazer isso. Então o que tem que fazer? Ou eu trato a ele com a paciência de mamãe ou ele se arrebenta nas minhas mãos.”

O Sérgio, aquelas coisa do outro mundo do Sérgio. Você conhece o Sérgio de hoje, acho que você não chegou a conhecer o Sérgio de outrora, não?

(Sr. Guerreiro: Não conheci, não.)

Ah, é do outro mundo! Uma vez — ele ia embarcar para Belo Horizonte e eu queria que ele tomasse o avião porque ele ia fazer um tratamento lá —, ele me acorda, a Olga, uma criada lituana que eu tinha aqui, muito dedicada a mamãe, às 5hs da manhã bate em meu quarto: “Tãn chamando, Dr. Plinio, Tãn chamaando”. Eu disse: “Quem é?”

Dr. Sérgio.

O telefone não chegava até à minha cabeceira, eu me levantei penosamente, fui ao telefone: “Sérgio, o que é que há?”

Queria dizer ao senhor que são 5hs da manhã, eu tenho que me levantar às 7 para tomar o avião e o meu relógio está fazendo um tic-tac com tanto barulho que eu não consigo dormir, eu quero perguntar ao senhor o que eu devo fazer.

Acordar um homem de 50 anos por causa disso?! [Dá] vontade de dizer: “Coma o seu relógio! Coma o seu relógio, é a solução. Você não tem outra.” Pum! Está acabado.

Meu Sérgio, mas vamos conversar um pouquinho, hã, hã, hã.

Afinal de contas ele concordou em tirar o relógio de uma posição para pôr outra, no quarto dele, dormiu duas horas, acordou à hora e partiu para Belo Horizonte.

Mas uma coisa que não tem propósito, mas…

Bem, e segundo os meus cânones isso é de um va… mon répas dechiré, mas logo na primeira saída. Tratei muito bem, etc., ainda estava pensando: “Um bezerrão desse e não sabe o que ele tem de fazer quando o relógio incomoda. Vai tirar um homem de 50 anos da cama para consultar.” Mas é de desmaiar! Faz com naturalidade e no fundo uma atitude filial.

Bom, assim toneladas de coisas, mas toneladas de coisas. Isso tudo, se eu não tivesse aprendido com ela, teria dado não sei que desastres. Desastre de todo tamanho.

Meus caros, “vai alta a lua no solar” de Da. Lucilia, e vamos nos despedir portanto. Nós costumamos rezar a Oração da Restauração, não é?

(Sim.)

(Sr. Poli: Um super-tesouro o senhor nos deu hoje.)

Enfim, cada um vai até onde consegue.

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